SEPSE EM PEDIATRIA

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11/16/2011
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							                 SEPSE EM PEDIATRIA


I - Introdução

A sepse continua a apresentar taxas de mortalidade elevada (40% ou
mais)1. Esses índices representam, apesar do lançamentos de novas
drogas, o resultado de uma série de consequências orgânicas decorrente
do desequilíbrio imuno-endócrino-metabólico sistêmico e consequente
falência de vários sistemas e orgãos.
Nos Estados Unidos, para crianças entre um e quatro ano de idade, a
sepse representa a nona causa de morte. A prevalência de sepse em
pacientes hospitalizados aumentou significativamente na última década.
Isso foi uma consequência da sobrevivência de hospedeiros, até então
condenados pelo desconhecimento e da falta de caracterização dessa
situação clínica. Essa falta de caracterização fronteiral fez com que várias
terminologias surgissem e confundissem, não só a cabeça dos médicos
como também o estabelecimento de metodologias nas investigações. Em
1991, visando dar uniformidade aos diversos termos até aqui
empregados, um Comitê de especialistas, composto por membros da
Society of Critical Care Medicine e do American College of Chest
Physicians dos EUA, reuniu-se e propôs o Termo SÍNDROME DA
RESPOSTA INFLAMATÓRIA SISTÊMICA (SRIS) para definir o
conjunto de reações do organismo às agressões graves, independente de
sua causa.




II - Definições e Terminologias




Colonização : é definida como a multiplicação de um
microrganismo no organismo do hospedeiro sem evidência de
resposta imune.
                                                                                  2

Portador : é a pessoa que apresenta um agente infeccioso
específico, na ausência de doença clínica, e que serve como
potencial fonte de infecção

Infecção : fenômeno microbiológico caracterizado por uma
resposta inflamatória à presença de microrganismos ou à invasão
de tecidos normalmente estéreis do hospedeiro por esses
microrganismos (SBP) ou a multiplicação de um agente
infeccioso dentro do organismo, que pode ser sintomática ou
assintomática(CBMI).

Bacteremia : presença de bactérias viáveis no sangue.
obs: a presença de outros patógenos na corrente sanguínea deve
ser descrita de modo semelhante (ex: viremia, fungemia,
parasitemia,etc).

Doença : é a resposta do organismo à infecção.

Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica : resposta inflamatória
de carater sistêmico a uma variedade de agrassões graves. Essa resposta
manifesta-se pela presença de duas ou mais das seguintes condições :

   Temperatura  38 o C ou  36 o C
   Frequência Cardíaca  90 bpm
   Frequência Respiratória  20 rpm ou PaCO2  32 mmHg
   Leucometria  12000 células/mm3,  4000 cel./mm3 ou  10% de
    neutrófilos imaturos (Bastões).

                                                                     SRIS
                    Bacteremia                         Trauma
                    Fungemia                           Queimaduras
                                                   SEPSE                Reações
                     Viremia                        Aspiração
                       Parasitemi                Pancreatite
Sistêmicas
                       a
                          Outras              Outras
                          Outras
                        Agressão                                 Agressão
               Infecciosa                                 Não-Infecciosa
                                                                                  3

Sepse : reação sistêmica à infecção. É caracterizada pela presença
concomitante de duas ou mais das alterações :

      Adulto                                         Criança

Temperatura  38o C ou  36o C              Idem
FC  90 bpm                              FC 30% do normal para idade
FR  20 rpm ou PaCO2  32 mmHg          FR  30% normal par idade ou PaCO2  32 mmHg
Leucometria  12000/mm3,
 4000 ou  10% bastões                      Idem

Como a SRIS representa uma continuidade de alterações clínicas e
fisiopatológicas, variando desde fases iniciais menos comprometedoras a
fases avançadas muito mais graves, acompanhadas de disfunções de
diversos orgãos e sistemas, recomenda-se que ao diagnóstico de SRIS, o
paciente seja posicionado em uma escala de gravidade - PRISM ou
equivalente, não apenas no momento do diagnóstico, mas ao longo de
toda sua evolução. Isso possibilita uniformização como um todo do
precesso investigativo e terapêutico.
                                                                                     4

                    PEDIATRIC RISC OF MORTALITY (PRISM)

VARIÁVEIS                             VARIAÇÃO DE ACORDO COM A IDADE        ESCORE

PA SISTÓLICA (mmhg)               Lactentes
                            Cçs Maiorres                                       2
                                    13-160                                     2
                            150-200                                            6
                                      55-65                                    6
                            65-75                                              7
                                     160
                             200
                                    40-54
                            50-64
                                       40
                             50
PA DIASTÓLICA (mmhg))                                   Todas as Idades
                                                              110             6
FC (bpm)                            Lactentes
                            Cçs Maiores                                        4
                                       160                                    4
                             150
                                       90
                             80
FR (rpm)                           Lactentes
                            Cçs Maiores                                        1
                                       60-90                                   5
                            50-90
                                        90
                             90
                                      apnéia
                            apnéia
PaO2/FIO2 a                                             Todas as Idades
                                                                200-300        2
                                                                 200          3
PaCO2b                                                 Todas as Idades
                                                               50-65           1
                                                                65            5
Escala de Coma de                                      Todas as Idades
Glasgow c                                                      8              6
Reações Pupilares                                      Todas as Idades
                                                anisocóricas ou dilatadas      4
                                                      fixas e dilatadas       10
Pt/Ptt                                               Todas as Idades
                                                       1,5 x controle         2
Bilirrubina Total (mg/dl)                            Maiores de 1 mês
                                                                3,5           6
Potássio (mEq/l)                                     Todas as Idades
                                                           3,0 - 3,5           1
                                                           6,5 - 7,5           1
                                                            3,0               5
                                                              7,5             5
Cálcio (mg/dl)                                        Todas as Idades
                                                             7,0 - 8,0         2
                                                          12,0 - 15,0          2
                                                              7,0             6
                                                                 15            6
Glicemia (mg/dl)                                      Todas as Idades
                                                          40 - 60              4
                                                         250 - 400             4
                                                            40                8
                                                            400               8
Bicarbonato (mEq/l)                                   Todas as Idades
                                                              16             3
                                                              32             3

TOTAL
                                                                                              5

                        VALOR




      Physiologic Stability Index (PSI)


Sistemas                         +1                             +2               +5


Cardiovascular
FC(bpm)                          75-90                          50-74             50
                                 160-180              181-220             220
PAM(mmHg)                         10%p/IG                      10%               10%p/IG

Respiratório
FR(rpm                           60-80                          80-110            110
PaO2(mmHg)                       50-60                          40-49             40
PaO2/FiO2                        200-300               200
PaCO2(mmHg)                       30 ou 45-50                   25 ou 51-65    20 ou 65

Neurológico
Convulsões                       focal                          generalizada
Pupilas                          isocóricas/                    anisocóricas/
                                    fixas/dilatadas             dilatadas
Hematológico
Leucócitos(cel/mm3)              3000-5000               3000
                                 20000-40000             40000
Plaquetas(cel/mm3)               20000-50000 ou  20000
                                  1000000
PT e/ou PTT(seg)                  20(PT)
                                  40(PTT)
PDF (ug/ml)                       40

Renal
Creatinina (mg/dl)                2-5                           5
Débito Urinário (ml/kg/h) 0,5-1,0                      0,5
BUN (mg/del)                      40-100

Gastrointestinal
TGO/TGP                           100
Albumina (g/dl)                  1,2-2,0                         1,2

Metabólicos
Na (mEq/l)                       115-125               115
                                 150-160               160
                                                                                   6
K (mEq/l)                3,0-3,5                2,5-2,9                 2,5
                         6,5-7,5                7,6-8,0                 8,0
Ca (mg/dl)               7,0-8,0                5,0-6,9                 5,0
Glicose (mg/dl)          40-60                  20-39                   20
                         250-400         400
Osmolaridade(mosm/l)     320-350         350
pH                       7,20-7,35              7,10-7,19               7,10
HCO3 (mEq/l)              16
                          32
Escala de Glasgow


Crianças maiores (idade 3 anos)

Abertura Ocular                         4. Espontânea
                                        3. Estímulo verbal
                                        2. Estímulo doloroso
                                        1. Nenhuma


Melhor resposta verbal                  5. Orientada
                                        4. Confusa
                                        3. Inapropriada
                                        2. Incompreensível
                                        1. Nenhuma

Melhor resposta motora                  6. Obedece comando
                                        5. Localiza a dor
                                        4. Reflexo de retirada
                                        3. Flexão à dor
                                        2. Extensão à dor
                                        1. Nenhuma

Crianças menores (entre 1 e 3 anos)

Resposta Ocular                  4. Persegue com os olhos
                                 3. Musc. ocular ext. intacta, pupilas reagentes
                                 2. Moe comprometida ou pupilas ñ reagentes
                                 1. Moe comprometida e pupilas ñ reagentes

Resposta Verbal                         3. Choro
                                        2. Respiração expontânea
                                        1. Apnéia
                                                                                          7

Resposta Motora                              4. Flexão e extensão
                                             3. Retirada a estímulo doloroso
                                             2. Hipertonia
                                             1. Flacidez


Crianças menores (idade abaixo de 1 ano)

Utilizar a seguinte pontuação para avaliação verbal e acrescentar para a
totalização os valores obtidos para a abertura dos olhos e resposta motora
do ítem II.
Um mês                                             Cinco e Seias meses
1. ausência de resposta                            1. Ausência de resposta
2. grito ao ser estimulada                         2. Grito ao ser estimulada (gemido)
3. grito espontâneo                                3. Localiza A Direção Dos Sons
4. pisca os olhos quando estimulada                4. Reconhece pessoas da família
5. emite ruido com a garganta                      5. Balbucio para pessoas, brinquedos


Dois meses                                         Sete e Oito meses
1. ausência de resposta                            1. Ausência de resposta
2. grito ao ser estimulada                         2. Grito ao estimulada (gemido)
3. fecha os olhos com estímulo luminoso                    3. Reconhece familia e vozes
familiares
4. sorri quando aca ricia                                  4. balbucio
5. balbucio - apenas sons vogais                   5.” Ba”, “ma”, “da”

Três meses                                         Nove e Dez meses
1. ausência de resposta                            1. Ausência de resposta
2. grito ao ser estimulada (gemido)                2. Grito ao estimulada (gemido)
3. fixa o olhar ao ser estimulada e                3. Reconhece sorriso ou risada
4. olha o ambiente                                 4. balbucio
    sorriso a estimulação sonora
5. 5. riso disfarçado                              5. “mama”, “dada”

Quatro meses                                       Onze e Dose meses
1. ausência de resposta                            1. Ausência de resposta
2. grito ao ser estimulada (gemido)                2. Grito ao estimulada (gemido)
3. vira a cabeça em direção ao estímulo sonoro     3. Reconhece sorriso
4. sorri espontaneamente ou quando estimulada,             4. balbucio
       risada quando socialmente estimulada        5. “mama”, “dada”
5. modulação da voz e vocalização correta de vogais
Shapiro. K. ( manual TI)
                                                                         8




Sepse Grave : sepse associada à disfunção orgânica, hipoperfusão ou
hipotensão.

 Disfunção orgânica : alterações na função de um ou vários orgãos de
tal forma que não se consiga manter a homeostasia sem algum tipo de
intervenção.
 Anormalidades na Perfusão ou hipoperfusão : podem incluir, mas não
estão limitadas à acidose lática, oligúria ou alterações no estado mental.
 Hipotensão : PA sistólica  90 mmHg (em adulto ou  30% dos
valores normais em crianças) ou uma queda de 40 mmHg em relação aos
valores basais na ausência de outras causas determinantes de hipotensão.

Choque Séptico : sepse grave que curse com hipotensão apesar de uma
ressuscitação volumétrica adequadra, associada a alterações da perfusão,
que podem incluir, mas não estão limitadas à acidose lática, oligúria ou
alterações no estado mental.
obs: pacientes em uso de inotrópicos ou vasopressores podem não estar
hipotensos quando da observação de anormalidades na perfusão tecidual.

Síndrome da Disfunção de Múltiplos Orgãos : presencá de alterações
na função de um ou vários orgãos em um paciente gravemente enfermo,
de tal forma que não se consiga manter a homeostasia sem algum tipo de
intervenção.


SBP - 1994
                      Agressão
                  (Infecção, trauma,
                    outras causas)



   SDMO                       SRIS                        SDMO
  Primária                                              Secundária
                                                                               9




Alta            Óbito                                Alta                Óbito
       Septicemia e Síndrome Séptica : termos ambíguos; recomenda-se que
       não sejam mais utilizados.

       Variáveis Fisiológicas na criança:

        Taquicardia : FC maior que 160 bpm em lactentes e FC maior que 150
         bpm em crianças
        Taquipnéia : FR maior que 60 rpm em lactentes e FR maior que 50
         rpm em crianças.
        Hipotensão : pressão sistólica menor que 65 mmHg em lactentes e Ps
         menor que 75 mmHg em crianças ou abaixo do percentil 5 para a idade
        Oligúria : volume uriário menor que 0,5 ml/kg/hora (checar)



       III - Classificação

       As infecções graves vistas em locais onde é praticado o intensivismo
       podem ser divididas em :



       # Quanto ao Local de Aquisição (FREDDI)

        Extrahospitalar Domiciliar : adquirida em ambiente externo ao
         hospitalar, sem a presença de familiares profissionais de saúde no
         mesmo ambiente de forma contínua.

        Extrahospitalar vinda do outro Hospital : pacientes encaminhados de
         outra estrutura médica e, portanto, com sua flora microbiológica
         desigual ao local de recbimento.

        Intrahospitalar : define-se infecção hospitalar como qualquer infecção
         adquirida após a internação ou mesmo após a alta, quando puder ser
         relacionada com a hospitalização; quando se desconhece o período de
         incubação do microrganismo e não houver evidências clínica e/ou
         laboratorial de infecção no momento da admissão, considera-se IH
                                                                      10

  toda manifestação clínica de infecção a partir de 72 horas após
  admissão. Também devem ser consideradas, antes de 72h, quando o
  paciente é submetido a procedimentos diagnósticos e terapêuticos.
  Vale salientar que toda infecção em neonato deve ser considerada
  hospitalar, excluindo as infecções congênitas. (Fahrat).


# Quanto ao Agente (DRUGS 1995)

 Sepse de Origem Desconhecida : não se conhece a fonte de infecção e
  consequentemente nem o agente causal.
 Sepse de Origem Conhecida : o agente causal é conhecido.


# Quanto ao Hospedeiro

 Imunocomprometido : situação primária ou secundária gerando a uma
  deficiência do comportamento imunológico orgânico.
 Imunocompetente : sem sinais ou suspeitas de comprometimento
  imunológico.

# Quanto a Idade

 Recém-Nascidos e Lactentes até seis meses
 Lactentes de seis meses a 18 meses
 Crianças acima dessa faixa etária

Essas classificações têm importância não só em relação a decisão
antimicrobiana terapêutica, como também na necessidade de
estabelecimento de critérios, ainda na internação e durante a mesma, para
o diagnóstico de sepse.


IV - Etiologia


V - Epidemiologia

 Prevalência em pacientes hospitalizados aumentou significativamente
  nos últimos dez anos, em consequência de 2 fatores : avanço na
                                                                        11

   terapêutica e do aumento das dispositivos invasivos - geraram um
   aumento na população cronicamente doente, principalmente os
   imunocomprometidos.
 Inovações no suporte do desempenho cardiocirculatório não alterou a
   mortalidade.
 O que existe mais recentemente em termos de pesquisa são a
melhoria do diagnóstico por marcadores específicos (FNT e Ils) e a
utilização terapêutica de bloqueadores do FNT (IL 10),além da utilização
dos CSFs. Isso tudo aconteceu em função do avanço na imunologia do
processo infeccioso sistêmico.
 Nos EUA, entre cçs de 1 a 4 anos, a sepse representa a nona causa de
   morte.
- Causa dos óbito : choque ou choque séptico associado a SRIS
- Período de óbito : 75% ocorrem dentro de horas a dias após início do
choque ou hipotensão refratária e 25% acontecem dias a semanas após
ttto da hipotensão.
 Idade predisposta imunologicamente a infecção : RN e lactentes até 3
   meses.

 Fatores agravantes da infecção hospitalar : procediemtnos invasivos
  para diagnóstico e manutenção de vida, flora bacteriana adversa
  (germes multirresistentes.

 Fatores Predisponentes da Infecção : técnicas de assepsia indequada,
  contaminação dos equipamentos e ctransmissão de patógenos pelas
  mãos.

 Fontes de Infecção : vias venosas contaminadas (medicamentos e
  nutrição parenteral).

 Fatores Predisponentes Gerais : período pré-natal, principalmente para
  os pré-termo; desnutrição grave; paciente esplenectomizado; cirurgia
  ou instrumentações anteriores; presença de cateteres venosos ou outros
  (liquórico, peritoneal, etc); internação hospitalar recente; terapia com
  antibióticos, imunossupressores ou corticoides; neutropenia grave;
  doenças de base, principalmente leucemia, linfomas ou outros
  tumores; sarampo ou varicela; entubação e ventilação mecânica;
  sondagem vesical prolongada e imunodeficiência propiamente dita.

 Fatores Predisponentes no Período Neonatal : idade, paridade e grau
  de nutrição materna; cidados pré-natais, condições do parto e idade
  getacional; hipertensão maternaamniorex prematura, anomalias
                                                                        12

  congênitas; contaminação ambiental, principalmente hospitalar;
  condições fisiológicas próprias do RN - má resposta inflamatória
  inespecífica, alteração da quimiotaxia, fagocitose e número de
  polimorfonucleares, imaturidade e retardo na produção de
  imunoglobulinas, supressão da imunidade celular etc.


VI - Fisiopatologia
VII - Quadro Clínico


A clínica de sepse varia em função da idade do paciente, agente
etiológico e da porta de entrada do microorganismo.


 RN e Lactente até 6 meses : manifestações são inespecíficas -
hipoatividade, recusa alimentar, febre ou hipotermia, crises de apnéia,
prostração, distensão abdominal, náuseas, vômitos, palidez cutânea,
icterícia, hepatoesplenomegalia, intolerância aos hidratos de carbono
com hiperglicemia e glicosúria ou hipoglicemia.
 Manifestações do foco inicial : diarréia aguda, tosse e/ou dispnéia,
   infecção partes moles, etc
 Meningite em 1/3 dos casos : convulsões e abaulamento de fontanela.
 Fases avançadas : oligúria ou anúria, cianose, esclerema ou
   escleredema, depressão respiratória, sangramentos (principalmente
   gatrintestinal ou pele).

A grande dificuldade do diagnóstico clínico encontra-se nas fases
iniciais do processo, quando o lactente não demonstra todo esse
cortejo de sinais e sintomas descritos acima. Porém, atualmente
dispomos de escores que estabelecem a partir de sinais clínicos
possíveis crianças que caminham para quadros bacterianos graves.


Na triagem de lactentes febris, alguns critérios têm sido propostos para a
identificação daqueles que apresentam pouca probabilidade de
desenvolver infecção bacteriana grave. Um deles é o de Rochester(6),(7),
cujas características de benignidade são: 1) estado geral aparentemente
bom; 2) crianças anteriormente saudáveis; 3) nenhum foco de infecção;
4) contagem de leucócitos entre 5,0 e 15,0109 células/L ( 5.000 a
15.000 células/mm3 a 10 leucócitos ou menos por campo de alta
                                                                     13

resolução ao exame do sedimento urinário, e 5 leucócitos ou menos por
campo no esfregaço de fezes em campo microscópico de alta resolução,
na presença de diarréia). Já o “Índice de Observação do Lactente”(8)
constitui uma solução prática, pois avalia apenas dados do exame físico,
reforçando a observação clínica e continuada pelo pediatra (Tabela
abaixo). Os lactentes com um pequeno risco para o desenvolvimento de
doença grave apresentam escore  10, enquanto aqueles que
desenvolvem doença grave mostram índices  16. Algumas crianças com
escore intermediário ( 10 e  16) apresentam algum risco de gravidade e
devem ser observadas com meticulosa atenção. O modelo visa
principalmente a promover um treinamento da capacidade de observação
clínica do pediatra, fornecendo-lhe segurança para a priorização do
exame físico, com o qual ele será capaz de identificar a gravidade do
quadro apenas com a anamnese e o exame clínico. Aplicado por Baker e
cols.(9) em 747 lactentes febris com 29 a 56 dias de vida, o modelo
mostrou uma sensibilidade de 98% para a identificação de doenças
bacterianas graves e valor preditivo negativo de 99,7%.
                                                                                                        14




Escores                                1                                2                           3

Ítem de Observação                 Normal                 Comprometimento                Comprometimento Severo

                                                          Moderado



Qualidade do Choro        Forte com timbre normal ou      Choramingando ou               Fraco ou

                          Contente sem chorar             Soluçando                      Som alto




Reação aos Estímulo dos   Chora Brevemente e pára ou      Chora, pára e chora            Choro contínuo ou

                          Contente sem chorar                                            Pouca resposta
Pais




Variação do Estado        Se acordado, permanece nesse    Olhos se fecham brevemente e   Cai no sono ou

                          estado ou Acorda rápido         acorda ou Acorda com           Não acorda

                          diante de um estímulo           estímulos prolongados




Cor                       Rosado                          Extremidades pálidas ou        Palidez ou Cianose

                                                          Acrocianose                    ou Aspecto moteado




Hidratação                Pele e olhos normais, além de   Pele, olhos normais e          Pele pastosa ou Mucosas secas

                          mucosas úmidas                  Boca levemente seca            e/ou Olhos encovados




Resposta Social           Sorriso ou                      Sorri brevemente ou Alerta     Não sorri, face ansiosa,
                                                                                                            15
(conversação, sorriso)         Alerta ( 2 meses)               brevemente ( 2 meses)           inexpressiva, desinteresse ou

                                                                                                 não alerta ( 2 meses)


       Índice de Observacão do Lactente (Modelo Preditivo) : ítens de observação e sua escala. (8)




 Crianças Maiores : quadro + característico - febre alta, tremores,
protração, anorexia, palidez cutânea, icterícia, hepatoesplenomegalia,
hipotensão, oligúria, taquipnéia e alterações no estado de consciência.

 Fases Avançadas : choque, fenômenos hemorrágicos e fenômenos
   trombóticos.


Síndrome da Disfunção de Múltiplos Orgãos : crtérios (SBP)
A SRIS abrange uma continuidade de manifestações clínicas e
fisiopatológicas que podem a partir de um determinado ponto incluir
alterações na função de um ou mais orgãos, necessitando de correções
para a manutanção da homeostasia. Estas disfunções nada mais são uma
síndrome secundária à resposta inflamatória sistêmica SDMO secundária.
É importante frizar que a SDMO pode aparecer de forma primária não
passando necessariamente pela SRIS. Não temos atualmente critérios
claros para a caracterização clínico-laboratorial da SDMO. Também não
podemos afastar o conceito de Insuficiência de Orgãos e Sistemas. Esse é
um modelo visto em fases terminais da sepse e que deve ser reconhecido
pelo médico assistente. A necessidade de estabelecimento de critérios
para a disfunção dos orgãos e sistemas não invalida a já caracterizada
Insuficiência de Múltiplos Orgãos.

Insuficiência de Múltiplos Orgãos e Sistemas (Síndrome séptica)

É definida como a insuficiência de pelo menos dois orgãos, independente
do período de tempo decorrido após o insulto inicial (Kinson - 1987).
Esse conceito é a nossa visão atual do estágio que se encontra a condução
conceitual sobre sepse.
                                                                                        16


Orgãos e Sistemas                     Critérios
Cardiovascular               PAM 40 mmHg (lactentes  12 meses)
                             PAM 50 mmHg (crianças 12 meses)
                             FC  50 bpm (lactentes  12 meses)
                             FC  40 bpm (lactente  12 meses)
                             Parada Cardíaca
                             Infusão Contínua de drogas
                             vasoativas para suporte hemodinâmico

Respiratório                 FR  90 rpm (lactentes  12 meses)
                             FR  70 rpm (crianças  12 meses)
                             PaO2  40 torr (sem cardiopatia cianótica)
                             PaCO2  65 torr
                             PaO2/FiO2  250 torr
                             Ventilação Pulmonar Mecânica
                             (24h se em pós-operatório)
                             Intubação Traqueal por Obstrução de Vias Aéreas
                             Inferiores ou Insuficiência Respiratória Aguda)


Neurológico                  Escala de Glasgow  5
                                                       Pupilas Fixas e Dilatadas
                                                       PIC  20 torr ( 20 mm) ou com
necessidade de
                             intervenção terapêutica


Hematológico                 Hemoglobina  5 g/dl
                             Leucócitos  3000 cels/mm3
                             Plaquetas  20000/ mm3
                             CIVD (PT  20 seg + PTT  60 seg + PDF positivo)




Renal                        Creatinina  2 mg/dl
                             Diálise

Gastrintestinal              Hemorragia digestiva necessitando de
                             transfusão de sangue ( 20 ml/kg em 24 h) com
                             confirmação endoscópica opcional


Hepático                     Bb total  5 mg/dl e TGO, TGP  2 vezes o valor normal
                             (sem evidência de hemólise)
                                                    Encefalopatia Hepática  grau II




VIII - Laboratório

1. Pesquisa do Agente Etiológico
                                                                        17


# Hemocultura : tentativa de identificação do agente agressor no sangue.

 Obrigatoriedade : inicialmente faz-se a coleta de material, sempre que
  possível antes da introdução do antimicrobiano. É exame obrigatório
  e pelo menos uma amostra deverá ser sempre colhida.
 Número de Amostras : não há consenso na literatura sobre o número
  ideal de amostras de sangue a serem colhidas. Geralmente, consideram
  3 amostras, colhidas com intervalo de 15 minutos pelo menos, um
  número adequado ou 2 a 3 hemoculturas no intervalo de 24 horas
  ou antes de iniciar terapêutica atb, considera-se satisfatória a colheita
  de 2 hemoculturas com intervalo de 1 hora. São consideradas como 1
  mesma amostra aquelas colhidas por uma mesma punção.
 Agentes : aeróbicos e em situações especiais, quando houver suspeita
  clínica, também de agentes anaeróbicos. A coleta para fungo torna-se
  obrigatória quando trata-se de um hospedeiro extremamente invadido e
  encontra-se em ambiente hospitalar por longo período, com utilização
  de antimicrobianos de largo espectro.
 Volume : respeitar sempre a proporção ideal entre o volume de sangue
  colhido e o volume do meio de cultura que é 1/10. Alterações nessa
  proporção diminuem a frequência de positividade. É amplamente
  aceito que o volume do sangue para hemoculturas em RN deve ser de
  1 ml e em cçs maiores pode ser coletados volumes de 3 a 5 ml de
  acordo com a idade.
 Momento da colheita : d3eve ser realizada aos primeiros sinais clínicos
  de bacteremia ou sepse, ou então durante fase afebril do processo. Foi
  demonstrado que a bacteremia persiste até cerca de 45 minutos a 1
  hora antes do pico febril, e que esse intervalo é tanto menor quanto
  maior for a concentração bacteriana no sangue. Geralmente o pico de
  bacteremia antecede o início da febre de 2 horas. Por questões de
  ativação de fatores imunológicos, na fase febril o número de bactérias
  em circulação diminui bastante.
 Uso Prévio de Antibióticos : interfere decisivamente na positividade
  das culturas. A exposição de bactérias a níveis de atb acima da
  Concentração Inibitória Mínima (CIM) porém abaixo da Concentração
  Bactericida Mínima (CBM) provoca inibição do crescimento
  bacteriano por várias horas (efeito pós-antibiótico), além do tempo
  preconizado entre duas doses da droga. Portanto, a colheita ideal de
  amostras deve ser realizada, seja previamente ao uso de atb, seja
  quando um esquema empírico se revele ineficaz, após interrupção
  do(s) atb(s) por tempo maior que o intervalo entre duas doses
                                                                      18



# Outras Culturas : coprocultura na presença de diarréia; cultura de
secreção de um abscesso ou lesão de pele; cultura de secreção da traquéia
de cç submetida a intubação e ventilação; cultura de cateteres venosos ou
outros; culturas do derrame pleural, do líquido articular, do ouvido
médio, do gânglio infartado, da punção pericárdica e mielocultura,
dependendo do caso. No RN e no Lactente jovem a cultura do líquor
assume grande importância, assim como a urocultura.
Hoje tornou-se extremamente importante a verificação constante e cíclica
da flora bacteriana vigente nos vários setores, em função do surgimento
de cepas bacterianas multirresistentes. A não caracterização do momento
etiológico pode gerar opções errôneas de antimicrobianos, com
consequente descontrole de um possível quadro infeccioso.

# Pesquisa Direta do Agente : bacterioscopia do líquor ou das secreções.

# Detecção de Antígenos Bacterianos :
Os métodos de detecção de antígenos bacterianos, como o teste de
limulus, contraimunoeletroforese e teste de aglutinação do látex, têm
mostrado uma aplicabilidade clínica menor do que a esperada 7. São
rápidos, não muito caros e demonstram uma grande vantagem sobre os
outros métodos de detecção de bactéria, que é a não interferência nos
resultados em pacientes que utilizam antibióticos. Porém, após
divulgações iniciais de alta sensibilidade, trabalhos atuais 7 vêm
mostrando sensibilidades abaixo de 67% a 90% e um valor preditivo
positivo de somente 56% para os vários antígenos.


A tentativa de isolamento bacteriano precoce e a instituição de uma
terapia antimicrobiana efetiva têm frustrado os pesquisadores. A
positividade das hemoculturas é baixa em função de vários fatores5 :
utilização precoce de antibióticos de largo expectro, técnicas de coleta
inadequadas, meios de culturas impróprios, manuseio laboratorial
ineficiente, entre outros. O autor do projeto, em trabalho apresentado no
Congresso Brasileiro de Pediatria(1995), sobre as hemoculturas positivas
na enfermaria de 0 a 1 ano do HUAP durante o ano de 1994, mostrou
uma positividade de somente 29,3%. A UTI neonatal do HSP da Escola
Paulista de Medicina, no período de janeiro de 1985 a dezembro de 1988,
obteve uma positividade de 48% nos 138 RN com suspeita clínica e
tratamento para septicemia 6 .
                                                                            19



2 - Citoquinas Inflamatórias

Pesquisas recentes 9, 10, 11, 12 e 13 têm se direcionado para a investigação das
chamadas citoquinas. Representam um grupo de diversas proteinas
solúveis liberadas por células do sistema imune, que agem de forma não
enzimática regulando funções celulares9. Podem agir apenas no local da
agressão, mas algumas citoquinas exercem seus efeitos à distância. Esse
efeito sistêmico, com respostas endócrinas e metabólicas, pode ser visto
nas infecções, traumas, queimaduras e hemorragias 10.

O maior grupo de citoquinas inclui 9 :

## CITOQUINAS INFLAMATÓRIAS : são compostas das
interleucinas(I.L) e do fator de necrose tumoral(FNT). Existem inúmeras
I.L descritas, sendo que somente as I.L1, I.L2, I.L6, I.L8, bem como o
FNT têm sido explorados.
## LINFOQUINAS
## FATORES DE ESTIMULAÇÃO DE COLÔNIAS
## FATOR PEPTÍDICO DE CRESCIMENTO

A presença de citoquinas inflamatórias tem sido relacionada com as
infecções sistêmicas. Elas ficam elevadas quando a síndrome e/ou
choque sépticos estão instalados 9. Foi comprovada uma relação direta
entre os níveis elevados de I.L(1 e 6) e FNT com uma elevação da
mortalidade em pacientes com sepsis 11. Dulkerian et al 12, em trabalho
realizado na Universidade de Maryland, concluem que a presença de I.L6
no liquor identifica crianças com meningite e que a presença de FNT no
liquor tem uma alta especificidade como indicador de inflamação
bacteriana. Também Spear et al 13, em trabalho divulgado em junho de
1995, afirmam que os níveis de I.L2 solúveis podem ser utilizados no
diagnóstico de RN prematuros sépticos com resultados de hemoculturas
negativas.
Como podemos perceber existe uma tendência mundial em caracterizar,
de forma mais precisa, a reação celular orgânica, ou seja, a resposta
orgânica a uma agressão externa. Esses questionamentos foram
fundamentados no fato real de que o agente agressor, além da atuação
direta, desencadearia reações imunológicas orgânicas suficientes, estas
sim, para danos graves ao hospedeiro.
                                                                     20


3 - Pesquisas de Focos Infecciosos

A identificação dos possíveis focos infecciosos dependem
fundamentalmente de uma história clínica completa e exame físico
cuidadoso.
 Líquor : no RN e no lactente jovem o líquor ajuda a identificar o
  agente etiológico e a esclarecer o foco. Tem importância na
  determinação do esquema terapêutico.
 Raios-X
# Tórax : deverá ser realizado mesmo na ausência de sinais respiratórios
sugestivos, pois, além de ser um exame simples e rápido é muito útil uma
vez que o acometimento pulmonar é frequentemente o foco inicial ou
metastático. Além disso os desnutridos podem cursar com grandes
pneumopatias e com mínimos sinais semióticos de pulmão.
# Ossos : na suspeita de ostiomielite; podem surgir tardiamente, após 2
semanas.
 Urina : o EAS juntamente com a cultura (colhida de forma correta)
  podem estabelecer o foco primárioda infecção. Mesmo quando não
  colhido com uma boa metodologia mais de uma urocultura com
  resultado negativo praticamente podem afastar a infeção do trato
  urinário.
 Ultrasom : quando a suspeita de abscessos abdominal ou hidronefrose
  com possível foco urinário. Pode ser realizado nabeira do leito e em
  crianças em mau estado geral. Também é indicado no
  acompanhamento de infecções do SNC.
 Ecocardiograma : na suspeita de endocardite bacteriana e da
  pericardite.
 Tomografia computadorizada : é bastante útil nas suspeitas de
  infecções do SNC (abscessos ou coleções subdurais). O inconveniente
  é a necessidade de anestesia geral.
 Cintilografia : os isótopos radioativos poderão ser utilizados
  principalmente para mapeamento ósseo na osteomielite ou para a
  localização de abscessos.


4- Exames Auxiliares


 Hemograma
                                                                          21

A - Série Vermelha : a presença de anemia geralmente está presente.
Devemos procurar caracterizar a genese dessa anemia. Em desnutridos
com infecções sistêmicas graves geralmente é multifatorial. Faltam
componentes básicos (ferro, ac. fólico,etc), a destruição eritrocitária está
geralmente presente ( aumento das taxas de reticulócitos com sinais
hematoscópicos de hemólise), além de um certo bloqueio medular pela
própria bactérias ou produtos antigênicos da interação bactéria/sistema
imune (reticulócitos normais ou baixos e ausência dos sinais de
hemólise). A policitemia não é vista com frequência nesses casos e
quando está presente devemos avaliá-la como possível quadro de
desidratação ou iatrogênica (grandes volumes transfundidos).

B - Série Branca : vários modelos são observados.
 leucocitose (+ 15000 leuc/mm3) com neutrofilia e desvio para
   esquerda (+ 10000 PMN ou + 500PMN não segmentados/mm3)
   acompanhada de eosinopenia - sugere resposta aguda a um agente
   agressor e resposta adequada do hospedeiro.
 Leucopenia (- 5000 leuc/mm3) com neutrofilia relativa, com ou sem
   desvio para esquerda, acompanhada de eosinopenia. A leucopenia
   grave (menos de 1500 leuc/mm3) é mais preocupante pois indica
   gravidade maior e/ou dificuldade de resposta do hospedeiro. A
   leucopenia pode surgir apenas devido à marginação dos leucócitos nos
   vasos ou por depleção da reserva medular (principalmente de
   granulócitos em RN prematuros).
 Leucopenia com neutropenia e desvio para esquerda, além da
   eosinopenia. Situação grave onde percebemos uma total falta de
   células PMN e ainda presença de certa quantidade de células jovens.
   Neutropenias abaixo de 500 estabelecem necesidade de intervenção
   medicamentosa.
* O desvio para esquerda pode ser quantificado e para o RN alguns
autores sugerem o uso do Índice Neutrofílico que é avaliado dividindo-se
o número de formas jovens de PMN pelo total de PMN. Quando maior
do que 0,3 é sugestivo de sepse e quando maior que 0,6 indica
esgotamento das reservas medulares e pior prognóstico.
* As alterações qualitativas dos neutrófilos também são importantes :
granulações tóxicas e vacuolização citoplasmática indicam atividade
fagocitária.

3- Plaquetas
Devem ser sempre analisadas na suspeita de sepse. A infecção é
geralmente mais grave quando há plaquetopenia e poderá ocorrer por
                                                                      22

consumo, sequestro esplênico ou depleção medular. Quando isolada não
estabelece diagnóstico laboratorial de CIVD.

 Provas Sorológicas
Na fase aguda a VHS, PCR e mucoproteinas geralmente apresentam-se
aumentadas mas são bastante inespecíficas e elevam-se em várias outras
situações.

 Perfil Eletrolítico
Os eletrólitos séricos, incluindo a uréia , creatinina e glicemia são
exames importantes e devem ser realizados de rotina. A fronteira entre os
distúrbios hidreletrolíticos e a sepse é extremamente estreita e
necessitamos dessas determinações. Também a proteina total e frações ,
principalemente a albumina sérica, são de fundamentais importancia na
condução de um hospedeiro séptico. A manutenção da pressão
coloidosmótica mostra-se como uma das pedras fundamentais da terapia
e, portanto, sua determinação frequencte norteia a necessidade do tipo e
frequência das infusões.


 Gasometria Arterial
É importante no diagnóstico diferencial em Rn e geralmente dá a idéia
sobre uma má perfusão periférica. Os gases também são importantes no
prognóstico do quadro séptico.


 Coagulograma
Existem três padrões de alteração do coágulograma na sepse:
- Trombocitopenia com elevação dos fatores V, VII e fibrinogênio
- Redução dos fatores vitamina K dependentes (fatores II, VII, IX e X)
com elevação dos fatores V, VIII e fibrinogênio.
- Coagulação intravascular disseminada (CIVD) : trombocitopenia, PT e
PTT prolongados; redução dos fatores II, V, VIII e fibrinogênio e
aumento dos produtos de degradação da fibrina. É importante ressaltar
que a CIVD praticamente só ocorre nos casos em que há alteração
hemodinâmica. Portanto, o prolongamento do PT e PTT em pacientes
normotensos, geralmente não se deve à CIVD.
                                                                       23

 Outros exames : poderão ser solicitados nadependência de
acometimentos de múltiplos orgãos e sistemas e de distúrbios
hidreletrolíticos do organismo.



IX- Diagnóstico

No período neonatal, o conceito aceito tem sido mais simples, devido às
circuntâncias reacionais orgânicas da faixa etária. Siegel e McCraken 3 ,
em 1981, conceituaram sepsis como uma “síndrome clínica caracterizada
por sinais sistêmicos de infecção, acompanhada de hemocultura positiva
no primeiro mês de vida”, que vigora até os dias de hoje.
A dificuldade na rápida obtenção dos resultados referentes ao agente
etiológico responsável pela sepse, principalmente no período neonatal,
levou os estudiosos a idealizar o agrupamento de vários exames
laboratoriais inespecíficos, que pudessem ser capazes de auxiliar no
diagnóstico precoce de tal patologia. Atualmente, esse conjunto de testes
e sua interpretação têm sido preconizados para uma definição precoce de
sepsis 7 e 8. Gerdes 7 , em 1991, com vários dados hematológicos, propõe
uma bateria de exames para o diagnóstico de sepse neonatal : número de
neutrófilos, relação neutrófilos imaturos e totais, aumento de neutrófilos
imaturos, leucopenia, vacuolização ou granulação tóxica em leucócitos,
contagem de plaquetas, proteina C reativa, velocidade de
hemossedimentação, haptoglobina, fibronectina, C3d, NBT e outros.
Esses exames mostram sensibilidades, especificidades e valor preditivo
variados, além de serem trabalhosos, onerosos e de difícil interpretação.
                                                       24




Pç nào Internado
                                Agressão
                   (Infecção, trauma, outras causas)
                                   +
                   Índice de Observação do Lactente



Pç Internado
SDMO 1a                  SIRS + PRISM ou PSI




                         Caracterização de Sepse
                                     +
                         Risco de Mortalidade




                              SDMO 2a




                              SIMOS




X - Tratamento
                                                                      25


A criança séptica deve ser sempre considerada gravemente enferma em
função de um possível acometimento de múltiplo orgãos e sistemas.
Requer ttto específico da infecção e controle das alterações
hemeostáticas e hemodinâmicas.


## MANUTENÇÃO DAS CODIÇÕES GERAIS ##
A sepse, e especialmente o choque séptico, caracteriza-se pela
incapacidade do organismo de utilizar adequadamente o oxigênio e os
nutrientes necessários ao metabolismo. Esta abordagem essencialmente
metabólica da sepse origina-se no acometimento multissistêmico, muitas
vezes sem proporção com a gravidade do próprio processo infeccioso.

 Temperatura Corporal : requer rigoroso controle. A hipotermia é
   comum principalmente em RN e desnutridos graves, não estando
   necessariamente relacionada ao choque e dificultando, muitas vezes, a
   avaliação da perfusão periférica. A utilizaqção de incubadoras ou
   sistemas com calor radiante e servo-controle facilita a monitorização
   da temperatura corpórea.
 Distúrbios Metabólicos
Acidose Metabólica - decorre do aumento da produção ácida endógena
em consequência da hipoperfusão tecidual, do metabolismo anaeróbico,
do bloqueio mitocondrial, da conversão de lactato em acetato, além da
diminuição da excreção ácida pelos rins. Correção deve ser realizada
quando pH estiver abaixo de 7,10, com a seguinte fórmula :
mEq bicarbonato = 0,3 x peso x (15 - bicarbonato observado). A correção
da acidose pode gerar : hipocalcemia (redução do cálcio ionizado),
hipopotassemia e hipernatremia, embora seja mais frequente a
hiponatremia de base.
Outros Distúrbios : hiperglicemia, hipertrigliceridemia e hiperuricemia
(resultado direto da resistência relativa à insulina, aceleração da
gliconeogênese, da lipólise e da proteólise). A hipoglicemia secundária a
Insuf. Hepática pode ocorrer em fases tardias da sepse.
Obs : a SFMOS é decorrência da fase de bloqueio metabólico. A
monitorização contínua das funções renais, hepática, neurológica,
endócrina e hematológica visa detectar estas alterações precocemente e
reversão do processo.
 Manutenção Função Renal
Tem como objetivo minimizar ou impedir a instalação de lesão
glomérulo-tubular irreversível. É importante restaurar a volemia e a
                                                                     26

manutenção do fluxo sanguíneo renal glomerular e tubular adequados
pela administração de manitol e furosemida e pela infusão EV de
dopamina em doses reduzidas. A forma poliúrica da IRA pode mascarar
o estado de hipoperfusão renal e retardar a atuação terapêutica
 Manutenção do Trato Gastrintestinal
Íleo paralítico e sangramento são amnifestações comuns decorrentes do
stress, distúrbios metabólicos e da má perfusão esplâncnica. A
descompressão luminal e emprego de antiácidos e bloqueadores dos
receptores H2 como a cimetidina e ranitidina são comprovadamente
eficazes na prevenção desses eventos. As descolonizações intestinais
com a utilização de antibiíoticos por via oral, principalmente em
hospedeiros imunologicamente comprometidos, com o intuito de
diminuir a translocação bacteriana vem sendo utilizada em alguns
serviços com êxito.
 Suporte Nutricional
É problemático. Ao mesmo tempo em que o estado catabólico bloqueia
parcialmente o anabolismo dos nutrientes, também ocorre aumento das
necessidades calóricas em até 100% reloativamente as necessidades
básicas.
Infusão Parenteral - tem indicação precisa, embora limitada pelas
hiperglicemia e hipertrigliceridemia, habitualmente presentes. Nessa
eventualidade é diminuida a oferta temporariamente desses componentes,
evitando a utilização de insulina especialmente na fase aguda da doença.
Infusão Enteral - embora deva precoce nesta fase inicial, encontra
limitações no próprio trânsito intestinal. A insistência das técnicas de
gavagem pode resultar em problemas posteriores. Passada a fase crítica
ou de instabilidade hemodinâmica geralmente é administrada nutrição
mista, enteral e parenteral, até uma ingesta voluntária razoável.
 Pesquisa de Focos Infecciosos
Deve ser constante durante todo o processo de doença. A pronta
drenagem de abscessos e coleções deve ser realizada, não só com intuitos
terapêuticos, como também para confirmação diagnóstica
microbiológica.

## FLUIDOTERAPIA ##

 Hipotensão na Sepse - choque distributivo : inadequação entre
  conteúdo/continente, em decorrência da vasodilatação periférica,
  superando a contração real do volume no espaço intravascular.
                       - perdas : tem papel importante no quadro
                                                                     27

hemodinâmico - hemorragia visceral e cutânea, perda eletrolítica por
  TGI e renal, além de sequestro com formação de terceiro espaço.
 Necessidade Hídrica na Sepse - são usualmente mais elevadas do que
  as necessidades basais, em função : perdas gastrintestinais,
  hiperventilação, exposição a calor radiante e diurese osmótica. Mas em
  algumas situações pode ser necessária uma restrição hídrica : SIHAD,
  edema cerebral, insuficiência renal e cardíaca.
 Vigilância na Sepse - peso corporal, débito urinário e, clinicamente,
  sobre o edema deve ser constante. A PVC e o débito urinário devem
  estabelecer a pré-carga e norteam, geralmente o volume a ser
  infundido (ver esquema). PVC baixa ou com acréscimo inferior a 3-5
  cm h2o é um indicativo, geralmente, de infusão de mais volume. PVC
  crescente ou acima de 7-10 cmh2o indica disfunção miocárdica,
  elevação da pós-carga ou sobrecarga hídrica - a consequência é um
  aumento da pressão hidrostática capilar e extravazamento de fluido
  através da barreira já lesada, com piora do edema intersticial
  (notadamente nos pulmões) - monitorar com cateter Swan-Ganz e
  pressão arterial média por microcateterização periférica.
 Volume e Tipo de Líquido Infundido - inicialmente 20 ml/kg em 10 a
  20 minutos; depois avaliar novas infusões pela PVC e DU. O tipo de
  solução é um assunto controverso. Só a infusão de cristalóides gera
  uma subcorreção da volemia, pois somente 20 a 30% do volume
  infundido permanece no espaço intravascular. Soluções Salinas
  Hipertônicas (7,5%) vem sendo testadas em adultos nafase de
  expansão e com bons resultados. As soluções Colóides restauram mais
  efetivamente a volemia, requerem menor tempo e volume de infusão e
  elevam a pressão oncótica do compartimento intravascular. Os
  inconvenientes são: alto custo, possibilidade de extravazamento
  transcapilar da albumina e o maior risco de sobrecarga volêmica. Essas
  soluções têm sido utilizadas com êxito no choque séptico, associadas
  às soluções cristaloides e à reposição de derivados de sangue. Tem
  sido utilizado infusão de albumina a 5%, diluida em soro fisiológico
  ou plasma, como segunda opção, na proporção de 20 ml/kg.


## APOIO CÁRDIO-CISCULATÓRIO ##

Depressão Miocárdica - ação endotóxica direta
                - liberação dos fatores de depressão miocárdica
(FDM)
                 - redução do tônus simpático por ação central
                                                                       28

                   - dimnuição da resposta aos agentes adrenérgicos
As drogas utilizadas para melhorar a função miocárdica e a liberação
tecidual de O2 no choque são basicamente agentes inotrópicos,
vasopressores e vasodilatadores. Tem sido extremamente difícil a
utilização dessas drogas em função de vários fatores : dinamismo e
complexidade dos mecanismos centrais e periféricos na homeostase da
microcirculação e dificuldade na identificação nas mudanças de quadro
pelo dinamismo existente.
Devem ser sempre administradas com monitorização hemodinâmica.
Consequências em Paciênte Hipovolêmico
-- dobutamina : acentuada vasodilatação sistêmica e pulmonar, queda do
débito cardíaco e da liberação tecidual de oxigênio, apesar do aumento da
contratilidade cardíaca.
-- betaestimulantes : elevam o consumo miocárdico de O2 de modo
desproporcional à oferta, acarretando isquemia e piora da função cardíaca
em relação às condições iniciais.


 Isoproterenol : exerce efeito beta adrenérgico, com potente efeito
  cronotrópico e inotrópico, ação vasodilatadora pulmonar e sistêmica,
  inclusive em territórios não nobres. Colaterais : hipotensão arteial,
  elevação do consumo de O2, isquemia miocárdica, aumento do shunt
  intrapulmonar, redução da perfusão sanguínea de áreas nobres e
  arritmias de difícil controle. Seu uso clínico tem sido restrito a casos
  onde é necessária potente ação inotrópica ou na bradicardia não
  responsiva a outra drogas.
 Dobutamina : ação inotrópica, com menor potencial de indução de
  arritmia do que o isoproterenol e mantedo a ação vasodilatadora
  pulmonar e sistêmica. É o agente inotrópico de escolha na falência
  miocárdica do choque séptico. Dose - 2 a 15 mcg/kg/min. Existe
  mínima repercussão na pré-carga cardíaca, na PA, na FC e no fluxo
  sanguíneo renal.
 Dopamina : em baixas doses (0,5 a 3 mcg/kg/min) estimula os
  receptores delta ou dopaminérgicos, com vasodilatação esplâncnica e
  renal. Em doses maiores (3 a 10 mcg/kg/min) provoca aumento da
  contratilidade cardíaca pelo efeito beta-adrenérgico, sem perda da ação
  dopaminérgica. Grandes doses (15mcg/kg/min) determinam o efeito
  alfa, constritor, semelhante a epinefrina e norepinefrina, reduzindo a
  perfusão e aumentando consideravelmente a pós-carga cardíaca.
 Dopamina + Dobutamina : é a terapia de escolha no choque séptico,
  garantindo apoio inotrópico ao miocárdio e ao mesmo tempo
                                                                        29

  mantendo a perfusão renal e esplâncnica e revertendo parcialmente a
  vasoconstrição pulmonar de origem hipoxêmica.
 Norepinefrina : volta atualmente a ser empregada quando há choque
  com baixa resistência periférica (choque anafilático e séptico),
  combinando o aumento da contratilidade miocárdica com efeito
  vasopressor da vesoconstrição periférica. As experiências em crianças
  ainda são pequenas.
 Vasodilatadores : nitroprussiato de sódio ou alfabloqueadores
  (fentolamina) - na fase tardia ou fria do choque séptico, caracterizada
  pela alta resistência vascular sistêmica e baixo débito cardíaco, poderia
  ser útil na redução da pós-carga.
 Vasodilatadores + Agentes Inotrópicos (nitroprussiato + dobutamina) :
  provê ótimo suporte para a depressão miocárdica grave ou tardia,
  associada à vasoconstrição sistêmica.


## GLICOCORTICOIDES ##

Seu uso no choque séptico ainda é controverso. Possíveis efeitos :
redução da agregação de granulócitos pelo complemento, redução da
liberação de betaendorfinas e do metabolismo do ácido aracdônio,
resultando no bloqueio parcial dos mecanismos humorais e celulares da
cascata séptica. Dose : tem sido utilizados em 2 ou doses de 30 mg/kg de
metilprednisolona ou 3 mg/kg de dexametasona, em doses repetidas a
cada 2 a 4 horas. A efetividade de sua ação parece relacionada com a
precocidade de sua utilização, aos primeiros sinais de instabilidade
hemodinâmica.


## ENDORFINAS ##

 emprego clínico do naloxone permanece especulativo, sem
  comprovação clínica ou experimental do benefício de sua utilização.
  Algum efeito vasopressor pode ser constatado quando se utilizam
  doses repetidas de 0,1 mg/kg, num máximo de 3 doses. Também há
  relatos de uso contínuo venoso mas igualmente com resultados
  duvidosos.


## APOIO RESPIRATÓRIO ##
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Bibliografia


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de    Terapia Intensiva II - SBP. 1994, p. 110-116.



3-Martins, FRP; Gilio, AE; Osmo,AA et al Septicemia em Crianças.

      Temas de Pediatria - Nestlé. 1991, 35 p.
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4- Ramos, SRTS & Baldacci, ER. Terapêutica Antiinfecciosa /
     Infecção

          Hospitalar. Sarvier, 1996. 128 p.



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          Carvalho, ES; Carvalho, LHFR & Succi, RCM. Infectologia

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