Números em “O Livro dos Espíritos”
Adésio Alves Machado
Foi porque queria esclarecimento sobre a questão de “O Livro dos Espíritos” ter
1018 ou 1019 perguntas, que nos nasceu a idéia de fazer este levantamento, sobre
números, no livro básico do Espiritismo.
Primeiro foi possível constatar o extraordinário trabalho executado por Allan
Kardec que, de um modo geral, é sempre visto como aquele que simplesmente codificou
a Doutrina Espírita, deu a ela uma forma didática ordenada, deixando entrever que tenha
sido insignificante a sua participação. Não, os seus comentários, o encadeamento das
perguntas, as análises judiciosas das respostas foi fruto de uma inteligência fecunda,
condições de um Espírito de alta envergadura moral/cultural/espiritual.
O Codificador, segundo a FEB (Federação Espírita Brasileira), não teria numerado
a pergunta imediatamente após a 1010, aquela que seria a 1011. Assim sendo, o livro
teria 1019 e não 1018. Acontece que a tal pergunta foi elaborada segundo um mesmo
critério que, como todas as demais, também não mereceram numeração. Mas, por que?
Elas deixaram de ser indagações pelo fato de terem sido feitas por cima de uma anterior?
Não ajuizamos assim. No nosso entender todas são perguntas, são indagações
elaboradas por uma inteligência de escol, conseqüência de suas elucubrações preciosas.
Além do mais, foram incluídas como perguntas as explicações de Allan Kardec sobre a
“Escala Espírita”, tema que foi numerado como 100 a 113 e os assuntos constantes sob
os números 59, 222, 257, 455 e 872 que são considerações e resumos teóricos
formulados pelo inteligência interpretativa brilhante de Allan Kardec, e que foram
acolhidas por ele com as seguintes denominações: “Considerações e concordâncias
bíblicas concernentes à Criação”, “Considerações sobre a pluralidade das existências“ ,
“Ensaio teórico da sensação dos Espíritos”, “Resumo teórico do sonambulismo, do êxtase
e da dupla vista” e “Resumo teórico do móvel das ações humanas”, respectivamente.
Dessarte, vamos mais especificamente aos números.
O livro, dividido em 4 partes, tem no total 1213 perguntas, a saber: na 1ª parte, 75
perguntas, da nº 1 à 75, e 12 subperguntas, somando 87; na 2ª parte, da 76 à 613 temos
538, que somadas com as 123 subperguntas, chega-se ao número de 661; a 3ª parte
tem 306 perguntas, da 614 à 919, e mais 42 subperguntas, totalizando 348, e, finalmente,
a 4ª parte, com 100 perguntas, da 920 à 1019, e mais 17 subperguntas, o que é igual a
117. Vamos, pois, à soma dos totais: 87+661+348+117=1213 perguntas. São, assim,
1019 perguntas+194 subperguntas, perfazendo o total de 1213 interrogações.
O livro tem uma introdução com 17 itens, trabalho brilhante de Allan Kardec, e em
seguida o “Prolegômenos”, uma mensagem iniciada por Allan Kardec e finalizada pelos
Espíritos Superiores que colaboraram nessa obra ciclópica. Findando o livro, Allan Kardec
apresenta a “Conclusão”, um trabalho só dele com 9 itens.
Há o que poderíamos chamar de “respostas mensagens”, assinadas pelos
Espíritos, como se segue: a 495 por S.Luiz e Santo Agostinho; as 1004, 1006,1007, 1008,
1010 e 1019 por S.Luiz; a 888 por Vicente de Paulo; a 917 por Fénelon; a 919 por Santo
Agostinho e a 1009 por Santo Agostinho, Lamennais, Platão e Paulo, o Apóstolo.
A maior das perguntas é a 394, traduzida para o português com 153 palavras,
considerando, inclusive, as de uma letra só. A menor é a de nº 1, construída com três
palavras. A maior resposta é a 1009, que apresenta quatro mensagens de Espíritos
Nobres e a participação final do Codificador. A menor é a 625, respondida com uma única
e insubstituível palavra, JESUS.
Com estes números chegamos a seguinte conclusão: “O Livro dos Espíritos” tem,
em realidade, 1213 perguntas, sendo 1019 numeradas (consideremos a 1011 como
também numerada), e 194 sem número, as que podem e devem ser admitidas como
subperguntas.
Das 194 subperguntas, 140 têm apenas uma subpergunta; 23 tem duas
subperguntas; uma tem três subperguntas e também uma tem cinco subperguntas, a
236.
Estão registradas 187 perguntas cujas respostas mereceram do Codificador
necessárias notas ou explicações, sendo que as 131,146,266,399,613,789,917 e 957 as
explicações ocupam mais de uma página, num puro trabalho e esforço intelectual de
Allan Kardec.
Muitos outros números poderíamos ter incluídos neste trabalho, mas fiquemos, por
enquanto, por aqui. O certo é que o realizamos sob a necessária e imprescindível
assistência dos Espíritos Amigos, porque sabemos que nenhum trabalho que vise sadia
utilidade é feito sozinho, na ordem do universo. O lidar com números é sempre
susceptível de se cometer enganos. Na parte que podemos considerar como material
(localizar e contar perguntas), assumo sozinho a responsabilidade, porque, humano como
sou, posso ter tido uma ou outra falha, a qual, caso tenha existido, não inviabiliza o que
foi realizado. Não olvidemos, no ensejo, o esquecimento de Allan Kardec de relacionar a
pergunta 1011. Qualquer falha que porventura for localizada pelo leitor, por gentileza,
solicitaria que fôssemos informados.
Amemo-nos uns aos outros como JESUS nos ama.
Adésio Alves Machado
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