ANATOMIA - DOC by jbYvQr49

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									FACULDADE ASSIS GURGACZ - FAG




               FISIOTERAPIA




               ANATOMIA I




            ROTEIRO TEÓRICO
    Adaptado do livro: Anatomia Humana Básica
               Alexander P. Spence
          2ª Ed., São Paulo: Manole, 1991




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1 INTRODUÇÃO À ANATOMIA HUMANA



Conceitos



            É o estudo da estrutura de um organismo e das relações entre suas
            partes (SPENCE, 1991).

            É ciência que estuda, macro e microscopicamente, a constituição e o
            desenvolvimento dos seres organizados (DANGELO E FATTINI, 1995).

            Anatomia macroscópica é o estudo da morfologia por meio de dissecação a
            olho nu ou com pequeno aumento, tal como o de uma lente manual. O
            estudo da anatomia microscópica é o estudo da estrutura com o auxílio de
            um microscópio (GRAY, 1988).




Variação anatômica e normal

     -   Diferença na constituição morfológica entre indivíduos
     -   Fatores gerais de variação
            - Idade
            - Sexo
            - Raça
            - Biótipo
                  - Longilíneos
                  - Brevilíneos
                  - Mediolíneos
            - Evolução




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Posição anatômica

       -   Posição padronizada para o estudo
              - A posição anatômica é obtida quando o corpo está ereto, pés unidos,
                 membros superiores colocados ao lado do corpo, palmas das mãos
                 voltadas para frente, dedos estendidos, polegares afastados do
                 corpo

       -   Entendimento da posição de pronação e supinação



Termos de Direção

   Anterior: na frente ou na parte da frente
   Ântero-inferior: na frente e embaixo
   Ântero-lateral: na frente e do lado, especialmente o lado lateral (de fora)
   Ântero-medial: na frente e no sentido do lado interno ou linha mediana
   Ântero-posterior: relativo ao mesmo tempo à frente e atrás
   Ântero-superior: na frente e em cima
   Contralateral: pertencendo ou relativo ao lado oposto
   Distal: sitiado afastado do centro ou da linha mediana do corpo, ou do ponto de
    origem
   Dorsal: relativo ao dorso, posterior
   Inferior: (infra) abaixo em relação à outra estrutura, caudal
   Ipsilateral: do mesmo lado
   Lateral: do lado ou ao lado, do lado de fora, mais longe do plano mediano ou
    mediossagital
   Medial: relativo ao meio ou centro, mais próximo do plano medial ou
    mediossagital
   Posterior: atrás, no dorso
   Póstero-inferior: atrás e embaixo, no dorso e embaixo
   Póstero-lateral: atrás e de um lado, especialmente do lado lateral (de fora)
   Póstero-medial: atrás e no lado interno
   Póstero-superior: situado atrás e na parte de cima
   Prono: o corpo deitado de face para baixo, deitado de bruços
   Proximal: mais perto do tronco ou do ponto de origem
   Superior: (supra) acima em relação à outra estrutura, mais ao alto, cefálico
   Supino: deitado de costas, posição do corpo com a face para cima


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 Ventral: relativo ao ventre ou abdome



Termos Regionais

Os termos regionais referem-se a partes específicas do corpo

   Cervical: refere-se ao pescoço
   Torácica: região do corpo entre o pescoço e o abdome
   Lombar: região do dorso entre o tórax e a pelve
   Sacral: a região mais inferior do tronco, logo acima das nádegas
   Plantar: a sola do pé; o ―peito‖ do pé é a face dorsal
   Palmar: a face anterior da mão; a face posterior é a face dorsal
   Axila: a depressão situada na face inferior da região de união entre o membro
    superior e o tronco
   Virilha: junção entre a coxa e a parede abdominal
   Braço: o segmento do membro superior entre o ombro e o cotovelo
   Antebraço: o segmento do membro superior entre o cotovelo e o pulso
   Coxa: segmento do membro inferior entre o quadril e o joelho
   Perna: segmento entre o membro inferior entre o joelho e o tornozelo



Planos e eixos

 Há três planos específicos de movimentos nos quais os vários movimentos
  articulares podem ser classificados. Quando o movimento ocorre em um plano, a
  articulação move-se ou gira em torno de um eixo que tem uma relação de 90º com
  esse plano.

 Embora cada movimento articular específico possa ser classificado como sendo
  em um dos três planos de movimentação, os nossos movimentos em geral não são
  totalmente em um plano específico, mas ocorrem como uma combinação de
  movimentos em mais de um plano.

 Estes movimentos, em relação aos planos combinados, podem ser descritos como
  ocorrendo em planos diagonais ou oblíquos de movimentação.




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Tipos de planos

 Plano sagital: Também conhecido como plano ântero-posterior. Divide o corpo
  verticalmente em metades direita e esquerda. Plano onde ocorrem os movimentos
  do corpo, ou de segmentos corporais, para frente e para trás.

 Plano frontal: Também referido como coronal ou lateral. Divide o corpo em
  metades anterior e posterior. Plano onde ocorrem os movimentos laterais dos
  segmentos corporais, aproximando-os ou afastando-os da linha média do corpo.

 Plano horizontal ou transverso: Divide o corpo em metades superior e inferior.
  Plano onde ocorrem movimentos paralelos ao solo quando o corpo está em posição
  ereta.



Eixos

 Eixo vertical ou longitudinal: perpendicular ao plano transverso

 Eixo sagital: perpendicular ao plano frontal

 Eixo frontal: perpendicular ao plano sagital



Movimentos

 Flexão, extensão, hiperextensão, hiperflexão, dorsiflexão e flexão plantar:
  ocorrem no plano sagital com eixo frontal

 Abdução, adução, hiperabdução, hiperadução, flexão lateral, flexão radial e
  ulnar: ocorrem no plano frontal com eixo sagital

 Rotação medial e lateral, supinação e pronação: ocorrem no plano transverso
  com eixo vertical

Circundução: combina flexão, extensão, abdução e adução em uma articulação.
Ocorre no plano diagonal (plano de movimento orientado obliquamente aos planos
tradicionais).


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2 SISTEMA ESQUELÉTICO

      -   O esqueleto humano é um endoesqueleto – isto é, está colocado entre os
          tecidos moles do corpo. É uma estrutura viva capaz de crescer, se adaptar
          e se reparar.



Funções do esqueleto

      -   O esqueleto desempenha várias importantes funções: suporte, movimento,
          proteção, estoque de minerais e formação de células do sangue
          (hemopoiese).



Suporte: o esqueleto atua como arcabouço do corpo, dando suporte aos tecidos
moles e promovendo pontos de fixação para a maioria dos músculos.

Movimento: Pelo fato de muitos músculos estarem fixados ao esqueleto, e muitos
ossos se relacionarem (articularem) por articulações móveis, o esqueleto
desempenha um papel importante na determinação do tipo e extensão do movimento
que o corpo é capaz de fazer.

Proteção: O esqueleto protege de lesões muitos dos órgãos vitais internos. Através
de sua estrutura aloja e protege o cérebro, medula, órgãos torácicos, bexiga e
órgãos reprodutores.

Reserva de Minerais: Cálcio, fósforo, sódio, potássio e outros minerais são
estocados nos ossos do esqueleto. Estes minerais podem ser mobilizados e
distribuídos pelo sistema vascular sangüíneo para outras regiões conforme sejam
requeridas pelo corpo.

Hemopoiese (formação de células do sangue): Após o nascimento, a medula óssea
vermelha de certos ossos produz as células sangüíneas encontradas no sistema
circulatório.




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Classificação dos ossos

Ossos Longos: A maioria dos ossos dos membros superiores e inferiores tem um
eixo longo, isto quer dizer que eles são mais compridos do que largos. São
classificados como ossos longos o úmero, a ulna (cúbito), o rádio, o fêmur, a tíbia, a
fíbula (perônio) e as falanges.

Ossos Curtos: Ossos que não tem um eixo longo, tais como aqueles do carpo (na
mão) e do tarso (no pé).

Ossos Planos: Os ossos um pouco delgados que formam o teto da cavidade craniana
e o esterno são ossos planos (chatos ou laminares).

Ossos Irregulares: Ossos de formas variadas que não se encaixam em nenhuma
dessas categorias anteriores. Ossos do crânio, as vértebras e alguns ossos da
cintura escapular e pélvica são exemplos de ossos irregulares.



Divisões do esqueleto

O esqueleto humano consiste de 206 ossos. Os ossos podem ser agrupados no
esqueleto axial e no esqueleto apendicular.



Esqueleto axial
      Cabeça
      Coluna vertebral e sacro
      Tórax (costelas e esterno)

Esqueleto apendicular
      Cintura Escapular
      Membros Superiores
      Cintura Pélvica
      Membros Inferiores



Crescimento ósseo




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Fatores que afetam o crescimento ósseo

      -    Pressão
      -    Hormônios (paratireóide – parato-hormônio/osteoclastos) (tireóide –
           calcitonina/osteoblastos)
      -    Nutrição – Vitamina D – necessária para a absorção de cálcio da corrente
           sangüínea.



Fraturas

As fraturas são nomeadas de acordo com as várias condições do local da fratura.

Fratura Simples: as extremidades quebradas do osso não se exteriorizam através
da pele;

Fratura Composta (fratura exposta): as extremidades quebradas do osso
atravessam a pele;

Fratura Cominutiva: o osso é quebrado em vários fragmentos que permanecem no
local da fratura;

Fratura com Afundamento: a região fratura é comprimida para dentro. Ex. fratura
do crânio;




Consolidação das fraturas

As fraturas ficam sujeitas a três mudanças progressivas durante o processo de
consolidação: formação do pró-calo, calo cartilaginoso e formação de calo ósseo.




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3 SISTEMA ARTICULAR

Estrutura e constituição das articulações

 A junção de dois ou mais ossos é denominada ―articulação‖. Existem três classes
  de articulações: as sinartroses ou imóveis, as anfiartroses ou levemente móveis e
  as diartroses ou livremente móveis.

 As duas primeiras classes não possuem uma cavidade articular verdadeira; a
  terceira classe tem uma cavidade articular e é subdividida em seis tipos. A
  classificação e terminologia das articulações são apresentadas de modo
  diferente por vários autores.

 As articulações diartrodiais, livremente móveis ou sinoviais são as de maior
  interesse para os estudiosos do movimento humano. As faces ósseas articulares
  ou de sustentação de peso são cobertas por uma camada de cartilagem hialina
  denominada ―cartilagem articular‖.

 Elástica mas não especialmente quebradiça, esta cartilagem absorve os choques
  e previne o desgaste direto sobre os ossos para garantir um melhor encaixe. Não
  possui inervação ou suprimento sangüíneo próprio.

 Em algumas articulações, as cartilagens articulares mostram modificações
  especializadas e recebem denominações distintas, como no caso do ―lábio
  glenoidal‖ da articulação do ombro e das ―cartilagens semilunares‖ ou ―meniscos‖
  do joelho.

 As articulações não devem ser vistas como uma superfície dura. Devem ser
  consideradas coxins elásticos, com a cartilagem articular tendo características
  em algum ponto entre as de um sólido e de um liquido.

 Sob pressão, a cartilagem parece exsudar (liberar em forma de gotas - gotejar)
  um lubrificante para a frente do ponto de pressão, mas a mecânica envolvida não
  é bem compreendida.

 Uma manga ligamentosa denominada ―cápsula‖ ou ―ligamento capsular‖ se fixa
  firmemente a ambos os ossos da articulação, encerrando-a completamente. Esta
  cápsula é revestida internamente por uma delgada ―membrana sinovial‖ vascular,


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   que secreta ―líquido sinovial‖ ou ―sinóvia‖ para dentro da cavidade articular.

 O líquido sinovial nutre as cartilagens articulares, lubrifica a articulação e
  converte a tensão compressiva, que de outro modo lesaria os pontos altos, em
  tensão hidrostática, que é bem menos lesiva ao material da articulação.

 Normalmente, apenas 2 ml ou menos de líquido sinovial estão presentes e há uma
  pressão subatmosférica (sucção) na cavidade articular. Assim, é difícil encontrar
  e explorar em dissecação a ―cavidade‖, a menos que ela tenha sido injetada
  previamente para expandi-la.

 Uma lesão ou irritação, entretanto, causa secreção profusa de liquido sinovial, às
  vezes resultando em tumefação evidente.

 Algumas articulações diartrodiais têm um disco fibrocartilagíneo intra-articular
  que divide a cavidade articular em duas partes. Esta divisão a torna semelhante a
  uma sincondrose ou articulação cartilagínea, exceto que a última não possui
  cavidade ou membrana sinovial.

 As articulações esternoclavicular e rádio-ulnar distal são diartroses que têm
  discos fibrocartilagíneos. As fixações destes discos têm peculiaridades que os
  permitem auxiliar na manutenção dos ossos unidos.

 As cápsulas ligamentosas às vezes têm espessamentos bem definidos em uma ou
  mais faces, e estes são muitas vezes separadamente denominados de ligamentos.
  Ademais, vários outros ligamentos unem os dois ossos e são distintos da cápsula.

 Os ligamentos são resistentes e praticamente inelásticos. Sua função é manter
  os ossos unidos e limitar a amplitude de movimento. Forças de tração, se
  constantemente aplicadas, podem acarretar seu gradual estiramento — até
  mesmo ao ponto de destruir sua função de manter a integridade da articulação.

 Toda articulação sinovial contém pelo menos uma face articular macho e uma
  fêmea. Há apenas uma posição na qual elas são totalmente congruentes. Nessa
  posição, as duas faces se encaixam ponto por ponto, e a gravidade ou força
  muscular torna os principais ligamentos (especialmente nas articulações em do-
  bradiça) tão esticados que eles apertam as faces articulares unidas de tal modo
  que os dois ossos funcionam como uma unidade.


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 Esta unidade é conhecida como a posição de ―bloqueio‖. Em todas as outras
  posições, as faces macho e fêmea não são totalmente congruentes. Os
  ligamentos tendem a afrouxar e diz-se que a articulação está na posição
   ―frouxa‖.

 Numerosos fatores contribuem para a estabilidade e integridade das
  articulações sinoviais. A sucção na cavidade articular é um poderoso inibidor de
  tração-luxação. A profundidade do encaixe das faces macho e fêmea pode (como
  no acetábulo) ou não (como na articulação do ombro) fornecer estabilidade.

 Os ligamentos mantêm os ossos adjacentes estreitamente unidos quando a
  articulação está bloqueada ou no extremo de sua amplitude de movimento. Os
  músculos em contração exercem extraordinárias forças estabilizadoras.

 Os traumatismos e posturas habitualmente forçadas podem hiperestender
  permanentemente os ligamentos; quando associada a músculos fracos, esta
  condição predispõe a articulação e uma luxação fácil.

 Os tendões e lâminas de fáscia cruzam a maioria das articulações. Embora
  geralmente se considere sua função a transferência de tensão muscular para
  causar movimento, o fato de que eles mantém os ossos unidos jamais deve ser
  menosprezado.

 Como a maioria dos músculos se insere em ângulos muito pequenos, um grande
  componente da força muscular é dirigido ao longo do osso em direção à
  articulação, tendendo a reforçá-la pela união dos ossos.



Bolsas e bainhas dos tendões

 Onde quer que estruturas moles sejam freqüentemente submetidas ao atrito
  sobre uma proeminência óssea, o atrito é reduzido pelo aparecimento de tecido
  conectivo resistente e alguma forma de ―saco sinovial‖.

 Até mesmo tendões não suportam a fricção constante sobre um osso sem uma
  maior proteção. Freqüentemente, os tendões são circundados por um ―saco
  cilíndrico‖ que consiste em duas lâminas de tecido conectivo, cujo interior é


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  firmemente fixado ao tendão e ao exterior fixado ao tecido circunvizinho.

 A cavidade desta bainha do tendão é revestida com membrana sinovial, que
  secreta uma pequena quantidade de líquido lubrificante para o interior da
  cavidade e impede que tecidos sólidos se atritem diretamente um contra o outro.

 As estruturas moles não-tendíneas são igualmente protegidas. Deste modo, a
  fáscia e a pele no dorso do cotovelo são separadas do olécrano por um ―saco
  sinovial‖ simples denominado bolsa. As bolsas são encontradas em muitos outros
  lugares.

 Por exemplo, onde o músculo supra-espinhal passa abaixo do acrômio, ele é
  separado desta estrutura dura pela bolsa subacromial; de modo semelhante, o
  ligamento da patela é protegido da cabeça da tíbia pela bolsa ínfrapatelar
  profunda.

 As bolsas e bainhas dos tendões não são partes das articulações no sentido
  técnico, mas podem ser consideradas estruturas associadas.



Tipos de articulações

 A articulação de dois ou mais ossos permite vários tipos de movimentos. A
  extensão e o tipo de movimento determinam o nome aplicado à articulação. A
  estrutura óssea limita o tipo e a quantidade de movimentos em cada articulação.

 Algumas articulações são bastante limitadas, enquanto outras tem uma variedade
  de amplitudes de movimento.       O tipo e a amplitude de movimentos são
  semelhantes em todos os humanos; contudo a liberdade, amplitude e vigor dos
  movimentos são limitados por ligamentos e músculos.

 As articulações são agrupadas em três classes, com base na quantidade de
  movimento possível e de acordo com o tecido que conecta as articulações.




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Articulações Fibrosas (Sinartroses): articulações nas quais os ossos são mantidos
juntos firmemente por tecido conjuntivo fibroso. São articulações imóveis. Podem
atenuar a força (absorção de choques).

      Sinostose: interposição de osso. Ex.: suturas do crânio

      Sindesmose: interposição de ligamentos. Ex.: articulação entre as
      extremidades distais entre a tíbia da fíbula, coracoacromial e radio-ulnar
      intermédia.



Articulações Cartilagíneas (Anfiartroses): ossos unidos por cartilagem e permitem
      movimento limitado. Atenuam forças aplicadas.

      Sincondrose: interposição de cartilagem hialina. Ex.: cartilagem costal e
      discos epifisários de crescimento.

      Sínfise: superfícies articulares dos ossos cobertas por fina camada de
      cartilagem hialina. Ex.: união dos osso púbicos e articulações de vértebras
      adjacentes.



Articulações Sinoviais (Diartroses): movimentam-se livremente. O movimento é
      limitado somente por ligamentos, músculos, tendões e ossos adjacentes.
      Possuem uma cavidade articular cheia de líquido (secreção viscosa
      transparente – lubrifica e nutre).

  a) Articulações Não-Axiais
      Planar – Artrodial: são formadas principalmente por superfícies achatadas e
      encurvadas. Ex.: processos articulares das vértebras e a maioria dos ossos
      carpais e tarsais.

  b) Articulações Uniaxiais
      Gínglimo – Dobradiça: nesse tipo de articulação as superfícies tem uma tal
      forma que permitem apenas movimentos de flexão e extensão. Ex.:
      Articulação do cotovelo, joelho e interfalangeanas dos pés e das mãos.




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      Trocóide – Pivô: o único movimento permitido nesta articulação é a rotação
      ao redor de um eixo longitudinal do osso. Ex.: rotação da primeira vértebra
      cervical (atlas) sobre a Segunda (áxis) e as articulações entre as articulações
      proximal e distal entre o rádio e a ulna.

  c) Articulações Biaxiais
      Elipsóide – Condilar: possuem uma superfície articular levemente côncava e
      outra ligeiramente convexa, permitindo movimentos em dois planos
      perpendiculares entre si. Movimentos: flexão, extensão, abdução, adução e
      circundução. Ex.: articulações metacarpofalangeanas e metatarsofalangeanas,
      articulações entre o rádio e o carpo.

      Selar: permitem os mesmos movimentos das elipsóides. A superfície articular
      tem a forma de uma sela. A única articulação selar verdadeira do corpo é a
      articulação carpometacárpica do polegar.

  d) Articulações Triaxiais
      Esferóide – cotilóide: são formadas por uma cabeça esférica de um osso
      contrapondo-se a uma cavidade em forma de taça do outro. Tais articulações
      permitem movimento ao redor de três eixos. Além da flexão, extensão,
      abdução, adução e circundução, as articulações esferóides permitem rotação
      medial e lateral. Ex.: articulação do ombro e quadril.



Ligamentos

Os ligamentos desempenham um papel importante na manutenção da posição
apropriada dos ossos que se articulam nas articulações sinoviais, ao mesmo tempo
que permitem movimentos relativamente livres das articulações.

      -   Ligamentos   do eixo axial
      -   Ligamentos   da Articulação do   Ombro
      -   Ligamentos   da Articulação do   Cotovelo
      -   Ligamentos   da Articulação do   Pulso
      -   Ligamentos   da Articulação do   Quadril
      -   Ligamentos   da Articulação do   Joelho
      -   Ligamentos   da Articulação do   Tornozelo




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Condições de importância clínica



Entorses: São resultados de uma torção ou alongamento exagerado da articulação o
que faz com que um ligamento possa se romper ou se separar de sua fixação óssea.

Luxações: Quando as superfícies articulares dos ossos são violentamente
deslocados, ocorre uma luxação.

Bursite: Quando uma ou mais das bolsas sinoviais que rodeiam uma articulação
tornam-se inflamadas. Esta perturbação pode resultar de lesão, peso excessivo ou
infecção. As bolsas se enchem excessivamente de líquido sinovial, causando
desconforto e limitando o movimento da articulação afetada.

Tendinite: É uma inflamação das bainhas dos tendões que rodeiam uma articulação.
A condição é geralmente caracterizada por uma sensibilidade local no ponto da
inflamação e por uma dor severa quando se movimenta a articulação afetada. Pode
resultar de trauma ou uso excessivo.

Hérnia de disco: O núcleo pulposo semisólido do disco intervertebral é pressionado
para um dos lados do disco. Isto pode resultar num trauma ou numa distribuição
imprópria do peso ao longo da coluna vertebral que leva a uma postura inadequada ou
a deformidade nas vértebras.

Lesões dos meniscos (fibrocartilagem): Mudanças súbitas de direção durante a
sustentação do peso do corpo podem fazer com que os meniscos se rompam. Dor
intensa e inchaço na articulação.

Artrite: Inflamação das articulações.
      Osteatrite: É a mais comum das artrites e é uma inflamação crônica que faz
      com que a cartilagem articular se degenere gradativamente.
      Artrite Reumatóide: A membrana sinovial inflamada desenvolve um tecido
      anormal chamado ―pannus‖ na superfície articular.
      Artrite Gotosa (Gota): Acúmulo de cristais nas articulações e nos tecidos
      moles que as envolvem. Ocorre inflamação que eventualmente pode erodir a
      cartilagem articular e o osso subjacente, provocando dor intensa e
      imobilidade da articulação (excesso de ácido úrico ou incapacidade de
      excretá-lo – formação de cristais de urato de sódio).


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4 SISTEMA MUSCULAR



          O tecido muscular constitui cerca de metade do peso total do corpo. A
maior parte da forma do corpo é devida aos numerosos músculos presos ao
esqueleto e subjacentes à pele. Outros músculos estão localizados nas paredes dos
órgãos ocos e nos vasos sangüíneos.
          As células musculares são importantes em atividades tais como o
movimento de várias partes do corpo, a alteração dos diâmetros dos tubos do corpo,
a propulsão de materiais através do corpo e expulsão de resíduos do corpo. Além
disso a contração dos músculos esqueléticos produz significativas quantidades de
calor que pode ser usado para a manutenção da temperatura normal do corpo.
          Por causa de suas numerosas funções, o tecido muscular contribui, de
maneira importante, para a manutenção da homeostase.



Tipos de músculos

Músculos voluntários: as contrações estão normalmente sob controle consciente do
indivíduo. (diferença no caso do tônus muscular postural – sistema nervoso somático)

Músculos involuntários: as contrações não estão sob o controle consciente dos
indivíduos – controle do sistema nervoso autônomo.

Músculo esquelético: como o nome já indica, a maioria dos músculos esqueléticos
estão fixados aos ossos do esqueleto. As contrações do músculo esquelético
exercem força nos ossos e então eles se movem. São os únicos músculos voluntários
do corpo. Também chamado de estriado por exibir ao microscópio bandas
transversas alternadamente claras e escuras, dando-lhe um aspecto estriado.

Músculo liso: é também chamado de músculo visceral porque é encontrado nas
paredes dos órgãos ocos e tubulares como o estômago, os intestinos e vasos
sangüíneos. É involuntário e suas ações governam o movimento de materiais através
dos sistemas de órgãos do corpo.

Músculo cardíaco: é um tipo especializado de músculo que forma a parede do
coração. Ele é involuntário, como o músculo liso, e estriado como o esquelético.




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Músculos esqueléticos – nomeação

Há cerca de 600 músculos no corpo humano e vários critérios são usados para dar
nome aos mesmos; cada um deles descreve uma característica particular do músculo
nomeado, tal como a forma, a ação e localização.



Forma: os nomes de alguns músculos incluem referências à sua forma. Ex.: os
músculos trapézios têm a forma trapezóide e os músculos rombóides lembram um
losango.

Ação: vários músculos incluem referências à ações; pelo uso de termos flexor,
extensor, adutor ou pronador. Ex.: o flexor radial do corpo flexiona a mão e o
extensor longo dos dedos estende os dedos do pé.

Localização: é possível localizar certos músculos pelos seus nomes. Ex.: os músculos
intercostais estão localizados entre as costelas e os músculos tibiais anteriores
estão localizados ao longo da margem anterior da tíbia.

Fixações: as fixações de um músculo no esqueleto são incluídas em alguns nomes.
Ex.: o músculo esternocleidomastóideo tem origem no esterno e na clavícula e se
insere no processo ou parte mastóide do osso temporal; os músculos coracobraquiais
têm suas origens nos processos coracóides das escápulas e se inserem em cada
braço.

Número de divisões: alguns músculos são separados em duas, três ou quatro
divisões, e isto é indicado em seus nomes. Ex.: os músculos do bíceps do braço tem
duas divisões, os tríceps do braço tem três divisões e os músculos quadríceps da
coxa tem quatro.

Relações de tamanho: os termos referentes ao tamanho estão freqüentemente
incluídos nos nomes dos músculos. Ex.: glúteo máximo e mínimo (respectivamente
grande e pequeno), fibular longo e fibular curto (respectivamente longo e curto).

OBS.: Em muitos casos os nomes dos músculos incluem mais de um desses
      critérios.




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ESTRUTURA MACROSCÓPICA DO MÚSCULO

Os músculos e grupos musculares são arranjados de modo que possam contribuir
individual ou coletivamente para produzir um movimento muito pequeno ou um muito
amplo e potente.

Os músculos raramente agem individualmente. Geralmente agem com outros
músculos em várias diferentes ações.



Grupos de Músculos

Os grupos musculares ficam contidos em compartimentos e são definidos pela
fáscia, uma bainha de tecido conjuntivo.

Os compartimentos dividem os músculos em grupos funcionais e é comum que os
músculos do mesmo compartimento sejam inervados pelo mesmo nervo.

Ex.: na coxa existem três compartimentos: o anterior, que contém o quadríceps
femoral; o posterior, que contém os isquiotibiais; e o medial, que contém os
adutores.



Organização Muscular Individual

Cada músculo individual geralmente tem uma porção centralizada na qual o músculo é
mais espesso, denominada ventre muscular.

Alguns músculos podem apresentar um ventre bastante pronunciado,enquanto outros
não, como é o caso do bíceps braquial e flexor ulnar do carpo respectivamente.

O epimísio reveste o músculo externamente, tendo o papel de transferir tensão
muscular para o osso.

Cada músculo pode conter milhares de fibras musculares que são cuidadosamente
organizadas em compartimentos dentro do próprio músculo.




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Os feixes de fibras musculares são chamados fascículos, e cada fascículo pode
conter até 200 fibras musculares.

O fascículo é coberto por uma bainha conectiva densa chamada perimísio, que
protege as fibras musculares e cria caminhos para os nervos e vasos sangüíneos.

O epimísio e perimísio dão ao músculo muito de sua capacidade de alongamento e
retorno ao comprimento no repouso normal.

Cada fascículo contém fibras musculares cilíndricas longas, as células dos músculos
esqueléticos. As fibras também correm paralelamente e são cobertas com uma
membrana, o endomísio.

O endomísio é uma bainha muito fina que leva os capilares e nervos que nutrem e
inervam cada fibra muscular.

Em nível microscópico, a fibra muscular pode ser dividia novamente em numerosas
miofibrilas. As miofibrilas apresentam estrias transversas devido aos filamentos
claros e escuros.

A banda preta é a proteína espessa, a miosina, e a clara é a fina, a actina.



Organização das Fibras

O formato e arranjo das fibras no músculo determinarão se o músculo é capaz de
gerar grandes quantidades de força ou se tem boa capacidade de encurtamento.

Músculos fusiformes: o arranjo das fibras fusiformes é paralelo às fibras
musculares, e os fascículos percorrem o comprimento do músculo (ex.: sartório,
bíceps braquial e braquial).

Oferece o potencial para grandes encurtamentos e movimentos de alta velocidade
no corpo. São tipicamente mais compridos e o comprimento da fibra muscular é
maior que o comprimento do tendão.




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Músculos peniformes: as fibras correm diagonalmente em relação a um tendão que
atravessa o músculo. A forma geral do músculo peniforme é de pena, já que os
fascículos são curtos e correm em ângulo.

As fibras são mais curtas que o músculo, e a alteração no comprimento da fibra
individual não é igual à alteração no comprimento muscular.

As fibras podem correr diagonalmente saindo de um lado do tendão, chamando-se
unipenadas, dos dois lados do tendão, chamando-se bipenadas, ou uma combinação
dos dois, chamando-se multipenadas.

Como as fibras musculares são mais curtas, as fibras peniformes criam movimentos
mais lentos, tendo a vantagem, no entanto, de produzir mais força.



Fixação Muscular
Tendão X Aponeurose X Osso

Existem três maneiras para o músculo fixar-se no osso: diretamente no osso, por um
tendão ou por uma aponeurose.

O músculo pode fixar-se diretamente no periósteo do osso por uma fusão entre o
epimísio e a superfície do osso, como a fixação do trapézio.

O músculo pode fixar-se por um tendão que se funde com a fáscia muscular, como
ocorre com os isquiotibiais, bíceps braquial e flexor radial do carpo.

Pode fixar-se por uma bainha de tecido fibroso conhecida como aponeurose,
encontrada nos músculos abdominais e na fixação do glúteo máximo e latíssimo do
dorso.



Características do Tendão

A forma mais comum de fixação, o tendão, é um feixe inelástico de fibras de
colágeno arranjadas paralelamente na direção da aplicação de força do músculo.




                                                                                20
Embora as fibras sejam inelásticas, o tendão pode responder de modo elástico pelo
recuo e elasticidade do tecido conectivo.

Os tendões e os músculos trabalham juntos para absorver ou gerar tensão no
sistema. Os tendões são arranjados em série ou são alinhados com os músculos;
conseqüentemente, o tendão suporta a mesma tensão que o músculo.



Origem X Inserção

O músculo tipicamente liga-se ao osso pelas duas pontas. A ligação mais próxima do
meio do corpo, ou mais proximal, é denominada origem.

A ligação mais afastada da linha média ou mais distal é denominada inserção.

Os músculos tracionam igualmente nas duas pontas de modo que os dois locais de
ligação recebem forças iguais.



Características Funcionais do Músculo

O músculo esquelético é muito resistente e pode ser alongado ou encurtado em
velocidades bastante altas sem que ocorram danos ao tecido.

O desempenho da fibra muscular é determinado por quatro propriedades do tecido
muscular esquelético.

Irritabilidade: é capacidade de responder à estimulação.

Contratilidade: é a capacidade de um músculo para encurta-se quando o tecido
muscular recebe estimulação. Alguns músculos podem encurtar-se até 50 a 70% de
seu comprimento de repouso.

Extensibilidade: é a capacidade do músculo alongar-se alem do comprimento de
repouso. A extensibilidade do músculo é determinada pelo tecido conectivo
encontrado no epimísio e fáscia que cerca o músculo.




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Elasticidade: é capacidade da fibra muscular para retornar ao seu comprimento de
repouso depois que a força de alongamento é removida.



Funções do Músculo

Os músculos esqueléticos realizam uma variedade de funções, todas elas
importantes par ao desempenho eficiente do corpo humano.

Produzir movimento: o movimento esquelético é criado à medida que as ações
musculares geram tensão que é transferida para o osso. Os movimentos resultantes
são necessários para a locomoção e outras manipulações importantes.

Manter posturas e posições: as ações musculares de menor magnitude são
utilizadas para manter posturas.

Estabilizar    articulações:    as    ações     musculares   também   contribuem
significativamente para a estabilidade articular.



Papel ou Ações do Músculo

Muitos dos movimentos disponíveis podem ser indesejados em um determinado
momento. Para eliminar os movimentos indesejáveis e criar habilidade ou movimento
desejado, os músculos precisam desempenhar vários papéis.

Movimentador primário X movimentador assistente: o músculo ou os músculos
primariamente responsáveis pela produção de um determinado movimento é chamado
movimentador primário, e quando maior força é requerida, outros músculos
contribuem como movimentadores assistentes.

Agonistas X antagonistas: os músculos que criam o mesmo movimento articular são
chamados de agonistas. Por outro lado, os opositores, que produzem movimento
oposto são chamados antagonistas.

Estabilizadores e neutralizadores: os músculos são também usados como
estabilizadores, agindo em um segmento de modo que possa ocorrer específico em
articulação adjacente.


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A estabilização é muito importante na cintura escapular que precisa ser suportada
de modo que os movimentos do braço possam ocorrer de forma homogênea e
eficiente.

Na neutralização, o músculo irá contrair-se para eliminar uma ação muscular
indesejada por outro músculo.



Tipos de Contrações Musculares

Contração concêntrica: O encurtamento do músculo durante a contração.

Contração excêntrica: O músculo se alonga ao se contrair (desenvolvendo tensão).

Contração isométrica (estática): Contração na qual a tensão é desenvolvida, porém
não se observa nenhuma mudança no comprimento do músculo.



Alavancas

Quando os músculos desenvolvem tensão, tracionando os ossos para sustentar ou
mover a resistência criada pelo peso do segmento ou segmentos corporais e,
possivelmente o peso de uma carga adicionada, o músculo e o osso funcionam
mecanicamente como uma alavanca.

Uma alavanca é uma haste rígida que gira sobre um ponto fixo denominado eixo ou
ponto de apoio (ou ainda fulcro). A parte da alavanca que se encontra entre o ponto
de apoio e o peso ou resistência é chamada de braço de alavanca; a parte entre o
ponto de apoio e a força aplicada, denomina-se braço de força.

A vantagem mecânica de uma alavanca depende da relação entre o comprimento do
braço de força e o braço de resistência.

Sua função habitual é a de obter uma vantagem mecânica por meio da qual uma
pequena força aplicada sobre uma grande distância, numa das extremidades,
produza uma força maior operando sobre uma distância menor no outro extremo, ou




                                                                                   23
então, aumentar consideravelmente num extremo a velocidade de movimento
aplicada no outro.

No corpo humano, a ação dos músculos que se contraem normalmente constituem a
força; a resistência é fornecida pelo centro de gravidade do segmento que se move
mais o peso adicional que pode estar em contato com o mesmo; e o eixo é a
articulação onde ocorre o movimento.

Na maioria dos casos o braço de força no corpo humano é mais curto do que o braço
de resistência, resultando assim numa desvantagem mecânica. A lei da conservação
de energia implica que o que se perde em força se ganha em distância (e vice-versa).
Dessa forma, ao se aumentar a distância, ganha em velocidade.

A disposição radiada (peniforme) dos músculos permite um aumento relativamente
grande de força, e a disposição das alavancas ósseas proporciona distância de
movimento e velocidade.



Tipos de Alavancas

As alavancas estão dividas em três classes, dependendo da disposição relativa da
força, do eixo e da resistência.



a) Alavancas de Primeira Classe

As alavancas de primeira classe têm o ponto de apoio situado entre a força e a
resistência, ou seja, a força e a resistência aplicadas situam-se em lados opostos
do eixo. A gangorra é um exemplo de uma alavanca de primeira classe (tesoura,
alicate e pé-de-cabra).

Tais alavancas, geralmente, sacrificam força para ganhar velocidade. No corpo
humano a ação simultânea dos grupos musculares agonista e antagonista em lados
opostos do eixo articular tem o funcionamento análogo ao de uma alavanca de
primeira classe, com os agonistas exercendo a aplicação de força e os antagonistas a
resistência.




                                                                                  24
Em uma alavanca de primeira classe, a força aplicada e a resistência podem estar a
uma distância igual do eixo ou uma pode estar mais longe do que a outra.

Um exemplo típico é o músculo tríceps do braço. Suponha que o cotovelo está ao
lado do corpo, fletido num ângulo de 90º e a palma está exercendo força contra o
alto de uma mesa.



b) Alavancas de Segunda Classe

Nas alavancas de segunda classe, a resistência se encontra entre o ponto de apoio e
a força, ou seja, a força e a resistência aplicadas estão do mesmo lado do eixo,
sendo que a resistência está mais próxima dele.

Neste caso, sacrifica-se a velocidade para ganhar força, como ocorre por exemplo
no carinho de mão, no quebra-nozes e na chave de roda.

No corpo humano quase não se encontram alavancas desse gênero, não existindo
assim, exemplos completamente análogos, embora a abertura da boca contra uma
resistência constitua um exemplo.



c) Alavancas de Terceira Classe

Nas alavancas de terceira classe a força é aplicada entre o ponto de apoio e a
resistência, ou seja, a força e a resistência estão do mesmo lado do eixo, com a
força aplicada mais perto dele.

Um remo de barco e uma pá podem ser utilizados como alavancas de terceira classe.
A maioria dos sistemas de alavanca osso-músculo no corpo humano são de terceira
classe.

Esta classe de alavanca é a mais comum no corpo, pois permite que o músculo se
prende próximo à articulação e produza distância e velocidade de movimento, com
encurtamento muscular mínimo, embora em detrimento de força.




                                                                                 25
Este sistema de alavanca permite a produção de movimentos rápidos e amplos,
embora com sacrifício de força. Um exemplo típico é encontrado no bíceps,
flexionado o antebraço contra uma resistência.



Condições de importância clínica – músculos esqueléticos

Atrofia muscular: redução do tamanho dos músculos devido a diminuição e morte de
células musculares; pode ser generalizada ou localizada.

Câimbras: contrações musculares dolorosas involuntárias; demoram para relaxar;
pode ser causada por baixo suprimento de oxigênio nos músculos, por estimulação do
sistema nervoso, ou por exercícios pesados (devido aos baixos níveis de íons sódio e
cloreto no sangue – perda através do suor).

Distrofia muscular: geneticamente transmitida – enfraquecimento muscular
progressivo devido à degeneração das células musculares, aumento do tecido
conjuntivo ou substituição de células musculares por tecido adiposo.

Miastenia grave: condição crônica de extrema fraqueza muscular; devido a uma
reação anormal dos sistema imunitário causando interferência na transmissão do
impulso nervoso ao nível da junção neuromuscular.

Efeitos de envelhecimento dos músculos esqueléticos: progressiva perda de massa
muscular esquelética; substituição de músculo por gordura.




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