UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
FACULDADE DE MEDICINA
PROJETO DE MUDANÇA CURRICULAR DO CURSO MÉDICO
BELO HORIZONTE, OUTUBRO DE 2002
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
REITORA
Profa. Ana Lúcia de Almeida Gazzola
VICE-REITOR
Prof. Marcos Borato Viana
PRÓ-REITOR DE GRADUAÇÃO
Profa. Cristina Helena Ribeiro Rocha Augustin
FACULDADE DE MEDICINA
DIRETOR
Prof. Geraldo Brasileiro Filho
VICE-DIRETOR
Prof. Joel Alves Lamounier
EQUIPE DE COORDENAÇÃO E REDAÇÃO
Prof. Davidson Pires de Lima
Coordenador do Colegiado do Curso de Medicina
Profa. Cláudia Regina Lindgren Alves
Departamento de Pediatria
Profa. Eliane Dias Gontijo
Departamento de Medicina Preventiva e Social
Prof. Henrique Oswaldo Gama Torres
Departamento de Clínica Médica
Profa. Janete Ricas
Departamento de Pediatria
Profa. Veneza Berenice de Oliveira
Departamento de Medicina Preventiva e Social
Secretaria
Ercília Aparecida de Souza
Assistente de Administração
Eunice Lobo de Faria
Assistente de Administração
Neusa Pereira da Cruz
Técnica em Assuntos Educacionais
PARTICIPANTES
COMISSÃO DE INTEGRAÇÃO CICLO BÁSICO/CICLO PROFISSIONAL
-Profa. Ana Maria Arruda Lanna
Departamento Anatomia Patológica
-Profa. Cristiane Freitas Cunha
Departamento Pediatria
-Profa. Elza Erichsen Santiago
Departamento Propedêutica Complementar
-Profa. Fátima Soares Motta Noronha
Departamento Microbiologia
-Profa. Janete Ricas
Departamento Pediatria
-Profa. Leonor Bezerra Guerra
Departamento Morfologia
-Maria Cristina Lima de Castro
Vice-Diretora/ICB
-Profa. Maria Marta Sarquis Soares
Departamento Clínica Médica
-Prof. Odilon Palma Lima
Departamento Pediatria
-Prof. Paulo Augusto Moreira Camargos
Departamento Pediatria
-Prof. Roberto Assis Ferreira
Departamento Pediatria
-Profa. Silvana Maria Elói Santos
Departamento Propedêutica Complementar
COMISSÃO DE INSERÇÃO DO ALUNO DO CICLO BÁSICO NA REDE
-Profa. Anayansi Correa Brenes
Departamento Medicina Preventiva e Social
-Profa. Eliane Dias Gontijo
Departamento Medicina Preventiva e Social
-Profa. Elza Machado Melo
Departamento Medicina Preventiva e Social
-Profa. Maria Bernadete de Carvalho
Departamento Medicina Preventiva e Social
-Profa. Rosa Maria Quadros Nehmy
Departamento Medicina Preventiva e Social
COMISSÃO DE INSERÇÃO DO ALUNO DO CICLO PROFISSIONAL NA REDE
-Profa. Alamanda Kfoury Pereira
Departamento Ginecologia e Obstetrícia
-Prof. Ari de Pinho Tavares
Departamento Clínica Médica
-Prof. Carlos Dalton Machado
Departamento Pediatria
-Profa. Cláudia Regina Lindgren Alves
Departamento Pediatria
-Profa. Iola Elia Gurgel
Departamento Medicina Preventiva e Social
-Profa. Jaci Bastos Borges
Departamento Ginecologia e Obstetrícia
-Prof. João Vaz da Silva
Departamento Ginecologia e Obstetrícia
-Prof. José Narciso Bedran
Departamento Clínica Médica
-Profa. Lúcia Maria Horta de Figueiredo Goulart
Departamento de Pediatria
-Profa. Mirtes Maria do Vale Beirão
Departamento Pediatria
-Prof. Paulo Melgaço Valadares
Departamento Pediatria
-Profa. Soraia Almeida Belisário
Departamento Medicina Preventiva e Social
-Profa. Veneza Berenice de Oliveira
Departamento Medicina Preventiva e Social
COMISSÃO DE REESTRUTURAÇÃO DA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA DA EDUCAÇÃO
MÉDICA
-Prof. Carlos Haroldo Piancastelli
Departamento Clínica Médica
-Prof. Davidson Pires de Lima
Coordenador Colegiado do Curso de Medicina
-Prof. Flávio Chaimovicz
Departamento Clínica Médica
-Prof. Henrique Oswaldo Gama Torres
Departamento Clínica Médica
-Profa. Roksane de Carvalho Norton
Departamento Pediatria
-Profa. Urquiza Helena Meira Paulino
Departamento Propedêutica Complementar
-Prof. Wandack Alencar Nobre
Departamento Clínica Médica
ACADÊMICOS:
- Aline Viviane Lima
- Aline de Oliveira Mano
- Carlos Eduardo da Silva
- Cristiano Túlio Maciel Albuquerque
- Isabela Dias Lauar
- Isabela Furtado de Mendonça Pisinin
- Rhaine Matos Gonçalves
- Ricardo Luiz Fontes
- Samuel da Cunha Pereira Neto
SUMÁRIO
PARA COMPREENDER O PROJETO............................................................................ .....1
INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 2
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTOS SEGUNDO AS NECESSIDADES DO SUS ......... 4
SITUAÇÃO ATUAL ........................................................................................................... 4
IMAGEM OBJETIVO .......................................................................................................... 6
OPERAÇÕES VISANDO À MUDANÇA ............................................................................ 7
ADEQUAÇÃO DA PÓS-GRADUAÇÃO E OFERTA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE
SITUAÇÃO ATUAL ........................................................................................................... 7
IMAGEM OBJETIVO ....................................................................................................... 20
OPERAÇÕES VISANDO À MUDANÇA ........................................................................ 21
MUDANÇA PEDAGÓGICA ................................................................................................. 22
SITUAÇÃO ATUAL ......................................................................................................... 22
IMAGEM OBJETIVO ....................................................................................................... 33
OPERAÇÕES VISANDO À MUDANÇA ......................................................................... 36
INTEGRAÇÃO CICLO BÁSICO / CICLO PROFISSIONAL .......................................... 38
SITUAÇÃO ATUAL ......................................................................................................... 38
IMAGEM OBJETIVO ....................................................................................................... 40
OPERAÇÕES VISANDO À MUDANÇA ......................................................................... 40
5. DIVERSIFICAÇÃO DE CENÁRIOS DO PROCESSO DE ENSINO .......................... 42
SITUAÇÃO ATUAL ........................................................................................................... 42
IMAGEM OBJETIVO ......................................................................................................... 44
OPERAÇÕES VISANDO À MUDANÇA .......................................................................... 45
6. ABERTURA DOS SERVIÇOS UNIVERSITÁRIOS ÀS NECESSIDADES DO SUS 46
SITUAÇÃO ATUAL .......................................................................................................... 46
IMAGEM OBJETIVO ........................................................................................................ 48
OPERAÇÕES VISANDO À MUDANÇA ......................................................................... 49
8-SINTESE DOS PARÂMETROS DE AVALIAÇÃO PROPOSTOS PELO MS.............50
PARA COMPREENDER O PROJETO
O Ministério da Saúde, com o objetivo de incentivar as Escolas Médicas do País a adequarem seus
currículos e produção de conhecimento às necessidades do SUS, sobretudo ao novo modelo de
atenção básica em implantação e de incentivar a integração universidade/serviço, lançou em
fevereiro do ano corrente o Programa de Incentivo às Transformações Curriculares nas Escolas
Médicas – PROMED. Este previa um incentivo financeiro, por um período de três anos, a 20 escolas
médicas que tivessem seu projeto apresentado e aprovado por comissão de avaliação deste órgão
especialmente constituída para este fim.
Em uma primeira etapa, em abril deste ano, as escolas interessadas apresentaram suas cartas
propostas tendo sido selecionadas 47 delas para apresentação de Projeto, dentre elas a FM da
UFMG. Na segunda etapa, após apresentação do projeto em outubro de 2002, foram selecionadas
20 escolas que deverão receber o montante de 200 000 reais por semestre, durante três anos, com
o objetivo de implementação das mudanças propostas, processo que será acompanhado e avaliado
pelo MS.
A Faculdade de Medicina da UFMG, após avaliação do Edital, seus princípios, diretrizes e objetivos,
decidiu-se por candidatar-se ao Programa por julgar que estes encontram se em consonância com
os princípios, diretrizes e objetivos desta Escola que foi selecionada com mérito pela comissão
avaliadora com uma pontuação final de 9,79 em 10.
O Projeto que ora apresentamos foi realizado segundo orientação da Comissão Organizadora do
PROMED do MS, que definiu os tópicos a serem tratados e a forma de apresentação.
Assim, o Projeto se estrutura em três eixos cada um com dois vetores:
EIXO 1: Produção Teórica
o Vetor I: Produção de conhecimentos, segundo as necessidades do SUS
o Vetor II: Adequação da pós-graduação e oferta de educação permanente
EIXO 2: Abordagem pedagógica
o Vetor I: Mudanças Pedagógicas
o Vetor II: Integração Ciclo Básico/Ciclo Profissional
EIXO 3: Cenários de Prática
o Vetor I: Diversificação dos cenários do processo de ensino
o Vetor II: Abertura dos serviços universitários às necessidades do SUS
O Projeto contém uma análise da situação atual da Escola em relação a cada eixo e vetor, uma
descrição da imagem objetivo, isto é, qual situação se deseja atingir, e quais operações deverão ser
realizadas para a obtenção das mudanças propostas.
Os parâmetros para avaliação da situação atual das Faculdades em relação a cada eixo e vetor
encontram-se no Edital do MS. Anexamos, ao final deste documento, a síntese desses parâmetros
para melhor compreensão da avaliação realizada e das mudanças propostas.
Esse documento contém um extrato do Projeto: a descrição da situação atual foi resumida,
sobretudo, a do eixo 1, tendo sido retirado o detalhamento das atividades de pós-graduação,
extensão e dos núcleos complementares. Os anexos foram retirados, entretanto, os tópicos
referentes à imagem objetivo e operações a serem realizadas permaneceram intactos.
O Projeto completo tal como foi enviado ao MS poderá ser encontrado pelos interessados no
Colegiado da Graduação.
1
INTRODUÇÃO
Na década de 1970, a Faculdade de Medicina da UFMG iniciou um processo de mudança curricular
considerado como o mais audacioso para os padrões de ensino médico vigentes à época.
Essa experiência estava fundamentada em pesquisas e estudos de ensino médico realizados em
outros países com tradição na área e em análises internas e externas de nossa estrutura curricular,
elaboradas pelo Núcleo de Assessoria Pedagógica (NAP) da Faculdade, constituído por
profissionais de diversas áreas.
A implantação do modelo inovador realçava os seguintes pontos:
o a Faculdade deveria formar profissionais capazes de reconhecer as necessidades de saúde
dos indivíduos e da comunidade, de atendê-las sob a forma de cuidados básicos em saúde,
em conformidade com o sistema público de saúde;
o o currículo deveria ser flexível no sentido de propiciar, além das habilidades básicas
obrigatórias, disciplinas optativas e eletivas, bem como internato obrigatório rotativo e
internatos optativos, de modo a atender, ainda na graduação, a individualidade vocacional
do futuro médico;
o deveria ajustar-se à realidade de saúde do Brasil e atender às especificidades regionais;
o deveria articular-se adequadamente não só com o ensino de pós-graduação sensu lato, mas
prolongar-se sob a forma de educação permanente, desenvolvida a partir das demandas de
Recursos Humanos nos Serviços de Saúde.
Nos últimos 20 anos, o ensino na Faculdade de Medicina teve avanços e retrocessos. O processo de
desenvolvimento curricular vem sendo acompanhado e avaliado periodicamente, mas as distorções
e obstáculos detectados nem sempre foram corrigidos ou superados, passando por fases de
adaptação e/ou acomodação. Em 1993, após avaliações e discussões, houve atualização de
conteúdos em razão de mudanças no perfil demográfico, do processo de incorporação tecnológica e
assistencial, configurando a grade curricular atual que mantém os princípios estabelecidos na
proposta original.
Em 1998, o Colegiado de Graduação encaminhou ao MEC a sua proposta de Diretrizes Curriculares
que determina que o formando deva ser um profissional com conhecimentos fundamentais de
Medicina nas áreas básicas _ Clínica Médica, Cirurgia, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Saúde
Mental, Saúde Coletiva _ que o torne competente para prestar assistência médica de qualidade;
atuar na reabilitação e prevenção de doenças e na promoção e educação em saúde, dentro de
princípios éticos, críticos e humanistas e intervir na realidade social do país e seja capaz de
continuar, de forma independente, o seu aprendizado durante a vida profissional e desenvolver
trabalho em equipe.
Verifica-se, com satisfação, que as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em
Medicina, aprovadas em 2001 pelo Conselho Nacional de Educação reafirmaram os princípios do
processo de desenvolvimento curricular de nossa Instituição.
A Faculdade de Medicina da UFMG, como Centro Colaborador da OMS para a Educação e a
Prática Médica tem o compromisso de ser sede de uma experiência de desenvolvimento
metodológico para trabalhar propostas de melhoria de qualidade em educação médica que não
reproduzam o modelo organicista e de alta tecnologia que o mercado e a indústria de equipamentos
tentam impor como padrão. A alta demanda nos serviços públicos e conveniados incentiva o
desenvolvimento de novas maneiras de se pensar a atenção médica aos pacientes.
O Colegiado do Curso Médico vem apoiando o esforço de ampliar a implantação dessa proposta
metodológica capaz de influenciar a inversão do paradigma tradicional da formação em saúde,
tentando o abandono da formas conservadoras do ensino, tendo sustentação na troca sistemática
entre saberes, na integração interdisciplinar, no aprendizado ativo do aluno, a partir dos problemas
2
que se apresentam na prática, na avaliação formativa, de habilidades e de atitudes sistemáticas e na
diversificação dos cenários de prática.
Atento ao impacto das diretrizes da pós-graduação e da residência médica sobre o ensino da
graduação, o Colegiado vem trabalhando na construção de um projeto comum para a Instituição no
qual a filosofia e a metodologia destas três instâncias sejam coerentes entre si. Ciente do papel
fundamental da educação permanente para a otimização da atenção à saúde e do seu papel social
com relação aos egressos, a Faculdade propõe a sua responsabilização, juntamente com outras
instituições públicas, pelo contínuo aperfeiçoamento dos profissionais do Sistema Único de Saúde.
As demandas de atualização na formação do profissional, tanto na área do conhecimento médico
quanto na do exercício profissional e de organização do sistema de saúde, não mais permitem uma
proposta de ensino atrelada a conteúdos e grades curriculares estáticos, centrada no professor, na
doença e nos hospitais. A dinâmica das mudanças sociais, científicas e políticas exige um
comportamento aberto, receptivo e permanentemente crítico por parte da instituição de ensino, que
deve centrar sua proposta no aluno, na saúde e na comunidade.
Os usuários, os gestores dos serviços e os órgãos formadores apresentam diferentes prioridades e
expectativas. Os usuários querem serviços em quantidade e qualidade adequadas, a academia
almeja formar profissionais competentes para prestarem o melhor serviço possível e os
responsáveis pelas políticas de saúde pretendem uma assistência para todos os cidadãos, que seja
custo-efetiva.
A trajetória da Faculdade de Medicina da UFMG demonstra sua preocupação histórica em contribuir
ativamente para a melhoria do sistema de saúde e atendimento das necessidades da população.
Conscientes de nossas potencialidades, reafirmamos nossa disposição de trabalhar em conjunto
com os serviços e a comunidade para promover ajustes e equacionar as deficiências identificadas,
priorizando:
o o aumento da produção de conhecimentos voltada para as necessidades do SUS;
o a educação permanente como o grande projeto extensionista da área de saúde da UFMG;
o a reestruturação do Ciclo Básico, pela contextualização com a prática médica, com ênfase
em métodos clínicos centrados na solução de problemas e aprendizado ativo em pequenos
grupos;
o a revisão do processo de avaliação, com a utilização de métodos coerentes com os objetivos
educacionais, enfatizando a avaliação formativa, de habilidades e de atitudes em todo o
curs;.
o a inserção dos estudantes na atenção básica, numa perspectiva interdisciplinar e
multiprofissional, que aborde a promoção de saúde, o contato com a comunidade e o
trabalho em equipe, desde os primeiros períodos do curso;
o ampliação das atividades didáticas de atenção às urgências e emergências para outros
serviços da rede municipal de saúde.
Para que o sistema funcione de forma eficiente, os principais atores devem decidir trabalhar juntos,
acordarem alguns princípios fundamentais e considerarem a possibilidade de adequar suas
expectativas, assegurando a manutenção dos princípios e garantindo que as necessidades de saúde
da população sejam satisfeitas.
Considerando as questões históricas, as diretrizes políticas que regem as atividades da Faculdade
no momento e a análise da sua situação atual em função dos eixos considerados no Projeto,
estabeleceram-se as situações desejadas e possíveis de serem atingidas. Entende-se que as
transformações propostas se darão a curto, médio e longo prazos e exigem, em algumas situações,
negociações políticas, transformações administrativas e investimentos financeiros e, principalmente,
consolidação de parcerias.
3
EIXO 1: PRODUÇÃO TEÓRICA
Vetor I: Produção de conhecimentos segundo as necessidades do SUS
Situação atual
A Faculdade de Medicina (FM) da UFMG já apresenta, em relação à maior parte das Instituições de
Ensino Superior-IES, uma relevante produção de conhecimentos na área da saúde, especialmente
da atenção básica, que tem contribuído para a estruturação do SUS e para a solução dos problemas
de saúde. Essa produção inclui teses e dissertações, pesquisas e publicações, material técnico e
relatórios.
Embora concentrada, sobretudo, na pós-graduação do Departamento de Medicina Preventiva e
Núcleos da Instituição, tais como, o Núcleo de Pesquisa em Saúde Coletiva e Nutrição (NESCON) e
Núcleo de Estudos e Apoio Diagnóstico (NUPAD), os demais grupos de pesquisa e cursos de
pós-graduação, especialmente os de Pediatria e de Clínica Médica, desenvolvem linhas de
pesquisas voltadas para educação em saúde, nosologias prevalentes e ensino médico.
A pós-graduação do Depto de Medicina Preventiva e Social apresenta três áreas de concentração, a
saber: Epidemiologia, desde 1994; Políticas de Saúde e Planejamento, implantada em 1999 e Saúde
do Trabalhador, a partir de 2001.
Fora da pós-graduação, esse Depto conta também com vários projetos que integram
ensino/pesquisa e extensão, com produção de conhecimento:
O Núcleo de Estudos da Mulher-NEMS, criado em 1988, atua com o propósito de agrupar estudos
psicosociais de saúde da mulher. Em nível de pesquisa, teve a seguinte produção até o momento:
“Gravidez em classes sociais distintas”; ”História da parturição no Brasil no século XIX”; “O
profissional obstetra em Belo Horizonte hoje” e “O sujeito feminino: um lugar que evoca a
reprodução”. Estes trabalhos foram financiados pelo CNPq e PRpq.
Encontra-se em fase de projeto o Observatório de Saúde Urbana, que deverá ser estruturado e
organizado pela incorporação de instituições de ensino e pesquisa em saúde da Cidade, com a
coordenação do Departamento de Medicina Preventiva e Social da FM/UFMG, em parceria estreita e
permanente com a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte e demais secretarias
municipais de saúde das cidades da região metropolitana.
Observação: outros projetos desse Depto estão listados no texto sobre educação permanente.
Embora ainda de forma não sistematizada e contínua, a Faculdade tem desenvolvido algumas
experiências significativas a partir da demanda dos gestores e em parceria com os profissionais do
serviço, com o objetivo de produção de conhecimentos para subsidiar políticas públicas do município
de Belo Horizonte.
Como exemplo pode ser citado o trabalho de pesquisa sobre modos alternativos de cuidado de
crianças de zero a seis anos, nas regiões economicamente desfavorecidas de Belo Horizonte,
intitulado: Cuidado na primeira infância: a realidade encontrada nos bolsões de pobreza de
Belo Horizonte. Este trabalho originou-se de uma demanda da Secretaria Municipal de
Desenvolvimento Social que necessitava de informações para subsidiar a política de atenção à
criança desta faixa etária, normalmente pouco conhecida por se encontrar em sua maioria ainda fora
do sistema educacional. O trabalho foi desenvolvido no período de julho de 1997 a dezembro de
2000. A pesquisa foi coordenada por um grupo do qual participaram, durante todo o processo,
professores do Departamento de Pediatria, do Departamento de Psicologia da FAFICH/UFMG, um
técnico da Pró-reitoria de Extensão, dois profissionais da Secretaria Municipal de Desenvolvimento
Social da PBH e seis alunos da Faculdade de Medicina, bolsistas da FAPEMIG. Em momentos
diversos do trabalho, participaram ao todo 30 alunos da Faculdade. Teve financiamento da
FAPEMIG, da Pró-Reitoria de Extensão e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. Os
resultados do trabalho foram motivo de seminários e oficinas promovidos por esta secretaria com
participação da Universidade. Resultou em uma publicação da SMS.
Além disso, a maioria dos grandes projetos de extensão que integram ensino, pesquisa e extensão
em atividades conjuntas com a comunidade e/ou secretaria municipais de saúde e outros órgãos da
administração pública e, também, os núcleos e o Pólo de Capacitação para o PSF realizam 4
pesquisas e/ou avaliações com produção de relatórios técnicos, como descrito mais adiante, dentro
do vetor educação permanente.
A Faculdade conta no momento com dois núcleos, órgãos complementares, com financiamento
próprio, que desenvolvem atividades de pesquisa, educação permanente, prestação de serviços,
assessoria e consultoria a municípios e Estado:
Núcleo de Pesquisas em Apoio Diagnóstico – NUPAD
É um órgão complementar de natureza interdepartamental, vinculado administrativamente à
Faculdade de Medicina da UFMG. Iniciou suas atividades em setembro de 1993, com o objetivo de
definir metodologias adequadas para a implantação e o desenvolvimento do Programa Estadual de
Triagem Neonatal de Minas Gerais, voltado para o rastreamento populacional de erros inatos do
metabolismo e hipotireoidismo congênito, propiciando amplo material de pesquisa e
desenvolvimento tecnológico na área de apoio diagnóstico, representando, dessa forma um grande
potencial para o desenvolvimento de atividades de pesquisa, extensão e ensino de graduação e
pós-graduação. Estas últimas vertentes ainda não se encontram adequadamente contempladas,
constituindo-se como meta imediata do Núcleo uma integração mais estreita com estas áreas.
A Faculdade de Medicina da UFMG, através do NUPAD, estendeu os benefícios do Programa
Estadual de Triagem Neonatal, garantindo tratamento e acompanhamento médico, com serviços
especializados a todas as crianças diagnosticadas como portadoras de hipotireoidismo congênito e
fenilcetonúria, fornecendo inclusive, medicamento adequado e dieta especial para o tratamento.
A partir de março de 1998, o NUPAD expandiu-se com a introdução do teste para a detecção da
doença falciforme, garantindo, também, o acompanhamento e o tratamento médico, tornando-se
pioneiro no Brasil, no oferecimento deste serviço em programas de screening neonatal com
tecnologia avançada e baixo custo.
Desde sua criação até o ano de 2001, através do Programa Estadual de Triagem Neonatal,
submeteu a exame de triagem, 1.938.663 crianças. Atualmente, as doenças rastreadas pelo
Programa encontram-se sob controle. A participação de 846 municípios dos 853 existentes no
Estado garante a 99,8% das crianças nascidas em Minas Gerais, a assistência necessária.
Além de ser o órgão executor do Programa Estadual de Triagem Neonatal, a partir de outubro de
1996, o NUPAD ampliou suas pesquisas com a implantação do Laboratório de Genética e Biologia
Molecular, tornando disponíveis para os serviços de atenção médica e programas de saúde pública
vários exames nessa área. Destaca-se o oferecimento de exames de detecção de paternidade por
análise de DNA a um custo bem inferior ao tradicionalmente praticado e, da mesma maneira, para
exames de citogenética e PCR (Polymerase Chain Reaction). Desta forma, a Universidade tem
contribuído para introduzir, no serviço público, técnicas avançadas de análises moleculares e
citogenéticas, com vistas ao elucidamento de problemas clínicos cotidianos da prática médica. Por
outro lado, esta iniciativa dota a Faculdade de Medicina/NUPAD de um poderoso instrumento de
apoio à pesquisa na área de pós-graduação e possibilita o desenvolvimento de modernas técnicas
de apoio diagnóstico adaptadas às condições reais de nosso sistema de saúde.
Núcleo de Pesquisa em Saúde Coletiva e Nutrição (NESCON)
Foi criado no ano de 1985 com o apoio do CNPq. Sua instalação se destinava basicamente a
reforçar a capacidade de investigação nas áreas da Saúde Coletiva e Nutrição realizando, nesta
primeira fase, uma série de cursos de metodologia científica e oficinas de desenho de projetos de
investigação.
Um segundo momento do Núcleo começou em 1986, a partir do que veio a ser conhecido como o
projeto dos “Núcleos Acadêmicos em Apoio à Reforma Sanitária”. Constatada a relativa
incapacidade das estruturas tradicionais de ensino da saúde coletiva de responderem às demandas
do processo de reformulação setorial, ao mesmo tempo em que se carecia de quadros que
pudessem formular as políticas de saúde que vieram a se consubstanciar na proposta do Sistema
Único de Saúde inscrito na Constituição, abriram-se perspectivas para estruturas acadêmicas ágeis
e comprometidas com a transformação do sistema de saúde.
5
As atividades até agora desenvolvidas por este Núcleo na esfera da capacitação de recursos
humanos serão descritas adiante, quando for abordado o vetor educação permanente.
No campo de desenvolvimento tecnológico pode-se afirmar que o NESCON foi um importante
laboratório para o aperfeiçoamento da Programação e Orçamentação Integradas e, posteriormente,
das Normas Operativas Básicas, instrumentos que definem as propostas pactuadas entre as três
esferas de governo para o financiamento e a gestão do setor saúde no país. Sua equipe de
pesquisadores, contando com bases de dados bastante atualizadas, está em condições de oferecer
apoio aos gestores de saúde em todos os níveis de governo.
Em relação à investigação, sempre houve, neste Núcleo, uma preocupação com aspectos de
avaliação de qualidade, eficiência e custo-efetividade dos serviços de saúde. Em 1997, em parceria
com a Organização Pan-Americana de Saúde, com financiamento do Banco Mundial, através do
Projeto Nordeste, o NESCON desenvolveu um projeto de Avaliação dos Postos de Saúde do
Nordeste Rural Brasileiro. Este projeto teve como objetivo a avaliação destes postos no contexto da
reforma institucional do setor saúde tendo em vista os seguintes processos transicionais em curso na
época: a transição da saúde do sistema das carências para o sistema dos direitos (e daí para o
sistema distributivo de bens); a transição epidemiológica e a transição demográfica.
Finalmente, vale lembrar que uma importante iniciativa de professores e ex-alunos da Faculdade é a
de publicar livros didáticos regularmente e que, na sua abrangência e qualidade, são adotados em
todo o país. Um levantamento recente comprova a produção de mais de 35 livros didáticos já
publicados, versando sobre diversas áreas de ensino médico.
Entretanto, entendemos que esta produção pode ser ainda considerada insuficiente:
quando comparada ao volume total de produção da Faculdade;
diante das potencialidades da mesma para desenvolvimento da produção teórica em
atenção básica, considerando a ampla e antiga inserção da Faculdade na rede pública de
saúde;
em relação ao número e qualificação do corpo docente e
em relação ao número de alunos da graduação e pós-graduação envolvidos na pesquisa.
Além disso, o processo de definição do conhecimento produzido, sobretudo, na Pós-graduação é
predominantemente aleatório, dependente da formação e do interesse de grupos e pesquisadores
isolados. Os trabalhos citados, algumas iniciativas isoladas e a maioria das pesquisas desenvolvidas
no NUPAD e NESCON constituem exceção, sendo a maior parte delas realizada sob demanda ou
em definição conjunta com os serviços municipais e estaduais de saúde.
Em síntese, consideramos que a Instituição, no que se refere à produção de conhecimentos
voltada para as necessidades do SUS, se encontra no estágio 2, mas com potencial de atingir,
em curto ou médio prazos, o estágio 3.
Imagem Objetivo
1. As linhas de pesquisa devem ser definidas com participação sistemática dos gestores, de forma
que o conhecimento produzido seja mais adequado às demandas e necessidades do SUS.
2. As linhas de pesquisa já existentes voltadas para a atenção básica de saúde devem ser
incrementadas.
3. Deve ser incentivada a criação de novas linhas de pesquisa que visem desvendar nós críticos
nos processos de implantação do SUS e de formação de médicos com perfil adequado para
atender nos diversos níveis deste sistema.
4. Deve-se incentivar a participação de profissionais do serviço e incrementar a participação dos
alunos nas pesquisas. Deve-se assegurar, nas mudanças preconizadas na graduação, tempo
livre ao aluno para maior participação em projetos de iniciação científica.
6
5. Os programas de Residência Médica nas áreas básicas devem ser reestruturados no sentido
de maior diversificação dos cenários de prática contemplando além das enfermarias do Hospital
os ambulatórios da própria instituição, da rede e práticas na comunidade. Devem ser orientados
também para a atenção primária em saúde, além do cuidado secundário e hospitalar. A
abordagem teórica e prática deve se orientar para a promoção, prevenção, tratamento e
reabilitação da saúde.
6. A orientação do processo seletivo e do ensino na residência deve levar em conta, dentre outros,
o impacto da residência sobre a graduação, no sentido de adequar o projeto da residência ao
projeto geral da instituição.
Operações visando à mudança
1. Pactuar com os gestores da Secretaria Municipal de Saúde e da Secretaria de Estado da
Saúde a sua participação sistemática nos órgãos de decisão da Pós-graduação e Pesquisa
de modo a assegurar a participação de profissionais do serviço e maior adequação entre a
produção de conhecimento e formação de profissionais e as necessidades de saúde da
população.
2. Realizar seminários de pesquisa e pós-graduação, com docentes, alunos e profissionais da
rede, com os objetivos de sensibilização e discussão das linhas de pesquisa prioritárias a
serem incentivadas no Projeto, tipo de incentivo preconizado, duração de projetos e formas
de avaliação do impacto obtido.
3. Implantar o projeto Observatório de Saúde Urbana, voltado para a pesquisa sistemática das
condições demográficas e epidemiológicas da população de Belo Horizonte como subsídio
para as atividades de planejamento da Secretaria Municipal de Saúde.
4. Avaliar as operações realizadas ao longo do processo.
Vetor II: Adequação da pós-graduação e oferta de educação permanente
Situação Atual
Na FM, a pós-graduação, estrito senso, data de, aproximadamente, 31 anos. Atualmente a
Faculdade conta com oito cursos de mestrados, nas áreas de patologia, medicina tropical, pediatria,
ginecologia e obstetrícia, gastroenterologia, clínica médica, cirurgia e saúde pública e oito de
doutorado nas mesmas áreas, além de cinco cursos de especialização na área de pediatria. O total
de alunos cursando a pós-graduação, no momento, é de 319.
Nos últimos anos tem havido um crescimento substancial da produção científica na Pós-graduação
com repercussão nacional. Considerando-se os últimos dez anos, a média de dissertações e teses
defendidas por curso variou de duas a oito por ano, num total aproximado de 545 defendidas nos
últimos 10 anos.
A inserção dos alunos de graduação nas pesquisas desenvolvidas na Pós-graduação tem crescido
nos últimos anos. Atualmente 84 alunos do ciclo profissional e 35 do Instituto de Ciências Biológicas
participam de pesquisas com bolsas de iniciação científica. Calcula-se que, aproximadamente, a
mesma quantidade de alunos participam como voluntários.
A Instituição já apresenta também, em nível de pós-graduação estrito senso, ofertas de cursos para
formação de especialistas em saúde pública e em saúde da família:
Curso de Especialização em Epidemiologia em Serviços de Saúde _20 vagas anuais.
Curso de Especialização em Gestão de Sistemas de Saúde_30 vagas anuais.
7
Curso de Especialização em Saúde da Família para as equipes do PSF: ofertado pela
Faculdade de Medicina e Escola de Enfermagem a partir de 1996, em parceria com a Escola
de Saúde Pública de Minas Gerais (ESMIG), com desdobramento na criação do Curso
Especialização em Saúde da Família da UFMG desde 1999, através da articulação do Pólo
de Saúde da Família _ UFMG. No ano de 2000, foram certificados 36 alunos. A partir do ano
de 2001, estão sendo oferecidas 1400 vagas em todo o Estado. O curso está sendo
realizado de forma descentralizada, em parceria com várias Instituições de Ensino no
Estado, coordenadas pela UFMG.
Curso de Especialização em Saúde da Família para os profissionais do Programa de
Interiorização do Trabalho em Saúde – PITS, através de convênio da UFMG/MS. Este curso
é financiado diretamente pelo MS e desenvolvido sob a Coordenação de Colegiado
composto por Coordenação Estadual do PITS/SESMG, PóloSF/UFMG, Coordenação do
CESF/UFMG, DRS dos municípios participantes do PITS do Norte e Nordeste de Minas
Gerais.
Projeto Veredas de Minas: com sede da secretaria na Escola de Enfermagem, vem
oferecendo, a partir do início de 2002, Curso de Especialização em Saúde da Família para
as equipes de Saúde da Família do Estado. São 17 turmas descentralizadas com um total de
680 vagas, nas cidades de Diamantina, Divinópolis, Governador Valadares, Teófilo Otoni,
Itabira, Sete Lagoas e Uberlândia. É desenvolvido em parcerias com a Faculdade de
Medicina e Escola de Odontologia da UFMG, ESMIG e Faculdade de Ciências Médicas de
Minas Gerais. O curso é coordenado por colegiado constituído de representantes das
instituições parceiras e financiado pelo Ministério da Saúde.
Curso de Especialização em Saúde da Família, oferecido pelo NESCON aos médicos e
enfermeiros das equipes do PSF em Belo Horizonte _ o BH VIDA. O curso encontra-se em
andamento para 23 turmas num total de 900 alunos. Realizado sob demanda e
financiamento da Prefeitura de Belo horizonte é coordenado por colegiado constituído de
representantes das instituições parceiras: NESCON, Faculdade de Medicina e Escola de
Enfermagem da UFMG e Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte; financiado por
esta última e pela OPAS.
Residência Multiprofissional em Saúde da Família, a ser iniciada no ano corrente. Oferecida
pelo Depto de Medicina Preventiva e Social e Escola de Enfermagem da UFMG em parceria
com a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG). Encontra-se em
processo de aprovação na UFMG.
Professores de vários Departamentos da Faculdade atuam nos cursos de Especialização em Saúde
da Família juntamente com professores da Escola de Enfermagem, da ESMIG e de Profissionais do
Serviço. Os Professores da Faculdade atuam, também, como orientadores de monografias e
supervisores dos trabalhos dos alunos do Curso de Especialização em Saúde da Família nas
equipes do PSF em Belo Horizonte.
Com relação à especialização sob forma de residência, o Hospital das Clínicas oferece 28 cursos
com um total de 95 vagas, sendo 42% delas destinadas às áreas básicas de clínica médica,
pediatria, ginecologia e obstetrícia, psiquiatria e medicina preventiva e social.
Apesar da grande produção na área, os cursos de pós-graduação, bem como a maioria dos cursos
de especialização e residência do Hospital das Clínicas, foram criados e são direcionados
predominantemente para atender as necessidades dos grupos de pesquisa e serviços de
especialidades sem análise de necessidades ou articulação com o sistema de saúde e sem uma
integração com o ensino da graduação. Como já apontado, constituem exceção os Cursos de
Especialização em Saúde da Família e a Residência Multiprofissional em Saúde da Família, cujas
diretrizes, conteúdo e método são definidos de forma integrada com as secretarias municipais e
Secretaria de Estado da Saúde.
Esse fato se reflete tanto na produção de conhecimento quanto na formação de profissionais e de
docentes.
Com relação à residência e cursos de especialização, embora a boa qualidade da maioria dos
programas forme egressos com repercussões positivas na atenção básica de saúde, há uma forte8
predominância de formação de especialistas, com enfoque teórico fragmentado, centrado na
percepção biológica do individuo doente, sendo a prática desenvolvida, em sua maior parte, no
âmbito hospitalar. Mesmo as residências das áreas básicas: clínica médica, pediatria, ginecologia e
obstetrícia e cirurgia concentram suas atividades na atenção terciária e quaternária. Outra vez,
constituem exceção os Cursos de Especialização em Saúde da Família e a recém criada Residência
Multiprofissional em Saúde da Família, cujo enfoque é voltado para a atenção básica de saúde e a
prática desenvolvida no próprio local de trabalho dos alunos, nas equipes do PSF. Por outro lado, o
processo seletivo para a residência, que constitui, para os alunos da graduação, um segundo
vestibular, é centrado na avaliação cognitiva de temas biológicos de forma aprofundada. Isso tem um
impacto sobre a valoração que o aluno dá aos diversos conteúdos e práticas do curso de graduação
e sobre o seu comportamento, sobretudo no internato, que passa a ser dirigido pelo objetivo de
ingresso na residência com prejuízo das atividades de internato nas clínicas básicas desenvolvidas
no último ano.
Com relação à formação docente, esta acontece de forma incipiente na Pós-graduação, sendo a
ênfase colocada sobre a pesquisa. Somando-se a atual política das IES de restringir a admissão de
professores àqueles com o título de doutorado e o processo de avaliação nos concursos de
admissão dos professores que dá grande peso à titulação e publicações, o corpo docente tende cada
vez mais a valorizar e se constituir de professores que se dedicam predominantemente à pesquisa. A
reflexão e adequações do ensino da graduação ficam relegadas a um segundo plano, tendendo a
perpetuar as distorções referidas, tendo como resultado a formação de profissionais com perfil pouco
adequado para atuar efetivamente na melhoria da saúde da população. Esta situação, embora
comum às várias IES, tem um significado particular na Faculdade de Medicina da UFMG. Devido à
reforma curricular e grande aumento do número de vagas ocorridos em meados da década de 1970,
grande parte do seu corpo docente ingressou nesta ocasião, estando, portanto, próximo da
aposentadoria. Muitos desses professores, embora sem capacitação pedagógica inicial,
desenvolveram interesse e experiência com a docência, na prática. A substituição dos mesmos por
professores novos, especialistas com alta capacitação técnica e de pesquisa, mas, sem uma
formação geral e sem capacitação pedagógica adequada poderá aprofundar a crise no ensino da
graduação já vivenciada há anos.
Em síntese, embora com grande produtividade, consideramos que a Pós-graduação da Faculdade
ainda não está direcionada suficientemente às necessidades de saúde da maioria da população, da
atual estruturação do SUS e nem às necessidades da graduação.
Com relação às atividades de educação permanente da Faculdade, as existentes são desenvolvidas
pelo Centro de Extensão (CENEX), pelo Pólo Saúde da Família/UFMG, pelo NESCON, pelo
NUPAD, pelo Centro de Informática Médica (CIM) e pelos diversos serviços do Hospital das Clínicas
e seus ambulatórios. Embora em quantidade ainda insatisfatória diante das potencialidades da
Instituição, são, em sua maioria, voltadas para a atenção básica de saúde e em parceria e integração
com as instituições da rede. Destacam-se por essas características alguns grandes projetos de
extensão do CENEX, as atividades de educação permanente do Pólo Saúde da Família/UFMG e do
NESCON.
Centro de Extensão – CENEX
Criado em 1976, esse setor é um órgão de apoio e incentivo aos trabalhos de extensão da
Faculdade. Vem desempenhando suas atividades, voltadas para o ensino e extensão,
através de cursos, jornadas, ciclos de conferências e outras atividades para a comunidade
universitária, profissionais de saúde e comunidade em geral. Em 2000 e 2001, 6976 pessoas
participaram dos cursos e eventos oferecidos pelo CENEX. No ano de 2001 foram
oferecidas aos profissionais da área da saúde 53 atividades, entre eventos, cursos de
atualização e projetos de intervenção na comunidade.
No momento, são as seguintes as atividades desenvolvidas com o apoio do CENEX:
1. Cursos de educação continuada em nível de atualização e aperfeiçoamento:
Tópicos em Educação Continuada: cursos de atualização presenciais,
predominantemente informativos, oferecidos pelos diversos departamentos, abertos
aos alunos de graduação e profissionais formados.
9
Jornadas, seminários, encontros, treinamento profissional, etc. organizados pelos
Departamentos e Núcleos da Faculdade.
2. Núcleo de Educação à Distância-NUCLEAD: criado em novembro de 2000, com a finalidade
de organizar as ações de educação à distância, utilizando os recursos de tecnologia já
existentes e os que venham a ser incorporados. Trata-se de uma estrutura operacional que
reúne organização, ações técnicas, divulgação, treinamento, administração e orientações
para a produção de conteúdos em saúde para o ensino à distância. Apóia-se,
operacionalmente, nas instalações e funcionamento do Centro de Informática Médica (CIM)
e do Centro de Extensão (CENEX). O Núcleo atua estimulando a produção de conteúdos em
formato eletrônico de cursos de iniciação ou de atualização, artigos de revisão para
profissionais e para leigos, consultorias à distância, diretamente através do CIM (página da
Internet) ou através de compradores externos (cessão de direitos). Este projeto apresentou
até o momento as seguintes atividades: Curso de Dengue, atualização 2001, com 1500
consultantes; Curso de Febre Amarela com aproximadamente 500 consultantes; Curso de
Câncer de Mama, em fase de execução.
Vale ressaltar a melhoria prevista de infraestrutura na UFMG, que beneficiará a pesquisa e projetos
de educação à distância. A Reitoria inicia este ano o Projeto CT Infra 3 da Finep, que tem entre seus
objetivos a melhora de infraestrutura de rede de informação para todas as unidades acadêmicas
visando ao aumento da velocidade de transmissão. É previsto que a liberação dos recursos para
este Projeto se inicie este ano e que seja complementado no próximo ano.
Além dos citados, o CENEX apóia e registra projetos e programas de intervenção, desenvolvidos
pelos Núcleos, Departamentos e Serviços Especiais do HC, cuja principal característica é a
integração ensino/pesquisa/extensão, a maioria envolvendo atividades de educação em saúde e de
educação permanente, integrados com outras unidades da UFMG e em parceria com outras
instituições, sobretudo, com secretarias municipais de saúde de Belo Horizonte e de cidades do
interior do Estado:
1. Programa de reorganização da assistência pública à criança asmática em Belo
Horizonte
Este Programa, também denominado “Criança que Chia”, foi implantado em 1996, com a
finalidade de melhorar a qualidade de vida da criança asmática, diminuir a morbimortalidade pela
doença, o afluxo de crianças aos serviços de emergência e hospitalizações. Resultou da parceria
entre a UFMG – Serviço de Pneumologia Pediátrica do HC e a Secretaria Municipal de Saúde de
Belo Horizonte. As principais estratégias utilizadas foram a educação das equipes de saúde, de
pacientes e familiares, a disponibilização de medicação inalatória, a integração entre assistência
básica, secundária e terciária em pneumologia, vinculando o paciente ao centro de saúde. Na
elaboração e implementação do programa foram envolvidas equipes de atenção básica e
secundária da rede municipal, técnicos de setores afins de nível central e dos distritos regionais
da Secretaria Municipal de Saúde e professores da UFMG. A educação permanente constou de
sensibilização e capacitação de quase a totalidade dos pediatras e enfermeiros da rede, que
atuam em nível de atenção básica e secundária, através de curso teórico/prático com períodos de
concentração e dispersão, possibilitando o treinamento em serviço e estágio no Serviço de
Pneumologia Pediátrica Do HC. Além disso, foram elaborados, em parceria com os profissionais
do serviço, protocolos para atendimentos das crianças com crise aguda e acompanhamento dos
pacientes asmáticos nos centros de saúde. Este projeto foi objeto de uma dissertação de
mestrado e uma tese de doutorado na pós-graduação da Faculdade de Medicina, realizadas por
profissionais do serviço, sendo um deles também docente do Depto de Pediatria.
Esse programa teve repercussão nacional pelos seus resultados na redução importante das
internações e atendimentos de urgência das crianças asmáticas, tendo sido positivamente
avaliado pela OPAS, no ano 2000, que destacou a participação da Universidade. Em dezembro
de 2000, recebeu o prêmio do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde, conferido
a experiências municipais exitosas em saúde.
2-Projeto Manuelzão
10
Resultado de reflexões pedagógicas e políticas sobre o Internato Rural da Faculdade de Medicina
da UFMG, o Projeto Manuelzão surgiu nesta Faculdade em janeiro de 1997, tendo evoluído para
uma proposição interdisciplinar, interinstitucional e transetorial, envolvendo população,
instituições e técnicos. É, atualmente, solidamente integrado ao conjunto da sociedade nos 51
municípios da área geográfica da bacia do Rio das Velhas.
Tendo como eixo temático saúde, ambiente e cidadania, o Projeto, coordenado pelo
Departamento de Medicina Preventiva e Social, vem aglutinando instituições governamentais,
empresas privadas, setores organizados da população, realizando pesquisas científicas,
elaborando diagnósticos e produzindo ações de mobilização social em torno de suas metas.
Dada a complexidade da questão ambiental, procurou-se organizar interinstitucionalmente,
interdisciplinarmente e intersetorialmente.
A proposta de trabalho do Projeto Manuelzão é de mobilização da população e de lideranças
políticas e empresariais pela revitalização da região da bacia hidrográfica do Rio das Velhas.
Essa proposta enquadra-se na concepção mais ampla de saúde correlacionada com o meio
ambiente, a cidadania e o desenvolvimento econômico e social, saudável e sustentável.
Além da prestação de assessoria às prefeituras e população da Bacia, 14 subprojetos são
organizados para viabilizar as diversas atividades técnicas, diagnósticos e produtos do Projeto.
Todos convergem para metas e objetivos comuns a partir de suas especificidades. Os que já se
encontram em atividade são:
Manuelzão Cuida do Esgoto: estudos e discussões com os municípios, a respeito
do funcionamento das estações de Tratamento de Esgotos (ETE);
Manuelzão Cuida do Lixo: incentivo e colaboração com programação da coleta
sistemática do lixo e mobilização social;
Manuelzão Vai à Escola: parceria com escolas municipais e estaduais nas cidades
da Bacia em torno de atividades pedagógicas voltadas para pesquisas e ações de
recuperação e preservação do meio ambiente;
Manuelzão faz Ciência: relação de pesquisas em fase de apresentação de
resultados, financiadas pelo Fundo Fundep;
Manuelzão Cuida da Assistência Médica: atendimento médico e estabelecimento
da correlação das doenças com o meio ambiente degradado e ausência de
saneamento básico;
Manuelzão SOS Rio das Velhas: em parceria com o Instituto Estadual de
Florestas-IEF, Polícia Militar, núcleos organizados da população, Ong's.
Manuelzão dá o Recado: Já na 20ª edição do jornal – 100.000 de tiragem por
edição.
Manuelzão Legal: coordena o convênio com a Procuradoria / Ministério Público.
Organização do trabalho na Faculdade de Direito da UFMG, envolvendo
estagiários e dando suporte às demandas nos municípios.
Manuelzão Bebe Água Limpa: condomínio de moradores da zona rural e bairros,
que protegem nascentes e cuidam solidariamente do uso adequado da água.
O projeto trabalha com os alunos do Internato Rural, alunos voluntários e 10 bolsistas de várias
áreas da UFMG.
3-Projeto Morada Nova
Este Projeto também coordenado pelo Departamento de Medicina Preventiva e Social tem por
objetivo atuar junto à comunidade de Morada Nova, no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, com
a finalidade de melhora da qualidade de vida da população. No ano de 2002, os adolescentes
foram colocados como foco do Projeto. Participam do trabalho professores e alunos de vários
períodos dos Cursos de Medicina e Psicologia da UFMG, professores e alunos dos internatos
rurais das mesmas unidades, alunos de outros cursos e outros internatos rurais da UFMG,
Equipes de Saúde da Família do Município, gestores municipais, além da população do
município, adolescentes, educadores e pais. No momento, conta com a participação de 19 alunos
sendo três bolsistas. Uma das estratégias utilizadas é a integração com o Programa de Saúde da
Família em cujas equipes, alunos e professores trabalham. O projeto implementa atividades de
desenvolvimento político e social, geração de renda e trabalho, desenvolvimento intelectual,
físico e artístico, controle e prevenção de riscos e recuperação de danos junto aos adolescentes 11
do Município. Além disso, desenvolve capacitação dos profissionais envolvidos, incluindo os
profissionais do serviço e adolescentes e atividades de pesquisa. Está em elaboração no
momento, pelo grupo, a pesquisa: “Riscos para a saúde do adolescente e suas determinações”.
4-Projeto "As gentes de Ibiaí”
Este Projeto tem as mesmas características do anterior sendo desenvolvido na cidade de Ibiaí,
localizada no Vale do São Francisco. Conta com a participação de 12 alunos, sendo dois
bolsistas. O Projeto propõe também a realização de pesquisa qualitativa/quantitativa sobre os
adolescentes da região.
5-Projeto Pirapora Adolescente
Trabalho desenvolvido no Município de Pirapora, Vale do Jequitinhonha, através do Internato
Rural, desde o ano 2000, com as mesmas características dos anteriores e do qual se originaram.
Os três projetos citados, junto com o projeto “Buritizeiro Adolescente”, em implantação no
município de Buritizeiro, constituem juntos o programa Elos de Desenvolvimento Sustentável do
Vale do Rio São Francisco, aprovado pela congregação da Faculdade de Medicina em setembro
de 2001. Esse Projeto tem alcance regional e procura contribuir para a integração de mais de 20
municípios na busca de desenvolvimento humano e ambiental. A inserção do aluno de medicina e
de psicologia da UFMG, na região e o trabalho com os adolescentes, também em nível regional,
constituem importantes tópicos deste Programa.
6. Projeto Ação junto aos sindicatos pela melhoria das condições do trabalho nos
setores de telefonia, informática, metalurgia e mineração.
Tem por objetivo conhecer e divulgar os diferentes estudos na área para permitir proposições ou
adaptação da regulamentação da proteção à saúde do trabalhador nos setores citados, criar
mecanismos de coordenação da informação, constituir estudos multicêntricos com criação de
linhas de pesquisa unificadas junto aos programas de pós-graduação e produzir textos
aprofundados na área. O trabalho é interinstitucional, coordenado pelo Departamento de
Medicina Preventiva e Social e desenvolvido em parceria com a rede UNITRABALHO, uma rede
interuniversitária de ensino, pesquisa e extensão sobre o trabalho e com os seguintes sindicatos
e instituições: SINTTEL, FENADADOS, SIND. MET. BH/CONTAGEM E FTIEMG. Participam do
projeto três alunos bolsistas da Faculdade de Medicina.
7. Projeto Atendimento Primário de Pacientes com Doenças Endócrinas: uma proposta
de aproximação/regional Nordeste.
Projeto interdisciplinar, iniciado em 1999, com participação de médicos, enfermeiros,
fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, assistentes sociais e dentistas. É
desenvolvido em parceria do Hospital das Clínicas, através do Serviço Especial de
Endocrinologia e Metabologia (SEEM) com a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, através dos
Centros de Saúde.
Tem por objetivo facilitar o acesso dos profissionais da atenção básica da rede ao SEEM,
promover e realizar a capacitação destes profissionais, reforçar o papel do SEEM de referência
na área para os pacientes do SUS, melhorando o sistema de referência e contrareferência,
desenvolver a interdisciplinaridade e trabalho em equipe e o modelo acadêmico de ensino
baseado em problemas, promover abordagem integral do paciente pelos profissionais da atenção
básica.
Esse projeto, além do atendimento direto do paciente referenciado, realiza as seguintes
atividades: consultoria presencial e à distância através de telefone, fax e e-mail, reuniões clínicas
mensais, estágio no SEEM para profissionais médicos e não-médicos que atuam no cuidado
básico, cursos em endocrinologia utilizando a metodologia da aprendizagem baseada em
problema, elaboração de manuais e cartilhas para os profissionais da rede, atendimentos e
capacitação para grupos operativos. Uma das metas para o ano de 2002 é o trabalho colaborativo
com o Pólo de Saúde da Família da UFMG.
12
Participam do trabalho professores do Depto de Clínica Médica e da Escola de Enfermagem,
profissionais das outras áreas citadas, profissionais dos centros de saúde e alunos do curso
médico. Além dos alunos que cursam a disciplina optativa de endocrinologia no 9º período de
medicina, num total de 72 alunos/ano, participam do Projeto um bolsista e 15 alunos voluntários,
sendo cinco deles monitores.
8-Projeto Lar dos Idosos
Existente desde 1987, este Projeto trabalha com instituições residenciais de longa permanência
para idosos. Atualmente, existem seis instituições conveniadas com a Faculdade para
desenvolvimento do mesmo, sendo cinco em Belo Horizonte e uma em Lagoa Santa, cidade da
região metropolitana de BH.
O Projeto, coordenado pelo Depto de Psiquiatria e Neurologia, realiza reuniões semanais para
discussão de casos clínicos e das demais atividades desenvolvidas, orientação de estudo dos
alunos e visitas semanais em grupo de alunos às instituições com atividades orientadas por
professores, ligados ou não diretamente ao Projeto, e por profissionais que trabalham nas
instituições. Participam do Projeto em 2002, 25 alunos, sendo três deles bolsistas.
9-Projeto Creche das Rosinhas: educação e saúde ano X
Este Projeto surgiu em 1992, quando os alunos da Faculdade de Medicina começaram a atuar
em creches comunitárias de Belo Horizonte. Logo depois foram iniciadas parcerias com os
cursos de Terapia Ocupacional, Psicologia e Fonoaudiologia. Atualmente, a disciplina optativa
Saúde e Educação em Creches é oferecida por este Projeto.
Coordenado pelo Depto de Pediatria, é desenvolvido em cinco creches comunitárias de Belo
Horizonte, através da atuação de grupos de alunos de graduação em medicina sob a
coordenação de estagiários bolsistas da Faculdade de Medicina e dos Cursos de Terapia
Ocupacional, Psicologia e Fonoaudiologia os quais atuam sob a supervisão de professores dos
departamentos envolvidos.
Participam do Projeto atualmente 105 alunos em atividade curricular, sendo seis bolsistas da
Faculdade de Medicina e sete das demais áreas.
Atualmente estão em andamento no Projeto três pesquisas: avaliação do Projeto, avaliação da
relação das creches com os centros de saúde e avaliação de peso e altura das crianças antes e
após as férias.
10. Projeto Cathivar: humanizando o atendimento de pacientes terminais em câncer e
AIDS.
Trata-se de um projeto coordenado pelo Depto de Medicina Preventiva e Social, iniciado em
2001, que propõe a integração entre ensino, pesquisa e extensão e é realizado com pacientes
terminais do Hospital das Clínicas e da Clínica Nossa Sra da Conceição. O Projeto de pesquisa
pretende compreender as representações sociais dos atores nas diferentes situações frente à
expectativa da morte, tal como são empiricamente vivenciadas pelos interessados, os que tratam
e os que são tratados nos ambientes sociais propostos.
Espera-se que este estudo possa contribuir para o debate sobre a humanização da atenção
médica e que aponte novas pistas de pesquisa sobre a temática dos cuidados paliativos e
expectativa da morte. Espera-se também que se constitua como experiência inovadora de ensino
e que possa sugerir mudanças no ensino médico, integrando o aprendizado em seus aspectos
clínicos, psíquicos e sociais. Além disso, o Projeto tem como objetivo identificar procedimentos
que possam ser introduzidos na atenção aos pacientes terminais. O público alvo é o corpo clínico
dos dois hospitais envolvidos, o Movimento de Humanização do Atendimento Hospitalar, o
Movimento de Reforma do Ensino Médico e o Movimento de Solidariedade a Pacientes Terminais
com Câncer e AIDS. Participam do Projeto, professores do Departamento de Medicina Preventiva
e Social e 6 alunos bolsistas da Faculdade de Medicina.
11-Projeto Educação, Pesquisa e Prática em HIV/AIDS.
13
Trata-se de um Projeto desenvolvido em parceria da UFMG, através das Faculdades de
Medicina, Enfermagem e Odontologia e a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte
através do Centro de Treinamento e Referências em Doenças Infecciosas e Parasitárias Orestes
Diniz (CTR/DIP), ambulatório de referência para o Estado em doenças infeccto/parasitárias e que
se constitui como cenário de prática para treinamento de profissionais da rede e para alunos da
Faculdade de Medicina e Enfermagem.
O projeto tem como diretrizes promover a articulação entre a Universidade, o Serviço de Saúde e
a sociedade; o trabalho interdisciplinar; a aprendizagem através da integração ensino/serviço; a
participação ativa dos estudantes; a abertura para a participação de outros profissionais,
instituições e organizações interessadas e a divulgação de informações e experiências.
Participam do trabalho professores das unidades envolvidas, profissionais de saúde do CTR/DIP
e alunos da graduação e pós-graduação da Universidade.
12-Projeto Menino no Parque/saúde menino no parque
O Projeto tem sede e desenvolve-se no Parque das Mangabeiras em Belo Horizonte. Tem caráter
interdisciplinar e visa ao estímulo à autovalorização de crianças e adolescentes de baixa renda
que habitam o entorno do Parque. Abrange uma população de 150 000 pessoas. Oferece
oportunidade do exercício de cidadania e geração de conhecimentos para as crianças e
adolescentes através de várias atividades, aprimorando a sua socialização. Foi implantado em
1993, em parceria com o governo do Estado, através da Secretaria de Esporte, Lazer e Turismo –
Projeto Curumim. Atualmente o convênio se faz com a Secretaria Municipal de Planejamento de
Belo Horizonte, responsável pelo seu financiamento.
O Projeto adota a linha pedagógica do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD),
que trabalha com a educação popular e desenvolvimento comunitário considerando a cultura
como instrumento pedagógico – Escola Livre. Todas as atividades são discutidas e decididas
pelos grupos de crianças e monitores/educadores.
O projeto, na área da saúde, tem como objetivo realizar diagnóstico de saúde das crianças,
desenvolver atividades de promoção de saúde integradas com os outros subprojetos (música,
teatro, circo, educação física), desenvolver nas crianças o autocuidado, preparar os
monitores/educadores para os primeiros cuidados em acidentes e promover educação preventiva
básica.
O subprojeto Saúde no Parque é coordenado pelo grupo de Pediatria Social do Depto de
Pediatria da Faculdade. Conta atualmente com dois alunos bolsistas.
13-Projeto Núcleo de Estudos da Mulher-NEMS
Criado em 1988, tem a proposta de reagrupar os estudos das mulheres e da saúde por
compreender que o tema estudos da condição das mulheres, da condição feminina, estudos da
mulher e, hoje em dia, estudos de gênero, são marcos teóricos conceituais de maior abrangência,
que os estudos em Saúde e Medicina.
O NEMS se propõe a formar profissionais da saúde sob esse prisma, oferecendo aos alunos do
curso de Medicina a disciplina Tópicos Especiais. Esta disciplina também é aberta, no formato da
educação continuada, para profissionais em geral, interessados na área. Haverá, em breve,
outras duas disciplinas optativas a serem oferecidas, intituladas "Estudos da Condição das
Mulheres", abordando em conjunto ou em separado três subtemas: violência; saúde e
desenvolvimento e "Comunicação em Saúde e Gênero". Em nível de extensão, suas propostas
objetivam fortalecer o conhecimento, autocuidados e participação ativa das mulheres na sua
saúde, marcando que saúde e cidadania encontram-se juntas nessa perspectiva.
Núcleo de estudos em saúde coletiva - NESCON
Uma das primeiras atuações deste núcleo na área de educação permanente foi uma série de cursos
que visava atingir profissionais dos serviços de saúde que habitualmente não tinham oportunidade
de se ausentarem de suas instituições. O primeiro deles foi o Curso de Aperfeiçoamento em
Planejamento de Sistemas Integrados de Saúde – CAPSIS. O NESCON assumiu a coordenação
nacional deste primeiro projeto e o executou em todos os estados do Norte e Nordeste do país –14
muitas vezes em parcerias com Núcleos locais, além de no próprio Estado de Minas Gerais. A seguir
veio o Curso de Aperfeiçoamento em Desenvolvimento de Recursos Humanos – CADRHU, o qual foi
inicialmente desenvolvido para mais de 12 unidades federadas, sendo responsável pela formação
de aproximadamente 2000 técnicos com uma qualificada visão sobre o complexo campo dos
Recursos Humanos.
Seguiram-se iniciativas similares para as áreas de Administração Hospitalar, Vigilância Sanitária,
Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana.
No segundo semestre de 1997, com o apoio do Fundo de Amparo ao Trabalhador - Ministério do
Trabalho - e Secretaria Estadual do Trabalho e Ação Social de Minas Gerais, o NESCON realizou um
conjunto de 18 cursos em distintas áreas, o que significou 42 turmas totalizando 806 alunos de nível
médio e superior capacitados. Em 1998, realizou 44 cursos num total de 1290 alunos. Estes cursos
foram especialmente desenhados de acordo com a demanda dos secretários municipais de saúde,
visando cobrir as principais lacunas em matéria de conhecimento para a gestão sanitária e para a
mudança do perfil profissional. Tal atividade passou a ser desenvolvida continuamente, a partir de
então.
A partir do processo de descentralização ocorrido no país, o NESCON voltou seu trabalho para um
conjunto mais ampliado de parceiros. Neste momento, as secretarias estaduais e municipais de
saúde constituem a sua principal clientela.Dessa forma, vem assessorando secretarias municipais
de saúde no seu processo de organização sanitária. Podemos citar Betim, Sacramento, Coronel
Fabriciano, Ipatinga, Patos de Minas e Belo Horizonte, entre outras.
Em sua carteira de projetos estão desde a introdução de novos gestores ao ideário SUS até o
desenvolvimento de modelo de atenção, sistemas de informação e assessoria em áreas como
financiamento, desenvolvimento de recursos humanos, montagem de redes assistenciais. O apoio
ao Ministério da Saúde para o desenvolvimento do Curso de Atualização em Gestão Municipal na
área de Saúde se enquadra dentro deste objetivo e pode ter potencializado o aperfeiçoamento do
SUS nas mais recônditas regiões do país.
Este projeto, iniciado no ano de 1997 e finalizado em julho de 1998, envolveu 19 estados das regiões
Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Com recursos financeiros oriundos do Projeto Nordeste, teve como
meta capacitar cerca de 1.461 secretários municipais de saúde destes estados. O NESCON foi a
instituição escolhida para prestação de assessoria técnica e pedagógica ao Projeto, tendo realizado
capacitação docente, envolvendo os professores dos diversos estados, com o objetivo de
atualizá-los nos temas do momento, tais como mecanismos de controle e avaliação, auditoria dos
serviços de saúde, financiamento e gestão municipal, modelo assistencial, consórcios e outros.
Esse trabalho demonstrou o enorme potencial e a necessidade de projetos de capacitação gerencial
ao ter tido 2.349 participantes, dentre eles 1.424 secretários municipais de saúde das três regiões
citadas.
No momento, o NESCON capacita, dentro do Projeto BH VIDA, 1008 profissionais (médicos e
enfermeiros) integrantes do Programa de Saúde da Família da Secretaria Municipal de Saúde de
Belo Horizonte, através do Curso de Especialização em Saúde da Família, com contrato firmado em
janeiro de 2002 e vigência prevista até 2004.
Pólo Saúde da Família/ UFMG
Em 1997, foi constituído na UFMG o Pólo de Capacitação, Formação e Educação Permanente para
Saúde da Família (PóloSF) para atuar em conjunto com a Secretaria de Estado da Saúde,
secretarias municipais de saúde e outras instituições do Sistema Único de Saúde e de formação de
recursos humanos na capacitação e formação de recursos humanos para o Programa de Saúde da
Família.
Atua no nível estadual, de forma articulada com a Secretaria de Estado da Saúde, qualificando
recursos humanos envolvidos com a estratégia Saúde da Família. Do ponto de vista da integração
com os serviços, o princípio básico é de articulação com a Secretaria de Estado da Saúde, através
de suas coordenações, em especial a Coordenação do PACS/PSF, e das Diretorias Regionais de
Saúde - DRS. O Pólo conta com a participação efetiva da Coordenadora Estadual do Programa 15
Saúde da Família - PSF em sua Secretaria Executiva. Assim, o Pólo estabelece a sua atuação no
nível local (municípios) em um planejamento conjunto.
Em suas atividades de capacitação, o Pólo promove, através de cursos, eventos e publicações, o
processo educacional dos profissionais integrantes das equipes de Saúde da Família (médicos,
enfermeiros, dentistas, Agentes Comunitários de Saúde-ACS), gestores e outros atores com a
finalidade de contribuir para a reorganização da atenção básica.
As principais atividades de capacitação desenvolvidas pelo Pólo são:
Cursos Introdutórios para as Equipes de Saúde da Família. Em 2001 foram capacitados
7401 profissionais. Estes cursos são realizados em parcerias com outras instituições
formadoras de recursos humanos do Estado (Escola de Saúde Pública de Minas Gerais,
Faculdade de Ciências Médicas, Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, Faculdade de
Medicina da Universidade de Montes Claros) e com instituições do serviço (Secretaria
Estadual e secretarias municipais de saúde).
Capacitação técnico–profissional: visa trabalhar áreas temáticas da atenção básica,
utilizando metodologias e/ou programas governamentais (Atenção Integral às Doenças
Prevalentes na Infância (AIDIPI), DST/AIDS, Hanseníase, Hipertensão, Diabetes Mellitus,
Etapas do Ciclo da Vida, Saúde Bucal). No ano de 2001, foram capacitados 56 profissionais
no AIDIPI e 32, no programa Hanseníase.
Capacitação de ACS e auxiliares de enfermagem: visa instrumentalizar estes profissionais
para sua prática diária, trabalhando os princípios do SUS, a cidadania, os princípios do PSF
e o trabalho em equipe. No ano de 2001, foram capacitados 2577 ACS e auxiliares de saúde.
Cursos em Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB): visa capacitar as equipes de
Saúde da Família em relação aos indicadores de saúde de sua comunidade adscrita,
permitindo o planejamento e o acompanhamento das ações. Em 2001, foi capacitado um
total de 69 profissionais.
Capacitação para o PACS: no ano de 2001 foram capacitados 47 enfermeiros.
Projeto de consultoria à distância para os profissionais das equipes de Saúde da Família:
disponibilização de consultoria à distância com especialistas das áreas básicas e em saúde
coletiva, da Faculdade e do Hospital das Clínicas, para os profissionais das equipes de
Saúde da Família do Estado; aberto também, para outros profissionais de saúde.
Atualmente, buscando consolidar o processo de descentralização das ações necessárias à
consecução de seus objetivos, o Pólo SF/UFMG optou por sistematizar um processo de
regionalização, ampliando o número de parcerias, fortalecendo a integração já existente com
algumas instituições e estabelecendo com outras.
Este órgão tem buscado uma articulação com projetos de base regional, especialmente da UFMG,
da qual os dois mais consolidados são: o Projeto Manuelzão - revitalização da Bacia do Rio das
Velhas e o Pólo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha - Programa ELOS. O terceiro
projeto, embora de maior dimensão na UFMG, abrange hoje, também, a Faculdade de Medicina do
Triângulo Mineiro e a Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, além da Universidade
Federal de Juiz de Fora. Trata-se do Programa de Estágio Regional (Internato Rural) - de estágio de
estudantes da área da saúde, no seu último ano de graduação, no interior do estado. O Pólo
SF/UFMG têm apoiado experiências de integração deste estágio com as equipes locais de saúde da
família.
Alguns projetos especiais foram implementados com o apoio e acompanhamento do Pólo em 2001,
em especial, a Supervisão e Consultoria à Distância, a organização da Associação de Profissionais
de Saúde da Família do norte de Minas (pelo Núcleo Montes Claros), o Projeto Vivência e o Projeto
Saúde com Cultura – coordenado pela FUNED/ESMIG.
Com a implementação dos núcleos regionais, o Pólo manteve como linhas de trabalho a integração
da estratégia de saúde da família na graduação, a formação de profissionais no nível de
especialização (pós-graduação lato senso), a capacitação de profissionais em cursos introdutórios e 16
cursos temáticos, a capacitação de Agentes Comunitários de Saúde e de enfermeiros
coordenadores no PACS, a produção e incorporação de tecnologias apropriadas e a integração com
os municípios e com as equipes de Saúde da Família. Do ponto de vista organizacional, essas
atividades não estão mais caracterizadas como subprojetos, mas perpassam todas as atividades do
Pólo e seus Núcleos. Outro aspecto importante foi a formalização da participação da área de
odontologia na Secretaria Executiva do Pólo.
As atividades do Pólo têm sido financiadas pelo recurso financeiro do REFORSUS,/ MS/ BID
repassado pelo Ministério da Saúde, administrado com a interveniência da FUNDEP, fundação de
apoio da UFMG. Uma contrapartida importante tem sido o apoio operacional da Universidade e suas
unidades, seja em áreas físicas, informática, custeio básico e transporte. Ressalte-se o compromisso
político, da administração central da mesma e das unidades acadêmicas, na implementação de
políticas pública de saúde.
Centro de Informática Médica (CIM)
Trata-se de um centro de apoio às atividades de informação e informática no curso médico, criado
em 1992 para atender a alunos, professores e funcionários. É o setor encarregado de sugerir
políticas de utilização da informática na Faculdade de Medicina e de gerenciar as atividades meio
para a clientela interna.
É franqueado a todos os alunos do curso médico e, também, aos professores e funcionários. Seus
computadores são integrados à rede da Faculdade, incluindo o prédio da biblioteca, com material
disponível para consulta pela rede. O CIM integra todo o campus da saúde à “Teia da UFMG” e à
Internet.
Os computadores do CIM, assim como os demais da Faculdade e do Hospital das Clínicas oferecem
condições para a realização de pesquisas bibliográficas no MEDLINE, no site PUBMED, ou no
conjunto de dados em CD-ROM da torre de CDs da biblioteca do campus.
O CIM administra um sistema de conexão extra campus, através de linha discada e modems.
Propicia assim, o acesso de professores, alunos e funcionários a partir de suas residências, aos
dados da página web da Faculdade e a toda a internet. A página internet da Faculdade foi criada e é
mantida pelo CIM. Provê informações para o cliente interno e para o público em geral, desde 1997.
Este Centro patrocina o desenvolvimento das atividades da disciplina optativa de Informática
Médica, oferecendo duas turmas por ano, com 20 alunos cada.
Outras disciplinas têm utilizado o CIM, como estratégia didática para consulta a dados na internet,
como a de Política e Planejamento de Saúde, que trabalha com dados do DATASUS e a disciplina de
Epidemiologia, ambas do Departamento de Medicina Preventiva e Social. Esta atividade, entretanto,
não tem sido desenvolvida adequadamente em razão da relação do número de alunos por
computador.
Com regularidade, são realizados cursos para treinamento em aplicativos de informática, para
alunos e funcionários interessados.
Uma de suas atividades de destaque constituiu-se na produção de vídeos em educação para a
saúde em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde dentro do “Projeto Sala de Espera”
Hospital das Clínicas
Atualmente, no HC-UFMG, as diversas especialidades médicas se organizam em Serviços
Especializados, com ambulatórios, enfermarias e centros de apoio diagnósticos. Várias destas
0
especialidades oferecem disciplinas optativas (total de 36) para os alunos do Curso Médico no 9
período e a maioria delas oferece treinamento especializado para residentes.
O Hospital recebe atualmente o Fator de Incentivo ao Desenvolvimento do Ensino e Pesquisa em
Saúde – FIDEPS, pelo qual assume, dentre outros, o compromisso de:
manutenção de atividades de aperfeiçoamento e treinamento em serviço na área de saúde e
afins;
integração comprovada, ao sistema estadual/municipal de referência e de contra referência,17
tanto hospitalar quanto ambulatorial e que estes serviços sejam utilizados para o ensino;
participação de Programas/Pesquisas e Ações Estratégicas propostos pelo Ministério da
Saúde e Secretaria Municipal de Saúde;
participação, como centro formador em recursos humanos, de projetos de capacitação em
recursos humanos da área da saúde da região, definidos pelos gestores.
A utilização do Hospital e seus ambulatórios, como cenário de práticas para os alunos de graduação
e a integração com o SUS, em tese, torna-o mais adequado a uma formação voltada para as grandes
necessidades da comunidade e do serviço. Entretanto, no que se refere ao paciente internado,
sobretudo, o Hospital, em razão de suas potencialidades e qualificações, acaba recebendo uma
clientela altamente selecionada.
Apesar das iniciativas neste sentido, como a inserção parcial nas centrais de regulação do Município,
as pesquisas e atuações na atenção especializada ainda não estão adequadamente integradas às
necessidades da saúde coletiva, da atenção básica ou do SUS.
Como atividade de educação permanente, além dos treinamentos realizados nos ambulatórios do
HC (serviços e grupos de especialidades) dentro dos vários projetos de extensão acima citados, tais
como: o Programa de Reorganização da Assistência Pública à Criança Asmática em Belo Horizonte
e o Projeto Atendimento Primário de Pacientes com Doenças Endócrinas, o Hospital realiza
treinamento em serviço para pediatras e obstetras do interior do Estado, em convênio com a
Secretaria Estadual de Saúde através de estágios no CTI Pediátrico e no Serviço de Ginecologia e
Obstetrícia, com o objetivo de capacita-los para atendimentos de partos e recém-nascidos de alto
risco.
Além destas atividades, encontra-se em estágio de implantação o Projeto Telemedicina, que tem
como finalidade a criação da Rede de Telemedicina de Belo Horizonte - BH TELEMED, articulando
diversas instituições assistenciais da área de saúde e de tecnologias de informação.
O objetivo é utilizar a telemedicina para melhorar a prestação de assistência básica nas unidades de
saúde de Belo Horizonte, através da utilização do potencial do Hospital das Clínicas, Faculdade de
Medicina, NESCON e Laboratório de Computação Científica (LCC/CENAPAD), instituições
pertencentes a UFMG, para discussão de casos clínicos e formação continuada em serviço dos
médicos que fazem atendimento nos Centros de Saúde da rede municipal. O projeto permitirá a
implantação de um sistema de segunda opinião médica com grandes especialistas que hoje prestam
atendimento no Hospital das Clínicas, utilizando tecnologias de informação, através da interligação,
via rede, das unidades básicas de saúde com o Hospital das Clínicas.
O projeto prevê também o estabelecimento de uma conexão com o Centro Hospitalar Universitário
(CHU) de Rouen, França, com o qual o Hospital das Clínicas mantém um acordo de cooperação
desde 1997, para a discussão dos casos nos quais a troca de experiências entre especialistas for
julgada necessária, estando estes eventos disponíveis, via rede, para todos os profissionais das
unidades de saúde.
Para a viabilização deste projeto, vários potenciais serão articulados: (1) o potencial desenvolvido de
integração na área de informática existente no Sistema Único de Saúde, particularmente o Cartão
Nacional de Saúde; (2) recursos que os procedimentos telemédicos propiciam: a telemedicina com o
intercâmbio on line da atividade profissional, compartilhamento da história clínica e dos resultados de
exames informatizados, tráfego de imagens radiológicas eletrocardiograma; (3) utilização de
recursos de telecomunicação, tais como distribuição compartilhada de videoconferências com
transmissão de imagem, dados e voz.
A telemedicina, definida como sendo o exercício da medicina à distância com ajuda dos meios de
telecomunicações, poderá modificar em profundidade as práticas médicas e a organização de
cuidados de saúde oferecidos à população. Este projeto constitui uma rara oportunidade de
aplicação dos potenciais de telemedicina para consolidar o sistema de referência e contra-referência
do Sistema Municipal de Saúde.
O objetivo geral da implantação da BH TELEMED é assim, a estruturação de uma rede telemédica
para atenção primária, contemplando sistemas de segunda opinião médica, a teleradiologia, a
transmissão de eletrocardiograma, além da educação continuada em serviço.
18
Os cursos e treinamentos, oferecidos pela Faculdade e HC, demonstram o enorme potencial da
UFMG no campo da educação continuada para médicos.
Reconhece-se, já há algum tempo, em Belo Horizonte, grande dificuldade dos gestores para
equacionarem a referência secundária às especialidades médicas. Se for verdade que estas
dificuldades ocorrem, em parte, por escassez de profissionais especializados na rede, não é menos
verdadeiro que um treinamento insuficiente em algumas áreas da medicina pode ensejar a
referenciação precoce ou inadequada além de baixo preparo e disposição para o cuidado de
pacientes contra-referenciados por serviços de especialidade. Os resultados são agendas
congestionadas nos serviços de especialidade por pacientes antigos que não obtêm atendimento
adequado nas áreas às quais se encontram adscritos, bem como ausência de vagas para novos
atendimentos. Acresça-se a isso, também, o congestionamento das agendas por casos de resolução
mais simplificada, ao alcance do médico geral.
A presença dos profissionais da rede nos Serviços Especializados do HC poderia trazer para dentro
do Hospital Universitário as necessidades mais imediatas de conhecimento dos médicos ligados à
atenção pública à saúde, ajudando a definir diretrizes de ensino, pesquisa e educação permanente.
O convívio dos alunos com estes médicos trará benefícios à sua formação, na medida em que
poderão conhecer a realidade de trabalho na rede pública, os principais dilemas e dificuldades
propedêuticas, terapêuticas e de condução dos cuidados aos pacientes vivenciados pelos médicos
que ali trabalham. Poderão, assim, montar suas “caixas de ferramentas” para o enfrentamento
destas questões, ainda com a presença dos professores e apoio da instituição universitária. O
estudante assim formado, ao fim de seu curso, poderia ser capaz de tolerar razoavelmente a dúvida
e de assumir responsabilidades pelo seu paciente, encaminhando-o em momentos precisos, quando
se encontra no limite do conhecimento. Poderia, também, estar pronto a recebê-lo de volta quando
dúvidas tenham sido resolvidas ou intervenções muito precisas realizadas por especialistas.
Entretanto, apesar do reconhecimento da importância da Faculdade e do HC na educação
permanente dos profissionais da rede, ainda, grande parte das atividades dos grupos e serviços
especiais é desenvolvida por professores e pesquisadores, algumas vezes sem integração com o
ensino, seja da graduação da Faculdade de Medicina, seja das demais unidades que têm o Hospital
das Clínicas como cenário de práticas ou dos profissionais da rede. Estas atividades constituem
ainda um potencial subaproveitado de educação permanente.
Consideramos que estes grupos e serviços poderiam ser mais ativos junto à rede, na prestação de
assessorias, consultorias e capacitação de profissionais para a solução dos problemas mais comuns
do serviço e da população, a exemplo do Projeto de Controle da Asma na Criança citado inicialmente
neste texto.
A integração do Hospital ao sistema de referência e contra referência da rede municipal e estadual,
com realização sistemática de contra referência, representa, também, um potencial de educação
permanente para os profissionais das mesmas. Entretanto, o seu funcionamento, neste sentido, está
ainda incipiente.
Assim, no que se refere à educação permanente, o HC e seus ambulatórios e serviços representam,
ainda, um potencial subaproveitado para os profissionais da rede. O mesmo se pode afirmar com
relação à elaboração de protocolos clínicos de atenção, em conjunto e para a rede e com relação à
integração no sistema de referência e contra-referência, importante instrumento de educação
permanente, que se encontra ainda em fase inicial.
Avaliamos que a Faculdade e o Hospital das Clínicas encontram-se, com referência aos cursos de
pós-graduação e educação permanente, no estágio 2 com inserções no estágio 3 e com potencial
para atingir, em médio prazo, o estágio 3, de forma plena.
Imagem Objetivo
1. A Educação Permanente deve ser considerada como um grande projeto extensionista da área
de saúde da UFMG. As diversas iniciativas já existentes devem ser registradas e
19
sistematizadas com o objetivo de potencialização, estímulo e racionalização de esforços e
recursos.
2. Deve haver ampliação e sistematização da contribuição da UFMG para a educação
permanente de profissionais da rede com o objetivo de capacitá-los para novas configurações
do modelo assistencial e para melhorar a qualidade e a resolubilidade de seu atendimento.
Para tanto, deve ser realizado, em parceria com a rede, o levantamento epidemiológico das
nosologias para as quais a rede pública apresenta baixa resolubilidade e cujo equacionamento
enseje maior impacto na morbidade, mortalidade, qualidade de vida e custos e o levantamento
das principais deficiências da rede no que diz respeito à formação de seus profissionais.
3. As atividades de educação permanente direcionadas aos profissionais da rede devem implicar
os vários serviços e grupos do HC e Deptos da Faculdade e serem definidas em conjunto com
os gestores, segundo as necessidades da Rede Municipal e Estadual de Saúde.
4. A integração ensino-serviço deve ser o eixo estruturador de todas as atividades desenvolvidas,
buscando capacitar os atores envolvidos para a análise e intervenção positiva na realidade das
instituições de ensino e do serviço.
5. As atividades de educação continuada, oferecidas, devem contemplar:
cursos de atualização, aperfeiçoamento e especialização;
estágios supervisionados nos ambulatórios e enfermarias do Hospital;
treinamento em serviço no local de trabalho do profissional;
cursos de educação à distância e semipresenciais;
consultoria à distância;
consultoria à distância, em tempo real, para os profissionais e alunos atuando na rede,
através de rede informatizada.
6. A inserção do HC no sistema de referência e contra-referência da rede deve ser reavaliada e
aprofundada de forma a se constituir como um instrumento de educação permanente para os
profissionais do serviço.
Operações visando à mudança
1. Assegurar formas de participação sistemática dos gestores nas definições e planejamento das
atividades de educação continuada a serem oferecidas pela Faculdade e Hospital das
Clínicas.
2. Formatar, junto com os gestores e profissionais da rede, projeto de treinamento em serviço
dos médicos da rede pública nos Serviços Especializados do HC-UFMG através de:
a. levantamento e adequação das competências e disponibilidades do HC-UFMG para
o treinamento em serviço, prevendo número de profissionais a serem treinados e a
periodicidade do treinamento, utilizando a estrutura dos Serviços Especializados,
juntamente com as disciplinas optativas e a Residência Médica;
b. prever e formatar a articulação do Projeto de Treinamento em Serviço com as
diversas iniciativas de cursos de educação permanente tais como os Cursos de
Especialização em Saúde da Família do PoloSF/UFMG e do BH VIDA;
20
c. levantamento dos custos e necessidades, prevendo eventual remuneração dos
professores envolvidos;
d. levantamento de eventuais fontes de recursos e estratégias para sua obtenção,
pactuando com os gestores formas de financiamento conjunta da educação
continuada dos profissionais da rede de forma a torná-la sistemática e
auto-sustentável.
3. Sensibilizar os vários setores do HC e Faculdade, através de seminários, campanhas de
divulgação e esclarecimentos, reuniões e atividades afins para as propostas de EP.
4. Reestruturar física e administrativamente ambulatórios e serviços de especialidade para
ampliação das ofertas de estágios dos profissionais da rede para educação permanente e
formação profissional.
5. Prover infraestrutura e capacitar docentes e funcionários para a oferta de cursos
semipresenciais ou à distância, ampliando o acesso às iniciativas já existentes.
6. Sensibilizar e capacitar docentes para supervisão no serviço e consultoria informatizada para
os profissionais da rede.
7. Concluir implantação do Projeto Telemedicina, articulado ao Projeto de Treinamento em
Serviço.
8. Reestruturar, após avaliação e sensibilização, os programas das residências básicas,
incluindo o seu processo de seleção.
9. Avaliar as operações realizadas, ao longo do processo.
21
EIXO 2: ABORDAGEM PEDAGÓGICA
Vetor I: Mudança Pedagógica
Situação Atual
Na década de 1970, a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais realizou
uma experiência de mudança educacional com base em estudos, pesquisas, análises internas e
externas que culminaram com um amplo movimento de transformação do ensino médico dessa
instituição e a implantação, em 1975, de um modelo curricular inovador e revolucionário para os
padrões de ensino médico vigentes à época que objetivava formar profissionais com habilidades
básicas para o atendimento da população.
Essa trajetória encontra-se expressa, fundamentalmente, no documento conhecido como Processo
de Desenvolvimento Curricular em Educação Médica (PDCEM) – UFMG.
Os princípios e objetivos que norteiam o ensino na Faculdade de Medicina da UFMG, desde 1975,
baseiam-se na idéia de que o profissional adquira, ao longo do curso, “habilidades básicas para obter
do indivíduo e da comunidade, o reconhecimento de suas necessidades de saúde e para atender a
elas sob a forma de cuidado primário, em colaboração com o sistema de saúde e que o currículo
deve ser flexível para ajustar-se à realidade de saúde e articular-se não só com o ensino de
pós-graduação, mas prolongar-se sob a forma de educação permanente”). Desta forma foram
considerados para o desenvolvimento curricular:
-a inserção nos serviços de saúde, não-restrita aos internatos e que possibilitasse ao aluno
integrar os conteúdos de ciências sociais, humanas e de saúde, na atenção integral ao
indivíduo e à comunidade;
-a flexibilidade do currículo para garantir a individualidade vocacional ao futuro médico e
permitir a introdução de temas emergentes na sociedade;
-a compreensão dos aspectos biológicos, ecológicos, sociais e comportamentais, em nível
individual e coletivo, do processo saúde-doença;
-o ensino eminentemente prático, em pequenos grupos supervisionados;
-a oportunidade de trabalhar em equipe multiprofissional;
-a garantia do contato precoce do estudante com a realidade de saúde do país em nível
individual, familiar e comunitário.
No momento da reforma, a proposta rompia com o enfoque exclusivo da formação em unidades de
internação e incluía a inserção do aluno nos Serviços de Saúde a partir do quinto período, em
atividades ambulatoriais.
No decorrer dos últimos 20 anos, o ensino da Faculdade de Medicina teve avanços e retrocessos. O
processo de desenvolvimento curricular vem sendo acompanhado e avaliado periodicamente, mas
as distorções e os obstáculos detectados nem sempre foram corrigidos ou superados, passando por
fases de adaptação e/ou acomodação. Após avaliações e discussões sucessivas, houve atualização
de conteúdos, em 1993, com a efetivação das atividades nos Centros de Saúde da Rede Municipal,
a antecipação da inserção do estudante de medicina nos serviços, a partir do quarto período e a
inclusão de estágios curriculares, em serviços especializados de atendimento secundário.
Assim, com relação à inserção do aluno de medicina da UFMG na prática profissional, os alunos do
primeiro período, na disciplina de Ciências Sociais Aplicadas à Saúde, têm a oportunidade de visitar
áreas de abrangência de Centros de Saúde, ligados ao Projeto Manuelzão, para estudo da
percepção da comunidade sobre problemas locais. Infelizmente, esta prática representa uma carga
horária de 20 horas, no total de 1680 horas do primeiro ciclo. Com relação à inserção nos serviços de
saúde, esta se inicia, atualmente, no quarto período, com a disciplina de Prática de Saúde A,
22
desenvolvida no Hospital das Clínicas, que tem como objetivo integrar o aluno ao processo
educacional/assistencial desenvolvido no serviço ambulatorial e hospitalar do HC, conscientizar o
graduando da necessidade de um trabalho interdisciplinar e de equipe, visando a uma aproximação
com a realidade de saúde. Nessa disciplina, os alunos têm oportunidade de um primeiro contato com
o funcionamento de um Hospital, sua infra-estrutura e serviços de apoio, tais como laboratórios,
SAME, Biblioteca, Serviço de Nutrição e Dietética, Serviço Social, Farmácia, Esterilização sendo,
também, iniciado em procedimentos da área de enfermagem em enfermarias, ambulatórios e
laboratório de simulação. Essas atividades têm continuidade na disciplina de Prática de Saúde B no
5º período, já no ciclo profissional. Do ponto de vista da avaliação dos alunos, a disciplina poderia ser
melhorada com sua inserção mais efetiva na rotina do trabalho do Hospital diminuindo o sentimento
de inadequação e rejeição por parte dos profissionais do Hospital.
A partir do quinto até o nono período, as disciplinas clínicas são desenvolvidas com atuação direta do
aluno junto ao paciente, em grupo de 10 estudantes com supervisão do professor, nos ambulatórios
próprios do Hospital das Clínicas, atualmente integrado ao SUS, e nos ambulatórios da Rede
Municipal de Saúde, em centros de saúde. A partir do décimo período, a inserção do aluno se faz,
predominantemente, em internatos hospitalares no Hospital das Clínicas e em outros hospitais
conveniados da rede municipal e estadual de saúde, incluindo os serviços de urgência e emergência,
sempre sob supervisão de docentes do curso.
Um ponto alto do internato é a inserção do aluno, durante um período de três meses, em serviços
municipais de saúde de várias pequenas cidades do interior do Estado, com atuação em zona rural e
urbana. Este estágio, inicialmente denominado Internato Rural, tem a seguinte trajetória:
Em decorrência do novo currículo médico implantado na Faculdade de Medicina da UFMG, os
serviços de saúde, particularmente os públicos, passaram a ser reconhecidos como parceiros da
Universidade na educação médica. Após a implantação do Internato Rural em 1978, uma das mais
antigas experiências de integração docente-assistencial existente no país, o Sistema de Saúde
torna-se um local privilegiado de trabalho. A disciplina completa, este ano, 20 anos de existência e,
durante todo este período, apesar das várias dificuldades vividas, ele representa o maior, mais
permanente e sólido programa de ensino/extensão da universidade brasileira.
A disciplina, hoje denominada Internato em Saúde Coletiva, é obrigatória e se desenvolve em
o
rodízios trimestrais sucessivos, com alunos do 11 período. A carga horária é de 330 horas,
atendendo 80 alunos por trimestre. Alunos em situações particulares, tais como, alunos casados,
com filhos, encargos familiares ou casos de doença grave na família fazem estágios na Região
Metropolitana de Belo Horizonte. Os demais alunos organizam-se em duplas que são designadas
para as cidades do interior do Estado. Cada localidade recebe dois ou quatro alunos a cada
trimestre. O atendimento ambulatorial é uma parte das atividades desenvolvidas pelo Internato
Rural, que também prevê outras atividades médico-assistenciais, tais como palestras e formação de
grupos de hipertensos, diabéticos, gestantes e outros; trabalhos em creches; atividades
relacionadas ao meio-ambiente e à organização do Sistema de Saúde.
Trimestralmente, reúnem-se todos os alunos para avaliação da disciplina, com a presença dos
supervisores, sendo regularmente convidados o Diretor e Vice-diretor da Faculdade de Medicina,
Coordenador do Colegiado de Curso Médico e Chefes de Departamentos da Faculdade de Medicina.
Além dessas atividades de avaliação, ao final do estágio, todas as duplas apresentam relatório no
qual avaliam seu estágio, as condições de trabalho, as atividades desenvolvidas e a supervisão
recebida em termos de periodicidade, qualidade e eficiência.
Além das inserções curriculares apontadas, a Faculdade oferece atividades extracurriculares bem
estruturadas proporcionando ao aluno contato e atuação em cenários diversificados da prática
profissional. Estas atividades extramuros da Faculdade de Medicina da UFMG são desenvolvidas
principalmente a partir do terceiro ano, atuando em creches, escolas, indústrias, unidades básicas de
saúde e hospitais.
Dentre as atividades extracurriculares desenvolvidas pelos alunos da FMUFMG podemos citar
vários projetos descritos com maiores detalhes dentro do eixo produção teórica:
Projeto Manuelzão
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Projeto Creche das Rosinhas
Projeto Lar dos Idosos
Projetos Morada Nova e As Gentes de Ibiaí
Projeto CATHIVAR: humanizando o atendimento em câncer e AIDS
O quadro que se segue sintetiza as possibilidades curriculares e extracurriculares de inserção dos
alunos nos vários períodos do Curso, bem como a proposta de extensão para os três primeiros
períodos:
Inserção em Períodos
Serviços de 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Saúde
Curricular Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim
Extramuros Sim Sim Sim Sim Sim
Extracurricular/ Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim
Extensão
A implantar X X X
A Faculdade vem, além disto, realizando estudos, em caráter de experiências piloto, objetivando
mudanças no ensino, de forma a atingir os princípios abraçados em sua grande reforma curricular de
1976, a saber:
De 1998 a 2000, o Departamento de Medicina Preventiva e Social, com apoio da PROGRAD,
implantou seu Programa de Aprimoramento Discente (PAD) intitulado Universidade e Serviço
caminhando juntos. Trata-se de programa que integrava o ensino, pesquisa e extensão
flexibilizando e diversificando o processo de formação, com o objetivo de iniciar alunos na atividade
de ensino e pesquisa em equipe, no campo das práticas de saúde pública e vincular o aprendizado
profissional aos problemas da realidade social. Os alunos integraram-se às equipes do Programa de
Saúde da Família do município de Santa Luzia, na RMBH, onde atuaram segundo, principalmente, a
metodologia da observação participante. A equipe de professores e de alunos realizava reuniões
semanais, quando eram relatadas e discutidas as questões levantadas nas atividades de campo. A
experiência revelou-se uma estratégia de formação de profissionais diferenciados, capazes da atuar
frente aos determinantes dos problemas de saúde pública do país. O retorno das percepções dos
alunos às equipes do PSF mostrou-se construtivo para os serviços, como elemento de
reconhecimento do seu trabalho. Como projeto de ensino, este programa vem afirmar a relevância
da vivência das realizações das políticas de saúde, como estratégia para formar profissionais
capazes de trabalhar em equipe e problematizar as situações.
Desde 2000, o Colegiado do Curso de Medicina vem participando de experiência pioneira, que
integra cinco outros cursos da área de saúde: Odontologia, Enfermagem, Terapia Ocupacional,
Fisioterapia e Fonoaudiologia com o objetivo de elaborar um projeto pedagógico, construído
coletivamente, centrado no aluno como sujeito da aprendizagem e apoiado no professor como
mediador do processo, que capacite os estudantes para atuação na atenção básica, numa
perspectiva interdisciplinar e multiprofissional. O projeto intitulado “Formação de estudantes da
área da saúde para atuação multiprofissional/interdisciplinar na atenção básica” utiliza
metodologia problematizadora e atua na área de abrangência do Centro de Saúde Lagoa, situado na
Região Administrativa de Venda Nova, onde vem estabelecendo estratégias de intervenção voltadas
para a promoção da saúde de caráter interdisciplinar e multiprofissional articuladas com o setor
público.
Além destes projetos, o Diretório Acadêmico Alfredo Balena (DAAB), através de sua Coordenação
de Saúde Pública, articulou um espaço de trabalho com a Sociedade São Vicente de Paula em
comunidades da periferia de Belo Horizonte com alunos do Ciclo Básico, a fim de construir um piloto
que ajude a entender as implicações de uma inserção precoce. O projeto aguarda pela
responsabilização dos professores envolvidos com o processo de reforma do ensino para construir
suas bases teóricas e alimentar sua prática para as necessidades da população atendida.
24
No VII Seminário de Avaliação do Ensino de Graduação, realizado em 1999, uma das decisões
aprovadas na plenária final foi a necessidade da inserção imediata do estudante nos serviços de
saúde, ainda no primeiro período do curso. Na oficina programada para discutir a integração do Ciclo
Básico com o Ciclo Profissional, evidenciou-se que nos dois primeiros anos do curso, o aluno fica
praticamente privado do contato com a prática profissional, sendo levado a priorizar os aspectos
teóricos essencialmente biológicos do curso. Após dois anos no Instituto de Ciências Biológicas, o
estudante, já alienado em relação às necessidades sociais, inicia o ciclo profissional, no qual a tão
sonhada prática médica é abordada. Mesmo que, a partir do terceiro ano, ocorra a inserção nos
serviços de saúde, quando o atendimento de pessoas doentes nos vários cenários de prática passa
a ser a rotina, verifica-se que as ações de promoção de saúde são desconhecidas ou negligenciadas
pelos alunos e professores em detrimento das atividades assistenciais.
Outra questão apontada é o fato de que apesar de estarem numa universidade e, tanto o Hospital
das Clínicas quanto muitos centros de saúde da rede municipal funcionarem como o mesmo campo
de prática de vários outros cursos de graduação, os estudantes não terem oportunidade de interação
com os alunos de outras áreas, o que dificulta a realização de um futuro trabalho em equipe,
essencial na abordagem do indivíduo na sua totalidade.
Uma atividade curricular que aborde a promoção de saúde, o contato com a comunidade, o trabalho
em equipe e o conhecimento do atendimento básico à saúde, introduzido no primeiro período do
curso médico, seria uma alternativa para iniciar a mudança do perfil dos futuros profissionais,
tornando-os mais humanizados e capazes de não somente cuidar do doente, mas também de
promover saúde e cidadania.
Portanto, as experiências extramuros e extracurriculares vivenciadas por tantos alunos deveriam ser
estendidas a todos os estudantes, assim que entram no curso, numa proposta que os capacite para
atuação na atenção básica, numa perspectiva interdisciplinar e multiprofissional, propiciando a
apreensão das relações entre a sociedade, o processo saúde-doença e a medicina; a identificação
da diversidade de condicionantes biopsicosócioculturais do adoecer e o diagnóstico dos principais
problemas de saúde de uma localidade, bem como de seus determinantes e possíveis formas de
superação.
Com relação à metodologia de aprendizagem, o ensino da Faculdade, de um modo geral, pode ser
considerado eminentemente prático e inovador, no ciclo profissional, a partir do quinto período do
Curso, que engloba o ciclo propedêutico, o ciclo ambulatorial e internatos.
Nesses, os alunos têm atividades, sobretudo, de assistência junto aos pacientes em cenários
diversificados, sendo incentivados a responsabilizar-se pelos mesmos. Procura-se assegurar um
acompanhamento do paciente pelo aluno, que permita a formação de vínculo e consciência dos
resultados. As aulas magistrais foram substituídas por discussão em pequenos grupos, seja de
assuntos pré-definidos referentes à nosologia regional prevalente, seja dos casos clínicos atendidos
pelo aluno. É prevista atividade prática em cerca de 75% da carga horária do aluno.
No ciclo básico, embora predominem as aulas expositivas para grandes grupos, pode-se apontar
alguns avanços, não-sistematizados ou generalizados a todas as disciplinas:
o uso da aprendizagem baseada em problema na disciplina de Microbiologia com
resultados positivos;
o substituição de aulas magistrais por discussão em pequenos grupos. em algumas
disciplinas(GD);
o realização de seminários e apresentação de painéis pelos alunos como forma de ensino
e aprendizagem;
o palestras de professores do ciclo profissional sobre doenças que ilustram bem a
aplicação do conhecimento básico em questão;
o promoção de visitas dos alunos a hospitais e outros lugares da prática profissional;
o ensino sobre pesquisa bibliográfica em bibliotecas reais e virtuais;
25
o simulação de práticas em fisiologia e estudo de neuroanatomia em imagens das peças
reais do laboratório disponibilizadas na home page da disciplina;
o avaliação informatizada na parte de neurofisiologia da disciplina de fisiologia;
o atividades práticas em laboratórios, em todas as disciplinas.
Entretanto, embora a Faculdade tenha conseguido estabelecer avanços metodológicos ao longo das
duas décadas após a reforma da década de 1970, nas quais persistiu o processo de
desenvolvimento curricular, esses não se estenderam a todo o curso, tendo havido mesmo alguns
retrocessos. Podem-se identificar. atualmente, problemas em pontos estratégicos, que serão
analisados a seguir de acordo com os ciclos, modo pelo qual o curso se estrutura até o momento.
Ciclo Básico
Existe ainda, um ciclo básico, com duração de dois anos, assentado sobre o conceito de que o
aprendizado da medicina ou o contato com a prática profissional deva ser precedido dos
conhecimentos básicos de aplicação na área.
Fazem parte deste ciclo as seguintes disciplinas:
Bioquímica Celular Anatomia Médica I Biofísica Aplicada à Medicina
Citologia e Histologia Geral Embriologia Médica Fisiologia Médica
Anatomia MÉdica I Psicologia Médica Farmacologia Médica I
Ciências Sociais Aplicadas à Genética e Evolução Praticas de Saúde A
Saúde Imunologia Médica Microbiologia Médica
Histologia Especial Médica Química Fisiológica Patologia Geral
Neuroanatomia Médica Estatística Parasitologia Médica
Este ciclo ainda não é associado, didática e administrativamente, ao ciclo profissional. Como na
maior parte das disciplinas de todo o Curso Médico, não existe, ainda, uma integração entre as suas
disciplinas. A ênfase das mesmas é dada na abordagem teórica, ressalvando-se as experiências
listadas acima e descritas no vetor integração ciclo básico/ciclo profissional. Freqüentemente,
abordam temas muito específicos, para grandes grupos de alunos, com pouca adequação às
especificidades do curso médico, devido em parte à formação dos professores, em sua maioria, não
médicos, pesquisadores nas áreas básicas.
Embora os professores apresentem excelente nível técnico/científico em suas áreas, o conteúdo
ainda é fragmentado, restringindo-se muito ao enfoque biológico. O ciclo oferece nos três primeiros
anos, três disciplinas chamadas integradoras: Ciências Sociais Aplicadas à Saúde, Psicologia
Médica e Práticas de Saúde. Entretanto, as avaliações feitas por alunos e professores e nos
Seminários de Ensino têm apontado que o objetivo de integração não tem sido alcançado. Além
disso, também neste Ciclo, há sobrecarga do tempo do aluno e a avaliação é somativa e baseada,
predominantemente, nos aspectos cognitivos da aprendizagem. Uma avaliação mais aprofundada
destas questões será apresentada no vetor integração ciclo básico/ciclo profissional.
Na Faculdade de Medicina o Ciclo Profissional é composto pelos Ciclo Propedêutico, Ciclo
Ambulatorial e Internatos.
Ciclo Propedêutico
Estende-se do 5º ao 6º período do curso e engloba as disciplinas de Anatomia Patológica I e II,
Farmacologia Médica II, Técnica Cirúrgica, Prática de Saúde B, Semiologia Médica I e II, Semiologia
e Nosologia Psiquiátrica, Epidemiologia, Patologia Clínica I e Radiologia I.
O VII Seminário de Ensino, realizado na Faculdade em novembro de 1999, apontou que, também,
neste ciclo persiste a não integração entre as disciplinas. 26
O ensino da Semiologia é realizado através de discussões e trabalhos em pequenos grupos, em
situações reais de ambulatórios e enfermarias. Embora orientado numa concepção de medicina
geral, ainda é parcialmente fragmentado por especialidades o que pode provocar uma visão
distorcida da prática, com valorização excessiva de equipamentos e tecnologias em detrimento da
história clínica, exame físico e da relação médico paciente. O laboratório de simulação ou de
habilidades profissionais não é sistematicamente usado para a aprendizagem de procedimentos
invasivos ou constrangedores para o paciente.
Um outro ponto crítico apontado é a persistência, em algumas disciplinas deste ciclo, do ensino
baseado somente na transmissão de informações em aulas teóricas, por exemplo, farmacologia e
saúde mental. Além disso, verifica se, em outras ocasiões, a existência de conteúdo informativo
excessivo, ministrado em aulas expositivas para grandes grupos e práticas em laboratórios,
dissociadas da prática clínica e das demais disciplinas.
Outra vez a avaliação do aluno é centrada na verificação de memorização de informações, embora
seja introduzido aqui o conceito do professor sobre o desempenho do aluno, durante as suas
atividades junto ao paciente e nas discussões em pequenos grupos (GD). Este conceito, entretanto,
baseia-se em impressões gerais e individuais de cada docente sem uma verificação sistemática e
dirigida de avaliação de habilidades e atitudes e sem um retorno sistemático ao aluno que pudesse
promover o seu crescimento pelo reconhecimento de seus avanços e correção de suas falhas.
Ciclo Ambulatorial
Este ciclo engloba as disciplinas de: Medicina Geral de Adultos I, Ginecologia e Obstetrícia I,
Medicina Geral de Crianças I, Patologia Clinica II, Psicologia Médica Aplicada, Cirurgia Ambulatorial,
Medicina Geral de Adultos II, Ginecologia e Obstetrícia II, Política de Saúde e Planejamento,
Medicina Geral de Crianças II, Clínica Cirúrgica, Saúde do Trabalhador e Carga Optativa.
O modelo pedagógico atualmente predominante nas atividades clínicas que predominam neste Ciclo
e nos Internatos (7º ao 12º período) consiste em assistência a pacientes em cenários diversos, sob
supervisão, com discussão em pequenos grupos dos casos atendidos e de temas prevalentes,
previamente estabelecidos pela disciplina. Os grupos são constituídos por 10 alunos orientados por
um professor. Entretanto, apesar de ser uma metodologia avançada, as discussões nos grupos
ainda permanecem predominantemente centradas no professor que, em várias situações, assume a
função de “repassador de informações” para o aluno. O enfoque, idealizado como biopsicosocial e
com intervenção nos vários níveis de atenção à saúde, atém-se, na maior parte das vezes, à
prestação de assistência com enfoque biológico mesmo quando realizada nos ambulatórios da rede,
sendo o aproveitamento deste cenário para o aprendizado das atividades de promoção, prevenção e
organização dos serviços de saúde subaproveitados.
As estratégias pedagógicas da Faculdade, no sentido de aglutinar e articular os conteúdos das
disciplinas deste Ciclo - clínica médica, pediatria, gineco-obstetrícia e cirurgia, saúde mental e saúde
pública, nem sempre obtêm sucesso em decorrência da força da organização das especialidades no
mercado. Na prática, o repasse de conhecimento e o treinamento em serviço ainda ocorrem,
respectivamente, influenciados pelos conhecimentos das técnicas diagnósticas e terapêuticas em
uso na especialidade do professor, em aulas teóricas e atividades práticas em enfermarias e
ambulatórios, centrados num enfoque predominantemente assistencial.
A avaliação é pouco coerente com a proposta, sendo baseada, em grande parte, em provas de
múltipla escolha para avaliação dos aspectos cognitivos. A avaliação formativa não é feita
sistematicamente e de forma organizada. O aluno recebe um conceito geral do professor pelo seu
desempenho nos GD’s e assistência ao paciente. A avaliação de habilidades e atitudes somente
agora começa a ser implantada de maneira experimental, pela Comissão Permanente de Avaliação,
em funcionamento há cerca de dois anos.
Internatos
Os Internatos têm por objetivo geral possibilitar ao aluno adquirir habilidades na abordagem de
pacientes internados em hospital geral em relação aos aspectos propedêuticos, terapêuticos, éticos
e humanitários.
27
Os internatos ocorrem de forma contínua durante todo o ano, nos dois últimos anos do curso. As
suas atividades de ensino são organizadas em estágios nas especialidades básicas: clínica médica,
cirurgia geral, tocoginecologia, pediatria, urgências e emergências e saúde coletiva. Atualmente, os
internatos, na maior parte do tempo são desenvolvidos no Hospital das Clínicas e em hospitais de
referência no Estado, onde predominam algumas áreas do atendimento médico, por exemplo, o
Centro Geral de Pediatria, com ênfase nas doenças infecto-contagiosas e o Hospital Estadual de
Pronto Socorro João XXIII, com intenso movimento em urgências e em traumatologia. O Internato
em Saúde Coletiva é desenvolvido em hospitais e centros de saúde em cidades do interior do
Estado.
Embora prevista, a supervisão direta de docentes da FM-UFMG aos alunos não tem se desenvolvido
de forma satisfatória quando o internato é realizado fora do Hospital das Clínicas.
As atividades do treinamento em serviço no internato tendem a reproduzir a organização social
prevalente do trabalho médico, sendo desenvolvidas nas unidades de internação hospitalares e nos
ambulatórios de especialidades. Consolidam o modo de intervenção biológico no indivíduo,
delineado ao longo do processo de formação, reforçando, desta maneira, a concepção
exclusivamente biológica de abordagem do processo saúde-doença. Verifica-se predomínio das
atividades assistenciais, mesmo no internato de saúde coletiva, em parte por mecanismos de
pressão das instituições e dos serviços locais de saúde que querem ver sua demanda atendida e, em
parte, por opção dos próprios alunos.
Um ponto crítico do internato é o aprendizado da assistência aos pacientes com
urgência/emergência clínica e cirúrgica.
O ensino da urgência/emergência na Faculdade era feito, até 1996, no Hospital João XXIII,
pertencente à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, FHEMIG. Este hospital representa o
maior pronto socorro da cidade, atendendo desde casos clínicos e pequenos traumas até os
politraumatismos, incluindo grandes queimados. Além disso, conta com um serviço modelo de
toxicologia que atende a todo o Estado. Em 1996 foi criado, em convênio com a Secretaria Municipal
de Saúde, o Pronto Atendimento - PA do HC, integrado na rede e aberto à população em geral, que,
a partir de 1997, passa a ser também campo de estágio supervisionado para os alunos de graduação
com participação de docentes e comprometimento variável dos diversos departamentos da
Faculdade. Este serviço constitui-se também em campo de treinamento para residentes e alunos dos
cursos de enfermagem, além de proporcionar o desenvolvimento de pesquisa nas áreas de
Pediatria, Cirurgia e Clínica Médica.
A partir de 1998, o Hospital ampliou os seus leitos de CTI de três leitos para adultos e três leitos
pediátricos para os atuais 14 leitos pediátricos, 10 leitos de berçário de cuidado intensivo e oito leitos
de CTI de adulto. Além disso, o Hospital se qualificou para os programas do Ministério da Saúde na
área de Urgência e Emergência, Berçário e Maternidade de Risco, CTI (inicialmente nível II,
atualmente aguardando credenciamento em nível III com a instalação do aparelho de
hemodinâmica) e Neurocirurgia, inicialmente nível II, agora nível III.
Apesar disso, o ensino de graduação na área de urgência e emergência da UFMG não acompanhou
as modificações e melhorias ocorridas.
No PA do HC, especificamente, a participação e presença dos alunos do internato em urgência e
emergência parecem longe de seu verdadeiro potencial. Passamos, à guisa de diagnóstico, a
enumerar as razões que nos parecem justificar esta afirmação:
inserção do aluno: há consenso político quanto à natureza da participação da academia no
sistema de saúde do município, mas, não necessariamente, quanto à forma ou grau de
inserção;
participação do aluno no processo assistencial – o aluno ainda permanece como ouvinte ou
observador, constituindo-se em uma estratégia em absoluta contraposição ao que ocorre
nas outras etapas do ensino profissional em que o aluno participa efetivamente da
assistência. Esse fato implica um problema com duas faces: a da academia e a do serviço.
Com relação à academia, a integração mais orgânica do aluno na assistência é essencial
para o aprendizado; isso, entretanto, propicia condições consideradas pouco adequadas
28
para a organização da assistência conforme a demanda do serviço. Esta, por outro lado,
caracteriza-se por alta pressão, superlotação e stress característicos de um
pronto-atendimento em um grande centro urbano brasileiro o que dificulta a manutenção da
qualidade compatível com os processos de ensino-aprendizagem;
o HC, sendo um Hospital Universitário, continua sendo referência para casos graves,
complexos e dispendiosos. A especialização em nosologias específicas de baixo potencial
de resolução em outras unidades de saúde (ex. leucemias) faz com que pacientes
referenciados fiquem aguardando internação no PA, o que propicia uma nosologia distorcida
e não-correspondente àquelas mais comumente encontradas. Esse fato, desde que não
signifique a única ou predominante forma de aprendizado da urgência/emergência, pode
não se constituir necessariamente em problema, uma vez que doentes com problemas
complexos de saúde podem permitir vasto campo de discussão e aprendizado clínico;
o atual estágio de desenvolvimento e organização das redes municipais de saúde leva a
dificuldades para contra-referência e encaminhamento, dificuldades com vagas para
internação e em bloco cirúrgico ensejando médias de permanência prolongadas dos
pacientes no próprio PA. Aliado a isso, eventuais situações de fechamento, assim como,
triagem restritiva, devido à superlotação, reduz o dinamismo necessário para o aprendizado;
diversos plantões no Hospital são atendidos por médicos não-docentes, que, embora,
normalmente comprometidos com o ensino, podem apresentar diferenças entre sua atitude
e a do professor em relação ao processo didático.
Com relação ao internato em Urgências e Traumatologia no Hospital João XXIII, frisa-se,
principalmente, que os alunos passam a maior parte do tempo em atividades de menor
complexidade, como o Setor de Suturas, com pouco acesso a outros setores tais como
politraumatizados e queimados e outras situações médicas prevalentes no serviço e que exigem
maiores habilidades técnicas.
Além dos problemas específicos apontados nos dois campos de estágio, os seguintes problemas da
disciplina são comuns a ambos:
os campos de estágio atuais são ainda insuficientes para assegurar uma participação efetiva
de todos os alunos em todos os estágios;
a carga horária da disciplina é considerada mal distribuída entre os diversos locais de ensino
prático. Conforme a distribuição de um determinado trimestre, os alunos passam apenas um
plantão no setor de pediatria do PA. O número de plantões na Clínica Médica é considerado
também inadequado.
embora, a filosofia do programa teórico da disciplina corresponda ao princípio curricular do
“aprender fazendo”, algumas vezes as aulas teóricas competem com atividade prática. As
discussões em grupo ocorrem nos plantões em detrimento da atividade assistencial;
os professores encarregados da supervisão não se encontram, obrigatoriamente, envolvidos
na assistência dos setores de urgência tanto do Hospital de Pronto Socorro João XXIII
quanto do HC, o que pode ensejar, por parte do aluno, uma percepção de dissociação do
processo ensino-assistência, reduzindo seu compromisso e participação nas atividades do
setor e dificultando uma supervisão adequada por parte do professor.
Uma questão pedagógica relevante que se coloca para o internato é a volta do foco de interesse do
aluno para o concurso de residência médica, sobretudo no último ano. Como já mencionado, há uma
grande dissociação entre os critérios para admissão na residência, os conteúdos das provas de
seleção e os objetivos colocados para os internatos e o curso médico de uma forma geral. Como
conseqüência, há uma forte tendência do aluno a relegar para segundo plano o curso para se
dedicar à preparação para a residência, que se constitui num segundo vestibular.
Além dos aspectos apontados por estágios ou ciclos, há questões que perpassam a maioria de todas
as etapas do curso:
29
O ensino teórico no curso é ainda muito centrado no professor, voltado para a transmissão
de conhecimentos. Cada disciplina e cada professor se preocupa com o fato de que “todo o
conhecimento” necessário a uma boa formação “técnica” não está sendo “repassado ao
aluno”, passivo nesta recepção. O resultado é uma reivindicação de aumento da carga
horária e do tempo do aluno, com hipertrofia do currículo. Atualmente, 95% dos créditos do
aluno representam carga didática obrigatória. Experiências inovadoras, por iniciativa de
grupos isolados ou professores, de aprendizagem centrada no aluno, com enfoque no
desenvolvimento de competências de auto-aprendizagem, submergem na exigência cada
vez maior das disciplinas e dos demais professores.
A participação dos alunos em projetos de pesquisa tem aumentado gradativamente, o que é
desejável. Esta procura dos alunos por participação em pesquisa deve-se, parcialmente, à
necessidade de melhora do seu currículo para concorrência no mercado de trabalho, mas,
sobretudo, nos concursos de residência e mestrados em que este item tem sido
progressivamente valorizado. No entanto, os alunos queixam-se de pouco horário livre de
atividades curriculares e de ficarem sobrecarregados com mais esta atividade, com prejuízo
para o seu aprendizado e para a sua saúde.
Apesar de o Hospital das Clínicas e seus ambulatórios constituírem-se em cenários de
prática para outros cursos da área de saúde (Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia,
Psicologia, Terapia Ocupacional, Farmácia, Nutrição) ainda não ocorre uma integração
interdisciplinar de forma a possibilitar uma formação em trabalho de equipe, embora ocorram
experiências espontâneas e isoladas. Também os Centros de Saúde, hospitais da Rede
Municipal e Estadual de Saúde oferecem oportunidades de contatos, trabalho e reflexão
conjunta com outros profissionais que, entretanto, são subaproveitadas para o aprendizado
de trabalho interdisciplinar e em equipe, como ocorre nas disciplinas de Pediatria, Clínica
Médica e Medicina Preventiva que se desenvolvem nos Centros de Saúde da rede
municipal.
O Campus da Saúde que inclui a Faculdade de Medicina e a Escola de Enfermagem conta
com uma Biblioteca que atende, além destas Unidades, os cursos da área de saúde da
Escola de Educação Física. O seu uso intenso por grande número de usuários e a
desatualização rápida de livros e dos equipamentos de informática, além dos desgastes e
dificuldades para a manutenção destes últimos, têm provocado freqüentes queixas dos
alunos e professores de pouco acesso à bibliografia do Curso. Embora de forma insuficiente,
ainda com grande defasagem, o acervo de livros tem sido parcialmente renovado, o que não
tem acontecido com os equipamentos de informática, cada vez mais escassos. A proposta
de novas metodologias de aprendizagem baseada no auto-aprendizado do aluno sob
orientação certamente demandará um uso ainda mais intenso da biblioteca e da informática.
No momento, o projeto da Universidade CT Infra 3 prevê a melhoria do sistema com
aumento da velocidade de transmissão de dados, mas sem renovação dos equipamentos
internos.
A Faculdade conta com um Laboratório de Habilidades Profissionais que se destina ao
treinamento de propedêutica, procedimentos ginecológicos, obstétricos, cirúrgicos e outros
que, de alguma forma, são constrangedores, necessitam ser repetitivos ou são invasivos
para o paciente. Esse laboratório teve as suas bases lançadas em 1975, com a reforma do
currículo do Curso de Medicina quando foi implantada a disciplina de Prática Hospitalar.
Nesta disciplina, os estudantes de medicina do quinto período eram distribuídos, em rodízio,
nas diversas áreas assistenciais do Hospital das Clínicas onde realizavam tarefas
ocupacionais, em níveis crescentes de complexidade (verificação de sinais vitais, curativos,
administração de medicamentos). Para atender às necessidades de treinamento prévio do
aluno, o laboratório foi implantado com a aquisição de manequins simuladores e
equipamentos audiovisuais, que até hoje atendem às disciplinas de Práticas de Saúde A e B
(antiga Prática Hospitalar) ministradas respectivamente nos quarto e quinto períodos. Esta
experiência mostrou-se válida para a integração do estudante ao ambiente assistencial, mas
permaneceu restrita àquelas disciplinas. Desde então, em momentos diversos, o laboratório
tem sido gradativamente equipado, encontrando-se no momento, com pequenas melhorias,
em situação de atender aos seus objetivos. Apesar disto, em avaliações feitas pelos alunos,
desde o segundo semestre de 1998, tem se apontado como uma das deficiências do Curso
a heterogeneidade de treinamento de determinadas habilidades médicas, motivada por
30
algumas questões como o interesse do professor, o atendimento quase exclusivo de
pacientes portadores de determinadas doenças, e, também, a preocupação ética de não
expor os pacientes a situações constrangedoras, considerando o grande número de alunos.
Outro problema levantado pelos alunos e sempre discutido pelos professores nos vários
seminários de ensino relaciona-se à metodologia de avaliação utilizada na Faculdade.
A partir da percepção dessas duas questões críticas, decidiu-se, então, implantar um novo
modelo pedagógico para as habilidades profissionais baseado na inter-relação das
seguintes atividades meio:
o a exposição/demonstração da técnica, utilizando estímulo audiovisual, com a
apresentação de vídeos, cds, slides, imagens digitalizadas mostrando todas as
etapas necessárias para o desempenho da habilidade;
o a realização das habilidades em ambiente simulado obedecendo a um padrão de
desempenho previamente programados;
o a realização das habilidades em ambiente de prestação de serviço sob supervisão
docente;
o avaliação formativa e somativa do desempenho discente do desenvolvimento de
habilidades.
Aponta-se como estratégia para esta implantação um melhor planejamento das disciplinas
pelas Comissões de Coordenação Didática dos departamentos e pelo Colegiado de Curso,
com a introdução do uso sistemático pelo aluno de todo o potencial do laboratório, sob
supervisão e orientação de professores monitores, presentes, em regime de plantão, em
horário integral no laboratório.
Os recursos de informática, sobretudo no que se refere a treinamento de habilidades,
simulação de procedimentos e experiências em situações virtuais e consultoria à distância,
ainda são pouco utilizados para o ensino.
A plena utilização destes recursos teria o objetivo de:
o possibilitar o ensinamento de habilidades médicas com a apresentação visual
dos procedimentos, passo a passo, precedendo ao treinamento em manequins
e/ou a prática em pacientes, através de CD rom, fitas de vídeo, entre outros.
Apresentar de forma didática as bases anátomo-funcionais e psico-sociais que
deverão, respectivamente, preceder e orientar esta prática;
o permitir a reciclagem, solução de dúvidas, sedimentação, e ampliação do
conhecimento através do acesso, em qualquer momento do curso, aos recursos
didáticos e audiovisuais disponíveis;
o documentar e realizar reuniões científicas, com a apresentação de casos
clínicos e cirúrgicos de interesse ao aprendizado médico;
o otimizar tempo e reduzir os gastos necessários para que os alunos tenham
contato com os procedimentos invasivos e cirúrgicos, atualmente alcançáveis
através de inúmeras visitas e longas permanências nas enfermarias e centro
cirúrgico do HC-UFMG.
Atualmente a Faculdade de Medicina não conta com local destinado à exibição e projeção
de imagens (vídeos, fotos, imagens de lesões e casos clínicos). As quatro maiores salas de
aula disponíveis para 70 lugares não apresentam infra-estrutura para a instalação e
utilização adequada de recursos audiovisuais.
A Central de Material Didático conta com dois televisores de 29”e 04 videos K-7,
insuficientes para atender à demanda de um curso com 33 disciplinas obrigatórias
31
ministradas no ciclo profissional, além de 45 disciplinas optativas e inúmeros cursos de
educação continuada.
Estes recursos possibilitariam a transmissão de imagem para exibição de filmes educativos,
imagens digitalizadas de exames e lesões e vídeos de procedimentos clínicos e cirúrgicos.
O acompanhamento de um procedimento cirúrgico por parte dos alunos tem sido difícil ou
até impossível dependendo do campo operatório e do tamanho da equipe cirúrgica, além de
exigir a permanência do aluno no centro cirúrgico por várias horas dependendo da duração
cirúrgica; este mesmo procedimento poderá ser acompanhado por alunos da graduação
através de filmes editados didaticamente com os principais tempos cirúrgicos em poucos
minutos, sem perda importante de conteúdo. A instalação dessa sala proporcionará
acomodação de até 80 alunos por sessão, em local com adequada acústica, refrigeração,
iluminação para a apreciação de imagens de qualidade e com o devido conforto (tela com
proporções adequadas, inclinação da sala de forma a não prejudicar a boa visibilidade de
todos os presentes). Todos os alunos do 5º ao 12º períodos terão atividades didáticas
programadas para esta sala (total de 1280 alunos por semestre). Cópia dos materiais
audiovisuais estarão disponíveis para atividades extraclasse de reciclagem no Laboratório
de Habilidades, sob supervisão dos monitores.
No Ciclo Básico, como apontado, os recursos de informártica têm sido otimizados em duas
disciplinas (Fisiologia e Neuroanatomia). É desejável a extensão da experiência para as
demais disciplinas.
Há uma distância considerável entre os conteúdos e metodologias, incluindo a avaliação do
aluno, das disciplinas aprovadas pelas Comissões de Coordenações Didáticas e pelo Colegiado
e o que acontece na prática, ficando a qualidade do curso excessivamente subordinada à
qualidade e ao interesse do professor. Isso se deve, parcialmente, a não implantação completa
das ementas aprovadas e, parcialmente, à excessiva liberdade dos docentes no
desenvolvimento da disciplina com seu grupo de alunos, o que provoca uma grande
heterogeneidade nos métodos pedagógicos, conteúdo real das disciplinas e processos de
avaliação.
Os docentes, apesar de titulados, não têm formação pedagógica ou há uma inadequação à
proposta metodológica, predominante no ciclo profissional, de ensino através de prática com
supervisão e discussão teórica em pequenos grupos. O processo de recrutamento reforça este
desvio na medida em que a seleção de professores supervaloriza a produção em pesquisa e
publicações em detrimento da experiência em docência, a superespecialização no lugar do
domínio do conhecimento para a atenção básica de saúde e o domínio de aulas magistrais em
lugar da competência do candidato em outras técnicas mais adequadas à proposta pedagógica
predominante. Posteriormente, após o ingresso, os critérios de avaliação dos docentes, que,
atualmente, se refletem na pontuação obtida na GED, acentuam os desvios provocando
desinteresse e despreparo para o ensino na graduação, em todos os seus aspectos. Ao lado
disso, não existe um projeto institucional de formação e educação permanente dos docentes,
sobretudo, no que se refere à capacitação pedagógica. Os cursos de pós-graduação da
Faculdade, onde é titulada a maioria dos docentes admitidos na Instituição colocam ênfase na
formação para a pesquisa e não na preparação para a docência.
Embora objetivando a formação de generalistas, grande parte dos docentes é constituída de
especialistas; o que pode provocar, além de vieses na percepção da prática e da realidade de
saúde da população, a valorização excessiva de equipamentos e tecnologias e o estímulo à
especialização precoce do aluno.
A orientação pedagógica e o suporte emocional ao aluno durante todo o curso vêm sendo
apontados há anos, por professores, como sendo uma questão importante do acompanhamento
do aluno. Pesquisas recentes têm apontado uso de drogas e altos níveis de tensão nos cursos
médicos. A Escola desenvolve, no momento, um projeto de orientação pedagógica para os
alunos, o Projeto Tutoria, com a finalidade também de escuta e percepção para
encaminhamento de problemas emocionais mais sérios. O projeto é desenvolvido no quinto
período do curso, através da orientação de pequenos grupos por um tutor. A avaliação dos
32
professores e alunos tem sido positiva. A experiência deveria ser estendida a todo o curso, com
o acompanhamento do aluno sendo realizado do primeiro ao décimo segundo período.
O ensino ainda não valoriza devidamente a abordagem psicossocial e cultural do indivíduo em
nível individual e coletivo, predominando ainda a preocupação com as questões biológicas e a
centralização excessiva da atenção sobre elas.
Finalmente, com relação à avaliação, o Colegiado de Curso da Faculdade conta, há três anos,
com uma Comissão Permanente de Avaliação formada por representantes do colegiado. Esta
comissão desenvolve no momento, dois projetos: Avaliação do uso e necessidades do
laboratório de simulação e o Projeto de avaliação de habilidades e atitudes. Neste último, foi
realizado um piloto, com envolvimento de várias disciplinas do Ciclo Profissional. Após
reformulação, de acordo com os resultados do piloto, está sendo aplicado nas disciplinas do
Internato, ainda em fase de experimentação. Entretanto, quase todo o processo avaliativo do
aluno, ao longo do curso, é ainda, excessivamente centrado no domínio cognitivo, na
memorização e com predomínio absoluto da avaliação somativa sobre a avaliação formativa. A
avaliação de competências e habilidades é, portanto, ainda incipiente.
Em relação à abordagem pedagógica, consideramos que a Faculdade se encontra em alguns
aspectos no estágio 3, sobretudo no ciclo profissional, embora parcialmente, devido às falhas no
processo de avaliação. Algumas áreas encontram-se no estágio 2, sendo que algumas disciplinas do
ciclo profissional e do primeiro ciclo encontram-se no estágio 1.
Imagem Objetivo
A filosofia pedagógica que norteia o planejamento do currículo, nos seus aspectos de conteúdo e
metodologia deve se basear nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino médico, em cuja
elaboração a Faculdade teve grande participação e que estão conforme os princípios e objetivos que
nortearam a reforma curricular do ensino na Faculdade de Medicina da UFMG em 1975.
Os seguintes princípios pedagógicos devem orientar o ensino ao longo de todo o curso, do 1º ao 12º
período:
Orientação teórica e prática voltadas para as necessidades de saúde e problemas
prevalentes e relevantes da população; orientadas à promoção, prevenção, ao diagnóstico,
tratamento e à reabilitação; baseada na abordagem biopsicossocial em nível individual e
coletivo e com integração dos domínios cognitivo, afetivo e psicomotor.
Conteúdo teórico flexível e estruturado a partir das necessidades básicas de saúde, de
acordo com a gestão do SUS e dos indicadores epidemiológicos. O nível de plasticidade do
conteúdo deve atender as mudanças demográficas, culturais, ecológicas e epidemiológicas
da realidade social.
Aprendizagem centrada no aluno, incluindo entre seus objetivos, o aprender a aprender. O
aprendizado não deve ser centrado na memorização extensiva de informações. Além da
aprendizagem de conteúdo, o aluno deve ser preparado para buscar o conhecimento e
aplicá-lo adequadamente segundo as necessidades de sua prática. O professor deve ser um
facilitador e orientador do processo.
Aprendizado em pequenos grupos estendido a todo o curso, como já ocorre no Ciclo
Profissional, com o objetivo de formação de vínculo entre alunos e professor, maior
conhecimento dos alunos pelo professor com melhor percepção de suas necessidades
educacionais e afetivas, assistência e orientação mais individualizada do aluno. Além disso,
esta metodologia visa propiciar ao aluno a oportunidade da integração do conhecimento
novo aos já estruturados através da reflexão crítica em grupo sobre o conhecimento e a
visualização da sua aplicação e das suas implicações sobre a realidade de saúde, incluindo
33
os aspectos éticos. Finalmente, objetiva o desenvolvimento do hábito da auto-observação e
dos colegas, a vivência do trabalho em equipe, de liderança e de coordenação de grupos.
Ensino baseado na comunidade, com inserção imediata dos alunos na prática profissional,
em cenários diversificados, desde o seu ingresso na Faculdade.
Integração interdisciplinar de conteúdos do ciclo básico/ciclo profissional desde o início do
curso, através de abordagens de problemas vivenciados pelo aluno em sua inserção na
prática profissional. A divisão ciclo básico/ciclo profissional deve ser extinta.
Flexibilização curricular de forma a assegurar ao aluno tempo livre para o aprendizado ativo
e para o aprendizado de outras áreas do conhecimento com o objetivo de estimular a
interdisciplinaridade e autonomia do aluno com relação à sua própria formação, de acordo
com seus desejos e necessidades. Além disso, a flexibilização deverá assegurar uma
inserção maior e mais orgânica dos alunos nos projetos de iniciação científica e pesquisa, de
maneira a formar profissionais mais críticos e com maior potencialidade de investigação e
atuação na realidade.
Orientação da prática para o trabalho interdisciplinar em equipe com profissionais de outras
áreas de conhecimento, especialmente da área da saúde, tais como Enfermagem,
Fisioterapia, Fonoaudiologia, Psicologia, Terapia Ocupacional, Farmácia, Nutrição. O
objetivo seria aumentar a eficácia de sua atuação, mas também possibilitar aos profissionais
uma visão mais realista de sua inserção no sistema de saúde. Para isso seria necessária a
integração com outras unidades da UFMG ou outras instituições de ensino que desenvolvem
atividades no Hospital das Clínicas e na rede, com o objetivo de estimular e capacitar o aluno
para o trabalho interdisciplinar.
Intensificação e sistematização do uso monitorado dos laboratórios de Habilidades
Profissionais ao longo de todo o curso, mas especialmente para o ensino da semiotécnica.
O uso da informática deve ser intensificado não só para pesquisa bibliográfica, mas também
para simulações em laboratórios, consultorias e supervisão à distância. Além do objetivo de
treinamento e de solução de questões éticas que se colocam para o aprendizado de
determinadas habilidades, a implementação, melhoria e organização dos laboratórios e
outros recursos tecnológicos de aprendizagem devem acompanhar e servir como apoio à
proposta metodológica de estimular e orientar o auto-aprendizado do aluno. Dessa forma,
prevê-se a informatização de todos os locais de prática dos alunos.
Atualmente um projeto é previsto, já com financiamento, para melhoria da biblioteca do
Campus da Saúde: O projeto CT Infra 3 da Finep, a se iniciar este ano, prevê a melhoria de
infra-estrutura de rede de informação para todas as unidades acadêmicas visando ao
aumento da velocidade de transmissão de dados.
O desenvolvimento das disciplinas ou outra forma de organização proposta deve,
respeitando as diversidades, se dar de forma mais coerente com o planejado e de forma
mais homogênea entre os professores, incluindo o processo avaliativo, de forma a oferecer
oportunidades de desenvolvimento e aprendizagem semelhantes para todo os alunos. Este
objetivo pode ser buscado através de definição clara de diretrizes e objetivos da instituição,
atuação mais orgânica do Colegiado de Curso e das Comissões de Coordenação Didática,
avaliações mais sistemáticas e eficazes do processo de ensino, ampla capacitação do corpo
docente e definição dos critérios de seleção dos professores de acordo com as diretrizes
pedagógicas da Faculdade.
O professor deve ser valorizado institucionalmente como docente e não somente pela suas
atividades de pesquisador e por suas publicações ou atividades na pós-graduação. Esta
valorização da função docente passa pela sistematização da capacitação pedagógica dos
professores, pelo investimento da instituição nas condições de trabalho dos docentes, pelo
desenvolvimento de formas de incentivo que atestem o valor da função e pela definição de
critérios de admissão de novos professores que levem em conta o interesse e as
competências do candidato para a função de docência. Os cursos de pós-graduação da
Faculdade devem estar organicamente integrados ao curso de graduação de forma a
34
capacitar os pós-graduandos para a docência e de forma a produzir conhecimento que
possa subsidiar um desenvolvimento contínuo do ensino.
Embora a especialização profissional nas várias subáreas do conhecimento médico pareça
inevitável, devem-se buscar professores com uma visão mais global do processo saúde
doença e do sistema de saúde. Entretanto, deve-se, sobretudo, garantir ao aluno, através de
novas metodologias de ensino, maior domínio de seu próprio aprendizado, flexibilidade para
formação de seu próprio currículo, contato precoce e constante com a realidade de saúde do
país e diversificação de experiências e cenários de forma a possibilitar uma percepção mais
global da realidade, formação de juízo crítico sobre o uso de equipamentos e tecnologias e
escolha mais adequada de áreas de atuação.
A orientação pedagógica e pessoal, em grupo ou individualizada, deve ser garantida a todos
os alunos durante o curso. A proposta pedagógica da instituição deve ter como um dos
objetivos o crescimento pessoal e a saúde física e mental do estudante.
O processo de avaliação do aprendizado do aluno deve ser formativo, além de certificativo e
abranger os aspectos cognitivos, de habilidades e atitudes, com acompanhamento do
desempenho do aluno ao longo do curso, que possibilite a identificação de seus avanços e
dificuldades. As atividades da comissão Permanente de Avaliação devem ser
incrementadas e apoiadas.
Além das transformações gerais apontadas, as seguintes mudanças específicas nos ciclos ou nas
disciplinas são relevantes:
O ciclo básico deve ser integrado de forma orgânica, pedagógica e administrativamente ao
ciclo profissional. Esta integração deve acontecer através da inserção imediata e continuada
do aluno na prática de saúde desde o primeiro ciclo e através da integração dos
conhecimentos de suas várias disciplinas entre si e com as do Ciclo Profissional. Estas
alterações objetivam aumentar a percepção do aluno da aplicação do conhecimento, ao
mesmo tempo em que possibilita o desenvolvimento de habilidades e internalização de
atitudes. Sobretudo, a inserção precoce visa facilitar um contato mais precoce com a
realidade socioeconômica, sociocultural e de saúde possibilitando uma formação mais
humanística e voltada para as necessidades da população.
O processo de integração interdisciplinar iniciado no ciclo básico deve se estender ao ciclo
propedêutico, integrando os dois ciclos. As atividades práticas dos alunos, sobretudo na
atenção básica, devem ser intensificadas para atender o aprofundamento do aluno nos
temas clínicos e de saúde coletiva.
O ensino de semiologia deve ser reestruturado no sentido de uma maior integração,
possibilitando a formação da representação do paciente como um ser social, psicológico e
biológico. Os docentes devem estar capacitados para esta tarefa com domínio da aplicação
do método clínico, de forma a garantir a incorporação racional e crítica de recursos
tecnológicos.
O ensino ambulatorial deve ser reorientado no sentido da capacitação do aluno para o
trabalho multiprofissional e em equipe, voltado para a promoção e prevenção em saúde,
além dos aspectos de assistência e reabilitação em nível de atenção básica. O campo de
aprendizagem do aluno deve privilegiar a integração entre a Universidade, a comunidade e o
serviço de saúde e a interdisciplinaridade deve ser estimulada através da prática conjunta
com os diversos cursos da área de saúde que se desenvolvem no HC e nos demais cenários
de prática dos alunos. Propõe-se a criação de um Internato em Atenção Básica
envolvendo os Departamentos de Clínica Médica, Pediatria, Saúde Mental, Medicina
Preventiva e Social e Ginecologia e Obstetrícia, com a inserção dos alunos do 7º e do 8º
períodos do curso nas equipes do PSF em Belo Horizonte.
Com relação aos internatos:
o O ensino das urgências e emergências clínicas, cirúrgicas e de traumatologia deve
ser reestruturado, com ampliação da inserção dos alunos nos serviços públicos de
35
atenção imediata às urgências não só para o treinamento de habilidades e o
conhecimento do fluxo do sistema, mas também para a compreensão dos
determinantes atuais da violência e das condições de vida que predispõem aos mais
diversos acidentes.
o Deve se buscar uma melhoria da qualidade e maior homogeneidade das
preceptorias do internato dentro e fora do HC.
o Sem abandonar o objetivo de capacitar o aluno para a assistência ao paciente em
nível de cuidado secundário e terciário, dentro dos limites de atuação de um médico
generalista, o que demanda estágios em ambulatórios de especialidades e
enfermarias, os internatos, sobretudo o de saúde coletiva, devem, também,
voltar-se para a capacitação do aluno para a promoção, prevenção, assistência e
reabilitação em nível de cuidado básico de saúde. Os mesmos princípios de
interdisciplinaridade e integração com o serviço do ciclo ambulatorial devem nortear
os internatos.
o Finalmente o processo de seleção para a residência deve ser conforme às diretrizes
gerais do curso de graduação de forma a valorizar os conhecimentos na área da
atenção básica e o desenvolvimento de habilidades e atitudes.
Operações visando à mudança
Introdução
Entendemos que as mudanças apontadas no texto “imagem objetiva” implica transformações
significativas na forma de pensar e de estruturação de trabalho, sobretudo dos docentes. Os critérios
por meio dos quais os professores são hoje valorizados culturalmente por seus pares, pela mídia e
até mesmo pelos discentes além dos critérios pelos quais são efetivamente avaliados pela própria
Instituição, que implica, entre outras coisas, retorno monetário, constituem um empecilho para que
os mesmos se interessem e se dediquem às questões do ensino na graduação. Dessa forma, é
necessário que se faça, anteriormente ou paralelamente, um movimento de redefinição destes
critérios para conseguir maior adesão e participação dos docentes. É necessário também
sensibilizar os vários departamentos para ajustar os critérios de admissão dos novos professores às
diretrizes pedagógicas e prioridades da Instituição. Além disso, consideramos necessário uma maior
divulgação e efetivação das diretrizes e objetivos da Instituição, atuação mais orgânica do Colegiado
de Curso e das Comissões de Coordenação Didática e avaliações mais sistemáticas e eficazes do
processo de ensino.
Operações:
1. Intensificação do trabalho da Comissão Permanente de Avaliação com o objetivo de acelerar
a implantação, já iniciada em projeto piloto, da avaliação formativa, de habilidades e atitudes
em todo o curso.
2. Contratação de assessoria pedagógica externa para auxiliar no detalhamento e
acompanhamento das mudanças pedagógicas propostas.
3. Pactuação com os gestores das redes municipal e estadual de saúde para a implementação
das mudanças pedagógicas previstas que impliquem a participação direta do serviço e na
utilização dos centros de saúde (internato em atenção básica e inserção dos alunos do Ciclo
Básico), serviços de urgência/emergência e hospitais da rede como cenário de práticas dos
alunos e para a inserção dos alunos nas equipes do PSF.
4. Realização de oficinas de trabalho, por subprojeto específico envolvendo docentes e alunos
da Faculdade de Medicina, dos Núcleos, do Pólo/SF, de outras unidades da UFMG,
profissionais do HC, da rede e eventualmente de outras instituições parceiras, com o
objetivo de discussão aprofundada para detalhamento e implementação dos mesmos.
36
5. Sensibilização ampla do corpo docente, dos alunos e dos profissionais dos serviços
integrados com a Faculdade nos quais os alunos deverão se inserir, para uma participação
crítica na construção, implementação e avaliação das mudanças propostas, através de
técnicas de comunicação social, seminários e reuniões.
6. Capacitação de docentes e eventualmente de profissionais dos serviços para a aplicação
das várias transformações propostas: metodológicas (aprendizado em pequenos grupos e
centrado no aluno), de avaliação (formativa e de habilidades e atitudes), supervisão nos
vários cenários de prática (hospitais, serviços de urgência/emergência, centros de saúde,
PSF e comunidade), abordagem biopsicosocial em todos os níveis de atuação, trabalho
interdisciplinar e em equipe.
7. Criação de disciplina na pós-graduação que vise à preparação efetiva para a docência, com
estágios supervisionados nas várias metodologias de ensino utilizadas na Instituição, com o
objetivo de desenvolvimento de habilidades, mas também reflexão crítica sobre as questões
da aprendizagem do adulto e das teorias de ensino/aprendizagem aplicadas à área médica.
8. Elaboração de material instrucional para a metodologia de ensino/aprendizagem centrada
no aluno, em pequenos grupos e a partir de problemas da prática.
9. Criação, melhora da qualidade e ampliação dos recursos educacionais já existentes,
sistematizando e garantindo o acesso dos docentes e alunos à:
Biblioteca;
laboratórios de experimentação;
laboratório de habilidades profissionais;
recursos de informática nos locais de prática dos alunos;
sala multimeios;
recursos audiovisuais.
10. Extensão do Projeto Tutoria, de orientação pedagógica dos alunos, a todos os alunos em
todos os períodos.
11. Avaliação das operações realizadas.
37
VETOR II: INTEGRAÇÃO CICLO BÁSICO/CICLO PROFISSIONAL
Situação Atual
Parte do ensino, especialmente nos dois primeiros anos do curso, ocorre no Instituto de Ciências
Biológicas. A criação deste, em 1972, trouxe em sua proposta, a responsabilidade de mudar as
ciências básicas para os cursos profissionalizantes das áreas da saúde e biológicas. Em sua
concepção inicial, teve como objetivo otimizar o ensino das disciplinas básicas, evitando a
duplicação de recursos humanos e tecnológicos e colocar em contato alunos de vários cursos da
área biológica. Entretanto, algumas alterações ainda são necessárias para uma melhor eficácia
pedagógica.
Dentre os diversos problemas apontados na integração dos ciclos básico e profissional, as seguintes
questões pedagógicas se colocam como nucleares:
dissociação didático-pedagógica: não houve, até o momento, uma proposta didático-
pedagógica comum aos dois ciclos com princípios e objetivos bem definidos, elaborada,
implementada e avaliada em conjunto. A iniciativa de mudanças pedagógicas do ciclo
profissional, na inovação de seu currículo e na utilização de metodologias de ensino
estimulando a participação ativa do aluno, não foram estendidas ao ciclo básico;
ênfase na abordagem teórica e com metodologia de transmissão do conhecimento: há um
predomínio de aulas teóricas expositivas por especialistas nos temas, com excelente nível
técnico científico, mas a correlação com a prática médica é feita a critério do professor, não
sendo garantida pelos programas de todas as disciplinas. Além disso, nem todas as aulas
práticas apresentam uma correlação direta com a prática médica;
desinformação, por parte do corpo docente, tanto do ciclo básico como do profissional, do
currículo médico como um todo, dificultando a abordagem do conteúdo e da orientação, nos
dois ciclos, voltada para o profissional que se quer formar;
discussão do processo saúde/doença insuficiente: a promoção de saúde, prevenção,
aspectos socioeconômicos e ambientais ainda não são garantidos pelos programas de
todas as disciplinas do ciclo básico, que se centram nos fundamentos biológicos básicos;
trabalho inderdisciplinar pouco consistente: embora a aproximação de docentes da área
médica no ICB, para promoverem a contextualização dos conteúdos ministrados seja
desejada pelos docentes do Instituto, ela ainda é insuficiente. Há iniciativas por parte de
alguns professores do ICB de convidar docentes da área profissional para palestras sobre o
conteúdo em estudo. Por outro lado, nem sempre os docentes da área profissional médica
demonstram disponibilidade para se articular com os profissionais do ensino básico. É
preciso um cuidado constante para a lembrança de que o ICB e a Faculdade de Medicina
são partes integrantes do curso médico;
introdução tardia na prática de saúde: os alunos, por não serem apresentados à prática de
saúde logo nos primeiros anos do curso, têm dificuldade de perceber a importância dos
conteúdos das disciplinas do ciclo básico, na sua formação profissional, tornando-se
desmotivados e com grande dificuldade de recuperação e integração deste conhecimento,
posteriormente, no Ciclo Profissional;
uso de recursos da informática no ensino e na aprendizagem: algumas disciplinas do ciclo
básico já utilizam recursos de informática como apoio para o ensino tendo apresentado
resultados positivos, e, portanto, é desejável que estas experiências sejam ampliadas;
Nos vários seminários de ensino médico, nos quais o processo de desenvolvimento
curricular vem sendo acompanhado e avaliado, a discussão e reflexão sobre a integração
ciclo básico/ciclo profissional foi tema constante, possibilitando a identificação de problemas
e o incentivo à implementação de propostas que promovessem maior integração dos dois
ciclos. Algumas tentativas até agora ocorridas, a maior parte não-institucionais, mas de
iniciativa de grupos de docentes que, talvez por serem isoladas, foram insuficientes para
reverter a situação atual. Um projeto do Colegiado de Curso Médico utilizando recursos de
metodologia do aprendizado baseado em problemas, realizado em 1998-99 na disciplina de38
Microbiologia Médica, obteve resultados positivos, permitindo a integração Ciclo Básico/
Ciclo Profissional, em sua avaliação final. Para os alunos, os momentos de trabalho com o
PBL foram motivantes, pois os problemas propostos eram abordados sob várias vertentes:
biológica, social, psicológica e de saúde pública no contexto da prática médica. Estas
análises sinalizam para a avaliação desta e outras metodologias como base para integração
com ampliação para outras disciplinas.
Além dessa, algumas outras experiências inovadoras já foram incorporadas à rotina de todas ou de
disciplinas isoladas, conforme se segue:
As disciplinas de Bioquímica, Farmacologia, Parasitologia e Genética utilizam a metodologia
de discussão em pequenos grupos de cinco a oito alunos, orientada por objetivos
específicos e coordenada por um professor. As discussões dos grupos ocorrem
simultaneamente para oito ou nove grupos no mesmo espaço físico e orientadas pelo
mesmo professor.
Todas as disciplinas oferecem práticas em laboratórios para os alunos, referentes aos temas
em foco no momento. O número destas práticas vem diminuindo, entretanto, em razão de
problemas financeiros para manutenção dos laboratórios e da não modernização dos
equipamentos.
As disciplinas de Genética e Bioquímica promovem seminários e apresentação de pôsteres
pelos alunos.
As disciplinas de Embriologia, Genética e Microbiologia promovem palestras, por
professores do Ciclo Profissional ou profissionais médicos, sobre patologias que melhor
exemplificam a aplicação do conhecimento básico abordado no momento.
As disciplinas de Biofísica, Bioquímica e Microbiologia, promovem visitas dos alunos a
hospitais e outros locais de prática profissional com o objetivo de demonstração da aplicação
do conhecimento.
A disciplina de Fisiologia realiza avaliações informatizadas, com acesso dos alunos às
provas, através de senhas individuais.
A disciplina de Neuroanatomia disponibiliza em sua Home Page, fotografias das peças de
seu acervo para estudo individual dos alunos.
A disciplina de Genética oferece aula e orientação sobre pesquisa bibliográfica em
bibliotecas reais e virtuais. As pesquisas realizadas pelos alunos são apresentadas em
forma de pôsteres.
As disciplinas de Farmacologia, Genética, Neurofisiologia, Neuroanatomia, Citologia e
Histologia Geral mantêm atualizada sua home page, onde são disponibilizadas, para os
alunos, aulas, informações gerais sobre a disciplina, links recomendados, material de estudo
e via de contato com os professores.
Não há, entretanto, obrigatoriedade nem sistematização das atividades, ficando o oferecimento a
critério dos professores ou do coordenador.
Uma nova perspectiva de atuação para a mudança é a atual proposta de criação de um Colegiado
Especial para a Graduação no ICB, composto pelos coordenadores de Colegiados de Curso das
áreas da Saúde e Biológicas, e pelos coordenadores dos Conselhos de Cursos. Há uma expectativa
positiva para os entendimentos entre o ICB e os vários cursos, especialmente para a adequação às
novas diretrizes curriculares de todos eles.
Em relação à abordagem pedagógica, estamos no estágio 2 no Ciclo Básico, principalmente em
razão de iniciativas inovadoras, mas individuais, em parte das disciplinas. Avaliamos que o momento
político da Universidade favorece transformações mais profundas, com reais possibilidades de maior
integração dos ciclos básico e profissional.
39
Imagem Objetivo
1) Ciclo Básico e Profissional integrados pela inserção e contextualização com a prática médica,
com ênfase em métodos clínicos centrados na solução de problemas, na interdisciplinaridade e
no trabalho em equipe.
2) Reavaliação e redefinição de conteúdos, metodologia, carga horária e processos de avaliação
através de reuniões periódicas de uma comissão constituída por representantes do ciclo básico
e do ciclo profissional, sobretudo do ciclo propedêutico. Esta comissão será designada e as
reuniões promovidas, conjuntamente, pelos Colegiados - do Curso Médico e do Primeiro Ciclo
através do Conselho de Curso.
3) Criação de um Colegiado Especial para a Graduação no ICB, composto pelos coordenadores de
Colegiados de Curso das áreas da saúde e biológicas, e pelos coordenadores dos Conselhos de
Cursos.
4) Aponta-se para uma metodologia de ensino que contemple os seguintes princípios: aprendizado
em pequenos grupos; simultaneidade e integração no aprendizado dos conteúdos do Ciclo
Básico e Profissional, integração entre os conteúdos das várias disciplinas, abordagem
biopsicosocial, aprendizado ativo pelo aluno - aprender a aprender, flexibilização curricular com
garantia de disponibilidade de tempo para o aluno.
5) Inserção precoce dos alunos do ciclo básico na rede municipal de saúde, na área de atenção
básica, com atividades de promoção e prevenção de saúde, integrados com alunos do ciclo
ambulatorial e PSF, trabalhando em pequenos grupos sob supervisão docente.
6) Ensino do método clínico, epidemiológico e da semiologia desde o ingresso do aluno no curso.
7) Utilização de recursos modernos de aprendizagem, sobretudo bibliotecas on line, laboratórios de
informática e de simulação.
8) Revisão do processo de avaliação, com a utilização de métodos coerentes com os programas de
ensino e com as diretrizes curriculares aprovadas pelo Colegiado. Além da avaliação formativa
que será implantada em todo o curso, as avaliações somativas devem buscar a
interdisciplinaridade.
Operações visando à mudança
1. Sensibilização ampla do corpo docente e dos alunos dos dois Ciclos, para participação
crítica na construção, implementação e avaliação das mudanças propostas através de
técnicas de comunicação social, seminários e reuniões.
2. Realização de oficinas de planejamento com o corpo docente e dirigentes do Ciclo Básico e
Profissional para as mudanças necessárias.
3. Conhecimento de experiências exitosas de integração e inserção precoce na prática, de
outras faculdades brasileiras.
4. Detalhamento do Projeto de mudança metodológica para integração Ciclo Básico/Ciclo
profissional com assessoria pedagógica externa.
5. Pacto com os gestores e gerentes dos Centros de Saúde para a inserção dos alunos do
primeiro ciclo na rede municipal, para atuação na área de atenção básica com atividades
integradas ao PSF.
6. Implantação de avaliação formativa, com acompanhamento do desempenho do aluno ao
longo do curso, incluindo os aspectos cognitivos, de habilidades e atitudes.
40
7. Capacitação dos professores em metodologias de aprendizagem centrada no aluno e a
partir de problemas da prática; supervisão dos alunos nos centros de saúde; trabalho
interdisciplinar e utilização da informática como recurso de apoio ao ensino.
8. Elaboração de material instrucional para novas metodologias propostas de
ensino/aprendizagem, incluindo material de informática.
9. Ampliação do laboratório de informática com aquisição de títulos de CDs/ soft weres,
servindo de apoio para estudo e prática dos alunos. Melhoria dos laboratórios de
experimentação do Ciclo Básico, já existentes.
10. Criação de mecanismos de incentivos para a prática docente com alunos nos Centros de
Saúde.
11. Avaliação das operações realizadas.
41
EIXO 3
Vetor I: Diversificação dos Cenários de Práticas
Situação Atual
A Faculdade de Medicina da UFMG sempre incentivou a diversidade de cenários como determinante
de uma melhor formação do aluno.
Entretanto, a ausência de integração entre o Ciclo Básico e o Profissional determina que as
atividades práticas dos dois primeiros anos sejam limitadas aos laboratórios da área básica, exceto
em duas disciplinas. Na disciplina de Ciências Sociais Aplicadas à Saúde, os alunos do primeiro
período têm a oportunidade de visitar áreas de abrangência de Centros de Saúde, ligados ao Projeto
Manuelzão, de revitalização da região da bacia hidrográfica do Rio das Velhas, para estudo da
percepção da comunidade sobre problemas locais. Infelizmente, essa prática representa uma carga
horária de 20 horas, no total de 1680 horas do primeiro ciclo. Na disciplina de Prática de Saúde A
desenvolvida no serviço ambulatorial e hospitalar do Hospital das Clínicas, o aluno tem um primeiro
contato com o funcionamento de um Hospital, sua infra-estrutura e serviços de apoio, tais como
laboratórios, SAME, biblioteca, serviço de nutrição e dietética, serviço social, farmácia e
esterilização. Nessa disciplina, o aluno é iniciado em procedimentos da área de enfermagem, em
enfermarias, ambulatórios e laboratório de simulação. Essas atividades têm continuidade na
disciplina de Prática de Saúde B no 5º período, já no Ciclo Profissional.
Após dois anos no Instituto de Ciências Biológicas, o estudante, ainda com muito pouco contato com
a prática e pouco sensibilizado em relação às necessidades sociais, inicia o ciclo profissional, com
atendimento ao paciente em ambulatórios próprios da Instituição, em ambulatórios da rede, Hospital
das Clínicas e hospitais conveniados, a partir do 5 até o 12° período do curso.
Do sétimo ao nono período, as atividades estão centradas no atendimento ambulatorial, que envolve
ambulatórios gerais e de especialidades do Hospital das Clínicas da UFMG, assim como
ambulatórios da rede pública de saúde (SUS), de acordo com os objetivos de cada disciplina, e,
sempre, com supervisão docente, num trabalho docente-assistencial. Os alunos atendem sob
supervisão, na relação de dez alunos por professor. O professor discute com os alunos, de forma
programada, temas relacionados à nosologia prevalente em nível de cuidado básico, previamente
definidos pelas Câmaras de Coordenação Didática dos deptos. Além da orientação individual ao
aluno no consultório, o professor discute em grupo, ao final da aula, os casos atendidos.
No sétimo período, as disciplinas são desenvolvidas em ambulatórios do Hospital das Clínicas e têm
como objetivo a integração dos conteúdos da semiologia que possibilite fazer o diagnóstico do
estado de saúde do indivíduo, em seu contexto socioeconômico e cultural. A atuação junto ao
indivíduo ou a seus familiares pretende que o aluno seja capaz de fazer o reconhecimento de suas
necessidades de saúde, realizar atividades preventivas e abordagem sociopsicossomática dos
pacientes, crianças e adultos portadores de doenças prevalentes, em nível de diagnóstico e
terapêutica. Entretanto, embora nesses ambulatórios a marcação de primeiras consultas seja
realizada pela central de marcação da rede, existe uma seleção pela própria população, pela
persistência dos retornos, trazendo como conseqüência a constituição de uma clientela muito
homogênea e selecionada, o que não ocorre nos ambulatórios da rede, nas disciplinas de Pediatria e
Clínica Médica do oitavo período.
Neste, as disciplinas de Medicina Geral de Adultos II (MGA II) e Medicina Geral de Crianças II (MGC
II) são ministradas em oito Centros de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte e
têm como objetivo a aprendizagem da atenção básica às crianças e adultos portadores de patologias
prevalentes, além da integração com o centro de saúde e a rede municipal de saúde. Os alunos
deveriam realizar atividades assistenciais e participar de atividades relevantes no cuidado básico da
saúde, como grupos operativos, vacinação, visitas e atendimentos domiciliares, participação em
campanhas, entre outras. Na prática, inclusive por solicitação dos gerentes dos serviços, com a
concordância dos professores, a grande maioria dos alunos limita suas práticas à atividade
assistencial.
Ainda no oitavo período, a disciplina de Ginecologia e Obstetrícia se desenvolve em ambulatório
próprio da Instituição. Este serviço no Hospital recebe uma clientela já selecionada, sobretudo,
pacientes de risco obstétrico, constituindo-se, portanto, como um local pouco adequado para uma42
formação voltada para o cuidado básico de saúde. A formação em cirurgia é feita pelo atendimento
de pacientes, em ambulatório da instituição, para realização de cirurgias ambulatoriais e
procedimentos sob anestesia local.
No nono período, é oferecido ao aluno o contato com o cuidado secundário, através de disciplinas
optativas em especialidades clínicas que se desenvolvem nos ambulatórios da Instituição. Ao todo,
15 ambulatórios especializados oferecem 36 disciplinas optativas que se realizam pelo atendimento
direto do aluno com supervisão pelo professor, discussão de casos e temas teóricos em pequenos
grupos de cinco ou seis alunos. Os pacientes são referidos pela rede através da central de marcação
de consultas.
Do ponto de vista do cenário de práticas, poderíamos considerar que essas disciplinas se encontram
no estágio três. Entretanto, a avaliação das mesmas, realizada por professores e alunos, mostra
que, embora os resultados com relação ao aprendizado da clínica têm atingido, razoavelmente, os
objetivos propostos, a integração e a utilização da rede básica como cenário de prática podem ser
melhoradas. Considerando que o HC constitui, hoje, campo de prática de sete cursos da área de
saúde – Medicina, Nutrição, Enfermagem, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Psicologia e
Odontologia, o trabalho interdisciplinar e em equipe com outras áreas de conhecimento em saúde
ainda está subtilizado como fonte de aprendizado.
Em relação aos internatos estes são desenvolvidos em sua maioria no Hospital das Clínicas, mas,
em virtude do número de alunos, alguns são realizados extramuros em serviços conveniados.
Alguns Internatos são realizados em hospitais de referência no Estado, onde predominam certas
áreas do atendimento médico, por exemplo, o Centro Geral de Pediatria, com ênfase nas doenças
infecto-contagiosas e o Hospital do Pronto Socorro João XXIII, com intenso movimento de urgências
em traumatologia. O principal problema apontado nas avaliações é a supervisão dos estágios fora do
HC, ainda realizada de forma inadequada e heterogênea.
Como já apontado no vetor mudanças pedagógicas (p. 30), um ponto crítico do curso é o
aprendizado da assistência ao paciente com urgência/emergência clínica e cirúrgica. No que se
refere ao cenário de prática, os espaços para este aprendizado são pouco diversificados além de
insuficientes para assegurar uma participação efetiva de todo aluno em todo o estágio, mesmo
considerando que os locais utilizados ainda não são plenamente aproveitados para o aprendizado.
A situação relatada é um dos fatores responsáveis de busca pelos alunos de aprendizagem em
locais não credenciados onde trabalham freqüentemente em más condições e, algumas vezes, sem
supervisão, mesmo do corpo clínico dos hospitais onde estes estágios são realizados à revelia da
Faculdade. O aluno segue, dessa forma, um verdadeiro currículo paralelo, sem avaliação da
Faculdade e que, somado ao currículo obrigatório e reconhecido, impõe uma carga muito grande de
tensão e trabalho ao aluno.
Encontra-se em fase final, na Faculdade, como tese de doutorado, um estudo de pesquisa sobre
este currículo paralelo em que se prevêem recomendações atualizadas para solução dessa antiga
questão. Uma das possibilidades seria, diante da perspectiva de flexibilização curricular, a
acreditação de práticas extracurriculares dos alunos uma vez regulamentadas e avaliadas de forma
sistemática pelo Colegiado de Curso.
O Internato de Saúde Coletiva, descrito no texto sobre mudanças pedagógicas, implantado em 1978,
representa uma experiência bem sucedida de integração docente-assistencial, em que os serviços
de saúde, particularmente os públicos, são reconhecidos como parceiros da Universidade no
direcionamento da Educação Médica, permitindo ao aluno o contato direto com a realidade de saúde
de uma população, até então, pouco contemplada nas atividades ambulatoriais. Os alunos
organizam-se em duplas que são designadas para municípios do estado, onde irão morar e trabalhar
durante o trimestre. Salienta-se que os municípios conveniados para serem utilizados como área de
estágio são criteriosamente escolhidos, contam com profissionais na supervisão clínica direta do
discente e estão sob supervisão didático-pedagógica do coordenador da disciplina, em reuniões
quinzenais.
Deve-se frisar, entretanto, que o treinamento em serviço dos internatos, de forma geral, reproduz a
organização social predominante do trabalho médico, sendo desenvolvido em serviços da Escola,
como HC e seus ambulatórios de especialidades. Consolida o modo de intervenção biológico no
indivíduo, delineado ao longo do processo de formação, reforçando, dessa maneira, a concepção43
biológica de abordagem do processo saúde-doença. Mesmo durante o Internato de Saúde Coletiva,
verifica-se predomínio das atividades assistenciais, em parte por mecanismos de pressão dos
serviços locais de saúde que querem ver sua demanda atendida, e, em parte, por opção dos próprios
alunos, não sensibilizados para uma prática profissional mais abrangente.
Algumas atividades práticas que são ofertadas aos alunos, ligadas a disciplinas optativas e projetos
de extensão ocorrem fora da própria instituição. São desenvolvidas principalmente a partir do
terceiro ano, em comunidades, creches, asilos, escolas de primeiro grau, indústrias, unidades
básicas de saúde e hospitais, permitindo ao estudante familiarizar-se com os diversos cenários onde
irão exercer suas atividades profissionais e, por outro lado, a composição de parcerias com os
serviços de saúde com o objetivo de promover o bem-estar da população. Estas atividades, embora
sistemáticas, não são obrigatórias e são restritas à parte dos alunos. No momento, em torno de 270
dentre os 1280 alunos no Ciclo Profissional, participa de alguma destas atividades, seja como
atividade curricular nas disciplinas optativas, seja como atividade de extensão. Destes cerca de 40
são bolsistas.
A Faculdade conta com um Laboratório de Habilidades Profissionais cujo objetivo é instrumentalizar
o estudante no exercício do diagnóstico clínico, sempre complementar à prática médica com doentes
reais. Embora a prática clínica com pacientes reais faculte ao estudante juízo crítico insuperável, ao
abordar o doente e não a doença, a prática simulada aumenta a segurança do aluno e evita
situações constrangedoras e, às vezes, até antiéticas como toque ginecológico ou retal sendo feito
por muitos alunos. O Laboratório garante a oportunidade do treinamento e facilita o exame no
paciente. Atualmente, as disciplinas de Prática de Saúde A e B têm atividades sistemáticas no
Laboratório, nas demais a prática é esporádica e não-sistemática. Assim, esse recurso da Faculdade
ainda é muito pouco utilizado pelos professores e ainda necessita ser suficientemente equipado para
atender as necessidades de todas as disciplinas.
Imagem Objetivo
1) Inserção precoce dos estudantes dos primeiros períodos do curso em serviços de saúde,
segundo projeto já elaborado, como atividade curricular que aborde a promoção de saúde, o
contato com a comunidade, o trabalho em equipe e o conhecimento do atendimento básico à
saúde, numa proposta de atuação na área de atenção básica centrada no aluno como sujeito da
aprendizagem e apoiado no professor como mediador do processo, que capacite os alunos para
atuação na atenção básica, numa perspectiva interdisciplinar e multiprofissional.
2) O Ciclo Propedêutico deve permanecer ministrado em ambulatórios, em unidades de assistência
do HC ou da rede pública. Deve ser pactuada com os gestores a adequação da demanda
assistencial ao nível do aprendiz. O ensino será mantido também em unidades de internação
devendo, ainda, ocorrer utilização plena do Laboratório de Habilidades Profissionais.
3) O ensino de Ginecologia e Obstetrícia deverá ser desenvolvido nos Centros de Saúde da rede
municipal, integrado com o ensino de Clínica Médica, Pediatria, Saúde Mental e a disciplina de
Política de Saúde e Planejamento, sob forma de um internato em atenção básica no 7º e 8º
períodos do Curso.
4) As atividades práticas dos alunos que atuam nos Centros de Saúde deverão ser estendidas para
ações de promoção e prevenção à saúde além da assistência e integradas com as equipes do
PSF.
5) O aluno deverá ser inserido no sistema de atendimento imediato às urgências urbanas. A
inserção já existente nos centros hospitalares da rede e do HC para assistência aos agravos
traumatológicos clínicos e cirúrgicos deverá ser reestruturada no PA do Hospital das Clínicas e
Hospital do Pronto Socorro João XXIII e ampliada para outros centros de atenção às
urgências/emergências da rede municipal de saúde.
6) As atividades práticas dos alunos deverão ser exercidas num contexto interdisciplinar,
promovendo-se a organização de atividades comuns aos alunos dos diversos cursos da área de
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saúde que têm seu campo de prática no Hospital das Clínicas – Medicina, Nutrição,
Enfermagem, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Psicologia e Odontologia.
Operações visando à mudança
1. Pactuar com os gestores:
a adequação das instalações físicas e equipamentos dos centros de saúde para a
realização do internato em atenção básica;
a reestruturação e ampliação da inserção dos estudantes de medicina nos serviços
públicos de urgência e emergência, incluindo as atividades de atenção pré-hospitalares,
os “resgates”.
2. Promover seminários de sensibilização para atuação dos docentes, nas modificações propostas:
nas atividades de promoção e prevenção no Programa de Saúde da Família;
nos laboratórios de informática, laboratórios de auto-aprendizagem, de habilidades
profissionais e sala multimeios;
para prática interdisciplinar
3. Capacitar os docentes para:
a prática e ensino de atividades de promoção e prevenção no Programa de Saúde da
Família;
prática e orientação do aluno nos laboratórios de informática, laboratórios de
auto-aprendizagem, de habilidades profissionais e sala multimeios;
prática e ensino interdisciplinar.
4. Criar, ampliar e melhorar recursos educacionais: laboratório de informática, biblioteca e recursos
audiovisuais; laboratórios de auto-aprendizagem; laboratório de habilidades profissionais; sala
multimeios.
5. Reestruturar os ambulatórios da Instituição para prática interdisciplinar.
6. Avaliar as operações realizadas.
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Vetor II: Abertura dos Serviços Universitários às Necessidades da Comunidade e SUS
Situação Atual
Com relação ao Hospital das Clínicas, a reforma curricular da década de 1970 interferiu radicalmente
também no seu processo gestor e na sua interseção com os serviços públicos assistenciais. Além de
promover a instalação de um sistema de cuidados progressivos ao paciente, substituindo a
administração por clínicas médicas, o HC criou um serviço ambulatorial dentro de suas instalações
físicas integradas à rede pública assistencial.
Atualmente, no HC-UFMG, as diversas especialidades médicas se organizam em Serviços
Especializados, com ambulatórios que atendem a aproximadamente 5000 consultas especializadas
mensais, sendo 85% disponibilizadas para marcação direta na Central de Marcações da SMS. Além
das consultas especializadas, oferece cerca de 23 000 consultas nas áreas de atenção básica e
cerca de 1000 cirurgias ambulatoriais mensais, com marcação direta no Hospital. Estas consultas e
cirurgias ambulatoriais são realizadas por alunos, com supervisão docente.
Assim, grande parte da prestação de serviço da UFMG ao SUS e comunidade é realizada pelo
Hospital das Clínicas. O Hospital tem uma atuação intensa na assistência em nível de cuidado
básico e secundário através dos serviços e grupos de especialidades das mais diversas áreas, com
atuação na pesquisa e no ensino, constituindo-se, hoje, como campo de prática de sete cursos da
área de saúde – Medicina, Nutrição, Enfermagem, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Psicologia e
Odontologia.
Recebe atualmente o Fator de Incentivo ao Desenvolvimento do Ensino e Pesquisa em Saúde –
FIDEPS mantendo um pacto com a rede municipal de saúde, anualmente renovado, que inclui, entre
outros compromissos:
dedicação ao SUS de, no mínimo, 85% da totalidade de seus leitos ativos e disponibiliza-los
para fluxo exclusivo das Centrais de Internação;
disponibilização de consultas para pacientes encaminhados pela Central de Marcação de
Consultas do município ao ambulatório do Hospital;
manutenção de Serviço de Pronto Atendimento com rotina formalmente estabelecida, nas
especialidades médicas nas quais o Hospital mantenha Programa de Residência Médica
que demandem atendimento de urgência/emergência e cobertura ao acidentado do
trabalho;
manutenção de atividades de aperfeiçoamento e treinamento em serviço na área de saúde e
afins;
integração comprovada ao sistema estadual/municipal de referência e de contra-referência,
tanto hospitalar quanto ambulatorial e que estes serviços sejam utilizados para o ensino;
integração na Central de Marcação de Consultas e Central de Internação Municipal;
participação de Programas/Pesquisas e Ações Estratégicas propostos pelo Ministério da
Saúde e Secretaria Municipal de Saúde;
Participação, como centro formador de recursos humanos, de projetos de capacitação de
recursos humanos da área da saúde da região, definidos pelos gestores.
No que se refere à abertura para o SUS,consideramos, entretanto, que os grupos de especialidade e
serviços têm ainda pouca atividade no sentido de construção conjunta de protocolos clínicos para
utilização na rede. Estes grupos poderiam ser mais ativos junto à esta, na prestação de assessorias,
consultorias e capacitação de profissionais para a solução dos problemas mais comuns do serviço e
da população, a exemplo do Projeto de Controle da Asma na Criança citado inicialmente neste texto.
A integração do hospital ao sistema de referência e contra-referência do HC também pode ser
melhorada com ganhos para a rede e para o Hospital.
Avaliamos que, em relação à abertura dos serviços universitários às necessidades do SUS, as ações
do Hospital Universitário nos creditam a classificação de estágio três.
Entretanto, há duas questões freqüentemente levantadas pelos professores e alunos que devem ser
consideradas na perspectiva de uma integração continuada:
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Os professores fazem reivindicação, já histórica, de reconhecimento do seu trabalho em
dupla função, docente e assistencial, seja na forma de compensação financeira ou através
de outros mecanismos a serem apresentados que possam beneficiar sua prática diária.
Alunos e professores reclamam da ocorrência, com freqüência, da pressão pela assistência
e produção de serviços, incompatíveis com a situação de aprendizado. Os gestores do
sistema, por outro lado, são pressionados pela população para a assistência e esta força se
transmite aos comandos locais, exigindo uma produção de serviços incompatível com o
ensino. Este erro conceitual dos representantes tenciona as relações operacionais e impede
também que outras ações para a promoção da saúde sejam desenvolvidas.
A integração entre academia, comunidade e serviço não consiste numa tarefa simples, pois envolve
diversos interesses e anseios dentro de cada uma destas entidades. A burocracia, o comodismo e o
medo do “novo” representam fortes obstáculos para essa integração, mas superá-los significa a
aquisição de vantagens para todos os envolvidos.
Com relação a este vetor, além da integração do Hospital e seus ambulatórios à rede, podemos
destacar as atividades relacionadas à extensão, descritas no vetor de Educação Permanente e
Produção de Conhecimento, que de alguma forma prestam serviços à comunidade ou às redes
municipais ou à Secretaria de Estado da Saúde ou a todos:
Projeto “Laboratório do Movimento”: atividades físicas, terapêuticas e de lazer para a
comunidade do Campus da Saúde, comunidade de pacientes do complexo do Hospital das
Clínicas e comunidade em geral. Administrado pelos Centros de Extensão da Escola de
Educação Física, Enfermagem, Medicina e Hospital das Clínicas.
Núcleo de Educação à Distância-NUCLEAD
Tópicos em Educação Continuada
Projeto “Manuelzão”
Programa de reorganização da assistência pública à criança asmática em Belo Horizonte
Projeto Morada Nova
Projeto "As gentes de Ibiaí “
Projeto Pirapora Adolescente
Projeto “Ação junto aos sindicatos pela melhoria das condições do trabalho nos setores de
telefonia, informática, metalurgia e mineração”
Projeto Atendimento Primário de Pacientes com Doenças Endócrinas: uma proposta de
aproximação/regional Nordeste
Projeto Lar dos Idosos
Projeto Creche das Rosinhas: educação e saúde ano X
Projeto Cathivar: humanizando o atendimento de pacientes terminais em câncer e AIDS
Projeto Educação, Pesquisa e Prática em HIV/AIDS
Projeto Menino no Parque/saúde menino no parque
Projeto Núcleo de Estudos da Mulher-NEMS
Também, a maior parte das atividades desenvolvidas pelo Núcleo de Pesquisa em Saúde Coletiva e
Nutrição (NESCON), pelo Pólo SF/UFMG, sobretudo as atividades de capacitação, presenciais e à
distância podem ser caracterizadas como abertura dos recursos da Faculdade à comunidade e ao
SUS.
Dentre as atividades dos Núcleos, destacam-se, por esta característica, aquelas desenvolvidas pelo
NUPAD (Núcleo de Pesquisa e Apoio Diagnóstico), responsável pelo Programa de Screening
Neonatal em Minas Gerais. Este visa garantir a todas as crianças nascidas no estado, o diagnóstico
e tratamento precoce e gratuito de Fenilcetonúria, Hipotireoidismo Congênito e, atualmente,
também, hemoglobinopatias. Realiza ainda, gratuitamente, a determinação de Paternidade.
Vale destacar, finalmente, o Observatório de Saúde Urbana que se encontra em fase de projeto e
que deverá ser estruturado e organizado incorporando-se instituições de ensino e pesquisa em
saúde da Cidade, com a coordenação do Departamento de Medicina Preventiva e Social da
FM/UFMG. Deverá se desenvolver em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Belo
Horizonte e demais secretarias municipais de saúde das cidades da região metropolitana, com as
seguintes metas:
Monitorar tendências espaciais e temporais da ocorrência de eventos relacionados à saúde; 47
identificar áreas e eventos relacionados à saúde, onde exista carência de informações e
dados;
utilizar e construir indicadores para avaliação das ações de saúde e determinação das
iniqüidades em saúde;
utilizar as informações geradas e disponibilizadas nos diversos níveis da área de saúde e
afins, de forma inovadora para a promoção da saúde coletiva;
elaborar e conduzir projetos de pesquisa e avaliação das ações de saúde;
desenvolver e agregar recursos humanos e materiais capazes de predizer e indicar
problemas e eventos emergentes relacionados à saúde.
Em vista do exposto, avaliamos que a Instituição se encontra no estágio dois, com inserções
no estágio três e com potencial para atingir em médio prazo o estágio três, de forma plena.
Imagem Objetivo
Quanto à abertura do Hospital às necessidades do SUS, este promove um pacto com o Sistema,
através de um Plano Operativo, e assume em caráter permanente diversos compromissos mínimos
com o objetivo de estabelecer as metas qualitativas e quantitativas e outras ações funcionais. Estas
metas e compromissos não somente atendem à missão do Hospital, referendada em diversos
Seminários de Avaliação, como devem ser cumpridas para o recebimento do FIDEPS. Entre estas
estão incluídas:
1. Construção contínua do trabalho e da articulação interdisciplinar e intersetorial e valorização
do processo e do trabalho em equipe.
2. Dupla função docente assistencial reconhecida e recompensada em formas pactuadas
interinstitucionalmente.
3. Demandas assistenciais harmonicamente ajustadas à natureza do ensino/apendizagem.
4. Manutenção de Serviço de Pronto Atendimento com rotina formalmente estabelecida, nas
especialidades médicas nas quais o Hospital mantenha Programa de Residência Médica
que demandem atendimento de urgência/emergência e cobertura ao acidentado do
trabalho.
5. Manutenção de atividades de aperfeiçoamento e treinamento em serviço na área de saúde e
afins e outros.
6. Integração comprovada ao sistema estadual/municipal de referência e de contra referência,
tanto hospitalar quanto ambulatorial e que estes serviços sejam utilizados para o ensino.
7. Manutenção da dedicação ao SUS de, no mínimo, 75% da totalidade de seus leitos ativos e
disponibilizá-los para fluxo exclusivo das Centrais de Internação.
8. Manutenção da disponibilização de consultas para pacientes encaminhados pela Central de
Marcação de Consultas do Município ao ambulatório do Hospital.
9. Melhoria da integração na Central de Marcação de Consultas e Central de Internação
Municipal.
10. Participação de Programas/Pesquisas e Ações Estratégicas propostos pelo Ministério da
Saúde e Secretaria Municipal de Saúde.
11. Participação, como centro formador de recursos humanos, de projetos de capacitação de
recursos humanos da área da saúde da região, definidos pelos gestores.
12. Outras metas e indicadores de desempenho também são pactuados com o sistema, como a
garantia de quantitativos de procedimentos propedêuticos e terapêuticos, formação de
recursos humanos, número de leitos e tempo de permanência de internação.
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Outras possibilidades:
1. Estímulo dos grupos de especialidades e serviços para a construção conjunta de protocolos
clínicos, prestação de assessorias, consultorias e capacitação de profissionais para a
solução dos problemas mais comuns do serviço e da população. A integração do Hospital a
um sistema de referência e contra-referência, por representar um potencial de educação
permanente para os profissionais da rede, ainda está incipiente.
2. Conclusão da implantação do projeto Telemedicina que prevê a criação de uma rede
informatizada entre o Hospital, através de seus especialistas, e os serviços assistenciais da
rede pública para discussão de casos e avaliação de propedêutica em imagens, em tempo
quase real. É, sem dúvida, a iniciativa atual mais consistente para se tentar resolver este
aspecto da interação universidade-serviço.
3. Serviços Especiais do HC e grupos de especialidades plenamente integrados para a
referência da atenção básica e na elaboração de protocolos para a assistência aos
problemas mais prevalentes e de maior gravidade.
4. Continuidade e estimulação das atividades realizadas pelos Núcleos e Pólo PSF/UFMG em
estreita parceria com as redes municipal e estadual de saúde, especialmente as atividades
do NUPAD e PóloSF/UFMG.
5. Observatório de Saúde Urbana implementado.
6. Manutenção e expansão das atividades voltadas e em parceria com a comunidade,
instituições públicas, ONG’s, etc. em Belo Horizonte e municípios do interior do Estado,
realizadas através dos projetos de extensão.
Operações visando à mudança
1. Otimização da integração da rede ambulatorial e hospitalar da Universidade com o SUS,
colocando o HC como referência para o encaminhamento de pacientes, atividades de
capacitação e educação permanente.
2. Realização de seminário do Hospital das Clínicas e redes municipal e estadual de saúde
para discussão e sensibilização com o objetivo de integração.
3. Implantação do projeto Observatório de Saúde Urbana.
4. Implantação do projeto Telemedicina.
5. Avaliação das operações realizadas.
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