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Transi��o, Integra��o e Mobilidade no Ensino Superior

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Transi��o, Integra��o e Mobilidade no Ensino Superior
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11/16/2011
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Transição, Integração e Mobilidade

no Ensino Superior



Pedro Jacobetty

pedro.jacobetty@iscte.pt



Jorge Horta Ferreira

jorge.horta.ferreira@iscte.pt







Projecto ETES

Os Estudantes e os seus Trajectos no Ensino Superior



Coordenadores: António Firmino da Costa (CIES-ISCTE)

João Teixeira Lopes (ISFLUP)





Apoio:

A presente comunicação decorre da articulação de

duas dissertações de mestrado (em curso)*





“Jovens no Ensino Superior: Dinâmicas de Integração

Institucional e Relacional”

Pedro Jacobetty (CIES-ISCTE)





“Mobilidade e Universidade: Percursos Improváveis”

Jorge Horta Ferreira (CIES-ISCTE)









*Estas dissertações, sob a orientação do Prof. Doutor António Firmino da Costa, foram

preparadas na sequência do Projecto “Os Estudantes e os seus Trajectos no Ensino

Superior: Sucesso e Insucesso, Factores e Processos, Promoção de Boas

Práticas”, partindo de dados recolhidos no âmbito do mesmo.

Análise biográfica de estudantes do Ensino Superior





Abordagem sociológica intensiva e multidimensional, centrada nos trajectos

dos estudantes do Ensino Superior, que possibilita a identificação de factores

promotores ou inibidores de orientações individuais para o sucesso, insucesso

ou abandono.





Pretende-se assim explicitar as regularidades sociológicas presentes nos

percursos e opções dos estudantes, bem como as contratendências e

contradições identificáveis à escala individual.

Metodologia



Entrevistas semi-directivas de carácter biográfico a estudantes do Ensino

Superior.







Guião de entrevista



Bloco A: Trajectória no Ensino Superior

Bloco B: Outras Dimensões da Trajectória Social e Escolar

Bloco C: Avaliações e Sugestões







A entrevista visa cruzar a diacronia dos trajectos biográficos com os

contextos sincrónicos nos quais se inscrevem agentes e princípios

socializadores (família, escola, sociabilidades, trabalho, lazer, etc.).

Retratos sociológicos (Bernard Lahire)







• Reconstruir, a partir dos depoimentos de estudantes, as respectivas

disposições sociais (sejam de reprodução ou de mudança).



• Identificar variações reveladoras da incorporação de disposições

(orientações para a acção), relacionando-as com os diversos contextos

sociais.



• Considerar a influência de transições, episódios e pessoas marcantes nos

percursos estudantis.

No âmbito do Projecto ETES definiram-se vários percursos-tipo e as dimensões e

factores que os caracterizam.



As dissertações em curso centram-se no desenvolvimento analítico de alguns

destes percursos, designadamente:





•Percursos de contratendência

•Percursos com problemas de transição

•Percursos com dificuldades de integração





Seguidamente, apresentam-se exemplos referentes a estes percursos-tipo, bem

como casos contrastantes, para uma melhor elucidação das constelações de

factores que se combinam em cada um deles.

Humberto Costa: Uma vitória preparada pelo Jaime Sampaio: Quando o improvável acontece:

processo de socialização ultrapassando constrangimentos pesados, com o

precioso apoio do estado



• Percurso tendencial • Percurso de contratendência (percurso

• Origens sociais com recursos económicos e inesperado)

escolares razoáveis • Origens sociais com poucos recursos escolares

• Estratégia familiar focada na escolarização e pouquíssimos recursos económicos

• Percurso de transição para o ES bem • Percurso focado na educação (prioridade

conseguida estabelecida após ter ponderado abandonar no

10º ano, ao que o pai se opôs, emocionado,

• Boa preparação escolar anterior levando-o a reconsiderar)

• Percurso com objectivos definidos • Boa preparação escolar anterior

• Percurso de integração conseguida no ES • Teve apoios sociais (bolsa de montante

• Relação positiva com o curso e a escola, de um avultado, redução de propinas e outros custos),

modo geral fundamentais no percurso

• Modos de estudar esporádicos, mas • Percurso de integração conseguida no ES

organizados, com elaboração frequente de • Relação positiva com o curso e a escola, de um

trabalhos práticos modo geral

• Relação de reforço e complementaridade entre • Modos de estudar esporádicos, mas

as sociabilidades e os estudos organizados, com elaboração frequente de

• Percurso sem dificuldades de conciliação entre trabalhos práticos

esferas de vida (estudo, trabalho, lazer e • Redes de sociabilidade diversificadas, entre a

sociabilidade) escola e o local de residência, com relação de

reforço relativamente aos estudos no 1º caso e

relação de alternativa no 2º

Humberto Costa: Uma vitória preparada pelo Jaime Sampaio: Quando o improvável acontece:

processo de socialização ultrapassando constrangimentos pesados, com o

precioso apoio do estado



“Já quando eu era muito pequeno, achava muito

estranho (…) ia a casa de pessoas que comiam

comidas como uma que eu achei fabulosa, bifes

com cogumelos e molhos de natas. Os meus

“Os meus pais incentivaram-me sempre, mas

jantares, pelo menos umas quatro vezes por

tanto me incentivaram a entrar, como me

semana, eram ovos estrelados com fiambre, e

incentivaram a dizer “se não for isto, podes ter

aquilo para mim era estranho.”

aquela opção ou outra qualquer. Se quiseres,

anulamos a matrícula e vamos candidatar-te

“(…) eles [pais] não tinham mesmo

naquela universidade, ou noutra”. Houve sempre

possibilidades, e se eu tivesse vindo para a

muito apoio e todo o interesse em que eu

faculdade sem a bolsa não conseguia mesmo, era

vingasse, pois as minhas vitórias seriam as

quase impossível, (…) muito, muito difícil.”

vitórias deles (…)”



“Desde o 1º ano, tive bolsa da Acção Social. (…)

recebia 55 contos (…). O apoio era esse e já era

bastante bom, já dava para eu fazer a minha vida

perfeitamente.”

Vânia Giraldo: Um percurso de formação Martinho Salvador: Quando as redes se

deliberado e partilhado rompem



• Percurso focado na educação • Percursos com problemas de transição

para o ES/vida adulta

• Recursos económicos razoáveis

• Boa preparação escolar anterior

• Disposições orientadas para a escola

• Indefinição de projecto de vida

• A conclusão do ES fazia parte dos seus

objectivos e projectos de vida • Curso não preferido



• Boa preparação escolar anterior • Expectativas desajustadas face ao curso

(relativas ao plano de estudos)

• Expectativas ajustadas ao curso

• Percurso com problemas de integração

• Integração positiva a todos os níveis (plano de

estudos, professores, colegas, actividades para- • Deslocado

-escolares)

• Ruptura dos laços sociais

• Apoio do quadro familiar durante o ES

• Episódio marcante (morte do pai) enquanto

• Sem dificuldades de conciliação entre esferas estudava

de vida (trabalho e estudo)

• Relação de reforço entre sociabilidades e os

estudos

Vânia Giraldo: Um percurso de formação Martinho Salvador: Quando as redes se

deliberado e partilhado rompem





“A minha cultura e das minhas colegas era a de

estudar (…) A motivação parte também muito dos “Eu nunca fui muito de objectivos, não tive como

colegas, quem está ao nosso lado (…) No meu “objectivo específico ir para um curso superior.”

grupo de trabalho ninguém chumbou nenhum

“(…) a família, o sítio e os amigos são o apoio de

ano e temos todos mais ou menos as mesmas

todo o ser humano (…) quando tu perdes isso

médias.”

tudo ao mesmo tempo torna-se mais difícil

“[O curso] tinha muita matemática, e realmente concretizar seja o que for”

a mim fascina-me um bocado a matemática,

“(…) porque aqueles com que eu poderia

muita tecnologia alimentar, alguma física…

conviver, conviviam uns com os outros naquelas

Pronto, tudo áreas que vinham na sequência do

festas habituais entre universitários e não sei

meu 12º ano. Achei interessante e então por isso

quê, que é uma coisa a que eu também nunca fui

candidatei-me com o curso na primeira opção.

dado e continuo a não ser (…) como nunca fui

(…) Achava fascinantes todas as disciplinas que

assim, facilitou-se um bocadinho essa questão de

estavam no conteúdo programático do curso. (…)

me sentir desintegrado.”

Foi tudo de encontro aos meus gostos (…).”

Vânia Giraldo: Um percurso de formação Vasco Álvares: Objectivos de estudo indefinidos

deliberado e partilhado com projecto de vida garantido



• Percurso focado na educação • Percursos com dificuldades de integração

no ensino superior

• Recursos económicos razoáveis

• Origens sociais com recursos elevados

• Disposições orientadas para a escola

• Objectivos indefinidos (com enfoque no lazer)

• A conclusão do ES fazia parte dos seus

objectivos e projectos de vida • Preparação escolar anterior insuficiente

• Boa preparação escolar anterior • Curso não preferido

• Expectativas ajustadas ao curso • Problemas de integração (plano de estudos,

pedagogia e perspectivas profissionais)

• Integração positiva a todos os níveis (plano de

estudos, professores, colegas, actividades para- • Modos de estudar descontinuados, em

-escolares) continuidade com os da escolaridade anterior e

não evolutivos

• Apoio do quadro familiar durante o ES

• Com dificuldades de conciliação entre esferas de

• Sem dificuldades de conciliação entre esferas

vida (lazer, trabalho e estudo)

de vida (trabalho e estudo)

• Amigos mais próximos não mobilizados para o

• Relação de reforço entre sociabilidades e os

ensino superior

estudos

Vasco Álvares: Objectivos de estudo indefinidos com projecto de vida garantido









“No 12º foi o descalabro (…) Foi um ano de deboche total em que saía à noite, ia surfar sempre

que me apetecia, enfim. (…) Chumbei eu e chumbou todo o meu grupo de amigos a todas as

disciplinas. Éramos uns cinco gajos e ninguém fez nada.”



“(…) o curso não estava ligado aos meus interesses. Eu nunca tive um gosto em especial por

nada, desde o liceu. Não fui daquelas pessoas que queria ser médica ou assim. Eu nunca tive

aquele apego de dizer: «pá, vamos fazer isto». (…) [O curso] era fazer redes eléctricas, o que

não tem qualquer tipo de interesse. Pá é uma seca, basicamente. (…) Quando chegou o 2º

semestre, eu praticamente deixei de ir às aulas.”



“O meu grupo de amigos nunca foi um grupo que tenha estudado ou que tenha seguido

estudos. (…) tenho alguns amigos que fizeram o 9º ano, a grande maioria fez o 12º, mas

estudar na faculdade, praticamente ninguém o fez.”



“Não tive que adquirir esta casa nem pago renda, pronto, era pertença da minha família. (…) foi

basicamente oferecida, nunca tive que lutar pela casa, não tive que contrair nenhum

empréstimo. (…) Se eu não sentisse que tinha o meu futuro relativamente assegurado na

óptica, onde me encontro há 12 anos, era obrigado a ter que me fazer à vida e se calhar a ter

que estudar mais alguma coisa.”

Conclusões





• Como observámos, são diversos os contextos de socialização que

contribuem para estruturar as disposições dos estudantes.



• O peso que cada um destes contextos adquire nas orientações para a

acção dos estudantes é variável.



• Cada caso é caracterizado por uma configuração singular de disposições

e orientações.



• Quanto mais abrangente e intensiva for a recolha de informação, ao

nível do número de variáveis identificadas, maior poder explicativo terá

o modelo analítico.


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