O PROBLEMA DA APOSTASIA
Prof. Dr. Rubén Pereyra
Material preparado pelo Pastor Rubén Pereyra sobre o problema da apostasia, a pedido
da Divisão Sul-Americana, em novembro de 1983
SOBRE O AUTOR
O Pastor Rubén Pereyra, Doutor em Ministério pela Andrews University, nasceu e estudou
na Argentina, e nesse país exerceu a maior parte de seu ministério. Foi evangelista de
sucesso, presidente da União Austral de 1986 até o final de janeiro de 1992, e secretário da
Associação Ministerial da Divisão Sul-Americana, de 1970 a 1979.
Atualmente é jubilado, e professor de Teologia no Seminário do Puiggari, Argentina.
INTRODUÇÃO
O autor deste trabalho não pretende apresentar muitas idéias novas para o estudo deste
tema, porém somente reunir e resumir idéias mais ou menos conhecidas por todos. Nos
motiva o fato de que, apesar dessas idéias serem tão conhecidas, por alguma razão não
estão produzindo os frutos esperados, visto que a apostasia continua sendo uma epidemia
alarmante.
Os registros nos mostram que é elevadíssima a porcentagem dos que abandonam a igreja.
Isso se agrava quando comparamos o número de membros registrados nas listas de muitas
igrejas, com o número dos que realmente comparecem às reuniões.
QUATRO REALIDADES BÁSICAS
A seguir enumeramos quatro realidades que nos dão a base sobre a qual construiremos
nossas considerações:
1. A apostasia não é um fenômeno novo. Sua origem não foi no Éden, porém no Céu
onde tudo é perfeito. Também não se espera que a apostasia seja totalmente erradicada
antes que venha uma nova ordem de coisas que será estabelecida por Cristo em Sua
gloriosa segunda vinda. "Estrelas brilhantes se apagarão", nos adverte Ellen White,
referindo-se à queda de gigantes antes do fim.
2. Não há medidas mágicas para se eliminar a apostasia, nem se consegue isso
apertando uma tecla de computador. É algo muito mais complexo e profundo.
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3. Existe, sim, a possibilidade de se reduzir consideravelmente a apostasia, e,
paralelamente, trazer de volta a muitos que se afastaram.
4. Mas as soluções devem ser de fundo e não somente de forma. Há necessidade de
uma mudança na mentalidade da administração, dos pastores e dos membros leigos.
Precisa haver uma compreensão mais espiritual do que é a igreja, o ministério, o
evangelismo, o pastorado, o trabalho missionário, a disciplina eclesiástica, as normas
da igreja, as doutrinas e a vida espiritual. Tudo isso forma um processo longo e
trabalhoso, mas entendemos que é indispensável.
Atendendo a pedido da Divisão Sul-Americana, apresentamos aqui algumas conclusões, às
quais chegamos ao longo de vários anos de análise, preocupações e oração a respeito do
tema. Se houver aqui algo que mereça uma análise mais profunda, o recomendamos
humildemente a nossos companheiros de ministério.
CAUSAS DA APOSTASIA
I - PRÉ-NATAL
Na Bíblia, freqüentemente, compara-se a experiência da conversão com a do nascimento de
um bebê. Portanto podemos comparar o nascimento biológico com o nascimento espiritual.
Sabe-se hoje que a personalidade de uma criança é marcada por características herdadas de
seus pais, e por hábitos cultivados. Assim como uma criança pode nascer com certas
deficiências físicas ou psicológicas, o recém-nascido espiritual poderá chegar à nova vida
com defeitos que o prejudicarão.
Elizabeth Hurlock escreveu: "Algumas condições pré-natais causam no feto uma
hiperatividade durante os últimos meses do período pré-natal. Estas condições tendem a
continuar atuando depois do nascimento, manifestando-se de diversas formas como
dificuldades alimentares, fracasso em ganhar peso, problemas do sono, irritabilidade geral,
distração, e outras manifestações comportamentais que dificultam o ajuste pós-natal."
L.W. Sontag, por sua vez, acrescenta que "não é necessário esperar até que a criança cresça
para que se verifique nela uma personalidade neurótica que um lar desestruturado pode
causar, ou por outra causa ruim. Isto já começou a acontecer antes do bebê ver a luz do
dia".
Da mesma maneira, causas que atuam ainda antes do batismo podem produzir desajustes na
vida cristã posterior, tais como dificuldade para alimentar-se espiritualmente, fracasso no
crescimento em Cristo, resultando em morte, apostasia.
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Que causas são essas? Muito se tem falado na falta de preparo pré-batismal. Esta verdade
não abrange todo o problema, mas é importante falarmos do preparo inadequado, o qual
não se refere só ao tempo de estudos doutrinários, ou quanto ao número de temas
estudados, mas mui especialmente quanto à qualidade desse preparo.
Uma campanha de evangelização, em geral, deve durar um certo tempo, e nela deve ser
apresentado um certo número de temas e estudos, cuja seqüência já é tradicional entre nós.
O mesmo acontece com a classe batismal e com os estudos bíblicos individuais. Mas a
experiência demonstra que muitos que se apostataram, receberam instrução pré-batismal
satisfatória, pelo menos teoricamente. Portanto, há outras razões a ser consideradas
também.
Dois elementos influem nesta etapa:
l) A motivação do, ou dos mensageiros que participam da campanha.
Quando eles estão mais ansiosos por aumentar o número de nomes no seu relatório do que
por salvar almas, talvez recorrerão a métodos e meios não de todo recomendáveis. O que
fazer para que obreiros assalariados e voluntários trabalhem visando mais a salvação das
pessoas do que para alcançar uma "quota de produção"?
"É verdade que alguns pregam Cristo por inveja e rivalidade, mas outros o fazem de boa
vontade. Estes o fazem por amor, sabendo que aqui me encontro para a defesa do
evangelho. Aqueles pregam Cristo por ambição egoísta, sem sinceridade, pensando que me
podem causar sofrimento enquanto estou preso". Filipenses l: 15-17 (Nova Versão
Internacional)
Em algumas das igrejas que mais crescem solidamente, nota-se uma maior ênfase na
pregação da verdade do que nas cifras estatísticas, resultando assim em mais decisões que
perduram. A excessiva pressão sobre números que é dada em certos círculos da Igreja,
produz uma tensão que resulta em profissionais desprovidos da verdadeira motivação
redentora.
O capacitar, o equipar e inspirar os que estão nas lides evangélicas, tanto ministeriais como
voluntárias, darão o necessário preparo para cada obreiro realizar o trabalho com "alegria e
não como um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês" (Hebreus 13: 17up - NVI),
fazendo com que a evangelização produza mais frutos genuínos.
É de especial importância a forma como se avalia o pastor e o seu ministério. Tomar como
base somente os números não é justo. De fato há igrejas que batizam um grande número em
um ano, mas o quadro comparativo da Escola Sabatina permanece igual, e o mesmo
acontece com as reuniões de oração.
À vista de Deus talvez valha mais uma igreja renovada, reavivada, revitalizada, do que um
frio número estatístico. Aqui se aplicaria, sem dúvida, a declaração registrada em
Evangelismo, pág. 320:
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"Ele [Deus] Se agradaria mais de ter seis pessoas realmente convertidas à verdade como
resultado do trabalho deles, do que sessenta que fazem profissão de fé nominal, mas não se
converteram de todo".
O importante serão os números futuros e não os presentes. Possivelmente os registros e as
avaliações de Deus não coincidam exatamente com os nossos. Têm acontecido casos de
pastores que, pressionados pelos alvos, deixaram de lado o cuidado pastoral de suas igrejas,
a visitação e mesmo a pregação. Os frutos numéricos em novas pessoas trazidas para a
igreja podem aumentar, mas talvez isso não corresponda aos frutos reais de pessoas salvas e
transformadas.
É vital que tanto os administradores como os departamentais inspirem os obreiros que
estão na linha de frente das lides evangelísticas, dando-lhes todo o apoio, estímulo e
motivação correta. Será mais provável que nasçam "novas criaturas mais saudáveis e
robustas" por este meio, do que através de pressões motivadas por "quotas de produção".
2) Tipo de experiência prévia ao batismo. A diferença entre proselitismo e
conversão está, basicamente, no fato de que no primeiro caso se convence ou se conquista a
pessoa a mudar de igreja, filiando-se a uma outra, por processo sociológico semelhante ao
que experimenta uma mulher que, depois de assistir a uma propaganda na TV, resolve
mudar de marca de sabonete ou de azeite que usa. A pessoa se convenceu e muda de
parecer.
William Sargant, filósofo cristão, escreveu sobre a conversão como um processo
sociológico de: l) Condicionamento; 2) Crise; 3) Rendição ou entrega, 4) Reorientação;
descartando totalmente a dimensão sobrenatural divina no processo. Disse ele: "Não somos
convertidos, e sim nós nos convertemos."
É possível que parte de nosso evangelismo seja somente um processo sociológico de
condicionamento que leva a uma crise, a uma rendição e reorientação, sem a intervenção do
poder do verdadeiro evangelho da regeneração. Tal experiência não terá profundidade
suficiente para a sobrevivência após o "nascimento". No livro Evangelismo lê-se de tais
experiências:
"A salvação não está em ser batizado, em ter nosso nome nos livros da igreja, nem em
pregar a verdade. Mas em uma viva união com Jesus Cristo para ser renovado no
coração..." Evangelismo, pág. 319.
"É a graça de Cristo que dá vida à alma. Separado de Cristo, o batismo, como qualquer
outro serviço, é uma forma sem valor". Evangelismo, pág. 318.
"São batizados muitos que não se acham aptos para essa sagrada ordenança, mas que se
acham enlaçados com o próprio eu e com o mundo. Não viram a Cristo nem O receberam
pela fé”. Evangelismo, pág. 319.
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"Muitos se unem à igreja sem primeiro se haverem unido a Cristo. Nisto Satanás triunfa.
Tais conversos são seus instrumentos mais eficientes. Servem de laço para outras almas.
São falsas luzes, atraindo os descuidados à perdição". Evangelismo, pág. 320.
Cabe, aqui, fazer uma análise de nossa opinião comum e do conceito bíblico de batismo.
Biblicamente nem sempre o batismo é precedido de um longo processo, mas de um
encontro com Cristo e a verdade. Saulo foi batizado após três dias de sua última
perseguição à igreja cristã. Neste caso não cabe a explicação dada na história do eunuco
etíope, ou dos três mil balizados no Pentecostes, em relação a um presumido conhecimento
prévio da mensagem.
Saulo era um abjurado fanático judeu, para quem toda a verdade cristã era rejeitada
plenamente, portanto era desconhecida para ele. Os três dias determinantes de sua
conversão foram de confirmação de uma experiência espiritual dramática de encontro com
Cristo, e o conseqüente nascimento do Espírito e a regeneração operada milagrosamente
pelo Espírito Santo. A seguir vieram anos de crescimento tanto em conhecimento como em
experiência cristã, confirmando a visão do caminho de Damasco, e fazendo-o crescer como
uma criança até chegar à plenitude do adulto. (Paulo mesmo escreve sobre o "leite
espiritual e o alimento sólido"). Mesmo assim, estando na fase madura de sua vida, Paulo
continua dizendo que ainda não havia alcançado a perfeição, mas que era perfeito em
termos de crescimento em direção ao alvo, que é Cristo Jesus. (Filipenses 3:12. 15)
Nosso evangelismo deveria ser fruto de encontro e experiência com Cristo através do
conhecimento. Não de conhecimento e prática das normas cristãs somente, mas
impregnadas do amor por Cristo e de uma entrega total a Ele. Essa entrega poderá
acontecer tanto em um encontro único com Cristo, como através de um longo processo de
aprendizado e instrução. Mesmo assim poderá ocorrer que, apesar de alguém passar três
meses em um curso de doutrinas, o real encontro com Cristo e a conseqüente regeneração
estejam ausentes. A pessoa pode ser batizada e arrolada na igreja, sem que haja ocorrido
este real encontro com Cristo e a conseqüente regeneração. Neste caso o bebê nascerá com
defeitos e será difícil que sobreviva. Se o ambiente ao qual ele se integra lhe suprir essa
falta, é possível que experimente, mesmo após o batismo, a verdadeira vivência espiritual
que substitua a carência anterior. Se, ao contrário, o ambiente for indiferente, ele morrerá e
será sepultado na cova da apostasia.
Qual seria, pois, a solução? Um enfoque menos teológico e mais experimental do que é o
cristianismo, enfatizando a fé, a entrega, a conversão, baseando tudo no conhecimento de
Cristo e no Espírito Santo.
Ao escrever estas linhas tenho sobre a mesa um Certificado de Batismo contendo um
exame de avaliação da experiência do candidato. Além das perguntas sobre dados pessoais,
há algumas para avaliar sua idoneidade para o batismo. Observemos o teor das perguntas:
• Quanto tempo faz que guarda os mandamentos, incluindo o sábado?
• Há quanto tempo deixou o café, o chá, o tabaco, as bebidas alcoólicas?
• Desde quando não usa jóias e se veste com a modéstia cristã?
• Há quanto tempo deixou o uso de gordura e de carne de porco?
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• Quanto tempo faz que abandonou os bailes, jogos de azar, o cinema?
• Estuda a Bíblia diariamente?
• Quantos livros do Espírito de Profecia já leu?
• Está assinando quais revistas denominacionais?
• Há quanto tempo é membro da Escola Sabatina?
• Possui a Lição da Escola Sabatina?
• Está devolvendo fielmente os dízimos e ofertas ao Senhor?
Por que usamos este tipo de avaliação? O que se procura saber? Logicamente é difícil
perguntar ou avaliar sobre a amplitude ou fortaleza de fé do candidato, ou sobre a
autenticidade do seu encontro com Cristo, ou ainda medir a consagração, o perdão dos
pecados, etc.
Entretanto poderíamos estar cometendo um erro de equilíbrio ao dar ênfase a certos frutos e
não à experiência que produz esses frutos. Talvez essa avaliação do Certificado de Batismo
esteja revelando que nós damos importância ao cumprimento externo e frio de certas
normas cristãs, e não à profundidade da experiência espiritual que resultará nos frutos.
O equilíbrio é vital: Enfatizar a experiência da instrução, não descartando a experiência
pessoal com Cristo que é importantíssima. Podemos dizer que, se não houver esse
equilíbrio, a experiência cristã não será suficiente e soberana.
Ao olharmos a maioria dos temários de séries de conferências ou de estudos bíblicos,
percebemos o pouco destaque que se dá para a experiência cristã profunda e fundamental
da conversão, da obra do Espírito Santo e mesmo do amor de Cristo.
II - PÓS-NATAL
Afirma-se que um bebê com deficiência herdada e um bom ambiente, ou vice-versa, teria
50% de probabilidades de ter uma personalidade bem equilibrada. Da mesma forma que
uma herança ruim e um ambiente frio quase condenam o recém-nascido a uma não
adaptação; também uma herança boa e um ambiente bom quase lhe garantem uma
personalidade normal.
Algo semelhante aconteceria com um novo membro. O ambiente pós-natal pouco acolhedor
poderia ser a causa da perda de sua fé ou a causa da deformação de sua experiência cristã.
Por outro lado uma boa experiência com sua nova comunidade e com a fé, poderá fortalecê-
lo, diminuindo o prejuízo de um débil preparo prévio, ou confirmar uma boa herança
recebida. Caso o novo membro não haja experimentado uma sólida preparação antes do
batismo e, a seguir, não entra em um ambiente caloroso, pode-se quase garantir que será um
candidato à apostasia.
Que elementos influenciam nesta fase?
1. O espírito de alegria, de fraternidade e fidelidade que existe na igreja.
O desapontamento que produz uma igreja desunida ou adormecida pode ser fatal para quem
vibra com seu primeiro amor.
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2. A inspiração que recebe o novo membro ao ser integrado na atividade
missionária. Exigir que ele faça atividades que deve cumprir como obrigação religiosa
pode enfadar o novo membro. Por outro lado, a participação motivada pelo grande amor à
verdade e a Cristo é um tonificante contra um possível estado de desânimo.
3. O apoio nos momentos de luta. Logo em seguida ao batismo podem vir tempos
difíceis como rejeição dos familiares e amigos, conflitos na adaptação à nova forma de
viver, dificuldades para a observância do sábado, ou ainda incertezas quanto a sua nova fé.
Sentir-se abandonado em momentos assim pode ser fatal para um novo membro.
4. A edificação espiritual promovida pelo próprio crente. Em um folheto
intitulado "Equipamento de Sobrevivência para Cristãos Novos", escrito por Ralph
Neighbour Jr. e publicado pela Convention Press (7a. Edição, 1982) estão descritas
algumas "fases pelas quais passam quase todos os novos cristãos, e as maneiras de evitar o
fracasso". São elas:
a. A fase da lua-de-mel. Cheia de felicidade.
b. A fase da luta. A antiga natureza quer ressuscitar. Às vezes é vencida, mas às
vezes se sobrepõe. Quando isto ocorre, pode acontecer de ser acobertada com um certo grau
de hipocrisia, e na continuação acarretar a derrota do novo cristão.
c. A fase da dúvida. E uma experiência similar à do recém casado que acreditava
que tudo seria mel, e ao deparar-se no matrimônio com situações de fel, que não estavam
em seu quadro idealizado, fica em dúvida se escolheu sabiamente.
d. A fase do pânico. O novo membro passa a fazer um estudo mais profundo da
verdade; uma investigação desesperada para certificar-se de que deu o passo correto.
e. A fase do "cristão silencioso". Aquele que guarda sua fé e não testemunha,
passando a engrossar as fileiras dos "cristãos do serviço secreto".
Para Neighbour, essas fases são praticamente normais, ou pelo menos muito comuns. É
nesse processo conflitivo que o novo membro necessita de apoio e alimento sólido.
No folheto citado o autor apresenta todo um sistema de edificação espiritual para a
sobrevivência do recém-batizado, fundamentado nos seguintes passos:
1ª Semana: O Cristo que vive em mim. A oração, o perdão dos pecados. O que
significa viver com Cristo.
2ª Semana: A Igreja como um corpo. Sua unidade, sua vida interna.
3ª Semana: A Igreja e a comunidade Vida de serviço; amor e generosidade do cristão.
4ª Semana: As duas naturezas. Estudo da conversão e o seu significado.
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5ª Semana: As duas naturezas. As lutas que um cristão enfrenta depois de sua entrega
a Cristo. A vitória.
6ª Semana: Os aspectos da salvação. Justificação, santificação, frutos.
7ª Semana: O Plano de Deus para nossa salvação. Estudo aprofundado da vida cristã e
da vida eterna.
8ª Semana: As fontes de autoridade para o cristão: A Bíblia, o Espírito Santo.
9ª Semana: Como crescer na graça. Nutrição da palavra e comunhão.
10ª Semana: Vida de Oração. O que a oração representa para o crente.
11ª Semana: Testemunho. Como testemunhar em favor de Cristo.
Este material enfatiza especialmente a edificação espiritual, além de apresentar o
conhecimento doutrinário. Nós compartilhamos esta idéia do autor, porque cremos
que não é somente o conhecimento intelectual que sustenta o novo crente, mas a
comunhão espiritual com a fonte de poder.
5. Logicamente a nutrição espiritual que o novo membro recebe nas reuniões da
igreja é vital para sua sobrevivência. É indispensável que o culto divino seja espiritual,
dinâmico, positivo, que transmita "a vitória que vence o mundo, a nossa fé".
Um culto com pregação condenatória, sem a apresentação do remédio restaurador, é
destrutivo. Claro que a pregação não deve ser somente de aprovação o tempo todo. Porém,
não deve ser de forma a deixar o adorador submerso em tristeza, confusão ou desânimo,
mas trazê-lo das profundezas da gravidade do pecado para as alturas da vitória plena,
assegurada por Deus no Seu plano de salvação. Os relatos demonstram que em algumas de
nossas igrejas há demasiada censura. Muitos cultos terminam com sabor de derrota ou de
condenação.
6. Dar ao novo membro opções para substituir o que ele deixou para servir a
Cristo. Não é somente dizer-lhe as coisas que não deve fazer, mas convidá-lo para
participar de atividades que envolvam o físico, a mente e o espírito e que também supram
as necessidades sociais que tem. Isto vale especialmente para os jovens.
CONCLUSÃO
Reduzir a apostasia a zero é impossível, uma vez que ela sempre existiu e continuará
existindo até o fim. No entanto, a porcentagem atual é demasiadamente alarmante. Indica
que algo anda muito mal, e que é imperioso um estudo a fundo, e a coragem para atacar as
causas onde forem encontradas.
Não há vantagem alguma em buscar um controle automático ou mágico para a apostasia.
Se fosse possível resumir nossa opinião em duas frases, diríamos:
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Primeiro: Ninguém, em são juízo, abandona algo que considera de supremo valor. Se
abandona, é porque acredita que não tem nada a perder. Quem valoriza o seu Salvador, sua
igreja e sua fé como o melhor que possa ter, jamais os abandonará em troca do prazer
mundano, do dinheiro ou de qualquer outro interesse secular.
Segundo: Como igreja, como pastores, devemos fazer da mensagem algo tão
maravilhoso, tão precioso, que ninguém desejará deixá-la. "Senhor, para quem iremos
nós? Somente Tu tens as palavras de vida eterna!"
Como medidas práticas sugerimos que a Associação Ministerial e/ou a Divisão Sul-
Americana, bem como as Uniões e Associações, dêem atenção preferencial para este
assunto, não de forma esporádica, mas permanente. Sejam criados materiais, mecanismos,
procedimentos que busquem soluções de base para esta situação, no que tange a "fechar a
porta dos fundos", e para o resgate dos milhares de membros que se afastaram da igreja.
Isto é evangelismo de primeira linha.
A publicação de materiais sobre esse problema; dar especial ênfase nos concílio de obreiros
e de leigos a esta questão; a preparação de obreiros bíblicos especializados na recuperação
de membros afastados, seriam algumas idéias práticas que poderiam ser estudadas como
parte de uma estratégia para atacar o problema da apostasia.
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APÊNDICE
Critérios apresentados pelo Espírito de Profecia
para um Evangelismo consistente
Algumas orientações do Espírito de Profecia sobre a maneira correta de se fazer
evangelismo, e o devido preparo dos candidatos ao batismo, podem ser de grande utilidade
para minorar o problema da apostasia, e dar à igreja um crescimento saudável, o que
produzirá um ambiente apropriado para o crescimento espiritual dos crentes e o seu
envolvimento prazeroso no cumprimento da missão.
A seguir, algumas dessas oportunas declarações de Ellen G. White, e umas poucas de
outros autores cristãos:
A Prova do discipulado:
"A prova do discipulado não é exercida tão intimamente como devia ser sobre os que
se apresentam para o batismo. Deve-se compreender se os que professam ser
convertidos estão simplesmente tomando o nome de adventistas do sétimo dia, ou se
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estão assumindo sua posição ao lado do Senhor...” – E. G. White, Testemunhos para
Ministros, pág. 128.
Exame dos candidatos:
"Antes do batismo deve haver um completo exame quanto à experiência dos
candidatos. Que este exame seja feito, não de uma maneira fria ou distante, mas
bondosamente, ternamente, apontando aos novos conversos o Cordeiro de Deus que
tira o pecado do mundo. Que os candidatos ao batismo assumam as exigências do
evangelho e as coloquem sobre si..." - E. G. White, Testimonies, Vol. 6, págs. 96 e
97.
Batismos apressados: Fonte de fraqueza para a Igreja:
"A aquisição de membros que não foram renovados no coração e reformados na vida
é uma fonte de fraqueza para a igreja. Este fato é muitas vezes passado por alto.
Alguns ministros e igrejas acham-se tão desejosos de assegurar um aumento de
membros, que não dão testemunho fiel contra hábitos e costumes não cristãos. Aos
que aceitam a verdade não é ensinado que eles não podem, sem perigo, ser mundanos
em sua conduta, ao passo que de nome são cristãos. Até então, eram súditos de
Satanás; daí em diante, devem ser súditos de Cristo. A vida deve testificar da
mudança de dirigente. A opinião pública favorece uma profissão de cristianismo.
Pouca abnegação ou sacrifício é exigido de uma pessoa para se revestir da forma da
piedade e ter o nome registrado na igreja. Daí muitos se unem à igreja sem primeiro
se haverem unido a Cristo. Nisto Satanás triunfa. Tais conversos são seus
instrumentos mais eficientes. Servem de laço para outras almas. São falsas luzes,
atraindo os incautos à perdição." – E. G. White, Evangelismo, pág. 319.
Uma obra apressada: Graves defeitos:
"Uma obra apressada é freqüentemente feita ao se acrescentar nomes ao rol da
igreja. Graves defeitos são vistos nos caracteres de alguns que se unem à igreja. Os
que os aceitam dizem: 'Primeiro vamos trazê-los á igreja, e então reformá-los’. Mas
isto é um erro. A primeira obra a ser feita é uma obra de reforma. Orai com eles,
falai com eles, mas não permitais que eles se unam ao povo de Deus como igreja
enquanto não tiverem dado decidida prova de que o Espírito de Deus está operando
em seu coração.”– E. G. White, Review and Herald, 21 de maio de 1901.
Dois tipos de evangelismo:
"Duas grandes campanhas evangelísticas estavam em andamento ao mesmo tempo e
na mesma associação. Uma apresentava numericamente grandes resultados, mas
infelizmente as perdas eram desapontadoras. A outra não produziu tantas adesões à
fé, e a igreja especial aludida não recebeu tantos membros novos; a colheita não foi
fenomenal. Mas quando se fez um levantamento poucos anos mais tarde, revelou-se
que a sólida e consagrada liderança daquela igreja resultara dos conversos daquela
campanha. Ainda mais, havia realmente mais membros que permaneciam fiéis à
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mensagem no lugar que parecia menos produtivo, do que no outro lugar em que a
colheita, à primeira contagem, parecia tão grande - mais do dobro. Não se pode
dizer que as perdas eram o resultado de um pastoreado deficiente, pois ambas as
igrejas tinham sido bem cuidadas nesse ínterim. O fato é que elas representavam dois
diferentes tipos de evangelismo." – R. A. Anderson, O Pastor Evangelista, pág. 474.
Evangelismo rápido: Grande prejuízo:
"Nas séries de reuniões feitas em grandes cidades, metade do esforço se perde
devido a encerrar-se a obra tão depressa, indo para outro campo. ... A pressa de
terminar uma série de reuniões tem causado freqüentemente grande prejuízo. -Carta
48, 1886." - E. G. White, Evangelismo, pág. 327.
Nota do editor:
As igrejas mais sólidas da cidade de São Paulo, por exemplo, são as que foram fundadas
por evangelismo consistente, completo, sem pressa de terminar, com duração de três a seis
meses de pregações evangelísticas, e, depois, ainda, com acompanhamento do próprio
evangelista por mais um bom tempo, além do trabalho do pastor local. Essas igrejas
produziram uma irmandade firme, leal, fiel, e uma liderança a toda prova. Em regra geral, o
evangelista deve estar envolvido no processo completo de uma série, para que o resultado
seja efetivo. Do contrário dá-se o que Ellen White descreveu:
"Quatro anos atrás houve uma série de conferências realizadas pelo pastor .....em
...... e o povo afluía de maneira maravilhosa para ouvir. Caso se houvessem
elaborado planos corretos, poderia ter havido muitas almas trazidas à verdade.O
irmão... não estava trabalhando na verdadeira orientação; seu principal objetivo era
atrair a maior congregação mediante uma pregação fantasiosa, que diferia
vastamente da de João, o precursor de Cristo. Muitos assinaram o compromisso, mas
quando ele partiu ficou provado que eles... eram atraídos ao homem e não a Jesus
Cristo. Muitos dos que assinaram o pacto não estavam convertidos e, uma vez
deixados sós, retiraram seu nome. - Carta 79,1893." – E. G. White, Evangelismo,
pág. 330.
Fazer o trabalho completo:
"O obreiro nunca deve deixar parte do trabalho por fazer, porque esta
lhe não agrade, pensando que o ministro que vier depois a fará por ele. Quando
assim acontece, se vem um segundo ministro, e apresenta as reivindicações de Deus
quanto a Seu povo, alguns voltam atrás, dizendo: 'O ministro que nos trouxe a
verdade, não mencionou essas coisas'. E se escandalizam com a palavra. Alguns
recusam aceitar o sistema do dízimo; afastam-se, e não se unem mais com os que
crêem na verdade e a amam. Quando outros pontos lhes são expostos, dizem: 'Não
nos foi ensinado assim', e hesitam em avançar. Quanto melhor teria sido se o
primeiro mensageiro da verdade houvesse educado fiel e cabalmente esses conversos
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quanto a todos os assuntos essenciais, mesmo que poucos se houvessem unido à
igreja pelo seu trabalho.” – Obreiros Evangélicos, págs. 365-366. (1915)" – E. G.
White, Evangelismo, pág. 320.
Consistência na conversão ou apostasia:
"A menos que aqueles que recebem a verdade sejam inteiramente convertidos, a não
ser que haja uma mudança radical na vida e no caráter, a não ser que a alma se ache
firmada na Rocha eterna, eles não subsistirão à prova. Depois que o ministro parte, e
desaparece a novidade, a verdade perde o poder de sedução, e eles não exercem uma
influência mais santificadora do que anteriormente." — E. G. White, Evangelismo,
pág. 322.
Os resultados nem sempre são vistos:
"A boa semente semeada pode permanecer por algum tempo num coração frio,
mundano e egoísta, sem demonstrar haver lançado raízes, mas freqüentemente o
Espírito de Deus atua nesse coração e o rega com o orvalho do Céu, e a semente há
tanto tempo ali escondida germina e afinal produz fruto para a glória de Deus. Não
sabemos em nossa atividade qual prosperará, se esta se aquela. Não são estes
assuntos que nós, pobres mortais, devamos resolver. Temos que fazer o nosso
trabalho, deixando com Deus os resultados." – E. G. White, Evangelismo, pág. 64.
Como Deus avalia Sua Obra:
"Fossem os algarismos indicio de êxito, Satanás poderia reclamar a preeminência;
pois neste mundo, os que o seguem constituem a grande maioria. A virtude, a
inteligência e a piedade do povo que compõe nossa igreja, não seu número, deveriam
ser causa de alegria e gratidão." – E. G. White, Conselhos aos Professores, Pais e
Estudantes, pág. 83.
Confiemos em Deus na consecução da Obra:
"Grande erro é confiar em sabedoria humana, ou em números, na obra de Deus. O
trabalho bem-sucedido para Cristo, não depende tanto de números ou de talentos,
como da pureza de desígnio, da genuína simplicidade, da fervorosa e confiante fé." –
E. G. White, Beneficência Social, pág. 265.
Alguns tentam apressar a Obra indevidamente:
"A obra está sob a supervisão do bendito Mestre. Tudo que Ele pede é que os
obreiros vão ter com Ele para receberem Suas ordens, e que obedeçam a Suas
direções. Todas as partes da obra - nossas igrejas, missões, escolas sabatinas,
instituições - tudo Ele tem no coração. Por que preocupar-se? O intenso anelo de ver
a igreja impregnada de vida, tem de ser temperado com a inteira confiança em Deus;
pois 'sem Mim', disse o grande Portador de Encargos, 'nada podeis fazer'. S. João
15:5. 'Segue-Me.' Ele toma a dianteira, nós devemos seguir. Não sobrecarregue
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ninguém as faculdades que Deus lhe deu, num esforço por promover mais
rapidamente a causa do Senhor. Não pode o poder do homem apressar a obra; a ele
tem de unir-se o poder dos seres celestiais. Unicamente assim pode a obra de Deus
ser levada à perfeição. Não pode o homem fazer a parte do trabalho que compete a
Deus. Pode um Paulo plantar, e um Apolo regar, mas Deus dá o crescimento. Em
simplicidade e humildade deve o homem cooperar com os agentes divinos, sempre
fazendo o melhor que pode, todavia sempre reconhecendo que é Deus o grande
Obreiro Mestre. Não deve ele sentir-se confiante em si mesmo, pois assim exaurirá
sua força de reserva e destruirá suas faculdades mentais e físicas. Mesmo que todos
os obreiros que agora suportam os mais pesados encargos fossem postos de lado, a
obra de Deus seria levada avante. Temperemos, pois, com a razão o nosso zelo no
trabalho; cessemos os esforços por fazer aquilo que só o Senhor pode efetuar. - 1902,
Vol. VII, pág. 298." – E. G. White, Testemunhos Seletos, Vol. II, págs. 353 e 354.
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Leitura complementar:
1) Evangelismo, de Ellen G. White, capítulos:
Conferências Públicas - Páginas 119-167.
A Mensagem e sua Apresentação - Páginas 168-216.
Pregar as Verdades Características - Páginas 217-278.
Firmar o Interesse - Páginas 279-333.
Firmar e Conservar Novos Conversos — Páginas 334-383.
Trabalho Pessoal - Páginas 439-455.
2) Séries de Estudos Bíblicos da Igreja Adventista do Sétimo Dia no Brasil, pelo Pastor
Paulo Cilas da Silva - Tese de Doutorado defendida no SALT do UNASP, Engenheiro
Coelho, SP.
Sugestão: Este estudo é muito apropriado para ser estudado em grupos, e discutido em
plenário, em Concílios Pastorais, e também para ser lido e meditado por cada pastor
individualmente, pois a responsabilidade da Obra, e de como ela é feita, recai
especialmente sobre cada pastor, e não só sobre alguns poucos líderes que, eventualmente,
ocupem algum cargo de administração.
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