A ARTE DE CONTAR HIST�RIAS NO ENSINO FUNDAMENTAL

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					A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS NO ENSINO
            FUNDAMENTAL
                               APRESENTAÇÃO



        Há dois anos planejo meu trabalho pedagógico com o objetivo de propiciar
aos alunos o contato e o conhecimento mais abrangente com os livros de histórias
infantis, relacionando assim as diversas disciplinas, de maneira a organizar uma
prática inovadora, carregada de significados que levem o aluno a maior
compreensão da realidade pessoal e coletiva.
       Nada é mais fascinante para o educador do que trilhar caminhos propostos
pelo pensamento e pela imaginação infantis. Percebe-se que os livro infantis trazem
linguagens que dialogam com a afetividade, com a emoção e que permitem à
criança desvendar o mundo a sua volta, além de enfocar conceitos e atitudes
importantes.
      As crianças ficam curiosas, com profunda capacidade de aprendizagem e o
desejo pelo conhecimento as levam a formular hipótese, expandir o campo da
imaginação, interagindo com o mundo que as cercam e de maravilhar-se diante da
vida.
        Essa pesquisa terá como o intuito de saber se o pensamento em relação as
histórias mostra ser verídico e, se essa investigação será relevante para contribuir
no resgate da auto-estima da criança, para fortalecer a autonomia, segurança e
melhorar as relações sociais; propiciando mudanças de atitudes que envolvam a
escola, a família e a sociedade.
       Considera-se também que essa pesquisa poderá contribuir para auxiliar
outros educadores a planejarem suas aulas, aprofundando o olhar sobre o que se
passa na sala de aula, para melhor construir conhecimentos que os auxiliem na
compreensão do processo de ensino-aprendizagem de alunos com problemas
afetivos.


                                  INTRODUÇÃO


      Neste trabalho de pesquisa será abordada, a importância dos contos de fadas
no cotidiano das instituições infantis. Esse trabalho monográfico será elaborado,
através de referências bibliográficas, sobre a contribuição dos contos na vida afetiva
e na construção da identidade da criança.
      Trata-se de um texto que pretende mostrar ainda que a criança dá muita
importância aos contos de fadas, pois ouvem as histórias e apropriam-se delas, para
compreender situações de sua própria vida. Através dos contos de fadas encontra-
se uma ajuda muito valiosa para se estudar o comportamento da criança, sempre
levando em conta como ela se identifica nas histórias.
      Sugerem também experiências que são necessárias para desenvolver ainda
mais o seu caráter, é um estudo interessante e ao mesmo tempo agradável porque
pretende contribuir com o trabalho dos educadores, sugerindo o resgate da auto-
estima da criança, o fortalecimento da autonomia e segurança, propiciando
mudanças de atitudes que envolvam a escola, a família e a sociedade.
      Assim, no primeiro capítulo contará com uma apresentação do trabalho de
pesquisa, justificando os objetivos e a relevância desse estudo para a prática
pedagógica.
      No segundo capítulo abordará um relato sobre a importância psicológica dos
contos, oferecendo novas dimensões à imaginação da criança e auxiliando-a em
suas descobertas.
        Também será ilustrada a emoção segundo Vygotsky ao enfatizar que só é
possível compreender o papel da emoção no contexto da vida, evidenciando o papel
do ser humano nas emoções, vinculando emoções á imaginação. Ele relata que a
articulação entre realidade e imaginação é um desafio e que através desse
processo, a criança vai construindo a realidade e desvendando o mundo.
      No terceiro capítulo explicitará, sobre a vida afetiva e a contribuição dos
contos na construção da identidade da criança, mostrando que na infância, mais do
que em qualquer outra idade, tudo está em transformação e o conto de fadas
oferece materiais de fantasias que surgem à criança simbolicamente o significado de
toda batalha para seguir sua auto-realização.
       O trabalho também contará, com o quarto capítulo, que mostrará como a
escola trata a leitura infantil e como as histórias infantis podem estar contidas no
currículo escolar.
       Esse trabalho de pesquisa será também um desafio de se conseguir adaptar
esse currículo informal á situação escolar, colocando a literatura infantil como um
instrumento central para a preparação da aula.
       O papel atribuído à escola, repensando a literatura dentro de seus projetos
pedagógicos e mostrando que o papel do professor é fundamental na mediação
entre criança e a leitura.
      No quinto capítulo irá mostrar as técnicas para contar histórias e a
necessidade de se oferecer condições que auxiliem as interações lúdicas e o
reconhecimento do especial valor destas interações para as crianças.
       Será abordada também a preocupação com o valor educacional e como
desenvolve elementos como criatividade, imaginação, senso crítico e os valores que
serão trabalhados através das histórias.
        O sexto capítulo fará uma apresentação de um programa de histórias e o
relato da experiência do trabalho que venho realizando como educadora no Ensino
Infantil a dois anos e a importância dos contos de fadas em nosso trabalho junto aos
alunos.
      Para finalizar, será apresentada uma síntese sobre a pesquisa realizada,
mostrando a contribuição dos contos na reformulação de valores e na
conscientização dos seres em formação.
CAPÍTULO 1. APRESENTAÇÃO E A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE
DA CRIANÇA.


       Desde muito cedo a criança gosta de ouvir a história da sua vida, a mais
importante para ela. É com prazer que escuta alguém contar como foi que ela
nasceu, os fatos acontecidos com ela, com os irmãos, os pais e os avós. Desenvolve
noções de identidade e de passado, ouvindo os casos que são contados e que
formam a história da família.
       À medida que cresce, começa a solicitar determinadas passagens que deseja
ouvir. Aos poucos os casos vão ficando mais compridos, enriquecidos de detalhes
curiosos e engraçados. Da reunião de histórias do passado, a criança constrói o
quadro dela mesma no presente.
      As histórias sobre fatos reais são importantes, porque ajudam a criança a
entender sua origem e que tipo de relações existem entre ela, as pessoas e os
lugares.
       As histórias inventadas também são importantes. Desde cedo a criança
precisa também saber de coisas que não fazem parte de sua experiência cotidiana.
É comum ela ter um amigo imaginário ou atribuir qualidades humanas e
sobrenaturais a um brinquedo ou um animal.
       As conversas e as histórias dessas personagens, unindo o real e o imaginário
dá aos pais muitas dicas sobre seus filhos, pois nessas horas que a criança deixa
transparecer sentimentos como o medo, a insegurança, o ódio, o amor. Assim que
aprende a falar, a criança começa a contar histórias para si mesma. Com um ano e
meio, fala com os brinquedos, num jogo imaginário e pessoal.
       Antes mesmo de saber a falar corretamente, ela imagina, cria e faz de conta,
demonstrando suas preocupações e interesses a cada momento. À medida que a
criança cresce, as histórias se complicam, mas continuam envolvendo experiências
e situações importantes para ela.
       As histórias somam-se então às investidas, passando a fazer parte de um
mundo onde a realidade e a imaginação se completa, os livros aumentam o prazer e
a imaginação da criança. A partir de histórias simples, começa a reconhecer e
interpretar sua experiência da vida real.
      Acontecimentos familiares descritos em livros têm uma importância muito
grande, porque a criança precisa saber que é igual a todo mundo, que outros vivem
experiência semelhante às suas.
      Ela se identifica, por exemplo, com as histórias em que as crianças e bichos
acordam, vivem suas rotinas diárias e vão dormir, ou com aquelas em que crianças
brincam, vão ao parque ou festas, ao médico ou ao dentista, estão de férias, ficam
doentes e ampliam experiências conhecidas e ajuda a enfrentar situações novas.
      No reino da fantasia tudo é possível. As crianças pequenas aceitam com
muita naturalidade histórias sobre aventuras impossíveis vividas por bichos e
pessoas. Tudo o que é fantástico vai alimentando sua imaginação e entrando no seu
mundo, onde os limites entre o real e o imaginário ainda estão sendo estabelecidos.
        O amor pelos livros não aparece de repente na vida criança. É preciso ajudá-
la descobrir o que os livros lhe podem oferecer. Cada livro pode trazer uma nova
idéias, ajuda a fazer uma descoberta importante e ampliar o horizonte da criança.
        Aos poucos ela ganha intimidade com os livros. As histórias que os pais
contam e os livros que pais e filhos vêm juntos formam a base do interesse pelas
histórias e a gostar dos livros.


2. A IMPORTÂNCIA PSICOLÓGICA DOS CONTOS


       É importante ressaltar que apesar dos contos terem sido criados há séculos,
continuam maravilhando crianças e adultos do mundo inteiro. Existe algo de
universal nos contos que os faz ultrapassar o tempo e as culturas. A psicanálise no
decorrer deste século analisou e verificou a riqueza psicológica que está contida nos
contos.
        Os contos de fadas transmitem mensagens à criança de forma múltipla: que a
luta contra dificuldades graves na vida é inevitável, é parte da existência humana,
mas que se a pessoa não se intimida e se defronta de modo firme com as opressões
inesperadas e muitas vezes injustas, ela dominará os obstáculos e, ao fim será
vitoriosa.
      A criança necessita muito particularmente que lhe sejam dadas sugestões, de
forma simbólica sobre a forma como ela pode lidar com estas questões.
        Para dominar os problemas psicológicos do crescimento, como superar
rivalidades fraternas, ser capaz de abandonar dependências infantis, obter um
sentimento de individualidade e de autovalorização, a criança necessita lidar com os
conceitos que estão dentro do seu inconsciente, mas que lhe causam desconforto
consciente. A criança adequa o conteúdo inconsciente às fantasias conscientes, o
que a capacita a lidar com este conteúdo.
       É aqui que os contos de fadas têm um valor inigualável, oferecem novas
dimensões à imaginação da criança que ela não poderia descobrir verdadeiramente
por si só.
       A forma e estrutura dos contos de fadas sugerem imagens à criança com as
quais ela pode estruturar seus devaneios e com eles dar melhor direção à sua vida.
Os contos tomam as ansiedades existenciais e dilemas com muita seriedade e
dirige-se diretamente a eles: necessidade de ser amado, e o medo de uma pessoa
de não ter valor, o amor pela vida e o medo da morte.
        Além de dirigir a criança para a construção de sua identidade e pelas
identificações e repulsas e a comunicação, os contos sugerem as experiências que
são necessárias para desenvolver ainda mais o seu caráter. Declaram que uma vida
compensadora e boa está ao alcance da pessoa apesar da adversidade, mas
apenas se ela não se intimidar com as lutas do destino, sem as quais nunca se
adquire uma identidade autônoma.
       Os contos personificam e ilustram conflitos internos, mas sempre sugerem
sutilmente como estes conflitos podem ser solucionados e quais os próximos passos
a serem dados na direção de uma humanidade mais elevada.
        Estes são apresentados de um modo simples, caseiro; não fazem solicitações
ao leitor. Isto faz que até a menor das crianças se sinta atuante, e nunca a leva a se
sentir inferior. Assegura e dá esperança para o futuro, oferecendo promessa de um
final feliz.
        O conto de fadas é otimista, mesmo que alguns traços sejam terrivelmente
sérios. Ele oferece materiais de fantasia que sugere à criança sobre forma simbólica
o significado e de toda batalha para conseguir uma auto-realização, e garante um
final feliz. Assim, uma existência feliz é projetada pelos contos como o resultado das
provações envolvidas nos processos de crescimento.
       O conto de fadas procede de uma maneira parecida com o caminho pelo qual
uma criança pensa e experimenta o mundo; por esta razão os contos são tão
convincentes para ela, pois poderá obter um consolo muito maior de um conto de
fadas do que de um esforço para consolá-la baseada em raciocínio e pontos de
vistas adultos. Uma criança confia no que o conto de fadas diz porque a visão de
mundo está de acordo com sua.


      2.1 A emoção segundo Vygotsky
        Segundo OLIVEIRA (2001, p. 32), para Vygotsky a emoção não é vista como
algo natural da criança, que nasce com ela ou que faz parte da sua natureza
enquanto espécie. Ele admite que a manifestação inicial da emoção é parte da
herança biológica. Entretanto, a emoção nas interações sociais perde seu caráter
instintivo para dar lugar a um nível mais complexo de atuação do ser humano.
       Ao enfatizar que só é possível compreender o papel da emoção no contexto
dinâmico da vida, Vygotsky evidencia o papel do meio humano nas emoções,
vinculando emoção, imaginação.
      Estabelece um elo entre o desenvolvimento da imaginação e o da linguagem,
mostrando o quanto esta libera a criança de suas impressões imediatas, permitindo-
lhe agir em um plano desvinculado da realidade, essencial para atividade da
imaginação. Relaciona emoção e imaginação estreitamente ligada ao movimento
dos sentimentos.
       Para Vygotsky...”O correto conhecimento da realidade não é possível sem um
certo elemento de imaginação, sem o distanciamento da realidade, das impressões
individuais mais imediatas, concretas, que representam esta realidade nas ações da
nossa consciência”.
      Com esta afirmação, ele está também fazendo uma distinção entre o
conhecimento advindo da experiência mais primitiva, é aquele mais complexo, em
que as imagens construídas pela imaginação se articulam, umas às outras,
possibilitando uma penetração mais profunda na própria realidade.


      2.2 Articulando realidade e fantasia, presente e passado.
      A diferença e a articulação entre realidade e imaginação são um desafio que
acompanha nossa vida. A realidade é caracterizada pelos fatos e pelos efeitos que
podemos constatar. Contudo, os sonhos e os desejos, muitas vezes não realizáveis
estão ligados com a realidade. Muitos dos sonhos, fantasias ou desejo são tão
presentes, que se tornam sentidos, quase que palpáveis.
       Se olharmos para trás, vemos que na história, o escritor consegue trazer a
realidade futura para o seu tempo, proporcionando à criança através da história,
vivenciar uma situação futura, como por exemplo: a perda da mãe na história do
Bambi.
      Quando a criança ouve uma história sobre super herói, ela se coloca num
papel de poder, no qual pode dominar os vilões, as situações que provocariam medo
ou que a fariam sentir-se vulnerável e insegura.
      Sentir-se um super-herói, ao mesmo tempo em que ajuda a criança a
construir autoconfiança, leva-a superar obstáculos da vida real, como vestir-se
comer um alimento sem deixar cair e fazer amigos.
       “As crianças pensam sobre o mundo da fantasia com mais flexibilidade do
que pensam sobre o mundo real, e por isso pode indicar que através da imaginação
ela pode ser mais competentes nas tarefas que requerem flexibilidade ou
habilidades de pensamento divergentes”. Contar histórias é um ato cultural que atua
diretamente nos sentido e no subjetivo de cada um, possibilitando à criança
conhecer melhor a si mesma, o outro e o mundo em que vive, através do contato
com as diferentes culturas: uma ponte entre um mundo distante e o mundo de hoje.
      Torna-se participante ativo da cultura deixada por gerações que antecederam
num processo contínuo de crescimento cultural e da memória, proporcionando um
estado de encantamento, fazendo a criança esquecer-se de si mesma. Ela
memoriza com facilidade a história, assimila a experiência do outro e poderá narrá-la
para recontá-la um dia. Através do imaginário e da fantasia, a criança vai
construindo a realidade e desvendando o mundo.
       HELD (1980), enfatiza o caráter questionador e enriquecedor do fantástico,
discutindo o real e o imaginário. Ela nos leva a conhecer as relações entre infância
e fantástico, analisando vários de seus aspectos.
       Assim, tornar-se invisível, mudar de tamanho, conhecer personagens criados,
pela imaginação humana, (feijão mágico de João crescendo até atingir as nuvens),
que são vivências simbólicas que permitem à criança derrubar as paredes e o
telhado da sala de aula, ampliando seu mundo e conhecendo outras possíveis
formas de ser, o que lhe permite fazer escolhas.


      2.3 A afetividade no processo de ensino aprendizagem
       Segundo DOHME (2003 p. 91), as histórias transportam o ouvinte para outro
mundo, o da imaginação. Através da narrativa, desperta no ouvinte novas e
diferentes emoções, ampliando assim a sua visão, que sai da limitação do que pode
perceber ao seu redor no dia-a-dia, para ter contato com outras emoções e
sensações que a fantasia desperta.
       Segundo BETTELHEIM (1998:149), a fantasia rica e variada é fornecida à
criança pelas histórias de fadas, que ajudam a impedir que a sua imaginação fique
atada aos limites reduzidos de alguns devaneios ansiosos ou de realizações de
desejos, circulando ao redor de algumas preocupações limitadas.
      Através da fantasia e da imaginação a criança poderá elaborar o pensamento.
A trama da história apresenta exemplos de possibilidades e caminhos que podem
ser seguidos. O importante é que as crianças pensem, que aprendam a ir além do
estabelecido, formulem hipóteses e que superem uma atitude passiva perante o
mundo e os acontecimentos.
       Deve-se considerar ao escolher uma história às que são escritas com enredo
que conduzam á conclusões desejadas que podem auxiliar na superação da timidez,
ansiedade, angústia e complexos de inferioridade que afligem as crianças,
principalmente nossos dias atuais.
       Segundo BETTELHEIM (1998, p.13), para que uma história realmente prenda
a atenção da criança, deve entretê-la e despertar a sua curiosidade. Mas para
enriquecer a sua vida, deve estimular-lhe a imaginação; ajudá-la a desenvolver seu
intelecto e a tornar claras suas emoções; estar harmonizada com suas ansiedades e
suas aspirações; reconhecer plenamente suas dificuldades e, ao mesmo tempo,
sugerir soluções para os problemas que a perturbam. A situações presentes nos
contos de fadas podem ser identificadas com as sensações, os temores que as
crianças enfrentam e as situações novas que se apresentam e que ela ainda não
sabe lidar.
        De acordo com DOHME (2003,p: 135), as histórias devem entender e
valorizar o comportamento ético porque reforça a auto-estima e a convicção de estar
agindo corretamente. Para isso, o educador pode aproveitar exemplos obtidos nas
histórias e trazê-las para as situações cotidianas.
       Fazer com que as crianças participem do estabelecimento de regras, mostrar
como elas contribuem com o objetivo de todos e, principalmente, mostrar confiança
em que ele será capaz de segui-las, poderá formar um aluno ético, com valores tão
necessários aos homens e mulheres que pretendemos formar. Através de um
ambiente descontraído, atividade prazerosa, a oportunidade de conhecer e valorizar
o próximo tendem a criar um clima de compreensão e de amor, permitindo o
desabrochar da afetividade. O ambiente lúdico, por sair da realidade, ter ambiente
próprio, livre de tempo e de espaço, dá lugar para a afetividade e isto pode significar
muito.
       A escola deve propiciar um ambiente onde possa oferecer espaços para
discussão, uma conduta de exemplos capazes de mostrar atitudes verdadeiras e
conscientes, espaço de convívio onde prevaleça o respeito e o amor.


3. A IDENTIDADE DAS CRIANÇAS ATRAVÉS DOS CONTOS DE
FADAS E CONTOS MARAVILHOSOS

       O homem sempre sentiu necessidade de narrar suas experiências pessoais e
coletivas, realistas de maneira simbólica. Através destas narrativas os homens iam
construindo sua cultura e sua ética. Era importante passar de geração em geração o
acúmulo de conhecimentos já adquiridos.
      A literatura é, sem dúvida, uma das expressões mais significativas que
garante a transmissão de valores e conhecimentos em qualquer época da história.
As fábulas, parábolas, contos, lendas, contos de fadas... nos possibilita não só
conhecer, mas mergulhar em culturas cujo saber foi através da reflexão realizada
sobre experiências vividas.
       Todos nós possuímos uma dimensão pessoal e outra social. Estamos em
busca de uma realização pessoal, profunda, interior, de um autoconhecimento
existencial. É a busca permanente da realização do EU. Entretanto, este EU, não se
acha sozinho, isolado, mas ele vive num determinado contexto social, numa
determinada cultura.
       Daí a nossa outra busca, a da realização social. Estas duas dimensões não
são excludente, muito pelo contrário, devemos lutar para integrá-las dentro de nosso
projeto de vida. Muitas vezes consciente ou inconscientemente, privilegiamos uma
destas dimensões.
      Os contos de fadas, com ou sem a presença de fadas, desenvolvem seus
argumentos dentro do mundo das rainhas, dos reis, princesas, fadas, gigantes,
objetos mágicos, tempo e espaço fora da problemática existencial. O argumento
fundamental gira em torno da realização essencial do herói ou heroína, e que
geralmente está ligada à união homem/mulher.
      A construção básica dos contos de fadas expressa as provas que devem ser
superadas pelo herói para que ele alcance sua auto-realização existencial, seja pelo
encontro consigo mesmo, da princesa ou do seu ideal. Neste grupo estão A Bela
Adormecida, a Bela e a Fera, Rapunzel etc.
       Os contos maravilhosos se desenvolvem no cotidiano mágico (animais
falantes, tempo e espaço reconhecíveis ou familiares, objetos mágicos, gênios,
duendes, etc) e têm como princípio gerador uma problemática social ligada à vida
prática, concreta.
      Trata-se sempre de um desejo de auto-realização do herói na dimensão
socioeconômica, através da conquista de bens, riquezas, poder material etc.
Geralmente, a miséria, a pobreza ou a necessidade de sobrevivência física é o ponto
de partida para as aventuras da busca.
      Estes, portanto, salientam a parte material, sensorial e ética do ser humano,
ou seja, suas necessidades básicas. Neste grupo estão: O gato de Botas, O
Pescador e o Gênio, Aladim e Lâmpada maravilhosa etc. Os contos de fadas e
contos maravilhosos expressam atitudes humanas diante da vida. Durante séculos
essas atitudes têm sido repetidas de geração em geração, e a Literatura foi o veículo
pelo qual os contos puderam chegar até os nossos tempos.
       Ao contar uma história para a criança, o professor não deve interpretá-la,
porque além de perder o poder de encantar, perderá o potencial da história em
ajudar a criança a lutar por si só e dominar o problema que fez a história significativa
para ela.
        As interpretações adulta, por mais correta que sejam, rouba da criança a
oportunidade de sentir que ela enfrentou com êxito uma situação difícil. A história
dirige a criança para a descoberta de sua identidade e comunicação, sugerindo
ainda experiências que são necessárias para o desenvolvimento do seu caráter,
mostrando à criança que uma vida compensadora e boa está ao alcance das
pessoas, apesar das adversidades e que ela não deve se intimidar com as lutas do
destino as quais, ajudam na construção da identidade.
     A criança pode obter um consolo muito maior de um conto de fadas do que de
um esforço para consolá-la baseado em raciocínio e pontos de vista adultos. Uma
criança confia no que o conto de fadas diz porque a visão de mundo aí representada
está de acordo com a sua.
       Na infância, mais do que em qualquer outra idade, tudo está em
transformação e o conto de fada oferece materiais de fantasia que sugerem à
criança simbolicamente o significado de toda batalha para conseguir uma auto-
realização e um final feliz.
         Os heróis da história impressionam a criança, pois elas se consideram
insignificantes quando comparadas com eles. Ao buscar um ideal que nenhum ser
humano pode alcançar plenamente não traz o sentimento de derrota; mas tentar
copiar os feitos de grandes pessoas reais parece pouco esperançoso para a criança
e cria sentimentos de inferioridade.
       Como Piaget mostrou, o pensamento da criança permanece “animista” até a
idade da puberdade. Seus pais e professores lhe dizem que as coisas não podem
sentir e agir, e por mais que ela finja acreditar nisto para agradar a estes adultos, ou
para não ser ridicularizada, bem no fundo a criança sabe melhor. Sujeitando-se aos
ensinamentos racionais dos outros, a criança reprime seu conhecimento verdadeiro.
      Logo que a criança começa a se locomover e explorar a sua volta, começa a
se deparar com o problema de sua identidade.
        Ela se pergunta: Quem sou eu? De onde vim? Como o mundo passou a
existir? Quem criou os homens e todos os animais? Os contos de fadas fornecem
respostas a estas questões, muitas das quais a criança só toma a consciência à
medida que conhece as histórias.
       Agradam e instruem especialmente porque o fazem em termos que falam
diretamente às crianças, na idade em que estas histórias são mais significativas para
elas.
      Às vezes sentindo-se rejeitadas, a criança usa processos de pensamentos
que lhe são própria, por contrários que sejam à racionalidade adulta; a história abre
visões gloriosas que permitem a criança vencer sentimentos momentâneos de
absoluta desesperança.
       Acreditando na história e fazendo da visão otimista dela uma parte de sua
existência de mundo, a criança necessita ouvi-la muitas vezes.
       Escutando repetidamente um conto de fadas e sendo dado tempo e
oportunidade à criança, será capaz de aproveitar totalmente o que a história tem a
lhe oferecer com respeito à compreensão de si mesma e de sua experiência de
mundo. Fazendo associações livres com a história, esta poderá ter um significado
mais pessoal e assim ajudá-la a lidar com problemas que a oprimem.
      O tempo às crianças é importante para que elas possam refletir e quando são
encorajadas a falar sobre o assunto, a conversação revela que a história tem muito a
oferecer emocionalmente e intelectualmente.
      Segundo BETTELHEIM (1998, p. 77), os contos de fadas procedendo do
mesmo modo que a mente infantil, ajuda à criança mostrando como uma clareza
superior pode emergir de toda essa fantasia.
        Esses contos de fada, como a criança na sua própria imaginação, começam
de um modo complemente realista: uma mãe dizendo à sua filha para ir sozinha
visitar a avó (Chapeuzinho Vermelho): os problemas que um casal pobre está tendo
para alimentar suas crianças (João e Maria); um pescador que não consegue pegar
nenhum peixe na sua rede (O pescador e o gênio).
       Quer dizer, a história começa com uma situação real, mas um tanto
problemática. Uma criança quando se defronta com problemas e situações e parte
para a busca de soluções, mas a sua razão até então exerce pouco controle sobre o
inconsciente, a imaginação escapa, sob a pressão de suas emoções e conflitos não
resolvidos. A habilidade da criança em raciocinar logo é dominada pelas ansiedades,
esperanças, medos, desejos, amores e ódios.
        Através da intuição a criança compreende que, embora as histórias sejam
irreais, não são falsas; que os fatos narrados não acontecem na vida real, mas que
podem ocorrer como uma experiência interna e de desenvolvimento pessoal; que os
contos de fadas retratam de forma imaginária e simbólica os passos essenciais do
crescimento e de uma existência independente (autônoma).
       Ao mesmo tempo em que os contos de fadas apontam o caminho para um
futuro melhor, ocorrem processos de mudanças nos detalhes da felicidade a ser
conseguida no final. As histórias começam onde a criança se situa na época e
sugerem para onde ela deve seguir.


      3.1 A psicopedagogia e os contos de fadas
       Segundo BETTEKHEIM (1979), a Psicanálise afirma, que os contos estão
ligados aos eternos dilemas que o homem enfrenta ao longo de seu
amadurecimento emocional.
      É durante essa fase que surge a necessidade da criança em defender sua
vontade e sua independência em relação ao poder dos pais ou à rivalidade com os
irmãos ou amigos.
       É nesse sentido que a Literatura Infantil e, principalmente os contos de fadas
podem ser decisivos para a formação da criança em relação a si mesma e ao mundo
à sua volta. O maniqueísmo que divide as personagens em boas e más, belas ou
feias, poderosas ou fracas, facilita à criança a compreensão de certos valores
básicos da conduta humana ou convívio social.
      Lembra a Psicanálise, que a criança é levada a se identificar com o herói bom
e belo, não devido à sua bondade ou beleza, mas por sentir nele a própria
personificação de seus problemas infantis: seu inconsciente desejo de bondade e
beleza e, principalmente, sua necessidade de segurança e proteção. Pode assim
superar o medo que a inibe e enfrentar os perigos e ameaças que sente à sua volta,
podendo alcançar gradativamente o equilíbrio adulto.
      Ao contarmos histórias às crianças, elas identificam com muitas cosias. Deve-
se ter o maior cuidado para não associar o herói errado e a moral da história
beneficiar aqueles que as crianças não esperam.
      Segundo BETTELHEIM (1998), a criança pode identificar como as madrastas,
suas próprias mães que as abandonam por um novo casamento, ou então, colocar
uma tia ou vizinha no lugar da bruxa malvada.
       Temos que ressaltar que não pode-se saber em que idade um conto
específico será mais importante para uma determinada criança, e não devemos
decidir qual dos vários contos ela deveria escutar num dado período. Isto só a
criança poderá determinar e revelar pela força com que reage emocionalmente a
aquilo que um conto evoca na sua mente.
        Naturalmente, um pai começará a contar ou ler para seu filho uma história
que ele próprio gostava quando criança, ou ainda gosta. Se a criança não se liga à
história, isto significa que os motivos ou tema ali apresentados falharam em
despertar uma resposta significativa neste momento de sua vida.
      A criança indicará que gosta de uma história ou que a história serviu para
seus sonhos, quando ela pede para repetirem para ela.
       Podemos perceber, através de situações em psicopedagogia que a criança
pede para que contemos várias vezes uma mesma história, e ela não se cansa de
ouvi-la. Quando mudamos o final, ela não gosta. Os pais muitas vezes até se
implicam porque contar sempre a mesma história.
       Às vezes, na hora de dormir, uma criança, pede aos pais ou à mãe para lhe
contar a mesma história por várias semanas ou meses e fica ouvindo calada e
atenta como se fosse a primeira vez.
        De vez em quando manifesta algumas palavras e ajuda à mãe ou pai a
completar as frases ditas sempre da mesma forma, como se estivesse decorando a
história, mas nunca pede para mudá-la.
      Através das histórias pode-se descobrir medos, ansiedade, diferenças e ainda
causas de certos comportamentos da criança através das histórias que ela cria ou
que ela escolhe.
       É importante entender as razões pelas quais as crianças ficam envolvidas por
certas histórias, proporcionando situações que possam dar asas à sua imaginação, e
que possam ajudá-las a descobrir seus medos e suas preocupações.


4. AS HISTÓRIAS ENQUANTO COMPONENTES CURRICULARES


       A escola é um excelente lugar para que se desenvolva o gosto pela leitura e
se mantenha um saudável diálogo entre o livro e seu destinatário. Os livros utilizados
devem estimular o aluno; para isso o professor precisa estar apto a escolher obras
apropriadas, empregar os melhores recursos, ter conhecimento de um acervo
bibliográfico diferenciado e destinado às crianças.
      É necessário que a introdução à leitura seja feita por professores preparados,
e que esta seja um elo de ligação entre a realidade e o mundo, com uma leitura do
mesmo e uma postura reflexiva perante a realidade.
       Segundo COELHO (2000, p: 18), “Chega-se á conclusão de que o professor
precisa estar sintonizado” com as transformações do momento presente e
reorganizar seu próprio conhecimento ou consciência do mundo ““.


      4.1. A leitura no dia-a-dia da criança
      Na literatura infantil, muitas vezes, está presente nas ações dos personagens
a valorização do individualismo. Isso acontece através do herói, personagens
aventureiros, os tipos corajosos, invencíveis, verdadeiros super-homens a serem
imitados principalmente por crianças, invadindo as histórias em quadrinhos e os
filmes da TV.
       Transportada para a vida cotidiana, essa estrutura de heróis vai se
transformando no personagem modelo de que a literatura infantil tradicional está
povoada.
      Essa moral aparece na rigidez da conduta certa ou errada, que se condena
na moral da história ou no prêmio ou castigos recebidos pelas personagens das
fábulas. Ainda hoje alguns livros de literatura infantil são escritos com uma visão
herdada nesta linha moralizante.
       De acordo com BETTELHEIM (1980, p: 53), em seu livro Psicanálise dos
Contos de fadas, ao analisar as histórias, “Os três porquinhos” e ”A cigarra e a
formiga”, comenta que a primeira poderia ser vista como de núcleo existencial, que
visa a realização interior do ser humano.
       Mostra-nos que a segunda fábula poderia ser um exemplo de história
moralizante. Em ambas há um personagem considerado “malévolo”. Talvez
poderíamos ver estas duas questões com outros olhares, pois ao contar uma fábula
às crianças e mostrar uma só verdade, não proporciona-se a elas a oportunidade de
pensar em novas possibilidades.
        Diante disso, a postura crítico-reflexiva é extremamente relevante na
formação cognitiva das crianças, partindo primeiramente do professor, para em
seguida, despertar as potencialidades reflexivas dos seus a alunos. Assim, a
criticidade estará presente nas aulas, sem que se perca o encanto e o brilho dos
contos de fadas e de fábulas.
      É necessário que o professor seja um leitor, não só através de seu incentivo,
mas de seu exemplo, como afirma MACHADO (2001, p. 20), em sua reportagem
“Dois fatores levam uma criança a gostar de ler: curiosidade e exemplo”. Não
importa a maneira de contar uma história, desde que isso seja com prazer. E no
caso dos pequenos, com muito carinho também.
      Quando o contato da criança com a história vem acompanhada de uma dose
de afetividade, torna-se inesquecível. Na literatura, tanto para crianças quanto para
o adulto, o mágico e o absurdo fazem desaparecer os limites entre o real e o
imaginário.
      COELHO (2000, p.27) cita que “a criança é vista como um ser em formação,
cujo potencial deve se desenvolver em liberdade, mas orientando no sentido de
alcançar total plenitude em sua realização”.
       Deve-se proporcionar aos alunos uma viagem à imaginação, uma aventura de
espírito, algo que faça o aluno ir além, refletindo, duvidando, esclarecendo essas
dúvidas, tentando avançar o horizonte das linhas, uma leitura que talvez nem
mesmo o escritor tenha imaginado.
       Trabalhar com prazer essa etapa da criança sensibilizá-la que um bom livro é
para ser lido com prazer e que esta atividade, necessidade básica do homem, é
indispensável à sua saúde, tanto mental como física, de forma que se possa
contribuir na formação de pessoas com capacidades de raciocinar e de falar sem
medo, criando assim, condições saudáveis para o seu crescimento. A leitura
contribui de forma decisiva para preencher as lacunas na formação do ser humano.
      4.2 A Literatura na escola
       A sonoridade das palavras e as rimas enriquecem a percepção da criança.
São necessárias no cotidiano escolar e na vida, fazendo parte do mundo da criança,
integrando o racional e o sensível.
      Uma linguagem poética, lúdica e criadora possibilita múltiplas leituras de
mundo, amplia a oralidade e a escrita, num processo que se realiza dentro de uma
grande aventura, num incessante mar de descobertas.
       A escola deve repensar o papel atribuído à literatura dentro de seus projetos
pedagógicos. A literatura tem um papel fundamental na reformulação de valores e
na conscientização dos seres em formação, preservando princípios éticos e respeito
aos direitos humanos.
       Nesse processo, o papel do professor é fundamental na mediação entre a
criança e a literatura, cabendo-lhe o compromisso do estudo, da reflexão, do
conhecimento das obras infantis e de seus critérios de seleção; da sua formação
pessoal como leitor, que dá vida ao texto, preenchendo suas lacunas com a própria
existência.
       Assim, como leitor e educador, apresenta a literatura para as crianças como
uma brincadeira levada a sério, uma brincadeira, que partindo da palavra, acontece
“dentro da cabeça”, pondo em ação o corpo, a razão e a sensibilidade, numa relação
plena do ato de conhecer.


      4.3 Adaptação de um currículo informal à situação formal da sala de aula
      Adaptar as histórias infantis ao currículo informal é um desafio que se
apresenta.
       “Na família a leitura costuma ser um momento íntimo entre um adulto e uma
criança que, além de unidos pelos laços da afetividade, compartilham um livro cujo
conteúdo (gravuras e textos) a criança tem amplo acesso, ao mesmo tempo em que
escuta a leitura do adulto”.       Literatura Infantil: Uma nova perspectiva de
alfabetização na pré-escola.
       Quando aparece um termo desconhecido ou uma figura que chame a atenção
da criança, esta pode fazer perguntas e comentários; o adulto localiza as palavras
no texto, mostrando onde está escrito o que está lendo.
      A professora, na situação formal de sala de aula, deverá encontrar a posição
mais natural e adequada para que todas as crianças tenham acesso visual ao livro
que está sendo lido.
      A exposição à leitura de histórias no contexto familiar durante os anos de pré-
escola, isto é, entre dois e seis anos de idade, é importante porque apontam essas
experiências com leituras na família como determinantes do sucesso escolar de
muitas crianças.
       O desafio se apresenta, portanto, em termos de conseguir adaptar esse
currículo informal a situação escolar, colocando a literatura infantil como um
instrumento central à preparação da aula, adaptando a hora da leitura à situação de
sala de aula.
      A visualização do livro pelas crianças dessa faixa etária é muito importante e
aos poucos o conteúdo da história vai se tornando mais agradável. O professor
necessita ler de forma clara e agradável de forma que a leitura capte o mais possível
a atenção das crianças.
       Outro ponto importante consiste em a professora manter-se aberta às
perguntas das crianças e incentivá-las à troca de comentários sobre o texto lido, pois
não se trata de simplesmente ensinar-lhes um conto, mas sim de partilhar com elas
uma mesma história. É importante que surjam perguntas e comentário por parte das
crianças, para que a história não fique alheia aos seus verdadeiros interesses.


5. AS TÉCNICAS DE CONTAR E DO CONTADOR DE HISTÓRIAS


        Ao ouvir as histórias as crianças ficam atentas ao conteúdo e a forma da
história apresentada, tendo uma postura mais crítica diante do contador.
        Segundo COSTA (2003, p. 89 e 90), é preciso escolher muito bem as
histórias, os personagens, o local para uma dada faixa etária, lembrando sempre
que a história alimenta a emoção e a imaginação; educa; socializa, informa, aquieta
e prende a atenção.
       A história também permite a auto-identificação, ajuda à criança a aceitar
situações desagradáveis e a resolver conflitos. Dessa forma o compromisso do
narrador deve ser o de fonte de satisfação, tocando de perto as necessidades
básicas das crianças.
      Se elas escutam histórias desde pequeninas, provavelmente adquirem gosto
por esse tipo de atividade. Todos os adultos que tiveram um contador de histórias
em sua história de vida sabem o quanto é importante o papel do narrador.
      Assim, inventar, ler e contar histórias são tarefas importantes nas creches e
pré-escolas. Através da narrativa proporciona-se às crianças pequenas
oportunidades de interação com seu mundo imaginário.
       É importante variar as formas de ouvir e ler histórias; através do faz-de-conta,
pode se usar alguns recursos auxiliares, que irão enriquecer essas técnicas,
aumentando o interesse das crianças, além de colocá-las em contato com diversos
tipos de manifestações artísticas através da representação dos personagens em
pequenos teatros, como no uso de fantoches.
       Para os narradores criativos, não existe obstáculos, conforme suas
habilidades intercalam objetos a medida que narram. O narrador pode ir colocando
diferentes chapéus conforme a fala de seu personagem.
       Um dos personagens podem aparecer atrás de um narrador auxiliar,
estabelecer um diálogo com quem está contanto a história. Podem se criar efeitos
sonoros olfativos e visuais. Quando os participantes recebem esses efeitos com os
olhos vendados, a imaginação triplica e a imaginação é muito maior.
      Existe narradores que enriquecem suas histórias, fazendo dobraduras com
seus personagens, ou modelando com argila. Portanto, as histórias permitem o
desdobramento em atividades diversas, como o artesanato, dramatizações, jogos e
discussões em grupo que proporcionam uma melhor reflexão sobre os elementos e
a mensagem da história que se acabou de contar.
       Os conhecimento advindos de uma interação lúdica, com os aspetos afetivos
e cognitivos que os caracterizam, tem um valor especial para a criança pequena,
visto que o caráter puro da interação e emergem das possibilidades concretas dos
parceiros.
       Há necessidade de se oferecer, condições que viabilizem as interações
lúdicas reconhecendo o especial valor destas interações para as crianças, por meio
da elaboração de conhecimentos dos papeis sociais, imprescindíveis ao
desenvolvimento da consciência de si e do outro.
       O espaço do lúdico deve ser preservado, para que se possa ter dados para
avaliar o processo de desenvolvimento da criança, que envolver considerar as
funções psicológicas em informação, que se evidenciam nas interações lúdicas
presentes na instituições, nos espaços e momentos planejados.
       As histórias ligadas á música podem também criar um clima especial em que
as crianças poderão obter ricas experiências em seu próprio interior e autônomo em
relação ao meio externo.
        “O educador, o contador de histórias, deve estar atento para perceber se as
histórias estão instruindo, comovendo, agradando. Saber contar histórias significa
saber a quem contar, quando contar, o que contar e como contar”.
        O livro é um dos principais mediadores de uma história. Quando inicia-se uma
leitura começa-se a sonhar, imaginar, associar, e elaborar fatos da realidade. Nos
livros encontramos exemplos de príncipes corajosos, lobos ferozes, princesas
belíssimas e bruxas malvadas. Simpáticos anões ou avozinhas vivendo em cenários
maravilhosos. Por meio da imaginação e da simulação, as crianças desenvolvem
suas próprias teorias de mundo que permitem a negociação entre o mundo real e
imaginário.


      5.1 Como contar histórias
      Há uma polêmica sobre se a história deve ser lida ou interpretada com suas
palavras:

                                O conto de fadas deveriam ser contado em vez de ser lido.
                                Se ele é lido, deve ser lido com um envolvimento emocional
                                na história e na criança. Contar é preferível a ler porque
                                permite uma maior flexibilidade. BETTLHEIM (1980:185).




       Segundo TAHAN (1957:219) recomenda que “a leitura da história torna-se
obrigatória, quando a beleza e o interesse não residem propriamente no enredo,
mas sim na forma suave e agradável pela qual foi escrita: no estilo do autor, na
originalidade de suas frases, no encanto de suas expressões”.
      É importante entender a personalidade e o tipo de participação que cada
personagem tem na história. Isto ajudará o narrador a dar ênfase certa a cada
personagem, aumentar ou diminuir a sua participação para aumentar a emoção ou
compreensão da história.
        Deve-se também, perceber na história quais são os pontos que interessam
mais à faixa etária para enfatizá-los, dar um toque de humor, como também eliminar
passagens de pouco interesse, desde que não prejudique a compreensão da
história.
       A informação precisa ser trabalhada para se tornar uma história agradável e
de fácil entendimento para o grupo de crianças a que se destina. Deve-se enriquecer
com alguns detalhes e introduzir na narração explicações que permitam um melhor
entendimento, uma descrição do personagem, que justifique o seu envolvimento
com a causa.
      É preciso estudar uma história, fazer uma adaptação, preparar uma narração,
entender a sua mensagem e ter orientação para poder contá-la de forma produtiva.
      A introdução de uma história deve se breve e tem a incumbência de cativar a
atenção das crianças. Deve-se atentar, para um equilíbrio, para não cansar a platéia,
o que causa o desinteresse no início da narração.
       A descrição do enredo deve ser detalhada, sem exagero, em uma seqüência
regular e bem ordenada. O ponto culminante é curto, o suficiente para se conceituar
bem a idéia. É o momento também que o narrador deve usar de toda a sua ênfase,
e entoação de voz e expressão corporal.
       O desfecho também deve ser curto, objetivo e com detalhes importantes e
suficientes para colorir a situação os detalhes supérfluos devem se evitados. Não se
deve dar a moral da história, deixando que as próprias crianças a concluam.
       BETTELHEIM (1998), também é favorável que não se apliquem atividades ou
discussões tão logo a história acabe, pois poderia prejudicar o seu processo de
maturação. Isto se aplica especialmente aos contos de fadas, cujo trabalho com a
criança é principalmente de cunho psicológico e emocional. Ele não descarta a
possibilidade de uma conversa, de um encorajamento, de uma avaliação através de
um jogo ou de uma atividade.
       Após o término da história, permitindo que os elementos que a história
transmitiu possam ser manipulados, para haver melhor assimilação, maior reflexão,
tomada de posições e, se ela se desenvolver em grupo, uma troca de opiniões e
impressões.
      Ao se preparar para contar uma história deve haver uma preocupação em
entender qual o seu valor educacional. Como a narrativa se presta a desenvolver
elementos como criatividade, imaginação e sendo crítico, e se preocupar também
com os valores que serão trabalhados.


      5.2 Histórias reais
       As crianças gostam de histórias reais, porém deve-se tomar cuidado para que
as histórias estejam de acordo com o desenvolvimento intelectual e emocional das
crianças, sobre pena de elas não entenderem e não aproveitarem alguma coisa
delas.
       As histórias realistas podem ser contadas também para crianças pequenas,
pois elas podem entender bem e se interessarem por aquelas que falam de seu
cotidiano, de relações como amiguinhos, de brincadeiras e aventuras que seriam
possíveis de serem realizadas por elas.
       Há necessidade de verificar se a mensagem também está clara, para haver
interesses, compreensão da trama, mas faltar a percepção da mensagem, pelo fato
de ela estar escondida nas intenções do texto, que necessitam maior reflexão.
       Deve haver preocupação de explicar melhor os fatos que estão relacionados
com a mensagem, repeti-los, inserir explicações e até inserir outros fatos que
expliquem-na melhor.
       Os fatos podem ser até imaginários desde que não prejudiquem a linha
principal das histórias, pois se está contando uma história e não se fazendo uma
narração noticiosa, e isso dá uma certa liberdade a quem conta.
       Também pode-se chamar de reais aquelas histórias, que relatam fatos que
não necessariamente aconteceram, mas que são possíveis de acontecer no
cotidiano de cada um. Para as crianças pequenas podemos citar as histórias da
Mônica e sua turma, de Maurício de Souza.
        Estes fatos do cotidiano podem combinar com a fantasia e assumir
dimensões surpreendentes e muito interessantes. A turma do Sítio de Pica-pau
Amarelo, de Monteiro Lobato, comove tanto com a realidade que discute sobre
causas sociais, políticas, fatos históricos e ciências naturais, como conversa com
bonecos, peixes e sabugo falante, em um ambiente de fantasia cedendo espaço a
criatividade.


6. CRIANDO UM PROGRAMA COM HISTÓRIAS

       Durante os oito anos trabalhando com Educação Infantil, sempre planejamos
as aulas utilizando dentre os materiais didáticos os livros infantis, mas não de forma
tão abrangente com todas as disciplinas e com os mesmos objetivos.
       Trabalhando em companhia de outra professora na creche e conhecendo a
realidade vivida pelos alunos, fixamo-nos, basicamente, em uma questão central:
romper com a prática “mecânica e tradicional” de apresentação do alfabeto ás
crianças da pré-escola.
      Partindo deste ponto, elaboramos em dupla uma proposta diferenciada, que
ao mesmo tempo fosse atrativa ás crianças e que facilitasse o processo de
aprendizagem, familiarizando-as ao mundo letrado.
        O ano de 2003 na E.M.E.J.F. “João Fernandes de Andrade”, localizada no
município de Salto de Pirapora (interior de São Paulo), marcou o início do
desenvolvimento deste projeto á partir de uma prática diferenciada, na qual
trabalhamos com Literatura Infantil, utilizando variados gêneros e livros infantis.Por
questões estruturais, quatro salas de aula tiveram que ser deslocadas a uma outra
instituição de Educação Infantil (Creche Euclair Dias Ribeiro), sendo que duas
funcionavam período da manhã (3 ª fase) e duas no período da tarde (2ª fase).
Participam desta experiência apenas as salas da (3ª fase).
      Iniciamos esta prática com a seleção de livros adquiridos juntos ao material dos
próprios alunos e á biblioteca da escola, utilizando como critério a qualidade da obra
literária e o atendimento ao interesse das crianças e aos nossos objetivos.
         Cabe ressaltar que, dentro desta seleção qualitativa buscamos adotar um
outro critério relevante: o da narrativa fantástica; onde o mágico, o maravilhoso e o
poético são fatores essenciais ao desenvolvimento da imaginação criadora da
criança. Desde o momento inicial e passando por todo o desenvolvimento do projeto,
houve a preocupação em proporcionar ás crianças, possibilidades de encontrar na
leitura prazer e fonte de conhecimentos, nas quais buscamos considerar vários
fatores como: conteúdo, apresentação estética (ilustração e encadernação), formas
literárias, adequação á faixa etária e textos que levassem os alunos á
questionamentos e discussões.
      Em cada semana trabalhávamos com uma história, associando-a a
determinada letra do alfabeto, de forma a inserir na execução das atividades os
eixos norteadores da Educação Infantil: Língua Portuguesa, Matemática, Artes,
Natureza e Sociedade; enfocando as matérias da área de comunicação e
Expressão, levando as crianças a verem a história sob diferentes formas de
expressão: como: expressão oral e escrita, expressão plástica, expressão gráfica,
expressão corporal e expressão musical.
     Sendo respeitadas a liberdade de expressão e autenticidade, a experiência é
altamente enriquecedora e leva a criança a penetrar e sentir a história com mais
profundidade e envolvimento.
      Junto á parte pedagógica enfocamos o aspecto afetivo, através dos conceitos,
atitudes éticas e morais, procurando despertar e melhorar nos alunos a sua auto-
estima, o conceito e a importância da família, da amizade e do companheirismo.
     Os resultados obtidos com esta experiência foram surpreendentes porque
enriqueceram as expressões e a linguagem oral das crianças. Elas se posicionam
sobre as histórias, colocam-se no lugar dos personagens e até se emocionam diante
de algumas histórias.
    De forma geral, a proposta iniciou e foi aos poucos ganhando espaço dentro de
nossa instituição, pois fomos parabenizados pelo trabalho que estamos realizando.
     Isto nos faz acreditar mais em nossa prática e a buscar conhecimentos para
aperfeiçoá-la, dedicando-nos a novos planejamentos de situações diferenciadas de
aprendizagem, que certamente evoluirão e serão acrescidas de novas experiências
que nos levarão a outro caminhos tão mágicos quanto os “Era uma vez...”.


                   Quadro das Histórias – Projeto Alfabeto Animado


A   Aladdin* (D.C. L).
B   Branca de Neve e os sete Anões * (editora Manoel Ltda).
C   Cupim papa-tudo (editora Ciranda Cultural).
D   Docilga-a abelha (ed. Ciranda Cultural).
E   É só gostar... ( D.C.L.).
F   Formiguinha Companheira (ed. Ciranda Cultural).
G   Gigi, o girassol (tapi editora Ltda).
H   Heidi (D.C. L).
I   Por um triz a Elis ficava se nariz (ed. Dimensão).
J   Jiji, a joaninha (ed. Ciranda Cultural).
L   O Leão e a Mentira (ed. Ciranda Cultural).
M A Menina e os ursos (ed. Edelbra).
N   Ninguém é igual a ninguém. (ed. Do Brasil S/A).
O   O sonho da princesa (D.C. L).
P   Pinóquio * (Ed. Brasileira).
Q   Quem tem medo de bruxa? (Ed. Scipione).
R   Ratinho Aventureiro (Ed. Edipar Edições).
S   Se ligue em você. (Ed. Vida e Consciência Ltda).
T   O Tatu ou o Tamanduá? (Ed. Edipar Edições).
U   Um belo sorriso (Ed, Ática).
V   A velha e o porquinho (Ed. F.T. D).
X   Mixilim, o ursinho (Seed Editorial).
Z   Zé Chumaço (Ed. Rideel).


       Histórias contadas e assistidas em fita VHS.
       K, W, Y= letras trabalhadas com pequenos versos e nomes próprios.



      6.1 Análise sobre a Pesquisa
        Diante do estudo realizado para conhecer o pensamento dos pesquisadores e
também baseada na prática do trabalho através dos contos de fadas, percebe-a
necessidade de que a Educação Infantil deve proporcionar atividades de ouvir
histórias como atividades permanentes, que podem e devem conviver com os
projetos de trabalho no cotidiano da escola, visto que o exercício da imaginação
aliado á percepção dos sons, está presente nas ações e no pensamento infantil, o
que indica a importância de um trabalho com o lúdico e com as linguagens
expressivas.
      A literatura tem papel fundamental na reformulação de valores e na
conscientização dos seres em formação, preservando princípios éticos e respeito
aos seres humanos.
        Sendo uma manifestação universal que atende a necessidade de ficção, a
literatura constitui-se em um direito que a ninguém pode ser negado. Nesse
processo, o papel do professor é fundamental na mediação entre a criança e a
literatura, cabendo-lhe o compromisso do estudo, da reflexão, do conhecimento das
obras infantis e de seus critérios de seleção; da sua formação como leitor, que dá
vida ao texto, preenchendo suas lacunas com a própria existência.
      Este leitor que, sendo educador, apresenta a literatura para as crianças como
uma brincadeira levada a sério, uma brincadeira que, partindo da palavra, coloca em
ação o corpo, a razão e a sensibilidade numa relação plena do ato de conhecer.
        É fundamental que a criança possa viver a palavra e a escuta em todas as
suas possibilidades, explorando diferentes linguagens, para que se torne fonte de
interesse vivo e permanente, fonte de curiosidades, de espantos, de desejos e
descobertas, criando condições de socialização e manifestação ativa, criativa,
participativa, produzindo reproduzindo cultura.
     Através deste estudo sobre contos de fadas podemos compreender que os
contos, além de espelharem conhecimentos nos rostos ora triste, ora alegres das
crianças, fazem com que elas acreditem que existe uma linha de conquista do bem e
do mal, do certo e do errado, com tanta nitidez, que são capazes de delimitar.
    E que também, muito do comportamento da criança pode ser avaliado, pelas
suas reações aos contos e que com isto nós professores aprendemos também.
     Além destas descobertas sobre o comportamento, através da leitura para as
crianças podemos deixar nelas a semente da leitura e da interpretação.
     Acredito que os contos e as pequenas histórias maravilhosas que passamos às
crianças ajudam na busca um caminho que cada criança deverá descobrir.
     Para isso devemos continuar a buscar cada vez mais fazer com que os contos
decorem a sua vida e mostre, que a importância da criação é que as leva a imaginar
o belo, o correto e o justo.


                                    CONCLUSÃO



      Apesar dos esforços na realização do nosso trabalho, foi possível evidenciar no
cotidiano da nossa escola grandes limites no campo da dimensão afetiva, os quais
se revelam por baixo índice de auto-estima, autoconceito, socialização e interação
entre algumas crianças e insuficiência de atividades pedagógicas criativas e
motivadoras. Com essa compreensão procuramos trabalhar priorizando uma
metodologia interativa, dinâmica e criativa.
     Partimos do princípio de que o aluno da Educação Infantil deve ser visto como
um sujeito integral, que apresenta múltiplas dimensões: intelectual, física, social,
ética e afetiva, entre outras, e qualquer ação educativa realizada na escola deve
considerar todas essas dimensões.
     Para desenvolver este trabalho junto aos alunos houve ousadia, desafios,
redimensão à prática educativa e fizemos o melhor que podíamos. Contudo, tenho
claro que uma realidade com questões complexas não se transforma da noite para o
dia e que qualquer projeto de ação no horizonte não pode encerrar-se da noite para
o dia.
     Compreendemos que a educação é dinâmica e provocadora de reflexões,
portanto o professor deve acompanhar esse processo de mudanças e reflexões, na
busca de novos conhecimentos, novos desafios e novas conquistas e através do
afeto criar laços de múltiplas aprendizagens.
      Esse projeto é apenas o começo de uma longa caminhada na qual, com
certeza, todos os envolvidos sairão ganhando.
                     REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fada. 12. ed. Rio de Janeiro
Paz e Terra, 1998.
COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: Teoria, análise, didática. 1 ed. São
Paulo: Moderna, 2000.
DOHME, Vânia. Atividades Lúdicas na Educação. São Paulo: Vozes, 2003.
MACHADO, Raul Luiz, SANDRONI C. Laura. A criança e o livro. Rio de Janeiro:
Ática, 1993.
MACHADO, Ana Maria. Entrevista concedida a revista Nova escola nº 145. Mais
que alfabetizar, Setembro de 2001.
NICOLAU, Marieta Lúcia Machado et al. Oficinas de sonho e realidade na
formação do educador da infância. Campinas, SP: Papira, 2003.
OLIVEIRA, Zilma de Morais Ramos (org). Educação Infantil: Muitos olhares. 5 ed.
São Paulo: Cortêz, 2001.
TAHAN, Malba. A arte de ler e de contar histórias. Rio de Janeiro: Conquista,
1957.

				
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