Como Diagnosticar e Tratar a Angina do Peito Ant�nio S�rgio

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11/16/2011
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							  Como Diagnosticar e Tratar a
       Angina do Peito
                Antônio Sérgio Cordeiro da Rocha




Sem conflito de interesse
   Síndrome Isquêmica Estável
• No nosso país, de acordo com os dados do SUS, as doenças do
  aparelho circulatório são responsáveis por cerca de 28,12% de
  todas as causas de morte.
• As doenças isquêmicas são responsáveis pela segunda maior causa
  de morte das doenças do aparelho circulatório, só perdendo para
  as doenças cerebrovasculares.
• Muitos pacientes ficam temporária ou permanentemente afastados
  de suas atividades profissionais e sociais.
• No estudo BARI foi verificado que cerca de 30% dos pacientes
  nunca mais voltaram ao trabalho após a revascularização
  miocárdica. Cerca de 15 a 20% acharam que a saúde estava ruim
  ou sofrível apesar da revascularização.
• Admite-se que cerca 6,8 milhões de americanos apresentariam
  angina de peito. Transpondo esses números para o Brasil, haveria
  cerca de aproximadamente 3 milhões e 600 mil indivíduos com
  angina de peito em nosso país. Certamente, esses números estão
  subestimados.
                  Isquemia Miocárdica
                   Mecanismo Fisiopatológico Básico

                  Desequilíbrio oferta / consumo de O₂



      Oferta de O₂                                Consumo de O₂


                                                  Atividade física
  Fluxo coronário                                   ou mental

                                                 Trabalho cardíaco

aterosclerose
obstrução fixa                           FC     Tensão     contratilidade
                                               parietal
                 vasomotricidade
                                              (T= P.r/h)
                 obstrução dinâmica
               Causas de angina de peito
                (isquemia miocárdica)

Lesão                                     •   Obstrução significativa
de DA                                         (>70%) de 1 ou mais
                                              artérias coronárias
                                              (aterosclerose)
                                          •   Miocardiopatia hipertrófica
                                          •   HAS não controlada
                                          •   Miocardiopatia dilatada
                                          •   Doença orovalvar (estenose
                                              ou insuficiência aórtica)
                                          •   Disfunção endotelial e
                                              espasmo coronariano
                                          •   Síndrome X
                                          •   Outras (anomalias
                                              coronarianas, etc.)




Outras causas de dor ou desconforto torácico podem originar-se na
aorta (dissecção), pericárdio, pleura, caixa torácica, esôfago, coluna
cérvico-torácica, alterações psiquiátricas, etc.
               Diagnóstico
• Sintomas
  – Dor no peito
• Sinais
  – Onda pré-sistólica, 4ª bulha, SS mitral
  – Doença vascular periférica (diferença na PA
    braço/perna)
  – Alterações no ECG em repouso – isquemia sub-
    epicárdica ou sub-endocárdica, alterações da
    repolarização, sinais de necrose
  – Alterações na contração segmentar do VE ao
    ECO
Angina estável – características -

             • Angina típica – (1) dor ou desconforto
               retroesternal, na mandíbula, ombro,
               membros superiores ou dorso, em
               aperto, opressão, em peso ou
               sufocante, com duração de minutos,
               (2) provocada pelo exercício físico ou
               estresse emocional, (3) que é aliviada
               pelo repouso ou uso de nitroglicerina.
             • Angina atípica – é aquela que
               apresenta duas das características
               das descritas acima
             • Dor não anginosa – quando apresenta
               uma       ou     nenhuma        dessas
               características.
  Probabilidade de DAC de acordo com o sexo, idade,
           tipo de dor e fatores de risco (*)
             – banco de dados da U. Duke –

           dor não anginosa     angina atípica        angina típica


           homens    mulheres   homens    mulheres   homens    mulheres

 35 anos   3 – 35     1 – 19    8 – 59     2 – 39    30 – 88   10 – 78

 45 anos   9 – 47     2 – 22    21 – 70    5 – 43    51 – 92   20 – 79

 55 anos   23 – 59    4 – 25    45 – 79   10 - 47    80 – 95   38 – 82

 65 anos   49 - 69    9 - 29    71 - 86   20 - 51    93 - 97   56 - 84



(*) na segunda coluna estão representadas as porcentagens dos
pacientes com fatores de risco: diabetes, tabagismo corrente (>15
maços/ano) e dislipidemia. Havendo alterações no ECG (alt ST.T ou
ondas Q patológicas), a probabilidade aumenta ainda mais.
Angina estável - Probabilidade de DAC
        Critérios Diagnósticos
    – exames complementares –

 anatômicos        ?           fisiológicos




Coronariografia
                                   TE
TC ultra-rápida
                  Eco estresse físico ou farmacológico
     TCEE
                  CM estresse físico ou farmacológico
  Angio-RSM
                      RSM estresse farmacológico
     UIV
                                   PET
                    Fluxo e Gradiente Intravascular
Extensão da DAC em pacientes ajustados de acordo
  com o risco pré-teste (Shaw et al. JACC 1999;33:661-9)

           sem obstruções    univascular       multivascular
  100%

                             p<.00001
   80%             34
                                              43

   60%
                   24
                                              24
   40%


   20%             42
                             p<.0001          33

    0%
                CAT direto                 CM => CAT
 ascr
  Grau de obstrução coronária antes do IAM


  Obstrução
  >70%
                14%
                              Obstrução < 50%

              18%
Obstrução
50 a 70%
                      68%
Sensibilidade e Especificidade dos testes não
         invasivos em detectar a DAC

Teste                S                  E        n° de estudos     n° de pac

TE                   68%               77%          132             24.074

Cintilografia
        Plana       79%                 73%            6              510
                  (70-94%)            (43-97%)
        Spect       88%                 77%            8              628
                  (73-98%)            (53-96%)

Eco/estress        76%                  85%           10             1.174
                 (40-100%)            (80-95%)



S= sensibilidade; E= especificidade

                                                  N.Engl.J.Med.2001;344: 1840-45
             Testes de Imagem
                   Vantagens
       • Maior sensibilidade e especificidade
• Localizam os defeitos de perfusão e contração dos
               segmentos miocárdicos
  • Avaliam a função ventricular em repouso e sob
                       estresse
      • Determinam a gravidade da isquemia
 • Podem ser realizados em ~100% dos casos (CM)


                 Desvantagens
             • Menor disponibilidade
                • Maiores custos
Algoritmo Diagnóstico           DOR NO PEITO


                    CONTRA-INDICAÇÃO AO TESTE DE ESFORÇO (*)


                        SIM                         NÃO


                                                     TE
               ECO/CM
             SOB ESTRESSE

                                        RISCO        RISCO          RISCO
                                        ALTO     INTERMEDIÁRIO      BAIXO
 RISCO          RISCO           RISCO
 BAIXO      INTERMEDIÁRIO       ALTO

                                                    TESTE DE     PREVENÇÃO
                                                    IMAGEM      TRATAMENTO
 PREVENÇÃO
TRATAMENTO

                 PREVENÇÃO
                                  CORONARIOGRAFIA
                TRATAMENTO
              CORONARIOGRAFIA
                                                * BRE ou ritmo de marcapasso
Tratamento
     Doença Coronariana Estável
         - objetivos da terapêutica -

• Redução da carga isquêmica, isto é, isquemia
  sintomática e assintomática (melhora da
  qualidade de vida)
• Prolongamento da expectativa de vida
• Manter     a    estabilidade    da      placa
  aterosclerótica e evitar a progressão da
  aterosclerose
               Isquemia Miocárdica
                           tratamento
                   Redução da carga isquêmica
                            restabelecer
                  equilíbrio oferta / consumo de
                                 O₂

      Oferta de O₂                             Consumo de O₂


   Drogas anti-isquêmicas                  Drogas anti-isquêmicas
Angioplastia c/ ou s/ Stent                . Betabloqueadores
Cirurgia de revascularização               . Nitratos
                                           . Antagonistas do Ca++
Doença Arterial Coronariana Crônica
                 - melhora da angina -
• No estudo RITA 2, o grau da angina antes do procedimento influiu na remissão
  do quadro no seguimento de 6 meses.
  Angina(basal)       (após)         ATC             TCL
  CF 0 ou 1           c/angina       13,8%           17,4%
  CF 2                c/angina       20,6%           42,4%
  CF 3 ou 4           c/angina       36,5%           57,8%

Angina(CF 1 ou 2) em 12 meses         CRM     ATC     TCL      p
• MASS II                             14%     21%     54%      <.00001
• ARTS                                10,5%   21,1%   ------   <.001
• BARI(em 5 anos)                     14%     22%     ------   <.01
• MASS I(em 5 anos)                   30%     35%     75%      <.01
     Doença Coronariana Estável
         - objetivos da terapêutica -

• Redução da carga isquêmica, isto é, isquemia
  sintomática e assintomática (melhora da
  qualidade de vida)
• Prolongamento da expectativa de vida
• Manter     a    estabilidade    da      placa
  aterosclerótica e evitar a progressão da
  aterosclerose
Morte ou IAM em seguimento a longo prazo de
pacientes com DAC estável tratados medicamente
                          (Jabbour e col. Am J Cardiol 2004;93;294-9)


         Intervalo de confiança de 95% a cada intervalo




                           Mortalidade cardíaca       - 0,8% por ano
                           IAM não fatal              - 2,2% por ano
                           Angina instável            - 6,8% por ano
                           Revascularização           - 6,0% por ano




                            Acompanhamento em anos
Estudo MASS II
(DAC multiarterial, com boa função do VE)
                       Seguimento de 5 anos
                         PTCA    Cirurgia   Clínico     p

 IAM não fatal (%)       11.21    8.30      7.38      0.785

     Morte (%)           11.56    7.88      12.31     0.631
  Angina refratária
    requerendo
revascularização (%)     25.31   10.24      11.36     <0.001


                                            Hueb W – ACC 2006
         Doença Arterial Coronariana Crônica
sobrevida cumulativa de acordo com o grau de disfunção ventricular
Prognóstico de acordo com a presença de LTCE
 Mortalidade cardíaca de acordo com o percentual de
miocárdio isquêmico induzido pela adenosina no SPECT
8%
                                                              6,8%
            6,3%
6%
                                                4,8%

                                        3,7%
4%                               2,9%
                                                       3,3%

                                                                 2,0%
                          1,8%
2%                 1,0%
     0,7%

0%
      0%            1 a 5%       5 a 10%       11 a 20%       > 20%

                   médico                  revascularização
                          follow-up de 1,9 meses - JACC 2003;107:2900-06
     Doença Coronariana Estável
         - objetivos da terapêutica -

• Redução da carga isquêmica, isto é, isquemia
  sintomática e assintomática (melhora da
  qualidade de vida)
• Prolongamento da expectativa de vida
• Manter     a    estabilidade    da      placa
  aterosclerótica e evitar a progressão da
  aterosclerose
     Doença Coronariana Estável
          - objetivos da terapêutica -

• Manter a estabilidade da placa
  aterosclerótica e evitar a progressão da
  aterosclerose
  – Correção dos fatores de risco
  – Mudança de hábitos de vida, especialmente
    incrementar atividades físicas
  – Antiagregantes plaquetários, IECA (?),
    hipolipemiantes, especialmente, estatinas
 Doença arterial coronariana crônica
             - conduta -
                             Sob medicação


         AE CF I ou II                              AE CF III ou IV



Função do VE                                      Independente da função do VE
                     Disfunção do
   normal                 VE


Dependendo do                                  revascularização
 estilo de vida

                                    Medicação = betabloqueador, nitrato oral, IECA,
Tratamento clínico                  anti-agregante, antagonista do Ca, estatina
obrigado
Angioplastia coronária comparada com treinamento
  físico na DAC estável – ensaio randomizado –
        Hambrecht e colab. Circulation 2004;109:1371-78


                           Resultados
                                  exercício          ATC
Morte cardíaca                      0                 0
IAM ñ fatal                         0                 1
AVE                                 2                 1
CRVM                                0                 3
ATC lesão alvo                      2                 2
ATC outros segmentos                1                 7
Piora da angina                     1                 7
AVE/CRVM/ATC p/AI                   5                 14
Qq evento isquêmico                 6                 21
Limiar isquêmico (basal)           98±6               99±7
                (12m)             127±8              119±7*
VO2 máx         (basal)           22,6±0,7           22,3±0,6
                (12m)             26,2±0,8           22,8±0,9*
Custo médio     (Euros)           3708±156           6086±370
    Redução do risco cardiovascular com
terapêutica antigregante plaquetária na DAC
   Doença Arterial Coronariana Crônica
 AVERT (Atorvastatin Versus Revascularization Treatment Trial)


• 341 pacientes foram randomizados para ATC ou
  Atorvastatina (80mg/dia)
• Todos com obstrução  50% de 1 ou 2 vasos
• LDL  115mg/dl, seguimento  18 meses
                    ATO (164)    ATC (177)     p
  eventos
 em todos               22(13,4%)         37(20,9%)     .024


 só nos isquêmicos      6/70(8,5%)     17/88(19,3%)    .048
 Progressão da aterosclerose em 52 pacientes (32% do
total) que aceitaram nova coronariografia, realizada em
             média 4 anos após a primeira
            (Heub W e col. Am J Cardiol 1989;63:155-9)

• Progressão ocorreu em 60% dos vasos, não sendo
  diferente na DA (50%), CD (66%) ou CX (68%).
• Aparecimento de novas lesões, em vasos previamente
  normais, ocorreu em 57% (12/21)
• Acentuação de obstruções prévias ocorreu em 60%
  (63/102)
• Novas oclusões em 12% (15/123)
Estudo REVERSAL – comparação entre o percentual de redução do
LDLc e alteração no volume da placa aterosclerótica
      (Nissen e col. JAMA 2004;291:1071)
Relação entre o LDLc e alterações anuais na
  placa aterosclerótica(Birgelen e col. Circulation 2003;108:2757-62)
Estudo REVERSAL – comparação entre o percentual de
redução do LDLc e alteração no volume da placa
aterosclerótica    (Nissen e col. JAMA 2004;291:1071)
 Será que alguma opção terapêutica é capaz
de reduzir a incidência de morte, IAM não fatal
ou necessidade de revascularização (nova) em
 pacientes com DAC comprovada e estável ?
Angioplastia versus Tratamento médico na angina
estável e DAC – retirado dos estudos randomizados
     (Boden W. JACC 2004;43:1752-4)

  Desfecho              razão de risco(IC 95%)

  Angina                0,70   (0,50 a 0,98)

  IAM fatal e ñ fatal   1,42   (0,90 a 2,25)

  Morte                 1,32   (0,65 a 2,70)

  ATC                   1,29   (0,71 a 3,36)

  CRVM                  1,59   (1,09 a 2,32)


                                               0,4   0,6   0,8   1,0       2,0    3,0

                                           ATC melhor                  T médico melhor
      Doença Arterial Coronariana Crônica
                 - incidência de IAM não fatal -
                 Tratamento médico   angioplastia           cirurgia

  9        8,3
  8
                                                          6,6           6,3
  7                            5,7
  6                                  4,7
                                                    4,1                              4,6
% 5                                        3,6                   3,3
  4    3
  3              2
                                                                               2,1
  2
                         0,9
  1
  0
       MASSII           ERACI2       ARTS           SOS                RITA2   BARI
SIRIUS – stent eluidor de rapamicina
      MACE hosp          morte/IAM fora hosp       TVR     TLR
30%

25%

20%
                                                16,6%
15%

10%            3,9%
               3,2%                             4,8%
 5%
      1,4%                                                2,3%
                            2,4%     1,5%
 0%
             Sirolimus                         controle
        Doença Arterial Coronariana Crônica nas
                Lesões Multivasculares
               - mortalidade dos tratamentos -
    8                                           7,5
    7
    6
    5                                                       4,5
%                                                                 4
    4                                     3,1
                  2,5   2,8       2,5
    3       2,2                                                       2,1
    2 1,4                                             1,5                1,6 1,7
                                    0,8
    1
    0
        RITA 2     ARTS           SOS     ERACI II      MASSII         BARI

                        clínico           atc                 crm
         Estudo ARTS - resultados em 3 anos
                         (Circulation 2004;109:1114-20)

                     Stent                                CRVM

    40
                                                                      34,2
    35
    30
    25
%
                                                           20
    20                                                                       17
    15
                                            9,2
    10             7,3                                          6,1
                         5,7
         3,7 4,6                3,3 3,3
    5                                             1,2
    0
          morte     IAM          AVE        nCRVM          nATC       qq evento
                        Procedimentos no 1° ano (MASS II)

                         10
                                                                                    * p= 0,002
                                        8,3                8,3
                                                                               ** p= 0,0001
Percentual de eventos




                        7,5             *                  **          7,4
                                                                               *** p= 0,002



                          5
                                                                              3,9

                              2,5                   2,5
                        2,5                   2



                               5        17    4      5     17      0   15     8
                                                                                       ***
                                                                                        0
                          0
                                    Cine                  PTCA               CABG
                                                  Procedimentos
                              Clínico                       PTCA               CABG
       Metaanálise de 29 estudos
      randomizados (Ann Intern Med 2003;138:777)
                           ATC          STENT    OR (IC 95%)


Reestenose
angiográfica             1089/2731 742/2740     0,52 (0,37 - 0,69)
                          (40%)      (27%)

Morte/IAM                 279/5190 229/4727     0,90 (0,72 - 1,11



      0,05 0,1     1,0       5,0
    STENT melhor           ATC melhor
Stents Liberadores de Drogas – estudos
 randomizados (sirolimus e paclitaxel)
              restenose no segmento (%)
50
                           44,2
45
40            36,3
35
30   26                                             26,6
                                                                 SLD
25                                       22
                                                                 SÑD
20
15
                     8,9                      7,1          7,9
10
                                  5,1
 5        1
 0
     RAVEL    SIRIUS       novos        TAXUS II    TAXUS IV
                           SIRIUS
                 ATC vs CRVM
           repetição de revascularização
    60
          54
                                           TCTMD - 2004
    50

    40

%   30

    20              16,7

    10                         8            6

    0
         ATC       STENT      CRVM         SLD
         BARI      ARTS       BARI    CYPHER/TAXUS
Resultados Clínicos dos SLD – estudos randomizados
    Problemas ligados aos SLD
• Segurança (probabilidade de trombose tardia)
  – Uso dos antiagregantes por longos períodos
  – Hipersensibilidade ao polímero
• Limitações
  – Disponibilidade: dimensões (>3,5 mm, <2 mm, > 36 mm)
  – No estudo RESEARCH em cerca de 28% dos casos os
    stents não foram implantados por incapacidade técnica
    (a maioria por conta da anatomia)
  – poucos estudos envolvendo lesões multiarteriais
  – Custos
     • Nos EUA custam aproximadamente 2.900 dólares, na Europa
       2000 Euros e no Brasil entre 14 e 16.000 Reais
    Necessidade de reintervenção (nova ATC
       ou CRVM) no estudo RESEARCH

12        10,9                         Isto significa dizer que de
                                       cada     100      pacientes
10
                                       tratados      com      SLD,
    8
                  7,2                 somente          7       se
%
    6
                                       beneficiaram e 93 não.
                  3,7                  Em termos de custos isto
    4                                  significa dizer que gastar-
    2                                  se-ia 1.395.000 Reais sem
                                       nenhum benefício clínico
    0                                  (ao custo de 15.000 Reais
           SLD   SÑLD                  por SLD).

                  NNT para evitar uma reintervenção = 14 (210.000 Reais)
  Quando indicar SLD nos pacientes com
    DAC multiarterial nos dias atuais?
• Nos pacientes com maior risco de reestenose
  – diabéticos (insulino dependentes),   renais
    crônicos
  – alto risco cirúrgico (com LTCE não protegida)
• nas lesões com maior risco de reestenose
  – lesões ostiais, vasos pequenos, lesões longas,
    lesões em bifurcações, etc.
• nas lesões proximais de DA com grande área
  de miocárdio sob risco
• no IAM
   Doença arterial coronariana crônica
- indicações de revascularização(AHA/ACC) -
Classe I                                                     nível de evidência
1 - CRM para lesão do tronco da coronária esquerda                   (A)
2 - CRM para lesão de 3 v com disfunção do VE(FE<50%)                (A)
3 - CRM para lesão de 2v e DA px, FE<50% ou isquemia em TNIV         (A)
4 - ATC para lesão de 2 ou 3v, DA px, FE nl e sem DM tratado ( B )
5 - ATC ou CRM para 1 ou 2v, s/ DA px, grande área viável e risco
    alto por TNIV                                                    (B)
6 - CRM para 1 ou 2v, s/ DA px, que sobrevivem a morte súbita ou
    TV sustentada                                                    (C)
7 - em ATC, CRM prévias ou ATC para reestenose associada a
    grande área de miocárdio viável ou risco alto por TNIV           (C)
8 - ATC ou CRM para falha no tratamento clínico e tem risco
    aceitável para a revascularização                                (B)
  Doença arterial coronariana crônica
- indicações de revascularização(AHA/ACC) -
 Classe II a
 1 - CRM repetida para pacientes com múltiplas obstruções de safena,
     especialmente quando a DA está envolvida. Seria apropriado usar a ATC
     para obstruções focais da safena em candidatos ruins para CRM ( C )
 2 - ATC ou CRM para 1 ou 2v, s/ DA px, mas com área moderada de
     miocárdio viável e isquemia em TNIV      (B)
 3 - ATC ou CRM para 1v com DA px             (B)
 Classe II b
 1 - comparada com CRM, ATC para 2 ou 3v, com DA px, e anatomia
     favorável para ATC e com DM tratada ou função anormal         (B)
 2 - ATC ou CRM para 1 ou 2v s/ DA px, mas com área de miocárdio sob
     risco moderada e isquemia em TNIV        (C)
 3 - ATC para 1 ou 2v, s/ DA px, que sobrevivem a morte súbita ou TV
     sustentada                               (C)
  Doença arterial coronariana crônica
- indicações de revascularização(AHA/ACC) -
 Classe III
 1 - ATC ou CRM para 1 ou 2v, s/ DA px, com sintomas leves
    incompatíveis com isquemia miocárdica, sem tratamento
    clínico adequado e com pequena área de miocárdio viável
    ou sem isquemia demonstrável em TNIV          (C)
 2 - ATC ou CRM para DAC limítrofe(50 a 60%) e sem isquemia
    em TNIV                                       (C)
 3 - ATC ou CRM para DAC insignificante
    (obstrução < 50%)                             (C)
 4 - ATC para lesão do tronco que são candidatos para
    CRM                                           (B)
         Doença arterial coronariana crônica
                     - conduta -
  LTCE(>50%)           3v e DApx                3v e DA ñpx                    1 ou 2v




                  C/DISF      S/DISF        C/DISF         S/DISF        C/DISF        S/DISF



                                                   DM(#)              DApx     DAñpx




   ATC(*)      CRM         ATC     TCL       CRM       ATC      TCL      CRM      ATC     TCL

(*) no TCE protegido ou condições especiais; # atc com stent recoberto
   Recomendações para teste de imagem como teste inicial para o
   diagnóstico da DAC em pacientes incapazes de se exercitarem

• Classe I
  – CM com adenosina ou dipiridamol ou ECO com dobutamina em
    pacientes com risco intermediário    (evidência B)
  – CM com adenosina ou dipiridamol ou ECO com dobutamina em
    pacientes revascularizados           (evidência B)
• Classe IIb
  – CM com adenosina ou dipiridamol ou ECO com       dobutamina em
    pacientes com risco baixo ou alto na ausência    de marcapasso
    cardíaco ou BRE                  (evidência B)
  – CM com adenosina ou dipiridamol ou ECO com       dobutamina em
    pacientes com risco baixo ou alto e uma          das seguintes
    alterações no ECG
     • Marcapasso cardíaco (evidência C)
     • BRE (evidência B)
  – ECO com dobutamina em pacientes com BRE (evidência C)
  Recomendações para teste de imagem como teste inicial para o
   diagnóstico da DAC em pacientes capazes de se exercitarem
• Classe IIb
   – CM ou ECO com esforço em pacientes com baixo ou alto risco de DAC, com
     uma das seguintes alterações no ECG
      • Síndrome de pré-excitação                          (evidência B)
      • Infra de ST ≥ 1mm                                  (evidência B)
   – CM com adenosina ou dipiridamol em pacientes com risco baixo ou alto e
     umas das seguintes alterações no ECG
      • Ritmo de marcapasso                                (evidência C)
      • BRE (evidência B)
   – CM ou ECO com esforço em pacientes com baixo ou alto risco de DAC, com
     uma das seguintes’:
      • Digoxina com menos de 1mm de infra do ST (evidência B)
      • HVE com menos de 1mm de infra do ST                (evidência B)
   – CM ou ECO com esforço ou CM com adenosina ou dipiridamol ou ECO com
     dobutamina como exame inicial em pacientes com ECG em repouso normal
     que não estejam usando digoxina        (evidência B)
   – ECO com esforço ou ECO com dobutamina em pacientes com BRE
                                                           (evidência C)
  Recomendações para teste de imagem como teste inicial para o
   diagnóstico da DAC em pacientes capazes de se exercitarem
• Classe I
  – CM ou ECO com esforço em pacientes com risco
    intermediário de DAC, com uma das seguintes
    alterações no ECG
      • Síndrome de pré-excitação      (evidência B)
      • Infra de ST ≥ 1mm              (evidência B)
  – CM ou ECO com esforço na revascularização prévia
                            (evidência B)
  – CM com adenosina ou dipiridamol em pacientes com
    risco intermediário e umas das seguintes alterações no
    ECG
      • Ritmo de marcapasso            (evidência C)
      • BRE                                  (evidência B)
     Recomendações para o TE em pacientes
                    assintomáticos
• Classe IIb
  – Pacientes assintomáticos com possível isquemia no
    Holter ou com calcificação grave no TCEE (evidência
    C)
• Classe III
  – Pacientes com as seguintes alterações no ECG
    basal: pré-excitação (evidência B); marca-passo
    (evidência B); infra de ST maior do que 1 mm
    (evidência B); BRE completo (evidência B)
  – Pacientes com diagnóstico estabelecido de DAC
    devido a IAM ou coronariografia prévia; entretanto, o
    teste pode avaliar a capacidade funcional e o
    prognóstico (evidência B)
  Teste de Esforço – Níveis de Recomendação
• Classe I
   – Pacientes com probabilidade pré-teste de DAC intermediária
     baseada na idade, sexo e sintomas (entre 10 e 80%), incluindo
     aqueles com BRD ou menos de 1 mm de infra do ST (evidência B)
• Classe IIa
   – Pacientes com suspeita de angina vasoespástica (evidência C)
• Classe IIb
   – Pacientes com probabilidade pré-teste de DAC alta pela idade,
     sexo e sintomas (evidência B)
   – Pacientes com probabilidade pré-teste de DAC baixa (evidência B)
   – Paciente em uso de digoxina cujo ECG tem menos do que 1mm de
     infra do ST (evidência B)
   – Pacientes com critérios ECG de HVE e menos do que 1mm de infra
     do ST (evidência B)
• Classe III
   – Pacientes com as seguintes alterações no ECG basal: pré-excitação
     (evidência B); marca-passo (evidência B); infra de St maior do que
     1 mm (evidência B); BRE completo (evidência B)
   – Pacientes com diagnóstico estabelecido de DAC devido a IAM ou
     coronariografia prévia; entretanto, o teste pode avaliar a
     capacidade funcional e o prognóstico (evidência B)
     Padrão circadiano da isquemia miocárdica silenciosa
                    (número de episódios)
     30

     25

     20
no
     15

     10

      5

      0
          0   2   4   6    8   10   12   14   16   18   20   22

                          hora do dia
Relação isquemia sintomática e assintomática (silenciosa)




                       sintomático




                    assintomático
  Classificação Funcional da Angina Estável de acordo
      com a Sociedade Canadense de Cardiologia
Classe I
   – Atividades físicas habituais não causam sintomas, tais como,
     caminhar, subir escadas, etc. angina ocorreria aos esforços
     extremos, rápidos ou prolongados no trabalho ou recreação.
     Corresponderia a fazer esforços equivalentes a 7 METS ou mais.
Classe II
   – Ligeira limitação da atividade física. Angina ocorreria caminhar ou
     subir escadas rapidamente, subir morros, caminhar ou subir
     escadas após as refeições ou no frio ou contra o vento ou sob
     estresse emocional. Angina que ocorre ao caminhar mais de 2
     quarteirões no plano ou subir mais de 1 andar no passo normal e
     em    condições    normais. Corresponderia      a   fazer  esforços
     equivalentes a 5 METS
Classe III
   – Acentuada limitação da atividade física. Angina ocorre ao caminhar
     1 ou 2 quarteirões no plano e subir 1 lance de escadas no passo
     normal e em condições normais. Corresponderia a fazer esforços
     equivalentes a 2 METS
Classe IV
   – Incapacidade para exercer qualquer atividade           física   sem
     desconforto. Angina pode ocorrer em repouso
Estimativa da probabilidade de DAC significativa


             Caracterização do risco

• baixo            -          entre 10 e 20%

• médio            -          10/20 e 80/90%

• alto             -          > 80/90%
        Risco de lesão de tronco ou doença trivascular
                               Hubbard e col. Arch Intern Med. 1992;152:309




Angina típica = 1 ponto; sexo masculino = 1 ponto; IAM prévio = 1 ponto; Diabetes
= 1 ponto; uso de insulina = 1 ponto
Partindo da evidência de que os testes não
invasivos oferecem melhor perspectiva de
identificação de DAC mais grave do que o
            cateterismo direto...

   Qual seria então o melhor método não
         invasivo a ser utilizado ?
     Prognóstico de pacientes com DAC estável

                                     morte CV      IAM ñ fatal

  HPS (placebo)                        6,9%                    5,6%
  (n = 10.267)                      ~1,3%aa                 ~1,1%aa

  EUROPA (placebo)                     4,1%                    6,2%
  (n = 6.208)                       ~1,0%aa                 ~1,5%aa

HPS envolveu 20.536 adultos entre 40 e 80 anos com DAC ou outra doença
vascular oclusiva, DM ou HAS com idade >65 anos, com CT acima de 135mg/dl.
Confrontaram uso de Simvastatina e placebo. F.up 5 anos.
EUROPA envolveu 13.655 pacientes com IAM prévio, DAC comprovada por
coronariografia, revascularização prévia ou TE positivo. Confrontaram uso de
perindopril e placebo. F.up ~4 anos.
             Doença Coronariana Estável
                       - opções terapêuticas -
• Tratamento farmacológico (clínico)
   – Betabloqueadores, antagonistas do cálcio, nitratos, antiagregantes
     plaquetários, inibidores da ECA, estatinas
• Revascularização percutânea
   – Angioplastia com balão
   – Implante de stent intraluminal (recoberto e não recoberto)
   – Aterotomia
• Revascularização cirúrgica
   – Enxertos arteriais (artéria torácica interna esquerda e/ou direita, radiais,
     gastroepiplóica, epigástrica, hipogástrica)
   – Enxertos venosos (veias safenas)
 Redução de eventos cardiovasculares


• Exercício físico
• Antiagregantes plaquetários (AAS,
  etc.)
• Inibidores da enzima de conversão da
  angiotensina
• estatinas
  Doença Arterial Coronariana Crônica
  - redução dos eventos cardíacos com a redução dos lipídios -
                                        eventos(*)

   ensaio                  estatina     plc RRR      RRA   NNT

   4S                       19,4%     28,0%          34%   8,6%   12

   LIPID                    12,3%     15,9%          24%   3,6%   28

   CARE                     10,2%     13,2%          24%   3,0%   34

   WOSCOPS                   5,3%      7,2%          29%   2,2%   46

   AFCAPS                             3,5%        5,5%     37%    2,0%    50

   HPS                      19,8%     25,2%          24%   5,4%   18
(*) IAM ñ fatal ou morte cardiovascular no WOSCOPS, CARE, LIPID; IAM fatal e ñ
fatal, AI ou morte súbita no AFXCAPS; IAM ñ fatal, morte coronária ou morte súbita
abortada no 4S; morte CV, IAM ñ fatal, AVE, revascularização no HPS
Fisiopatologia da isquemia
        miocárdica


                        variável
                        Fluxo de
                        reserva
                        alto




       variável
      Fluxo de
      reserva
      baixo
                                   Fixa
                                   Fluxo de
                                   reserva
                                   alto
Estudo EUROPA – perindopril em pacientes com DAC estável –
                            Lancet 2003;362:782-88


                       perindopril                         placebo
 10%
           8,0% 9,9%
                                                                     6,9%
                                                    6,2%      6,1%

                                             4,8%
 5%                                  4,1%
                              3,5%




 0%
       Morte/IAM/PCR         morte CV       IAM ñ fatal       morte total
Acompanhamento a longo prazo de pacientes com
DAC    estável   e     tratamento    otimizado
(Jabbour e col. Am J Cardiol. 2004;93:294-9)

• Recrutaram pacientes entre dezembro / 1992 e junho /
  2000
• Homens e mulheres de qualquer idade, com os
  seguintes requisitos:
    –   História de IAM documentado
    –   DAC comprovada angiograficamente
    –   Angina típica com TE ou CM positiva
    –   Na ausência de angina, com TE positivo e teste de imagem
        anormal
• Excluíram: revascularização prévia; ICC CF 3 ou 4 da
  NYHA, doença orovalvar significativa ou comorbidade
  limitante da vida
Aspirin and anti-anginals

Beta blocker and blood pressure

Cholesterol and cigarettes

Diet and diabetes

Education and exercise
                        Prognóstico da DAC estável
              16%

              12%                             mortalidade em 6 meses

                  8%

                  4%

                  0%
                       <30          30 - 39       40 - 49       50 - 59                       >60
                              FE (%)
                                                             Estimativa do risco de morte cardíaca e IAM
                                                             de acordo com os resultados da CM de
                                                             perfusão (Hachamovitch e colab. Circulation 1998;07:535-543)
       Escore de Duke – Teste de Esforço
                  - mortalidade anual -                           normal
                                                                               0,3
                                                                                  0,5


Risco                        % do total        mortalidade                                                    2,7
                                                                    leve
                                                                                        0,8
                                                                                                                                        IAM
Baixo (≥5 ou >4)                    62          0,25%                                                                                   morte
                                                                                                                2,9
                                                                moderado
                                                                                                        2,3
Médio (-10 a 4)                     24          1,25%
                                                                                                                                4,2
                                                                  grande
                                                                                                                2,9
Alto    (< -10)                        4         5,0%
                                                                           0   0,5       1    1,5   2   2,5     3     3,5   4     4,5
      Doença Arterial Coronariana Crônica
sobrevida de acordo com a gravidade anatômica

                                   1 e 2 vasos   3 vasos   Leq TCE     LTCE
                       100%


                       80%


                       60%


                       40%         Sobrevida em pacientes que recusaram a
                                         cirurgia de revascularização
                                  (Heub W e col. Am J Cardiol 1989;63:155-9)

                       20%


                        0%
                              0      1       2   3     4   5     6    7        8
                                             anos de seguimento
    Manifestações clínicas das placas
            ateroscleróticas

Placa vulnerável
(potencialmente
trombogênica)


IAM
Angina instável
Morte súbita
Progressão

                            Placa obstrutiva

                            angina
                            isquemia silenciosa
  Qual a importância da estimativa da
        probabilidade de DAC ?

• Tomada de decisão sobre o próximo
  passo no encadeamento diagnóstico
• Estabelece o nível de risco de eventos
  isquêmicos (prognóstico)
• Orienta sobre o nível de cuidado
  preventivo ou terapêutico
    Conduta após estimativa do risco de DAC


                            dor torácica
                        estimativa do risco



            baixo                        Intermediário / alto



           prevenção                      teste não invasivo
tratar a condição não cardíaca      estimativa do risco de eventos




  ascr
Estimativa do Risco de Eventos

• Função ventricular esquerda
• Presença     e  gravidade   da   isquemia
  miocárdica
• Extensão e gravidade das obstruções
  arteriais coronarianas
• Presença de “placas vulneráveis”
Sobrevivência de acordo com FE
   estudo CASS – Circulation 1994;90:2645-57

						
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