Artemis Fowl - Mestr a d o - U EM by 6G7oZw4

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									Caderno de Resumos




        Universidade Estadual de Maringá
 Programa de Pós-Graduação em Letras - Mestrado
              19/04 e 20/04/2007
                   Maringá/PR
COMISSÃO ORGANIZADORA


           Coordenadora
   Dra. Alice Áurea Penteado Martha



              Membros
    Dra. Clarice Zamonaro Cortez
      Dr. Edson Carlos Romualdo
    Dra. Maria Célia Cortez Passeti
        Dra. Marilurdes Zanini
  Dra. Mirian Hisae Yaegashi Zappone
  Dra. Sonia Aparecida Lopes Benites



       Participante discente
           Devalcir Leonardo



            Apoio técnico
         Andrea Regina Previati
           Eliana Alves Greco
Regina Lúcia Gonçalves Pereira Silvestrini


               UEM-PLE
   Avenida Colombo, 5790, bloco G34
  Sala 1 cep 87.020-900 Maringá – Pr
            www.ple.uem.br




                    2
                                                               SUMÁRIO
RESUMOS: ESTUDOS LINGÜÍSTICOS
Adélli Bortolon BAZZA, Maria Célia Cortez PASSETTI ..............................................................................                            18
Embreagem dêitica: um processo de criação de imagens, humor e sentidos no programa humorístico-
televisivo Sexo Frágil

Adja Balbino de Amorim Barbieri DURÃO, Otávio Goes de ANDRADE ....................................................                                           18
Dicionários bilíngües e dicionários semi-bilíngües e aprendizagem do vocabulário da língua espanhola
por estudantes brasileiros

Adriana Aparecida Vaz da COSTA .................................................................................................................             18
Lugares de identificação do sujeito-índio no discurso do conhecimento: entre lugares

Adriana dos Santos SOUZA ............................................................................................................................        19
Anáforas locativas do advérbio onde em textos religiosos

Akisnelen de Oliveira TORQUETTE ..............................................................................................................               19
A representação de escrita de alunos do Ensino Médio

Alba Maria PERFEITO ............................................................................................................................. .......    19
Leitura e análise lingüística: editoriais

Aletéia Eleutério ALVES; Silvana Ferreira de SOUZA; Renata Junqueira de SOUZA                                                                                19
Artemis Fowl: O menino prodígio do crime & A formação psíquica do jovem leitor

Aletéia Eleutério ALVES; Silvana Ferreira de SOUZA; Renata Junqueira de SOUZA                                                                                20
Coleção Corpim: Produzindo texto a partir de textos literários

Aline Almeida INHOTI, Juliano Desiderato ANTONIO ................................................................................                            20
Não-arbitrariedade na sintaxe e no discurso: um estudo da função pragmática tópico e de suas
realizações sintática e semântica

Aline Ramires Moraes MATSUMOTO (PG-UEM)                                                                                                                      21
A modalidade epistêmica e a função interpessoal em coberturas telefornalísticas ao vivo

Ana Maria da SILVA, Renilson José MENEGASSI ......................................................................................                           21
A produção de textos na sala de aula do ensino fundamental: a estereotipação da escrita

Ana Paula de Lima MASSAMBANI, Loredana LÍMOLI ..............................................................................                                 21
Personagem de telenovela: direcionando a percepção do telespectador

Ana Paula Ferreira de MENDONÇA, Loredana LIMOLI ..............................................................................                               22
Um estudo semiótico dos personagens Pascoal e Safira, da telenovela Belíssima

Ana Paula GUEDES ........................................................................................................................................    22
Escrita e o processo de ensino e de aprendizagem de línguas

Ana Paula Mignoli do NASCIMENTO, Manoel Messias Alves da SILVA ..................................................                                            22
Procedimento metodológico utilizado para a coleta dos termos e preenchimento das fichas terminológicas
do dicionário terminológico da nanotecnologia: indústria eletro-eletrônica

Ana Paula PERON ................................................................................ .........................................................   23
Registros de ocorrência na Delegacia da Mulher: o acontecimento enunciativo e a produção de sentidos

Ana Paula Previate WIDERSKI, Fernanda Scheibel BISPO ...........................................................................                             23
O ensino de língua portuguesa para estrangeiros de língua inglesa: uma experiência na Faculdade
Integrado de Campo Mourão – PR

Andréia Cardoso MONTEIRO ........................................................................................................................            23
Livro didático público: reflexões sobre a análise lingüística

                                                                              3
Ângela Francine FUZA, Renilson José MENEGASSI ....................................................................................                          24
Procedimentos de leitura na sala de aula do Ensino Fundamental

Ariane Carla PEREIRA ...................................................................................................................................    24
Livro-reportagem: o discurso jornalístico “contaminado” por ideologias

Bruna Silvério BOTELHO, Luiz Carlos FERNANDES ................................................................................                              24
Os sentidos de paciência na intertextualidade de provérbios no gênero cronístico

Camila de Souza FERNANDES ......................................................................................................................            24
A leitura do texto literário e a busca da identidade: leitores na prisão

Camila Maria Corrêa ROCHA, Luiz Carlos FERNANDES ..........................................................................                                 25
A ideologia da frustração amorosa na música sertaneja

Cássia Rita CONEJO ................................................................................ .....................................................   25
O estruturalismo e o ensino de línguas

Célia Tamara COÊLHO, Loredana LIMOLI ...................................................................................................                    25
O discurso verbo-visual da indústria publicitária dentro do gênero telenovela

Clariane Leila DALLAZEN, José Carlos dos SANTOS ................................................................................                            26
Discurso: fonte de verdades, mentiras e evolução. elemento que move a sistêmica social.

Cláudia CAZAROTO ................................................................................ ....................................................      26
A interação à distância: recursos textuais empregados em EAD

Cláudia CAZAROTO .......................................................................................................................................    26
O trabalho gramatical na modalidade a distância

Cláudia Cristina Gatti FELIS, Elvira Lopes NASCIMENTO ........................................................................                              27
Ação de linguagem no blog: um gênero textual para a auto-afirmação do sujeito no mundo moderno

Claudia Lopes Nascimento SAITO ..................................................................................................................           27
Rede nacional de formação continuada: em trabalho de letramento midiático a partir dos gêneros textuais

Cláudia Valéria Doná HILA ............................................................................................................................      27
O diário íntimo e a reflexão sobre ser professor

Cleide Aparecida Gomes BORGES, Alba PERFEITO ................................................................................                               28
Leitura e análise lingüística: bula de remédio

Marina João Bernardes de OLIVEIRA; Cleide Antônia RAPUCCI................................................................                                   28
Da opressão à libertação: a personagem feminina idosa nos contos de Clarice Lispector e Flávia Savary

Dante Henrique MANTOVANI .....................................................................................................................              28
Contribuição dos saberes médicos ao processo de construção textual no ensaio da experiência, de Michel
de Montaigne

Daiany BONÁCIO ..........................................................................................................................................   28
Identidade, história e língua: o outro e o centro na construção discursiva do sujeito-índio

Denize NOBRE-OLIVEIRA ...........................................................................................................................           29
Efeitos do treinamento perceptual no aprendizado dos sons de uma língua estrangeira: uma nova
perspectiva

Denize NOBRE-OLIVEIRA ...........................................................................................................................           29
O uso de estímulo artificial no treinamento perceptual das vogais do inglês

Dirceu Cleber CONDE, Luiz Carlos FERNANDES .......................................................................................                          29
Enunciação e dialogismo: a alternância das pessoas enunciativas e a construção do outro


                                                                              4
Edina PANICHI ................................................................................ ............................................................   30
Linguagem verbal e linguagem visual: o embate entre palavras e imagens na construção do texto

Edio Roberto MANFIO ...................................................................................................................................       30
Alguns conceitos e concepções cristalizadas que aparecem em desenhos animados

Ednéia Nunes dos Santos CANDIDO, Maria Célia Cortez PASSETTI .........................................................                                        30
Comentários de sujeitos candidatos sobre o modo de divulgação de pesquisas eleitorais: uma análise
discursiva

Elaine de Moraes SANTOS ............................................................................................................................          30
A norma gestual de um corpo dócil: o espetáculo de Lula em 2002

Elaine Souza LEONARCZYK, Odete Ferreira da CRUZ .............................................................................                                 31
O texto literário e os detentos da PEM: interação e ressignificação

Eliana Alves GRECO .....................................................................................................................................      31
Ethos e polêmica: o discurso do preparo nas eleições presidenciais de 1994

Eliana Merlin Deganutti de BARROS .............................................................................................................               31
Coesão verbal e temporalidade discursiva: mecanismos de textualização no gênero crítica de cinema

Emília Rezende Rodrigues ABREU ....................................................................................................                           32
Os pronomes na língua kaingang e a variação na estrutura frasal

Ercilia Alves LARANJEIRA, Michele Mitsuy TANGI, Teresinha Preis GARCIA ......................................                                                 32
As diferentes abordagens da oralidade em sala de aula de língua estrangeira

Érica Danielle SILVA, Ismara Eliane Vidal de Souza TASSO ......................................................................                               32
Vinhetas televisivas: identidade, cidadania e inclusão social em tela

Erika Patricia Teixeira de OLIVEIRA ............................................................................................................              33
Livro didático: concepções de leitura e de escrita

Esther Gomes de OLIVEIRA, Melissa Carolina Herrero de AZEVEDO ......................................................                                          33
Aspectos morfológicos na argumentação publicitária

Esther Gomes de OLIVEIRA, Suzete Silva NASCIMENTO, Cecília Contani BARALDO, Giovana                                                                           34
Siqueira PRÍNCIPE ................................................................................ ........................................................
Termos gramaticais que contribuem para a trama argumentativa do texto publicitário – análise de um
anúncio de Veja

Fabiana Fernanda STEIGENBERGER ...........................................................................................................                    34
A adesão ao discurso outro: marcas da ideologia trabalhista de Vargas em canções da MPB

Fabiane Freire FRANÇA .................................................................................................................................       34
A educação da jovem mulher para além dos estereótipos ditados pelos meios de comunicação

Fernanda de Abreu CARVALHO ...................................................................................................................                35
As oficinas de produção de texto: situações concretas de interlocução

Fernanda Luzia LUNKES ................................................................................................................................        35
Entre grifes e silêncios: o sujeito no Clube da Luta

Giselle de Almeida CORTÊZ .........................................................................................................................           35
Perspectiva histórica do uso pronominalizado do nome homem

Gislaine Gracia MAGNABOSCO .................................................................................................................                  35
Hipertexto: algumas considerações

Guilherme Rocha DURAN, Edson Carlos ROMUALDO ..........................................................................                                       36
Análise dos resultados teóricos e práticos da lingüística contrastiva


                                                                               5
Hérika Ribeiro dos SANTOS ..........................................................................................................................        36
A dêixis discursiva na leitura de textos publicitários

Hérika Ribeiro dos SANTOS ..........................................................................................................................        36
Leitura de recursos semióticos e lingüísticos empregados na construção do texto publicitário

Idelma Marina Nunes PORTO ........................................................................................................................          37
Análise lingüística: narrativa com mito

Isabel Cristina CORDEIRO, Paula Tatiana da SILVA ...................................................................................                        37
Argumentação e estratégias de leitura: compreendendo o texto publicitário

Ivo DI CAMARGO JÚNIOR ..........................................................................................................................            37
A literatura pirandelliana no cinema: um estudo literário e da filosofia da linguagem.

Ivo DI CAMARGO JÚNIOR .........................................................................................................................             38
Os sonhadores de Bernardo Bertolucci analisado. Um olhar bakhtiniano em cinema

Jakeline Aparecida SEMECHECHEM ............................................................................................................                 38
As representações do professor sobre sua função mediadora da produção escrita nas práticas de
letramento

Jakeline Aparecida SEMECHECHEM ............................................................................................................                 38
Discurso pedagógico: uma análise dos registros regulativo e instrucional e suas implicações na aula de
língua estrangeira

Janayna Bertollo Cozer CASOTTI ..................................................................................................................           38
Marcas de oralidade em entrevista da imprensa escrita

Jefferson Adriano de SOUZA ..............................................................................................................................   39
As memórias de Sofia e os estudos lingüísticos

Jefferson Adriano de SOUZA .........................................................................................................................        39
Driblando as dificuldades da escrita com um passe de música

Jefferson Fernando Voss dos SANTOS, Elizabeth LABES ..........................................................................                              39
As ações afirmativas na publicidade: regularidades discursivas nas campanhas da Coca-Cola Brasil

Jeniffer Elen da SILVA, Dercir Pedro de OLIVEIRA ....................................................................................                       40
Caminhos percorridos pelo projeto Atlas Lingüístico de Mato Grosso do Sul (ALMS)

João BORTOLANZA ......................................................................................................................................      40
Latim e retórica no sermão II de Santa Catarina

João Carlos Mayer ROSTEY ..........................................................................................................................         40
Práticas discursivas de resistência materializadas no videoclipe Minha Alma

Josimayre Novelli CORADIM ........................................................................................................................          41
Desenvolvimento de leitura crítica: um estudo etnográfico

Juliana da SILVEIRA, Maria Célia Cortez PASSETTI ................................................................................                           41
Software livre, liberdade e eleições 2006: uma análise das formações imaginárias no discurso da Celepar.

Juliana dos Santos BARBOSA .......................................................................................................................          41
A transmutação de formas e o jogo de linguagens na passarela do samba: “A Viradouro Vira o Jogo”

Kátia Alexsandra dos SANTOS ......................................................................................................................          42
Práticas discursivas antagônicas no discurso feminino: análise de uma entrevista

Kelly Priscilla Lóddo CEZAR, Edson Carlos ROMUALDO, Geiva Carolina CALSA ........................                                                           42
Confusão conceitual no conteúdo de acentuação gráfica no Ensino Fundamental


                                                                             6
Larissa Miuesa Pontes MAREGA, Edson Carlos ROMUALDO....................................................................                                          42
Estudo comparativo da organização tópica de uma elocução formal e sua retextualização

Larissa SANTANA, Marilurdes ZANINI ........................................................................................................                      43
Oficinas de leitura e produção: contexto de aprendizagem compartilhada em ambiente de reclusão

Leandro Dalcin CASTILHA, Roselene de Fátima COITO .............................................................................                                  43
Subjetivando seres por meio do discurso jornalístico vigente

Leonice Aparecida Braga HÚNGARO ............................................................................................................                     44
A formação inicial do professor: língua portuguesa no ensino médio

Leonice Aparecida Braga HÚNGARO ...........................................................................................................                      44
Oficina de produção textual: uma metodologia possível

Letícia Afonso Rosa GARCIA .......................................................................................................................               44
Caso ônibus 174: posição sujeito, memória e produção de sentido

Letícia Jovelina STORTO, Paulo de Tarso GALEMBECK ..........................................................................                                     45
A escrita virtual influencia a escrita escolar?

Lilian Alves PEREIRA ...................................................................................................................................         45
O desenvolvimento psicomotor e sua contribuição no desempenho em escrita nas séries iniciais

Lílian Cristina Buzato RITTER .......................................................................................................................            45
O planejamento das ações do professor em um plano de aula de leitura

Liliane PEREIRA; Elvira Lopes NASCIMENTO                                                                                                                         46
O artigo de opinião como ferramenta de aprendizagem e avaliação de vestibulandos

Livia Vieira LOLIS, Luciana Cabrini SIMÕES ..............................................................................................                        46
Contribuição para a reflexão de questões envolvendo estórias no ensino de língua inglesa para crianças:
um estudo desenvolvido sob a ótica de graduandas do curso de Letras

Loredana LIMOLI ................................................................................ ..........................................................      46
Um estudo enunciativo da telenovela Belíssima

Luciana Cristina Vargas da Cruz CAMILLO, Regina Maria GREGÓRIO ....................................................                                              47
Projeto Folhas: análise de materiais didáticos escritos por professores da rede pública do Paraná

Luciana VEDOVATO .....................................................................................................................................           47
Uma proposta de ensino de leitura e análise lingüística no poema “O menino que carregava água na
peneira” de Manoel de Barros

Lucimara B. ZEQUIM ...................................................................................................................................           47
Escrita e interação: produção de textos de opinião na sala de aula.

Luiz Carlos FERNANDES ...............................................................................................................................            48
Música popular e provérbio: reiteração do senso comum e subjetividade

Maísa CARDOSO ...........................................................................................................................................        48
O ensino de escrita a partir de projetos – uma perspectiva interacionista

Mara Silvia REIS .............................................................................................................................................   48
O efeito de treinamento perceptual na percepção e produção das plosivas não-vozeadas do inglês

Mara Silvia REIS .............................................................................................................................................   48
Treinamento de segmentos fonéticos – ainda útil?

Maranúbia Pereira BARBOSA ........................................................................................................................               49
A intertextualidade na construção de efeitos de sentido em Desmundo, de Ana Miranda

Marcela de Freitas Ribeiro LOPES .................................................................................................................               49

                                                                                7
Representações sobre o professor e o ser-professor de língua espanhola

Marcelo Cazeta de OLIVEIRA .......................................................................................................................            49
Partículas aspectuais como cópula em kaingáng.

Márcia Adriana Dias KRAEMER ...................................................................................................................               50
Dialogismo e paródia em Fábulas de Esôfago

Márcia Andréia SCHNEIDER, Alexandre S. Ferrari SOARES .....................................................................                                   50
A concepção de verdade no discurso jornalístico: o imaginário dos leitores da Folha de Londrina

Márcia Cristina Greco OHUSCHI, Renilson José MENEGASSI ..................................................................                                     50
O gênero diário reflexivo na formação do professor

Márcia de Freitas SANTOS .............................................................................................................................        51
A gramaticalização de “então”

Marcos Vinícius MODRO ...............................................................................................................................         51
A dimensão do gênero discursivo no processo de ensino e aprendizagem de língua materna

Marcos Vinícius MODRO ..............................................................................................................................          51
A prática literária e a análise discursiva no processo ensino/aprendizagem de línguas.

Maria Alzira de Carvalho SANTOS, Loredana LIMOLI ................................................................................                             52
Telenovela: a importância do último capítulo

Maria Ângela de Sousa BOER, Ana Paula de Castro SIERAKOWSKI ........................................................                                          52
Atividades linguageiras letradas

Maria Antônia Ramos Eloy dos SANTOS .....................................................................................................                     52
A sedução do discurso: O Jornal Nacional

Maria Aparecida HONÓRIO ...........................................................................................................................           53
Identidade e construção discursiva: o nacional e a diferença inscrevendo um lugar para o sujeito-índio

Maria Céli Beraldo PAZINI ...........................................................................................................................         53
A reescrita de textos pelos detentos da PEM

Maria da Silva PEIXOTO ..............................................................................................................................         53
O “ser adolescente” no discurso do livro didático

Maria Virginia Brevilheri BENASSI ..............................................................................................................              54
O gênero “notícia”: uma proposta de análise e intervenção

Mariana Alves de SANTANA, João BORTOLANZA ..................................................................................                                  54
A importância do latim em Vieira

Mariele Mancebo GARCIA, Teresinha Preis GARCIA ................................................................................                               54
Percepção e produção oral: fatores intrínsecos para uma boa comunicação em francês língua estrangeira

Marilurdes ZANINI .........................................................................................................................................   55
Oficinas de produção textual escrita: a interação professor – linguagem – aluno

Melissa BETTONI-TECHIO ...........................................................................................................................            55
Treinamento de pronúncia de língua estrangeira mediado por computador

Melissa BETTONI-TECHIO, Rosana Denise KOERICH …………………………………………………………                                                                                          55
A produção de plosivas alveolares em final de sílaba por brasileiros aprendizes de inglês

Moema Vilela PEREIRA .................................................................................................................................        56
O discurso de Veja sobre o conflito gerado pelas charges de Maomé

Nádea Regina GASPAR ...................................................................................................................................       56

                                                                              8
Figuras de leitoras do século XIX no Brasil: análise do discurso imagético

Nayra Carolina Bueno de MORAIS, Geiva Carolina CALSA ......................................................................                                    56
Jogo de regras sobre acentuação gráfica como recurso didático-pedagógico

Neil Armstrong Franco DE OLIVEIRA, Flávia ZANUTTO ........................................................................                                     57
“Sou assim e sou feliz”: o gênero propaganda e a ilusão de sujeito individualizado

Nonalíssia Silva da COSTA, Paulo de Tarso GALEMBECK .......................................................................                                    57
Alternância e participação: a distribuição de turnos na interação simétrica

Odete Ferreira da CRUZ ..................................................................................................................................      58
Paráfrase: campo de criação e trabalho nos textos dos detentos

Patrícia Duarte de BRITTO .............................................................................................................................        58
A (des)construção representacional do Partido dos Trabalhadores na revista Veja

Patrícia Duarte de BRITTO ..............................................................................................................................       58
Oficina de produção textual: uma proposta para a prática de um jornalismo em (inter)ação

Paula Camila MESTI, Ana Cristina Jaeger HINTZE, Maria Angela de Sousa BOER ...................................                                                 59
Análise de frames na linguagem oral e escrita

Paulo Cezar RODRIGUES ...............................................................................................................................          59
O papel mediador dos gêneros textuais no ensino e aprendizagem da escrita de textos

Paulo de Tarso GALEMBECK ........................................................................................................................              59
O assalto ao turno: continuidade ou ruptura?

Pricila GAFFURI, Renilson José MENEGASSI .............................................................................................                         60
Procedimentos sociointeracionistas de escrita em sala de aula de Ensino Fundamental

Priscila MANFRÉ ............................................................................................................................................   60
Para um estudo do gênero infográfico

Priscila Piquera de AZEVEDO, Luiz Carlos FERNANDES ..........................................................................                                  60
A dupla função do provérbio: reiteração do mesmo e imposição da subjetividade em gêneros discursivos
do cotidiano

Rafaela de Cássia FRANZOI ..........................................................................................................................           61
Alfabetizar, letrar ou alfabetizar letrando

Rafaela de Cássia FRANZOI ...........................................................................................................................          61
Produção textual e oficina de escrita: a funcionalidade da linguagem

Renata Adriana de SOUZA ..............................................................................................................................         61
Políticas lingüísticas e bilingüismo: uma reflexão discursiva a partir da situação guarani

Rosa Maria OLHER .........................................................................................................................................     62
Texto „original‟ e tradução – tal pai, tal filha?

Rosângela Rocio Jarros RODRIGUES ............................................................................................................                  62
Nem tudo o que reluz é ouro: práticas discursivas do mundo do trabalho

Rúbia Carolina Martins VALENZUELA, Maria Angela de Sousa BOER ....................................................                                             62
Dialogismo e polifonia no texto de propaganda

Sandra Cristina Miotto de GOUVÊA ..............................................................................................................                62
Análise semiótica de destaque de 1ª página do jornal “Correio do Estado”

Sandra Regina CECILIO, Cleusa Maria Alves de MATOS ..........................................................................                                  63
Heterogeneidade lingüística no ensino de língua portuguesa


                                                                               9
Sandra Regina CECILIO, Lílian Cristina Buzato RITTER ...........................................................................                             63
Leitura e análise lingüística: carta do leitor na revista Ciência Hoje das Crianças

Saul BOGONI; Thomas BONNICI..................................................................................................................                64
As reduções jesuíticas na conquista espiritual (1639) de Antonio Ruiz de Montoya, sob a crítica pós-
colonial

Selma França RODRIGUES ...........................................................................................................................           64
Onde você guarda o seu preconceito lingüístico?

Sergio Nunes de JESUS ..................................................................................................................................     64
Contextualização histórica do léxico da língua latina – (a constituição lingüística e suas variantes
formais)

Sharlene Davantel VALARINI .......................................................................................................................           64
O herói, de Domingos Pellegrini, e a recepção de internos da Penitenciária Estadual de Maringá

Shirley Cristiane CINTRA ..............................................................................................................................      65
Uma reflexão sobre o conteúdo gramatical da apostila do Grupo Expoente

Silvia Regina EMILIANO ...............................................................................................................................       65
O ponto de interação entre a análise lingüística e as aulas de produção textual

Simone Cristina K. URBANO .........................................................................................................................          65
Oficinas de produção textual escrita: atividades de interação entre os sujeitos

Simone Maria Barbosa Nery NASCIMENTO ................................................................................................                        66
Transitividade verbal para professores do Ensino Fundamental

Sirley A. SOUSA, Luiz Carlos FERNANDES ................................................................................................                      66
O sujeito paciente e seu outro na análise terapêutica

Tatiane Oliveira da SILVA, Geiva Carolina CALSA .....................................................................................                        66
Eventos de letramento de pais pouco letrados de zona rural do noroeste paranaense

Vasni de Oliveira SOUZA ...............................................................................................................................      67
O humor da telenovela como recurso didático no ensino de leitura e produção de textos

Vera Lucia da SILVA ......................................................................................................................................   67
A formação discursiva familiar no discurso de campanha eleitoral

Viviane dos Santos GOMES ...........................................................................................................................         67
Função enunciativa e efeitos de sentido: um discurso sobre a educação inclusiva

Wanderley BRAGA ........................................................................................................................................     68
Propostas de produção textual em ambiente digital colaborativo: uma análise das condições

Wilsilene Rodrigues THOM ............................................................................................................................        68
Aspectos da oralidade e da escrita no gênero e-mail




RESUMOS: ESTUDOS LITERÁRIOS

Adriana Paula dos Santos SILVA ....................................................................................................................          69
Metamorfoses de Lobato: entre o clássico e o moderno

Adriana Paula dos Santos SILVA.....................................................................................................................          69
A Paródia em Monteiro Lobato

Aldinéia Cardoso ARANTES ..........................................................................................................................          69
Uma voz para Tersites: uma análise da construção da figura do herói

                                                                             10
Alessandra Regina Carvalho SEMPREBOM, Luzia Aparecida B. TOFALINI ..............................................                                                 70
Aspectos líricos em João Porém, o criador de Perus

Alice Áurea Penteado MARTHA ....................................................................................................................                 70
Sapato de Salto: perspectividade do texto de Lygia Bojunga

Amanda Aparecida RODRIGUEIRO .............................................................................................................                       70
As correspondências do texto literário com a imagem: a metamorfose da palavra

Ana Cristina Fernandes Pereira WOLFF .........................................................................................................                   71
A Fusão de espaços opressores em Estrela Polar: O quarto escuro, Penalva e a prisão

Ana Cristina Fernandes Pereira WOLFF .........................................................................................................                   71
O prazer do texto em Aparição, narrativa de Virgilio Ferreira:

Ana Maria Esteves BOTOLONZA .................................................................................................................                    71
Vinte anos de “O texto sedutor na literatura infantil”

Ana Paula Franco Nóbile BRANDILEONE ..................................................................................................                           71
Cyro dos Anjos: um espírito de renovação latente

Ana Paula Peres RAIMUNDO .......................................................................................................................                 72
A mediação na formação do leitor

Ana Paula Sversuti GONGORA ......................................................................................................................                72
Temas e imagens polêmicas nos contos de Hans Christian Andersen

André Luiz DANZMANN ...............................................................................................................................              72
O perfil feminino na Cantiga de Amor e na medida velha camoniana: uma leitura das intertextualidades

Andreia Anhenzine da SILVA ........................................................................................................................              72
Quadrilha: uma análise da relação poesia e música

Andréia Cristina CRUZ ...................................................................................................................................        73
Deu a louca na Chapeuzinho Vermelho: um estudo da recepção da obra por alunos do ensino
fundamental

Andréia Franciele PEREIRA ..........................................................................................................................             73
A modernidade em Vinicius de Moraes

Andréia Franciele PEREIRA ..........................................................................................................................             73
Análise poético-musical da obra Samba em prelúdio

Andréia Nogueira HERNANDES ..................................................................................................................                    73
Um aporte para compreensão do processo criativo de Vivina de Assis Viana

Andrêya Garcia da Paixão MORGADO .........................................................................................................                       74
Um bate-bola entre futebol e estudos literários

Angela da SILVA, Devalcir LEONARDO .....................................................................................................                         74
Uma leitura intertextual entre Sonnets pour Hélène e Nuit de Mai

Beatriz Pinheiro ARRAES .............................................................................................................................            74
O discurso: uma prática proliferadora de sentidos em fragmentações, traduções e adaptações

Célia SOARES .................................................................................................................................................   75
Uma leitura do conto O Cágado, de Almada Negreiro sob uma perspectiva formalista

Cleiry de Oliveira CARVALHO .....................................................................................................................                75
Entre o romance da mocinha e o romance do mocinho: o leitor em Zero, de Ignácio de Loyola Brandão

Cristian PAGOTO ...........................................................................................................................................      75

                                                                               11
O Carpe Diem Horaciano na poesia de Adélia Prado

Cristian PAGOTO, Eliana RAMOS ................................................................................................................                    75
O prestigio do novo na modernidade literária

Danielle Cristina Pereira; Adalberto de O SOUZA ........................................................................................                          76
A modernidade nas cartas de Madame Sévigné

Devalcir LEONARDO .....................................................................................................................................           76
O Shopping Center e a pós modernidade em A Caverna de José Saramago

Edna FONTANA, Wilson Rodrigues de MOURA .........................................................................................                                 76
De Jacinta Garcia às páginas de Inocência

Edson Ribeiro da SILVA .................................................................................................................................          77
A ficcionalidade no romance histórico machadiano

Elaine Aparecida LIMA ...................................................................................................................................         77
Poesia e livro didático: uma relação e várias questões

Elaine Cristina AMORIN .................................................................................................................................          77
Formando leitores ou bruxos? A polêmica em torno da série Harry Potter

Elaine Cristina AMORIN ................................................................................................................................           77
O olhar do outro: a metaficção historiográfica em things fall apart de chinua achebe

Elcio Luís ROEFERO ......................................................................................................................................         78
Um sonho de pedra ou o gozo de um amor pueril: uma leitura de “ O primeiro beijo “ de Clarice
Lispector

Elisangela Aparecida da ROCHA ....................................................................................................................                78
Identidade cultural do sertão em Dona Guidinha do Poço

Elizabete MARAUS ........................................................................................................................................         78
Caeiro reinventa sua realidade: uma leitura de “ O guardador de rebanhos”

Elizabeth FIORI ...............................................................................................................................................   79
A linguagem bíblica em Adelino Magalhães

Elizabeth FIORI ...............................................................................................................................................   79
O tema da imitação em contos de Rubens Figueiredo

Esdras Mendes LINHARES ............................................................................................................................               79
Influências da retórica clássica na oratória de Antonio Vieira

Evely Vânia LIBANORI .................................................................................................................................            80
O ser-para-a-morte em Ópera dos Mortos, de Autran Dourado

Fátima Aparecida de Oliveira SOZZA ............................................................................................................                   80
A literatura e ensino: formação do professor X formação de leitor do aluno

Fernanda Aparecida RIBEIRO .........................................................................................................................              80
“A última viagem de Borges”: uma leitura da obra de Ignácio de Loyola Brandão

Fernanda de ANDRADE, Luzia Aparecida Berloffa TOFALINI ...................................................................                                        81
A Terceira margem do rio: o exílio tinge a prosa de poesia

Fernanda Luzia LUNKES ................................................................................................................................            81
Entre grifes e silêncios: o sujeito no clube da luta

Fernanda Machado BRENER ..........................................................................................................................                81
A representação da cidade nos contos de Rubem Fonseca


                                                                               12
Fernanda Tonholi SASSO, Michele Mitsy TANGI, Luzia Aparecida Berloffa TOFALINI ...........................                                                  82
Aspectos líricos responsáveis pela eclosão dos sentimentos na prosa de Guimarães Rosa

Fernando de Moraes GEBRA, Tania Sturzbecher de BARROS .....................................................................                                 82
O duplo espacial em “Casa tomada” de Júlio Cortazar

Flor de Maria Silva DUARTE .........................................................................................................................        82
Sylvia Orthof e o teatro para crianças: uma leitura de a Gema do ovo da Ema

Geniane Diamante Ferreira FERREIRA ..........................................................................................................               83
A resistência da personagem Martha em CROSSING THE RIVER de Caryl Phillips

Gilda Teresa López CONTRERAS .................................................................................................................              83
As fadas voltam: uma idéia toda azul

Gilda Teresa López CONTRERAS .................................................................................................................              83
O leitor como re-criador de Uma noite em Curitiba

Gilsyele Sonia BORRAZZO ............................................................................................................................        83
Da Literatura de fadas à produção contemporânea: temas polêmicos

Giovana Gonçalves dos SANTOS, Eliane Batista COSTA, Marisa Corrêa SILVA ......................................                                              84
Medéias: a caracterização da personagem feminina nas tragédias de Eurípides e Sêneca

Helliane Christine Minervino de Oliveira CORRÊA .......................................................................................                     84
Representações multiculturais na Literatura Infantil inglesa contemporânea

Hiudéa Tempesta. Rodrigues BOBERG .........................................................................................................                 84
Grupo de pesquisa: Literatura e ensino: contribuições para a formação do professor de literatura

Jéssica Aracelli ROCHA ..................................................................................................................................   85
Leituras de leitores de Borges – Análise Crítica de duas interpretações de um mesmo conto

Joaquim Francisco dos SANTOS NETO .........................................................................................................                 85
Onde andará Dulce Veiga? Um passeio pelos bosques da ficção

Josilene Moreira SILVEIRA ............................................................................................................................      85
A representação feminina nas cantigas de Santa Maria e na iconografia de Giotto: um estuda da relação
texto e imagem

Juliana Alves Barbosa MENEZES ..................................................................................................................            85
Leitura de poesia clássica: forma ou não leitores?

Juliana Raguzzoni CANCIAN .........................................................................................................................         86
Fictício e imaginário no romance Sem Nome: episódios da literatura e da vida real

Karla Renata MENDES, Maria Natália Ferreira Gomes THIMOTEO........................................................                                          86
Entre o campo e a cidade: a poesia-pintura de Cesário Verde

Karla Renata MENDES, Níncia Cecília Ribas Borges TEIXEIRA ................................................................                                  86
A crônica de Cecília Meireles e seu olhar sobre a mulher

Katria Gabrieli FAGUNDES, Maria Adélia MENEGAZZO .........................................................................                                  87
Pós-modernismo em meu amigo Marcel Proust, de Judith Grossmann

Laura Cristina R Hercos PERES, Mara Hercos PERES, Adalberto de Oliveira SOUZA ..............................                                                87
FEDRA segundo ROLAND BARTHES

Lealis Conceição GUIMARÃES .....................................................................................................................            87
O entrelace do tecido narrativo em novela de Moacyr Scliar

Lílian Cristina Blume MORAIS .....................................................................................................................          87
A caixa de histórias:no processo do ensino da leitura e formação do leitor autônomo

                                                                            13
Líliam Cristina MARINS, Vera Helena Gomes WIELEWICKI ....................................................................                                        88
A tradução nas aulas de Literatura de língua inglesa: perspectivas de uma docente

Loide Nascimento de SOUZA .........................................................................................................................              88
Relações interfabulares: “ A cigarra e as formigas” de Monteiro Lobato

Lucas Vieira de ARAÚJO ...................................................................................................................................       89
Domingos Pellegrini na historiografia literária

Luiz Roberto ZANOTTI .................................................................................................................................           89
A carnavalização em ARENA CONTA ZUMBI.

Luzia A . B. TOFALINI ..................................................................................................................................         89
A arte de dizer e silenciar: dialética – gênese da” prosoema”

Marcelo José da SILVA ...................................................................................................................................        89
(RE)Conhecer-se. O brado da literatura Afro-Brasileira contemporânea

Márcia Adriana Dias KRAEMER ....................................................................................................................                 90
A contribuição da leitura de contos para a prática da escrita no ensino médio

Márcia Maria de MEDEIROS ..........................................................................................................................              90
Figurações da morte em “ A história de melusinha ou o romance dos Lusignan”

Maria Alice Sabaini de SOUZA .......................................................................................................................             91
A linguagem visualista e a dramaticidade na poesia de Florbela Espanca e Mario de Sá-Carneiro

Maria Amália Azevedo BOLL ........................................................................................................................               91
A superação do preconceito racial: dois casos em uma margem distante (2003) de Caryl Phillips

Maria Natalia Ferreira Gomes THIMÓTEO ....................................................................................................                       91
Da poesia de Emanuel Felix: a Alquimia dos signos

Maria Valquiria MAGRO ................................................................................................................................           92
Cruzando Caminhos, de Fanny Abramovich: a recepção de obra literária infanto-juvenil pelo leitor
adulto

Marisa Corrêa SILVA .....................................................................................................................................        92
Personagens femininas em Autran Dourado e Helder Macedo

Marlise Maria Batista MARTINELLI .............................................................................................................                   92
Cinderela: uma amostragem dos meios de circulação do conto de fadas na cidade de Maringá - Pr

Marta Yumi ANDO ..........................................................................................................................................       92
Angélica e o Abraço: ponto e contraponto

Marta Yumi ANDO ..........................................................................................................................................       93
Da opressão Ao revide: a voz do colonizado em Apenas um curumim de Werner Zotz

Maurício César MENON .................................................................................................................................           93
A questão do duplo em duas narrativas brasileiras

Mirele Carolina Werneque JACOMEL ...........................................................................................................                     93
Discurso histórico e discurso literário: o entrelace na perspectiva da metaficção historiográfica

Mirtes Maria de Oliveira PORTELLA ............................................................................................................                   94
Entre a letra e a voz: o espaço do leitor no conto de tradição oral

Natália RUELA ................................................................................................................................................   94
Intriga, subintrigas e o papel das personagens femininas no drama oitocentista

Nataly Gurniski ROSA, Adalberto de Oliveira SOUZA .................................................................................                              94

                                                                              14
Estilística: as novas formas de discurso relatado adotado na modernidade

Nathalia Costa ESTEVES, Alice Áurea Penteado MARTHA .......................................................................                                   94
Do RAP à Literatura Infantil premiada: um garoto chamado Rorbeto, de Gabriel o pensador

Nathalia Saliba DIAS ......................................................................................................................................   95
Lolita, o espelho de Alice?

Ogmar Luciano SILVA ...................................................................................................................................       95
O manifesto literário: algumas peculiaridades do Manifesto Dada e do Manifesto Antropofágico

Patrícia Ayres PEREIRA .................................................................................................................................      95
Desvendando Eça de Queirós em periódicos – Gazeta de Notícias

Paula Cristina Guidelli dos SANTOS ..............................................................................................................             96
As vanguardas e o modernismo

Paula Gerez Robles Campos VAZ ..................................................................................................................              96
Configurações do Amar: olhares historiográficos

Paulo Rogério SOUZA ....................................................................................................................................      96
A religiosidade na poesia de Luís Vaz de Camões: a fé como proposta de solução para os “desconcertos
do mundo”

Paulo Rogério SOUZA ....................................................................................................................................      97
Os conflitos no processo de transição dos Génos para a Polis: o “velho” e o “novo” na trilogia tebana de
Sófocles

Pedro Berger FERREIRA ................................................................................................................................        97
A força humanizadora das arcádias e seu papel social na formação do homem setecentista português

Pedro Carlos de Aquino OCHÔA, Regina Lúcia MESTI ................................................................................                             97
Teatro na escola: linguagens e processo criativo

Rafaela STOPA, Hiudéa T. R. BOBERG ........................................................................................................                   98
Análise de propostas metodológicas para o ensino de literatura

Regina Lúcia Gonçalves Pereira SILVESTRINI .............................................................................................                      98
Metáfora: uma linguagem literária moderna presente nas Cartas Portuguesas de Sóror Mariana
Alcoforado

Roberta Fresneda VILLIBOR .......................................................................................................................             98
Maria Judite de Carvalho: relações de mediação entre sua obra e o público-leitor

Roberta Fresneda VILLIBOR .........................................................................................................................           99
O texto literário e os modos de leitura

Rosa Maria Graciotto SILVA ..........................................................................................................................         99
O lugar da personagem e do leitor em Seis vezes Lucas de Lygia Bojunga

Rosa Maria Graciotto SILVA ..........................................................................................................................         99
Diálogos possíveis: a construção da personagem em Lygia Bojunga

Rosana STEINKE ............................................................................................................................................   99
Entre a Literatura e a História Cultural: crônica de costumes ambientada em uma estância balneária.

Samuel Carlos WIEDEMANN, Maria Beatriz ZANCHET .................................................................................                              99
Patriarcalismo e coronelismo na obra Incidente em Antares de Érico Veríssimo

Sandra Aparecida Pires FRANCO ................................................................................................................... 100
Literatura e suas relações

Sandra Aparecida Pires FRANCO ..................................................................................................................              100

                                                                             15
Tomás Antonio Gonzaga e sua história

Sandra Eleine ROMAIS .................................................................................................................................. 100
O ensino da literatura na perspectiva das Diretrizes Curriculares da Rede Pública de Educação Básica
do Estado do Paraná (DCE)

Sandra Regina Vieira dos SANTOS ................................................................................................................           101
Ao Entardecer:em busca de um tempo perdido

Sandro Pontes FERREIRA ..............................................................................................................................      101
No (sub)mundo da malandragem: a constituição do romance picaresco em “Marafa”

Sarah CASAGRANDE ....................................................................................................................................      101
Sylvia Plath e Pós-Modernidade: “Lady Lazarus” na sua tradução para o português.

Saulo Gomes THIMÓTEO, Maria Nathalia F. G. THIMÓTEO ....................................................................                                   101
O Jornal revisitado: as crônicas de José Saramago

Saulo Gomes THIMÓTEO, Níncia Cecília Ribas Borges TEIXEIRA ............................................................ 102
A técnica narrativa em Clarice Lispector e James Joyce

Sergio Nunes de JESUS ..................................................................................................................................   102
Leminski & Antunes – (Vertentes de uma literatura contemporânea)

Sharlene Davantel VALARINI ....................................................................................................................... 103
A recepção de“A UM GRANDE HOMEM”, de Olavo Bilac, e “SONHO AFRICANO”, de Francisca
Júlia, por alunos de uma 8a.série: em busca de leituras parnasianas.

Sidinei Eduardo BATISTA Adalberto de Oliveira SOUZA ..........................................................................                             103
A literatura e o existencialismo

Sílvia Maria Rodrigues Nunes CANTARIN .................................................................................................... 103
Tropical Sol da liberdade – mostra teu narrador!

Sílvia Maria Nunes Rodrigues CANTARIN ..................................................................................................                   104
―Alice e Ulisses”, de Ana Maria Machado: tradição e ruptura

Simone Gonzáles SAGRILO ..........................................................................................................................         104
Estética da recepção e sociologia da leitura - uma obra, vários olhares

Soraya Christina Maldonado MOLINARI ......................................................................................................                 104
A construção de estereótipos raciais em Small Island, de Andrea Levy

Stéfano PASCHOAL .......................................................................................................................................   105
Poesia e música: figuras de linguagem no discurso pianístico de Schubert no lied Gretchen am Spinnrade

Susylene Dias de ARAUJO .............................................................................................................................      105
Os estudos culturais e a literatura em Mato Grosso do Sul – uma alternativa possível

Tania Sturzbecher de BARROS, Fernando de Moraes GEBRA ....................................................................                                 105
O duplo espacial em “ Casa tomada”, de JulioCortázar

Thais Regina Pinheiro GIMENES ...................................................................................................................          105
Lavoura Arcaica: o herói trágico moderno

Vanessa Panarari BOLONHEIS, Vera Helena Gomes WIELEWICKI ........................................................... 106
A MIDSUMMER NIGHT‟S DREAM: PALCO E TELA

Vera Beatriz M. Bertol de OLIVEIRA ............................................................................................................ 106
Contos de fadas em pauta: Chapeuzinho vermelho e Cinderela

Vera Teixeira de AGUIAR .............................................................................................................................      106
Literatura infantil brasileira em curso

                                                                            16
Wagner Vonder BELINATO...........................................................................................................................       107
IL Faut cultiver notre jardin: caio ou o otimismo

Wagner Vonder BELINATO ...........................................................................................................................      107
A identidade em trânsito pela noite



                                       MESAS REDONDAS DE LITERATURA

                 LITERATURAS ESTRANGEIRAS E A QUESTÃO DO OUTRO

Heloisa Toller GOMES UERJ/ PACC-UFRJ .................................................................................................. 108
Quando os Outros Somos Nós: O lugar da crítica pós-colonial na universidade brasileira

Luizete Guimarães BARROS UFSC ............................................................................................................... 108
História e memória no boom da literatura hispano-americana

Sydney BARBOSA .......................................................................................................................................... 108
Literatura e interculturalismo: o caso atual da França e da China




                                                                          17
                           RESUMOS: ESTUDOS LINGÜÍSTICOS

EMBREAGEM DÊITICA: UM PROCESSO DE CRIAÇÃO DE IMAGENS, HUMOR E SENTIDOS
          NO PROGRAMA HUMORÍSTICO-TELEVISIVO SEXO FRÁGIL
                                              Adélli Bortolon BAZZA (PG – UEM)
                                              Maria Célia Cortez PASSETTI (UEM)

Ancorado numa perspectiva enunciativa de análise, este trabalho tem como corpus três cenas do primeiro
episódio do programa humorístico Sexo Frágil, exibido pela Rede Globo, no ano de 2003. A partir dessa
delimitação, o programa foi concebido como um lugar de enunciação do qual foram recortadas algumas
cenas específicas para análise em função da problematização do funcionamento da embreagem dêitica na
produção de efeitos de sentido humorísticos. O objetivo é verificar em que medida os tradicionais efeitos
dêiticos de objetividade/subjetividade; aproximação/distanciamento são utilizados na materialidade verbal e
não verbal para produzir efeitos de humor. As análises foram embasadas em teorias modernas sobre o humor
e em reflexões sobre os problemas enunciativos, especialmente as questões de embreagem/debreagem
propostas por Fiorin. A análise das cenas selecionadas demonstra que o processo de embreagem é um recurso
muito utilizado durante o programa e sua presença, além de criar os efeitos tradicionalmente postulados,
concorre para a criação da imagem das personagens e para a carga humorística do programa.


DICIONÁRIOS BILÍNGÜES E DICIONÁRIOS SEMI-BILÍNGÜES E APRENDIZAGEM DO
VOCABULÁRIO DA LÍNGUA ESPANHOLA POR ESTUDANTES BRASILEIROS
                                     Adja Balbino de Amorim Barbieri DURÃO (UEL)
                                               Otávio Goes de ANDRADE (PG-UEL)

Vários motivos podem levar alguém a consultar um dicionário padrão de sua língua materna, entre os quais
estão suprir o desconhecimento de determinada acepção de uma palavra, confirmar a grafia correta de uma
palavra, ou ainda, verificar a ―existência‖ de uma palavra. Ao pensarmos nos motivos que levam estudantes
de línguas estrangeiras a buscar amparo em dicionários, provavelmente, poderíamos arrolar as mesmas
razões aludidas, não obstante, pelo menos nos primeiros níveis de estudo de um idioma estrangeiro é mais
freqüente que os aprendizes recorram menos a dicionários padrão da língua que estudam e mais a dicionários
bilíngües e semi-bilíngües. Tomando por base essa idéia, nossa exposição focalizará esses dois tipos de
dicionários, com o objetivo de sistematizar alguns propósitos de reflexão traçados no projeto de pesquisa
―Caracterização do ensino do vocabulário da língua espanhola para brasileiros no contexto dos livros
didáticos e dos dicionários‖, o qual vem sendo desenvolvido junto à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-
Graduação da Universidade Estadual de Londrina. Esse projeto tem a finalidade de compreender como se
efetiva a aprendizagem do léxico da língua espanhola por falantes não nativos, mais especificamente, de
brasileiros, a partir de elementos da Lingüística Contrastiva e das Ciências do Léxico.


 LUGARES DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO-ÍNDIO NO DISCURSO DO CONHECIMENTO:
                             ENTRE LUGARES
                                          Adriana Aparecida Vaz da COSTA (PG-UEM)

O objetivo do presente trabalho é explicitar alguns dos processos de identificação a que o sujeito índio é
interpelado nos discursos que tematizam saberes, tendo como base teórica a Análise do Discurso de linha
francesa. Para pensarmos essa questão tomamos como corpus de análise os textos produzidos por estudantes
Kaingang no processo de seleção específico ―IV Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná‖ (2005), partindo
do pressuposto de que o espaço de constituição de saberes coloca em jogo a diversidade étnico-cultural na
relação com a unidade. Neste sentido, considerando que o sujeito constrói seu dizer nas bases do imaginário
com o qual ele se identifica, o imaginário que ele constrói sobre seu espaço e o espaço do outro tem por
função sustentar os processos que vão da identificação à construção da identidade; e é somente por um
trabalho de desarranjo/rearranjo desses processos que a identidade pode estar sempre em
formação/transformação. Em nossas reflexões temos observado que este processo permite ao sujeito
encontrar outros lugares de dizer, outros lugares de identificação, e não somente aquele da identificação
plena com a formação discursiva na qual se inscreve, o que lhe possibilitará também um (re)colocar-se no
processo de produção de sentidos sem que precise abandonar aqueles saberes que o constituíram e dos quais
sempre fará uso em seu dizer. Desta posição, pensamos ser possível compreender que efeitos os processos de
identificação produzem em termos de inclusão/exclusão do sujeito no âmbito da nacionalidade.




                                                    18
           ANÁFORAS LOCATIVAS DO ADVÉRBIO ONDE EM TEXTOS RELIGIOSOS
                                                Adriana dos Santos SOUZA (PG-UEM)

As anáforas do advérbio onde têm sido alvo de pesquisa nas últimas décadas, uma vez que os usuários da
Língua Portuguesa, muitas vezes, utilizam referências não-locativas antecedendo o advérbio. Ao recuperar
essas referências, o advérbio onde se afasta do uso preconizado nas gramáticas normativas. Sobre esse fato,
inúmeras pesquisas estão sendo desenvolvidas. No entanto, o presente trabalho procura observar as
indicações de lugar que se antepõe ao onde, em anáforas, a fim de observar como essas referências se
constróem e se há possibilidade de alternar o onde por um sintagma preposicionado (Sprep). A respeito dessa
variação, Braga e Manfili (2004) demonstram que, em retomadas a lugares geográficos, quando há, além da
designação da categoria a que pertence a entidade geográfica (monte, rio etc), existe a nomeação própria
(Everest, Araguaia etc), é possível a substituição do advérbio onde por um Sprep (no qual). As autoras
verificaram essa regularidade em textos atuais. A comunicação que se apresenta busca confirmar essas
postulações em textos religiosos arcaicos e contemporâneos, uma vez que o período medieval revela muitas
peculiaridades do Português e os textos religiosos contemplam diversas citações locativas, justificadas pela
oposição existente entre céu e terra, que marcam esse tipo de discurso.


               A REPRESENTAÇÃO DE ESCRITA DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO
                                             Akisnelen de Oliveira TORQUETTE (PG-UEM)

O objetivo desta comunicação é refletir sobre a representação de escrita em língua portuguesa, expressa na
definição de uma tese e na organização de argumentos em textos de alunos do terceiro ano do Ensino Médio.
A abordagem teórico-metodológica que norteará a análise dos dados é a do letramento (Corrêa, 2004; Corrêa
e Koch, 2006) e do sociointeracionismo (Bakthin, 1992). De acordo com esta perspectiva, o uso da
linguagem é heterogêneo; a linguagem não é abstrata e nem isolada, mas resultado da relação entre dois ou
mais sujeitos no meio social, em que a interação constitui a realidade fundamental da língua, ou seja, as
pessoas trazem padrões culturais de uso da escrita e discursos que revelam suas representações nos textos que
produzem em eventos de letramento. O corpus do trabalho é formado por textos escritos por treze alunos do
terceiro ano do Ensino Médio de uma escola particular na cidade de Maringá. O tema ou o comando para a
produção foi o seguinte: ―Religião, ciência e cultura costumam trafegar em faixas próprias. Mas qual é a
relação entre esses três conceitos?‖. A constituição do corpus se dá dessa forma por entendermos que, ao
final do Ensino Médio, os alunos deveriam saber se posicionar e escrever de forma eficiente (Parâmetros
Curriculares Nacionais, 2000), com definição pontual de tese e argumentos, já que a escrita possui um papel
fundamental na construção do conhecimento. Isso, no entanto, nem sempre acontece e um dos fatores
influentes pode ser a questão da representação da língua portuguesa escrita, pertencente na nossa sociedade a
um grupo social específico, classe média branca. Investigar, desse modo, quais são as representações que os
alunos têm do português escrito e de para quem escrevem são objetivos deste trabalho.


                          LEITURA E ANÁLISE LINGÜÍSTICA: EDITORIAIS
                                                               Alba Maria PERFEITO (UEL)

Neste trabalho concebemos análise lingüística como o estudo, em um texto, de determinado gênero, do
arranjo textual e das marcas lingüístico-enunciativas, vinculadas às condições de produção (interlocução,
suporte, finalidades, momento de produção e de circulação), no processo de construção de sentidos, em sala
de aula. A partir dessa concepção, o objetivo da comunicação em foco é apresentar uma proposta de análise
lingüística de três editoriais, veiculados em distintos periódicos, com o intuito de discutir os possíveis efeitos
de sentido de seus recursos lingüístico-enunciativos, assim como uma proposta de transposição didática. Tal
abordagem assinala a importância de se propiciar ao aluno o contato com este gênero discursivo, no
processo de inserir-se em um contexto noticioso e na captação de informações que o levem a perceber a linha
editorial do jornal e, portanto, a ideologia a ele subjacente, em função de seu direcionamento argumentativo.
Nesse sentido, o editorial, sem autoria precisa, estrutura-se em termos de apresentacão de idéias (com ou sem
histórias); de argumentos (sustentação de idéias, contra-argumentos ,justificativas) e de conclusão. É
importante, neste contexto, a percepção de que os operadores argumentativos, os anafóricos; os indicadores
temporais, o vocabulário, geralmente objetivo, os períodos curtos e a impessoalidade verbal são elementos
fundamentais no processo de construção de deterninados efeitos de sentido do gênero em pauta.


  ARTEMIS FOWL: O MENINO PRODIGIO DO CRIME & A FORMAÇÃO PSIQUICA DO JOVEM
                                   LEITOR
                                                ALVES, Aletéia Eleutério (G – UNESP)
                                             SOUZA, Silvana Ferreira de (PG – UNESP)

                                                       19
                                                SOUZA, Renata Junqueira de (Docente Orientador – UNESP)

Após observarmos durante meses as revistas que trazem em seu interior a listagem das obras mais vendidas,
constatamos surpresos - pois no Brasil a idéia de que os jovens lêem pouco ou não gostam de ler é muito
difundida na sociedade - a presença de obras da Literatura Juvenil do escritor Eoin Colfer, da série Artemis
Fowl, destacando-se entre as mais vendidas. O objetivo proposto nesta pesquisa foi o de identificar o motivo
destas obras terem um apelo tão grande perante o público leitor jovem e para esclarecer esta dúvida
procuramos explicação nos conhecimentos psicológicos. Por esta razão, nos propusemos a pesquisar se o
sucesso das obras de Colfer poderia estar relacionado ao fato destas proporcionarem a identificação do
adolescente com a trama vivida pelas personagens. Então começamos a analisar e identificar os possíveis
aspectos psicológicos presentes na obra por meio da Psicologia, mais especificamente sob a perspectiva da
Psicanálise. Selecionamos alguns fatores, por meio de uma pesquisa qualitativa, que comprovaram a
identificação do adolescente com as obras e que nos possibilitaram perceber quais eram as relações internas
desencadeadas pelos livros, sendo eles: o fato do personagem principal ser um adolescente, a presença do
grupo de amigos, o luto pelos pais, o Universo Mágico e o amadurecimento vivenciado. Estes elementos
permitem ao leitor estabelecer relações simbólicas para com a personagem da obra de ficção de forma
subjetiva proporcionando a vivência inconsciente das situações problemas existentes na mesma e permitindo
que ele estabeleça vínculos que podem sanar ou ao menos amenizar o caos psíquico provocado pelas
mudanças próprias da adolescência, ou seja, no interior da obra aparecem características que resultam numa
relação simbólica e afetiva do leitor para com as situações escritas que o possibilitam desenvolver-se
enquanto ―ego‖.


       COLEÇÃO CORPIM: PRODUZINDO TEXTO A PARTIR DE TEXTOS LITERÁRIOS
                                                  ALVES, Aletéia Eleutério (G – UNESP)
                                               SOUZA, Silvana Ferreira de (PG – UNESP)
                                SOUZA, Renata Junqueira de (Docente Orientador – UNESP)

Este trabalho é fruto das observações e conversas informais realizadas com alunos da primeira série do
Ensino Fundamental da Rede Municipal de Presidente Prudente, participantes de um projeto de leitura e
produção de textos baseados em textos literários. Nosso objetivo era melhorar a competência dos alunos em
se comunicar por meio da produção escrita e verificar a qualidade dos textos infantis provenientes do
trabalho com textos literários. Investigamos por algumas semanas as visitas realizadas pelos alunos na
biblioteca escolar para verificar quais eram seus interesses de leitura e observamos que grande parcela dos
alunos demonstrou interesse pelas obras do autor Ziraldo. Constatamos que esse interesse devia-se a
linguagem utilizada pelo autor e a identificação das crianças com um dos seus mais famosos personagens, o
Menino Maluquinho. Optamos assim, por trabalhar a produção de texto escrito a partir da Coleção
Corpim,do autor Ziraldo. Nestas obras o autor dá vida as partes do corpo humano em histórias engraçadas e
criativas. As atividades propostas aos alunos continham técnicas de leitura e atividades artísticas adequadas à
cada história da série, que sempre era acompanhada por uma proposta final de produção textual. Fomos
surpreendidas pelo envolvimento dos alunos nas atividades e a compreensão dos textos explorados, o que
contribuiu para a realização da proposta final de escrita, fundamentada na concepção de que o trabalho com
produção de texto deve ser contextualizado. O desafio proposto aos alunos foi a criação de um sétimo livro
para a Coleção Corpim. A proposta previa a análise da coleção do autor, atentando para a estrutura e
características do texto, fatores ideológicos presentes na história e relação da ilustração com as intenções do
texto que deveriam embasar o processo de produção do novo livro.


      NÃO-ARBITRARIEDADE NA SINTAXE E NO DISCURSO: UM ESTUDO DA FUNÇÃO
       PRAGMÁTICA TÓPICO E DE SUAS REALIZAÇÕES SINTÁTICA E SEMÂNTICA
                                                     Aline Almeida Inhoti (PIC-UEM)
                                                    Juliano Desiderato Antonio (UEM)

Uma das características da lingüística funcional é considerar que a língua pode refletir, de alguma forma, a
estrutura da experiência humana. Neste trabalho, investiga-se a não-arbitrariedade lingüística na sintaxe e no
discurso, realizando-se um levantamento da relação entre grau de explicitude e realização morfológica de
SNs na função de sujeito (entidade sintática). Confirmando-se o princípio da não-arbitrariedade, observou-se
que a introdução de informação nova, que é pouco previsível, deve ser feita da maneira mais explícita
possível para que o interlocutor possa interpretá-la, e a maneira mais explícita de se fazer isso é por meio de
um SN lexical. Observou-se também a preferência dos informantes pelos SNs pronominais e pelos SNs
elípticos para a manutenção de um mesmo sujeito em uma cadeia de orações subseqüentes, confirmando-se o
subprincípio da quantidade, segundo o qual aquilo que é mais simples e mais previsível é expresso com
menor complexidade gramatical.

                                                      20
       A MODALIDADE EPISTÊMICA E A FUNÇÃO INTERPESSOAL EM COBERTURAS
                         TELEJORNALÍSTICAS AO VIVO
                                        Aline Ramires Moraes MATSUMOTO (PG-UEM)

Na ocorrência de fatos inusitados ou de extrema relevância, o jornalismo está sempre presente para registrá-
los. No caso do jornalismo televisivo, esses acontecimentos podem ser veiculados nos telejornais, ou em
coberturas ao vivo de extensa duração, em que a narração dos fatos é feita simultaneamente com a ocorrência
destes e não há um planejamento do que será transmitido aos telespectadores. Nestes casos, à exposição
pública, a posição vulnerável em que se encontram e o fato de terem de transmitir informações, muitas vezes,
sem total conhecimento faz com que os repórteres assumam determinadas atitudes/posições diante de seus
telespectadores. Esse posicionamento ou atitude adotada pelo falante chama-se função interpessoal da
linguagem, a qual pode ser identificada por meio de modalizadores do discurso. Desse modo, este artigo tem
como objetivo analisar a função interpessoal dos modalizadores epistêmicos presentes nas coberturas
telejornalísticas transmitidas ao vivo – o seqüestro do empresário Sílvio Santos e o atentado terrorista ao
World Trade Center –, ambas veiculadas pela emissora Rede Globo de Televisão. Para tanto, foram
realizadas leituras sobre a modalização epistêmica e o estudo funcionalista de Halliday. Concluímos, então,
que os enunciados modalizados epistemicamente pelos jornalistas não revelam apenas o julgamento destes
em relação às suas proposições, mas também comunicam, através da função interpessoal, as atitudes
assumidas por estes jornalistas diante de seus telespectadores. Assim, relatamos que a função interpessoal da
linguagem se apresentou das seguintes maneiras em nosso corpus: a) para convencer os ouvintes quanto à
certeza/veracidade das informações veiculadas, a partir de um enunciador engajado com o que diz; b) para
proteger/resguardar a auto-imagem dos repórteres diante de seus interlocutores, a partir de um falante que
tenta distanciar-se da responsabilidade pelo que diz; c) para garantir a credibilidade e a confiança dos
telespectadores, a partir de um falante que tenta aproximar-se e comprometer-se com seus enunciados.


        A PRODUÇÃO DE TEXTOS NA SALA DE AULA DO ENSINO FUNDAMENTAL: A
                         ESTEREOTIPAÇÃO DA ESCRITA
                                                   Ana Maria da SILVA (G-UEM-PIC)
                                                   Renilson José MENEGASSI (UEM)

Este estudo, vinculado ao grupo de pesquisa ―Interação e escrita no ensino e aprendizagem‖ (UEM/CNPq),
apresenta um recorte da Pesquisa ―Interação, leitura e escrita no Ensino Fundamental (1 os e 2os. Ciclos)‖,
cujo objetivo é investigar os procedimentos empregados com a leitura e a escrita em sala de aula, com a
finalidade de contribuir com os estudos sobre a cultura escrita em contextos de ensino. Este trabalho,
teoricamente fundamentado em pressupostos sociointeracionistas, analisa procedimentos didáticos no
trabalho com a escrita em uma 4a série do Ensino Fundamental do ensino público do Município de Paiçandu
– Noroeste do Paraná. Toma-se por objetivo identificar os pontos que descaracterizam a escrita enquanto
processo de interação, no qual o texto é resultado do diálogo permanente entre professor-aluno-texto e,
conseqüentemente, produto do levantamento da bagagem histórica de cada indivíduo envolvido neste
processo. Para tanto, é analisada a condução oral do docente e os textos dos alunos, bem como a correção
destes. Os resultados das análises apontam que, a partir da condução oral para a escrita, há uma padronização
na produção textual e, ao passo que se corrigem os textos, instaura-se uma higienização textual subsidiada
pela correção superficial realizada pelo professor, determinando uma estereotipação da escrita.


 PERSONAGEM DE TELENOVELA: DIRECIONANDO A PERCEPÇÃO DO TELESPECTADOR
                                  Ana Paula de Lima MASSAMBANI (G-UEL/IC/UEL)
                                                         Loredana LÍMOLI (UEL)

Este artigo integra as atividades realizadas no interior do projeto de pesquisa Teledramaturgia e Ensino de
Língua Materna atualmente desenvolvido na Universidade Estadual de Londrina, o qual analisa a telenovela
Belíssima. Para tanto, recorre-se, além da teoria semiótica de Greimas, a outras teorias cujas contribuições
possam enriquecer a construção do saber a respeito do fenômeno do sistema televisivo em que se insere a
telenovela. A televisão produz uma programação acessível à grande maioria da população brasileira. Os
significados veiculados chegam indistintamente a todas as classes socio-econômicas, a pessoas de todas as
idades, graus de instrução formal, defensoras de diversas ideologias e crenças. É a esse público heterogêneo
que se dirigem imagens e textos fortemente comprometidos com as intenções dos enunciadores. Entretanto,
os programas são, muitas vezes identificados pelo público como mero entretenimento. Recebidos como algo
natural, identificam-se com o momento da descontração e do entretenimento. Nascida no interior de um
sistema com tais dimensões e características, a telenovela incorporou-se ao cotidiano, adquirindo um grande
poder de persuasão. Trata-se de uma programação que simula a realidade de tal forma que o telespectador

                                                     21
sente-se chamado a reconhecer-se na tela através de temas e situações semelhantes aos de vida real, bem
como de personagens que procuram recriar a complexidade humana. A proposta deste trabalho é observar de
que forma articulam-se os elementos verbais e audiovisuais na construção da identidade da personagem
André Santana e a partir dessa observação tecer uma reflexão sobre as estratégias de persuasão na
telenovela Belíssima.


   UM ESTUDO SEMIÓTICO DOS PERSONAGENS PASCOAL E SAFIRA, DA TELENOVELA
                                BELÍSSIMA
                                          Ana Paula Ferreira de MENDONÇA (PG-UEL)
                                                                Loredana LIMOLI (UEL)

O trabalho expõe uma análise semiótica da telenovela Belíssima, focalizando dois personagens, Pascoal e
Safira, interpretados pelos respectivos atores: Reynaldo Gianecchini e Cláudia Raia, cujos papéis puderam
ser acompanhados através da Rede Globo de televisão, no horário nobre. Inicialmente, a partir da transcrição
dos diálogos travados entre os dois personagens no capítulo final da novela, procedeu-se ao levantamento dos
programas e percursos narrativos de maior relevância. Em seguida, foram analisados os principais recursos
visuais, sonoros e gestuais utilizados na composição temático-figurativa do romance que envolveu o referido
casal, destacando-se os elementos da manipulação que, disseminados ao longo dos oito meses de difusão da
novela, permitiram a performance e a sanção finais. Também foram examinados os percursos passionais, em
função das diversas circunstâncias que postergaram o desenlace e provocaram modificações no
comportamento dos sujeitos, especialmente a inclusão de anti-actantes, alterações temáticas e interesses
variados de manutenção da audiência. O objetivo dessa análise é a constituição de um material pedagógico,
que poderá ser aplicado no ensino médio, nas aulas de leitura e produção de texto. A escolha desse material
deu-se em função da grande adesão dos adolescentes pelo gênero telenovela e, principalmente o grande
interesse despertado pelo envolvimento amoroso dos dois personagens analisados, que estiveram sempre
inseridos numa atmosfera de sensualidade e humor.


           ESCRITA E O PROCESSO DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM DE LÍNGUAS
                                                          Ana Paula GUEDES (UEM)

Esta comunicação resgata fatores pertinentes ao processo de produção textual escrita (HAYES e FLOWER
1980) e os correlaciona com o processo de ensino e de aprendizagem de línguas (BESSE e PORQUIER,
1984; ELLIS 1997), sob o intuito de demonstrar que os conhecimentos explícito e implícito são
indissociáveis. Essa visão totalizadora da linguagem contribui para a reflexão sobre uma possível abordagem
didático-pedagógica que ofereça aos aprendizes uma abrangência de estratégias e de operações mobilizadas
no decorrer do processo de ensino e de aprendizagem de línguas. Essas estratégias e operações podem ser
identificadas na escrita, principalmente durante o processo de revisão/reescrita que possibilita uma
reavaliação da estrutura lingüística e discursiva empregada pelo aprendiz. Percebemos essas estratégias por
meio da análise de alguns textos produzidos por alunos do curso de Letras da Universidade Estadual de
Maringá, no tocante ao emprego dos pronomes pessoais, durante a produção textual escrita em língua
francesa; nossa análise indica a estratégia de transferência lingüística da língua materna para a língua
estrangeira em um contexto de escrita incentivado por uma abordagem predominantemente explícita,
estrutural. As pesquisas em todos os níveis de ensino (BRITO, 2004; CRUZ, 2005; MENEGASSI, 2004)
sinalizam que o domínio da abordagem estrutural tem favorecido a compreensão superficial da linguagem e
impedido que a escrita desempenhe seu potencial associativo que coaduna forma e uso, conteúdo verbal e
não-verbal, intenção discursiva e interação social.


   PROCEDIMENTO METODOLÓGICO UTILIZADO PARA A COLETA DOS TERMOS E
 PREENCHIMENTO DAS FICHAS TERMINOLÓGICAS DO DICIONÁRIO TERMINOLÓGICO
           DA NANOTECNOLOGIA: INDÚSTRIA ELETRO-ELETRÔNICA
                                   Ana Paula Mignoli do NASCIMENTO (PIC-G/UEM)
                                              Manoel Messias Alves da SILVA (UEM)

O objetivo desta comunicação é apresentar o procedimento metodológico adotado para a informatização,
coleta e preenchimento das fichas terminológicas utilizadas na elaboração do Dicionário terminológico da
nanotecnologia: indústria eletro-eletrônica. O projeto institucional a que este está ligado visa a contribuir com
o desenvolvimento da terminologia em língua portuguesa. A área da nonociência tem encontrado um
progresso significativo em línguas de países desenvolvidos, como a inglesa, e esta tecnologia denominada
nanotecnologia vem sendo importada e criada por cientistas e especialistas brasileiros, forjando, assim, em
língua portuguesa, uma nova terminologia que se encontra em fase de consolidação. Em termos gerais, a

                                                      22
nanotecnologia é a engenharia de materiais em escala de átomos e moléculas. O prefixo grego nano significa
anão e se refere a uma medida, o nanômetro, pelo qual se medem átomos e moléculas. Ela equivale a um
bilionésimo de metro e já existem vários produtos que a utilizam, como os microprocessadores de
computadores pessoais, o laser de aparelhos de som, os cremes hidratantes que usam nanopartículas, entre
outros. Portanto, a proposta é apresentar um texto teórico que descreva a metodologia utilizada para a
informatização, coleta dos termos e o preenchimento das fichas terminológicas que constarão,
posteriormente, sob a forma de verbetes, do dicionário aludido.


     REGISTROS DE OCORRÊNCIA NA DELEGACIA DA MULHER: O ACONTECIMENTO
                    ENUNCIATIVO E A PRODUÇÃO DE SENTIDOS
                                                       Ana Paula Peron (PG-UEM)

Sob uma base teórica enunciativo-discursiva e, especialmente, pautado nos estudos desenvolvidos por
Guimarães (2002), o objetivo deste trabalho é observar a enunciação enquanto acontecimento histórico e
social do dizer na Delegacia da Mulher de Maringá e, a partir daí, verificar alguns dos efeitos de sentido
produzidos para a violência conjugal nos registros de ocorrência efetivados naquele espaço enunciativo. Para
tanto, o corpus de nossa pesquisa compreende alguns recortes de relatos gravados, com autorização escrita
das mulheres, no momento em que elas registravam a violência sofrida, e as respectivas materializações
desses relatos nos históricos dos boletins de ocorrência; o material analisado se referente, assim, a agressões
físicas e ameaças perpetradas contra a mulher nas relações de conjugalidade. Por constituir-se em um espaço
institucional, regido por forças políticas e ideológicas, esse acontecimento histórico e social do
funcionamento da língua na Delegacia comporta regularidades específicas do campo discursivo jurídico, que
podem ser vistas por meio da leitura dos relatos e dos registros. A partir dessas regularidades, torna-se
possível considerar que existe na Delegacia da Mulher uma forma ritualizada e legitimada de acontecimento
enunciativo. Esse funcionamento, por sua vez, faz com que os sentidos discursivamente construídos naquele
ambiente produzam efeitos de homogeneidade, objetividade e estabilidade, mesmo diante das
particularidades relatadas pelas mulheres.


 O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA ESTRANGEIROS DE LÍNGUA INGLESA: UMA
        EXPERIÊNCIA NA FACULDADE INTEGRADO DE CAMPO MOURÃO – PR
                                  Ana Paula Previate WIDERSKI (Fac. Integrado de C. M.)
                                       Fernanda Scheibel BISPO (Fac. Integrado de C. M.)

O ensino de língua estrangeira a adultos vem sendo influenciado por contribuições teóricas cada vez mais
numerosas e variadas. A definição de uma determinada abordagem resulta da confluência de considerações
provenientes de teorias sobre a natureza da linguagem, teorias sobre o processo de aquisição de línguas,
teorias cognitivas da aprendizagem e de teorias de ensino. Dessa forma, essa comunicação tem por objetivo
descrever a experiência da Faculdade Integrado de Campo Mourão – PR, ao ofertar o projeto de extensão:
―Curso de Língua Portuguesa a estudantes de Língua Inglesa‖, a um grupo de missionários. No que se refere
à abordagem teórica, o curso foi baseado, segundo ALMEIDA FILHO (1997), no conceito de nível limiar.
Os itens apresentados, aqui, referem-se à metodologia aplicada: a) conceito de nível limiar; b) relato da
aplicação teórica; c) a experiência prática; d) a avaliação do projeto, segundo as professoras idealizadoras do
mesmo. Por ter sido essa a primeira experiência do gênero, nessa instituição de ensino, buscou-se, com esse
trabalho, apenas levantar dados que propiciem a conscientização e reflexão dos professores/pesquisadores
dessa área, visando uma renovação no processo de aprendizagem, despertando-os para novas pesquisas na
área.


         LIVRO DIDÁTICO PÚBLICO: REFLEXÕES SOBRE A ANÁLISE LINGUÍSTICA
                                               Andréia Cardoso MONTEIRO (PG-UEL)

O livro didático é um dos poucos materiais de leitura, produção textual e análise lingüística aos quais
professores e alunos têm acesso, por isso deve favorecer primordialmente o desenvolvimento do senso crítico
dos sujeitos. Tal desenvolvimento torna-se viável a partir da concepção que considera os gêneros discursivos
como eixo de progressão e articulação do processo de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, cabe ao livro
didático instrumentalizar o aluno a fim de que ele perceba além da estrutura textual, aquilo eu pode ou não
ser dito através de determinado gênero, as várias vozes que permeiam o texto, a importância das escolhas
lexicais em função de determinada intenção e contexto, entre outros. Desse modo, esta comunicação tem o
objetivo de apresentar uma reflexão pautada nos construtos teóricos bakhtinianos acerca dos aspectos
referentes à análise lingüística no Livro Didático Público de Língua Portuguesa (2006), a fim de verificarmos
se ela está ou não contextualizada às práticas de leitura e de produção textual. Para atingirmos o objetivo

                                                     23
proposto, dividiremos nossa exposição em três blocos. No primeiro, refletiremos sobre o conceito de gênero
discursivo como um instrumento de ampliação dos horizontes e da criticidade do sujeito. No segundo,
discutiremos as condições de produção do Livro Didático Público de Língua Portuguesa. No terceiro, por
fim, apresentaremos a análise de uma das unidades do corpus mencionado e, também, algumas sugestões de
trabalho.


      PROCEDIMENTOS DE LEITURA NA SALA DE AULA DO ENSINO FUNDAMENTAL
                                                Ângela Francine FUZA (G-PIC-UEM)
                                                  Renilson José MENEGASSI (UEM)

Esta pesquisa, vinculada ao Grupo de Pesquisa ―Interação e escrita no ensino e aprendizagem‖ (UEM/CNPq)
e ao projeto de pesquisa ―A escrita e o professor: interações no ensino e aprendizagem de línguas‖ (Processo
nº 0418/04), na perspectiva sócio-histórica de ensino e aprendizagem, subsidiada nos pressupostos de
Bakhtin e Vygotsky, teve o objetivo de verificar como as abordagens de ensino de leitura, propostas a partir
dos princípios teóricos da Lingüística da Enunciação e da Lingüística Aplicada, através da concepção
interacionista de linguagem, são implementadas e efetivadas na 3ª série do Ensino Fundamental, de uma
escola particular, em Maringá-PR. Assim, selecionou-se uma amostra representativa de uma das práticas de
leitura, observando os elementos responsáveis pelo seu ensino e aprendizagem: o material didático; as aulas
do professor e o texto trabalhado em sala, a fim de verificar se a prática de sala de aula condiz com a teoria
que a subsidia, identificando as ocorrências de internalização da escrita nos primeiros anos do Ensino
Fundamental. Diante da análise, constatou-se que, embora houvesse um processo de leitura definido,
iniciando-se com a pré-leitura, leitura e pós-leitura do texto, não ocorreu a internalização da leitura por parte
dos alunos, que discutiram a respeito do assunto e leram o texto com a finalidade de responder as questões de
interpretação oral presentes no livro didático.


             LIVRO-REPORTAGEM: O DISCURSO JORNALÍSTICO “CONTAMINADO” POR
                                   IDEOLOGIAS
                                                        Ariane Carla PEREIRA (Fasul)

Embora a convicção de que o texto jornalístico (e, conseqüentemente, os profissionais que o redigem) deve
ser imparcial, isento, neutro e objetivo ainda prevaleça, algumas vozes se levantam contra esse mito. Um
exemplo é o livro-reportagem. Afinal, nesse discurso – enquadrado na categoria texto jornalístico – o
jornalista pode expressar toda sua subjetividade. Diante disso, o que quero refletir é se a presença aberta – e
não mascarada, velada – da ideologia no livro-reportagem impede o estabelecimento da credibilidade entre o
sujeito-jornalista-escritor e seus interlocutores e, conseqüentemente, se essa subjetividade afeta o
cumprimento da função primordial do jornalismo que é informar. Para isso, lançarei mão de alguns conceitos
chave para a Análise do Discurso e, principalmente, discutirei a questão do sujeito (indivíduo interpelado
pela ideologia, portanto, assujeitado e – ao mesmo tempo – capaz de exercer micro-poderes e, assim, resistir).
Posicionamentos teóricos que passarão por batimentos com a análise do livro-reportagem Rota 66 – a
História da Polícia que Mata, de Caco Barcellos.


  OS SENTIDOS DE PACIÊNCIA NA INTERTEXTUALIDADE DE PROVÉRBIOS NO GÊNERO
                                 CRONÍSTICO
                                                 Bruna Silvério BOTELHO (G-UEL)
                                                   Luiz Carlos FERNANDES (UEL)

Este trabalho tem por objetivo analisar, na prática discursiva do cotidiano, diferentes possibilidades de
referências intertextuais de provérbios presentes em crônicas jornalísticas. É apresentada inicialmente, a
definição da crônica e do provérbios enquanto gêneros discursivos. Em seguida, são estudadas as suas
relações com o tema e os efeitos de sentidos do campo semântico da noção de ―paciência‖. A motivação para
desenvolvimento da presente pesquisa provém particularmente da percepção de que uma das principais
funções acerca do tema da paciência na relação intertextual entre o provérbio e o gênero cronístico está na
consolidação de valores morais e comportamentais preponderantes em cada grupo social. Como resultado
espera-se reunir indicativos que permitam reconhecer alguns dos mecanismos caracterizadores da difusão
desse valor ideológico no corpus a ser analisado, crônicas veiculadas na mídia escrita.


  A LEITURA DO TEXTO LITERÁRIO E A BUSCA DA IDENTIDADE: LEITORES NA PRISÃO
                                              Camila de Souza FERNANDES (PG-UEM)


                                                      24
A visão humanizadora de língua e de literatura sinaliza um trabalho em que os participantes se constituem
sujeitos de sua linguagem ilumina esta comunicação que recorta resultados do projeto de pesquisa do Grupo
de Estudos CELLE - Centro de Estudos de Literatura, Leitura e Escrita: história e ensino, da UEM,
desenvolvido na Penitenciária Estadual de Maringá, com o objetivo de promover a ressignificação da
identidade de indivíduos em situação de exclusão social (detentos da Penitenciária de Maringá), a partir da
leitura e produção de textos literários. Para a realização da proposta, foram planejadas e oferecidas oficinas
de leitura e produção de textos aos detentos da penitenciária. Essas oficinas constituem-se em atividades
lingüísticas mediante as quais autor e leitor interagem em busca da construção de sentidos veiculados pelo
texto, têm a organização e desenvolvimento das atividades de leitura fundamentados em teorias da recepção.
Neste texto, apresentamos resultados das leituras realizadas durante a 2º Oficina, que aconteceu nos últimos
meses de 2006 e que tinha como eixo temático a juventude. A análise da produção de leitura dos detentos
será feita a partir de textos produzidos por esses leitores em situação de exclusão social. No sentido atribuído
aos textos lidos emergem as pessoalidades envolvidas que, uma vez valorizadas, permitirão que os
participantes se constituam sujeitos em busca da ressignificação de sua identidade.


             A IDEOLOGIA DA FRUSTRAÇÃO AMOROSA NA MÚSICA SERTANEJA
                                                Camila Maria Corrêa ROCHA (PG-UEL)
                                                       Luiz Carlos FERNANDES (UEL)

Este trabalho é parte do subprojeto ―As marcas de valores ideológicos em letras da música popular‖ no qual
são analisadas as formações ideológicas referentes aos temas amor e relacionamento afetivo presentes no
gênero cotidiano da música sertaneja. Pretende-se, neste trabalho, com base nos fundamentos da Análise do
Discurso de linha francesa, analisar as formações discursivas e, por extensão, ideológicas, referentes à
frustração no amor e nos relacionamentos afetivos no discurso da música sertaneja produzido nas décadas de
1980 e 90. Tal análise se dará por meio do levantamento de expressões idiomáticas recorrentes nas mesmas,
partindo-se da idéia de que, nessa apropriação a seu discurso, o sujeito reitera determinados sentidos com
base na formação ideológica na qual está inserido. Acredita-se que tais expressões, por serem parte da
sabedoria popular e expressarem, com sutileza, sentimentos e emoções, revelam valores ideológicos dos
grupos sociais em que se originam e circulam. O gênero lítero-musical dá oportunidade para se inscrevem
novos sentidos, com uma forma de linguagem que não se restringe a certos e poucos padrões de
comportamento, mas consegue, em sua forma de expressão, materializar e consolidar temas e problemas do
cotidiano que, em virtude de sua popularidade, resultam na inscrição de um perfil ideológico bastante
marcado no meio social.


                          O ESTRUTURALISMO E O ENSINO DE LÍNGUAS
                                                           Cássia Rita CONEJO (PG – UEM)

Este artigo tem como foco o Estruturalismo europeu e norte-americano desenvolvido a partir do impulso que
o lingüista Ferdinand Saussure deu à lingüística enquanto ciência. Temos como objetivo discorrer sobre a
vertente estruturalista apresentando seus pontos positivos e negativos bem como as contribuições que trouxe
ao ensino de línguas estrangeiras, em especial a língua inglesa. Faremos, ao final da apresentação teórica,
uma breve análise de um capítulo de livro didático de língua inglesa utilizado por professores do ensino
médio. Procuramos, assim, mostrar como o estruturalismo ainda prevalece no ensino até os dias de hoje.


    O DISCURSO VERBO-VISUAL DA INDÚSTRIA PUBLICITÁRIA DENTRO DO GÊNERO
                                TELENOVELA
                                          Célia Tamara COÊLHO (G-UEL/PIBIC- CNPq)
                                                            Loredana LIMOLI (UEL)

O artigo visa à análise do gênero anúncio publicitário explícito inserido na telenovela Belíssima, exibida pela
Rede Globo. Para tanto, utiliza uma abordagem reflexiva e crítica de como os mecanismos lingüísticos e
verbo-visuais presentes na propaganda são capazes de persuadir o telespectador. Dessa maneira, o olhar
televiso possibilita à indústria publicitária manipular o indíviduo por meio da sedução e da ilusão que se
encontram ancorados pelo ―enovelar‖ da teledramaturgia. A teleorganização constitui-se em uma ferramenta
primordial para a propaganda, na medida em que reorganiza o tempo e o espaço do homem pela
uniformização cíclica dos eventos cotidianos, criando um efeito realístico, devido à redundante naturalidade
com que os expõe. Portanto, a repetição compulsiva da indústria cultural submerge o indivíduo dentro de
uma consciência compacta e coletiva marcada pela instantaneidade, simultaneidade e globalidade. Este
poder que o espelho televiso exerce sobre o homem de fascinação e convencimento acentua a finalidade
imediata da publicidade dos bens de consumo, uma vez que reproduz o simulacro do desejo. Assim, o

                                                      25
produto propagandístico é delineado pela imagem e pelo discurso que o enunciam, sendo percebido pela
exploração dos sentidos por meio de uma ―visão universal‖ direcionada pela câmera da telenovela. Dessa
forma, também, a telerrealidade operacionaliza a indústria publicitária, visto que arrasta o indivíduo para o
jogo das aparências que legitima o consumismo.


 DISCURSO: FONTE DE VERDADES, MENTIRAS E EVOLUÇÃO. ELEMENTO QUE MOVE A
                           SISTÊMICA SOCIAL.
                                             Clariane Leila DALLAZEN(G-Unioeste)
                                                 José Carlos dos SANTOS (Unioeste)

A nossa sociedade é basicamente regida por princípios de verdade formados por meio do discurso e
efetivados através da fé, do público receptor, de que este é realmente verdadeiro e digno de aceitação. Diante
disso, podemos dizer que as verdades que movem o sistema social são efetivações discursivas, creditadas
pela fé da população receptora. Podemos observar em nosso cotidino que somos constantemente
influenciados e até determinados pelas mais variadas faces do discurso e pelas mais diversas fontes deste,
também. Nossos princípios, nossas crenças, nossas atitudes, nosso convívio, tudo isso e mais, é fruto da
integração de um discursar ao nosso consciente e até em nosso inconsciente, pois na maioria das vezes não
percebemos que somos determináveis, apenas somos, incondicionalmente. O objetivo do presente trabalho
consiste em demonstrar o discurso como o elemento principal que movimenta a sociedade, porque ele possui
a capacidade de criar verdades, destituí-las ou até conflitar entre si e deixando nascer novos saberes. Essa
atividade interativa foi que deu origem ao conceito de Verdade, de Mentira, de Direito, de Justiça, de
Linguagem, de Ética, de Educação, de Progresso, de Comunicação, etc. Por meio de toda essa atividade
podemos obter uma idéia de evolução social, de acordo com as proposições ofertadas por pesquisas
realizadas por Spencer, grande estudioso do evolucionismo natural e do social. Por fim, diz-se que a partir do
pensar do homem se criam discursos (dos mais variados ideais) e estes, são capazes de reger a sociedade em
parceria com a fé da população expectadora, que o credibilizará e o efetivará na prática.


        A INTERAÇÃO Á DISTÂNCIA: RECURSOS TEXTUAIS EMPREGADOS EM EAD
                                                     Cláudia CAZAROTO (PG-UEM)

A educação à distância se encontra em expansão no contexto educacional, uma vez que os documentos legais
a regularizam e a incentivam em todos os níveis, e as tecnologias de informação e de comunicação (TICs)
avançam a passos largos. As TICs possibilitam uma significativa interação no processo educacional,
conforme preconizam as atuais teorias lingüísticas e pedagógicas, seja sob forma de complementação de
carga-horária presencial, seja inteiramente à Distância. Entretanto, o material impresso ocupa, ainda, um
lugar de destaque na EAD e apresenta diversas peculiaridades decorrentes do distanciamento entre os
interlocutores e da autonomia que se espera do aluno. Consideramos ser pertinente, portanto, refletir sobre a
qualidade dos materiais didáticos utilizados nessa modalidade de ensino. A presente comunicação objetiva
analisar alguns recursos utilizados no ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa à distância, tomando como
escopo os materiais impressos produzidos pela UFMT (2001), utilizados pela UEM, na primeira turma do
Curso Normal Superior, oferecida entre os anos de 2001 e 2004. Focalizamos, especificamente, a forma
como esses materiais viabilizam a interação e o diálogo com o aluno na modalidade de EAD.


                 O TRABALHO GRAMATICAL NA MODALIDADE A DISTÂNCIA
                                                     Cláudia CAZAROTO (PG-UEM)

A educação a distância (EAD), modalidade de ensino que se constitui em uma das formas de dar resposta às
necessidades do mundo atual, que requer profissionais qualificados e em formação continuada, contribui para
a democratização do saber no ensino superior, nível em que se encontra a maior barreira para a educação,
devido ao número restrito de vagas. Entre as especificidades da EAD, encontra-se seu planejamento, que
deve levar em conta a elaboração de materiais didáticos a ela direcionados, os quais devem considerar as
características do público-alvo e mediar o processo de ensino-aprendizagem entre os sujeitos professores,
tutores e alunos. Nesse processo, o livro base é o elemento que norteia o ensinar e aprender. Desse modo,
consideramos pertinente refletir crítica e conscientemente sobre a qualidade desses materiais e, para isso,
tomamos como escopo deste trabalho o LB produzido pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT),
denominado ―Linguagem (O ensino: o entorno, o percurso)‖ (2001), utilizado pela Universidade Estadual de
Maringá (UEM), no Curso Normal Superior (1ª turma), uma vez que a UEM, inicialmente, ofereceu o curso
em convênio com a UFMT. Nossa atenção centra-se em investigar o modo como o LB trabalha a gramática,
em sua relação teórico-prática. É uma pesquisa qualitativo-interpretativa, realizada à luz de uma perspectiva
sócio-interacionista de linguagem. A pesquisa revela que o LB enfatiza, teoricamente, uma preocupação em

                                                     26
realizar uma aula interacionista; entretanto as atividades apresentadas nem sempre condizem com essa
perspectiva, apresentando, muitas vezes, análises gramaticais fragmentadas.


AÇÃO DE LINGUAGEM NO BLOG: UM GÊNERO TEXTUAL PARA A AUTO-AFIRMAÇÃO DO
                      SUJEITO NO MUNDO MODERNO
                                            Cláudia Cristina Gatti FELIS (PG-UEL)
                                               Elvira Lopes NASCIMENTO (UEL)

A tecnologia digital e sua influência nos comportamentos humanos têm sido alvo de estudos de vários
domínios da produção do saber. A linguagem escrita, antes praticada de maneira mais intensa somente na
escola, divide hoje seu espaço com o mundo virtual. A linguagem digital, então, passa a fazer parte do
cotidiano dos sujeitos da sociedade tornando indispensável ao professor dominar essa ferramenta de
comunicação e os reflexos e efeitos desta sobre indivíduos que a praticam. No que diz respeito à Lingüística,
já existem inúmeros estudos cujos objetos são os gêneros digitais emergentes: e-mails, chats, bate-papo ICQ,
blogs etc. Para nos ajudar a compreender como um desses gêneros, o blog, interfere e influencia, o modo de
ser e de agir das pessoas, recorremos a psicologia (Mello,2006), pois esta nos possibilita , em alguns casos,
compreender como esses gêneros, por meio de sua linguagem, medeiam as relações sociais dos indivíduos no
mundo moderno. Neste artigo propomos a análise da linguagem utilizada em algumas postagens feitas em
Blogs de um site específico para ―viciados‖ (blogs – páginas da internet que funcionam como um diário
pessoal na ordem cronológica com anotações diárias ou em tempos regulares que permanecem acessíveis na
rede). Para embasar teoricamente nossa análise recorremos a Bronckart (1999/2006), psicólogo da
linguagem, que concebe as interações humanas como fonte para a apropriação e representação dialógica dos
indivíduos no mundo contemporâneo. Partindo, portanto, da descrição da infra-estrutura textual e das
unidades lingüísticas recorrentes nesses blogs buscaremos compreender a dialogia estabelecida entre os
internautas.


   REDE NACIONAL DE FORMAÇÃO CONTINUADA: EM TRABALHO DE LETRAMENTO
                 MIDIÁTICO Á PARTIR DOS GÊNEROS TEXTUAIS
                                             Claudia Lopes Nascimento SAITO (UEL)

A Comunicação apresenta e discute a proposta de formação continuada a distância (via WEB) para a
formação de professores da educação básica, oferecida pelo MEC e o Centro de Formação Continuidade.
Desenvolvimento de Tecnologia e Prestação de Serviços para as Redes Públicas do Ensino – CEFORTEC e
viabilizada pelo consórcio de universidades públicas do Paraná. O objetivo é apresentar a perspectiva teórico-
metodológico de construção dos materiais didáticos que constitui o curso Gêneros Textuais no Ensino de
Língua Portuguesa, especialmente, os fascículos destinados ao letramento midiático que foram elaborados
para a formação de professores da educação básica. Os materiais já concluídos na série, intitulados ―
Gêneros da Mídia‖e ―Gêneros Multimodais da Publicidade‖, visam instrumentalizar os professores na
capitação de seus alunos para a realização de uma leitura crítica dos gêneros da esfera midiática, no que tange
ao domínio dos vários sistemas de linguagem que os constituem, atrelados às novas tecnologias, faz com que
diferentes capacidades de linguagem (Dolz, Pasquier & Bronckart, 1993; Dolz & Schneuwly, 1998) sejam
requisitadas ao cidadão para uma determinada ação de linguagem. Nesta comunicação, chamamos atenção
para: 1. a produção de material didático para implementação de uma pedagogia de letramento midiático; 2. o
foco nos gêneros da mídia como ferramentas de ensino (Machado, 2005); 3. estruturação dos materiais
elaborados.




                   O DIÁRIO ÍNTIMO E A REFLEXÃO SOBRE SER PROFESSOR
                                                        Cláudia Valéria Doná HILA (UEM)

O objetivo desta comunicação é discutir resultados parciais sobre o papel do gênero diário íntimo durante a
disciplina de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, a partir do interacionismo social e do interacionismo
sócio-discursivo bronckartiano. Os professores em formação produziram, ao longo do ano letivo, diários
íntimos em que o objetivo maior era obter uma interação mais efetiva entre professor formador e professor
em formação, tendo em vista, principalmente, o baixo índice de motivação e de confiança em si mesmos,
com que os professores em formação chegam a essa disciplina. Entretanto, para além desta função, outros
papéis desse gênero foram aparecendo. Este estudo aponta para a importância de vermos os gêneros textuais
como uma ferramenta psicológica (cf. Schneuwly, 1994), no sentido vygotskyano do termo, o que quer dizer


                                                     27
que o diário pode ser considerado um instrumento de ensino para a reflexão dos sujeitos envolvidos nessa
etapa da formação inicial.
Palavras-chave: diário íntimo; interação; escrita.


                    LEITURA E ANÁLISE LINGÜÍSTICA: BULA DE REMÉDIO
                                                    Cleide Aparecida Gomes BORGES (UEL)
                                                               Alba Maria PERFEITO (UEL)

O presente trabalho integra os estudos do Projeto de Pesquisa em Lingüística Aplicada, de cunho
etnográfico, desenvolvido pelo Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas, da Universidade Estadual de
Londrina (UEL), "Escrita e ensino gramatical: um novo olhar para um velho problema", que considera o
gênero discursivo como objeto de ensino - eixo de articulação e progressão curricular - e o texto, como
unidade de significação e ensino, o elemento integrador das práticas de leitura, análise lingüística e produção
textual.. Além disso, pauta-se na concepção de análise lingüística como o estudo, em um texto, de
determinado gênero, do arranjo textual e das marcas lingüístico-enunciativas, vinculadas às condições de
produção (interlocução, suporte, finalidades, momento de produção e de circulação), no processo de
construção de sentidos, em sala de aula. Neste sentido, o objetivo do trabalho em pauta é apresentar uma
análise lingüística do texto da bula do analgésico e antitérmico "Tylenol" (paracetamol). O texto em questão
pertence ao gênero da ordem do instruir, mas também apresenta alguns traços do gênero da ordem do expor.
Nesses termos serão analisadas suas marcas lingüístico-enunciativas, relacionadas ao arranjo textual e às suas
condições de produção. Dessa forma, espera-se contribuir com a produção de instrumentos teórico-
pedagógicos de intervenção no ensino gramatical descontextualizado.


   DA OPRESSÃO À LIBERTAÇÃO: A PERSONAGEM FEMININA IDOSA NOS CONTOS DE
                     CLARICE LISPECTOR E FLÁVIA SAVARY
                                             Marina João Bernardes de OLIVEIRA (PG)
                                              Cleide Antônia RAPUCCI (FCL – Unesp)

O presente trabalho tem como objetivo estudar a representação da mulher idosa nos contos Os laços de
família e Feliz aniversário, do livro Laços de família, de Clarice Lispector. Além dos textos Ataviada pra
festa e Doce de Teresa, da obra 25 Sinos de acordar Natal, de Flávia Savary. Para tanto, será utilizada a
teoria da zona selvagem, (espaço da linguagem revolucionária das mulheres). Dessa forma, pretende-se aqui
defender a idéia de que as personagens de Savary estão num estágio superior (a fase mulher), pois elas
conseguem vencer a repressão sobre elas exercida. Já as de Clarice permanecem, apesar da tentativa de se
libertarem por meio de um momento epifânico, sob a manipulação de seus familiares, correspondendo assim
à fase feminista. Vale ressaltar que tal estudo tem importante contribuição para a crítica feminista, porque
analisa não só textos produzidos por mulheres, mas principalmente por avaliar como são construídas
personagens que enfrentam os mais diversos problemas por serem mulheres e idosas.


CONTRIBUIÇÃO DOS SABERES MÉDICOS AO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO TEXTUAL NO
             ENSAIO DA EXPERIÊNCIA, DE MICHEL DE MONTAIGNE
                                            Dante Henrique MANTOVANI (PG-UEL)

Este trabalho pretende apresentar a relevância dos saberes médicos para a construção textual dos sentidos no
ensaio ―Da Experiência‖, de Michel de Montaigne. O objetivo é demonstra que, para isso, a forma como
Montaigne se aproxima enunciativamente de concepções médicas do cientista e filósofo grego considerado o
fundador da Medicina – Hipócrates – e, por outro lado, como critica de maneira contundente práticas médicas
comumente adotadas em seu tempo (séc. XVI), por meio da incorporação de estruturas de pensamento
relativas à visão de mundo greco-latina, que constitui o núcleo epistemológico motivador do movimento
denominado antropocentrismo. Esse processo, ao mesmo tempo em que nos permite supor que há uma
transdisciplinaridade estrutural na obra Ensaios, de Montaigne, permite-nos também visualizar a forma, por
intermédio da análise do texto, como o autor partilha do contexto do Renascimento.


       IDENTIDADE, HISTÓRIA E LÍNGUA: O OUTRO E O CENTRO NA CONSTRUÇÃO
                          DISCURSIVA DO SUJEITO-ÍNDIO
                                                        Daiany BONÁCIO (PG-UEM)

Detendo-nos na problemática da identidade indígena, e apoiados na Análise de Discurso de linha francesa,
refletiremos sobre o processo de construção de um imaginário sobre o indígena e sua língua, analisando

                                                     28
historicamente essa construção desde os discursos da descoberta do Brasil até a atualidade. Partiremos do
pressuposto de que a História é um elemento constitutivo da língua, do sujeito e da cultura. Pelas análises
realizadas, observamos que o imaginário de indígena construído pelos viajantes europeus cristalizou-se sob a
imagem de um ser ―selvagem‖, que precisava ser colonizado pela nação ―boa e amiga‖ que era Portugal. O
mesmo aconteceu com a língua que, de certo modo, também foi ―colonizada‖ a partir do momento em que
práticas homogeneizadoras foram aplicadas para se ter a língua portuguesa como língua nacional. Sabemos
que o contato da cultura européia com a indígena se deu de forma brutal. A cultura ocidental imposta no
Brasil permitiu a interpretação do indígena como o ―outro‖ e do europeu o ―centro‖. Diante deste fato,
percebemos que esta construção identitária, por estar presente ainda hoje nas práticas discursivas, tem sido
resignificada no contexto das políticas públicas de inclusão indígena. Pensando o indígena na atualidade é
relevante, então, considerar que, se por um lado os povos indígenas têm direito à igualdade como, por
exemplo, ingressar no ensino superior, constituindo-se como como cidadão brasileiro, por outro, têm o direito
à diversidade. Nossa proposta é explicitar como se dá esta construção identitária neste espaço contraditório.


    EFEITOS DO TREINAMENTO PERCEPTUAL NO APRENDIZADO DOS SONS DE UMA
                 LÍNGUA ESTRANGEIRA: UMA NOVA PERSPECTIVA
                                        Denize NOBRE-OLIVEIRA (PG-UFSC/CAPES)

Apesar de já ser uma prática comum no cenário internacional adotar o treinamento fonético perceptual como
método para melhorar tanto a percepção auditiva quanto a produção oral de falantes de inglês como língua
estrangeira, os ganhos com este tipo de treinamento ainda são de certo modo desconhecidos e/ou
negligenciados no cenário nacional. Este fato faz com que o treinamento exclusivamente perceptual seja
colocado em segundo plano se comparado com o treinamento oral (ou de pronúncia), ou seja, a prática de
atividades que envolvem apenas exercícios do tipo listen and repeat, focalizando e priorizando o treinamento
da modalidade oral. O presente trabalho visa divulgar os resultados de pesquisas anteriores realizadas no
exterior com aprendizes de inglês como língua estrangeira, bem como os resultados de um estudo recente
realizado com aprendizes de inglês no Brasil, que mostram os benefícios do treinamento fonético perceptual
na melhora não apenas da percepção dos sons de uma língua estrangeira, mas também na produção destes
sons, mesmo sem nenhum tipo de treinamento da pronúncia. Os resultados também indicam que os efeitos do
treinamento perceptual em um curto período de tempo possuem efeitos de longo prazo.


   O USO DE ESTÍMULO ARTIFICIAL NO TREINAMENTO PERCEPTUAL DAS VOGAIS DO
                                   INGLÊS
                                          Denize NOBRE-OLIVEIRA (PG-UFSC/CAPES)

Pesquisas internacionais têm mostrado que a utilização de estímulos desenvolvidos em laboratório pode ser
uma ferramenta eficaz para promover uma melhora na percepção auditiva de sons de uma língua estrangeira
(LE). A manipulação de propriedades dos sons (como, por exemplo, as freqüências e a duração de
segmentos) pode promover a ênfase de pistas cruciais para a compreensão que são originalmente sutis aos
parâmetros da língua materna do aprendiz. O presente trabalho compara dois grupos de aprendizes de inglês
como LE que receberam treinamento fonético com dois tipos distintos de estímulo: um grupo ouviu apenas
gravações feitas por falantes nativos e o outro grupo ouviu apenas estímulos sintetizados em laboratório. Os
resultados mostram que, apesar de ambos os grupo terem melhorado suas habilidades fonéticas na L2, o
grupo que recebeu estímulo artificial apresentou resultados significativamente melhores do que o grupo que
foi treinado ouvindo estímulo gravado por falantes nativos de inglês.


    ENUNCIAÇÃO E DIALOGISMO: A ALTERNÂNCIA DAS PESSOAS ENUNCIATIVAS E A
                          CONSTRUÇÃO DO OUTRO
                                           Dirceu Cleber CONDE (PG-UEL/FAFIJAN)
                                                     Luiz Carlos FERNANDES (UEL)

Pretendemos, a partir dos conceitos de enunciação e de dialogismo, explorar como os sujeitos enunciadores
demarcam a pessoa subjetiva e a não-pessoa em textos escritos, e de que maneira dialogam com a memória e
interagem com o outro. Como corpus de análise, servimo-nos de um conjunto de textos produzidos em
exames para a admissão em cursos superiores (vestibular), cujo tema fora a questão da reserva de vagas nas
universidades para populações historicamente desfavorecidas (quotas para afro-descentes e índios). Uma vez
que se trata de um tema que envolve a construção da imagem do outro no que diz respeito à identidade racial,
logo, à identidade construída historicamente, o jogo das relações de inclusão e de exclusão do outro ficam
perceptíveis através da materialidade do discurso. Para tal análise, utilizamos os métodos de análise da
Lexicometria aliados aos pressupostos da Analise do Discurso de orientação francesa.

                                                     29
LINGUAGEM VERBAL E LINGUAGEM VISUAL: O EMBATE ENTRE PALAVRAS E IMAGENS
                       NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO
                                                       Edina PANICHI (UEL)

A presente comunicação tem por objetivo discutir os documentos de processo do memorialista Pedro Nava
sob o ponto de vista das linguagens que fazem parte de seu percurso de criação. O escritor não faz seus
registros, necessariamente, na linguagem na qual a obra se concretizará. Há, em seu processo criativo, um
entrelaçamento de linguagens, ou seja, um embate entre palavras e imagens. Sem construir-se, qualquer que
seja o assunto sobre o qual vai escrever, é impossível ao indivíduo realizar o seu próprio texto. O
conhecimento dos mecanismos da arquitetura textual permite-nos revelar como o autor se estruturou para
construir a sua escrita, possibilitando-nos acompanhar a dinâmica do processo, uma vez que o ponto de
partida do texto é a base icônica dentro da qual o autor estrutura o que vai transmitir. A habilidade de efetuar
registros e depois transmutá-los para outras formas está presente, também, na construção de recursos de
memória. Quanto maior o conjunto de registros produzidos, maior será o apoio na organização e na variedade
de seleção das formas que serão levadas à composição do texto escrito.


 ALGUNS CONCEITOS E CONCEPÇÕES CRISTALIZADAS QUE APARECEM EM DESENHOS
                               ANIMADOS
                                                 Edio Roberto MANFIO (FATEC)

Esta comunicação tem como objetivo analisar alguns conceitos e concepções que estejam relacionadas a fatos
ou feitos históricos e que são veiculadas por desenhos animados. O assunto será abordado sob um panorama
discursivo e versará sobre alguns aspectos que podem ser tidos com contraditórios sob a ótica de algumas
vertentes historicistas. a ‗invenção‘ da eletricidade, a gênese do rádio, a criação do avião, as funções de
alguns personagens no desbravamento e colonização de alguns países, entre outros, são temas amiúde
explorados das mais diferentes maneiras por desenhos animados de todas as épocas e que, nem sempre,
apresentam-se de forma a agradar historicistas ou pessoas que tenham informações mais detalhadas sobre um
ou outro tema específico. Não há, no entanto, tentativa de estabelecer com precisão o que realmente ocorreu
(algo absolutamente improvável e controverso), mas sim, projetar os sentidos presentes nos episódios de
alguns desses desenhos sobre algumas informações históricas diferenciadas de forma a diminuir o crédito
sobre algumas concepções falaciosas que perduram até hoje e que pertencem a uma formação discursiva
própria da posição do dominador, ou seja, de que algumas nações são submissas, desprovidas de avanço
tecnológico e destituídas de senso crítico. Esse texto terá como respaldo teórico a ad de linha francesa,
autores que tratam fatos históricos sob vários aspectos e alguns outros textos diversos relacionados aos
grupos da época em questão.


    COMENTÁRIOS DE SUJEITOS CANDIDATOS SOBRE O MODO DE DIVULGAÇÃO DE
              PESQUISAS ELEITORAIS: UMA ANÁLISE DISCURSIVA
                                          Ednéia Nunes dos Santos CANDIDO (UEM)
                                               Maria Célia Cortez PASSETTI (UEM)

A mídia impressa maringaense divulgou várias pesquisas de intenção de votos durante a campanha 2004 para
prefeito, o que gerou algumas polêmicas quanto à confiabilidade dos resultados apresentados. Após a
divulgação das pesquisas, os dois principais jornais de Maringá publicaram a avaliação dos candidatos sobre
os resultados. Mobilizando os discursos dos jornais, dos candidatos e dos institutos, constituindo uma tríade
discursiva, e atendo-nos aos comentários divulgados nos quais havia críticas explícitas ao modo de
divulgação das pesquisas, pretendemos esclarecer se as críticas foram pertinentes ou se não passaram de uma
maneira de os candidatos amenizarem os resultados negativos diante dos eleitores. Por outro lado,
buscaremos verificar as reações dos jornais e institutos quanto aos fatos. Ao confrontar os diferentes lugares
discursivos, esperamos verificar as principais problemáticas ligadas à influência da mídia sobre os eleitores.
A análise discursiva pretende descrever os efeitos de sentidos produzidos pelos enunciados, considerando as
condições de produção específicas desses discursos. Os resultados apontam para a constatação de que os
sujeitos discursivos representados pelos candidatos/coligações criticam fatos relevantes. Os jornais e
institutos procuram defender seus resultados, obedecem a suas formações discursivas, tentando controlar a
produção de efeitos de sentidos, através do silenciamento ou realce do que lhes convém, na tentativa de
atingir os leitores/eleitores.


       A NORMA GESTUAL DE UM CORPO DÓCIL: O ESPETÁCULO DE LULA EM 2002

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                                                                        Elaine de Moraes SANTOS (PG-UEM)

Em 2002, o Partido dos Trabalhadores foi acusado pela mídia impressa nacional de divulgar uma campanha
baseada numa norma gestual produzida especialmente para as eleições presidenciais desse ano. O
procedimento recorrente na imprensa do período foi o de comparar essa imagem de Luiz Inácio Lula da Silva
àquela que figurou nas eleições anteriores, quando o petista ainda não contava com o apoio do marqueteiro
Duda Mendonça. Esta comunicação visa analisar um dos acontecimentos enunciativos realizados pela
Revista Época: a construção da imagem de Lula, veiculada na publicação de 22 de abril de 2002. A partir do
relevante poder de persuasão que as críticas da matéria poderiam produzir em seu público-leitor semanas
antes da eleição e com base nos pressupostos teóricos de Foucault (1997), Coutine (1988) e Rubim (2000),
pretendemos, portanto, verificar a viabilidade de se pensar em um petista representado, tal como as críticas
tecidas no referido texto midiático, como um sujeito dócil e espetacular.


    O TEXTO LITERÁRIO E OS DETENTOS DA PEM: INTERAÇÃO E RESSIGNIFICAÇÃO
                                               Elaine Souza LEONARCZYK (PG-UEM)
                                                     Odete Ferreira da CRUZ (PG-UEM)

Este trabalho é um recorte do projeto de pesquisa intitulado: Literatura, leitura e Escrita: a ressignificação da
identidade de indivíduos em situação de exclusão social, que propõe o desenvolvimento de um trabalho de
leitura de textos literários e produção escrita, por meio de oficinas na Penitenciária Estadual de Maringá.
Temos como objetivo principal responder à pergunta: Que contribuição a leitura dos textos literários oferece
aos detentos? Neste sentido, optamos por um trabalho com textos literários por acreditarmos que eles
possibilitam ao sujeito desenvolver sua criatividade e reflexão, ampliando sua visão de mundo e suas
possibilidades de agir de forma mais autônoma e criativa, uma vez que, ao lê-los, os sujeitos mergulham em
visões de mundo particulares, o que lhes proporcionará ressignificar passagens de suas próprias vidas e
liberdade para viajar no campo da fantasia e imaginação. O viés teórico dessa pesquisa situa-se no
sociointeracionismo e na na metodologia para a leitura literária proposta por Hans Kügler. Após a
organização de uma antologia de textos literários, na primeira etapa deste trabalho, efetivamos, no segundo
momento, a prática de leitura de textos literários e produção escrita, por meio das oficinas. Na análise aqui
apresentada, discutiremos quais foram as contribuições trazidas por esse trabalho para a humanização e
ampliação da visão de mundo dos sujeitos envolvidos. Assim, esperamos que esta pesquisa, devido o seu
caráter social, mais do que atingir nossas perspectivas, possa colaborar na ressignificação da identidade dos
sujeitos em situação de exclusão.


ETHOS E POLÊMICA: O DISCURSO DO PREPARO NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1994
                                                     Eliana Alves GRECO (UEM)

Luiz Inácio Lula da Silva, quando se candidatou às eleições presidenciais de 1994, foi vítima do discurso do
preparo. Seus adversários políticos, como eram pertencentes à elite política brasileira, exploravam a falta de
experiência administrativa e a de escolaridade de Lula, que precisava provar seu direito de participar do jogo
eleitoral. Essa exploração da falta de experiência administrativa e de escolaridade também se configurou no
debate político televisivo, realizado no primeiro turno entre todos os candidatos. Nesse debate, Lula instaura
uma polêmica sobre o discurso do preparo, desqualificando a capacidade administrativa de seus concorrentes
e construindo para si o ethos de homem preparado, conhecedor do Brasil e de seus problemas. O objetivo
desta comunicação é, portanto, analisar a polêmica sobre o discurso do preparo nas eleições presidenciais de
1994, tendo como pressuposto teórico a Análise do Discurso de linha francesa. O corpus da pesquisa é
constituído pelas falas proferidas por Luiz Inácio Lula da Silva, candidato pelo PT, e Enéias Carneiro, do
Prona, no debate político televisivo realizado entre os candidatos do primeiro turno. O trabalho evidencia o
confronto de duas formações discursivas sobre o discurso do preparo e o modo como Lula constrói o seu
ethos e desconstrói a imagem de seus adversários políticos, por meio desse confronto.


COESÃO VERBAL E TEMPORALIDADE DISCURSIVA: MECANISMOS DE TEXTUALIZAÇÃO NO
GÊNERO CRÍTICA DE CINEMA
                                        Eliana Merlin Deganutti de BARROS (PG-UEL)

Esse trabalho faz parte da pesquisa em andamento na UEL (NASCIMENTO, 2006) que toma como aporte o
interacionismo sociodiscursivo (BRONCKART, 2003; 2006) para a observação das ações de linguagem
semiotizadas nos textos empíricos, cujo objetivo é o de analisar e descrever regularidades observáveis nos
gêneros textuais para a construção de modelos didáticos que propiciem transposições didáticas. A
construção da temporalidade nos discursos humanos não pode ser resumida aos paradigmas verbais trazidos

                                                      31
pelas gramáticas tradicionais, pois os mecanismos responsáveis pela coesão temporal são peças
fundamentais para o bom funcionamento de toda engrenagem textual e não podem ser compreendidos sob o
ponto de vista do sistema abstrato da língua (BAKHTIN, 1972). A partir do ISD, estudamos os mecanismos
de textualização da coesão temporal em um corpus de textos do gênero crítica de cinema, e nele buscamos
dados concretos que possam confirmar a nossa hipótese de que a alta complexidade do uso e funcionamento
de tais mecanismos se dá, sobretudo, pela articulação entre as relações temporais e os arquétipos discursivos
(BRONCKART, 2003), pois nos textos desse gênero, os discursos do expor e do narrar se articulam de
forma notável. Esperamos contribuir para trazer novas reflexões sobre o ensino/aprendizagem da língua
enfocado não somente no ângulo inflexível das gramáticas-padrão, mas nas interações verbais em que os
enunciados concretos configuram formas relativamente estáveis – os gêneros textuais. Assim, os
mecanismos gramaticais – no nosso caso, os processos verbais – não podem deixar de ser relacionados à
engrenagem maior, a ação de linguagem de um sujeito em uma determinada situação de linguagem.


     OS PRONOMES NA LÍNGUA KAINGANG E A VARIAÇÃO NA ESTRUTURA FRASAL
                                          Emília Rezende Rodrigues ABREU (PG–UEL)

Das 120 línguas indígenas brasileiras, poucas são amplamente estudadas. Na língua kaingang já existe um
bom número de estudos desta escrita. O primeiro lingüista a publicar um estudo em Kaingang foi Mansur
Guérios, em 1940. Porém, há falta de estudos didáticos- pedagógicos que auxiliem os professores nativos
desta língua. Este trabalho objetiva analisar os pronomes do kaingang, produzindo, assim, um material útil
para eles. Para este estudo, utilizou-se uma coleta de dados, onde modelos experimentais são formados e
hipóteses são levantadas. Seguindo uma abordagem funcionalista, procurou-se descrever as várias formas
possíveis de um enunciado em kaingang. Algumas orações são utilizadas como frases modelos para
estabelecer as possíveis variações na estrutura padrão desta língua, que é S O V. Através de análises
descritivas foi constatado que a estrutura canônica S O V ocorre na maioria das frases com sujeito nominal,
exemplos: João vÿ ã ĩn ra vyr (João sua casa para foi); Jũm vỹ mĩg tén (João onça matou). Porém, com
sujeito pronominal verificou-se uma variação na estrutura oracional - O V S, como nos exemplos: Ã ĩn ra ti
vyr (Sua casa para ele foi) e Mĩg tén inh (onça matei eu). A frase com sujeito pronominal na estrutura
canônica S O V, aparece com o uso de um advérbio - Rãké tá inh mĩg tén (Ontem eu onça matei). A mesma
frase pode ser usada em outra estrutura, a O V S, permanecendo o sujeito próximo ao advérbio- Mĩg tén inh,
rãké tá (Onça matei eu, ontem). Na maioria dos dados coletados o sujeito da oração posicionou-se ao lado do
advérbio, fosse ele nominal ou pronominal, como se o advérbio atraísse o sujeito para perto de si. Estas e
outras hipóteses serão levantadas neste estudo sobre os pronomes na língua Kaingang.


      AS DIFERENTES ABORDAGENS DA ORALIDADE EM SALA DE AULA DE LÍNGUA
                               ESTRANGEIRA
                                                          Ercilia Alves LARANJEIRA
                                                     Michele Mitsuy TANGI (G-UEM)
                                         Teresinha Preis GARCIA (ILG/UEM-PG/USP)

Atualmente as diferentes abordagens de ensino de línguas estrangeiras centralizam seus esforços em fazer
com que o aprendiz interaja na sala de aula e desenvolva as quatro habilidades cognitivas na língua que está
aprendendo: ouvir, escrever, ler e falar. Contudo, muitas vezes, aprendizes de línguas estrangeiras se
deparam com diversos problemas no que diz respeito ao desenvolvimento dessas habilidades. Muitos
estudantes resolvem aprender a escrever e a ler, enquanto que outros despertam seus interesses mais pela
oralidade, já que a mesma oferece maior interação entre os falantes. Entendemos que vários fatores são
fundamentais para a utilização de uma língua estrangeira como, por exemplo, conhecimentos referentes à
gramática, vocabulário e noções fonológicas. No entanto, a abordagem comunicativa, objetivando o ensino
da competência comunicativa trabalha com uma perspectiva mais ampla da língua. Pois a língua desse modo
é usada com o devido propósito comunicativo: como um meio para um fim: um instrumento de interação
social. Para falar espontaneamente o individuo tem que ser colocado em uma situação na qual ele sinta a
necessidade de se comunicar. Diante desse fato, resolvemos elaborar o projeto ―Cantinho da oralidade:
compreensão e produção oral‖ que tem por objetivo detectar as principais deficiências apresentadas por
usuários de língua francesa no que se refere à oralidade. O projeto visa estimular a oralidade e a autonomia
desses usuários. O estimulo se dará com materiais áudio-visual e atividades que o usuário terá que executar
para levá-lo à compreensão e à produção oral. Pois é, principalmente por esse elemento ―atividade‖ que a fala
se torna pertinente e significativa.


   VINHETAS TELEVISIVAS: IDENTIDADE, CIDADANIA E INCLUSÃO SOCIAL EM TELA
                                                    Érica Danielle SILVA (G – UEM)

                                                     32
                                                              Ismara Eliane Vidal de Souza TASSO (UEM)

Refletir sobre qual é o papel exercido pela televisão na sociedade contemporânea tem se tornado um dos
temas de relevância em debates, estudos e pesquisas. Dentre diferentes formas de tratar a questão em tais
condições, duas delas são comumente empregadas: (1) como fenômeno de massa e (2) como dispositivo
audiovisual (Machado, 1999). É consenso entre os estudiosos de que a televisão exerce papel fundamental na
circulação de sentidos, possibilitando que os valores simbólicos nela veiculados intervenham cultural e
socialmente na constituição dos sujeitos, fator que suscitou o desenvolvimento do projeto de pesquisa
―Práticas identitárias: discurso, sentido e mídia‖ (UEM / Fundação Araucária). Como parte dessa pesquisa, o
estudo que ora desenvolvemos busca compreender os mecanismos e estratégias empregados em práticas
discursivas da mídia televisiva cuja temática é a inclusão social no Brasil. Nesse propósito, o presente
trabalho tem por objetivo demonstrar como os sujeitos portadores de necessidades especiais encontram-se
representados em uma das materialidades midiáticas, as vinhetas televisivas, dada a regularidade na exibição
dessa produção audiovisual e das especificidades de sua composição: imagem em movimento e elementos
lingüístico-discursivos, estéticos e tecnológicos. Para tanto, elegemos uma vinheta eletrônica que faz
referência aos jogos Pan Americano/200, veiculada em 2006/2007, que possui como percurso temático o
esporte enquanto elemento de inclusão social.


                 LIVRO DIDÁTICO: CONCEPÇÕES DE LEITURA E DE ESCRITA
                                             Erika Patricia Teixeira de OLIVEIRA (PG-UEM)

Este trabalho tem por objetivo reconhecer a concepção de leitura e de escrita presente no material didático
utilizado na alfabetização de Jovens e Adultos (CEEBJA) em uma escola pública da região noroeste do
Paraná. Esta reflexão é uma tentativa de compreender de que forma a concepção adotada pode contribuir para
o ensino-aprendizagem da leitura e escrita como práticas sociais. A partir de uma dicotomização entre
alfabetização e letramento, alguns autores, como Kleiman (1995), definem letramento como um conjunto de
práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia, em contextos
específicos. Nesse sentido, aprender a ler e a escrever implica não apenas o conhecimento das letras e do
modo de decodificá-las (ou de associá-las), mas a possibilidade de usar esse conhecimento em benefício de
formas de expressão e comunicação, possíveis, reconhecidas, necessárias e legítimas em um determinado
contexto cultural (Soares, 1998). Os dados da análise são provenientes dos livros didáticos da série ―Viver,
aprender – Educação de Jovens e Adultos‖ utilizados em sala de aula e do ―PCN – Educação de Jovens e
Adultos – Parâmetros em Ação‖ (Programa de desenvolvimento profissional continuado). A partir da análise,
foi possível perceber que, em princípio, o material leva em consideração tanto o aspecto cognitivo e formal,
presentes na alfabetização, como também, a importância do aluno como uma pessoa atuante na sociedade,
que convive em um meio social, cercado de práticas sociais que envolvem a escrita.


              ASPECTOS MORFOLÓGICOS NA ARGUMENTAÇÃO PUBLICITÁRIA
                                                            Esther Gomes de OLIVEIRA (UEL)
                                Melissa Carolina Herrero de AZEVEDO (UNOPAR/MARISTA)

A presente comunicação tem como um de seus objetivos disseminar o projeto de pesquisa: ―Aspectos
gramaticais na argumentação publicitária‖, alocado na Universidade Estadual de Londrina. O segundo
objetivo é mostrar que a argumentatividade está intrinsicamente presente na linguagem da propaganda e que,
para este trabalho, selecionamos o plano morfológico da língua, com suas variadíssimas ocorrências. No
âmbito da morfologia, há dois campos de pesquisa: a) o estudo da estrutura da palavra e b) o estudo das
classes de palavras. Nesta comunicação, não abordaremos os dois campos de maneira plena, mas
focalizaremos alguns aspectos referentes à estrutura da palavra e outros condizentes às classes gramaticais,
como por exemplo: o uso intensivo de determinados prefixos; prefixos que se transformam em palavras
plenas; sufixos indicadores dos graus diminutivo e aumentativo com significações alteradas; derivação
imprópria; o jogo substantivo abstrato/concreto; a afetividade do adjetivo, o advérbio modalizador e o
intensificador; a relevante contribuição da conjunção como operador argumentativo; o pronome, como
dêitico e, também, operador argumentativo; o numeral, representando o lugar de quantidade, ou seja, quando
o fator numérico carrega para si a carga argumentativa do texto; a interjeição, palavra que por si só, já
expressa afetividade. Tais aspectos morfológicos, de acordo com suas próprias características, criam
determinados efeitos de sentido e marcam a presença do sujeito da enunciação, objetivando atingir,
sutilmente, a adesão do enunciatário/consumidor, pois o gênero publicitário é intrinsicamente persuasivo,
caracterizando-se pela manifestação, em alto grau, de elementos que dinamizam as potencialidades criativas
da linguagem.



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   TERMOS GRAMATICAIS QUE CONTRIBUEM PARA A TRAMA ARGUMENTATIVA DO
           TEXTO PUBLICITÁRIO – ANÁLISE DE UM ANÚNCIO DE VEJA
                                                    Esther Gomes de OLIVEIRA (UEL)
                                                    Suzete Silva NASCIMENTO (UEL)
                                         Cecília Contani BARALDO (PIBIC - G - UEL)
                                                 Giovana Siqueira PRÍNCIPE (PG-UEL)

O texto publicitário, entendido como uma forma de comunicação de massa, tem grande importância em nossa
sociedade contemporânea, visto que apresenta recursos lingüísticos próprios, utilizados para chamar a
atenção do leitor e fazê-lo assimilar a idéia veiculada – a do conceito de superioridade do produto. Nos dias
atuais, em virtude dos benefícios reais começarem a diminuir, na medida em que todas as marcas tornam-se
parecidas, ou seja, possuem quase sempre os mesmos atributos, observamos, como característica destes
textos, um direcionamento com forte apelo emocional, diferentemente da propaganda antiga, cujos aspectos
representativos de indução à venda do produto, estavam mais ligados às qualidades positivas e informativas
do próprio objeto anunciado, a propaganda possuía, assim, um tom mais racional. Para demonstrar esta
realidade, evidenciamos, de modo contrastivo, o primeiro fato (propaganda mais subjetiva e emocional),
citando alguns títulos de propaganda de automóveis divulgados em Veja, nos anos de 2006/2007. Para o
segundo fato (propaganda mais objetiva e racional), selecionamos um texto publicitário, também de Veja,
publicado na década de 70, intitulado ―Pode julgar pela aparência‖, no qual procedemos à análise da
construção do discurso em questão, verificando os principais termos gramaticais que contribuem para as suas
estratégias argumentativas e conferem, a este anúncio, maior credibilidade e persuasão, sem mostrar-se
autoritário. Procuramos reforçar, desta forma, a postura da Semântica Argumentativa, de que não há discurso
neutro, todo discurso é sempre argumentativo e realizado em função de um auditório composto por
indivíduos, todos diferentes entre si, portanto, o emissor, ao elaborar a sua argumentação procura construí-la
numa representação ideal, tentando obter adesão aos argumentos que irão ser expostos. Esta comunicação
está ligada ao projeto de pesquisa Aspectos Gramaticais na Argumentação Publicitária, da Universidade
Estadual de Londrina.


 A ADESÃO AO DISCURSO OUTRO: MARCAS DA IDEOLOGIA TRABALHISTA DE VARGAS
                           EM CANÇÕES DA MPB
                                      Fabiana Fernanda STEIGENBERGER (PG – UEL)

No final da década de 1930, Getúlio Vargas cria o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) – órgão
responsável por censurar e orientar toda criação artística nacional incluindo a produção da música popular
brasileira. Diante disso, os compositores são orientados a enfatizarem, no discurso lítero-musical, temas de
incentivo e valorização do trabalho, evitando referências a comportamentos associados à malandragem.
Nessa perspectiva, com base no referencial teórico da Análise do Discurso de linha francesa, temos como
propósito analisar marcas discursivas reveladoras das mudanças ocorridas nesse quadro sócio-histórico. Tais
marcas são decorrentes da coerção ideológica exercida por essa política governamental no que se refere às
questões trabalhistas. Para tanto, observaremos remissões a provérbios de larga circulação no dia-a-dia, como
―DEUS AJUDA QUEM CEDO MADRUGA‖, que, num cenário enunciativo como esse, apontam para
valores ideológicos pré-determinados, fixados na memória discursiva coletiva em virtude de estar situado em
um acontecimento sócio-histórico. Dessa forma, compreendemos que os sentidos produzidos no gênero da
música popular, espaço de ocorrência de tantas práticas discursivas cotidianas, a repetição constante,
estabelece e determina os limites de cada formação discursiva. Procuramos destacar também, no presente
estudo, a importância das marcas de adesão ou distanciamento do sujeito enunciador em relação ao discurso
outro.


  A EDUCAÇÃO DA JOVEM MULHER PARA ALÉM DOS ESTEREÓTIPOS DITADOS PELOS
                        MEIOS DE COMUNICAÇÃO
                                              Fabiane Freire FRANÇA (PG-UEM)

A partir da reflexão sobre a educação da jovem mulher em relação aos modelos estipulados pelos meios de
comunicação, o presente trabalho buscou questionar as imagens a que as mulheres estão submetidas. Imagens
em boa parte compostas como anúncios publicitários que, além de buscar persuadir ao consumo de produtos
apresentam um conteúdo pedagógico no que diz respeito a padrões de identidade e comportamento. A
identificação entre os discursos dos meios de comunicação e um certo ideal de jovem é fato, basta aferir a
presença majoritária de personagens jovens nos anúncios publicitários, nos principais casais das novelas, nas
capas das revistas. E, no caso das mulheres há um triplo ataque: deve ser consumidora, deve atender aos
ideais relacionados à juventude e deve desenvolver um certo ―ser mulher‖ que muitas vezes a inferioriza.
Como fontes da pesquisa foram escolhidos a revista Capricho e o programa Malhação, da Rede Globo,

                                                     34
amostras bem sucedidas, mercadologicamente, junto ao público jovem. Foram coletados dados de um
exemplar da revista e de um dos episódios do programa referentes ao ano de 2003 a serem comparados com
os dados adquiridos atualmente. A análise de conteúdo realizada da pesquisa aponta para estereótipos de
comportamento associados à jovem mulher: qual sua postura, como deve agir, o que dela é esperado. Este
ideal de mulher torna-se mais um produto de consumo disponibilizado e desejado. Os dados mostram que por
um lado há todo um processo de padronização de papéis que a mídia impõe e a serem desempenhados por
esse público e, por outro lado, há a necessidade da instituição escolar trabalhar esses mecanismos de
―violência simbólica‖ que promovem a adaptação dessas jovens à sociedade vigente, inculcando-lhes desejos,
vontades, valores sem que estas os questionem.


 AS OFICINAS DE PRODUÇÃO DE TEXTO: SITUAÇÕES CONCRETAS DE INTERLOCUÇÃO
                                           Fernanda de Abreu CARVALHO (PG-UEM)

O trabalho de produção textual escrita não é isolado, já que ele não se fecha em si mesmo. Acreditando que
se trata de uma atividade em que os sujeitos se envolvem num processo dialógico, este trabalho objetiva
refletir, a partir do planejamento, execução, avaliação (análise) de duas oficinas, sobre a prática de produção
de texto, ocorrida em situações concretas de ensino-aprendizagem. Elas se desenvolveram em dois momentos
distintos de uma mesma sala de aula de Língua Portuguesa do Ensino Médio em uma das escolas públicas de
uma cidade do Norte Pioneiro do Estado do Paraná. Tanto a revisão teórica, quanto a análise do processo
foram constituídas sob a ótica da Lingüística Aplicada, pautada na Lingüística Textual e no Interacionismo.
Para cumprir o objetivo, optou-se pela pesquisa qualitativo-interpretativa, uma vez que a análise se apoiou
na teoria escolhida, acrescida da visão e experiência dos envolvidos: pesquisador e pesquisados. Nesse
contexto, os passos metodológicos são os da pesquisa-ação, porque pesquisador e pesquisados trabalham em
prol de um objetivo comum. Ao final, espera-se que os resultados apresentados sejam parte da comprovação
da hipótese que motivou um trabalho maior – a dissertação de Mestrado, ora em desenvolvimento: as oficinas
de produção de texto são práticas de atividades compartilhadas em que os sujeitos se envolvem em situações
concretas as quais facilitam a construção de significados dos textos para os interlocutores.


                 ENTRE GRIFES E SILÊNCIOS: O SUJEITO NO CLUBE DA LUTA
                                                        Fernanda Luzia LUNKES (PG-UEM)

Na pesquisa que estamos dedicando à dissertação, nos debruçamos sobre a categoria do sujeito na produção
fílmica. Temos como objetivo explicitar o processo de subjetivação dos sujeitos no filme Clube da Luta,
produção americana lançada em 1999, tendo como perspectiva a heterogeneidade do sujeito, já que tomamos
como dispositivo teórico-analítico a Análise de Discurso de linha francesa. Neste estudo em particular,
nossos gestos de leitura se dão através da descrição da discursividade do personagem Jack, explicitando sua
construção heterogênea no interior dos recortes que empreendemos de acordo com as perguntas que nos
motivaram. Queremos mostrar algumas coerções sofridas pelo indivíduo no contexto pós-moderno e como
isso, através do imaginário social que o circunscreve, se dá no simbólico. Na discursividade de Jack,
observamos certo imaginário e um certo desejo no simbólico através de uma intensa designação de grifes,
que em sua maioria estão associadas a conceitos ―desejados‖ pelos sujeitos, como felicidade e completude no
contexto da sociedade de consumo. Percebemos, no entanto, paralelamente a esse efeito de necessidade de
nomeação das grifes, que o nome do sujeito, concebido enquanto ―marca oficial‖ de uma pessoa na memória
discursiva da sociedade pós-moderna, é silenciado, o que para nós é lugar de interpretação. Nosso estudo,
mais do que respostas, pretende levantar questões que, possivelmente, gerarão outras. Como sujeitos
desejantes, não falamos em conclusões, mas em gestos de leitura, estes inseridos no movimento do discurso,
que nos escapa.


          PERSPECTIVA HISTÓRICA DO USO PRONOMINALIZADO DO NOME HOMEM
                                                Giselle de Almeida CORTÊZ (PG – UEM)

O artigo apresenta uma revisão acerca da classe dos pronomes, a fim de fazer uma retomada, pela Gramática
Histórica, de fatores que levaram o substantivo homem a se pronominalizar como indefinido, valendo-se de
textos do português arcaico, mais precisamente do século XV, como a Orto do Esposo e a Demanda do Santo
Graal. O objetivo do artigo é fazer um levantamento da freqüência de uso de homem como pronome
indefinido, nos dois corpora acima mencionados, além de percorrer o estudo da gramaticalização, o qual nos
leva a compreender novos fatos inseridos dentro da língua, como o uso pronominalizado desse substantivo.


                            HIPERTEXTO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

                                                     35
                                                                Gislaine Gracia MAGNABOSCO (PG-UEL)

O presente trabalho busca analisar a estrutura do hipertexto, bem como a origem do termo, sua relação com
os gêneros tradicionais e a importância de seu conhecimento para o ensino atual. A discussão sobre a
natureza do hipertexto permite pensar o próprio texto em sua materialidade, bem como as estratégias de seu
processamento ou do simulacro dele; pois, os links que o compõem evidenciam as opções associativas que,
na leitura de um texto qualquer, o leitor articula a partir de seus conhecimentos prévios, sua ideologia, etc.
Ele seria uma espécie de simulação do que acontece na relação do leitor com o texto, na produção de sentido
deste; sendo que no hipertexto o autor destaca os pontos de referência (links) que considera serem relevantes
ao seu leitor, não refletindo de fato o percurso a ser seguido por este. Há, assim, um limite sobre o que é
disponibilizado para leitura, mas não como se dará tal leitura; e essa liberdade de leitura pode gerar
problemas de compreensão global do texto, desorientação e dispersão, exigindo do leitor muito mais
conhecimentos prévios e maior consciência quanto ao buscado. Por isso é importante o estudo dessas formas
textuais, já que esses hiperdocumentos estão acessíveis por toda a rede informática e são poderosos
instrumentos de escrita-leitura coletiva - pela própria interatividade que proporcionam - adequando-se, então,
particularmente, aos usos educativos.


  ANÁLISE DOS RESULTADOS TEÓRICOS E PRÁTICOS DA LINGÜÍSTICA CONTRASTIVA
                                                Guilherme Rocha DURAN (G-UEM)
                                                 Edson Carlos ROMUALDO (UEM)

Ao fazer leituras de teorias que abordam temas como a aprendizagem e a aquisição de Primeira Língua (L1) e
Segunda Língua (L2), teorias sobre Análise Contrastiva e Análise de Erros, como as de Krashen, Lado,
Vandressen, entre outros estudiosos da área, deduziu-se que os erros, tratados aqui por desvios, poderiam ser
de interferência de dados da Língua Materna (LM) na realização da Língua Estrangeira (LE) pelo aprendiz.
Partindo deste pressuposto, fizemos a Análise Contrastiva entre a Língua Portuguesa e a Língua Francesa,
chegando a um resultado sobre a interferência daquela sobre esta. O passo seguinte, a análise do corpus,
composto por gravação em fitas K-7 de leituras realizadas por alunos do 1º ano do curso de Letras da UEM
do ano de 2005, acabou por nos mostrar que alguns dos desvios cometidos pelos acadêmicos não puderam ser
previstos pela AC realizada. Nossa hipótese sobre tal fato está relacionada com o procedimento realizado na
A.C. Segundo teorias utilizadas, a Língua Francesa deve ser comparada À Língua Portuguesa . No entanto, o
aluno, no início do curso, não tem maturidade auditiva para identificar os fonemas não existentes em sua
Língua Materna (LM) que são freqüentes na língua alvo. Desta maneira, a produção oral na Língua
Estrangeira fica condicionada ao ouvido do aprendiz, o que pode levá-lo a realizações diferentes das
esperadas ou previstas pela AC.


               A DÊIXIS DISCURSIVA NA LEITURA DE TEXTOS PUBLICITÁRIOS
                                                    Hérika Ribeiro dos SANTOS (PG-UEM)

O presente trabalho discute a importância da dêixis enunciativa no texto publicitário, em um suporte
pedagógico – Livro Didático, destinado à 7ª série do Ensino Fundamental. A análise valeu-se de teorias
enunciativas do discurso, sem descartar outros instrumentos que fazem parte da enunciação. Constatou-se
que a análise lingüística e a busca dos efeitos de sentido dos elementos lexicais não foram tão evidenciados
quanto os elementos que constituem os textos publicitários.


LEITURA DE RECURSOS SEMIÓTICOS E LINGÜÍSTICOS EMPREGADOS NA CONSTRUÇÃO
                         DO TEXTO PUBLICITÁRIO
                                              Hérika Ribeiro dos SANTOS (PG-UEM)

Segundo Takazaki (2002), a função da propaganda é impulsionar a circulação de objetos, por meio da
construção da imagem do produto e da marca, de acordo com os sistemas de valores presentes na sociedade,
dentre os quais podemos enumerar a competitividade, o individualismo, o desejo de status, a ilusão de
felicidade e de poder aliadas ao consumo. As agências de publicidade conhecem como ninguém esses valores
e sabem fazer uso deles, produzindo anúncios em que eles se refletem, e, conseqüentemente, reforçam-se,
reafirmam-se e garantem sua permanência. Por isso, é indispensável que o professor trabalhe com o texto
publicitário em sala de aula, de forma a possibilitar aos alunos interpretar, perceber a finalidade e as
estratégias de persuasão nele empregadas. Embora os recursos semióticos ocupem um lugar relevante na
construção dessa tipologia textual, abordaremos, nesta comunicação, os recursos lingüísticos utilizados no
texto publicitário impresso, sejam eles morfossintáticos (modos verbais), semânticos (duplo sentido e figuras
de linguagem), lexicais ou pragmáticos (provérbios).

                                                     36
                         ANÁLISE LINGÜÍSTICA: NARRATIVA COM MITO
                                                      Idelma Marina Nunes PORTO (PG-UEL)

Na comunicação em pauta apresentamos os resultados do Projeto de Pesquisa ―Escrita e ensino gramatical:
um novo olhar para um velho problema‖ (UEL), que visa a diagnosticar e intervir na abordagem do ensino
gramatical, em séries do nível fundamental, com pressupostos da Lingüística Aplicada, de cunho etnográfico.
Partindo da constatação de que grande parte dos professores de ensino fundamental tem pouca clareza de
como ensinar com gêneros, desenvolvemos um trabalho teórico-prático, via gêneros, a fim de contribuir na
relação de ensino-aprendizagem de língua materna. Com estudos teóricos, sobretudo, de Bakhtin (1992),
Rojo (2000), Barbosa (2003), Rojo e Cordeiro (2004) Dolz e Schneuwly (1996; 2004), adaptados por Perfeito
(2005), entendemos que a análise lingüística ocorre no processo de leitura e de refacção textual, ao se
observar em um texto, de determinado gênero, as marcas lingüístico-enunciativas, associadas às condições de
produção, ao conteúdo temático e ao arranjo textual e a sua relação com o processo de construção de
possíveis efeitos de sentido na leitura. Neste artigo, especificamente, nosso enfoque é análise lingüística, na
leitura, de narrativa em que a personagem é o mito Saci-Pererê, da ordem do narrar, propiciando através da
história o contato quanto ao gênero. Não pretendemos esgotar o assunto ou dar receitas, mas contribuir com o
processo de ensino-aprendizagem de modo que os professores tenham parâmetros para planejar em suas aulas
aspectos realmente relevantes para ampliação de conhecimento do aluno.


      ARGUMENTAÇÃO E ESTRATÉGIAS DE LEITURA: COMPREENDENDO O TEXTO
                             PUBLICITÁRIO
                                                 Isabel Cristina CORDEIRO (UEL)
                                                Paula Tatiana da SILVA (PG-UEL)

Este trabalho está vinculado ao projeto de pesquisa Aspectos gramaticais na argumentação publicitária
desenvolvido por docentes, alunos de pós-graduação e de graduação da Universidade Estadual de Londrina.
Essa análise pretende aliar as estratégias de leitura presentes na Teoria Cognitiva aos recursos persuasivos da
Semântica Argumentativa, revelando a relação de complementaridade que se instaura nessas áreas para a
formação de alunos-leitores mais críticos. O corpus selecionado para análise é o anúncio publicitário, gênero
discursivo altamente argumentativo, em que serão relacionados alguns recursos como os operadores
argumentativos, os modalizadores, os marcadores de pressuposição e a intertextualidade aos aspectos
cognitivos de leitura como o conhecimento prévio – imprescindível à compreensão da intertextualidade – os
esquemas, os frames e as inferências, pertencentes aos implícitos da linguagem, entre outras estratégias de
processamento cognitivo-textual que representam o conhecimento que os leitores possuem sobre
compreensão de discursos. Ao analisar os aspectos textuais, lingüísticos e cognitivos presentes no corpus, é
possível estabelecer uma relação direta da leitura com os aspectos gramaticais (conhecidos pelos alunos) e,
na seqüência, apresentar os processos argumentativos que exercem um papel fundamental na persuasão
observada no discurso publicitário. O objetivo é direcionar o aluno-leitor a identificar, de maneira mais
dinâmica e produtiva, os aspectos discursivos que permeiam a leitura, para, desde o primeiro contato com o
texto, ser capaz de estabelecer suas metas e intencionalidades, tendo como fundamento a parceria entre
argumentação, morfossintaxe e estratégias de leitura.


A LITERATURA PIRANDELLIANA NO CINEMA: UM ESTUDO LITERÁRIO E DA FILOSOFIA
                            DA LINGUAGEM.
                                          Ivo DI CAMARGO JÚNIOR (PG – UFSCar)

Neste trabalho apresentaremos uma análise fílmica a partir dos pressupostos teóricos da Filosofia da
Linguagem e do dialogismo de Mikhail Bakhtin presentes no filme "As duas vidas de Mattia Pascal", de
Mario Monicelli, lançado na Itália dos Anos 1980. Analisando o cinema como uma das mais populares e
acessíveis formas de arte e de grande ajuda no meio educacional e considerando que o espectador pode
apreender muito mais sentido e conteúdo a partir da imagem, apresentaremos aqui, os diálogos que o filme
trava com a obra literária de Luigi Pirandello, ―O falecido Mattia Pascal‖. Pensando na sétima arte como o
palco da mais completa expressão de sensibilidade e conhecimento é preciso reconhecê-lo, também, como
lugar de encontro de todos os elementos que ajudam a compor os demais processos de criação artística,
próprios do ser humano. Bakhtin, que trabalhava o diálogo como forma de eterna troca de informações e
mensagens entre o eu e o outro, vem a calhar neste contexto que tanto demanda de interações e novas formas
de pensamento lingüístico. Desta forma, veremos os possíveis diálogos que o filme mantém com o texto
literário em que o filme foi baseado, escrito por Luigi Pirandello e outras intertextualidades que neste


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trabalho serão levantadas.Assim sendo, esperamos que este trabalho apresente novas propostas ao nosso foco
de estudos para que se melhore a relação intertextual literatura e cinema.


 OS SONHADORES DE BERNARDO BERTOLUCCI ANALISADO. UM OLHAR BAKHTINIANO
                              EM CINEMA
                                        Ivo DI CAMARGO JÚNIOR (PG – UFSCar)

Este trabalho pretende analisar os elementos referenciais e abordar um ponto de vista dos estudos
bakhtinianos presentes na obra cinematográfica de Bernardo Bertolucci ―Os Sonhadores‖ e traçar um
paralelo entre o dialogismo e a história do cinema incutidos no filme. Bertolucci recria um filme parecido
com sua maior obra e assim tenta resgatar ideologicamente a velha glória ao abordar o maio de 1968 para
compor sua história. Sabendo que o diretor utilizou-se de vários referentes para compor uma história que
homenageasse o cinema mundial e apoiados nas teorias dialógicas de Mikhail Bakhtin, pretendemos traçar
um paralelo entre a história contemporânea francesa e seus eventos da revolução estudantil de 1968, a
história do cinema mundial e a construção do discurso no filme, demonstrando com clareza os recursos
utilizados na construção intertextual do discurso, utilizados pelo diretor Bernardo Bertolucci e expor todos os
criadores de sentido que este utilizou para criar seu filme. Ressaltamos que o filme traz um forte intertexto
com a obra de Althusser, Aparelhos ideológicos do estado que esperamos demonstrar juntamente com a
teoria de Mikhail Bakhtin, a força repressora das hegemonias e do estado francês presente no filme.
Esperamos então desvendar um pouco da magia expressa no filme e contextualizar a obra dentro do
pensamento lingüístico de Mikhail Bakhtin.


AS REPRESENTAÇÕES DO PROFESSOR SOBRE SUA FUNÇÃO MEDIADORA DA PRODUÇÃO
                  ESCRITA NAS PRÁTICAS DE LETRAMENTO
                                       Jakeline Aparecida SEMECHECHEM (PG-UEM)

O presente trabalho é fundamentado na visão interacionista e sócio-histórica da linguagem, assim como
também na teoria da enunciação bakhtiniana. Nesta perspectiva propõe-se investigar as representações do
professor sobre seu papel de mediador da produção escrita nas práticas de letramento. Esta investigação será
de cunho interpretativista e etnográfico, tendo como procedimentos para coleta de dados, entrevistas semi-
estruturadas e aplicação de questionários para os professores de línguas de dois colégios da rede pública de
ensino de Maringá, sendo um de contexto central urbano e outro periférico. Enfim, este trabalho visa abordar
a função mediadora do professor na produção escrita, assim como também investigar a representação que o
professor tem desta função, na perspectiva de contribuir para o desenvolvimento da produção escrita nas
práticas de letramento.


         DISCURSO PEDAGÓGICO: UMA ANÁLISE DOS REGISTROS REGULATIVO E
        INSTRUCIONAL E SUAS IMPLICAÇÕES NA AULA DE LÍNGUA ESTRANGEIRA
                                          Jakeline Aparecida SEMECHECHEM (PG-UEM)

O presente trabalho tem o propósito de relatar uma pesquisa-ação, na perspectiva etnográfica. Partindo das
teorizações de Bernstein (1996) sobre a disposição e estruturação do discurso pedagógico, objetivou
evidenciar, interpretar e analisar como uma professora organiza, estrutura e regula seu discurso na aula de
Língua Inglesa. Os dados para esta investigação foram coletados em aulas de Língua Inglesa em uma 1ª.
Série do Ensino Fundamental de uma escola particular de Guarapuava. Como instrumentos e procedimentos
metodológicos na coleta dos dados do discurso docente e suas implicações, foram utilizadas gravações em
áudio, descrição do contexto e de sua produção em diários de campo da professora e notas de campo de uma
observadora. Desta forma, este trabalho visa enfatizar o discurso do professor como insumo, condutor e
regulador nas relações discursivas e, por conseguinte, interativas para o desenvolvimento da competência
comunicativa na Língua Inglesa.


             MARCAS DE ORALIDADE EM ENTREVISTA DA IMPRENSA ESCRITA
                                            Janayna Bertollo Cozer CASOTTI (PG - UFF)

Boa parte de estudiosos que se ocupam da entrevista como uma atividade de interação social aponta o seu
caráter particular de texto, uma vez que assume características que se aproximam ora da escrita, ora da fala.
Nesta comunicação, que constitui parte de nossa pesquisa de doutorado, verificaremos como os textos que
constituem entrevistas escritas põem em uso as duas modalidades da língua. Para isso, tomaremos por base
fundamentos de um quadro teórico que possibilitará o tratamento de questões relativas à entrevista como

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processo de interação social, em interface com questões relacionadas às características e ao funcionamento da
língua escrita e da língua falada. Desse modo, utilizaremos como corpus uma entrevista da imprensa escrita,
que foi extraída da revista Playboy de julho de 2005 e que apresenta como entrevistado o diretor de novelas
da Rede Globo, Jayme Monjardim. Selecionamos tal entrevista porque apresenta elementos que aparecem
com maior freqüência na fala corrente, embora constitua texto escrito. Nosso objetivo é, portanto, analisar as
ocorrências desses elementos e entender a razão pela qual aparecem num texto escrito. Assim,
comprovaremos que a análise tradicional não dá conta de uma análise mais profunda dos fenômenos
lingüísticos. É preciso ir além daquilo que se apresenta na materialidade lingüística do texto; é preciso
compreender os aspectos que estão ligados à situação de enunciação, muitas vezes implícitos.


                     AS MEMÓRIAS DE SOFIA E OS ESTUDOS LINGÜÍSTICOS
                                                Jefferson Adriano de SOUZA (PG-UEM/FACINOR)

Resgatar no emaranhado da história, na poeira da memória, respostas para compreender o pensar e o fazer
dos professores, configura-se em arqueologia sensata e necessária à gestação de mudanças. A polifonia de
vozes que nos constitui, por vezes confusa e inaudivelmente, precisa ser ouvida, refletida e analisada para
que se vislumbre a harmonia. Em consonância com esses pensamentos, objetiva-se, neste estudo, visualizar
no entrecruzamento das vozes, representadas pelo discurso de uma professora de Língua Estrangeira (LE),
teorias lingüísticas e abordagens de ensino-aprendizagem de línguas, os elos que interligam e constituem
essas três dimensões. Para isso, busca-se respaldo nas teorias lingüísticas, a partir Roulet (1972) e abordagens
de ensino-aprendizagem de línguas, com base em Leffa (1988), para correlacionar esses conhecimentos ao
depoimento de uma professora de inglês, sobre a sua vivência com a língua. O estudo revela a presença de
elementos conflituosos na constituição do discurso dessa professora e apelos de mudança, suscitados por
novas teorias. Por isso, afigura-se importante, compreender as influências das teorias em nossa prática como
professores para dimensioná-las, criticamente, a favor da aprendizagem e desenvolvimento dos alunos, do
nosso crescimento profissional e autonomia.



          DRIBLANDO AS DIFICULDADES DA ESCRITA COM UM PASSE DE MÚSICA
                                        Jefferson Adriano de SOUZA (PG-UEM/ FACINOR)

Num processo de ensino-aprendizagem de língua materna, objetiva-se a formação de leitores-escritores
capazes de interagir com o mundo em que se inserem. Por isso, exercitar novas metodologias em favor da
formação de leitores-escritores críticos, felizes e cientes de suas potencialidades, afigura-se trabalho de
extrema importância para a educação. Assim, objetivamos, neste estudo, compreender as possibilidades de
trabalho ofertadas pela oficina pedagógica de leitura-escrita e esboçar uma proposta de oficina, centrada no
gênero canção. Pautados pelos pressupostos teórico-metodológicos do sócio-interacionismo, sustentados nos
PCNs de Língua Portuguesa, e concepção de escrita como trabalho, procuramos vivificar essas teorias em
práticas pedagógicas factíveis ao contexto escolar. O estudo aponta que o trabalho com a leitura e escrita,
calcado nos interesses do aluno, uso e reflexão da linguagem, pode dinamizar a formação de indivíduos
autônomos, aptos à seleção, classificação, análise e decisão. Nesse contexto de ensino-aprendizagem, a
oficina pedagógica se apresenta como importante alternativa metodológica para cultivar elementos essenciais
à formação do humano, como: ouvir, compartilhar, refletir, analisar e decidir. Portanto, investir em estudos
que reflitam sobre a metamorfose de teorias em práticas é vital para que as palavras se projetem da superfície
semi-estática do pensar e dizer, para o plano do agir e fazer.


     AS AÇÕES AFIRMATIVAS NA PUBLICIDADE: REGULARIDADES DISCURSIVAS NAS
                      CAMPANHAS DA COCA-COLA BRASIL
                                    Jefferson Fernando Voss dos SANTOS (G – FECILCAM)
                                                            Elizabeth LABES (FECILCAM)

Desde que surgiu a polêmica sobre a implantação das políticas de ações afirmativas no Brasil, por volta do
ano de 2001, a mídia, em geral, vem se preocupando em evidenciar os negros por meio da inclusão destes nos
diversos setores da esfera midiática, como programas de auditório, telejornais, novelas e, principalmente,
campanhas publicitárias. Por esse motivo, nos propusemos ao estudo da apropriação do discurso de ações
afirmativas pelo discurso publicitário. O que mais prende a atenção, nesse contexto, é a discrepância entre os
discursos envolvidos, já que o discurso de ações afirmativas e o discurso publicitário não comungam
historicamente dos mesmos sentidos e não são regulados pelas mesmas Formações Discursivas. Nesse
âmbito, nossa pesquisa, vinculada ao Programa de Iniciação Científica da Faculdade Estadual de Ciências e
Letras de Campo Mourão – FECILCAM, busca analisar as implicações ideológicas desta apropriação

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discursiva em campanhas encontradas nas revistas de circulação nacional. Para isso, utilizamos como base
teórica a Análise de Discurso de linha francesa, a qual nos possibilita analisar os processos histórico-
ideológicos que banham os discursos em suas materializações verbal e imagética. No caso da presente
comunicação, procuraremos evidenciar as regularidades discursivas levantadas na análise de duas campanhas
publicitárias da Coca-Cola Brasil, veiculadas pela Revista Época em 2005 e 2006. Para fins de análise e com
o intuito de demonstrar tais regularidades, focalizaremos as noções de Formação Discursiva e Interdiscurso.


 CAMINHOS PERCORRIDOS PELO PROJETO ATLAS LINGÜÍSTICO DE MATO GROSSO DO
                              SUL (ALMS)
                                                Jeniffer Elen da SILVA (G-UFMS)
                                               Dercir Pedro de OLIVEIRA (UFMS)

Este trabalho propõe realizar um histórico do que vem sendo desenvolvido no ALMS desde 1995. As
entrevistas, transcrições, processamentos de dados, artigos publicados, apresentações de trabalhos, enfim, as
diversas etapas percorridas pelo projeto, apresentando os cartogramas fonético-fonológicos e
morfossintáticos, com a descrição do espaço geográfico e respectivas variantes. Os procedimentos
metodológicos se baseiam em levantamento histórico e bibliográfico dos estudos realizados pelo coordenador
e atuais participantes que colaboram com o projeto, e também, na seleção de cartogramas, processados pelo
SPDGL (Sistema de Processamento de Dados Geolingüísticos), relevantes à apresentação. O ALMS
encontra-se na sua fase final, em que haverá a publicação, prevista para maio, de cartogramas lingüísticos
pertinentes, o que permitirá que se assinalem as características e tendências lingüístico-culturais importantes
para a construção da identidade cultural do Estado, trazendo conhecimento de diversos traços da linguagem
falada de Mato Grosso do Sul, de modo a traçar as isoglossas que marcam as regiões lingüísticas do Estado,
contribuindo pra a implantação de práticas metodológicas junto a situação lingüística do educando com
relação ao ensino/aprendizagem da norma culta nas escolas. Além disso, o projeto pretende fornecer
informações para a criação de uma rede de pesquisas lingüísticas, tanto do ponto de vista dialectológico,
quanto sociolingüístico.


                   LATIM E RETÓRICA NO SERMÃO II DE SANTA CATARINA
                                                            João BORTOLANZA (UEL)

Apresento o resultado parcial de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida na UEL sobre o Latim
empregado por Vieira em seus Sermões enquanto parte essencial da Retórica Clássica. Escolhi como corpus
o Sermão II de Santa Catarina. Abre-se com a epígrafe Quinque autem ex eis erant fatuae, et quinque
prudentes, extraída do Evangelho do dia. Uma inventio de frases latinas vai representar o arcabouço
estrutural do panegírico. Levantando essas frases em sua intersecção com a Retórica e analisando a dispositio
de subtemas que vão ampliar o tema central até chegar à peroratio, procuro demonstrar como esse tecido
latino se torna indispensável na compreensão da retórica vieirana.


  PRÁTICAS DISCURSIVAS DE RESISTÊNCIA MATERIALIZADAS NO VIDEOCLIPE MINHA
                                   ALMA
                                              João Carlos Mayer ROSTEY (PG-UEM)

Rompendo com os paradigmas da narrativa tradicional da televisão, porém sendo um produto viabilizado
através das mesmas confluências técnicas e imagéticas da TV, o videoclipe também exerce um estimulante
olhar para e entre os sujeitos, muitas vezes assumindo um posicionamento crítico e questionador sobre as
práticas discursivas de resistência. Nesse aspecto, o videoclipe promove uma diversidade de funções, tais
como: culturais, ideológicas e sociais. Compreende e apresenta um encontro de diversas e expressivas formas
de linguagens, entre elas as verbais e as não-verbais. Entretanto, os sentidos produzidos pelas imagens nem
sempre coincidem com os produzidos pela letra da música. As especificidades dessa materialidade
possibilitam considerar o videoclipe um produto audiovisual pluralístico e anormativo. Levando em conta as
considerações apresentadas e o papel que o videoclipe exerce na circulação de sentidos, verificar-se-á de que
forma o olhar da mídia televisiva, especificamente do videoclipe, produz e representa a identidade do sujeito
brasileiro pós-moderno, prescrevendo quem é ou não o sujeito marginalizado dentro dos sistemas culturais
aos quais estamos submetidos. Para tanto, elegemos como objeto de análise o videoclipe Minha Alma, do
grupo O Rappa, a fim de observarmos quais estratégias discursivas e interdiscursivas, verbais e imagéticas
são empregadas na produção de efeitos de sentidos. Este trabalho, fundamentado sob os pressupostos teóricos
da Análise do Discurso de linha francesa, é parte de um projeto maior de pesquisa intitulado ―Práticas
Identitárias na Pós-Modernidade: Discurso, Sentido e Mídia‖, desenvolvido pela Universidade Estadual de
Maringá em parceria com a Fundação Araucária.

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          DESENVOLVIMENTO DE LEITURA CRÍTICA: UM ESTUDO ETNOGRÁFICO
                                               Josimayre Novelli CORADIM (PG-UEL)

Esta comunicação consiste em um relato de pesquisa de sala de aula, com base etnográfica, conduzida pela
professora-pesquisadora em um contexto de ensino de leitura em inglês a alunos de Ensino Fundamental de
uma sétima série de uma escola da rede particular de ensino na cidade de Maringá, Paraná. Além de
apresentar resultados da investigação que teve por objetivo descrever e analisar o que acontece na prática de
sala de aula quando se tem em vista a formação de leitores críticos, esta comunicação também irá revelar
procedimentos de reconstrução de dados etnográficos, a partir da combinação de notas de observação
tomadas durante as aulas por uma segunda pessoa e notas retrospectivas da professora-pesquisadora. Com
isso, pretende-se discutir tanto a conduta da professora-pesquisadora, preocupada em evitar a chamada
cegueira cultural, bem como o significado de se tornar o familiar, estranho, e o estranho, familiar, como
requisito necessário à condução de estudos etnográficos.


   SOFTWARE LIVRE, LIBERDADE E ELEIÇÕES 2006: UMA ANÁLISE DAS FORMAÇÕES
                   IMAGINÁRIAS NO DISCURSO DA CELEPAR.
                                                     Juliana da SILVEIRA (PG-UEM)
                                                 Maria Célia Cortez PASSETTI (UEM)

Nos dias 26 e 27 de Maio de 2006, a equipe da CELEPAR apresentou aos alunos de informática da
Universidade Estadual de Maringá (UEM) o 1º Circuito Paranaense de Software Livre. O evento tinha como
temática principal o uso de sistemas de Software Livre pelo Estado do Paraná. No decorrer do evento, foram
anexadas, nas salas temáticas e em alguns lugares estratégicos do Câmpus, faixas com dizeres sobre
―liberdade‖. No cenário predominantemente capitalista em que vivemos, a filosofia adotada pela comunidade
do Software Livre – embora esteja focada no uso técnico de sistemas de informática - se coloca como um
movimento social contrário às leis comerciais vigentes, por considerar a informação um bem comum que não
deve ser restrito, controlado e/ou vendido, mas deve ser livre e compartilhado por todos de forma igualitária.
Nesse contexto, a adoção de softwares livres pelo governo do Estado do Paraná, sob o comando do
governador Roberto Requião (candidato à reeleição neste mesmo ano), coloca o Estado em posição política
estratégica, por aparecer aliado a práticas libertárias, tanto econômicas, quanto sociais. Nessa conjuntura,
tomamos alguns dos enunciados inscritos nas faixas anexadas pelo evento, como objeto de nossa análise, no
intuito de investigar, sob o suporte teórico da Análise de Discurso, quais as condições de produção que
possibilitaram tais enunciados e como o sentido de ―livre‖ do movimento do Software livre, foi
(re)significado pelo campo político, se transformando em ―liberdade‖. Acreditamos que os enunciados
analisados estabeleceram - em uma série de formações imaginárias - um forte processo de identificação entre
seus interlocutores produzindo efeitos de sentidos passíveis de afetarem o campo político-eleitoral de
maneira singular.


A TRANSMUTAÇÃO DE FORMAS E O JOGO DE LINGUAGENS NA PASSARELA DO SAMBA:
                     “A VIRADOURO VIRA O JOGO”
                                          Juliana dos Santos BARBOSA (PG - UEL)

O carnaval, como um fenômeno social complexo, permite análises por parte dos mais diversos campos do
conhecimento. Em nossa pesquisa nos propusemos a examinar o carnaval de 2007 da Escola de Samba
Unidos do Viradouro, do Rio de Janeiro, sob a ótica dos Estudos da Linguagem. A Escola teve como tema o
mundo dos jogos, abordando suas mais variadas modalidades com o enredo: ―A Viradouro Vira o Jogo‖,
desenvolvido sob a coordenação do carnavalesco Paulo Barros. Embasamos-nos na Estilística para examinar
os sambas-enredo, e nos aportes conceituais da Crítica Genética para averiguar o processo de criação de uma
alegoria. O corpus do trabalho é constituído pelos quatro sambas-enredo que chegaram à fase final do
processo de seleção de sambas na Viradouro e pelos documentos do processo de criação da alegoria
―Tabuleiro de Xadrez‖. A coleta de dados para esta pesquisa foi realizada entre os anos de 2004 e 2007, por
meio de pesquisas de campo, observação e entrevistas, além de pesquisas bibliográficas e hemerográficas. Na
análise dos sambas-enredo avaliamos sua eficácia para comunicar o conteúdo do enredo, e buscamos
identificar a expressividade dos recursos lingüísticos utilizados, bem como os seus efeitos de sentido. A
elaboração da alegoria é examinada com base no pressuposto de que a criação não constitui um ato linear e
simples, mas uma complexa rede de interações. A riqueza dos bastidores da criação é resgatada sob o intuito
de mostrar a construção artística como uma ação dinâmica, marcada por transformações que envolvem
seleções e combinações oriundas da relação do artista com o seu espaço e tempo sociais.


                                                     41
    PRÁTICAS DISCURSIVAS ANTAGÔNICAS NO DISCURSO FEMININO: ANÁLISE DE UMA
                                 ENTREVISTA
                                              Kátia Alexsandra dos SANTOS (PG-UEM)

O presente trabalho é parte de um estudo maior que viemos realizando acerca do discurso feminino, no qual
verificamos a presença ou não do discurso machista na fala da mulher, bem como o processo identitário que
se dá via discurso. Para esta ocasião, analisamos alguns enunciados recortados de uma entrevista realizada
com uma senhora de 83 anos, na fala da qual há a presença bastante marcada do discurso machista, o que
consideramos fruto de memórias de uma sociedade de base patriarcal. Ao mesmo tempo, há enunciados que
reproduzem um discurso feminino originário do discurso feminista clássico. Ambos os discursos compõem
contraditoriamente a fala dessa mulher e a constituem como sujeito de forma heterogênea. Procuramos nesse
trabalho pensar a identidade feminina com base na heterogeneidade do seu discurso, tomamos para isso os
pressupostos da AD francesa, sobretudo da 3ª fase, e alguns pontos da teoria psicanalítica do sujeito.
Sabemos que nosso repertório discursivo constitui-se de uma memória que ultrapassa os limites da nossa
vivência, chegando até nós como herança. No caso da entrevista em questão, a senhora viveu efetivamente
dois períodos bastante distintos no que diz respeito ao trato com a mulher na nossa sociedade, fato esse
extremamente relevante na constituição do seu discurso que, sendo veiculado num momento de transição, em
que as práticas discursivas femininas apontam para uma ―libertação‖ da mulher, atualiza-se, mas ainda
mantém muito firme um discurso de tradição patriarcal que entra em conflito com o outro discurso (de base
feminista). Sendo assim, acreditamos que os enunciados analisados servem como exemplo extremo da
ambigüidade das práticas discursivas que compõem a fala da mulher atual e que a constituem de forma
heterogênea e ―faltosa‖.


      CONFUSÃO CONCEITUAL NO CONTEÚDO DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA NO ENSINO
                               FUNDAMENTAL
                                             Kelly Priscilla Lóddo CEZAR (PG/UEM)
                                              Edson Carlos ROMUALDO (UEM/DLE)
                                                  Geiva Carolina CALSA (UEM/DTP)

Ensinar Língua Portuguesa para os falantes nativos do português parece muitas vezes desnecessário. Entre os
alunos do ensino fundamental é comum o questionamento sobre o porquê e o para quê são obrigados a
freqüentar esta disciplina com uma carga horária equivalente a outras, consideradas mais importantes para
sua formação. Além disso, o desempenho insatisfatório dos alunos nessa disciplina continua sendo motivo de
preocupação para os educadores brasileiros, apesar das tentativas de mudanças do processo ensino-
aprendizagem no sistema educacional, nas últimas décadas. A partir dessas considerações, na presente
pesquisa, procurou-se identificar a qualidade de um dos conceitos gramaticais abordados na primeira etapa
do ensino fundamental, e estreitamente relacionado ao domínio da variedade padrão da linguagem escrita: a
acentuação gráfica. Para tanto, foram investigados 30 alunos de 5ª série de uma escola pública central do
município de Maringá/PR, série esta selecionada por representar o início da segunda etapa do ensino
fundamental. Realizaram-se entrevistas individuais semi-dirigidas e de caráter clínico, nas quais se
solicitaram os conceitos dos alunos sobre o conteúdo em foco. Os dados obtidos nas entrevistas revelaram
que 100% dos alunos acreditam que a acentuação gráfica é realizada conforme a sílaba mais forte de cada
palavra e não devido ao uso de regras de escrita. Em nenhum momento, verbalizaram a diferença dos dois
conteúdos relacionando a língua oral e a língua escrita o que evidencia a confusão conceitual estabelecida
entre estes conceitos. Segundo a literatura, a não diferenciação destes dois tópicos gramaticais não permite a
qualificação adequada dos alunos nas atividades de escrita, em especial no que se refere ao uso da linguagem
padrão. Pode-se afirmar que o não domínio desses aspectos pode comprometer o acesso desses indivíduos a
uma das variedades da língua, que juntamente a outras os qualifica para a inserção em diferentes contextos
sócio-culturais.


ESTUDO COMPARATIVO DA ORGANIZAÇÃO TÓPICA DE UMA ELOCUÇÃO FORMAL E SUA
                         RETEXTUALIZAÇÃO
                                      Larissa Miuesa Pontes MAREGA (PG – UEM)
                                                Edson Carlos ROMUALDO (UEM)

O objetivo desta comunicação é apontar uma das estratégias de construção de textos falados e escritos – a
organização tópica, verificando como determinados segmentos tópicos se organizam no texto falado e como
eles se reorganizam no texto escrito. Utilizamos como corpus uma Elocução Formal (texto falado transcrito)
e sua respectiva retextualização, ambos retirados do Projeto Banco de Dados Midiáticos - UEM. Este
trabalho fundamenta-se em autores como Pinheiro (2005), Jubran et al (1990) e Marcuschi (2003), que

                                                     42
concebem a topicalidade como princípio geral de organização do texto. Dessa forma, o segmento tópico se
apresenta como uma unidade de composição do texto passível de ser identificado e estudado. O estudo da
organização tópica das duas produções evidenciou que tanto a fala como a escrita são coesivamente e
coerentemente ordenadas, mas que cada uma utiliza recursos considerados mais adequados na sua realização
lingüística. A análise comparativa desses textos, por meio da realização de Quadros Tópicos, também
apontou que a organização do texto falado no plano hierárquico se dá no sentido horizontal, com uma
tendência de abrir mais tópicos, de expandi-los, de exemplificá-los ou de comentá-los. Já o texto escrito
apresentou uma disposição mais vertical, significando que um tópico apareceu após o outro de uma maneira
mais gradativa e sutil. Observamos ainda que a retextualização não alterou significativamente o conteúdo do
texto, mas produziu um outro texto. Nela houve uma nova organização tópica, com redução, adaptação e
eliminação de segmentos. Nesse sentido, a análise da transformação da elocução formal em um texto
dissertativo escrito se mostrou muito produtiva, pois possibilitou um entendimento lingüístico-textual no que
diz respeito à macroestrutura de um texto oral específico e da compreensão das possibilidades de organização
e delimitação tópicas dentro de uma modalidade falada (elocução formal) e de sua retextualização.


           OFICINAS DE LEITURA E PRODUÇÃO: CONTEXTO DE APRENDIZAGEM
                    COMPARTILHADA EM AMBIENTE DE RECLUSÃO
                                                        Larissa SANTANA (G-UEM)
                                                          Marilurdes ZANINI (UEM)

As oficinas, situações de interação entre os sujeitos, atividades compartilhadas de ensino-aprendizagem,
carregam a concepção de leitura sob a qual a apreensão do significado de um texto se dá pela interação autor-
leitor; e a concepção de escrita como um processo em que o autor se envolve num contínuo refazer-se,
elaborando o seu conhecimento de mundo, de língua e de si mesmo. Dessa forma, os textos são lidos e
produzidos graças a um projeto aglutinador de atividades intelectuais, sociais, marcadas pelo prazer da
criação. Por essas razões, os textos produzidos pelos reclusos da Penitenciária Estadual de Maringá – PEM –
ganham grande valor: surgem a partir de situações concretas de interação lingüística proporcionadas pelas
oficinas, nas quais os autores são autores porque são sujeitos daquilo que dizem. À luz do Interacionismo,
como concepção de linguagem, e do Sócio-interacionismo, concepção filosófica do processo ensino-
aprendizagem de língua materna, recortamos a escrita para abordá-la num processo de produção textual que
abrange o desenvolvimento de estratégias concretas de ação e a escolha de meios adequados à realização dos
seus objetivos. Assim, o objetivo deste trabalho é apresentar produções de textos geradas a partir da leitura de
textos literários, estimuladores de idéias que motivam os sujeitos a compartilhá-las pela escrita, atividade que
favorecerá a recriação cultural e a sua conseqüente contribuição na formação do cidadão. Espera-se, ao final,
apontar a validade da criação dessas situações de interação que têm a leitura de textos literários como fator
desencadeador de uma produção textual escrita em que os sujeitos se revelam e partilham pela linguagem
uma ampliação da sua visão de mundo.


         SUBJETIVANDO SERES POR MEIO DO DISCURSO JORNALÍSTICO VIGENTE

                                                                    Leandro Dalcin CASTILHA (G-Unioeste)
                                                                       Roselene de Fátima COITO (Unioeste)

Por tomar como princípio que ―somos aquilo que falam de nós e não o que falamos‖, segundo os
pressupostos da Análise do Discurso de orientação francesa, nesse artigo serão discutidas algumas das
representações sociais do escritor Monteiro Lobato, buscando subsídios para argumentar a subjetivação de
seres, resultante de um discurso vigente à época do escritor supracitado. Monteiro Lobato, por ter
desenvolvido desde cedo uma vida cultural e intelectual abastada, formou uma personalidade sólida e uma
inteligência inenarrável. Considerado o precursor da Literatura Infanto-juvenil, o escritor deu vida a seres
inanimados, tal como a boneca ―Emilia‖ e o sabugo de milho ―Visconde de Sabugosa‖. Contudo, sua
próspera e conhecida criação literária, associada ao contexto histórico e social da época culminaram na
criação de personagens locais subjetivados, tal como o ―Jeca Tatu‖. Por meio de um veículo de comunicação
acessível à grande parte da população, o jornal, Lobato disseminou um significado pejorativo do ―caipira‖,
atribuindo inclusive um estigma negativo ao termo. A utilização do discurso jornalístico para externar a
concepção que tinha a respeito do homem do campo, permitiu ao escritor criar e transmitir um discurso aceito
como ―verdadeiro‖ devido aos mitos de veracidade, objetividade, neutralidade e imparcialidade, que dão
respaldo à mensagem do jornal sendo que, deste modo, o discurso lobatiano sobre o ―Jeca Tatu‖ resultou na
subjetivação do caipira por meio de ―verdades‖ aceitas pela sociedade, as quais surgiram em decorrência de
um processo histórico e sócio-cultural demarcado.



                                                      43
    A FORMAÇÃO INICIAL DO PROFESSOR: LÍNGUA PORTUGUESA NO ENSINO MÉDIO
                                         Leonice Aparecida Braga HÚNGARO (PG-UEM)

É nítido o descompasso existente entre as teorias elaboradas ao longo de anos pela academia e encampadas
pelos PCNs e a versão que assumem na prática cotidiana de professores, que se ressentem tanto da
necessidade de ampliar seus conhecimentos quanto da ausência de competências, habilidades e atitudes
imprescindíveis para assumir o papel de guias do processo ensino-aprendizagem. Por essa razão, esta
pesquisa propõe uma reflexão sobre a formação do professor, focalizando especificamente o chamado curso
de magistério, em nível médio, tendo em vista identificar a origem do problema. No que diz respeito
especificamente à língua materna, dados colhidos em pesquisas realizadas em no nível superior (SILVA,
2003, entre outros), demonstram que os professorandos atribuem sua insegurança perante uma sala de aula
não só ao ―escasso domínio‖ do conteúdo gramatical, mas também ao insuficiente conhecimento a respeito
dos PCNs. Ao lado dessa deficiência cognitiva, os alunos declaram-se inseguros metodologicamente. Embora
tais considerações devam ser relativizadas, uma vez que o domínio do conteúdo e a conseqüente
autoconfiança só serão alcançados no decorrer do exercício profissional, é relevante uma proposta de
trabalho voltada especificamente à identificação das necessidades manifestadas por esses futuros professores,
particularmente no que diz respeito à operacionalização da análise lingüística, conforme proposta nos
Parâmetros Curriculares Nacionais. Espera-se, dessa forma, contribuir para que o futuro docente se habilite
na condução de um complexo processo de ensino-aprendizagem, que implica a construção do conhecimento
e a interpretação do mundo.


             OFICINA DE PRODUÇÃO TEXTUAL: UMA METODOLOGIA POSSÍVEL
                                           Leonice Aparecida Braga HÚNGARO (PG-UEM)

Considerando que acreditar, assimilar e compreender as teorias sociointeracionistas e materializá-las em
práticas conscientes de ensino-aprendizagem de língua materna é um desafio, principalmente, em contextos
de educação públicas que dispõem de pouquíssimos recursos didáticos e tecnológicos para este fim e contam
com uma clientela lingüística e socialmente heterogênea. Entretanto, o professor que se entender como
mediador desse processo procurará criar situações reais de interação verbal a fim de que os alunos se
constituam sujeitos. Assim, as propostas de organização de oficinas de produção de textos nos levaram a
aplicá-las, numa sala de aula de 1ª série do Ensino Médio da Rede Pública Estadual de Ensino do Estado do
Paraná. O nosso objetivo, naquele momento, foi procurar vencer o desafio que nos impunha a situação,
considerando o fato de que teoria e prática devam caminhar juntas. Partimos de uma proposta de escrita
sugerida pelo livro didático da turma que, tido como ponto de partida, contou com a nossa mediação para
torná-la uma situação concreta de interação lingüística, na qual os sujeitos se constituíssem em autores. Os
resultados evidenciam que, com a intervenção do professor e o envolvimento dos sujeitos em função de um
objetivo comum, é possível, além de motivar os alunos a produzirem textos em situações reais de uso da
linguagem, minimizar as lacunas do livro didático e atingir resultados de qualidade considerável. Por isso, o
objetivo desta comunicação é discutir uma alternativa metodologia de ensino-aprendizagem de escrita em
língua materna que tem a teoria como força para uma prática que evidencia atividades compartilhadas
rompem com a barreira do isolamento lingüístico que ocorre no ensino tradicional de redação, atingindo o
campo da construção de sentidos num processo de interação entre autor e leitor.


        CASO ÔNIBUS 174: POSIÇÃO SUJEITO, MEMÓRIA E PRODUÇÃO DE SENTIDO
                                           Letícia Afonso Rosa GARCIA (PG-UEM, UNIPAR)

A data de 12 de junho de 2000, no Rio de Janeiro, ficou marcada e conhecida mundialmente como o dia em
que um homem invadiu um ônibus da Linha 174 e durante cinco horas fez os passageiros reféns. O seqüestro,
que culminou com a morte de uma das reféns e posteriormente de Sandro, o assaltante-seqüestrador, pelos
policiais, foi transmitido ao vivo pelas emissoras de televisão. Neste estudo, busca-se analisar as posições
sujeito exercidas por Sandro do Nascimento, o seqüestrador, geradas no dia do assalto ao ônibus, a partir dos
diálogos que estão registrados no documentário ―Ônibus 174‖, de José Padilha. O objetivo da análise é
mostrar as diferentes posições sujeito adotadas na construção do discurso, nas três diferentes regiões de
interdiscurso que são movimentadas: o da exclusão, como morador de rua e sobrevivente da chacina da
Candelária; o do mundo do crime, como assaltante e seqüestrador do ônibus 174; e o da mídia, como ator de
uma cena de cinema, quando estabelece contato, mesmo que indireto, com os veículos de comunicação
presentes no local e ―se deixa‖ influenciar pela presença deles a partir da ilusão de que tem o controle do
dizer e dos sentidos naquela situação. As diferentes posições adotadas na construção do discurso mostram
que os sentidos não estão somente nas palavras, mas na sua relação com a exterioridade. As três posições
sujeito produzem diferentes efeitos de sentidos, uma vez que ―as palavras, expressões, proposições, etc.,
mudam de sentido segundo as posições sustentadas por aqueles que as empregam, o que quer dizer que elas

                                                     44
adquirem seu sentido em referência a essas posições, isto é, em referência às formações ideológicas nas quais
essas posições se inscrevem‖ (Pêcheux, 1988, p. 160).


                   A ESCRITA VIRTUAL INFLUENCIA A ESCRITA ESCOLAR?
                                                        Letícia Jovelina STORTO (G-UEL)
                                                         Paulo de Tarso Galembeck (UEL)

Vive-se, na atualidade, um complexo desafio: o homem deve ser, constantemente, rápido. A sociedade exige,
portanto, uma comunicação veloz e eficiente, que permita manter o acelerado processo sem deixar a
compreensão de lado, sendo assim, as pessoas, cada vez mais, utilizam a tecnologia em busca dos seus
benefícios, como uma capacidade comunicativa célere proporcionada pelos celulares, comunicadores
instantâneos, e-mails, chats etc., que permitem o uso de inúmeros artifícios, na escrita, como as abreviaturas,
a falta de pontuação e de acentuação, a aglutinação ou eliminação de sílabas, o uso de símbolos (emoticons) e
imagens, entre outros, que, porém, podem ou não afetar a linguagem verbal, principalmente a das crianças e
dos adolescentes. Entretanto, será que isso é verdade? Será que a linguagem virtual pode, realmente,
influenciar a língua escrita dos internautas? Tentar esclarecer um pouco mais essa questão é o propósito dessa
comunicação, que tratará de teorias básicas sobre a fala e a escrita. A partir de Saussure, ela mostrará
algumas características da linguagem usada pelos usuários do meio virtual, apresentará produções textuais de
alguns alunos da oitava série do ensino fundamental, para, com isso, verificar se há mesmo uma transmissão
dessa linguagem para as escolas e se essa mudança das atitudes lingüísticas dos estudantes pode modificar a
compreensão que, eles, detêm da linguagem humana.


   O DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR E SUA CONTRIBUIÇÃO NO DESEMPENHO EM
                       ESCRITA NAS SÉRIES INICIAIS
                                                 Lilian Alves PEREIRA (PG – UEM)

As experiências e brincadeiras corporais assumem um papel fundamental no desenvolvimento infantil, pois
enfatizam a valorização do corpo na constituição do sujeito e da aprendizagem escolar. A psicomotricidade
contribui especialmente para o processo de alfabetização à medida que proporciona ao aluno as condições
necessárias para que se perceba como realidade corporal. Vários estudos destacam que o corpo é o ponto de
referência para os seres humanos conhecerem e interagirem com o mundo, e serve como base para o
desenvolvimento cognitivo e para a aprendizagem escolar. É correto falar em dificuldades de escrita por volta
dos 8 a 9 anos de idade, quando as crianças já aprenderam a escrever e os erros em função da repetição se
tornam automatizados, essas dificuldades são expressas por meio da confusão das letras, lentidão na
percepção visual, inversão de letras, transposição de letras, substituição de letras, erros na conversão
símbolo-som e a ordem alterada das sílabas. As dificuldades de aprendizagem relacionadas à escrita alteram
o rendimento escolar. Crianças com dificuldades de escrita podem apresentar uma disfunção nas habilidades
necessárias para uma aprendizagem efetiva, e estes fatores podem ser acentuados pelos déficits psicomotores.
No período de alfabetização, o desenvolvimento psicomotor constitui-se um fator que pode desencadear ou
agravar dificuldades de aprendizagem em escrita. O presente trabalho discute os resultados de investigações
que mostram a relação do desenvolvimento psicomotor com o desempenho em escrita por meio de revisão da
literatura nesse campo de conhecimento. Os dados apontam para a necessidade de se abordar os esquemas
motores nas primeiras séries como prevenção à dificuldade de aprendizagem de escrita.


  O PLANEJAMENTO DAS AÇÕES DO PROFESSOR EM UM PLANO DE AULA DE LEITURA
                                             Lílian Cristina Buzato RITTER (UEM)

O presente trabalho analisa um plano de aula de leitura, elaborado por professorandos do curso de Letras, na
disciplina Prática de Ensino. O objetivo dessa análise é repensar sobre o processo de mediação realizado
entre orientador de estágio, o professorando e a internalização deste último sobre o ensino de leitura de
gêneros discursivos, no sentido vygotskiano e bakhtiniano dos termos. Assim, a partir dos fundamentos da
concepção sociointeracionista da linguagem, pode-se afirmar que os planos de aula são escritos por sujeitos
inseridos em uma prática social de docência de língua materna, e em uma situação específica de formação
inicial, o que leva este objeto de linguagem a uma reconhecida convencionalidade na estrutura e no uso: um
legítimo gênero e instrumento.Concebe-se que a utilização deste gênero na formação inicial do professor visa
o desenvolvimento da competência aplicada e formativo-pessoal, uma vez que seu objetivo de interação é
planificar/planejar as ações e as atividades dos professorandos em sala de aula. Desta forma, essa análise
indica que o gênero plano de aula permite tanto ao professor-orientador quanto ao aluno-professor identificar
as diversas partes de um esquema didático, suas possíveis bases conceituais e sua orientação para um
pretenso resultado em um contexto de ensino de língua materna.

                                                     45
   O ARTIGO DE OPINIÃO COMO FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM E AVALIAÇÃO DE
                              VESTIBULANDOS
                                                      Liliane PEREIRA (G – UEL)
                                               Elvira Lopes NASCIMENTO (UEL)

O Ensino Médio representa a possibilidade, para o jovem, de abrir as portas da Universidade e do mercado de
trabalho. Com base nisso, refletir sobre a implementação dos Parâmetros Curriculares do Ensino Médio
(PCNEM) corresponde à preocupação maior desta pesquisa, no que se refere a promover mudanças
significativas no contexto escolar. Nesse sentido, com o objetivo de contribuir para a transformação das
práticas de letramento no Ensino Médio, a pesquisa centra-se na análise e descrição do gênero textual ―artigo
de opinião‖, tendo em vista que, na sala de aula observada, se trata de um gênero da ordem do discurso
argumentativo que vem trazendo muita insegurança ao professor de Produção de texto, pois apresenta
aspectos que se entrecruzam com a ―dissertação argumentativa escolar‖, mas que, mesmo assim, são
denominados como gêneros diferentes: o primeiro, emergindo nas práticas reais de linguagem na vida social;
o segundo, de circulação restrita e ―artificial‖ na sala de aula. Dessa forma, esta pesquisa toma por base
teórica a metodologia do Interacionismo Sócio-Discursivo, proposto por estudiosos da Universidade de
Genebra (Bronckart, 1997-2003; Dolz & Scheneuwly) e fornece a análise descritiva de um corpus de textos
de artigos de opinião, em suas dimensões contextuais, sócio-históricas, discursivas e lingüísticas para chegar
a um modelo didático do gênero (Dolz & Scheneuwly, 1997) a partir do qual o professor poderá construir
atividades para a transposição didática. Conclui-se que os modelos didáticos precisam ir o quanto antes para
o contexto da sala de aula, a fim de auxiliar os professores e alunos no ensino e diminuir a distância entre o
que é proposto na sala de aula e nas situações reais de comunicação do jovem na sociedade.


CONTRIBUIÇÃO PARA A REFLEXÃO DE QUESTÕES ENVOLVENDO ESTÓRIAS NO ENSINO
 DE LÍNGUA INGLESA PARA CRIANÇAS: UM ESTUDO DESENVOLVIDO SOB A ÓTICA DE
                     GRADUANDAS DO CURSO DE LETRAS
                                                     Livia Vieira LOLIS (G-UEM)
                                                  Luciana Cabrini SIMÕES (UEM)

O trabalho e a experiência com estórias no ensino-aprendizagem de inglês para crianças são práticas que
muito interessam a professores e alunos. Nesta perspectiva, várias pesquisas têm sido realizadas com os
seguintes propósitos: discutir o papel das estórias nas aulas de língua inglesa, enaltecer as vantagens de usá-
las como instrumento de ensino, apresentar as diversas maneiras de explorá-las em sala de aula, bem como
relacioná-las com a realidade e vivência dos alunos. Com o objetivo de estudar, aprofundar e refletir mais
sobre esta temática, realizou-se um projeto com acadêmicas do curso de Letras, a partir de uma sala de aula
composta por alunos de 3 (três) a 6 (seis) anos de idade, oriundos de uma escola particular da cidade de
Maringá – Paraná. O projeto desenvolvido teve as seguintes finalidades: a) discutir o referencial teórico
relacionado ao ensino-aprendizagem de língua inglesa para crianças, mais especificamente no que diz
respeito ao uso de estórias; b) desenvolver atividades relacionadas à estória infantil ―Goldilock and the three
bears‖, a qual foi escolhida para esta experiência; e c) refletir sobre a prática pedagógica das alunas – futuras
professoras neste contexto, através de diários de observação e sessões reflexivas realizadas juntamente com a
professora orientadora. Deste modo, a presente comunicação discutirá o desenvolvimento e os resultados do
projeto acima descrito.


                    UM ESTUDO ENUNCIATIVO DA TELENOVELA BELÍSSIMA
                                                             Loredana LIMOLI (UEL)

A telenovela é um gênero ficcional televisivo que tem uma identidade própria, por excelência polifônica. O
―enunciador‖ é na verdade um ―arqui-enunciador‖, constituído pelas vozes de enunciadores delegados (os
personagens, que convertem o texto escrito em texto encenado) e para-enunciadores (publicitários,
governantes, militantes, atores - no sentido não-semiótico - etc.). Além disso, esse gênero textual coloca em
funcionamento diversas estratégias persuasivas com o fim de conquistar a adesão do espectador-
enunciatário.Dentre os meios de manipulação mais utilizados, destacam-se o cenário, a composição temático-
figurativa das personagens (atores semióticos), a gestualidade, a trilha sonora e o figurino. Esses elementos
de persuasão agem, muitas vezes de forma redundante, para figurativizar os temas selecionados e garantir o
estabelecimento do contrato enunciativo, além, é claro, de prolongar o suspense e a conseqüente duração da
novela. Esses elementos compositivos e persuasivos, apesar de servirem a fins específicos do mercado áudio-
visual, estão presentes, em maior ou menor grau, em todos os conteúdos narrativos, de cunho verbal ou não-
verbal. Por isso, parece-nos perfeitamente possível utilizar a telenovela como objeto de estudo em sala de

                                                      46
aula, e partir de seus elementos constitutivos para o ensino de leitura e produção de textos. Além disso, trata-
se de um gênero amplamente difundido na sociedade brasileira e bastante apreciado pelos jovens, o que
amplia consideravelmente as chances de sucesso no trabalho escolar. Nesta comunicação, apresentam-se
alguns aspectos do contrato enunciativo da novela Belíssima, de Silvio de Abreu, com ênfase em suas
articulações veridictórias.


PROJETO FOLHAS: ANÁLISE DE MATERIAIS DIDÁTICOS ESCRITO POR PROFESSORES DA
                         REDE PÚBLICA DO PARANÁ
                                    Luciana Cristina Vargas da Cruz CAMILLO (PG-UEL)
                                                         Regina Maria GREGÓRIO (UEL)

Em busca de um sujeito ativo, de um leitor crítico, de um trabalho a partir de gêneros textuais, da valorização
das práticas discursivas, da gramática como uma ferramenta e não como objeto de ensino da língua materna,
e tantos outros olhares diferentes para o ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa, surge a necessidade de
(re)pensar a formação do professor, visto que mudam as concepções, mas nem sempre elas se concretizam na
sala de aula. Devido a essa preocupação, buscou-se um objeto de pesquisa que visasse à formação docente.
Essa busca deparou-se com o Projeto Folhas em suas produções didáticas. Pretende-se, dessa forma, observar
a concepção de linguagem que o professor assume na sua escrita e, especificamente, como a análise
lingüística é trabalhada nesse material. A pesquisa se realizará com base nos pressupostos teóricos da
Lingüística e da Lingüística Aplicada. O corpus para a análise foi coletado através dos textos produzidos
pelos professore/autores dos Folhas da região norte do Paraná. A pesquisa tem caráter qualitativo, e os
resultados visam colaborar com as abordagens de ensino/aprendizagem de LP e a formação continuada de
professores.


    UMA PROPOSTA DE ENSINO DE LEITURA E ANÁLISE LINGÜÍSTICA NO POEMA “O
       MENINO QUE CARREGAVA ÁGUA NA PENEIRA” DE MANOEL DE BARROS
                                                   Luciana VEDOVATO (PPG-UEL)

As discussões acerca do trabalho com gênero têm sido uma constante entre os pesquisadores da linguagem.
Assim, desde os trabalhos de Bakhtin (1929, 2003), a língua passou a ter um caráter social. Para além das
questões filosóficas, os pesquisadores nos últimos vinte anos, têm se dedicado a investigar meios para que o
caráter social chegue ao espaço do estudo da sistematização dos saberes: a escola. Uma das medidas para a
implementação de um ensino sócio-histórico da língua refere-se aos PCNs que, em 1998, instituíram os
gêneros, no ensino público brasileiro, como objeto central da progressão curricular. No entanto, as
discussões propiciadas pelos Parâmetros não deram conta suficientemente da abordagem poética – basta que
observemos os materiais que circulam nas salas de aula. Nesse sentido, entendemos necessária a retomada
do assunto, uma vez que até mesmo autores como Dolz e Schneuwly (2004), deixaram o fazer poético fora
do estudo sobre os gêneros orais e escritos na escola. Assim, diante do quadro apresentado, essa comunicação
tem por objetivo refletir sobre o ensino de leitura e análise lingüística via gênero discursivo poema. Para
tanto, utilizaremos a perspectiva enunciativa de Bakhtin (id.ibid), bem como Bronckart (1999, 2006), Dolz e
Schneuwly acima mencionados, complementados por textos da teoria literária, dentro da perspectiva da
teoria da literatura e sociedade. Como suporte para tal trabalho, analisaremos o poema ―O menino que
carregava água na peneira‖ de Manoel de Barros.


     ESCRITA E INTERAÇÃO: PRODUÇÃO DE TEXTOS DE OPINIÃO NA SALA DE AULA.
                                                    Lucimara B. ZEQUIM (PG-UEM)

Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNS – (BRASIL, 1998) apresentam um projeto educativo
comprometido com a democratização social e cultural, legando à escola a função de capacitar o aluno para o
uso e domínio dos saberes lingüísticos em um efetivo exercício da cidadania. Porém, observamos que, nem
sempre, as práticas escolares condizem com as propostas dos PCNS, o apego excessivo à rotina do livro
didático e o distanciamento da instituição em relação ao que se veicula no universo social do aluno, acaba
gerando atividades artificiais as quais não estimulam um real envolvimento por parte desse aluno. Cônscios
dessa realidade, propomos, neste artigo, uma atividade que resultará na consolidação das teorias
sociointeracionistas, embasadas por teóricos como Bakhtin e Vygotsky, através da prática de uma oficina de
produção textual, na qual o aluno, a partir do contato com notícias e com a realidade social de sua região,
terá a oportunidade de discutir, participar, produzir e expor suas idéias, a respeito do tema selecionado, sob a
forma de um texto opinativo. Os resultados, advindos da reflexão sobre cada etapa da atividade, apontam
para o fato de que as oficinas, além de contribuírem para o aprimoramento do ensino da escrita no contexto
escolar, favorecem a interação do aluno com a sociedade, onde ele exercerá, efetivamente, a sua cidadania.

                                                      47
 MÚSICA POPULAR E PROVÉRBIO: REITERAÇÃO DO SENSO COMUM E SUBJETIVIDADE
                                                  Luiz Carlos FERNANDES (UEL)

A sua forma compacta facilitadora da memorização e a grande afinidade que tem com a oralidade fazem do
provérbio um dos mais eficazes transmissores do conhecimento moral e prático do senso comum. Embora
com significados que podem variar no tempo e espaço, é de largo emprego e uso bastante constante entre as
mais diversas classes sociais. Composto segundo um modelo lógico que impõe a aceitação de valores e
padrões caros a grupos sociais que os incorporam à comunicação do dia a dia, constitui uma das modalidades
mais vigorosas da tipologia do cotidiano. Com base na observação da relação intertextual de provérbios
presentes em letras consagradas da música popular brasileira, este trabalho analisa os resultados de sua
incorporação pelo sujeito enunciador como forma de condensar sua experiência de vida de acordo com uma
visão de mundo e da realidade bem peculiar. Por meio de retomadas parafrásticas e polissêmicas, a
integração de provérbios a essa outra modalidade do discurso cotidiano revela estratégias de inscrição da
subjetividade enunciativa, mesmo em se tratando de gêneros tão fortemente constrangidos pela repetição e
pela obediência a modelos prontos como esses. Entre os objetivos da análise está o de identificar recursos de
construção da identidade subjetividade revelados à medida em que o compositor incorpora a seu discurso
palavras feitas para ser repetidas exaustivamente no dia a dia. Este trabalho integra-se a uma das linhas de
pesquisa da pesquisa ―A Inscrição da Subjetividade na tipologia discursiva do cotidiano‖, que está em
desenvolvimento na Universidade Estadual de Londrina.


  O ENSINO DE ESCRITA A PARTIR DE PROJETOS – UMA PERSPECTIVA INTERACIONISTA
                                                        Maísa CARDOSO (PG-UEM)

Um ensino de língua materna que se propõe interacionista deve ter como base uma prática significativa de
conteúdos. Quanto à escrita, sem dúvida, isso se traduz numa busca constante, por parte dos professores de
metodologias que fujam da artificialidade que resulta em redações e não em produções de textos (conforme
Geraldi, 1997, p. 136). Com o objetivo de refletir sobre o uso da linguagem em situações de escrita em sala
de aula, esta comunicação pretende discutir a proposta de um ensino interacionista através de
projetos/oficinas. Discussão baseada, principalmente, nos estudos de Bakhtin (1992), Geraldi (1997) e
Martins (2001).


      O EFEITO DE TREINAMENTO PERCEPTUAL NA PERCEPÇÃO E PRODUÇÃO DAS
                       PLOSIVAS NÃO-VOZEADAS DO INGLÊS
                                                 Mara Silvia REIS (PG-UFSC/CAPES)

O treinamento perceptual no ensino de língua estrangeira tem se revelado um eficiente instrumento na
aquisição de um novo sistema fonológico. Estudos demonstram que o treinamento perceptual é capaz de
alterar tanto a percepção de novos fonemas quanto a produção dos mesmos. O presente trabalho expõe os
resultados de treinamento perceptual das plosivas não-vozeadas do inglês, realizado com aprendizes
brasileiros de inglês como língua estrangeira. Onze aprendizes participaram do estudo, o qual consistiu em
dois testes de percepção (pré e pós-teste), dois testes de produção (pré e pós-teste), e duas tarefas de
treinamento perceptual (discriminação e identificação). Os resultados indicam a influência positiva do
treinamento na produção das plosivas não-vozeadas do inglês.


                 TREINAMENTO DE SEGMENTOS FONÉTICOS – AINDA ÚTIL?
                                                  Mara Silvia REIS (PG-UFSC/CAPES)

No âmbito da aquisição de segunda língua (L2), há imprecisões de pronúncia no nível segmental que por seu
caráter de marcação requerem uma abordagem específica de treinamento. O presente trabalho visa expor os
resultados de um estudo de instrução das fricativas interdentais inglesas, como nas palavras theater e there.
Seis alunos do curso de língua inglesa como L2 da Universidade Federal de Santa Catarina participaram do
estudo, três homens e três mulheres, com idades entre 19 e 24 anos, divididos em grupo experimental (GE) e
grupo controle (GC).O experimento consistiu em quatro etapas: na primeira etapa (E1), houve a) gravação de
sentenças com os fonemas em questão sem instrução; a E2 consistiu em gravação imediatamente após a
instrução; na E3 gravação uma semana após instrução; e na E4 gravação duas semanas após instrução. Os
resultados demonstram que (i) houve um expressivo aumento na acuidade de produção dos fonemas em F2
entre os participantes do GE; (ii) a acuidade do fonema não-vozeado foi evidentemente maior do que o
vozeado em todas as etapas; (iii) em F3 e F4 a acuidade diminui, sobretudo do segmento vozeado; (iv) a

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acuidade do segmento não-vozeado persistiu alta após duas semanas; e (v) o GC manteve o mesmo nível de
acuidade em todas as etapas.


A INTERTEXTUALIDADE NA CONSTRUÇÃO DE EFEITOS DE SENTIDO EM DESMUNDO, DE
                             ANA MIRANDA
                                           Maranúbia Pereira BARBOSA (PG-UEL)

Dentre os fatores de textualidade postulados por Beaugrande & Dressler, a intertextualidade constitui um
recurso determinante na construção dos efeitos de sentido de um texto. Conforme Koch, a intertextualidade
refere-se às condições de produção e recepção do texto, bem como ao modo com que ele se relaciona com
textos de outras fontes, reafirmando-os ou contradizendo-os. Todo texto, assim, é entendido como um
conjunto de intertextos, como o lugar em que se pode encontrar fragmentos de outras produções textuais
presentes em níveis variáveis, explícita ou implicitamente. No último caso, o produtor espera que o
leitor/ouvinte possa reconhecer a presença do intertexto, que o tenha de memória adquirida por meio de
outras leituras, sob o risco de empobrecimento da leitura, aqui entendida em seu sentido amplo. Na obra
Desmundo, de Ana Miranda, a intertextualidade é um dos mecanismos responsáveis pela coerência do texto,
é o que lhe confere riqueza em sua totalidade de sentidos. O conhecimento dos intertextos que nele transitam,
que permeiam o conjunto da obra, possibilitam ao leitor/ouvinte a apreensão dos efeitos de sentido
articulados pelo produtor/locutor. Este estudo visa, portanto, buscar em Desmundo seus intertextos, saber-
lhes a função e entender os propósitos articulados pelo produtor/locutor. Oribela, a locutora/enunciadora,
cronista-mor de sua própria história e da história de Outros, ao incorporar textos produzidos no período
quinhentista, propõe uma discussão acerca da ocupação do território brasileiro, deixando falar em si os
sujeitos aculturados e/ou submetidos de alguma forma à sujeição dentro do processo da colonização
brasileira.


REPRESENTAÇÕES SOBRE O PROFESSOR E O SER-PROFESSOR DE LÍNGUA ESPANHOLA
                                         Marcela de Freitas Ribeiro LOPES (PG UEM)

Esta pesquisa pretende apresentar e investigar as representações sobre o professor e o ser-professor de língua
espanhola que alunos, do último ano do curso de Letras/ Espanhol da UNICENTRO Campus de Irati,
adquiriram durante a graduação. Parte-se da idéia de que se constroem representações sobre ensino-
aprendizagem durante a vida na escola. Estas representações se cristalizam ou se desconstroem durante a
graduação em licenciatura. Tencionamos então, reconhecer quais são estas representações de: professor e de
sua ação/prática, ou seja, ser-professor. Consideramos, buscando escopo em Chartier (1990), que
representações ―podem ser entendidas como percepções do social, idéias que indicam o que seus autores
pensam que a sociedade é, ou como gostaria que fosse‖ (p.19). As representações só têm existência na
medida que comandam atos; assim, os objetos culturais e os sujeitos produtores e receptores de cultura são
produzidos entre práticas e representações, que, segundo Chartier, correspondem aos ‗modos de fazer‘ e aos
‗modos de ver‘. Para a realização deste trabalho optamos por uma pesquisa qualitativa na modalidade de
Estudo de Caso. O corpus foi coletado na disciplina de Estágio Supervisionado de Língua espanhol II, com
alunos do 4º ano de Letras/ Espanhol da UNICENTRO, no ano de 2005. Os textos escritos sobre histórias de
professores ideais e sobre ensino-aprendizagem foram analisados e reconhecemos neles algumas
representações de professor e outras de ser-professor, como também encontramos impasses e reconstruções
de concepções sobre ensino-aprendizagem.


                  PARTÍCULAS ASPECTUAIS COMO CÓPULA EM KAINGÁNG.
                                                 Marcelo Cazeta de OLIVEIRA (PG-UEL)

As orações simples copulares em Kaingáng (Família Jê) apresentam a seguinte estrutura: Sujeito - Marca de
Sujeito - Nome (com função de Adjetivo ou não) - Partícula aspectual; em contrapartida, as orações simples
com verbos intransitivos, excetuando-se o tempo passado (sem marca de aspecto), apresentam a seguinte
estrutura: Sujeito - Marca de Sujeito – Verbo - Partícula aspectual. Nota-se a paridade estrutural entre esses
dois tipos oracionais, em que o nome e o verbo podem ocupar a mesma casa sintática. Este trabalho busca
evidenciar a função copular das partículas aspectuais em Kaingáng e, a partir disto, mostrar a tênue distinção
morfológica entre verbos e nomes com função adjetiva, especialmente se considerarmos a teoria dos
protótipos, segundo a qual os adjetivos estariam, em relação ao tempo, entre os nomes (que são mais estáveis
quanto ao tempo) e os verbos (que são mais instáveis quanto ao tempo). Desse modo, os adjetivos
compartilham aspectos semânticos e morfológicos com nomes e com verbos. Em Kaingáng, não existe uma
demarcação morfossintática clara entre adjetivos e verbos, podendo os primeiros ocupar a casa dos verbos,
especialmente em orações copulares. Assim, pretende-se mostrar que o nome com função adjetiva muitas

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vezes só é caracterizado como tal no nível nocional ou semântico, enquanto, no nível morfossintático, tal
distinção é mais problemática.


                      DIALOGISMO E PARÓDIA EM FÁBULAS DE ESÔFAGO
                                               Márcia Adriana Dias KRAEMER (CESUMAR)

Este artigo propõe-se a analisar a heterogeneidade mostrada na crônica jornalística Fábula de esôfago, de
Agamenon Mendes Pedreira, publicada no jornal O Globo. Nesse texto, buscar-se-á identificar a
intertextualidade presente, em específico a paródia, como um recurso que evidencia a natureza dialógica da
linguagem. O texto chama a atenção pelo tom satírico da narrativa alegórica, em que os fatos narrados
apresentam marcas do estranho (TODOROV, 1975), a fim de aludir ironicamente um contexto real. Assim, a
seleção da crônica para a análise justifica-se pela necessidade de os profissionais de ensino usarem, em sua
práxis, textos do cotidiano com o intuito de estimular o processo de aprendizagem (FIORIN,2000). A
narrativa em questão é construída a partir de fragmentos parodiados de histórias da memória popular, em que
se destaca a estrutura da fábula, provavelmente objetivando, ao final, revelar um preceito moral. Nesse
sentido, o leitor tem papel fundamental, pois é ele que atribuirá sentido à relação entre, por exemplo, texto e
contexto, uma vez que deverá buscar nos pedaços de memória que vão ficando ou se perdendo, palavras e
sentidos (BRAGA, 2000). Dessa forma, o texto em análise possui características literárias, as quais, para
Fiorin (2000), são muito importantes ao ensino de língua materna, uma vez que possuem um caráter
subversivo em relação à ordem estabelecida, provocando a reflexão crítica. Ressalta-se que o enfoque que se
dará a este estudo privilegia a construção textual propriamente dita e a participação ativa do leitor no
processo de formação dos sentidos do texto. O viés de análise contempla teorias lingüísticas que sustentam a
presença do dialogismo na composição textual.


     A CONCEPÇÃO DE VERDADE NO DISCURSO JORNALÍSTICO: O IMAGINÁRIO DOS
                       LEITORES DA FOLHA DE LONDRINA
                                            Márcia Andréia SCHNEIDER (G - Unioeste)
                                              Alexandre S. Ferrari SOARES (Unioeste)

Historicamente, constituiu-se no imaginário do público que os meios de comunicação objetivam esclarecer
sobre os fatos mais relevantes ocorridos em determinado espaço de tempo, ou seja, que esses meios atuam
como transmissores das informações e da realidade. Assim, segundo esta concepção, só há espaço para a
verdade nos discursos vinculados pelos meios jornalísticos. Contrariando essa ideologia estudos revelam que
o discurso jornalístico não é transmissor da verdade, mas atua como um produtor do efeito de veracidade e
que esse processo é responsável pela crença de que o discurso jornalístico transmite a verdade. Ainda, para
essa segunda concepção, o público receptor do discurso tem papel fundamental para a produção do efeito de
verdade. Neste contexto, este estudo tem como objetivo verificar a participação dos leitores do jornal Folha
de Londrina na construção do efeito de veracidade desse meio de comunicação, verificando se e como a
concepção de verdade a respeito do discurso jornalístico está presente no imaginário dos leitores desse jornal.
Para atingir esse objetivo são analisadas cartas enviadas por leitores à edição desse jornal no ano de 2006 a
procura de reiterações ou negações da concepção de verdade nos comentários que os leitores fazem a respeito
dos materiais vinculados pelo jornal. As análises demonstram que a noção de que o discurso jornalístico é um
transmissor de informações e da verdade está presente nas cartas dos leitores do jornal pesquisado. Apesar de
uma pequena parcela de leitores questionar mitos do imaginário sobre o discurso jornalístico, essas cartas se
apresentavam em número inexpressivo e estão relacionadas basicamente a posicionamentos políticos-
partidários. Conclui-se, assim, que os leitores da Folha de Londrina participam do processo de construção da
concepção de verdade desse jornal, pois no imaginário desses leitores esse meio de comunicação informa
sobre os fatos e transmitem a verdade destes.


               O GÊNERO DIÁRIO REFLEXIVO NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR
                                               Márcia Cristina Greco OHUSCHI (PG-UEL)
                                                       Renilson José MENEGASSI (UEM)

Vinculada ao grupo de pesquisa ―Interação e escrita no ensino e aprendizagem‖ (UEM/CNPq), esta
comunicação visa investigar o desempenho do gênero diário reflexivo na disciplina Prática de Ensino de
Língua Portuguesa. Trata-se de um recorte de uma pesquisa maior, cujo objetivo foi refletir sobre o ensino da
escrita na universidade, com o intuito de contribuir para a formação do professor de língua materna oferecida
pelo curso de Letras da Universidade Estadual de Maringá. O trabalho foi realizado à luz da Lingüística
Aplicada, a partir dos pressupostos teóricos de Bakhtin e Vygotsky, na perspectiva sociointeracionista.
Durante a pesquisa, no ano letivo de 2004, acompanhamos uma das turmas da disciplina Prática de Ensino de

                                                     50
Língua Portuguesa, não com a finalidade de investigá-la, mas, por meio dela, poder identificar como foi o
ensino da escrita durante os anos de formação do acadêmico. Observamos as discussões teóricas e todas as
atividades práticas relacionadas à escrita, inclusive os estágios supervisionados, o que nos permitiu
estabelecer um diálogo com os diários reflexivos, isto é, com os relatórios finais de conclusão de estágio,
atentando-nos para as aulas em que houve a produção escrita. Os resultados nos mostram que o gênero
propicia a reflexão, porém, esta ocorreu de forma superficial, o que evidenciou a dificuldade que os
graduandos possuem em se tornarem o outro de si próprio.


                                 A GRAMATICALIZAÇÃO DE ENTÃO
                                                       Márcia de Freitas SANTOS (PG - UEM)

A partir das pressões decorrentes do uso, a gramática da língua sofre variações que podem até constituir
processos de mudanças, em que formas lexicais passam a desempenhar funções gramaticais ou itens
gramaticais passam a desempenhar funções ainda mais gramaticais. Essas mudanças são explicadas pelos
estudos funcionalistas da gramaticalização, e refletem a relação entre o sistema gramatical e o funcionamento
discursivo das línguas. No presente artigo, discutiremos o funcionamento sintático-semântico do advérbio
então em dois documentos do português arcaico, Orto do Esposo e a Demanda do Santo Graal, retirados do
CIPM Corpus Informatizado do Português Medieval. Percebe-se que, a partir de pesquisas mais recentes,
seja com dados de língua escrita, seja com dados de língua falada, a perspectiva de análise do item então se
amplia, deixando de ser compreendido apenas como um advérbio de tempo e passando a ser concebido como
conjunção conclusiva, fato ainda não assente entre todos os lingüistas contemporâneos. O objetivo desse
trabalho é verificar se nesses documentos já havia indícios do início da trajetória de gramaticalização do
advérbio entom em conjunção conclusiva. Para tanto, fizemos um levantamento dos autores que, mais
recentemente, apresentam ou vêm apresentando aspectos diferenciados desse item, tanto em dados da língua
escrita (em sincronias distintas), quanto em dados da língua falada. Exemplificamos por meio de fragmentos
dos textos escritos em português arcaico e, finalmente, apresentamos as conclusões da pesquisa.


A DIMENSÃO DO GÊNERO DISCURSIVO NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DE
                           LÍNGUA MATERNA
                                           Marcos Vinícius MODRO (PG–UFSCAR)

A escola tem, como um de seus principais objetivos, oferecer aos alunos proficiente competência lingüística.
Sendo uma instituição de ensino, teria, por função pedagógica, conforme podemos ler no PCN-Língua
Portuguesa, proporcionar aos alunos condições ao aprendizado de práticas sociais de leitura e de escrita nos
padrões formais, uma vez que se supõe que eles já teriam domínio das utilizações comuns, no seu dia-a-dia.
No entanto, costuma verificar-se em nosso sistema educacional que os alunos em geral não possuem
conhecimentos e vivência de práticas sociais de letramento, que envolvem certos gêneros discursivos.
Considerando a visão crítica da Escola de Genebra, Schneuwly toma o gênero como um instrumento, e é
deste que o indivíduo se utiliza para se constituir e apropriar-se da realidade social. No contexto de um
Cursinho Pré-Vestibular da UFSCar, temos averiguado a presença de marcas de oralidade na produção de
textos temáticos argumentativos, como provável decorrência da ausência de domínio das distinções que
envolvem os modos próprios de significar na escrita e na oralidade de acordo com os círculos específicos de
atividade, bem como, também, temos constatado os desdobramentos que os gêneros apresentam
considerando-os no âmbito lingüístico. Os alunos, na maior parte das vezes, mostram-se pouco aptos a
elaborar textos temáticos argumentativos suficientemente coesos, coerentes, com evidentes dificuldades de
organizar suas idéias de acordo com as exigências da norma padrão. Assim, nosso propósito será, a partir
desta análise, a elaboração de seqüências didáticas, sob a perspectiva do ISD, que enfoquem os problemas e
possibilitem sua superação ou minimização. Desde modo, este trabalho pretende a partir de um estudo de
caso, oferecer subsídios a uma reflexão responsiva acerca das práticas escolares que envolvem os gêneros
discursivos como um instrumento internalizado ao indivíduo, voltadas para o domínio dos modos de
produção de sentido, próprios da escrita e da oralidade.


              A PRÁTICA LITERÁRIA E A ANÁLISE DISCURSIVA NO PROCESSO
                         ENSINO/APRENDIZAGEM DE LÍNGUAS.
                                                 Marcos Vinícius MODRO (PG – UFSCAR)

A literatura, considerada no âmbito do ensino, tem um papel importante na construção de encadeamentos de
significações no mundo social, em que o indivíduo se insere. Desde que bem trabalhada no espaço escolar, a
literatura, com o auxílio de uma análise lingüística –discursiva, oferecerá ao aluno proficiente competência
para se utilizar de uma metodologia que possa facilitar a compreensão dos sentidos do discurso. Assim, este

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trabalho tenta explicitar uma análise semiótica da narrativa ―The Unending Gift‖ do poeta e escritor
argentino Jorge Luis Borges. Para tal utiliza-se da teoria semiótica de Greimas, abrangendo, inclusive, alguns
aspectos da teoria semiótica das paixões. Com essa análise pretende-se entender o universo passional em que
se encontra o eu-lírico (sujeito-poético), a sua relação de tensividade, e, descobrir qual a moral filosófica que
há por trás do que foi dito, ou seja, o que o texto nos transmite. E, em última instância, constatar de que o
conhecimento e vivência dessas práticas contribuirão no processo de ensino/aprendizagem de línguas, bem
como para a inserção dos indivíduos em práticas sociais efetivas.


                     TELENOVELA: A IMPORTÂNCIA DO ÚLTIMO CAPÍTULO
                                                Maria Alzira de Carvalho SANTOS (PG-UEL)
                                                                    Loredana LIMOLI (UEL)

Este trabalho é resultado de discussões e observações geradas em encontros e estudos vinculados ao projeto
de pesquisa Teledramaturgia e ensino de língua materna, da Universidade Estadual de Londrina. Concebido
com o objetivo principal de ampliar, em alunos do ensino médio, a competência de leitura de textos
sincréticos, tal projeto vem realizando estudos relativos aos textos produzidos pela telenovela brasileira, em
especial, Belíssima, escrita por Sílvio de Abreu e exibida entre novembro de 2005 e julho de 2006. A partir
dos fatos de que a ficção, sobretudo a telenovela, para o caso brasileiro, ocupa grande parte da programação
televisiva; de que a telenovela congrega a manifestação de diversas linguagens e conseqüentes textos, com
ênfase para o imagético, de movimento; de que o público jovem responde por fatia significativa de recepção
desse gênero ficcional; consideramos oportuna a verificação sistematizada de como são construídos,
semioticamente falando, esses textos. Para isso, utilizamos como metodologia de análise os fundamentos da
semiótica de linha francesa, especialmente, a greimasiana. Para o caso do presente trabalho, analisamos o
capítulo final da novela Belíssima, com o intuito de observar as fases do nível sêmio-narrativo, com
privilégio para as sanções, baseando-nos no pressuposto de que os derradeiros capítulos são idealizados no
sentido de satisfazer, ou não, o telespectador quanto à solução dos problemas levantados na trama, com os
quais ele interagiu durante algum tempo de sua vida.


                              ATIVIDADES LINGUAGEIRAS LETRADAS
                                                           Maria Ângela de Sousa BOER (UEM)
                                                  Ana Paula de Castro SIERAKOWSKI (G-UEM)

O presente trabalho tem por objetivo apresentar a conclusão de um projeto de aplicação de atividades escritas
letradas para alunos ─ crianças, jovens e adultos com necessidades especiais ─ assistidos pelo projeto
institucional, de caráter permanente, Atividades Alternativas Para Pessoas Com Necessidades Especiais, em
vigência na Universidade Estadual de Maringá. O objetivo geral desse trabalho foi concorrer para a inclusão
social dos alunos, mais precisamente no que concerne às demandas socioculturais quanto à proficiência da
escrita. O objetivo específico foi aplicar atividades pedagógicas orais letradas, a fim de preparar e motivar os
alunos ao exercício da escrita. Para execução desse objetivo, foram estabelecidos os seguintes passos
metodológicos: a) construção do dispositivo teórico à luz do qual as atividades práticas foram elaboradas —
estratégias de leitura e de escrita sob a noção de letramento; b) elaboração de atividades acadêmico-
pedagógicas de expressão oral e escrita; c) aplicação das atividades de retextualização, a fim de se verificar a
pertinência das atividades para o alcance do objetivo-fim do projeto institucional: a inclusão social. No
contato com os alunos, viabilizou-se o auxílio e estímulo da comunicação da linguagem oral e escrita por
meio de atividades que lhes possibilitassem compreender e expressar a realidade social em que estão
inseridos e enriquecer a linguagem e a sua manifestação pelo estabelecimento de relações de significante e
significado.


                         A SEDUÇÃO DO DISCURSO: O JORNAL NACIONAL
                                              Maria Antônia Ramos Eloy dos SANTOS (PG UEM)

Este trabalho tem como objetivo observar a sedução da violência no discurso sensacionalista do telejornal, a
formação da construção de sentidos em tal discurso e a manipulação dessa sobre o telespectador. O estudo
realizado teve como ponto de partida o telejornal Jornal Nacional apresentado em 31/03/97, que levou ao ar
as imagens e a narração de uma operação oficial de combate ao tráfico de drogas na favela Naval de
Diadema, periferia de São Paulo. A presença do locutor na enunciação é dada pela narração das imagens de
violência colocadas no vídeo que visa a credibilidade positiva ou negativa do alocutário quanto ao enunciado,
ao mesmo tempo em que de algum modo há uma influência de comportamento do primeiro sobre o segundo,
realizando o objetivo da enunciação que é a manipulação do EU sobre o TU efetivando a construção de
sentidos nessa relação, quando o EU/locutor joga com a linguagem, antecipa os fatos ao narrar as imagens no

                                                      52
tempo presente no início da narração e no final dessa usa o pretérito para mostrar uma ação pronta e acabada
produzindo um efeito de objetividade. ―Ele vai morrer‖/ ―(...) o mecânico Mário José Josino morreu horas
depois‖. Conclui-se que a sedução do discurso do Jornal Nacional passa pela utilização de meios disponíveis
como imagens, sons, dramatizações, recursos de computação gráfica e a combinação desses com o texto
fazem com que o telespectador se sinta completamente atraído, hipnotizado caracterizando-se assim num
elemento sedutor e totalmente alienante. A linguagem bem elaborada e de fácil compreensão visa atingir um
objetivo específico e por não solicitar do telespectador o sentido de raciocínio, o mesmo aceita as
informações como verdades absolutas. O sensacionalismo da notícia de sedução da violência produz o efeito
de sentido – choca, julga, condena repulsa - manipulando o espectador a envolver-


IDENTIDADE E CONSTRUÇÃO DISCURSIVA: O NACIONAL E A DIFERENÇA INSCREVENDO
                     UM LUGAR PARA O SUJEITO-ÍNDIO
                                                Maria Aparecida HONÓRIO (UEM)

Partindo do pressuposto de que o processo de constituição de sujeito é contemporâneo ao processo de
constituição dos sentidos, e que ambos se materializam nas práticas discursivas, nosso propósito é o de
refletir sobre a categoria de identidade ao lado da língua e da história. Conceberemos aqui a categoria
identidade como unidade imaginária que (re)organiza as identidades no/pelo sujeito; portanto, enquanto
efeito de sentidos produzido para o sujeito poder se movimentar nas relações sociais, na história. Para seguir
nesta reflexão ancorados em alguns pressupostos teóricos, mobilizaremos o conceito de identidade formulado
por Pêcheux (1988, 1981) e Hall (1997) enquanto construção discursiva. Numa visada teórico-analítica,
trataremos de modo particular do processo de construção da identidade indígena no âmbito das políticas
públicas do Estado do Paraná. A questão que se coloca para nós é a seguinte: é possível ao sujeito-indígena
inscrever-se numa posição configurada como uma identidade nacional sem que se produza o apagamento de
sua posição-sujeito pensada como identidade cultural e, portanto, da lógica nacionalista, como diferença? Se,
como assevera Hall, o discurso da cultural nacional constrói identidades que se colocam entre o passado e o
futuro, qual o futuro identitário possível projetado pelos próprios indígenas em seu processo de produção de
discursos, tendo em vista a presença de um pré-construído para esse sujeito que representa o ―sempre-já-aí‖
da interpelação ideológica. Nossa hipótese é a de que este funcionamento, ao disponibilizar e impor uma
dada realidade e um sentido para este sujeito sob a forma da universalidade, trabalha o apagamento da sua
singularidade, mas não seu recobrimento. Problematizando ainda a relação identidade/língua, nos colocamos
outra questão: o sujeito-índio tem podido se inscrever em uma identidade lingüística nacional, representada
pela língua portuguesa, sem apagar sua memória discursiva, materializadas nas línguas?


                      A REESCRITA DE TEXTOS PELOS DETENTOS DA PEM
                                                        Maria Céli Beraldo PAZINI (UEM)

Este trabalho, resultante de nossa participação no projeto ‗Literatura, leitura e escrita ; a ressignificação da
identidade de indivíduos em situação de exclusão social „ , aborda o processo de reescrita de textos pelos
detentos da Penitenciária Estadual de Maringá. Apresenta a reescrita como a terceira parte do processo de
produção textual não a considerando, entretanto, uma etapa estanque, mas sim intimamente relacionada com
a preparação e a elaboração do texto. Trabalhando com oficinas de produção ,conforme a proposta do
projeto, procuramos focalizar, para exemplificar as atividades desenvolvidas no trabalho com reescrita, os
passos seguidos na proposta de reescrever dois textos produzidos por detentos. Assim, comenta-se
metodologia, problemas encontrados, alguns resultados que dizem respeito não só aos textos reescritos, mas
especialmente às atividades envolvidas no processo, sempre tendo em vista o objetivo principal do projeto ,
isto é, observar como essa fase da produção textual se relaciona com a ressignificação da identidade dos
sujeitos envolvidos. A discussão dos textos produzidos pelos próprios detentos, sem uma finalidade de
correção propriamente, desperta reflexões sobre o conceito de texto ,consideração das condições de produção
, da relação autor/ texto/leitor, já suscitadas pelas atividades de leitura e pelas outras fases da produção
textual. Ao se refletir sobre o texto produzido à luz de uma visão interacionista de linguagem, de uma
compreensão de texto como um encontro entre sujeitos, ao se pensar na especificidade da escrita em relação à
oralidade, cria-se uma outra relação com a linguagem, com a literatura e, especialmente um repensar sobre si
mesmo.


                  O “SER ADOLESCENTE” NO DISCURSO DO LIVRO DIDÁTICO
                                                    Maria da Silva PEIXOTO (PG - UFMS)

Muito se tem falado, discutido e estudado nos últimos anos, sobretudo nos cursos de licenciatura, sobre a
função, a qualidade e, até mesmo, a validade do livro didático. Porém, de uma realidade não podemos fugir:

                                                      53
este tipo de publicação tem sido muitas vezes o único ou o mais acessível material de que o professor dispõe
para suas aulas e o principal instrumento utilizado no ensino escolar brasileiro, especialmente no oferecido
por instituições da rede pública. Este trabalho tem como objetivo principal mostrar as estratégias utilizadas
no livro didático de língua portuguesa - adotado na maioria das escolas estaduais de Mato Grosso do Sul: a
Coleção Português: Linguagens - para a construção da imagem de adolescente. Sob a perspectiva da teoria
semiótica de linha francesa, de Greimas e seguidores, será analisado o plano de conteúdo de três textos de
uma unidade de estudo, integrante do volume da sétima série do Ensino Fundamental, com a temática voltada
para as questões da adolescência. Pretende-se privilegiar o nível discursivo do percurso gerativo de sentido
dos textos estudados, dando especial atenção aos mecanismos de tematização e de figurativização, que
possibilitarão a identificação da visão de mundo e dos valores veiculados pela publicação, bem como a
construção do simulacro de adolescente ali presente. A investigação faz parte de um estudo maior, realizado
em pesquisa de Mestrado, que se encontra em fase inicial e que pretende comparar a representação de
adolescente mostrada pelo livro didático e a que o próprio adolescente, em redações, constrói de si próprio.


           O GÊNERO “NOTÍCIA”: UMA PROPOSTA DE ANÁLISE E INTERVENÇÃO
                                            Maria Virginia Brevilheri BENASSI (PG-UEL)

Esta comunicação tem como objetivo apresentar uma análise lingüística do gênero notícia jornalística da
ordem do relatar, apresentando possibilidades de intervenção de ensino de gramática contextualizada no
nível fundamental, por meio da leitura do gênero notícia retirado do jornal Folha de São Paulo. O foco de
análise são as marcas lingüístico-enunciativas com o processo de construção de possíveis efeitos de sentido
no texto, associadas às condições de produção, ao conteúdo temático e ao arranjo textual do gênero, para que
o aluno possa compreender e produzir seu texto sem se limitar apenas às regras gramaticais. Sendo assim, há
alguns elementos de grande prioridade no texto que, na maioria das vezes, não são privilegiados, como os
personagens,o tempo, espaço, enredo, narrador e outros tipos de discurso. Assim, o trabalho com o gênero
notícia fará com que o aluno se interesse mais pela leitura de jornais, revistas e assista a programas
jornalísticos, despertando seu senso crítico por meio de fatos e situações que estão acontecendo, já
aconteceram ou que possam acontecer. Também serão apresentadas sugestões de abordagens didáticas, como
possibilidades de trabalho, partindo de uma proposta teórico-metodológica.


                              A IMPORTÂNCIA DO LATIM EM VIEIRA
                                                       Mariana Alves de SANTANA (G-UEL)
                                                                João BORTOLANZA (UEL)

Esta comunicação é resultado do projeto de pesquisa: ―Estudos de retórica clássica: Disputatio de Rhetorica
de Alcuíno e Sermões de Vieira‖, e tem por objetivo analisar a importância do uso do latim nos sermões do
Pe. Antonio Vieira. Especificamente escolhi o sermão III do Mandato. Numa análise aprofundada de Vieira,
percebe-se que o latim forma a estrutura central do sermão, sendo assim a compreensão do latim se torna
fundamental para o entendimento da obra. O sermão escolhido conta com a seguinte epígrafe: Et vos debetis
alter alterius lavare pedes, ―Vós também deveis lavar-vos os pés uns dos outros‖, extraída do evangelho de
João no trecho em que Jesus, após a ceia, lava os pés de seus discípulos. Antônio Vieira defende, a partir
desse versículo, que a única maneira de retribuir ao amor de Cristo demonstrado na cruz é amar-nos uns aos
outros, criando um ―estranhamento‖ ao opor-se ao pensamento de três doutores da Igreja: santo Agostinho,
santo Tomás e são João Crisóstomo. Serão observados os elementos de retórica presentes no texto, o
constante uso do latim e qual a sua função como elemento retórico para alcançar o objetivo do discurso:
persuadir o público, convencê-lo da verdade do orador. Como base teórica para o estudo do sermão serão
utilizados principalmente os autores Olivier Reboul, Heinrich Lausberg e Dante Tringali.


        PERCEPÇÃO E PRODUÇÃO ORAL: FATORES INTRINSECOS PARA UMA BOA
                COMUNICAÇÃO EM FRANCES LINGUA ESTRANGEIRA
                                                  Mariele Mancebo GARCIA (G-UEM)
                                         Teresinha Preis GARCIA (ILG/UEM-PG/USP)

O conteúdo a ser apresentado nesse artigo nasce dos estudos e práticas do projeto de extensão, realizado no
Instituto de Línguas da Universidade Estadual de Maringá, ―Fonética da língua francesa: um espaço para o
aprimoramento‖, o qual visa levar o usuário da língua francesa de nossa comunidade a desenvolver uma
melhor percepção auditiva e, posteriormente, uma produção lingüística oralizada mais efetiva, por meio de
exercícios e técnicas específicos para essa finalidade. Essas habilidades são imprescindíveis para que se
realize uma situação de comunicação satisfatória, pois, para tanto, é necessário que locutor e interlocutor,
falantes de línguas diferentes, se compreendam e se façam compreender. O não domínio da percepção e da

                                                     54
produção das nuanças fonéticas existentes entre as duas línguas pode implicar na ocorrência de desvios na
produção/emissão ou na decodificação/reconstrução do significado de uma mensagem, o que resultaria numa
falha ou, ainda, na interrupção da comunicação. Para mostrar a importância de se dominar o aspecto fonético
na produção em francês língua estrangeira (doravante FLE), elegemos a nasalidade vocálica como fenômeno
fonético para ser analisado neste trabalho. Este fato será trabalhado a partir de uma análise contrastiva entre
português língua materna (doravante PLM) e FLE, baseando-se em três das seis fases constituintes de um
programa de ensino da fonética proposto por Champagne-Muzar e Bourdages (1998). O objetivo desta
análise é o de mostrar como se realiza o fenômeno da nasalidade nas duas línguas e o que as diferenças e
similitudes entre elas afetam no ensino e na aprendizagem da língua francesa pelos falantes de PLM, seja no
sentido de facilitar a compreensão e produção, seja na confusão que essas características podem causar ao
falante de FLE.



OFICINAS DE PRODUÇÃO TEXTUAL ESCRITA: A INTERAÇÃO PROFESSOR – LINGUAGEM
                                – ALUNO
                                               Marilurdes ZANINI (DLE/PLE/UEM)

A interação professor-linguagem-aluno se dará a partir do momento em que o professor, considerando os
conhecimentos prévios dos alunos, organizar o conteúdo temático e desenvolvê-lo por meio de estratégias
adequadas à situação. Orientadas por concepções claras de ensino, de língua e de linguagem, entendemos que
essas estratégias devam levar em conta as circunstâncias em que se desencadeará o processo ensino-
aprendizagem. Isso propiciará ao professor adequar as instruções verbais com que mediará o processo, bem
como a dosagem das informações, suas relações e atitudes, sempre valorizando as várias formas de falar e de
escrever dos alunos, o que não implica banir as normas que regem a língua. Assim, recortando um dos
objetivos do ensino de língua materna – a escrita – o objetivo deste trabalho é apresentar um cenário teórico
oriundo de experiências vivenciadas em salas de aula, cuja finalidade é promover a reflexão sobre práticas
pedagógicas que visem à criação de situações que favoreçam a quebra de artificialidade na produção textual
escrita. A hipótese que o desencadeia é a de que, ao criar situações que oportunizem aos sujeitos a
organização de textos por meio de uma relação cooperativa entre autor e leitor, o professor promove
situações privilegiadas de leitura e conseqüente produção textual escrita. Acreditamos que, por meio delas, os
alunos tornam-se sujeitos autônomos, capazes de decidirem quais estratégias são as mais adequadas para
atingirem os objetivos a que se propõem. Os resultados das pesquisas teórico-práticas engendradas e que
desenham o cenário deste trabalho apontam para o fato de que nessas atividades compartilhadas,
denominadas oficinas, concretizam-se as teorias interacionistas de linguagem, coerentes à visão baktiniana e
ao socioconstrutivismo de Vygotsky, uma vez que o professor, pela mediação, permite aos alunos o acesso
aos meios que lhes favoreçam desenvolver sua competência lingüística e proficiência discursiva.


         TREINAMENTO DE PRONÚNCIA DE LÍNGUA ESTRANGEIRO MEDIADO POR
                               COMPUTADOR
                                         Melissa BETTONI-TECHIO (PG – UFSC/CNPq)

O presente estudo relata os resultados de uma tarefa de treinamento de pronúncia mediada por computador
focalizando os encontros consonantais do tipo s/C/ em início de palavra em inglês (e.g., scan, slogan). A
aquisição desta estrutura costuma ser difícil por (a) violar o princípio de seqüência de sonoridade; (b)
representar sílabas mais complexas – mais marcadas – do que as do português do Brasil; e, (c) ser susceptível
ao vozeamento decorrente de regras de assimilação do português do Brasil. A coleta de dados consistiu de
um teste anterior, treinamento, e um teste posterior. Em ambos os testes (anterior e posterior), a produção foi
elicitada por um teste de leitura e a percepção foi elicitada por um teste de identificação do tipo AB similar à
tarefa usada para treinamento, exceto por ter mais palavras e diferentes informantes – americanos que
gravaram os estímulos. O objetivo era verificar se o treinamento perceptual causaria melhora tanto na
percepção quanto na produção. O treinamento foi desenvolvido baseado na técnica de alta variabilidade com
dificuldade aumentando de maneira gradual após cada bloco de treinamento que consistiu de identificação de
itens AB com correção imediata. Os resultados mostraram que houve melhora na percepção e produção dos
encontros consonantais treinados e transferência para percepção e produção de encontros /s/C que não foram
treinados, além de melhora na percepção de /s/C produzidos por um informante não utilizado no treinamento.


   A PRODUÇÃO DE PLOSIVAS ALVEOLARES EM FINAL DE SÍLABA POR BRASILEIROS
                           APRENDIZES DE INGLÊS
                                        Melissa BETTONI-TECHIO (PG – UFSC/CNPq)
                                                    Rosana Denise KOERICH (UFSC)

                                                      55
Este trabalho apresenta resultados de uma pesquisa que focaliza a produção de plosivas alveolares em final
de sílaba por estudantes brasileiros de inglês. No Português do Brasil (PB), plosivas alveolares são sujeitas a
vários processos alofônicos e servem como um marcador dialetal. Portanto, sua produção em inglês pode
tornar-se problemática. Trinta estudantes de inglês com aproximadamente 150 horas de instrução formal
leram uma lista de sentenças em inglês contendo várias combinações de contexto fonológico e uma lista de
sentenças em PB contendo palavras com sílabas finais te e de. A produção de plosivas alveolares finais foi
examinada objetivando responder a duas questões de pesquisa. (1) A primeira questão tratava dos principais
tipos de produção de plosivas alveolares finais e a hipótese era que os participantes produziriam /t, d/
corretos, aspirados, palatalizados, epentetizados, aspirados com epêntese e palatalizados com epêntese.
Embora outros tipos de produção tenham sido encontrados, os mais freqüentes foram os previstos pela
hipótese. (2) A segunda questão lidava com vozeamento do som alvo e a hipótese previa que a consoante
vozeada seria modificada com maior freqüência. Os resultados mostraram que influência de vozeamento
varia conforme o tipo de erro. Concluindo, marcação e transferência parecem interagir modelando a
produção de plosivas alveolares finais na interfonologia do Português do Brasil/Inglês.


    O DISCURSO DE VEJA SOBRE O CONFLITO GERADO PELAS CHARGES DE MAOMÉ
                                                Moema Vilela PEREIRA (PG - UFMS)

Com o instrumental da semiótica francesa, este trabalho vai analisar o discurso sobre o Islã e o Ocidente
presente na reportagem de capa da edição 1942 da revista Veja (08/02/2006). Essa reportagem tratou do
conflito gerado pela divulgação de 12 charges sobre Maomé e o Islã, publicadas inicialmente pelo maior
jornal diário dinamarquês, Jyllands-Posten, em setembro de 2005. As charges foram republicadas no ano
seguinte em uma série de jornais em torno do mundo, gerando reações que envolveram desde retaliações
diplomáticas e boicotes econômicos até incêndios e mortos em protestos.
Para os brasileiros, a mediação desse conflito, à maneira dos acontecimentos internacionais, se deu quase
exclusivamente através da imprensa. Ela foi a maior fonte produtora de informações. Para entender como
parte dessa cobertura foi apresentada a uma parcela importante da população, o presente trabalho analisa a
primeira edição da revista Veja que tratou do conflito com destaque. Veja, a revista mais vendida no Brasil,
se coloca como a quarta maior publicação do gênero no mundo. O estudo do percurso gerativo de sentido do
texto permite investigar a visão de mundo da revista sobre o Islã e o Ocidente e desvendar quais estratégias
discursivas são utilizadas para convencer o leitor desse ponto de vista.
Um dos pontos abordados é a construção da identidade dos sujeitos a partir de valores discursivizados de
forma diferenciada para Islã e Ocidente. Também, com apoio da sociossemiótica de Eric Landowski,
investigamos a maneira com que a revista constrói possibilidades de relacionamento para o Islã e o Ocidente,
a partir de certas condições impostas a esses atores.


       FIGURAS DE LEITORAS DO SÉCULO XIX NO BRASIL: ANÁLISE DO DISCURSO
                                 IMAGÉTICO
                                                 Nádea Regina GASPAR (DCI-UFSCar)

Em torno dos grandes acontecimentos históricos que marcaram o século XIX no Brasil, como a vinda e
estadia de D. João VI e da corte portuguesa (1808), a Independência do Brasil de Portugal (1822) e a
instauração da Primeira República (1889), ocorreram também, nas épocas citadas, outros pequenos
acontecimentos, que vistos sob o ângulo da análise do discurso revelam aspectos da formação de uma
identidade nacional, qual seja: a das mulheres leitoras do século XIX. No sentido exposto, para a
fundamentação teórica desta pesquisa buscou-se o olhar da análise do discurso advinda de Michel Foucault,
no que diz respeito ao seu entendimento frente às relações que o autor estabelece entre os princípios de
espaço e o de sujeito discursivo, aplicando-os na análise de filmes e novelas televisivas brasileiras. O
objetivo deste trabalho, portanto, é o de buscar responder, de que modo os filmes e novelas nacionais têm
apresentado as mulheres leitoras do século XIX. Esta pesquisa, em andamento, tem revelado que os discursos
fílmicos brasileiros, que retratam esses momentos históricos, caracterizam a identidade das leitoras, tendo em
vista: a) os sujeitos femininos que liam nesse século e suas relações com os espaços; b) o suporte e a
materialidade para as práticas de leitura da época.


      JOGO DE REGRAS SOBRE ACENTUAÇÃO GRÁFICA COMO RECURSO DIDÁTICO-
                                PEDAGÓGICO
                                           Nayra Carolina Bueno de MORAIS (G/UEM)
                                                  Geiva Carolina CALSA (DTP/ UEM)


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Na disciplina de Língua Portuguesa, estudos têm evidenciado que os alunos apresentam dificuldade na
realização de atividades sobre os conteúdos de acentuação gráfica e tonicidade. Por outro lado, várias
pesquisas vêm demonstrando que o uso de jogos de regras como recurso didático pode melhorar o
desempenho dos alunos em diferentes áreas do conhecimento, pois promove a aquisição e o fortalecimento
de habilidades e estratégias cognitivas, ampliando as possibilidades de aprendizagem escolar e não-escolar.
Em vista disso, o presente estudo teve por objetivo a elaboração e aplicação de uma metodologia de ensino
com uso de jogo de regras sobre o conteúdo de acentuação gráfica, capaz de promover a melhoria do
desempenho dos alunos nessa área. O jogo foi elaborado com base no levantamento das dificuldades de
escrita de alunos de 4a e 5a série do ensino fundamental, foco da presente investigação. Para a coleta desses
dados foram utilizados o teste de Avaliação de Dificuldade de Aprendizagem em Escrita – ADAPE, um teste
de acentuação gráfica e entrevistas individuais semi-estruturadas com abordagem clínica. Os resultados
revelaram confusão conceitual entre tonicidade e acentuação gráfica e, portanto, correspondência entre a
linguagem oral e a linguagem escrita. A partir dos dados obtidos, o jogo foi organizado de forma a
diferenciar a escrita da fala e a coordenação das variáveis necessárias para a acentuação gráfica: posição da
sílaba tônica e terminação da palavra. Tomaram-se como referência três jogos de regras já existentes e
conhecidos dos alunos - Perfil, Show do Milhão e Jogo da Vida. Em sua versão final o jogo é composto de
tabuleiro, cartas com palavras, fichas com dicas para a combinação das variáveis envolvidas nas regras de
acentuação. Dados preliminares de teste piloto apontam o presente jogo como uma possibilidade didática
para a aprendizagem das regras de acentuação.


      “SOU ASSIM E SOU FELIZ”: O GÊNERO PROPAGANDA E A ILUSÃO DE SUJEITO
                                 INDIVIDUALIZADO
                          Neil Armstrong Franco DE OLIVEIRA (PG-UEL/FAFIJAN/CESUMAR)
                                                 Flávia ZANUTTO (PG-UNESP-CAr/FAFIJAN)

Inúmeras pesquisas realizadas, por exemplo, nos campos teóricos da Análise do Discurso francesa, da
Sociologia, dos Estudos Culturais destacam a relação entre identidade e diferença e os efeitos desse binômio
nas relações estabelecidas entre os homens. Estudiosos da Análise do Discurso buscam depreender, na
materialidade discursiva, o modo como essa relação se atualiza e produz sentidos. O que se põe em pauta
nesses estudos é a produção da identidade em meio a um mundo globalizado e num contexto histórico em
que a chamada ―crise de identidade‖ denuncia a perda de um sentido estável para identidades supostamente
sólidas, como a do homem e a da mulher. Inseridos nessa problemática, objetivamos apresentar parte das
discussões desenvolvidas no interior do grupo de pesquisa Interação e escrita no ensino e aprendizagem
(UEM/CNPq). Nesta comunicação, refletimos sobre aspectos da produção de imagens de identidade coletiva
do brasileiro, em materialidades discursivas constituídas pelo gênero propaganda, fundamentados nos
pressupostos bakhtinianos. Nosso foco de atenção são as propagandas dos bancos HSBC – ―Sou assim e sou
feliz‖ - e Banco do Brasil – ―Para ser o seu banco, a gente precisa conhecer melhor você‖ - que visam
arrebanhar clientela num discurso que induz à sensação de uma identidade individual sobrepondo-se à
identidade coletiva e idealizada por essas instituições financeiras. Nossa hipótese é que, indo na contramão
das análises dos estudiosos sobre a perda de uma identidade única e estável para os sujeitos, essas
propagandas valem-se de uma estratégia que busca criar um sentimento de individualidade, como uma forma
de convencer o telespectador a fazer parte de um banco que lhe dispensará tratamento personalizado. Em
tese, essa parece ser a estratégia discursiva própria do gênero discursivo em questão.


     ALTERNÂNCIA E PARTICIPAÇÃO: A DISTRIBUIÇÃO DE TURNOS NA INTERAÇÃO
                                 SIMÉTRICA
                                                 Nonalíssia Silva da COSTA (G- UEL)
                                                 Paulo de Tarso GALEMBECK (UEL)

Este trabalho tem por objetivo estudar as diferentes formas de alternância e participação dos falantes em
diálogos simétricos, levando sempre em conta os marcadores conversacionais que são elementos essenciais
para o desenvolvimento do texto falado, pois são eles os indicadores de início de turno, de passagem e
sustentação do mesmo e de articulação entre os diferentes segmentos tópicos ou temáticos. Entendendo-se
por turno qualquer intervenção dos interlocutores (participantes do diálogo), de qualquer extensão, tanto
aquelas que possuem valor referencial ou informativo (turnos nucleares), como aquelas intervenções breves,
sinais de que um dos interlocutores está ―seguindo‖ ou ―acompanhando‖ as palavras do seu parceiro
conversacional (turnos inseridos), considerando ambas as modalidades de intervenção (com ou sem valor
referencial) relevantes e significativas para a organização de textos e seqüências conversacionais. Todos os
enunciados serão tratados como unidades construcionais de turno. Será inicialmente estabelecida a distinção
entre as duas formas básicas de revezamento de falantes, a passagem de turno e o assalto ao turno. No
primeiro caso, o ouvinte intervém após a solicitação implícita ou explícita do seu interlocutor, geralmente em

                                                     57
finais de frases. O assalto, por sua vez, é caracterizado como uma invasão: não há solicitação, nem se espera
o final do enunciado. Os dados preliminares revelam um equilíbrio entre as duas formas citadas.


      PARÁFRASE: CAMPO DE CRIAÇÃO E TRABALHO NOS TEXTOS DOS DETENTOS
                                                 Odete Ferreira da CRUZ (PG-UEM)

O artigo, parte de um projeto de caráter bibliográfico e aplicado, cumprindo a sua função de compreender os
aspectos evidenciados concernentes à leitura e à produção de textos em ambientes de exclusão social,
apresenta a análise de alguns textos produzidos pelos detentos da PEM (Penitenciária Estadual de Maringá).
Temos como objetivo principal responder a pergunta: a paráfrase é um discurso sem voz ou um processo de
construção criativa que dá origem a um novo discurso? Orientado pela natureza qualitativa de que se reveste
o projeto, a resposta à pergunta começa a se construir pela observação da intertextualidade presente nas
produções analisadas, tida como um que contribui para a heterogeneidade do texto parafrástico. Neste
sentido, acreditamos que a paráfrase, mais que simples imitação, se constitui em criação e exige reflexão e
trabalho. Para a sustentação teórica, buscamos embasamento em teorias que procuram compreender o homem
e sua relação com a linguagem. Bakhtin (1990), Koch (1997), Sant‘Anna (1985), Meserani (1995) são
autores que nos ajudam a compreender melhor o tema. A proposta envolve o processo de coleta de dados,
embasamento teórico e análise. Esperamos que o resultado, após análise dos textos, venha corroborar a
hipótese levantada, demonstrando que a paráfrase pode ser um novo discurso, embora tenha a mesma
perspectiva e seja convergente com o texto utilizado como matéria prima, exigindo do produtor criatividade,
reflexão e tomada de decisão.


  A (DES)CONSTRUÇÃO REPRESENTACIONAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES NA
                             REVISTA VEJA
                                             Patrícia Duarte de BRITTO (PG-UEM)

Neste artigo buscamos, à luz dos dispositivos teóricos da Análise de Discurso de linha Francesa,
compreender o modo como, discursivamente, a mídia cria, recria e legitima, enquanto efeitos de sentido, uma
representação social do Partido dos Trabalhadores (PT), a partir da crise de corrupção ocorrida no governo de
Luís Inácio Lula da Silva durante o ano de 2005. Para atingir tal objetivo, levantamos diagnósticos de
discursividade na materialidade lingüística e na materialidade imagética presentes na capa da revista Veja,
pertencente à editora Abril, edição de n. 1923 que circula com data de 21 de setembro de 2005. Nosso gesto
analítico parte, primeiramente, do nível intradiscursivo, para detectarmos - por meio da intertextualidade,
mais especificamente, por meio da apropriação - a pluralidade de vozes lingüísticas e imagéticas que
caracterizam o corpus enquanto um objeto heterogêneo. Após, a partir do nível interdiscursivo, observamos
como o pré-construído, os velhos e cristalizados discursos acerca do PT são sustentados e retomados, a partir
de redes de memória social, para re(significar), face a um particular contexto sócio-histórico e ideológico. Ao
final do processo analítico, confirmamos nosso pressuposto de que o pré-construído em torno do partido –
posto em movimento por meio de vozes conflituosas, dissonantes e heterogêneas - foi deslocado, negado e
comparado, alimentando e nutrindo uma nova representação social do PT em 2005. Compreendemos que a
nova representação do partido criada pela revista Veja é um modelar da instituição política que pode a curto,
médio e longo prazo, apagar, transformar, promover e consolidar as relações do partido na trama da
sociedade.


       OFICINA DE PRODUÇÃO TEXTUAL: UMA PROPOSTA PARA A PRÁTICA DE UM
                         JORNALISMO EM (INTER)AÇÃO
                                                Patrícia Duarte de BRITTO (PG-UEM)

Esta comunicação propõe uma oficina de produção textual, cujo foco é a escrita do texto jornalístico, mais
especificamente, o gênero reportagem. Tal planejamento está alicerçado na teoria Sócio-Interacionista, que é
norteada pela Interacionismo concernente à visão bakthiniana e pelo Sócio-Construtivismo de Vygotsky. O
objetivo geral da oficina é minimizar a artificialidade instaurada em sala de aula durante a produção de
textos, propiciando que o aluno vivencie situações concretas de uso da linguagem e passe a ser sujeito da
ação, que reflete, se posiciona criticamente ante aos fatos e expressa suas idéias no texto que produz. A
oficina traz etapas para a construção da reportagem, que enquanto condições de produção do texto
possibilitarão que: a) o estudante tenha um conteúdo discursivo a dizer; b) tenha um objetivo e uma
finalidade para sua escrita; c) pré-estabeleça um interlocutor real ou possível; d) participe de contexto social
de circulação que o motive a escrever; e) acione estratégias linguísticas e discursivas; f) pré-estabeleça um
gênero, uma variação lingüística e um suporte para sua escrita. Tal oficina resulta em oportunidades para: 1)
a aprendizagem de construção da escrita do texto jornalístico, proporcionando ao aluno enriquecimento

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individual e inserção no texto enquanto sujeito-autor, que tem algo a dizer; 2) o desenvolvimento da
capacidade investigativa necessária para que o texto seja composto de uma visão atual, crítica, útil, clara,
complexa e original dos acontecimentos; 3) a disponibilidade do aluno para um diálogo aberto e criativo em
equipe; 4) o estímulo para que o estudante exercite a capacidade de organização diante de seu próprio
material de trabalho, que é o texto.


                    ANÁLISE DE FRAMES NA LINGUAGEM ORAL E ESCRITA
                                                           Paula Camila MESTI (G-UEM)
                                                      Ana Cristina Jaeger HINTZE (UEM)
                                                     Maria Angela de Sousa BOER (UEM)

A presente comunicação objetiva apresentar a conclusão da pesquisa de iniciação científica sobre O papel
dos frames — mecanismos cognitivos que influem sobre o processo de compreensão da linguagem, a partir
de pistas encontradas no texto escrito ou oral — na construção textual-discursiva da língua oral e escrita (é
pertinente ressaltar que a primeira fase do trabalho foi apresentada no CONALI – Congresso Nacional de
Linguagens em Interação). Em termos abrangentes, a pesquisa pretende contribuir para a implementação do
projeto institucional Linguagem e Identidade Cultural, ao qual ela está agregada. O corpus de investigação
foi construído através da seleção de frames das atas das reuniões do Conselho Universitário da Universidade
Estadual de Maringá - COU, ao longo do segundo semestre de 2004. Em termos mais precisos, pretendemos
investigar os tipos de frames que caracterizam as práticas sociais da linguagem oral e escrita em contextos
reais de comunicação. O dispositivo teórico-analítico do trabalho foi norteado pela literatura lingüística de
linha sócio-interacionista e por trabalhos da área da pragmática, principalmente aqueles que dialogam com os
estudos lingüísticos sobre letramento, e, além disso, com trabalhos voltados para a construção da gramática
do português falado. Com isso, tem-se a expectativa de que a pesquisa acrescentará luz nas reflexões sobre
língua, norma e uso na contemporaneidade.


    O PAPEL MEDIADOR DOS GÊNEROS TEXTUAIS NO ENSINO E APRENDIZAGEM DA
                            ESCRITA DE TEXTOS
                                               Paulo Cezar RODRIGUES (PG-UEM)

A comunicação analisa o modo como os gêneros textuais são apresentados pelo livro didático (LD) de
Língua Portuguesa (LP), verificando se a abordagem destes, nestes manuais, orienta uma prática mediadora
no processo de ensino e aprendizagem da escrita de textos. O corpus é constituído pelos LD‘s Português:
linguagens (CEREJA & MAGALHÃES, 2002) e Português: leitura, produção, gramática (SARMENTO,
2002), ambos destinados à oitava série do Ensino Fundamental. A opção por essa série se deu em virtude de
se considerar que ela representa o final de um importante ciclo de estudos na formação do aluno, durante o
qual ele toma contato e é levado a produzir diferentes gêneros textuais. A análise verificou se os LD‘s
ensinam e orientam o aluno a produzir os gêneros textuais solicitados em suas propostas de produção escrita
ou se apenas mandam que o aluno escreva, perpetuando-se, assim, a prática da cópia ou reprodução de
modelos já cristalizados de textos. Os resultados da análise revelaram que os gêneros textuais podem se
constituir como importantes mediadores no processo de ensino e aprendizagem da produção textual, bastando
para isso que os LD‘s de LP apresentem uma abordagem para o trabalho com os gêneros textuais que não se
restrinja apenas a apresentá-los aos alunos, mas que priorize o ensino e a orientação acerca das características
e especificidades de cada gênero, a fim de que os alunos possam não somente conhecê-los, mas apropriar-se
deles, utilizando-se dos gêneros textuais, de modo adequado e eficiente, conforme as suas necessidades
comunicativas.


                     O ASSALTO AO TURNO: CONTINUIDADE OU RUPTURA?
                                                      Paulo de Tarso GALEMBECK (UEL)

Os princípios gerais de organização do diálogo simétrico baseiam-se em duas normas: a alternância dos
interlocutores nos papéis de falante, e a distribuição de turnos individuais para falantes individuais. De
acordo com o primeiro princípio, ambos os interlocutores têm o mesmo direito de desenvolver o tópico
(reassunto) em andamento, pelo tempo que julgarem necessário. O segundo princípio, por sua vez, decorre da
norma ―fala um por vez‖. Essa norma, aliás, decorre do fato de existir, entre os interlocutores, o
entendimento tácito de que a fala simultânea e o silêncio constituem momentos de colapso de discurso
falado. Ainda de acordo com esse princípio, verifica-se que a troca de falantes ocorre em finais de enunciado
ou na presença de outras formas de sinalização (entoação, gestos, entre outros). Além disso, a troca de
falante pode ocorrer por uma solução explicita daquele que detém o turno (geralmente uma pergunta) ou
qualquer forma de sinalização implícita do próprio falante. Uma violação (relativamente freqüente) a essa

                                                      59
norma da conversação é o chamado ―assalto ao turno‖, por meio do qual o falante ―invade‖ a fala do seu
interlocutor, sem uma solicitação deste ou sem esperar o final do enunciado. Este trabalho tem o objetivo de
discutir os motivos pelos quais os interlocutores violam o princípio ―fala um por vez‖, com o objetivo de
mostrar que essa violação decorre do desejo efetivo de participar da construção do diálogo. O corpus do
trabalho é construído por inquéritos do tipo diálogos entre dois informantes (D2), pertencentes aos arquivos
dos Projetos NURC/SP e NURC/RJ.


PROCEDIMENTOS SOCIOINTERACIONISTAS DE ESCRITA EM SALA DE AULA DE ENSINO
                           FUNDAMENTAL
                                                  Pricila GAFFURI (G-PIC-UEM)
                                               Renilson José MENEGASSI (UEM)

          O objetivo do ensino da língua materna é o de que o aluno saiba interpretar e produzir textos
coerentes e com opiniões objetivas ao sair dos ensinos fundamental e médio. Assim, esta comunicação,
vinculada ao Grupo de Pesquisa ―Interação e escrita no ensino e aprendizagem‖ (UEM/CNPq) e ao projeto de
pesquisa ―A escrita e o professor: interações no ensino e aprendizagem de línguas‖, é o resultado de um
recorte do projeto de pesquisa ―A leitura e a produção textual no Ensino Fundamental‖, desenvolvido como
Projeto de Iniciação Científica junto à UEM. O objetivo deste trabalho é verificar, sob a ótica da concepção
sociointeracionista da linguagem, se as propostas teóricas, que subsidiam as práticas atuais de leitura e
produção textual, estão sendo implementadas e efetivadas na sala de aula do Ensino Fundamental. Para tanto,
analisa-se um exemplo do trabalho com a produção textual realizado numa 2 a série, em uma escola da rede
privada de ensino, da cidade de Maringá–PR. Os resultados mostram que a concepção teórico-metodológica
adotada pela professora é a sociointeracionista, uma vez que o aluno é caracterizado como um sujeito ativo, o
texto é considerado o próprio lugar da interação, o conhecimento é construído na relação professor-aluno-
texto, e a concepção de escrita adotada pela professora é a que vê a escrita como trabalho.


                          PARA UM ESTUDO DO GÊNERO INFOGRÁFICO
                                                            Priscila MANFRÉ (PG-UEL)

A rapidez com que se desenvolve a ciência, fazendo crescerem as descobertas e conquistas tanto na área da
saúde como em tecnologia, tornou o seu acesso tão necessário quanto sedutor. As informações científicas
deixaram de se restringir ao interior dos laboratórios e oficinas, caíram no domínio do grande público. Dessa
forma, buscando atender a um leitor que se interessa cada vez mais pelos novos conhecimentos, descobertas e
conquistas da ciência, foi que surgiu o jornalismo científico, desenvolvido a partir de uma mescla dos
discursos jornalístico e científico. Com ele também veio uma nova tendência, a da utilização de recursos
visuais para promoção do fácil acesso dos destinatários a esse tipo de mensagem. O advento de novas
tecnologias, desde a máquina fotográfica à internet, trouxe uma grande facilidade para os processos de
reprodução e de veiculação da imagem, deixando o texto muito mais atraente. Descobriu-se, de repente, que
gráficos, mapas e fotografias são recursos extremamente persuasivos. A prática jornalística passou, então, a
se incumbir de trabalhar a informação de modo que esta atinja com a maior eficácia possível o destinatário
previsto. Os manuais de redação de jornal passaram a afirmar que o que pudesse ser dito por meio de
imagens, não fosse feito por meio de palavras. A presente comunicação tem como objetivo apresentar o
estudo da organização discursiva da infografia em língua portuguesa e demonstrar que o infográfico constitui
um novo gênero da esfera jornalística. Para isso, buscamos nos apoiar no conceito de Gênero Discursivo
formulado por Bakhtin e na classificação de infografia apresentada por Colle (1996).


      A DUPLA FUNÇÃO DO PROVÉRBIO: REITERAÇÃO DO MESMO E IMPOSIÇÃO DA
             SUBJETIVIDADE EM GÊNEROS DISCURSIVOS DO COTIDIANO
                                               Priscila Piquera de AZEVEDO (G-UEL)
                                                      Luiz Carlos FERNANDES (UEL)

Os provérbios podem ser definidos como expressões fixas, cristalizadas e consagradas pelo uso, cuja mais
importante função está em reiterar valores e comportamentos valorizados pelo grupo de falantes.
Caracterizam-se por sua origem na sabedoria popular e pela grande circulação social. Partindo dos
pressupostos teóricos da Análise do Discurso (AD) de linha francesa, principalmente no que se refere à
propriedade natural dos discursos de se constituírem por retomadas, ou seja, pela reiteração do já-dito,
objetiva-se nesse trabalho analisar como se dá a inscrição desse enunciado nos gêneros discursivos do
cotidiano. Será observado funcionamento desse mecanismo que permite a inserção da subjetividade do
sujeito enunciador do discurso, bem como os efeitos de sentido produzidos nas relações intertextuais quando
se trata do provérbio ―cada macaco no seu galho‖. Procuramos demonstrar que as escolhas e os

                                                    60
procedimentos utilizados pelo enunciador revelam sua adesão, rejeição ou a criação de novos sentidos em
relação aos que já estão consolidados na memória discursiva. Considerando-se, ainda, o caráter moral e
autoritário pressuposto em enunciados dessa natureza, refletimos sobre a hipótese de que a citação proverbial
pode ser uma estratégia do enunciador para persuadir o interlocutor e, além disso, que lhe permita ausentar-
se e evitar um maior comprometimento com aquilo que está enunciando, uma vez que os provérbios
correspondem a uma opinião consensual.


                    ALFABETIZAR, LETRAR OU ALFABETIZAR LETRANDO
                                                   Rafaela de Cássia FRANZOI (PG-UEM)

A palavra alfabetização é um vocábulo conhecido e utilizado nos meios educacionais. Porém, o mesmo não é
possível afirmar em relação a letramento, em razão de ser uma palavra recente, que começou a ser utilizada
nos anos 80. Além disso, seus significados não estão sendo idênticos nos diferentes espaços, como, também,
os objetivos com que são utilizados. O propósito deste estudo surge, principalmente, por acreditar-se que,
uma vez que os PCNs trazem a palavra letramento, os educadores deveriam compreender tal termo, tendo
consciência das relações existentes com a alfabetização como, também, suas distinções, uma vez que, em seu
cotidiano, estão envolvidos com o ensino e aprendizagem da leitura e da escrita. De acordo com Mortatti
(2004), quando se evidência a palavra letramento tem-se uma forte tendência em relacioná-la com
alfabetização, com o objetivo de excluí-la. Porém, essa última se refere à aquisição da escrita com o objetivo
de possuir habilidades para leitura e escrita. O letramento, por sua vez, prioriza os aspectos sócio-históricos
da aquisição dessa mesma escrita. A partir disso, este artigo tem o intuito de investigar, a partir da aplicação
de um questionário aos professores, o nível de conhecimento, que o professor de educação infantil e ensino
fundamental, de uma instituição particular de ensino, do município de Marialva- Paraná, possui sobre
alfabetização e letramento.


  PRODUÇÃO TEXTUAL E OFICINA DE ESCRITA: A FUNCIONALIDADE DA LINGUAGEM
                                              Rafaela de Cássia FRANZOI (PG-UEM)

Os textos produzidos pelos alunos, no contexto escolar, apresentam-se inadequados quanto ao seu conteúdo e
clareza, pois, parece-nos, que os educandos continuam produzindo-os somente para a escola. Isso carrega
força de uma situação de escrita que a torna, muitas vezes, irreal, impessoal e sem objetivo comunicativo. A
hipótese dessa artificialidade, dentre outras condições de produção, centra-se no fato de que o interlocutor
desses textos é tão somente o professor avaliador, o que interfere na funcionalidade da escrita. Trata-se de
uma situação que desconsidera as condições de produção, propiciando a construção, não de um texto, mas de
redação escolar. Este artigo tem o propósito de propor uma alternativa metodológica de ensino-aprendizagem
de produção de textos em língua materna capaz de concretizar as teorias que envolvem o dialogismo e a
interação, numa visão bakhtiniana e socioconstrutivista, ao viés de Vygotsky – a oficina – em que o professor
se estabelece como mediador. Como tal, ele considera as condições de produção de textos e se coloca como
um interlocutor, num processo de interação. Ao considerar essas condições e criar situações reais de
produção, o professor propiciará uma atividade mais próxima do cotidiano do aluno, contribuindo para a
quebra da artificialidade da escrita na escola. Por fim, o educando torna-se sujeito e interage socialmente por
meio da linguagem.


POLÍTICAS LINGÜÍSTICAS E BILINGÜISMO: UMA REFLEXÃO DISCURSIVA A PARTIR DA
                             SITUAÇÃO GUARANI
                                              Renata Adriana de SOUZA (PG – UEM)

O Brasil é um país multilíngüe, possui muitas línguas diferentes, faladas por muitas comunidades diferentes
entre si, mas que somadas constituem a grande ―miscigenação‖ do povo brasileiro. São elas: línguas
africanas, línguas de fronteiras, línguas de imigração e línguas indígenas. Tendo em vista esta diversidade
lingüística, consideramos relevante estudar as formas de produção, divulgação e circulação de trabalhos
referentes a políticas lingüísticas em nosso país, pois este fato poderia proporciona um maior conhecimento a
respeito da riqueza e importância das diversas línguas que aqui coexistem com o português, numa relação
que é desigual. Pressupomos ser possível, através de uma reflexão sobre o funcionamento da diversidade das
línguas existentes em terras brasileiras, superar certos preconceitos, atribuídos a estes povos minoritários e
contribuir para a preservação das línguas por eles faladas. Partindo desta problemática, nossa apresentação
tem por objetivo discutir a temática referente a políticas lingüísticas, enfatizando a língua indígena Guarani,
que consiste em uma das mais antigas de nossa cultura. Iremos abordar, inicialmente, o modo como a
implantação do bilingüismo no Brasil, visando integrar os povos indígenas à sociedade nacional, contribuiu
contraditoriamente para a redução de falantes de línguas indígenas em geral, e aqui, especificamente, falantes

                                                      61
do Guarani. Para a realização desta análise, que terá como base os Questionários Sócio-Educacionais
referentes ao ―V Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná dos candidatos Guarani‖, utilizaremos alguns
pressupostos teóricos da Análise do Discurso de Linha Francesa e das Histórias das Idéias Lingüísticas no
Brasil.


                    TEXTO „ORIGINAL‟ E TRADUÇÃO – TAL PAI, TAL FILHA?
                                                      Rosa Maria OLHER (UEM/UNICAMP)

A relação entre texto ‗original‘ e texto traduzido tem sido objeto de discussão nos estudos da tradução desde
as reflexões de S. Jerônimo na civilização greco-romana até nossos dias. Este trabalho pretende
problematizar a relação hierárquica que se estabelece entre dois polos: texto original (tido como o pai -
detentor do sentido e do poder) e tradução (filha que embora lembre sua origem – o pai, adquire um outro
sexo). A discussão é fundamental no sentido de contribuir para uma visão mais crítica do lugar e
representação da tradução no ensino de literatura estrangeiras.


 NEM TUDO O QUE RELUZ É OURO: PRÁTICAS DISCURSIVAS DO MUNDO DO TRABALHO
                                         Rosângela Rocio Jarros RODRIGUES (PG/UEL)

Os provérbios são tidos como verdades imemoriais, um eco retomado inúmeras vezes por uma coletividade e
de um autor-absoluto. Os provérbios estão associados às condições de produção sócio-históricas de uma
sociedade e que, particularmente neste estudo, está ligado às relações desiguais engendradas pelo capital e
trabalho. O corpus analisado é uma parte do relatório final de estágio de uma graduanda da área de psicologia
do trabalho da UEL. O gênero discursivo acadêmico-científico exerce forte coerção sobre o enunciador que
deve formatar seu texto escrito segundo as normas rígidas da academia que primam pela objetividade e
neutralidade. Isto faz com que dificilmente encontremos nos relatórios de estágio alusão a provérbios na
forma de frase feita, mas é possível reconhecê-lo através das marcas ideológicas que ancoram as formações
discursivas dos enunciados. Para a seleção do corpus de análise, priorizam-se as práticas discursivas que
retratam o mundo do trabalho em associação com noções como as de ―ilusão‖ e ―engano‖, remetendo à
memória discursiva do provérbio ―nem tudo que reluz é ouro‖. Os enunciados aí presentes opõem as idéias
de disciplina, ordem, respeito, cooperação e dedicação, valores apregoados no ambiente de trabalho, às idéias
de coerção, alienação, rigidez excessiva e exploração. O sentido desencadeado é o de que, muitas vezes,
aquilo que é apresentado como valioso, nem sempre realmente o é. Pode se tratar de uma ilusão, uma
construção imaginária e sedutora que podem enganar aqueles que a toma como verdade real. A identidade
discursiva promovida pelo capital é a da preferência pelo trabalhado competente, eficaz. A ideologia da
competência é sustentada pela adoção do discurso preferencial pela submissão, docilidade e muita alienação.
O provérbio, aqui, desempenha a função de alertar possíveis envolvidos em situações em que ocorra choque
de interesses.


                    DIALOGISMO E POLIFONIA NO TEXTO DE PROPAGANDA
                                              Rúbia Carolina Martins VALENZUELA (G-UEM)
                                                          Maria Angela de Sousa BOER (UEM)

A questão norteadora da obra do teórico russo Mikhail Bakhtin é, sem dúvida, o dialogismo, visto que essa é
uma característica constitutiva da linguagem, perpassando a questão do sentido e da significação. Isto é, a
linguagem é estudada enquanto palco no qual se travam as interações verbais, sendo elas o modo de ser
social dos indivíduos. Nesse sentido, Bakhtin entende dialogismo como as manifestações de diferentes vozes
sociais. Ou seja, os sujeitos não possuem neles mesmo o conhecimento que é veiculado pelo ato da
enunciação, mas é entre esses sujeitos que interagem que se reconhece um indivíduo. Com efeito, é por meio
do diálogo que se confirma a unicidade do ―eu‖. O ―eu‖, conforme o lingüista, se liberta do peso do seu ―eu‖
único, fazendo-se um ―outro‖ para os outros, escondendo-se, dessa forma, no outro. Em outras palavras, um
sujeito não pode ser considerado isoladamente, ele constrói-se sempre em vista de outros. Assim, devido ao
importante espaço que a Análise do Discurso vem tomando no cenário atual e também à motivação para um
estudo mais aprofundado do texto midiático é que se deu a escolha do tema. Esta comunicação objetiva
identificar e analisar os diferentes efeitos de sentido produzidos pelo texto de propaganda da marca Fruittella,
apoiando-se na teoria dialógica do lingüista russo Mikhail Bakhtin (1978), a qual contempla as noções de
intertextualidade, interdiscursividade e polifonia, apontando, portanto, para a constituição do sujeito.


 ANÁLISE SEMIÓTICA DE DESTAQUE DE 1ª PÁGINA DO JORNAL “CORREIO DO ESTADO”
                                            Sandra Cristina Miotto de GOUVÊA (UFMS)

                                                      62
O presente estudo prioriza a análise de um destaque de primeira página do jornal diário ―Correio do Estado‖
a fim de verificar a maneira pela qual ocorre a produção de sentido em textos que abordam a temática da
febre aftosa nesse veículo. Dessa forma, optou-se por uma análise textual baseada em teoria semiótica ,
abordando o percurso gerativo de sentido, em seus três níveis: o nível fundamental, o narrativo e o
discursivo. Assim, torna-se interessante explicitar que os veículos jornalísticos, independente dos meios e
características de publicação (mídia impressa, falada ou televisada) assumem ideologias muito particulares e
individuais que dão a cada um desses meios uma ―personalidade‖, um ―corpo‖ que é aperfeiçoado e
atualizado a cada edição e/ou publicação. Este estudo busca, dessa forma, analisar os sentidos ideológicos,
manipulados e construídos pela mídia impressa em texto que tem como tema a febre aftosa. Para isso, optou
pelo jornal diário de abrangência estadual Correio do Estado que circula no Mato Grosso do Sul. Cabe
salientar que a temática analisada tem fundamental importância, principalmente ao estado já mencionado,
pois é local de incidência de focos da doença e sede da mídia impressa escolhida.


         HETEROGENEIDADE LINGÜÍSTICA NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
                                                   Sandra Regina CECILIO (PG - UEL)
                                             Cleusa Maria Alves de MATOS (PG - UEL)

Em detrimento da democratização do ensino iniciada nos anos 60 quando ocorreu aumento significativo da
clientela escolar oriunda das classes média e baixa a escola passou a considerar que os novos alunos falavam
Português de forma deficiente e na tentativa de ―consertá-lo‖ trabalhou para aproximar seus falares da norma
padrão, ignorando o uso lingüístico. Assim, surgiu a necessidade de discutir-se o fenômeno da variação
lingüística no âmbito educacional. Os PCN de Língua Portuguesa (BRASIL, 1998) afirmam que no ensino-
aprendizagem de diferentes padrões de fala e de escrita o objetivo é permitir a adequação da linguagem às
circunstâncias de uso, considerando as características e as condições do contexto de produção. Entendemos
que a heterogeneidade lingüística dentro de um vasto e diversificado país como o Brasil é um fato natural e
inevitável uma vez que faz parte da natureza da linguagem e é resultado da diversidade de grupos sociais e da
relação que tais grupos mantêm com as normas lingüísticas. Em pesquisa anterior, Cecilio (2002) analisou
manuais didáticos de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental, adotados em escolas públicas paranaenses e
concluiu que eles não dispensavam a devida atenção à variação lingüística. Retomamos sua pesquisa e, neste
momento analisamos a coleção didática ―Língua Portuguesa: rumo ao letramento‖ (GUSSO; FINAU, 2002)
com o objetivo de observar a abordagem que esta obra confere ao fenômeno. Os estudos concluíram que a
coleção didática apresenta avanço significativo em relação ao nosso foco de análise. As autoras da obra
analisada consideram com propriedade as discussões e pesquisas acadêmicas acerca do assunto abordado, e
acima de tudo, privilegiam reflexão sobre a heterogeneidade lingüística, sempre atual e presente na
sociedade. Em momento algum percebemos visões estereotipadas e preconceituosas da língua e tampouco o
conceito de certo x errado que enfatiza apenas a variedade padrão e subestima as demais.


LEITURA E ANÁLISE LINGÜÍSTICA: CARTA DO LEITOR NA REVISTA CIÊNCIA HOJE DAS
                                 CRIANÇAS
                                                 Sandra Regina CECILIO (PG – UEL)
                                                Lílian Cristina Buzato RITTER (UEM)

O presente trabalho integra a comunicação coordenada ―Leitura e análise lingüística: uma abordagem via
gêneros discursivos‖ e tem como objetivo expor análises de exemplares do gênero ―carta do leitor‖ na revista
de divulgação científica Ciência Hoje das Crianças. O foco é analisar possibilidades de intervenção na quarta
série do ensino fundamental ao abordarmos nos textos as marcas lingüísticas e as marcas enunciativas
verificando como são responsáveis pela produção de efeitos de sentido, de acordo com as condições de
produção, o tema e a configuração textual do gênero. Optamos pelas cartas do leitor veiculadas nesta revista
em decorrência do público-alvo e também por ser um material adotado pelo MEC (Ministério da Educação) e
distribuído trimestralmente para 107 mil escolas como recurso paradidático. Além disso, nossa opção se
justifica pelo fato de observamos no conteúdo das cartas da seção que a revista incentiva a correspondência
entre os leitores colaborando, desta forma, com o exercício autêntico da leitura e produção de textos. Pela
análise empreendida, concluímos que a carta do leitor neste suporte apresenta familiaridade com o gênero
carta pessoal pelo grau de aproximação, informalidade e interação entre leitor e revista - fato identificado por
meio das marcas lingüísticas e enunciativas como a construção de períodos curtos, simples e menos
elaborados os quais assinalam a linguagem espontânea das crianças, escolha lexical que marca subjetividade
afetiva e avaliativa, linguagem informal, uso de vocativos. Assim, a análise revelou que estas cartas
configuram-se em um gênero discursivo híbrido.



                                                      63
                   ONDE VOCÊ GUARDA O SEU PRECONCEITO LINGÜÍSTICO?
                                                   Selma França RODRIGUES (UNIPAN)

O preconceito lingüístico ocorre em todos os lugares da sociedade, inclusive naqueles que deveriam estar
imunizados de tão perversa atitude, como, por exemplo, nas salas de aulas dos cursos de Letras. Em virtude
disto, percebeu-se a necessidade de pesquisá-lo para, primeiro identificá-lo, segundo trazê-lo a luz das
discussões teóricas e, terceiro rever o tratamento dado às variantes lingüísticas que não constam na gramática
normativa. Para tanto, utilizando-se, principalmente, das idéias de Marcos Bagno expressas nos livros
Preconceito lingüístico e A língua de Eulália, obras que elucidam alguns dos preconceitos lingüísticos mais
recorrentes na linguagem oral do brasileiro, discute-se neste artigo o aspecto sócio-político-ideológico do ato
de eleger uma língua como a correta. Isto é, ao impor a língua padrão em detrimento ao menosprezo a língua
coloquial, estamos condenando àquele que não domina a forma prestigiada ao silêncio. No ato de excluir
todas as demais variedades lingüísticas dando privilégio a uma única (a padrão) está delimitado o
comportamento repulsivo que se tem aos que, por contingências sociais, não conseguiram dominar a
gramática normativa.


               AS REDUÇÕES JESUÍTICAS NA CONQUISTA ESPIRITUAL (1639)
              DE ANTONIO RUIZ DE MONTOYA, SOB A CRÍTICA PÓS-COLONIAL
                                                             Saul BOGONI (PG-UEM)
                                                            Thomas BONNICI (UEM)

RESUMO – As reduções criadas pelos padres jesuítas com o objetivo de catequizar os índios, no período
colonial brasileiro, na região do Guaíra, que abrangia o atual Norte do Paraná, são o objeto do presente
artigo. Analisamos o conceito de ―redução‖ utilizado pelo padre Antonio Ruiz de Montoya em sua obra
etnográfica Conquista Espiritual feita pelos religiosos da Companhia de Jesus nas Províncias do Paraguai,
Paraná, Uruguai e Tape (1639), investigamos as razões dos jesuítas para terem adotado essa opção no século
17 e as suas concepções de redução, catequização e colonização. Com base na teoria pós-colonial,
procuramos interpretar o sentido das reduções e o modelo de trabalho dos padres jesuítas na busca de
resultados, cujo objetivo era a conquista espiritual, arregimentando novos adeptos entre os silvícolas para a fé
cristã, e o que representaram para os indígenas brasileiros, em termos sociais, culturais, enfim, na sua forma
de viver pós-catequização e colonização, considerando a realidade contemporânea. Procuramos mostrar o
choque existente entre as propostas apresentadas pelos jesuítas, na busca de seu principal objetivo, através do
padre Montoya, e a realidade que convergiu com as invasões dos bandeirantes paulistas, lançando-se sobre os
índios catequizados e as reduções.


CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DO LÉXICO DA LÍNGUA LATINA – (A CONSTITUIÇÃO
               LINGÜÍSTICA E SUAS VARIANTES FORMAIS)
                                             Sergio Nunes de JESUS (FACIMED)

INTRODUÇÃO: Acredita-se que, com o processo da romanização houve diversas transformações no que
concerne à língua. Outrossim, pôde ser observado na historicização lingüística que o latim ibérico adequou-se
lentamente aos preceitos da língua do suplantador; no caso: os romanos. METODOLOGIA: A pesquisa foi
conduzida nas aulas de Língua Portuguesa, por meio de pesquisa bibliográfica, leitura e abordagem dos
termos etimológicos lingüísticos com o uso de dicionário específico (Dicionário de Lingüística: Jean Dubois
et al.) e a análise contextual da temática lexical e suas variantes formas na língua latina, esta que facilitou na
contextualização lingüística. RESULTADOS: Os resultados foram obtidos a partir da comparação e do
entendimento dialético da etimologia do léxico latino da língua e suas variantes formais como a derivação,
composição e o parassintetismo no processo de formação das palavras na língua latina; este sendo
pressuposto direto da língua portuguesa. CONCLUSÃO: Tendo em vista que o processo de romanização foi
um dos entraves na conquista dos diversos territórios na Península Ibérica pelos romanos, no entanto, para a
formação da língua, e sua valorização cultural-lingüística, este foi também de crucial importância, pois
propiciou diversos estudos comparativos dentro do contexto românico-lingüístico e da etimologia científico-
histórico-lingüístico e social da língua.


O HERÓI, DE DOMINGOS PELLEGRINI, E A RECEPÇÃO DE INTERNOS DA PENITENCIÁRIA
                          ESTADUAL DE MARINGÁ
                                             Sharlene Davantel VALARINI (PG-UEM)

Neste trabalho, apresentamos uma análise da recepção do texto O herói, de Domingos Pellegrini, feita por
internos da Penitenciária Estadual de Maringá (PR), participantes do projeto Literatura, Leitura e Escrita: a

                                                       64
ressignificação da identidade de indivíduos em situação de exclusão social. Esse texto é parte integrante de
uma antologia que versava sobre o tema infância. Para a análise, pautamo-nos nos estudos da Estética da
Recepção, de Hans Robert Jauss, e da Teoria do Efeito, de Wolfgang Iser. Baseados nessas teorias, diversos
métodos de ensino da literatura foram desenvolvidos com o intuito de estabelecer diretrizes sobre ―como
ensinar‖. Dessa forma, pretendemos, nessa análise, mostrar um dos métodos desenvolvidos: os níveis de
leitura da recepção do texto literário no ensino, propostos pelo educador alemão Hans Kügler. Tal método
pauta-se em três etapas: Leitura primária; Constituição coletiva do significado e Modos secundários de ler.
Esses níveis de leitura levam o leitor a uma compreensão maior do texto literário. Como resultado do
trabalho proposto, podemos observar que, apesar de muitos internos não terem saído de uma leitura primária,
apoiando-se em observações preliminares e pessoais, muitos conseguiram ultrapassar a fase da Leitura
primária, chegando à Constituição coletiva do significado e outros aos Modos secundários de ler.


      UMA REFLEXÃO SOBRE O CONTEÚDO GRAMATICAL DA APOSTILA DO GRUPO
                                EXPOENTE
                                              Shirley Cristiane CINTRA (PG-UEM)

Ensinar Gramática sempre foi um desafio aos professores de Língua Materna. A complexidade de regras e
exceções sempre causaram dificuldades de aprendizado e um sentimento de desprazer pela gramática, ou
mesmo, pela própria disciplina de língua portuguesa. Por isso, professores, pesquisadores e livros didáticos
buscam, há muito tempo, a melhor forma de ensiná-la aos alunos, sem que ela seja uma tortura. Dentro deste
contexto, o uso de apostilas para o seu ensino é uma prática comum em nossa educação, a maioria das
escolas às adotam e esperam que estas satisfaçam todos os interesses pedagógicos e intelectuais para uma
aprendizagem gramatical plena, desse modo, espera-se deste material um método ―ideal‖ de ensino. Logo,
enquanto professores, temos a obrigação de analisar e avaliar se a metodologia que estas apostilas apresentam
correspondem com as atuais propostas de ensino, com o contexto dos alunos e com a apropriação dos
conteúdos. Para tanto, o presente trabalho analisou o conteúdo gramatical de quatro apostilas de Língua
Portuguesa do Grupo Expoente, dirigidas à 5ª série do ensino fundamental do ano de 2006. Nesta
perspectiva, o presente estudo irá apresentar os conteúdos gramaticais desta apostila e verificar se os mesmos
apresentam reflexões e procedimentos capazes de levar o aluno a compreender o ensino de Gramática e agir
sobre ela, aperfeiçoando, principalmente, sua competência em leitura, interpretação e escrita.


 O PONTO DE INTERAÇÃO ENTRE A ANÁLISE LINGÜÍSTICA E AS AULAS DE PRODUÇÃO
                                TEXTUAL
                                                   Silvia Regina EMILIANO (UEM)

A prática de análise lingüística, em oposição ao ensino prescritivisto da gramática, no processo de ensino e
aprendizagem, ainda é uma questão obscura para boa parte dos educadores, porque envolve tanto uma
concepção de linguagem interacionista quanto um processo de formação que dê subsídios teórico-
metodológicos ao professor já atuante no ensino e ao professorando. À luz da Lingüística Aplicada, a
pesquisa ―O ensino de gramática no curso de Letras/UEM: diagnóstico de uma realidade‖, vinculada ao
Grupo de Pesquisa ―Interação e Escrita no Ensino e Aprendizagem‖ (UEM/CNPq), verificou, entre outras
questões, de que forma a(s) abordagem(ns) dos conteúdos gramaticais apreendida(s) na graduação se
reflete(m) na ação docente dos futuros professores. Assim, revelou-se que a análise lingüística é uma
atividade quase inexistente no curso de Letras da UEM, nos anos em que ocorreu o diagnóstico, 2004/2005.
Neste, também detectou-se que o professorando nem sempre consegue transpor para a sua prática a teoria
estudada em sala, o que prova a necessidade de se apontar alguns caminhos pedagógicos para essa prática.
Dessa forma, este trabalho objetiva mostrar uma prática de análise lingüística desenvolvida por um dos
sujeitos da pesquisa que realizou o diagnóstico. Para tanto, acompanhamos quatro aulas oferecidas no curso
de Letras, as quais foram relatadas e analisadas sob o enfoque da perspectiva sociointeracionista de
linguagem.


 OFICINAS DE PRODUÇÃO TEXTUAL ESCRITA: ATIVIDADES DE INTERAÇÃO ENTRE OS
                               SUJEITOS
                                            Simone Cristina K. URBANO (PG – UEM)

As práticas de leitura e escrita são ferramentas essenciais para além do processo de ensino-aprendizagem.
Constituem uma necessidade para o desenvolvimento de uma cidadania consciente e transformadora. Por
isso, centrando nossa atenção na aquisição da escrita como prática facilitadora da inserção do sujeito na
sociedade letrada, partimos da hipótese de que o professor necessita conscientizar-se de que a entrada da
criança no mundo da escrita se dá simultaneamente por dois processos: um pela aquisição do sistema

                                                     65
convencional de escrita, a alfabetização; o outro pelo desenvolvimento de habilidades de uso desse sistema
nas práticas sociais, o letramento. Então, a partir dessa consciência, indagamos: por que professores e alunos
apresentam inúmeras dificuldades nos dois processos – os primeiros no que diz respeito ao ensino; os
segundos, em decorrência, no que diz respeito à aprendizagem? Por que educadores desconsideram que a
escrita se desenvolve no contexto de, e por meio de, práticas sociais; isto é, através de atividades de
letramento? Com este artigo, pretende-se contribuir para repensar as práticas dos professores do Ensino
Fundamental, mais exatamente as possibilidades que temos à disposição, quando pensamos no processo de
ensino-aprendizagem da escrita em língua materna, no contexto escolar. Propondo oficinas, atividades em
que os alunos se tornam sujeitos do que lêem e escrevem, esperamos oferecer e ter maior clareza a respeito
de procedimentos metodológicos que, mediados pelo professor, contribuem para a formação de alunos
leitores e escritores competentes, capazes de criar textos coerentes, coesos e eficazes.


        TRANSITIVIDADE VERBAL PARA PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL
                                     Simone Maria Barbosa Nery NASCIMENTO (PG-UEM)

A ciência da Lingüística e dados de estudos anteriores revelam que o ensino brasileiro tem se revestido de um
caráter tradicional no que diz respeito à gramática. Professores de Língua Portuguesa têm simplesmente
repassado aos alunos os conteúdos presentes em livros didáticos. Dessa maneira, a aprendizagem do aluno
fica limitada, tendo em vista que não utilizam seus conhecimentos prévios, muito menos refletem sobre o
funcionamento da linguagem. O presente estudo buscou analisar em entrevistas com professores de Língua
Portuguesa da 7ª série os conceitos ensinados sobre o conteúdo escolar de transitividade verbal e a
metodologia utilizada em sua exposição e aplicação. Para isso, realizaram-se entrevistas individuais semi-
estruturadas com seis professores de Língua Portuguesa da 7ª série do ensino fundamental da rede pública do
município de Maringá/PR. Constatou-se que os professores repassam o conteúdo exposto nos livros didáticos
que são utilizados como apoio metodológico único. Tanto os livros didáticos como os professores mostraram
se orientar por um conceito tradicional de transitividade verbal, baseado em pressupostos da Gramática
Tradicional que classificam os verbos em transitivos e intransitivos sem analisar o contexto da oração. As
verbalizações dos professores sugerem a necessidade de se explorar, tanto no ensino superior quanto em
cursos para a formação continuada de professores atuantes, as recentes teorias lingüísticas que consideram o
funcionamento da linguagem e as funções gramaticais em situações concretas de uso para que o conceito de
transitividade verbal seja aprendido de forma contextualizada e não apenas como um algoritmo gramatical.


               O SUJEITO PACIENTE E SEU OUTRO NA ANÁLISE TERAPÊUTICA
                                                             Sirley A. SOUSA (PG-UEL)
                                                        Luiz Carlos FERNANDES (UEL)

Tendo por objetivo compreender o funcionamento da linguagem, o presente trabalho baseia-se na concepção
de que o processo que permeia a formação discursiva está ligado à necessária estimulação e insistente
repetição da mesma. Daí que esta se associe a uma série de idéias e a múltiplas concepções de mundo, a que
se costuma chamar ideologias.Valores ideológicos são passados de uma geração a outra, por incontáveis
práticas discursivas, importando bastante os processos que levam à sua assimilação e retomada. Os
provérbios, por difundirem valores, normas, preconceitos, etc., auxiliam na consolidação de regras ou, ao
menos, de indicativos relativos aos comportamentos do indivíduo em sociedade, fazendo, então, parte, de
modo inseparável, dessa série de concepções de mundo que se compõem no funcionamento de cada formação
discursiva.O presente trabalho objetiva mostrar, por meio de análises baseada em propostas teóricas da
Análise do Discurso de linha francesa, que sujeitos enunciativos envolvidos em processo de terapia, tendo
absorvido, em suas interações verbais, cotidianamente necessárias, as idéias veiculadas por provérbios,
acabam por incorporá-las nos discursos que produzem. É dessa forma que representam suas relações com o
mundo, como indicativos subsidiários da organização de seu olhar em relação ao que está a seu redor. O
trabalho constitui uma das vertentes da pesquisa ―A Inscrição da Subjetividade na Tipologia Discursiva do
Cotidiano‖, que está em desenvolvimento na Universidade Estadual de Londrina.


            EVENTOS DE LETRAMENTO DE PAIS POUCO LETRADOS DE ZONA RURAL DO
                             NOROESTE PARANAENSE
                                                   Tatiane Oliveira da SILVA (G/UEM)
                                                   Geiva Carolina CALSA (DTP/UEM)

O conceito de letramento começou a ser utilizado nos meios acadêmicos com o intuito de estabelecer
diferenças entre os estudos sobre a escrita vinculados ao meio social e as práticas individuais de alfabetização
que se desenvolvem no ambiente escolar. Estudos têm mostrado que o contato com a escrita e a exploração

                                                      66
significativa da leitura possibilita ao indivíduo o desenvolvimento do letramento. Dados do Índice Nacional
de Analfabetismo Funcional/lNAF evidenciam que o grave problema do analfabetismo funcional pode ser
amenizado a partir do estímulo à leitura e ao letramento. Em um levantamento a respeito do papel do adulto
no processo de estimulação ao gosto pela leitura constatou-se que a mãe é responsável por 41% dessa
atividade enquanto o pai 31% e o professor 33%. De acordo com a pesquisa, é de fundamental importância
para a formação do alfabetizando que ele tenha disponibilidade de materiais de leitura diversificados, bem
como livros, revistas e jornais em casa, freqüência a bibliotecas, busca de mais de uma fonte para se informar
sobre assuntos da atualidade e participação em eventos extra-escolares. O presente trabalho constitui-se um
recorte de pesquisa maior, em andamento, e tem como objetivo mostrar os eventos de letramento de pais
pouco letrados de zona rural a fim de verificar a existência e a qualidade de sua relação com a aprendizagem
da leitura e escrita de seus filhos. Para tanto, foram entrevistados 40 pais de alunos de 1ª a 4ª série do ensino
fundamental. Resultados preliminares mostram restrição de materiais e de temas de leitura. Quando ocorre, a
leitura é focalizada em assuntos de utilidade imediata dos sujeitos como as relacionadas a atividades
religiosas, realização de cursos, auxílio nas tarefas escolares dos filhos, e ao trabalho.


   O HUMOR DA TELENOVELA COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO DE LEITURA E
                          PRODUÇÃO DE TEXTOS
                                             Vasni de Oliveira SOUZA (PG-UEL)

Este trabalho tem o objetivo de pesquisar leitura de imagem em movimento e utilizá-la como recurso didático
para o ensino de leitura e produção de texto na sala de aula. Este objetivo nos leva a questionar quais recursos
o autor da novela Belíssima, apresentada pela TV Globo no ano de 2006, utilizou para criar os personagens
com características humorísticas como o Pascoal e o Jamanta. Diante deste questionamento, para obtermos os
recursos e artifícios utilizados na criação de tais personagens, a pesquisa necessita analisar o texto verbal, o
não-verbal e o sincrético. Assim, além da linguagem verbal são contemplados na análise o enquadramento, a
iluminação, as cores presentes na cena, bem como os recursos sonoros utilizados para caracterizar os
personagens. Mesmo sabendo que as novelas não têm nenhum compromisso com a educação, sua
popularidade pode servir de motivação para despertar nos alunos o interesse por conhecer técnicas utilizadas
na produção de novelas e também o desejo por leituras e produção de textos. Além disso, sabe-se que o
humor permite um acesso maior ao adolescente por aparentar algo menos rígido, ou até mesmo, mais ―leve‖.
O humor, nesta novela, faz o contraponto com o drama que se desenvolve na trama. Os autores que
subsidiam esta pesquisa são Propp, Bérgson, Saliba e Possenti, entre outros.


    A FORMAÇÃO DISCURSIVA FAMILIAR NO DISCURSO DE CAMPANHA ELEITORAL
                                                     Vera Lucia da SILVA (UEM)

Esta comunicação tem como objetivo analisar os efeitos de sentidos da Formação Discursiva (FD) familiar
no discurso de campanha eleitoral do candidato a prefeito Silvio Barros, do Partido Progressista (SB/PP), nas
eleições municipais de Maringá em 2004. O corpus empírico utilizado é o Horário Gratuito de Propaganda
Eleitoral na televisão (HGPE/TV), na última semana do segundo turno, em que concorreu ao cargo,
juntamente com SB, o prefeito João Ivo Caleffi, do Partido dos Trabalhadores (JIC/PT). Este disputou o
segundo mandato, em uma Condição de Produção (CP) considerada favorável pelas pesquisas eleitorais. SB,
enquanto candidato da oposição, produziu um discurso calcado em uma posição-sujeito que valorizava a
tradição da Família Barros, enquanto integrante de uma elite de pioneiros que contribuíram na construção da
história política local, tendo o pai Silvio Barros (SB/pai) como prefeito da cidade, no período de 1973 a 1976.
O candidato SB/filho se ausentou de Maringá para estudar e trabalhar e não apresentava um histórico de
ações sociais concretizadas para complementar seu projeto de governo. Por isso, utilizou as obras e projetos
realizados no governo de SB/pai, para que o seu discurso tivesse um funcionamento persuasivo baseado no
discurso popular ―tal pai, tal filho‖. A esse conjunto discursivo em que predominou a FD familiar, houve um
silenciamento do mandato do irmão Ricardo Barros (RB/irmão), que, seguindo a tradição política da família,
também foi prefeito de Maringá, no período de 1989 a 1992, por ser considerada uma administração negativa
pela opinião pública. SB/filho, orientado pelos profissionais do marketing eleitoral, soube conduzir seu
discurso de campanha, que, inconscientemente, assujeitou uma fatia maior do eleitorado em 7,02%, em
relação ao seu concorrente JIC/PT, e depositou o voto naquele que poderia ser um continuador, em um grau
elevado de capacitação, dos projetos do pai.


  FUNÇÃO ENUNCIATIVA E EFEITOS DE SENTIDO: UM DISCURSO SOBRE A EDUCAÇÃO
                                INCLUSIVA
                                               Viviane dos Santos GOMES (PG-UEM)


                                                      67
Cidadania é o direito a ter direitos, princípio este que norteia as diretrizes organizacionais de uma sociedade
que tem se indignado cada vez mais com as desigualdades sociais, econômicas e culturais. Os homens
nascem livres e iguais em dignidade e direitos, porém estes benefícios nem sempre lhes são assegurados. Tais
condições têm gerado preocupações em implementar políticas públicas de inclusão que procuram senão
solucionar ao menos amenizar problemas de ordem socioeconômica e cultural envolvendo sujeitos excluídos.
Um dos recursos utilizados para mobilizar a sociedade brasileira nesse movimento é veicular na mídia
televisiva campanhas institucionais, dentre elas a do ―ProUni – Universidade para Todos‖ cuja finalidade é ―a
concessão de bolsas de estudos integrais e parciais a estudantes de baixa renda, em cursos de graduação e
seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de educação superior‖. Considerando que os
efeitos de sentido acerca da inclusão, nessa materialidade discursiva, são produzidos nas relações
estabelecidas entre saber e poder, o objetivo deste trabalho é refletir sobre o papel da função enunciativa na
constituição identitária do brasileiro que se encontra à margem da sociedade, à luz da teoria da Análise de
Discurso de Linha Francesa. Nesse intuito, elegemos como objeto de análise o audiovisual da Campanha
―Universidade para Todos‖, promovida pelo Ministério da Educação – MEC, em circulação na mídia
televisiva no ano de 2006.


 PROPOSTAS DE PRODUÇÃO TEXTUAL EM AMBIENTE DIGITAL COLABORATIVO: UMA
                        ANÁLISE DAS CONDIÇÕES
                                                  Wanderley BRAGA (PG-UEL)

Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que teve como objeto de análise as produções dos
professores de Língua Portuguesa no Ambiente Pedagógico Colaborativo – APC – disponibilizado através do
Portal Dia-a-Dia-Educação do Paraná. Foram analisados todos os 14 APC (atualmente denominados de OAC
– Objetos de Aprendizagem Colaborativa) de língua portuguesa, do Ensino Médio, com enfoque nos gêneros
de textos escritos. Meu objetivo nessa investigação foi a constatação de como se apresentam, nas
proposituras de atividades com a escrita, as condições de produção textual, a partir das teorias concebidas
pelos estudiosos da corrente sociointeracionista de linguagem. Por essa razão, dialoguei com Bakhtin,
Vygotsky, Geraldi, Garcez, Marcuschi, Menegassi, Costa Val, Bronckart, dentre outros. Analisei
especificamente o recurso do APC - Propondo Atividades - no Portal Dia-a-dia-Educação do Paraná, em que
as proposituras, em conformidade com a política pública do Estado, deveria estar embasada na concepção
sociointeracionista de linguagem, abarcada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais do MEC (1998) e pelo
Currículo Básico de Língua Portuguesa do Paraná (1990). Observei, no entanto uma baixa ocorrência dos
elementos que compõem as condições de produção textual tomada como processo, como trabalho que exige
reflexões e que só faz sentido acontecer na escola, mas não para ela, ganhando o mundo extra-escolar, no
qual a escrita circula com funções socialmente marcadas. Encerrei a análise com um quadro esquemático
para melhor vislumbrar o panorama desse ambiente virtual, apostando na contribuição que esta pesquisa trará
para um ensino que reflete os anseios dos usuários da LP quando da manifestação em seus discursos.


                ASPECTOS DA ORALIDADE E DA ESCRITA NO GÊNERO E-MAIL
                                                      Wilsilene Rodrigues THOM (UEM)

A presente comunicação é um recorte da pesquisa ―A escrita por e-mail: influência do interlocutor e do
gênero‖, vinculada ao Grupo de Pesquisa ―Interação e escrita no ensino e aprendizagem‖ (UEM/CNPq) e ao
projeto de pesquisa ―A escrita e o professor: interações no ensino e aprendizagem de línguas‖ (UEM) sob a
perspectiva sociointeracionista, ancorada nos estudos de Bakhtin e Vygotsky. O objetivo deste trabalho é
apresentar como o gênero e-mail apresenta características da escrita dos gêneros primários e secundários. A
pesquisa ocorreu entre a pesquisadora- professora de Língua Inglesa da Universidade Estadual de Maringá, e
uma acadêmica do 5º ano do curso de Letras, habilitação Português/Inglês (2005), em ambiente não
relacionado à sala de aula. Durante um período de 8 meses, houve troca de mensagens que passaram por um
processo de desenvolvimento em relação aos interlocutores envolvidos. As análises revelaram que a
transposição de atitudes sócio-históricas preconcebidas, para atitudes sociointeracionistas construídas
proporcionaram o desenvolvimento e o uso da íngua inglesa em ambos os gêneros, primários e secundários.
Além disso, essa mesma transposição demonstrou que houve um crescimento no posicionamento de cada
interlocutor como sujeito participante do diálogo.




                                                     68
                              RESUMOS: ESTUDOS LITERÁRIOS

              METAMORFOSES DE LOBATO: ENTRE O CLÁSSICO E O MODERNO
                                             Adriana Paula dos Santos SILVA (PG – UEM)

Este artigo é resultado da análise da produção denominada infantil, do escritor brasileiro José Bento Monteiro
Lobato (1882 – 1948), cujo intuito principal se baseou em identificar tanto a ligação do autor com a literatura
clássica quanto o engajamento dele com a formação e divulgação do modernismo brasileiro, além de
observar a forma em que tal contato aconteceu: traduções e adaptações de textos já existentes. O
desenvolvimento desencadeado com a produção de Lobato ainda exerce influência no cenário literário, por
um lado, responsável pelo resgate da tradição, e por outro, pelo viés transformador que através de revoluções,
fomentadas por ele e refletidas em sua produção, impulsionaram a formação da literatura intitulada moderna.
Assim, é de interesse desse estudo, a partir de teóricos como Sonia Lacerda, Marisa Lajolo e Bárbara
Vasconcelos, observar a existência dessas duas forças na produção lobatiana e a influência do escritor na
construção da história literária, enquanto escritor preocupado em resgatar a tradição clássica e também em
propiciar um movimento que constituísse a solidificação do modernismo. Portanto, a presente proposta de
comunicação objetiva reconhecer e analisar a presença da tradição clássica e os mecanismos que promovem a
escrita moderna através da adaptação da tradição, concretizada com o uso de recursos de tradução e
adaptação. Para tanto, buscará identificar situações de interação entre essas duas vertentes dentro das obras
literárias, especificamente as destinadas ao público infantil, como Os doze trabalhos de Hércules (1944), O
Minotauro (1939 e Fábulas (1922), ressaltando como temas clássicos aliados a uma composição moderna
particularizaram a produção literária de Monteiro Lobato.


                                A PARÓDIA EM MONTEIRO LOBATO
                                                   Adriana Paula dos Santos SILVA (PG – UEM)

Este artigo é resultado da análise da produção denominada infantil, do escritor brasileiro José Bento Monteiro
Lobato (1882 – 1948), cujo intuito principal se baseou em identificar a recorrência a textos clássicos,
folclóricos, mitológicos e históricos na constituição da obra lobatiana, observando o processo de
reestruturação de textos já existentes, através do resgate de obras da tradição clássica. Para tanto, adota-se,
nesse trabalho, como perspectiva crítica, a obra Uma Teoria da Paródia (1985) de HUTCHEON. A escolha
das obras do autor se justifica, uma vez que se apresenta proveitosa para empregar a respectiva teoria. O
recurso utilizado para a reunião de diferentes textos, que origina uma nova produção, é o interesse da
pesquisa, o que faz da paródia, na produção literária infantil de Monteiro Lobato, em especial nos textos que
serão discutidos Os doze trabalhos de Hércules (1944), O Picapau Amarelo (1939), Reinações de Narizinho
(1920), Dom Quixote das Crianças (1936) e Fábulas (1922), o enfoque principal do estudo em questão, no
qual se buscará reconstruir o instrumento privilegiado pelo autor (paródia), observando como tais usos
influenciam o processo de leitura e o próprio leitor, como era intuito do próprio Lobato, como elo entre texto
e leitor, promovendo assim a formação.


 UMA VOZ PARA TERSITES: UMA ANÁLISE DA CONSTRUÇÃO DA FIGURA DO HERÓI
                                             Aldinéia Cardoso ARANTES (PG-UEM)

O valor literário das epopéias homéricas é indiscutível. A Ilíada, não obstante ser a representação mítico-
artística da luta dos gregos no desejo coletivo de ampliar seus domínios, ressalta os valores individuais,
criando assim personagens com características tão peculiares que se tornaram protótipos legados à galeria de
heróis que a tradição literária foi fixando aos poucos. No transcorrer da narrativa, encontramos uma
quantidade variada de tipos e, em cada um, podemos reconhecer um aspecto ou uma aspiração da vida
humana. Mas, talvez, poucos se lembrem de um ―herói‖ chamado Tersites. A sua aparição é quase meteórica
e se dá no capítulo II da Iliada. Homero, porém, caracteriza marcadamente o personagem, enfatizando o seu
aspecto repugnante, quase grotesco. Percebemos que, fisicamente, ele não se parece em nada com os belos
heróis épicos, a perfeição plástica para os gregos era primordial. No entanto, suas atitudes demonstram
grande bravura e sensatez, embora até hoje sejam veementemente criticadas. Ao analisarmos a ação de
Tersites, percebemos que eram muito coerentes com o momento vivenciado pelos gregos, na verdade, o
problema não estava relacionado ao conteúdo do discurso em si, mas quem o pronunciava. Um personagem
que não se encaixava nos moldes do herói clássico: não era filho de nenhum deus, nem era representante da
nobreza; era alguém do povo, apenas parte da soldadesca anônima, não tinha posses nem tradição. Mesmo
assim ele ousou desafiar o conselho dos grandes heróis gregos e com palavras de fúria. Não obstante, sua
atitude tenha sido severamente oprimida. Esta comunicação pretende discutir, a partir desse conturbado



                                                     69
episódio da Ilíada, o processo de construção da figura do herói clássico, uma vez que as epopéias de Homero
são consideradas protótipos na sua criação.



                  ASPECTOS LÍRICOS EM JOÃO PORÉM, O CRIADOR DE PERUS
                                        Alessandra Regina de Carvalho SEMPREBOM (G-UEM)
                                                          Luzia Aparecida B. TOFALINI(UEM)

João Porém, o criador de perus integra a série de contos do livro Tutaméia, de João Guimarães Rosa,
publicado em 1967. O conto constitui-se por uma linguagem polissêmica, permitindo várias leituras. No
conto de Rosa as categorias da narrativa exigem o comparecimento dos elementos próprios da poesia,
gerando um texto híbrido. De fato, prosa e poesia estabelecem, no conto, em questão, um conluio. Tal
hibridez é resultante da necessidade, que o homem tem, de expressar a sua angústia existencial.
Neste conto é possível perceber o antagonismo presente na existência do homem, entre a autenticidade e a
aparência. É exatamente o desespero, provocado pela contradição do existir, que obriga as personagens a
recorrerem aos elementos caracterizadores da poesia. Assim, a prosa de Guimarães Rosa é inundada de
poesia. O fim último consiste em tentar resolver problemas de ordem existencial. Dessa forma, percebe-se
uma narrativa rarefeita, que rompe com a forma narrativa tradicional, incorporando elementos estéticos de
outras formas literárias, especialmente da poesia, que conferem a ela um caráter precursor da ficção
brasileira, moderna e contemporânea.


          SAPATO DE SALTO: PERSPECTIVIDADE DO TEXTO EM LYGIA BOJUNGA
                                                 Alice Áurea Penteado MARTHA (UEM)

Nesta comunicação recortamos resultados de projeto mais amplo, que levanta, a partir de corpus
representativo da Literatura Infantil e Juvenil, em momentos histórico-estéticos diversos, o modo como os
autores enfocaram questões fundamentais e polêmicas para o ser humano, como medo, morte, sexualidade,
abandono, prostituição infantil, entre tantas outras. Sob tal enfoque, esta comunicação recorta resultados de
projeto mais amplo, que pretende observar, a partir de um corpus de obras representativas da Literatura
Infantil e Juvenil, em momentos histórico-estéticos diversos dessa produção, o modo como os autores
enfocaram questões fundamentais e polêmicas para o ser humano, especialmente, a presença do medo, a
morte e o sexo, temas considerados, muitas vezes, inadequados para leitores crianças e jovens, por pais e
educadores.No caso específico de Lygia Bojunga, a abordagem de temas controvertidos não se mostra
exatamente como novidade, já que podem ser observados, pontualmente, em seus textos, desde a solidão de
Raquel, em Bolsa amarela (1976), cujas vontades não encontram eco no seio da família tradicional, passando
por Corda bamba (1979), que trata das relações familiares tensas e do duro aprendizado de Maria, que
assistiu à morte dos pais no circo, bem como pelo suicídio, em Meu amigo pintor (1987, para ficarmos
apenas em algumas citações. Mas, talvez em nenhum outro texto, como em Sapato de salto (2006), tantos
conflitos sejam abordados em uma única narrativa, em discurso marcado, ao mesmo tempo, por veemência e
coragem, sensibilidade e cuidado estético. Desse modo, a partir das considerações de Iser sobre
perspectividade (ISER, 1999), pretendemos observar como as principais perspectivas no texto de Bojunga
são perspectivizadas, caso do narrador que se divide em múltiplas visões e das personagens que também se
fragmentam em protagonistas e secundárias.



 AS CORRESPONDÊNCIAS DO TEXTO LITERÁRIO COM A IMAGEM: A METAMORFOSE DA
                                PALAVRA.
                                                Amanda RODRIGUEIRO (PG- UEM)

Vários estudos têm polemizado o paralelismo e a analogia entre a literatura e a pintura, particularmente, entre
poesia e pintura. Essa comparação tem desencadeado vivas polêmicas estéticas e filosóficas, no entanto,
justificado por práticas milenares, procedentes do próprio ato de escrever, que pode ser interpretado como o
ato de marcar, de gravar ou rasurar. A escrita sempre pressupôs uma imagem, mesmo anteriormente à sua
fonetização, como por exemplo, nos primitivos desenhos das cavernas, que ainda não obedeciam a nenhum
código de representação gráfica. A escrita impressa ou manuscrita nunca deixou de corresponder a um gesto
plástico, capaz de promover a atração do visual. Sob essa perspectiva de leitura a poesia de Eugênio de
Andrade, poeta português contemporâneo, permite ao leitor estabelecer esse debate, a partir de uma
linguagem permeada de imagens aliada a recursos poéticos que evocam imagens e possibilita o diálogo com
telas. Nesse sentido, pretende-se discutir a correlação presente na leitura do poema Metamorfoses da casa


                                                      70
(1964), do poeta Eugênio de Andrade, e da tela ―Trees and Barns: Bermuda‖ (1917) do pintor Charles
Demuth.


      A FUSÃO DE ESPAÇOS OPRESSORES EM ESTRELA POLAR: O QUARTO ESCURO,
                             PENALVA E A PRISÃO
                                        Ana Cristina Fernandes Pereira WOLFF (PG-UEM)

Entre os romances de Vergílio Ferreira, ficcionista português, destacam-se aqueles que, segundo a crítica,
compõem a trilogia do ciclo existencial: Aparição (1959), Estrela Polar (1962) e Alegria Breve (1965). Em
tal trilogia, há uma profunda reflexão sobre a condição humana e vislumbram-se, respectivamente, os
postulados heideggerianos: o ser-aí, o ser-com e o ser-para-a-morte. Resultado da pesquisa de mestrado que
teve como objeto de estudo esses três romances, este trabalho limita-se à leitura de Estrela Polar. Nessa
narrativa, a solidão de Adalberto, o narrador homodiegético, intensifica-se à medida que cresce seu desejo de
comunicação total com o outro. Conseqüentemente, ele chega à loucura e instaura-se um universo ficcional
ambíguo e brumoso, no qual a complexidade espacial revela-se altamente simbólica em relação às
personagens – em especial, Adalberto. Tendo como referencial metodológico a Teoria do Efeito Estético de
Iser, esta comunicação procura observar os efeitos que o leitor experimenta ao adentrar o espaço nebuloso de
Penalva, cidade em que vive Adalberto, um espaço cada vez mais enegrecido e cercado de augúrio, ao seu
olhar. Esse espaço, por sua vez, funde-se ao quarto escuro da infância e à cela da prisão de onde escreve sua
história: ambos simbolizam o emparedamento do eu-narrador e o fracasso de sua comunicabilidade.

        O PRAZER DO TEXTO EM APARIÇÃO, NARRATIVA DE VERGÍLIO FERREIRA
                                        Ana Cristina Fernandes Pereira WOLFF (PG-UEM)

Em O Prazer do Texto (1973), Barthes discute a leitura a partir de duas perspectivas: texto de prazer e texto
de fruição. Valendo-se de uma escrita em que as palavras encenam um jogo sensual com o leitor, ele alia a
teoria à prática, em um texto formado por fragmentos sem conexões aparentes. Segundo o crítico, o leitor é
um contra-herói no momento em que se entrega ao prazer da e na leitura. Contra-herói porque está aberto a
diferentes linguagens, significados e até contradições, sem temer ilogismos. Tendo em vista tais postulados
barthesianos, a proposta deste trabalho é apresentar uma leitura de Aparição (1959), romance do escritor
português Vergílio Ferreira, com vistas a observar de que maneira prazer e fruição se intercambiam nesse
texto, provocando efeitos diversos no leitor. Em linhas gerais, é possível afirmar que, na narrativa vergiliana,
enquanto o prazer se liga à beleza da linguagem e das imagens evocadas textualmente, a fruição, ainda que
também advinda dessa beleza, deve-se principalmente às rupturas que ocorrem no texto. A própria linguagem
é colocada em questão, pois é insuficiente para a expressão plena do eu-narrador, o que instaura uma fenda
por meio da qual se faz a leitura de um problema filosófico: uma aguda reflexão sobre a existência humana.

              VINTE ANOS DE “O TEXTO SEDUTOR NA LITERATURA INFANTIL”
                                     Ana Maria Esteves BORTOLANZA (PG-UNESP/Marília-SP)

Este artigo faz uma leitura crítica do livro de Edmir Perrotti, O texto sedutor na literatura infantil. Para essa
leitura crítica, abordo vários aspectos constituintes das relações intertextuais, extratextuais e intratextuais: o
autor, o leitor previsto, o lugar social de onde discurso o autor, as condições sócio-históricas, políticas e
culturais em que os textos foram produzidos, suas necessidades e proposições, os elementos gráfico-formais,
suas escolhas temático-conteudísticas, sua circulação, divulgação e utilização. O referencial teórico utilizado
baseou-se principalmente em Mortatti e Perrotti.


                       CYRO DOS ANJOS: UM ESPÍRITO DE RENOVAÇÃO LATENTE
                                        Ana Paula F. Nobile BRANDILEONE (UNESP/UNIFADRA)

Publicado em 1937, O amanuense Belmiro, de Cyro dos Anjos, foi recebido com grande interesse pela
crítica. Numa quadra de fortes reformulações do código estético, o romance chamou atenção por sua
linguagem correta e elegante, apontando mais para a tradição que para a novidade literária. Além disso, a
temática de cunho psicológico foi também considerada uma novidade em relação ao romance regionalista de
30, já então consolidado como uma das grandes vertentes da literatura nacional. A força do estilo aliada à
sondagem psicológica convidou a uma aproximação com Machado de Assis, vertente mais vigorosa da
recepção crítica do romance. Em meio às estrepolias artísticas dos novos tempos ganhava, então, vulto um
autor vinculado aos modelos da tradição. Entretanto, por debaixo desta ―máscara‖ de narrativa tradicional, o
romance de estréia de Cyro dos Anjos oculta uma literatura em moldes modernos, instituída não só pela
forma diário do livro, como também pela combinatória de formas e gêneros literários. São os passos deste
espírito renovador de O amanuense Belmiro o que se propõe a apresentar.

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                              A MEDIAÇÃO NA FORMAÇÃO DO LEITOR
                                                     Ana Paula Peres RAIMUNDO (PG-UEM)

A leitura possui papel importante no desenvolvimento do ser humano, tendo importância em todos os setores
da sociedade, começando na família. Essa reflexão aponta para a necessidade da valorização dessa prática.
Ao acreditar que o aperfeiçoamento das habilidades de leitura tem como conseqüência um cidadão mais
consciente, este artigo pretende apresentar uma análise sobre a formação do leitor crítico, através do estudo
de fatores ligados a esta formação, como os fatores políticos, sociais e culturais. Entretanto a leitura é, muitas
vezes, erroneamente tratada pela escola como pretexto para atividades que visam apenas à reprodução de
informações, o que acaba por não formar leitores competentes, apenas decodificadores da escrita. Por isso a
família, os educadores e os bibliotecários devem buscar melhorar essa realidade tratando a leitura como
veículo de aperfeiçoamento da sociedade. Com a escola assumindo uma conduta de mediadora na formação
de bons leitores, através de novas metodologias capazes de realmente incentivar os alunos a lerem e
compreenderem, valorizando a construção de idéias próprias.


      TEMAS E IMAGENS POLÊMICAS NOS CONTOS DE HANS CHRISTIAN ANDERSEN
                                            Ana Paula Sversuti GONGORA (PG- UEM)

Hans Christian Andersen é hoje consagrado como o verdadeiro criador da literatura infantil e um dos mais
famosos escritores para crianças em todo o mundo. Poucos autores demonstraram tanta ternura pelo mundo
infantil, mas também raros tornaram a violência tão presente nesse mesmo mundo como ele. Dessa forma,
esta comunicação, inserida no projeto de pesquisa ―O medo, o sexo e a morte: temas e imagens polêmicas na
literatura para crianças e jovens‖, tem como objetivo observar questões controversas nos contos de Andersen
e o reflexo de tais temas em seu leitor. Para tanto, serão analisados os contos ―O Patinho Feio‖, ―Os Sapatos
Vermelhos‖, ―A Menina dos Fósforos‖ e ―A Pequena Sereia‖. Com a leitura e análise das narrativas,
pretende-se verificar como o autor abordou temas como a morte, o medo e a violência, bem como a
construção e a atuação da personagem infantil frente a essas questões, considerando a preocupação do
escritor em criar um universo literário para crianças. Por meio da pesquisa, é possível perceber que Andersen
alia a ternura ao realismo, e não deixa de tratar de temas como a violência, os ritos de passagem, o medo, a
dor, a morte, mostrando ao leitor que estes fazem parte da vida.


  O PERFIL FEMININO NA CANTIGA DE AMOR E NA MEDIDA VELHA CAMONIANA: UMA
                      LEITURA DAS INTERTEXTUALIDADES
                                               André Luiz DANZMANN (PG – UEM)

Os estudos sobre a figura feminina e sua representação na literatura estão crecendo e ganhando espaço na
crítica literária. Contudo, muitos desses estudos referem-se a obras mais recentes. Esta comunicação propõe-
se a complementar estes estudos, abordando o gênero lírico-trovadoresco (a cantiga de amor) e sua
continuidade na lírica do século XVI, especificamente na medida velha camoniana. As cantigas de amor
revelam a submissão e o amor do trovador para com sua amada, sua ―senhor‖. Ainda que sublimada, há nos
textos, uma representação e uma caracterização da mulher medieval, como modelo de beleza e virtude. A
leitura procurará demonstrar que D. Dinis, conhecido por Rei-Trovador, influenciou, assim como o grupo de
trovadores portugueses que viveram na Idade Média Central e na Baixa Idade Média, grande parte dos poetas
da Literatura Portuguesa, posteriores a esse período devido ao seu pioneirismo e sua dedicação às artes.
Camões, artista renascentista, soube aproveitar essa influência em muitas de suas obras. Entretanto, foi além,
dando novas implicações técnicas e temáticas às redondilhas, adaptando-as ao ambiente de seu mundo, o
novo mundo renascentista. Posiciona-se como homem do povo, que jamais deixou de ser, ultrapassando as
limitações formais próprias das redondilhas, preenchendo-as com a sua cultura, paixão e sofrimento, mesmo
porque a tradição lhe autorizava fazê-lo. A proposta desta comunicação é estabelecer uma leitura das
intertextualidades existentes entre a cantiga de D. Dinis Perguntar-vos quero por Deus e a cantiga ―Nos seus
olhos belos‖, de Camões.


                  QUADRILHA: UMA ANÁLISE DA RELAÇÃO POESIA E MÚSICA
                                                    Andréia Anhezini da SILVA (PG-USP)

O ano de 2007 marca os oitenta anos de nascimento do compositor Osvaldo Lacerda e ainda os vinte anos de
Morte do poeta Carlos Drummond de Andrade. O presente estudo intenta uma homenagem ao compositor e


                                                       72
ao poeta, realizando uma investigação analítica do sistema expressivo da obra Quadrilha para Coro do
compositor Osvaldo Lacerda com texto de Carlos Drummond de Andrade, salientando as relações que a
música estabelece com a arte poética e investigando as técnicas composicionais adotadas pelo compositor de
acordo com a extração musical que este faz do poema para construção do seu discurso poético musical.


  DEU A LOUCA NA CHAPEUZINHO VERMELHO: UM ESTUDO DA RECEPÇÃO DA OBRA
                   POR ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL
                                              Andréia Cristina CRUZ (PG – UEM)

A Estética da Recepção provocou um deslocamento na maneira de pensar o texto literário, propondo uma
análise na qual fosse inserida a presença também do leitor. Apresenta duas orientações: de um lado, Hans
Robert Jauss com o método histórico-sociológico e, de outro, Wolfgang Iser com a teoria do efeito estético.
Ambas se complementam e não se concentram, exclusivamente, na significação e na mensagem do texto
literário, mas, principalmente, em sua recepção e nos efeitos produzidos pela leitura. Este trabalho é um
estudo da recepção da releitura do conto Chapeuzinho Vermelho, utilizando como recurso a versão
cinematográfica: Deu a louca na Chapeuzinho Vermelho, por alunos do ensino fundamental. Tem como
principal objetivo observar a reação dos receptores no que tange aos horizontes de expectativas dos mesmos,
uma vez que a narrativa da versão cinematográfica difere-se completamente da narrativa clássica, além disso,
é dado às personagens características do mundo ―moderno‖ como, por exemplo, a vovozinha praticar
esportes radicais, nos seus momentos de lazer.


                           A MODERNIDADE EM VINÍCIUS DE MORAES
                                                             Andréia Franciele PEREIRA

Alguns dos elementos da modernidade citados por Antoine Compagnon e Walter Benjamin foram estudados
e revistos nos poemas de Vinícius de Moraes, a fim de verificar se os mesmo poderiam ser denominados
como pertencentes à modernidade ou não. As características modernas vistas estão relacionadas com a
estrutura do texto poético. Os temas modernos também foram traçados para relacionar à temática de Vinícius
de Moraes, dentre os quais foi possível se encontrar a multidão e o herói moderno, o qual é simbolizado pelo
trabalhador assalariado em ―O operário em construção‖. Também foi constatada a presença de temas
relacionados ao presente do poeta. Estes são considerados modernos, modernos quanto à contemporaneidade
do escritor. Cita-se então no poema ―Mário‖ a temática do carnaval, além da multidão e seus conflitos nos
poemas ―A mulher que passa‖ e ―Os inconsoláveis‖. Também se verificou a importância da mídia e do
mercado sobre a propagação da arte. Em relação a Vinícius de Moraes, entende-se esse papel de divulgação
proporcionado pela mídia, principalmente, quanto às suas criações musicais, por serem mais populares e,
conseqüentemente, divulgando também seu trabalho literário. Assim, após verificados os dados e sua
correspondência com as obras selecionadas, pode-se assim, afirmar que estas obras de Vinícius de Morares
encaixam-se na estética da modernidade.


                ANÁLISE POÉTICO-MUSICAL DA OBRA SAMBA EM PRELÚDIO
                                                          Andréia Franciele PEREIRA

O objetivo deste trabalho é realizar uma análise poético-musical na obra ―Samba em Prelúdio‖ de Vinícius de
Moraes, entendendo-se que uma análise que consista a junção de elementos poéticos, musicais e textuais
pode proporcionar uma melhor compreensão da obra. Assim, tornando-se possível uma interpretação mais
justa e concreta, pois esta resultará da constatação da união de elementos poéticos e musicais juntamente com
as informações trazidas pelo texto. Assim, de posse da análise, foi possível chegar à uma interpretação única
do texto, na qual os elementos estruturais corroboraram e reforçaram a idéia em que o eu-lírico do texto
manifesta suas emoções e pensamentos e estes são anunciados tanto pela melodia, harmonia e ritmo da
música, quanto pela harmonia, melodia, ritmo e rima do poema, juntamente com as próprias palavras do
textos, os quais, evocam, como um conjunto em uníssono, ora de maneira regular ora irregular, a volta do ser
amado. Logo, é possível afirmar que as estruturas de uma obra também podem ser relevadas em análises de
obras artísticas como ―Samba em Prelúdio‖, canção que possui uma letra poética, tendo em vista que elas
podem reforçar a idéia contida no texto da obra.


   UM APORTE PARA A COMPREENSÃO DO PROCESSO CRIATIVO DE VIVINA DE ASSIS
                                 VIANA
                                         Andréia Nogueira HERNANDES (PG - UEL)

                                                     73
Há dois anos realizo uma pesquisa com Vivina de Assis Viana (1940), escritora contemporânea de literatura
infanto-juvenil, com o objetivo de reunir sistematicamente dados biográficos e bibliográficos vinculados à
autora. Após um primeiro contato com Viana, por meio de e-mails e cartas, foi feita uma entrevista com a
escritora, que muito colaborou para o desenvolvimento do projeto. Por meio dessa correspondência, que já
remonta dois anos, e da entrevista realizada há um ano e meio, Viana nos forneceu dados que são de caráter
inovador, disponibilizando informações de diferente natureza: a) ligadas ao contexto da produção; b)
relativas a experiências de vida que a inspiraram a escrever algumas de suas obras, como O rei dos Cacos ou
O mundo é pra ser voado; c) depoimentos sobre a ancoragem de algumas personagens na realidade imediata,
como no caso de Mariana, sua filha, em O jogo do Pensamento, ou Cuca, o ex-aluno apaixonado, em Suando
Frio; d) dados sobre a correspondência verdadeira entre os autores de Ana e Pedro: cartas; e) relatos sobre a
receptividade de sua produção literária, estas, entre outras informações. A análise desse conjunto de aspectos
visa a contribuir para o enriquecimento da pesquisa e o entendimento do projeto literário de Vivina de Assis
Viana.


                  UM BATE-BOLA ENTRE FUTEBOL E ESTUDOS LITERÁRIOS
                                          Andrêya Garcia da Paixão MORGADO (PG – UEL)

O futebol é um esporte que permeia a cultura brasileira desde o final do século XIX, sendo uma das
manifestações culturais mais populares no mundo, que passou a fazer parte do cotidiano do brasileiro
especialmente e, em conseqüência, de suas experiências culturais. Também foi fundamental no processo de
construção da identidade nacional durante o século XX. Como elemento identitário, da cultura popular e,
mais recentemente, da cultura de massa, o futebol como assunto de pesquisas acadêmicas sofreu, durante
muito tempo, certo preconceito e indiferença da intelectualidade brasileira, tendo sido tornado de forma
significativa como objeto de estudo nas áreas de Ciências Sociais, Comunicação e Literatura somente nas
duas últimas décadas. Como parte da pesquisa que estamos empreendendo no Mestrado em relação às
crônicas que tratam de futebol, fizemos um levantamento visando a verificar quem se ocupou da pesquisa da
representação do futebol na literatura, com vistas a ampliar a investigação, dentro dos Estudos Literários e
Culturais acerca da arte que trata dessa manifestação cultural e desta em si. Não encontramos, nas
compilações de história literária brasileira, nenhuma citação a obras ou autores que tematizaram o esporte.
Essa atenção foi encontrada em trabalhos acadêmicos cuja maioria está relacionada basicamente à análise
literária e em outros tipos de publicação, não ligados ao meio acadêmico, mas fruto de pesquisa sobre o
referido assunto, as quais são apresentadas e comentadas neste trabalho.


      UMA LEITURA INTERTEXTUAL ENTRE SONNETS POUR HÉLÈNE E NUIT DE MAI
                                                         Angela da SILVA (UEM/G)
                                                   Devalcir LEONARDO (UEM/PG)
                                                Adalberto de Oliveira SOUZA (UEM)

A presente comunicação tem como finalidade elucidar as características do Classicismo e do Romantismo,
por meio dos conceitos apresentados por Anatol Rosenfeld e J. Guinsburg. Para os teóricos, o Romantismo
surge como oposição às idéias racionalista do Classicismo. Constituindo-se como um paradigma para o
pensamento filosófico, em diversas ciências, em especial nas manifestações artísticas. Sendo assim, buscar-
se-á apresentar estas características destacando dois poemas, um clássico Sonnets pour Hélène, do escritor
Pierre de Ronsard e o poema romântico Nuit de Mai do escritor Alfred de Musset. A partir dos conceitos de
Classicismo e Romantismo buscaremos estabelecer uma possível intertextualidade entre os poemas.


       O DISCURSO: UMA PRÁTICA PROLIFERADORA DE SENTIDOS PRESENTE NAS
                   FRAGMENTAÇÕES, TRADUÇÕES E ADAPTAÇÕES
                                                 Beatriz Pinheiro ARRAES (PG-UEM)

O presente trabalho contempla a fundamentação teórica acerca do discurso como uma prática proliferadora
de sentidos acerca das fragmentações, traduções e adaptações. Para tanto, será discutida a questão da verdade
que, a cada época, exerce um poder sobre os outros discursos e o modo como tais discursos recaem sobre o
sistema de ensino. Levando em conta que a base do pensamento simbólico repousa sobre o excesso de
significação do discurso e, portanto, da produção de verdades ao longo dos séculos, refletir sobre a prática
discursiva torna-se relevante, já que os movimentos de leitura e releitura dos textos canônicos são uma forma
de articulação de linguagem que dependem de um acréscimo de significante. Daí a necessidade de uma
análise acerca da tradução, uma vez que, por meio dela, o discurso se atualiza, pois permite a reprodução de

                                                     74
uma realidade-texto. Dessa forma, o ato da leitura é uma possibilidade de um momento inaugural, pois é nele
que surgem novas respostas candidatas à coerência e aceitas como verídicas. No momento que o discurso
está sujeito a novas leituras e, portanto, a novos questionamentos acerca de sua permanência, novos sentidos
são gerados e proliferados como meio de capital lingüístico cultural. Assim, neste trabalho analisam-se os
conceitos de discurso discutidos pelos teóricos Michel Foucault (1991), Jaques Derrida (2002) e João
Alexandre Barbosa (1996).


  UMA LEITURA DO CONTO O CÁGADO, DE ALMADA NEGREIROS SOB A PERSPECTIVA
                              FORMALISTA
                                                      Célia SOARES (UEM-PG)

José Sobral de Almada-Negreiros (1912-1970), modernista polêmico, divulgou em Portugal as vanguardas
culturais. Considerado antiacadêmico e anticonvencional, sua obra literária documenta um convívio íntimo
com os vários ―ismos‖ em voga no seu tempo e um grande senso de novidade. Ao longo de sua vida,
dispersou seu talento pela poesia, a pintura, o desenho, o romance, o teatro e à crítica de arte, ―num afã de
totalidade e diversificação que não oculta o sopro genial que lhes informa a visão de mundo‖ (MOISÉS,
1977, p.310). O Formalismo Russo caracterizou-se pela inovadora proposta metodológica que limitou o seu
objeto de estudo e investigação à materialidade do texto literário, pautando os seus estudos ao lado da
Lingüística e das demais Ciências Humanas. A proposta desta comunicação é apresentar uma leitura do conto
O Cágado, de Almada-Negreiros, sob a perspectiva do ensaio ―Temática‖, escrito em 1925, por
Tomachevski, que retoma as noções de fábula, trama, motivo e motivação, para investigar a relação entre a
escolha do tema e a sua permanência. A leitura do conto em questão estará apoiada nos dois eixos: a escolha
do tema e a sua elaboração.


      ENTRE ROMANCE DE MOCINHA E ROMANCE DE MOCINHO: O LEITOR EM ZERO,
                                 DE IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
                                                      Cleiry de Oliveira CARVALHO (PG/UEM-CAPES/DS)
                                                                                                            )
Para tratar do leitor de romance de mocinha e romance de mocinho, pretendo refletir sobre os caminhos
adotados por Ignácio de Loyola Brandão na construção do romance Zero. Por essa razão, focalizo o romance
Zero (1974), no que tange às assimilações dos protagonistas do romance: José Gonçalves (leitor de romances
policiais e apreciador de filmes faroestes) e Rosa Maria Lopes (leitora de M. Delly). A reflexão ocorre para
verificar se os leitores (José e Rosa) de romances de mocinha e mocinho introjetam e projetam, nas suas
identidades, através do imaginário, as leituras por eles efetuadas. Em Zero, a produção cultural é assimilada
na construção da narrativa — propagandas, manchetes, cinema, consumo, anúncios, desenhos, revistas,
almanaques — e na construção dos heróis — leitores de romances policiais (romance de mocinho) e
dellianos (romance de mocinha). A inovação e a experimentação estética presentes no romance de Loyola
Brandão denunciam a necessidade frenética de produção e consumo. Nesta leitura de Zero, afirmo que o jogo
e a interferência de outros meios de linguagem demonstram o controle intelectual da liberdade de produção
estética e, ironicamente, o uso da produção massificada (M. Delly, Far West) demonstra a angústia do
capitalismo.


                   O CARPE DIEM HORACIANO NA POESIA DE ADÉLIA PRADO
                                                           Cristian PAGOTO (PG -UEM)

A modernidade trouxe uma série de termos que ganharam o sabor da moda: novo, originalidade, criatividade,
ruptura. Desde o Romantismo, e cada vez se intensificando mais, a tradição literária parece estar confinada
ao museu; o passado, representado pelos clássicos, tornou-se objeto de esquecimento. Buscamos, nesta
comunicação, demonstrar que os textos literários modernos, muitas vezes a sua revelia, retomam temas ou
lugares-comuns da literatura clássica, os topoi. Nesse sentido, o carpe diem horaciano, consagrado no poema
ad Leuconoen, é resgatado pela escritora mineira Adélia Prado, em seu poema O encontro.


                    O PRESTÍGIO DO NOVO NA MODERNIDADE LITERÁRIA
                                                          Cristian PAGOTO (PG-UEM)
                                                              Eliana RAMOS (G-UEM)

Antoine Compagnon focaliza, em seu livro, Os cinco paradoxos da modernidade: a superstição do novo, a
religião do futuro, a mania teórica, o apelo à cultura de massa e a paixão da negação.Em todas as épocas
históricas existiu a oposição entre os antigos e os modernos. A busca pela definição desses termos não pode

                                                    75
ser qualificada como pura e simples; visto que ―moderno‖ pode estar relacionado a ontem e hoje. Segundo
Hans Robert Jauss, ―modernus‖ aparece, em latim vulgar, no fim do século V, oriundo de modo, ―agora
mesmo, recentemente, agora‖. ―Modernus‖ designa não o que é novo, mas o que é presente, atual,
contemporâneo daquele que fala. Com o surgimento dos termos classicismo e romantismo, no século XVIII,
a corrente dos modernos foi ganhando cada vez mais força, fazendo com que as realizações da antiguidade já
não fossem mais consideradas insuperáveis, nem superiores; sendo assim, o moderno foi conquistando maior
espaço. Compagnon focaliza dois artistas que, para Baudelaire, representam a modernidade: Delacroix e
Constantin Guys, os quais representam muito bem a ambivalência da modernidade baudelairiana. Alguns
traços dessa modernidade que podem ser destacados são: o não-acabado, o fragmentário, a insignificância ou
perda de sentido e a autonomia.

                   A MODERNIDADE NAS CARTAS DE MADAME DE SÉVIGNÉ
                                                   Danielle Cristina PEREIRA (G-UEM)
                                                   Adalberto de Oliveira SOUZA (UEM)

No século XVII, destacaram-se três tipos de fazer literários, as máximas (um entretenimento de salão), a
memórias (crônicas sociais) e as cartas que agiam como uma espécie de gazeta, no entanto como eram de
acesso de todos, não se permitiam confidências ou qualquer tipo de crítica ao rei ou aos aristocratas da época.
Como o jornal começa a aparecer timidamente, após 1672 apenas, as cartas desenvolviam um papel
importantíssimo na época, pois era através delas que se faziam possíveis as reportagens sobre a sociedade, as
meditações e exortações religiosas, as informações cientificas, eruditas e filosóficas. Essas cartas não eram
escritas apenas ao destinatário, mas sim a todo o círculo de pessoas a quem o expeditor pudesse imaginar, daí
não se permitir qualquer tipo de demonstração de intimidade ou confidência. Após a publicação das cartas de
Voiture (1649), várias mulheres aventuraram-se a escrever, mas nenhuma delas teve tanto destaque quanto
Madame de Sévigné. Marie de Rabutin-Chantal, nasceu em Paris, ficou órfã muito cedo e foi educada por
seu tio Christophe de Coulanges, que lhe deu uma educação não muito comum às moças da época, ela
aprendeu italiano, espanhol e latim. Casou-se em 1644, com o marquês de Sévigné que a apresentou aos
salões famosos e freqüentados apenas pela a alta sociedade. Viúva, sete anos depois, dedica-se
exclusivamente a seus dois filhos, sobretudo à sua filha Marguerite, que, em 1669, se casa com o conde
Gringnam e muda-se para a Provença, em 1671. Madame Sévigné já possuía fama de missivista, no entanto é
depois que sua filha se afasta de Paris que ela começa a escrever mais assiduamente, uma carta por semana
até mesmo duas, quando o serviço de entrega funcionava de acordo.


   O SHOPPING CENTER E A PÓS-MODERNIDADE EM A CAVERNA DE JOSÉ SARAMAGO
                                                  Devalcir LEONARDO (PG-UEM)

O presente artigo desenvolve uma leitura com base nas teorias dos críticos Marshall Berman e David Lyon,
destacando o conceito de modernidade e pós-modernidade presente no romance A Caverna (2000) do escritor
português José Saramago. Feito a análise das teorias, será aplicado os conceitos, dando ênfase aos
pressupostos da pós-modernidade, pois estaremos selecionando apenas a figura do shopping center presente
na obra.


                        DE JACINTA GARCIA ÀS PÁGINAS DE INOCÊNCIA
                                                          Edna FONTANA (G - FECILCAM)
                                                  Wilson Rodrigues de MOURA (FECILCAM)

Este estudo, que é parte do Projeto de Iniciação Científica da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de
Campo Mourão/FECILCAM, iniciado no ano de 2005, objetiva mostrar e relatar como Visconde de Taunay
criou a narrativa Inocência (1872), mais espeficamente a protagonista do romance que dá título a obra, e que
foi inspirada em Jacinta Garcia, uma jovem por quem se apaixonou durante seu trabalho como
expedicionário no sul mato-grossense. No romance há uma mistura do real e do ficcional que se constata na
criação dos demais personagens e na ambientação de Santana do Paranaíba, local onde Taunay esteve durante
seu trabalho e palco do romance. Ao elaborar essa mistura, o autor lança mão de sua memória fazendo a
transposição para a ficção como nos demais casos de José Roberto, Homúnculo e Manoel Garcia, que são
pessoas que conviveram com o autor e foram recriadas para o mundo da ficção nas personagens: Cirino, Tico
e Pereira. Para Alfredo Bosi, poucos autores conseguiram ser tão originais na criação de suas histórias
levando a sua vivência, seus amores e descobertas para a ficção. Visconde de Taunay o fez, conheceu Jacinta
Garcia e todo o amor que sentiu pela jovem transformou em páginas da narrativa Inocência. Segundo
Antonio Candido a história vivida por Taunay foi imprescindível para a composição da obra tendo em vista


                                                     76
que o resultado é uma bela mistura entre ficção e realidade, que raramente foram alcançados na literatura
brasileira até então.

                A FICCIONALIDADE NO ROMANCE HISTÓRICO MACHADIANO
                                                    Edson Ribeiro da SILVA (PG-UEL)

Kate Hämburger, em A Lógica da Criação Literária, define como ficção a narrativa caracterizada por ser
uma falsa enunciação. Nesse sentido, a narrativa em primeira pessoa, por ser, segundo ela, uma enunciação
verdadeira, não poderia ser considerada como ficção. O presente estudo faz uma reflexão acerca do que
constitui a ficcionalidade em Esaú e Jacó, romance histórico de Machado de Assis, partindo da origem desse
gênero, conforme estabelecida por Jacyntho Lins Brandão, em A Invenção do Romance, como sendo o relato
histórico, forma de o romance, como ficção, fingir a semelhança com o real. Fingimento que está na origem
do conceito mais amplo de ficcionalidade, e que fica evidente através do foco narrativo adotado por Machado
no referido romance, no qual a historicidade do narrado é atestada pela posição do narrador como testemunha
dos fatos. Esta estratégia faz com que a primeira pessoa seja, aqui, uma intensificação do caráter fictício, não
uma negação. Ou seja, uma enunciação duplamente falsa. A intensificação do fictício é conseguida, entre
outros recursos, pela criação de um falso prólogo, que estabelece a figura do narrador como personalidade
historicamente definida e gera uma conexão com o romance posterior de Machado, Memorial de Aires, no
qual o mesmo narrador aparece, então como protagonista. A presença de fatos conhecidos da História
nacional é uma forma de a ficção gerar a verossimilhança, procedimento realizado desde a origem do gênero.


              POESIA E LIVRO DIDÁTICO: UMA RELAÇÃO E VÁRIAS QUESTÕES
                                                      Elaine Aparecida LIMA (PG – UEL)

Partindo de um corpus significativo de livros didáticos destinados a alunos do Ensino Fundamental (1ª a 8ª
séries), o estudo possui como finalidade a observação crítica da presença da poesia nestes volumes.
Analisando o tratamento legado ao texto poético, a autora confronta a história do livro didático no país, os
programas governamentais de incentivo à leitura, a formação primeira e continuada dos professores, as
pesquisas referentes à prática de leitura docente e os pressupostos teóricos sobre a língua, a literatura e a
metodologia educacional, difundidos nas últimas décadas e adotados pelas Escolas brasileiras. Até que ponto
as teorias correspondem à prática? O que é a poesia para a Escola? A concepção de poesia avistada nos
primeiros livros didáticos brasileiros continua a mesma? Quais os autores de poesia mais presentes nos livros
didáticos? Em que medida o Guia do Livro Didático considera as concepções de poesia e de literatura em
suas avaliações? Qual o papel do professor no contado discente com a poesia? Como a presença do professor,
entre o aluno e a poesia, é considerada pelos livros didáticos? Qual o conceito de leitor que exala do trabalho
didático com a poesia? Como tal conceituação contribui para a efetiva formação do leitor?, estas são algumas
das questões a serem discutidas neste trabalho.


            FORMANDO LEITORES OU BRUXOS? A POLÊMICA EM TORNO DA SÉRIE HARRY POTTER
                                                                         Elaine Cristina AMORIN (PG-UEM)

Ao se tornar unanimidade entre milhões de leitores em todo o mundo, a série de livros Harry Potter, de J.K.
Rowling, possibilita uma análise sob o prisma de dois pólos, que são ao mesmo tempo parecidos e
contraditórios: o de auxiliar na formação de leitores e de ao mesmo tempo, introduzir seus jovens leitores a
práticas indesejadas a sua boa formação como cidadãos, como o ocultismo. O primeiro se explica justamente
na sua grande aceitação, principalmente entre o público jovem, que poderá possibilitar a sua inserção no
universo literário como caminho de despertar o interesse pela leitura, independente de este ser uma obra
canônica ou de literatura de massa. O pólo seguinte faz parte de uma corrente representada, em especial, por
instituições religiosas conservadoras que consideram o conteúdo da série como perigoso, pois estaria, de
certa forma, induzindo seus leitores a trilharem os caminhos da bruxaria e, por conseguinte, do satanismo.
Portanto, pretende-se, neste estudo, por meio de uma discussão crítica, analisar trechos selecionados dos
livros sob a perspectiva da formação do leitor, segundo Colomer (2003), Souza (2004) e Lajolo (2001) e
buscar assim, com elementos do próprio texto desconstruir a leitura ideológica da série Harry Potter,
defendida pela revista Eclésia (2001) e pelo artigo Harry Potter: Muitos mais problemas do que apenas
bruxaria, de Stoltz (2005).


   O OLHAR DO OUTRO: A METAFICÇÃO HISTORIOGRÁFICA EM THINGS FALL APART DE CHINUA ACHEBE
                                                                        Elaine Cristina AMORIN (PG – UEM)



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Por meio da denominada metaficção historiográfica, considerada um produto da pós-modernidade, tem-se a
possibilidade de valer-se da literatura como forma de desconstruir diversos acontecimentos que foram (ou
ainda são) historicamente declarados como verdadeiros. Dessa maneira, em Things Fall Apart (1958), do
nigeriano Chinua Achebe, os eventos são baseados, fundamentalmente, nas tradições culturais da tribo
nigeriana Ibo. O romance busca, assim, expor de maneira reflexiva a ação da colonização britânica no
continente africano no final do século XVII. A estrutura de metaficção historiográfica permite a sustentação
da combinação de ficção e realidade para a construção de um ―novo olhar‖ sobre a conquista européia na
África, que foi erroneamente estereotipada ao longo dos anos pela História. Assim, se as personagens não são
de fato históricas, ou ainda ―famosas‖, são baseadas em um povo que realmente existiu e que teve sua
existência violada pela invasão física, psicológica e cultural britânica. Portanto, esta discussão fundamenta-se
na análise da obra propriamente dita, considerando as premissas da metaficção historiográfica, na qual,
através da narração do ―outro‖, tem-se o relato de uma África repleta de tradições, diferente daquele enfoque
ideologicamente demarcado nos livros de História. Isto é, o autor pretende desmistificar, em sua obra, a
crença de que a África não possuía nenhuma cultura antes da chegada dos primeiros colonizadores europeus.


 UM SONHO DE PEDRA OU O GOZO DO AMOR PUERIL: UMA LEITURA DE “O PRIMEIRO
                      BEIJO”, DE CLARICE LISPECTOR
                                                  Elcio Luís ROEFERO (FATEA)

O tema da estátua como objeto de sedução é recorrente na tradição literária, o que nos faz pensar nela não
somente como matéria raspada e moldada, mas como um corpo, uma expressão, um momento, um gesto,
cristalizados em pedra ou em metal, congelados no tempo e capazes de fisgar o olhar exatamente naquele
ponto de vazio de onde espreita o desejo. O conto ―O primeiro beijo‖, de Clarice Lispector, retrata o
momento epifânico contido na história de um menino que encosta seus lábios nos lábios de uma estátua com
corpo feminino, de onde sai água como chafariz, e, neste momento, tem sua primeira ereção. A confluência
entre Teoria da Literatura e Psicanálise é capaz de denunciar a genialidade desse escrito sobre a bela
passagem da infância para a adolescência, simbolizada pela assunção do desejo. ―O primeiro beijo‖ mostra o
encontro com a imagem feminina marcando a início da maturidade sexual de um menino e denuncia, na
medida em que este considera o encontro de seu lábio de carne com o lábio de pedra como seu primeiro beijo,
a importância da imagem na sexualidade humana e do desejo dirigido a um objeto. Em suma, Clarice
Lispector ao revisitar o tema literário da estátua, concede-nos o retrato da beleza do artefato como mimese da
perfeição, da imortalidade e do desejo do sublime, o que aproxima a cena do conto clariciano do mito grego
Pigmalião e a Galatéa.


             IDENTIDADE CULTURAL DO SERTÃO EM DONA GUIDINHA DO POÇO
                                            Elisangela Aparecida da ROCHA (FECILCAM)

O romance Dona Guidinha do Poço, do cearense Manuel de Oliveira Paiva, apresenta-se na história da
literatura brasileira como marco precursor da prosa regionalista. Com características tão particulares, o livro,
escrito na ultima década do século XIX, é apontado como antecessor do romance da década de 30 do século
XX. Nas palavras do crítico Alfredo Bosi foi necessário esperar por Graciliano Ramos para se ter algo
semelhante à densidade da linguagem encontrada em Dona Guidinha. Assim como a linguagem inovadora e
densa, proposta pelo romance, a descrição da vida sertaneja e os costumes e hábitos do homem do sertão são
pontos que não podem ser esquecidos no estudo do romance, uma vez que os elementos identificadores da
cultura são imprescindíveis para conhecimento do modo como o escritor cearense (re)apresentou a história. A
presente comunicação objetiva analisar as características culturais do sertão nordestino presentes na obra,
uma que vez seria impossível recriar um drama sem que se inserisse o mundo no qual o fato se deu, o
universo sócio-histórico do sertão do Ceará em meados do século XIX, conforme José Maurício Gomes de
Almeida, à linguagem associa-se a assimilação do espaço cultural do sertanejo e assim como diversos outros
recursos, esses elementos desempenham diretamente na trama uma relação quase medular.


       CAEIRO REINVENTA SUA REALIDADE: UMA LEITURA DE “O GUARDADOR DE
                                 REBANHOS”
                                                     Elizabete MARAUS (PG-UEM)

Dentro do cenário da Literatura Mundial e, mais especificamente, dentro da Literatura Moderna iniciada no
século XX,       temos em Fernando Pessoa uma das personalidades que mais se destaca, não apenas por sua
produção poética (e também filosófica), como também pela forma a qual buscou para se expressar. Homem
do início do século XX, Fernando Pessoa vivenciou de perto todo o processo de transformação pela qual o


                                                      78
mundo estava passando naquele momento, sentiu todo o dilaceramento íntimo do homem diante de um
mundo cujos valores, definições, limites e certezas tinham caído por terra.
Diante do caos, Pessoa cria seus heterônimos, personalidades singulares, numa tentativa de
autoconhecimento. Assim cada um de seus heterônimos foi uma busca de si mesmo por vias diferentes.
Fernando Pessoa foi um investigador incansável do conhecimento, de um possível conhecimento objetivo das
coisas do universo (homem, mundo, Deus) em meio a um universo em constante transformação.
Com base no exposto, a presente comunicação, resultado de uma monografia de final de curso, tem como
objetivo expor uma leitura da obra O Guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro. Com base em suas
características veremos como ele lida com a sua realidade do início do século XX.


                       A LINGUAGEM BÍBLICA EM ADELINO MAGALHÃES
                                                            Elizabeth FIORI (PG-UEL)

A linguagem bíblica, em Adelino Magalhães (1887-1969), por um lado, é elemento de contestação da
modernidade capitalista, uma vez que se opõe ao ideário positivista que a caracteriza. Por outro, aponta para
uma abertura utópica, que vê no fim apocalíptico a única forma de redenção e punição da sociedade. A
origem dessa revolta contra o presente é a própria História: as injustiças sociais em nome do progresso.
Assim, a obra de Adelino Magalhães representa, em diversos momentos, uma crítica radical à moderna
civilização industrial (burguesa), porém essa crítica se faz tendo como referência certos valores sociais e
culturais do passado pré-capitalista. Na obra, esse passado se faz representar, sobretudo, pelo universo rural e
primitivo, constantemente contraposto aos grandes centros urbanos, quase exclusivamente, ao Rio de Janeiro,
e pelo tempo da infância. Obviamente, a negação do presente a partir do elogio do passado reflete um desejo
de projeção deste em relação ao futuro. Em muitos momentos, o autor manifesta uma orientação utópica no
sentido de uma confraternização universal. Entretanto, o pessimismo em relação a essa possibilidade o leva a
uma orientação para um futuro messiânico, de redenção e punição. Essa abordagem faz parte de um projeto
maior, que interpreta a obra de Adelino Magalhães sob a perspectiva de uma urgência de expressão literária
da inflexão da História sobre o homem e diversos dos recursos formais por ele utilizados como aliados de
uma visão romântica do mundo.


                 O TEMA DA IMITAÇÃO EM CONTOS DE RUBENS FIGUEIREDO
                                                           Elizabeth FIORI (PG – UEL)

O trabalho pretende abordar o tema da imitação em três contos do autor carioca Rubens Figueiredo: ―Um
certo tom de preto‖, de O livro dos lobos (1994); ―A ele chamarei Morzek‖ e ―Sem os outros‖, ambos do
livro As palavras secretas (1998). Nesses contos, o recorte que o autor faz da vida evidencia o conflito
gerado por relações de semelhança entre o eu e o outro. São relações de dependência, extremamente
complexas, que tocam em questões como verdade, razão, identidade e constituição do sujeito. A imitação
baseia-se em relações de semelhança que, nos três contos, estão associadas à idéia de esvaziamento do eu. Os
vínculos de dependência, nesses contos, adquirem conotação de crime, seja contra aquele que imita, seja
contra aquele que é imitado. Não sendo o eu uma ilha, mas estando imerso em complexas relações históricas
e sociais mediadas pela linguagem, essas personagens não deixam de corresponder a uma visão de sociedade,
evocando as inúmeras discussões acerca do sujeito contemporâneo, essencialmente urbano, fruto de uma
sociedade estigmatizada pela estandardização e pela massificação. Essa sociedade acaba por dificultar a
formação de sujeitos autônomos e criativos, fazendo parecer mais fácil imitar, apoderar-se de uma identidade
pronta, buscar e aceitar a semelhança e não a diferença. Esse tema, insistente em obras tão próximas no
tempo, pode relacionar-se também ao próprio fazer literário do autor, que procura fugir à tendência para os
contos curtos e curtíssimos, à preferência que se tem dado às temáticas de sexo e violência física e à
linguagem despojada, uma vez que seus contos são relativamente longos, a linguagem é intensamente
trabalhada e as situações narradas são bastante incomuns.

        INFLUÊNCIAS DA RETÓRICA CLÁSSICA NA ORATÓRIA DE ANTÔNIO VIEIRA
                                                Esdras Mendes LINHARES (PG – UEM)

Este artigo constitui-se de um estudo crítico do ―Sermão de Santo Antônio aos Peixes‖ e do ―Sermão do Bom
Ladrão‖, de autoria do Padre Antônio Vieira. O seu objetivo é lançar um olhar mais atento ao discurso
retórico e ao seu poder persuasivo, relacionando seus princípios ao estilo retórico de Vieira, para avaliar as
possíveis influências da retórica clássica sobre o estilo e a estrutura dos seus sermões e ter-se uma
reafirmação do valor do clássico consagrado cristãmente na sua oratória. Parte-se do pressuposto que o
discurso sacro, embora voltado para fins religiosos, deriva-se da retórica clássica e se estrutura de acordo
com os seus princípios, usados por Vieira para organizar sua mensagem e potencializar sua capacidade
persuasiva. Busca-se conhecer os princípios da retórica clássica, considerando o seu desenvolvimento e os

                                                      79
principais expoentes das escolas gregas e latinas, destacando Aristóteles e Cícero. Estuda-se, também, em
largos traços, o contexto em que foram escritos os sermões e as possíveis influências da retórica clássica
sobre o discurso sacro contemporâneo que, por sua vez, foram assimiladas por Vieira. Procura-se avaliar
ainda o impacto da oratória do jesuíta sobre a sociedade contemporânea. Finalmente, para exemplificar as
considerações sobre as influências do clássico em Vieira, serão examinados excertos dos sermões.


            O SER-PARA-A-MORTE EM ÓPERA DOS MORTOS, DE AUTRAN DOURADO
                                                        Evely Vânia LIBANORI (UEM)

O objetivo da comunicação é destacar os diversos índices relativos à morte que em Ópera dos mortos, de
Autran Dourado, explicitam o ser-para-a-morte tal como foi estudado por Martin Heidegger em Ser e tempo.
Neste romance, as personagens vivem em constante reverência ao tempo passado e aos ancestrais mortos, o
que limita a natureza projetiva do ser e implica a deserção da vida. Rosalina, a personagem principal, cultiva
uma consciência intensa e persistente da morte. Não há planejamento de ações que considerem o tempo que
há de vir, visto que não existe a dimensão do futuro para ela. Trata-se de um indivíduo cujo comportamento é
inverso ao do homem inscrito no mundo do tempo cronológico, pois assume a morte como possibilidade da
existência. Em vez de fugir dela, está de tal forma nela mergulhada que sua existência se assemelha a uma
trajetória que se cumpre apenas para esperar a morte. Pode-se afirmar que as personagens de Ópera dos
mortos estão mortas não somente quando estão fisicamente aniquiladas. Também quando vivem é na órbita
da morte que cumprem suas atitudes, é ao tempo indefinido do "morrer" que elas pertencem. A recusa da
personagem em romper os valores familiares faz de sua vida uma trajetória em que tudo é desolação e
carência. Uma vez que a personagem repete modelos de comportamento e se nega a fazer de si um ser
original, a morte alcança Rosalina ainda em vida. Neste sentido, a vida resume-se em ser-para-a-morte e
consiste numa tarefa extenuante que desembocará na loucura.

   LITERATURA E ENSINO: FORMAÇÃO DO PROFESSOR X FORMAÇÃO DE LEITOR DO
                                 ALUNO
                                       Fátima Aparecida de Oliveira SOZZA (PG-UEM)

O progresso de um mundo tecnologizado depende de uma boa qualidade de leitura pelo homem que o habita.
Pensamento como esse não é refutável quando se faz uma pesquisa deste modo particular. Esta pesquisa
objetivou saber que formação de literatura/leitura e leitor, tem professores formadores de alunos-leitores de
um município do Oeste do Paraná, como os mesmos têm encaminhado seus trabalhos de leitura com seus
alunos, e ainda como tem sido a prática de leitor desses professores. A pesquisa foi realizada com um grupo
de nove professores, em nove escolas das quais duas são privadas. Relata também, resultados com os alunos
desses professores em relação à compreensão de leitura. Foram avaliadas oitavas séries e segundos anos do
ensino médio, por se tratar da ―mesma idade de leitura‖ ( BANBERGUER 1977: 36-8 apaud BORDINI &
AGUIAR, 1988). Os professores foram avaliados com questionários. Os alunos receberam uma folha com
um texto literário, o mesmo para todos. Cada aluno leu silenciosamente e, após, elaborou de quatro a cinco
questões referentes ao texto. Essas perguntas foram classificadas como: pergunta onde o aluno acionou os
processos mentais, para verificar a presença ou ausência de informação no conjunto de conhecimentos.
Perguntas que fazem com que o aluno integre novos conhecimentos a esse conjunto e a pergunta linear. Terzi
(1990, p. 118) considera esse tipo de perguntas como: pergunta avaliação, didática e livresca. Os alunos
apenas registraram os questionamentos, e não respostas. O resultado foi preocupante. Zilberman (1991, p.
127), considera: ―a sala de aula tornou-se o ponto de encontro de dois leitores de formação precária, o
professor e o aluno‖.


  “A ÚLTIMA VIAGEM DE BORGES”: UMA LEITURA DA OBRA DE IGNÁCIO DE LOYOLA
                                 BRANDÃO
                                       Fernanda Aparecida RIBEIRO (PG-UNESP/Assis)

A última viagem de Borges, uma obra teatral de Ignácio de Loyola Brandão, se refere a uma jornada final – a
morte, provavelmente – de um dos maiores escritores hispano-americanos do século XX, Jorge Luis Borges,
que influenciou a literatura universal com seus textos ―zombeteiros‖. E, assim, o título anuncia o enredo da
obra em termos gerais, adiantando ao leitor o final da peça, sem que isso prejudique a atenção do mesmo, que
estará atento em como a personagem realizará essa viagem. O autor escolheu como protagonista de sua peça
uma importante figura histórica da literatura argentina, que foi e é lido em muitíssimos países, reconhecido
pela crítica, pelos escritores e pelo público leitor. Diferentemente de outras peças teatrais, A última viagem de
Borges possui duas versões, a segunda traz inclusive outros finais possíveis para o encerramento da peça;
mesmo assim, este trabalho que aqui se apresenta se voltará à primeira versão apresentada no livro e se

                                                      80
destacará da segunda versão as diferenças que se acredite serem relevantes. Uma prática comum a muitos
críticos que se voltam à análise de um texto teatral é referir-se à representação da obra como um elemento
integrante e esclarecedor. Se a maioria dos textos teatrais tem como um dos objetivos a encenação, não é
função primordial de o crítico literário analisá-la. Há de ter consciência que o mais importante para a crítica
literária é o texto escrito em si (sem desmerecer aqui a representação em palco). Por isso, este trabalho
focaliza apenas o texto escrito.


             A TERCEIRA MARGEM DO RIO: O EXÍLIO TINGE A PROSA DE POESIA
                                                          Fernanda de ANDRADE (G-UEM)
                                                 Luzia Aparecida Berloffa TOFALINI (UEM)

Como colher do peito humano a dor e a espera de um filho ao presenciar e viver a enigmática partida de seu
pai? Para tanto, um autor demiurgo, como Guimarães Rosa, para quem ―o sertão é o mundo‖, convida o leitor
a adentrar a universal vereda da relação entre pai e filho, através da consciência do exílio, que resulta numa
prosa-lírica, em A terceira margem do rio. A incômoda escolha desse pai de navegar e permanecer exilado
no rio, dentro de sua pequena canoa, instaura uma terceira margem abstrata, um espaço metafísico, na qual o
filho sempre esperará encontrar o pai. Com efeito, é a voz desse filho que, da profundidade do seu ―eu‖ narra
o compartilhar do manancial de esperanças e marcas que essa experiência lhe trouxe: ―- Pai me leva junto
nessa sua canoa?‖. Eis, segundo Freud, a identificação com o pai como a primeira e mais importante na
história de um indivíduo. Há, pois, um elo incorruptível entre a tríade pai-filho-rio que se opera como um
processo de transcendentalização e educação espiritual. Destarte, as águas do rio são tão profundas e
correntes quanto a alma humana, um simulacro do ritmo da existência ecoando através da assonância das
sibilantes /s/, que atravessam a narrativa. Trata-se de um discurso que toca o limiar entre a prosa e a poesia
lírica, em que o autor faz uso de uma linguagem imagética, sensorial e musical capaz, e somente ela, de
traduzir as mais profundas indagações e sentimentos de um ―eu‖ jogado na existência, entregue à sua própria
sorte. Ademais, está apta a sugerir a miríade de incertezas do homem frente à região mais abissal e misteriosa
do espírito: a metafísica. É, por fim, uma ótica de mundo amalgamada nas mais antigas tradições e
simbologias míticas que clama e conduz a liricização das unidades constituintes do conto. João Guimarães
Rosa, na esteira da revolução de 22, empreende uma metamorfose na narrativa, posto não produzir somente a
prosa pura, mas uma ―prosoema‖, nas palavras do próprio escritor. De fato, o desiderato desse trabalho é
buscar como e quais recursos conspiram na construção de um gênero híbrido, uma prosa-lírica, com aspectos
específicos do fazer poético, perscrutada em A terceira margem do rio.


                 ENTRE GRIFES E SILÊNCIOS: O SUJEITO NO CLUBE DA LUTA
                                                        Fernanda Luzia LUNKES (PG-UEM)

Na pesquisa que estamos dedicando à dissertação, nos debruçamos sobre a categoria do sujeito na produção
fílmica. Temos como objetivo explicitar o processo de subjetivação dos sujeitos no filme Clube da Luta,
produção americana lançada em 1999, tendo como perspectiva a heterogeneidade do sujeito, já que tomamos
como dispositivo teórico-analítico a Análise de Discurso de linha francesa. Neste estudo em particular,
nossos gestos de leitura se dão através da descrição da discursividade do personagem Jack, explicitando sua
construção heterogênea no interior dos recortes que empreendemos de acordo com as perguntas que nos
motivaram. Queremos mostrar algumas coerções sofridas pelo indivíduo no contexto pós-moderno e como
isso, através do imaginário social que o circunscreve, se dá no simbólico. Na discursividade de Jack,
observamos certo imaginário e um certo desejo no simbólico através de uma intensa designação de grifes,
que em sua maioria estão associadas a conceitos ―desejados‖ pelos sujeitos, como felicidade e completude no
contexto da sociedade de consumo. Percebemos, no entanto, paralelamente a esse efeito de necessidade de
nomeação das grifes, que o nome do sujeito, concebido enquanto ―marca oficial‖ de uma pessoa na memória
discursiva da sociedade pós-moderna, é silenciado, o que para nós é lugar de interpretação. Nosso estudo,
mais do que respostas, pretende levantar questões que, possivelmente, gerarão outras. Como sujeitos
desejantes, não falamos em conclusões, mas em gestos de leitura, estes inseridos no movimento do discurso,
que nos escapa.


             A REPRESENTAÇÃO DA CIDADE NOS CONTOS DE RUBEM FONSECA
                                                Fernanda Machado BRENER (PG-UEL)

A partir da reflexão de Barthes de que o diálogo entre a cidade e seus habitantes provoca a definição
recíproca de suas identidades, o objetivo desse trabalho foi identificar alguns elementos que constituem a
representação da cidade nos contos de Rubem Fonseca. Ao retratar os párias da cidade, aqueles que por ela
são produzidos e implacavelmente rejeitados o escritor evidencia a organização excludente da cidade pós-

                                                     81
moderna bem como as transformações da sociedade. Os quatro contos escolhidos foram A coleira do cão
(1965), A Arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro (1992), O Outro (1996) e Família é uma merda (2002),
pois a relação mantida entre os personagens e a cidade era íntima e/ou determinante dos rumos das narrativas.
Foi possível observar que o retrato traçado pelo escritor ressalta, entre outras características, a degradação e
segregação da cidade ao mesmo tempo em que sugere um sentimento nostálgico resultante de sua
desumanização.


 ASPECTOS LÍRICOS RESPONSÁVEIS PELA ECLOSÃO DOS SENTIMENTOS NA PROSA DE
                            GUIMARÃES ROSA
                                                  Fernanda Tonholi SASSO (G-UEM)
                                                     Michele Mitsy TANGI (G-UEM)
                                          Luzia Aparecida Berloffa TOFALINI (UEM)

A literatura liberta o coração do homem de ouvir suas próprias batidas, sendo estas canalizadas para a
minuciosa e contemplativa arte da escrita. Por isso, o homem descreve-se nas mais diversas formas, seja na
prosa ou poesia. Teoricamente, inseridas nessas concepções, existem, entre outros tipos, o poema, a prosa e a
prosa poética, mesclando entre os dois gêneros maiores, lirismo, ritmo e poesia. Assim, este trabalho sugere
uma nova concepção literária, analisando um gênero híbrido ao qual chamamos prosa lírica, na breve análise
do conto ―Sinhá Secada‖, de Guimarães Rosa.

               O DUPLO ESPACIAL EM “CASA TOMADA”, DE JULIO CORTÁZAR
                                           Fernando de Moraes GEBRA (PG-UFPR / CAPES)
                                                       Tania Sturzbecher de BARROS (FAP)

O presente artigo analisa o conto ―Casa tomada‖ de Julio Cortázar (1914-1984), inserido na coletânea
intitulada Bestiário, de 1951. Este conto apresenta a história de um casal de irmãos (o narrador-protagonista e
Irene) que vivem tranqüilos e alheios do mundo na casa de seus antepassados. No entanto, essa aparente
tranqüilidade será rompida por ruídos provenientes da parte mais retirada da casa, ao que os irmãos reagem
com o fechamento da porta que dá acesso àquela parte, dividindo assim a casa em dois espaços simbólicos,
que chamaremos de cosmos e caos. Esses dois espaços apresentam correlações com a estrutura fundamental
do duplo: ser ao mesmo tempo algo e outra coisa Esses dois espaços apontam, por conseguinte, para
desdobramentos da personalidade do narrador e de sua irmã. Entendemos o processo de desdobramento como
a duplicação do sujeito em dois lados de sua personalidade: um mais próximo da manifestação, que se
apresenta no convívio social, e outro mais próximo da imanência, escondido nas profundezas do inconsciente
que vale de mecanismos repressivos para evitar que esse lado se manifeste. Nosso estudo narratológico
buscará mostrar as estruturas duplicadas em ―Casa tomada‖, principalmente no tocante à espacialização do
conto, já que a casa revela-se o elemento de maior carga simbólico-figurativa neste texto de Cortazar. Dessa
forma, partimos da proposta metodológica de relacionarmos as categorias da enunciação (pessoa, tempo e
espaço) com a teoria do duplo, dentro do enfoque filosófico de Clément Rosset.


                         SYLVIA ORTHOF E O TEATRO PARA CRIANÇAS:
                           UMA LEITURA DE A GEMA DO OVO DA EMA
                                                     Flor de Maria Silva DUARTE (PG-UEM)

O teatro comunica, ao vivo, idéias, reflexões e conflitos humanos. Uma representação teatral é composta de
texto e de muitos outros elementos extra-textuais, tais como: cenários, figurinos, iluminação, direção,
interpretação dos atores etc., que formam um todo contundente e efêmero, pois cada representação é única e
só permanece na memória de quem a presenciou. Apenas o texto permanece. Por outro lado, o texto
dramático, quando não encenado, é literatura e, como tal, pode e deve ser lido. Neste trabalho propomos uma
reflexão sobre a leitura do texto dramático como elemento de formação do leitor. Para tal fizemos a opção da
leitura de um texto dramático de Sylvia Orthof. Esta autora é um dos nomes mais respeitados na literatura
infantil brasileira. Suas obras contribuíram de forma decisiva para a credibilidade na qualidade dos textos
literários destinados à criança. Sylvia é também um dos maiores nomes do teatro infantil brasileiro. Foi atriz,
diretora, cenógrafa, manipuladora de fantoches e dramaturga, embora hoje, este seu lado teatral seja menos
conhecido. Este trabalho se propõe a analisar o texto dramático A Gema do Ovo da Ema, sob a ótica da
Estética da Recepção de Hans Robert Jauss e da Teoria do Efeito de Wolfgang Iser, e, assim, observar como
os elementos estéticos e os espaços vazios atuam como fator de formação do leitor crítico. Também nos
propomos a colaborar no sentido de que a produção dramática de Sylvia Orthof e a dramaturgia infantil
brasileira mereçam lugar de destaque entre os estudos acadêmicos.



                                                      82
     A RESISTÊNCIA DA PERSONAGEM MARTHA EM CROSSING THE RIVER DE CARYL
                                 PHILLIPS
                                       Geniane Diamante Ferreira FERREIRA (PG-UEM)

Analisam-se os eventos ocorridos com a mulher negra, Martha, personagem de Crossing the River, de Caryl
Phillips, rumo à sua subjetividade pela resistência ao patriarcalismo. Utilizam-se os conceitos e as discussões
sobre o patriarcalismo, o pós-colonialismo e a resistência como base teórica para o estudo. Além disso, pelo
fato de a personagem ser mulher, a crítica feminista também é usada como suporte para a análise. Após a
apresentação de uma breve biografia do autor e da fábula do capítulo a ser analisado, segue-se uma discussão
teórica a respeito do patriarcalismo, do pós-colonialismo, da mulher vista como objeto e de sua postura para
subverter tal condição. A análise percorreu duas perspectivas: a de Martha como escrava e sua opressão e, a
de sua resistência contra a estratégia do homem branco colonizador. Nossos resultados, apresentados tanto no
decorrer da análise histórico-literária do texto, quanto na conclusão, mostram Martha como uma mulher
determinada a alcançar seu objetivo de ser livre e de conduzir sua própria vida, enfim, sempre em busca da
construção de sua subjetividade.


                            AS FADAS VOLTAM: UMA IDEIA TODA AZUL
                                                   Gilda Teresa Lópes CONTRERAS (PG-UEM)

Na literatura infantil e juvenil brasileira verificam-se vários períodos, temas, estilos, funções e tendências. O
leque é muito amplo; vai desde as traduções de textos estrangeiros, passando por leituras didáticas, ufanistas,
de detetives, de bichos e de fadas. Neste trabalho nos propomos analisar os contos de fadas, dentro do
contexto da literatura brasileira, principalmente no período que marcou a volta aos contos de fadas.O corpo
do estudo está constituído pelo conto Uma idéia toda azul de Marina Colasanti. A partir dele pretendemos
abordar as diferentes tipologias de narrativas correspondentes ao fantástico, o estranho e o maravilhoso, de
acordo com os critérios estabelecidos por Todorov e, de encontrar os elementos que caracterizam essas
tipologias no citado conto. Há várias teorias sobre as fadas, entre as quais podem-se mencionar a teoria
mitológica, a naturalista, a psicológica e a realista. Dentro do contexto da literatura infantil, o maravilhoso
sempre foi e continua sendo um dos elementos mais importantes, pois é através do simbolismo que está
implícito nas tramas e personagens das histórias, que as crianças vivenciarão o prazer e as emoções,
elementos que são capazes de agir em seu inconsciente, podendo atuar pouco a pouco para ajudar a resolver
conflitos interiores normais nessa fase da vida

                 O LEITOR COMO RE-CRIADOR DE UMA NOITE EM CURITIBA
                                              Gilda Teresa Lopes CONTRERAS (PG-UEM)

Este estudo se propõe focalizar o leitor do romance Uma noite em Curitiba, de Cristóvão Tezza como
recriador da obra, um vez que o leitor é reconhecido como elemento de completude do texto literário. No
romance em estudo o leitor, ao se ver envolvido numa espécie de cumplicidade com as indagações sobre o
sentido da vida expressas pelos protagonistas, reconstrói o texto com o seu próprio repertório, tanto com as
suas vivências quanto com suas leituras. A nosso entender, a tarefa interpretativa do leitor é tão importante
para que a narrativa comunique seus efeitos estéticos como é o próprio processo criador do autor. É claro que
a obra deve sua existência ao autor, neste caso, a Cristóvão Tezza. Ele, enquanto criador primeiro, tem o
poder de alterar a ordem dos elementos que a constituem, velar ou revelar situações, mas durante toda obra
se pressupõe um leitor como parceiro da tarefa construtora do autor, elemento indispensável para a
comunicação estética. O leitor, como pólo ativo da interpretação, faz parte da tarefa de produção do próprio
texto. Tal esclarecimento se faz necessário porque queremos explicar que o estudo voltado para a função
interpretativa do leitor no texto de Tezza não se dá pelo fato de a organização discursiva apresentar-se
composta por cartas (e a carta, necessariamente, pressupõe um receptor) e, sim, porque entendemos o texto
narrativo como um objeto que pressupõe a existência de um receptor a quem cabe o papel de realizar uma
leitura ativa , fazendo uso, consciente ou inconsciente, da sua função de criador de sentidos.


    DA LITERATURA DE FADAS À PRODUÇÃO CONTEMPORÂNEA: TEMAS POLÊMICOS
                                               Gilsyele Sonia BORRAZZO (UEM)

Na presente comunicação, procuramos levantar e discutir temas e imagens polêmicas, tais como o medo, a
morte, o sexo e a violência, presentes na Literatura Infanto-Juvenil contemporânea. O trabalho recorta
resultados do projeto de pesquisa O medo, a morte e o sexo: temas e imagens polêmicas na literatura para
crianças e jovens, e, com ele, pretendemos refletir sobre a origem desses temas na produção infantil e juvenil,

                                                      83
detectando tanto sua presença quanto seus modos de manifestação na produção selecionada, com o intuito de
revelar, em etapa posterior, a presença dessas imagens em textos de momentos histórico-estéticos diferentes
daquele que as originaram. O estudo, iniciado com a leitura comparativa do conto de fadas Chapeuzinho
Vermelho, nas versões de Charles Perrault e dos Irmãos Grimm, passa pela literatura dos anos setenta, com a
Coleção do Pinto - com uma breve análise da obra O Menino e o pinto do menino, de Wander Piroli - e chega
até a contemporaneidade, apresentando a manifestação da temática em Menina Nina, de Ziraldo, e em Os
olhos de Ana Marta, da escritora portuguesa Alice Vieira. Em tais textos, pretendemos considerar como tais
temas polêmicos estão inseridos na construção narrativa, notadamente, no que se refere ao narrador e à
criação das personagens.

    MEDÉIAS: A CARACTERIZAÇÃO DA PERSONAGEM FEMININA NAS TRAGÉDIAS DE
                            EURÍPIDES E SÊNECA
                                            Giovana Gonçalves dos SANTOS (PG-UEM)
                                                         Eliane Batista COSTA (UEM)
                                                         Marisa Correa SILVA (UEM)

Sabe-se que toda obra literária é fruto de um contexto social, emergindo, assim, influenciada por vários
fatores políticos, culturais e filosóficos. Nessa perspectiva, a tragédia Medéia nos chama a atenção pelo fato
de ter sido escrita, primeiramente pelo dramaturgo grego Eurípides, em 431 a.C, e posteriormente, a mesma
temática ter sido desenvolvida pelo dramaturgo latino Sêneca, em 41 d.C. Ambos utilizam para compor suas
tragédias o mito de Medéia, a mulher que é abandonada pelo marido, Jasão, e que, tomada pelo ódio e desejo
de vingança, decide matar os próprios filhos para puni-lo. A personalidade de Medéia é dotada de grande
complexidade, primeiramente pelo ato terrível que comete contra os próprios filhos, e depois pelo fato de ser
mulher em uma sociedade dominada pelo homem. Nessa perspectiva, o nosso objetivo nesse trabalho é
verificar como os autores Eurípides e Sêneca abordam o mito de Medéia em suas tragédias, como é feita a
construção dessa personagem, suas características psicológicas e sociais, uma vez que o mesmo tema é
utilizado por escritores distintos, em contextos diferentes. Temos como objetivo, também, ressaltar como é
descrita a condição social feminina na obra, através da caracterização de Medéia.


        REPRESENTAÇÕES MULTICULTURAIS NA LITERATURA INFANTIL INGLESA
                             CONTEMPORÂNEA
                               Helliane Christine Minervino de Oliveira CORRÊA (PG-UEM)

A literatura infantil proporciona inúmeras oportunidades para o desenvolvimento cultural da criança. Através
dos livros infantis, a criança pode ter acesso a informações sobre comunidades e culturas diferentes. Todavia,
muitas vezes o pluralismo cultural não é representado e as estórias refletem apenas as experiências do branco
ocidental. A questão do multiculturalismo é amplamente discutida na Inglaterra contemporânea devido ao
fato de a nação inglesa ser constituída por uma vasta gama de culturas e identidades. Esta comunicação visa
apresentar os resultados de uma pesquisa realizada com livros infantis, publicados entre 2000 e 2006, na
Inglaterra. Os dados revelam uma preocupante carência de personagens representantes de outras raças e
culturas que não a sociedade branca ocidental. Menos de 0,5% é representativo da raça negra. Nenhum
personagem feminino negro é retratado nas narrativas ou nas representações pictóricas. Os resultados
sugerem que esforços ainda são necessários por parte das editoras e autores para proporcionar às crianças
uma literatura que dialogue com todas as crianças e que reflita a coexistência de diversas comunidades em
uma mesma sociedade.

                    GRUPO DE PESQUISA LITERATURA E ENSINO:
          CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE LITERATURA
                                          Hiudéa Tempesta. Rodrigues BOBERG (FAFIJA)

O Grupo Literatura e Ensino, criado em 2003, na área de Letras/FAFIJA, desenvolve uma trajetória de
pesquisa e de produção técnica e bibliográfica com o objetivo de auxiliar a formação do graduando,
preparando-o para a futura atuação em sala de aula, e também de ofertar ao professor do ensino fundamental
(5ª a 8ª séries) e do ensino médio, sugestões de metodologias para a abordagem do texto literário. O
conhecimento do método recepcional levou o Grupo a propor sua adaptação a uma perspectiva
transdisciplinar, a partir da inserção de concepções de transversalidade na etapa da ruptura do horizonte de
expectativas. Esta comunicação visa relatar as pesquisas empreendidas pelo Grupo, sob a nossa liderança,
acerca da metodologia adaptada.




                                                     84
  LEITURAS DE LEITORES DE BORGES – ANÁLISE CRÍTICA DE DUAS INTERPRETAÇÕES
                            DE UM MESMO CONTO
                                                  Jéssica ROCHA (PG - FFLCH-USP)
                                                           Laura Janina HOSIASSON

Nossa dissertação de mestrado tem como objetivo fazer uma leitura do conto ―El Otro‖ de Jorge Luis Borges.
Uma vez que encontramos duas diferentes leituras anteriores dessa narrativa, optamos por observar o alcance
e a relevância, mas também os problemas e faltas que tais análises apresentavam. Contrastrar e julgar
tornavam-se desafios quando esses olhares sobre o texto são provenientes de profissionais de outros campos
do saber – filosofia e psicanálise – e no entanto se haviam proposto uma aproximação a um texto ficcional.
Nossa tarefa foi, portanto, a de detectar o horizonte de expectativa que eles ofereciam ao leitor – análise
voltada para a sua própria área; voltada para o texto enquanto narrativa ficcional; ou análise interdisciplinar.
Em segundo lugar, foi necessário compreender a metodologia e pressupostos destes textos. Logo, tratamos de
verificar de que forma era conduzida a análise; e de que forma os conceitos extraídos da teoria da literatura
ou das outras disciplinas foram aproveitados. Finalmente, geramos grupos de sentido detectados por esses
textos, comparamos os resultados de ambos, e emitimos nosso juízo sobre os desenvolvimentos destas
análises.


          ONDE ANDARÁ DULCE VEIGA? UM PASSEIO PELOS BOSQUES DA FICÇÃO
                                        Joaquim Francisco dos SANTOS NETO (UEM - PG)

O presente trabalho apresenta uma leitura do romance Onde andará Dulce Veiga?, de Caio Fernando Abreu,
baseada na aplicação da teoria exposta por Umberto Eco em seu livro Seis passeios pelos bosques da Ficção.
Tal teoria discute a presença em determinadas obras literárias de dois conceitos que aparecem conjuntamente
e são definidos como autor-modelo e leitor-modelo, valorizando aspectos da recepção do texto. A teoria
proposta por Eco dialoga com o que se convencionou chamar nos estudos literários como Estética da
Recepção e Teoria do Efeito Estético, defendidos por Robert Jauss e Wofgang Iser, respectivamente. O
romance brasileiro analisado foi lançado em 1990 e tem como pano de fundo o contexto sócio-cultural do
final da década de 80. Seu autor, Caio Fernando Abreu, é lembrado na literatura brasileira a partir da década
de 70, principalmente como contista. A leitura demonstra que os conceitos discutidos por Eco, aplicados ao
romance, funcionam como uma espécie de esboço que solicita o leitor como colaborador na construção dos
sentidos da obra. Além disso, ao valorizar quem lê e sua experiência de leitura, faz com que o leitor
empreenda uma busca de si mesmo, descobrindo-se como participante do universo ficcional, evidenciando
desse modo o caráter formativo da literatura.


  A REPRESENTAÇÃO FEMININA NAS CANTIGAS DE SANTA MARIA E NA ICONOGRAFIA
             DE GIOTTO: UM ESTUDO DA RELAÇÃO TEXTO E IMAGEM
                                              Josilene Moreira SILVEIRA (PG- UEM)

A literatura e a iconografia, nas suas diferentes manifestações e gêneros, constituem-se como fonte de
excepcional riqueza para a investigação da representação feminina em uma época que predomina uma visão
misóginica em relação à mulher, como é o caso da Idade Média. Desse modo, nesta comunicação,
apresentaremos parte de nossos estudos acerca da representação feminina na literatura, Cantigas de Santa
Maria, de Afonso X, e na iconografia de Giotto, considerando que essas manifestações artísticas são
influenciadas pelo discurso clerical. Nesse sentido, para compreendermos os perfis femininos das cantigas e
da iconografia realizamos um estudo sobre os arquétipos femininos difundidos pelo cristianismo, apoiando-
nos nos estudos de Jacques Dalarun (1991) que nos apresenta três modelos principais – Eva, Maria e Maria
Madalena. Para realizar esta leitura, nos fundamentamos na Estética da Recepção e na relação texto e
imagem, apontando tanto os aspectos intrínsecos do texto e da imagem como também a dimensão cultural e
social, o que nos permite uma compreensão mais ampla da representação feminina, por meio de seu diálogo
com ideologias e mentalidades da época e de seu contexto social.

                 LEITURA DE POESIA CLÁSSICA: FORMA OU NÃO LEITORES?
                                               Juliana Alves Barbosa MENEZES (PG – UEM)

Nesta comunicação, procuramos levantar a discussão a respeito da leitura de poesia clássica, em ambiente
escolar, e sua contribuição na formação de leitores. Considerando que, entre os principais responsáveis pela
formação de leitores jovens – professores, pais, escola e amigos - o professor é o mediador de leitura mais



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visado e cobrado pela sociedade, procuramos levantar as concepções de linguagem, literatura, leitura e
avaliação, que devem nortear o trabalho docente com a poesia clássica, no Ensino Médio.


 FICTÍCIO E IMAGINÁRIO NO ROMANCE SEM NOME: EPISÓDIOS DA LITERATURA E DA
                               VIDA REAL
                                            Juliana Raguzzoni CANCIAN (PG - UEM)

Dentro da perspectiva teórica da estética da recepção, mais precisamente da teoria iseriana do efeito, as
categorias fictício e imaginário, e a interação entre ambas, que abre espaços de jogo para a presença atuante
do leitor na engrenagem literária, serão aqui analisadas a partir do romance Sem Nome, de Helder Macedo,
especificamente no que se refere a um de seus episódios mais marcantes. Sem Nome foi lançado em 2005 e é
o último livro em narrativa do escritor português que contemporaneamente desponta em termos literários ao
lado de José Saramago. A história do livro se passa no ano de 2004 e, enquanto a protagonista da história, a
jovem jornalista Júlia de Sousa, brinca de escrever ficção, através de uma carta-relatório que envia ao
advogado José Viana sobre o desaparecimento do grande amor da juventude dele, a militante do Partido
Comunista Martha Bernardo, Helder Macedo encaixa ficção dentro de ficção, e permite que sejamos leitores
dele e de Júlia ao mesmo tempo, num contexto histórico da Portugal de hoje circundada pelos resquícios dos
tempos da ditadura salazarista. Além disso, a perspectiva adotada por Viana na trama muitas vezes se parece
com a nossa própria na vida real, fazendo-nos perceber que assim como a literatura surge do mundo
empírico, este também necessita da literatura.


               ENTRE O CAMPO E A CIDADE: A POESIA-PINTURA DE CESÁRIO VERDE
                                                    Karla Renata MENDES (G – UNICENTRO)
                                     Maria Natália Ferreira Gomes THIMÓTEO (UNICENTRO)

O poeta português Cesário Verde destaca-se como um dos grandes representantes do Realismo e precursor do
Modernismo na poesia portuguesa. Os estudos a seu respeito abrangem uma poesia multifacetada, permeada
de características que se alternam entre a inspiração nos grandes mestres e o desenvolvimento de uma poética
própria, recheada de visualidade, sinestesias e amplamente pictural. O poeta definido como ―poliédrico‖, ou
seja, formado de várias faces, concentra uma de suas variantes no caráter pictórico explícito em sua poesia,
como afirmou o próprio autor: ―pinto quadros por letras, por sinais‖. Não se torna difícil notar na obra
cesárica, que, intrinsicamente à linguagem poética, surgem pinturas que transmitem todo o caráter observador
e visual do autor. Outra das facetas de Cesário Verde está presente na representação que o autor faz do tema
―cidade‖ e ―campo‖, criando uma visível dicotomia, já que representa a cidade como um espaço de contrastes
sociais, um lugar por vezes feio e devorador, e o campo como um lugar saudável e fértil, onde se manifestam
os prazeres da vida simples. Dessa maneira, o presente trabalho tem por objetivo unir estes dois aspectos da
poesia de Cesário Verde: o caráter pictural e a oposição campo versus cidade, analisando poemas do autor e,
em contrapartida, apresentando imagens pictóricas que exemplifiquem esta visualidade presente em sua obra.


            A CRÔNICA DE CECÍLIA MEIRELES E SEU OLHAR SOBRE A MULHER
                                                   Karla Renata MENDES (G – UNICENTRO)
                                       Níncia Cecília Ribas Borges TEIXEIRA (UNICENTRO)

A escritora Cecília Meireles é amplamente conhecida por sua obra poética, sendo uma das grandes
representantes desse estilo na literatura brasileira. Todavia, a autora possui uma rica produção textual em
prosa caracterizada por crônicas escritas para jornais como ―Diário de Notícias‖ e ―A Manhã‖ nas décadas de
30 e 40. Estes escritos abordam o cotidiano de variadas formas, abrangendo em certos momentos um olhar
poético e singelo, e em outros concedendo uma visão crítica e irônica à realidade. Nota-se que Cecília
Meireles criou suas obras ainda em um período de desenvolvimento da literatura escrita por mulheres, com
uma gradativa abertura de espaço a este gênero. Neste contexto, o presente trabalho visa analisar a crônica
―Mundo dos Manequins‖ sob o viés da crítica feminista com enfoque político-cultural, analisando a maneira
pela qual a autora constitui um texto irônico, sagaz e profundamente reflexivo sob a condição da mulher na
sociedade, abordando de forma inovadora os questionamentos sobre o papel exercido por estas. A partir do
texto ceciliano pretende-se avaliar entre outros, o contexto histórico-cultural em que este se insere, e que
possivelmente leva a autora a avaliar a condição da mulher como um manequim, obsoleto em idéias e vazio
em conteúdo, somente preocupado com a aparência externa e a impressão que passa às pessoas a seu redor.




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     PÓS – MODERNISMO EM MEU AMIGO MARCEL PROUST, DE JUDITH GROSSMANN
                                                                               Katria Gabrieli FAGUNDES (UFMS)
                                                                               Maria Adélia MENEGAZZO (UFMS)

O termo ―pós-modernismo‖ tem sido discutido a partir da década de 60 e considerado como período
fundamental transição, ―abalado por suas próprias contradições internas e pelas resistências externas‖
(JAMESON, p. 27). A resistência a ele atribuída é à diversidade de obras que ele abrange e à estranheza que
elas causam. Uma das mais importantes conseqüências do pós-modernismo talvez seja a mistura da alta
cultura, antes de difícil acesso, com a cultura de massa, categoria crescente. O romance Meu amigo Marcel
Proust, de Judith Grossmann, busca em Proust, autor considerado sufocante, canônico e morto (JAMESON,
1993), sua base e linguagem para descrever a relação amorosa entre a narradora e Vitor, que não chega a ser
concretizada porque a época atual, na qual se passa o romance, é inconsistente enquanto que, em Proust, tem-
se a consistência exata para que ele se realize. Como a pós-modernidade se apresenta no romance de
Grossmann? Quais os seus traços mais evidentes? Nosso trabalho procura responder a estas questões,
apresentando exemplos e descrevendo seus efeitos para o sentido da narrativa.


                                        FEDRA SEGUNDO ROLAND BARTHES
                                                           Laura Cristina R Hercos PERES (G-UEM)
                                                                      Mara Hercos PERES (G-UEM)
                                                               Adalberto de Oliveira SOUZA (UEM)

Esta comunicação tem por objetivo tratar de uma das mais representativas tragédias racinianas. Respeitando a
regra das três unidades: tempo, espaço e ação, o dramaturgo busca em Sêneca e Eurípides o modelo para
compor sua obra. Em 1677, Racine retoma quase que integralmente a obra grega, mantendo-lhe a mitologia,
bem como a maldição sobre os descendentes femininos do rei Sol. Estruturalmente, a tragédia é composta por
cinco atos, preservando-lhe ainda suas partes trágicas, tais como, o reconhecimento, a peripécia, a catarse.
Dessa maneira, o leitor deste resumo pode perguntar: qual a diferença da Fedra raciniana daquelas
elaboradas na antiguidade clássica? A característica especial existente na obra de Jean Racine é o fato de que
sua Fedra, durante o enredo vai sendo conduzida ao seu trágico destino, porém, os elementos que a
conduzem não são explícitos, é necessário compreender as entrelinhas visto que a personagem principal
Fedra não possui nenhum erro trágico ―evidente‖ como acontece em Édipo Rei. Fedra, por sua vez, é dotada
de um caráter, diríamos, apático, o que, em uma leitura superficial. não leva o leitor a vê-la como heroína da
peça, assim, é preciso muita sensibilidade para perceber que talvez a fraqueza de suas ações, ao deixar-se
influenciar por Oenone seja sua falha trágica, que a levam ao seu inevitável destino. No trabalho elaborado
buscaremos analisar a obra Fedra do autor francês do século XVII, de acordo com a visão explicitada no
livro‖ Sur Racine‖, de Roland Barthes, crítico francês do século XX.


          O ENTRELACE DO TECIDO NARRATIVO EM NOVELA DE MOACYR SCLIAR
                                              Lealis Conceição GUIMARÃES (UNOPAR)
A criação literária de Moacyr Scliar fundamenta-se na recriação paródica do insólito filtrado pela visão irônica do
escritor, que emprega o recurso da mise-en-abyme (―construção-em-abismo‖) para estruturar sua poética. Na literatura
scliariana, é comum a exposição crítica de elementos culturais do passado, que se fundem à atualidade do universo sócio-
psicológico do cotidiano humano. Assim, a novela ―Mês de cães danados‖, publicada em 1977, constrói-se com o
entrelace das notícias jornalísticas do tumultuado contexto histórico compreendido entre dezoito e trinta e um de agosto
de 1961, quando ocorreu a luta pela Legalidade no Rio Grande do Sul, com as histórias pessoais do protagonista, que
passa de filho de fazendeiro a mendigo, nas ruas de Porto Alegre. Sendo ficção histórica, a citada novela redimensiona os
episódios da história. Para tanto, o autor situa a história do Brasil no centro da narrativa, sedimentada pelas citações do
jornal Correio do Povo, de Porto Alegre. A ironia instala-se nas frestas da construção narrativa, onde a miscelânea de
informações jornalísticas mistura-se a trechos da vida do protagonista, para formar o tecido narrativo. A seqüência
temporal da história relatada com base na mídia é a única referência coerente no fluxo narrativo desordenado que, não
obstante, caracteriza-se pela visão crítica da conjuntura social e dos eventos do passado.



    A CAIXA DE HISTÓRIAS: NO PROCESSO DO ENSINO DA LEITURA E FORMAÇÃO DO
                                    LEITOR AUTÔNOMO
                   Lílian Cristina Blume MORAIS (Diretoria de Ensino de Mirante do Paranapanema)

Este projeto originou-se de uma experiência desenvolvida com alunos da 4ª série do ensino fundamental em
uma escola particular (Colégio Novo Milleniun) e outra estadual (E.E. Arthur Ribeiro) na cidade de Teodoro
Sampaio – S.P. Atualmente percebemos um distanciamento dos alunos em relação à leitura de livros. Muitas

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vezes porque não têm acesso e outras vezes porque não têm incentivo em casa, faltam recursos, desinteresse,
etc. Esses dados podem ser comprovados pelos resultados do SARESP: baixos índices denotam toda a
problemática. De acordo com experiências próprias, percebi que as crianças têm dificuldade em ler e
escrever, produzem pouco material escrito e de má qualidade. Assim, entendo que o papel da escola e
principalmente do professor é ponto fundamental no avanço e melhoria das condições de leitura e escrita.
Não basta oferecer livros aos alunos, é importante reconhecer o trabalho da mediação, que poderá trazer
incentivo e melhorais nesse processo. Para formarmos indivíduos autônomos é necessário que a
aprendizagem seja um momento de reflexão, num processo dialógico entre todos os envolvidos: alunos,
professores, gestores, etc. Assim, percebi a necessidade de um projeto que direcionasse a leitura em sintonia
com o lúdico, onde houvesse a participação de todos. Apresento com prática pedagógica enriquecedora ao
estímulo da leitura, uma ―caixa de histórias‖, confeccionada com materiais recicláveis, com a intenção de
estimular os alunos às leituras realizadas em sala de aula. Os alunos da 4ª série participaram da execução
desse projeto sendo protagonistas das histórias, divulgando a importância do ato de ler e conseqüentemente
despertando o interesse pela expressão oral, dramatização e elevando a freqüência dos alunos à biblioteca.
Envolveram a escola toda no momento de contar as histórias utilizando-se da ―caixa‖ (recurso pedagógico),
através de movimentação das personagens, atraíam a atenção dos colegas na exposição. Como resultados
parciais do projeto, podemos perceber a utilização de recurso oral e lingüístico, a melhoria da leitura e da
escrita entre as crianças da 4ª série e o interesse por livros infantis junto com os outros alunos.


  A TRADUÇÃO NAS AULAS DE LITERATURA DE LÍNGUA INGLESA: PERSPECTIVAS DE
                              UMA DOCENTE
                                           Líliam Cristina MARINS (G/PIBIC – UEM)
                                            Vera Helena Gomes WIELEWICKI (UEM)

O objetivo deste trabalho é apresentar e analisar o ponto de vista de uma professora de Literaturas de Língua
Inglesa (LLI) de um curso de licenciatura em Letras – Inglês/Português sobre a utilização de textos literários
traduzidos nas referidas aulas, segundo os autores Vermeer (1985), Azenha Junior (1999), Alves et. al.
(2000), Olmi (2002), Robinson (2002), Bassnet (2003) e Olher;Wielewicki (2006). A professora foi
entrevistada e relatou o desenvolvimento de seu trabalho com a tradução em suas aulas. O trabalho, segundo
ela, foi motivado pela observação de que seus alunos buscavam voluntariamente as traduções apesar da
recomendação para que lessem os textos literários em língua inglesa, levando-a a decidir por instruí-los a lê-
las em sala de aula. A professora descreve como foram feitas a leitura e as atividades com o livro The
Adventures of Huckleberry Finn, de Mark Twain, e suas respectivas traduções (indicadas pelos próprios
alunos), como os temas do livro foram abordados e qual foi o aproveitamento/desempenho dos discentes.
Além disso, a docente também emitiu sua opinião sobre a contribuição do estudo da tradução nas aulas de
LLI. Nessa perspectiva, pode-se concluir que a leitura de textos traduzidos em aulas de Literaturas de Língua
Inglesa é possível e pode ser considerada uma prática pedagógica. O presente trabalho é parte de uma
pesquisa em andamento que visa investigar estratégias pedagógicas capazes de potencializar o trabalho com a
tradução em sala de aula.


                RELAÇÕES INTERFABULARES: “A CIGARRA E AS FORMIGAS”
                               DE MONTEIRO LOBATO
                                            Loide Nascimento de SOUZA (PG-UNESP/Assis)

O livro Fábulas (1922) está entre as primeiras publicações infantis de Monteiro Lobato (1882-1948).
Preocupado com a escassez e a qualidade dos textos destinados à infância no início do século XX, o escritor
começa a investigar o caso e percebe que as fábulas contadas aos seus filhos por Dona Purezinha, sua esposa,
agradavam muito às crianças. Resolve então produzir um livro de fábulas que trouxessem a sua marca. A
fábula como gênero específico tem uma sólida tradição que se populariza com Esopo (VI a.C.) na Grécia,
passa por Fedro (I d.C.) em Roma e ganha o mundo ocidental com La Fontaine (século XVII) na França.
Numa definição básica, pode-se dizer que a fábula é composta por uma narrativa curta que ilustra uma moral
explicitada ou não. Em geral, as personagens são animais, mas também podem fazer parte seres humanos,
inanimados e até plantas. Lobato, ao reescrever fábulas, pretendia ensinar e divertir ao mesmo tempo. Mas
para alcançar o seu duplo intento, o autor realizou mudanças significativas na estrutura e no enredo das
fábulas. Uma delas foi a relativização do discurso temático da moral. Esse aspecto pode ser melhor
observado se se considerar o conjunto das fábulas publicadas pelo autor e o diálogo que pode ser estabelecido
entre elas. Portanto, o objetivo da comunicação é o de abordar as relações de semelhança e oposição entre o
discurso temático da fábula ―A cigarra e as formigas‖ e o de outras fábulas constantes na obra referida. Ao
final, o rápido estudo revelará que uma fábula pode desempenhar um papel moderador em relação à outra.
Observe-se também que a fábula ―A cigarra e as formigas‖ ocupa um lugar de destaque na tradição da fábula
e na obra de Lobato e que, por isso, foi selecionada como o ponto de partida para o estudo.

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                  DOMINGOS PELLEGRINI NA HISTORIOGRAFIA LITERÁRIA
                                                    Lucas Vieira de ARAÚJO (PG-UEL)

Este trabalho busca mostrar o espaço que o escritor paranaense Domingos Pellegini ocupa no cânone literário
nacional, por meio de uma pesquisa entre as obras dos principais estudiosos da historiografia literária
brasileira nos últimos 50 anos. Após uma breve discussão do que é cânone e da metodologia utilizada pelos
historiadores literários para a formação daquele, foram usados os estudos de Eduardo Coutinho, Domício
Proença Filho, Antônio Hohlfeldt, e José Aderaldo Castelo, entre outros. Além de livros, a busca foi
realizada em periódicos jornalísticos e acadêmicos, assim como também em enciclopédias literárias, para que
a pesquisa fosse mais abrangente tendo em vista a produção literária            do escritor paranaense ser
contemporânea e o curto distanciamento histórico entre a literatura deste e a grande maioria das obras que
destacam o cânone nacional. Um das constatações do trabalho foi que Pellegrini goza de certo prestígio junto
à imprensa de Londrina, onde o autor nasceu e reside atualmente, assim como figura entre os contistas ―mais
importantes‖ do Brasil, de acordo com alguns estudiosos. No âmbito da imprensa nacional, a referência ao
autor londrinense ocorre geralmente quando ele concorre ou vence prêmios nacionais, como o Jabuti. Porém,
o estudo constatou também que o escritor paranaense não é citado por muitos teóricos e sequer é lembrado
pelos historiadores literários em relação aos romances e poesias que escreveu.


                         A CARNAVALIZAÇÃO EM ARENA CONTA ZUMBI.
                                                Luiz Roberto ZANOTTI (PG- Uniandrade-PR)

Este trabalho tem o objetivo de analisar, tendo como embasamento teórico os estudos de Mikhail Bakthin, a
função da carnavalização na peça Arena conta Zumbi de Guarnieri e Boal, a fim de demonstrar a importância
do gênero sátira menipéia e a conseqüente carnavalização em sua construção artística. Será ainda objeto de
nossa discussão a extrema ligação que este gênero possui com o conceito de Nacional-Popular adotado pelo
teatro brasileiro no período em que esta peça foi elaborada.
A peça estreou em 1965, num período ainda ―suave‖ da censura que se instalou junto à ditadura militar no
Brasil sob influência do espetáculo Opinião, de Oduvaldo Viana Filho e do mesmo Boal, que buscava através
de canções e de depoimentos relatados pelos intérpretes, construir um painel da realidade brasileira urbana e
rural, do Norte ao Sul, orientado para a denúncia de problemas sociais e para o aproveitamento de formas
populares de expressão musical, tais como os versos de partido alto e os desafios, buscando apresentar um
panorama crítico da situação nacional.
Numa leitura formal da peça, procuramos identificar e verificar a função dos elementos da sátira menipéia,
bem como da carnavalização na construção do(s) herói(s), dos antagonistas, do tema da Liberdade e do
enredo como um todo. O roteiro fornecido pelo diretor será somente utilizado, quando de suma necessidade
de elucidação de alguns aspectos analisados. Desta forma, ao privilegiarmos o estudo do texto, estaremos
adotando, conforme Patrice Pavis, uma visão textocentrista, o que significa que o espetáculo em si - que
pode ser analisado como a própria realização cênica do carnaval (ritual) - não será objeto deste estudo.


           A ARTE DE DIZER E SILENCIAR: DIALÉTICA-GÊNESE DA “PROSOEMA”
                                                Luzia Aparecida Berloffa TOFALINI (UEM)

Na produção literária, de João Guimarães Rosa, prosa e poesia atrelam-se, formando uma unidade
indissociável. No hibridismo discursivo, ao revelar as verdades humanas, o narrador-poeta põe em prática os
conceitos mais expressivos da poesia. Daí as narrativas de Rosa fugirem do esquema tradicional e vibrarem
sob o comando do lírico. Na prosa lírica, a musicalidade produzida pela utilização de palavras,
criteriosamente escolhidas, exerce papel fundamental, uma vez que se apela para recursos da expressão
poética. Todavia, o silêncio, a ausência de som, pode ser entendido como um modo especial de linguagem. É,
justamente, no ponto de encontro de uma palavra expressiva e outra que emerge o maior grau de tensão,
afinal, é, precisamente, no silêncio que a voz se realiza. No conto Desenredo, que integra o livro Tutaméia,
há um jogo entre o dizer e o não-dizer. Se a palavra comum assume um jogo no qual o homem é ora exposto
ora escondido, torna-se necessário encontrar um instrumento capaz de transcender as barreiras do som para
sugerir aquilo que permanece além das palavras, no mais profundo do ser. Nesse instante, convoca-se a
poesia porque ela, mergulhando no mundo da sensibilidade e da simbologia, produz sinfonias líricas capazes
de sugerir estados do ―eu‖ mais abissal do ser humano.


  (RE)CONHECER-SE. O BRADO DA LITERATURA AFRO-BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
                                                Marcelo José da SILVA (PG – UEL)


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A literatura afro-brasileira sujeita-se aos mesmos problemas enfrentados pelo povo nela representado durante
o período da colonização: a exclusão e a falta de reconhecimento, sendo muitas vezes relegada a
marginalidade. Ao ser referenciada como literatura afro-brasileira, literatura negra no Brasil ou estudada no
âmbito das literaturas de grupos minoritários percebe-se uma falta de definição do termo e seu objeto de
estudo. Luiza Lobo (1993), Eduardo de Assis Duarte (2006) e Domício Proença Filho (2004) entre outros
ressaltam a tendência de explicar, ou conceituar essa literatura a partir de um comprometimento ideológico.
Apesar de divergências encontradas, tais estudos convergem para a necessidade de separar o joio do trigo, ou
seja, separar o que é literatura afro-brasileira do que é literatura sobre o negro no Brasil. A questão
epidérmica do autor ou dos personagens retratados na obra e o tema da escravidão não são fatores
qualificativos da literatura afro-brasileira. Sendo assim, o que a define? Por essa falta de definição e
reconhecimento a literatura afro-brasileira luta pela conquista de seu espaço como outrora lutaram o negro
africano e seus descendentes brasileiros. Embora o tom de manifesto e revolta ceda espaço, as cicatrizes
deixadas ainda persistem sob forma de preconceito na e para com a literatura afro-brasileira. Entretanto, na
literatura contemporânea encontramos vozes e silêncios que procuram quebrar essa tradição numa espécie de
chamado ao reconhecimento e auto-afirmação. Do mesmo modo em que o negro brasileiro precisa
reconhecer-se como ―os demais grupos étnicos parte da comunidade que fez e faz o país‖ (PROENÇA
FILHO, 2004, p. 193), a literatura afro-brasileira deve estar alerta para não ser inserida em nichos apartados
da literatura brasileira, ou o que consideramos prejuízo ainda maior, ser reconhecida apenas como uma forma
compensatória pelo erro histórico que marcou toda uma raça.


        A CONTRIBUIÇÃO DA LEITURA DE CONTOS PARA A PRÁTICA DA ESCRITA NO ENSINO MÉDIO
                                                Márcia Adriana Dias KRAEMER (PG-CESUMAR)

Em decorrência de uma postura que vê a educação como processo inserido no mundo social, no âmbito dos
estudos da linguagem, sente-se a necessidade de um ensino voltado à reflexão sobre a própria linguagem, a
fim de tornar a aprendizagem da língua materna eficiente e eficaz nas suas diferentes concretizações.
Acreditando nessa premissa, o que se propõe é refletir sobre atividades que visam às práticas previstas nos
dois eixos do ensino de língua materna – o uso e a reflexão – em que a leitura, a análise lingüística e a escrita
surjam como etapas de um ensino que pressupõe a língua holisticamente, a qual se constrói e evolui por meio
da interação verbal. Carjaval & Ramos (2001:24), defendem a idéia de que aprender e ensinar a ler e escrever
são fatos relevantes, funcionais e significativos quando aquilo que lemos e escrevemos tem uma finalidade,
um sentido, e responde às necessidades funcionais e aos interesses e às expectativas dos alunos. Com efeito,
para FIORIN (2000), na busca do conhecimento lingüístico, os alunos de ensino fundamental e médio devem
ser expostos a todos os tipos de textos, em que se destaca o literário, por mobilizar todas as funções e
dimensões da linguagem e possibilitar a transição de uma realidade cotidiana à outra, na qual se criam novas
percepções e experiências diversas. Diante desse contexto, a escolha do conto de Lygia Fagundes Telles,
Venha ver o pôr-do-sol, faz-se pertinente, pois ilustra a possibilidade de uma análise, à luz da Lingüística
Textual e da Pragmática, em que as marcas lexicais auxiliam tanto na compreensão da função da palavra no
sistema lingüístico, quanto na consciência dos efeitos de sentido produzidos pelo seu uso no texto. Dessa
forma, o texto literário torna-se espaço de interação social, no qual se instaura o movimento cíclico de leitura
e de escrita.

      FIGURAÇÕES DA MORTE EM “A HISTÓRIA DE MELUSINA OU O ROMANCE DOS
                                 LUSIGNAN”
                                                Márcia Maria de MEDEIROS (UEMS)

A proposta desta comunicação é analisar um momento importante do texto de Jean D‘Arras, chamado de ―A
História de Melusina ou o Romance dos Lusignan‖, qual seja ele, o desaparecimento (morte) de Melusina. O
romance de D‘Arras foi escrito provavelmente, na última década do século XIV, e narra as aventuras e as
desventuras de um mortal que se casa com uma fada. Essas mulheres feéricas, mesmo que cumulando os
mortais com benesses do outro mundo são sempre vistas com certa desconfiança, a qual se explica pelo fato
de tais mulheres não se enquadrarem satisfatoriamente nos padrões de relações determinados pela sociedade.
Sua natureza sempre será ambígua. Quando se casam com um mortal elas passam a pertencer ao mundo
mortal, mas continuam como parte integrante de uma realidade que transcende àquela que as abrigou. Quanto
aos mortais que elas abençoaram através do casamento, também se apresenta a eles uma dupla condição:
enquanto casados com seres que de fato lhe são infinitamente superiores por pertencerem ao mundo
sobrenatural, usufruem de bens e de poderes que ultrapassam as convenções do mundo social, mas que de
fato não lhe pertencem. Quando não conseguem manter ao seu lado a mulher do mundo mágico, perdem as
dádivas que delas receberam.



                                                      90
A LINGUAGEM VISUALISTA E A DRAMATICIDADE NA POESIA DE FLORBELA ESPANCA E
                          MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO
                                           Maria Alice Sabaini de SOUZA (PG-UEM)

Mário de Sá-Carneiro (1890) e Florbela Espanca (1894) iniciam sua produção literária em 1914 e 1915,
respectivamente e se tornam grandes poetas da Literatura Portuguesa pela capacidade de marcarem sua obra
poética por um lirismo carregado de angústia existencial. A poesia de ambos marcou não só pelo desejo de
fuga da realidade, mas também pela capacidade de expressar a dor existencial, criando imagens que emanam
do texto pelos recursos estéticos e estilísticos, como por exemplo, o uso do cromático e da adjetivação
expressiva, expressando o desconcerto do mundo. Constatou-se que a intertextualidade deveu-se às
semelhanças que os aproximam, tais como a linguagem subjetiva e dramática, o uso de letras maiúsculas
alegorizantes, a musicalidade poética, a ânsia de ser amado, a preferência pela noite, entre outros,
possibilitando-nos uma leitura de imagens que emergem dos textos, configurando as possíveis relações da
literatura com as outras artes. Uma leitura das intertextualidades da poesia de Florbela Espanca e Mário de
Sá-Carneiro, enfatizando a linguagem visualista e a dramaticidade será minha proposta nesta comunicação.

  A SUPERAÇÃO DO PRECONCEITO RACIAL: DOIS CASOS EM UMA MARGEM DISTANTE
                        (2003), DE CARYL PHILLIPS
                                              Maria Amália Azevedo BOLL (PG-UEM)

Analisam-se nesse trabalho dois casos referentes à superação, do preconceito racial em relação a imigrantes
não-britânicos, por parte das personagens Dorothy, do casal Anderson e de Mike em Uma margem distante,
de Caryl Phillips. A teoria pós-colonial é empregada para analisar o preconceito na sociedade britânica,
resultado da atitude de superioridade racial e de hegemonia política. O europeu assume uma posição central e
universalista e deixa à margem o que é diferente. A metodologia utilizada para esse estudo é de caráter
bibliográfico qualitativo. Observar-se que Dorothy, apesar de ter convivido com o pai afirmando que as
pessoas de cor desafiam a sua identidade inglesa, e com colegas de trabalho, que odiavam negros, consegue
ter outra opinião em relação a estes. Ela acredita que Solomon, o imigrante negro, deveria ter o direito de
viver em paz e ser feliz no lugar que escolheu para chamar de lar.Mike, um rapaz de origem irlandesa, mas
que vivia há muito tempo na Inglaterra, também consegue enxergar Solomom além da sua cor oferecendo-lhe
carona e arrumando-lhe um quarto na casa do casal Anderson. Além de abrigá-lo os Andersons ensinam-lhe
ofícios e regularizam sua situação social na Inglaterra. No entanto quando as pessoas começam a demonstrar
seu preconceito em relação à presença do negro, o casal sente-se incomodado e sugere que ele se afaste
daquele lugar. Percebe-se que, ao contrário de Dorothy, a superação do preconceito racial destes não foi total.
Indaga-se, portanto a razão dessa diferença e verificam-se as conseqüências oriundas dessa condição.


                  DA POESIA DE EMANUEL FELIX: A ALQUIMIA DOS SIGNOS
                                      Maria Natalia Ferreira Gomes THIMÓTEO (UNICENTRO)

Emanuel Felix, açoriano da Ilha Terceira, foi um dos poetas que deixou uma das mais consideráveis obras
poéticas de língua portuguesa, ainda por conhecer. Considerado pela crítica contemporânea mais próxima
como o "poeta da cultura", o "poeta perfeito" e ainda o "poeta da palavra exacta", por ter sido técnico de
conservação e de restauro de obras de arte, teve estímulo para escrever poemas sobre pintores, escultores,
tapeçarias, óleos, e transformar sua vocação plástica em importantes poemas visuais. Poeta da "sublimação
simbólica", das representações mitológicas, dedicou-se também a tradução de poesias chinesas e japonesas,
revelando uma confraternização cultural, abolindo os limites e fronteiras lingüísticas, transformando o
confinamento de sua cultura insular e atlântica numa ponte entre a Europa e o Oriente. Num constante
diálogo polifônico com o Outro, Felix sintetiza magistralmente figuras como Picasso, Lurçat, Arp e Henry
Moore, como um "pintor da palavra exacta". Do sagrado ao profano, do cotidiano às grandes questões
existenciais, dos segredos e magias, da forca cósmica, dos povos distantes, todos os temas por ele abordados
transformam-se numa "imensidão interior", de que nos fala Bachelard. Neste exercício de leitura, escolhemos
o poema "Five o' clock tear", de inequívoca influencia do poema de Vitorino Nemésio, "Five o‘clock tea" e
salientamos a reescrita, ou melhor, o "sobrevôo" que Felix realiza sobre o poema nemesiano, bem como as
transformações simbólico-semânticas que o acréscimo do fonema /r/ provoca. Felix reescreve a máxima
pessoana, transformando-a, n―o que em mim vê está sentindo‖ e eleva a um grau máximo o exercício do
"mise-en-abyme", confirmando também as palavras de Octavio Paz: ―...Los poemas son objectos verbales
inacabados e inacabables. No existe lo que se llama ‗version definitiva‘ cada poema es el borrador de outro,
que nunca escribiremos...‖



                                                     91
  CRUZANDO CAMINHOS, DE FANNY ABRAMOVICH: A RECEPÇÃO DE OBRA LITERÁRIA
                  INFANTO-JUVENIL PELO LEITOR ADULTO.
                                              Maria Valquiria MAGRO (PG - UEM)

A leitura é uma atividade multiforme que muitas vezes associa-se à escrita. No entanto, o ato de ler vai mais
além. Consiste em ler um objeto, seja ele um livro ou não, acrescentando-lhe algo de nosso, seja o resultado
de uma experiência, seja a vivência da fantasia, seja a satisfação da necessidade mais intima e mais secreta.
Segundo Martins (1982), a leitura deve estar ligada ao processo de formação global do indivíduo, à sua
capacitação para o convívio e atuação social, política, econômica e cultural. Edmund Husserl, filósofo
alemão, criou um método filosófico denominado fenomenologia, que trata da essência das coisas através da
percepção. Mais tarde, com Martin Heidegger, surge o existencialismo, cuja base é o mundo concreto, real e
para quem entender uma obra literária é levar em conta os conhecimentos que temos da vida prática, pois
nada está acabado, mas é construído conforme a busca que os indivíduos empenham. Hans Robert Jauss,
teórico alemão que divulgou a teoria da Estética da Recepção, mostra o papel do leitor na literatura. Essa
teoria valoriza o prazer estético na recepção de um texto literário e vê o leitor como um co-autor da obra e
não um ser passivo.Com base nessas teorias, nosso objetivo é verificar a recepção da obra ―Cruzando
Caminhos‖, de Fanny Abramovich, pelo leitor adulto e formado, evidenciando a perspectiva adotada para
aproppiar-se dos valores estéticos. Os resultados são apresentados através da discussão de dados obtidos das
respostas de um questionário de impressões de leitura, no qual o leitor pesquisado registra os elementos
norteadores de sua leitura quanto à recepção da obra.


          PERSONAGENS FEMININAS EM AUTRAN DOURADO E HELDER MACEDO
                                                      Marisa Corrêa SILVA (UEM)

Em nossa pesquisa institucional, intitulada ―A construção da personagem feminina: elementos teóricos‖,
propusemos uma possibilidade, em moldes estruturalistas, de categorizar a personagem feminina da narrativa
em quatro grandes tipologias: a mulher cerebral, a visceral, a oprimida e a mítica. Tal categorização parte do
pressuposto de que a personagem feminina implica numa representação de gênero, ao contrário da
personagem masculina que, exceção feita ao ―tipo‖, costuma ser lida como representação de indivíduo.
Fazendo a ressalva de que as tipologias rarissimamente surgem puras no texto, aplicamos essa conceituação
em romances de dois autores consagrados: o brasileiro Autran Dourado (Os Sinos da Agonia) e o português
Helder Macedo (Pedro e Paula, Vícios e Virtudes). Ambos trabalham as principais personagens femininas de
seus romances de forma criativa, mas os processos criativos de cada um resultam em maneiras distintas de
―jogar‖ com as categorias. Dourado parte de representações mais convencionais da mulher, enriquecendo-a
aos poucos, ao deixar espaço para o leitor duvidar dos julgamentos aparentemente sólidos emitidos pelo
narrador sobre a personagem Malvina; e Macedo já parte de personagens que transitam e/ou oscilam entre
categorias distintas, de modo a fazer com que qualquer leitor(a) com pré-conceitos arraigados sobre o
feminino sinta-se desafiado(a) e até mesmo provocado(a) pelo texto.


  CINDERELA: UMA AMOSTRAGEM DOS MEIOS DE CIRCULAÇÃO DO CONTO DE FADAS
                       NA CIDADE DE MARINGÁ – PR.
                                      Marlise Maria Batista MARTINELLI (PG – UEM)

O conto de fadas Cinderela, trazido ao público na forma escrita em 1697, por Charles Perrault, tem sido
perpetuado de geração em geração.Talvez um dos fatores que contribuiu para que este conto fosse propagado
tenha sido o modo de circulação que envolveu a obra e que lhe deu a oportunidade de se tornar um dos
clássicos infantis mais conhecidos. Sendo assim, a presente comunicação tem como objetivo a análise dos
meios de divulgação do conto de fadas Cinderela, na cidade de Maringá. Tal pesquisa foi realizada através
de uma amostragem em alguns meios de circulação da obra, tais como bibliotecas escolares, sebos e livrarias,
possibilitando-nos encontrar variadas versões e adaptações do referido conto. Se essas versões dialogam com
o conto tradicional, apontam, também, a sua inserção na contemporaneidade.

                        ANGÉLICA E O ABRAÇO: PONTO E CONTRAPONTO
                                                 Marta Yumi ANDO (PG-UNESP/S.J.Rio Preto)

O estudo empreendido, de natureza bibliográfica, integra os resultados finais de nossa dissertação de
mestrado desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual de Maringá-
Paraná. Em tal estudo, focalizamos as obras infanto-juvenis Angélica (1975) e O Abraço (1995) da premiada
escritora brasileira Lygia Bojunga Nunes, sob o viés crítico de duas vertentes teóricas que floresceram na
Alemanha da segunda metade do século XX: a Estética da Recepção propugnada por Hans Robert Jauss e a

                                                     92
Teoria do Efeito formulada por Wolfgang Iser, centradas ambas no ato da leitura e na figura do leitor,
considerado o agente responsável por dar vida ao objeto estético, através de seu intelecto, fantasia e
imaginação. Tendo essa perspectiva crítica em vista, procuramos, no presente estudo, verificar, mediante uma
leitura comparativa dessas obras, em que medida elas se aproximam e se afastam entre si, o que foi feito,
notadamente, a partir do exame da mediação exercida pela autora com o leitor implícito infantil e o juvenil.
Diante da análise empreendida, podemos constatar que, por meio de uma gama de recursos estéticos e
temáticos, essas obras asseguram uma participação ativa do leitor na produção de significados e, por
deflagrar uma intensa interação entre texto e leitor, o horizonte de expectativas deste é enriquecido e
alargado.

    DA OPRESSÃO AO REVIDE: A VOZ DO COLONIZADO EM APENAS UM CURUMIM DE
                                WERNER ZOTZ
                                          Marta Yumi ANDO (PG-UNESP/S.J.Rio Preto)

A pesquisa empreendida, de natureza bibliográfica, integra os resultados finais de um estudo desenvolvido
como requisito da disciplina ―Pós-colonialismo e representação do sujeito‖, ministrada no Mestrado do
Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Estadual de Maringá-Paraná. Tomando como foco de
análise a obra infanto-juvenil brasileira Apenas um curumim (1979) do escritor catarinense Werner Zotz,
realizamos uma leitura sob o viés dos estudos pós-coloniais. Ao colocar em relevo a voz do índio brasileiro
em seu grito contra a opressão perpetrada pelo homem branco, bem como a afirmação da subjetividade do
nativo, a referida obra suscita algumas perguntas: Quais as estratégias de dominação do homem branco?
Quais as estratégias de resistência do índio? É, portanto, na tentativa de responder a estas questões, que
delineamos o objetivo de nosso trabalho, qual seja, examinar as estratégias de dominação empregadas pelo
branco, bem como as de revide observadas no índio. Tendo isso em vista, constatamos que a obra apresenta
uma visão bastante crítica em relação à situação do índio reduzido à condição de subalterno, mas, por outro
lado, apresenta, por intermédio de uma personagem dotada de força e coragem, o revide à própria situação de
subalternância. Também verificamos que as estratégias de dominação e de resistência mostram-se eficazes
em ambos os lados: se o branco consegue levar a um termo bem-sucedido seu empreendimento mercantilista,
o índio não se deixa domar pela astúcia do caraíba e consegue não apenas preservar intacta a própria
identidade, como também resgatar a identidade fragmentária de um curumim.


                 A QUESTÃO DO DUPLO EM DUAS NARRATIVAS BRASILEIRAS
                                          Maurício César MENON (UTFPR – Campo Mourão)

O duplo é um dos temas que pode integrar a narrativa fantástica, evidenciando, quase sempre, questões
relacionadas ao comportamento humano. Uma das clássicas histórias que se desenvolve em torno do duplo é
The strange case of Dr. Jekill and Mr. Hyde (1886) de Robert Louis Stevenson. Esse texto alcançou
notoriedade não por ser o primeiro a abordar a duplicidade, mas sim pela maneira como o faz, discutindo, a
fundo, assuntos relacionados à condição de humanidade. No Brasil há várias narrativas – desde o século XIX
até o século XX – cujo mote gira em torno desse tema. Este trabalho se propõe a analisar de forma
comparativa duas dessas narrativas: A mortalha de Alzira (1891) de Aluísio Azevedo e Esfinge (1908) do
escritor Coelho Neto. Essas narrativas, na maioria das vezes, são relegadas a segundo plano pela
historiografia literária quando esta se propõe a evidenciar a produção desses autores – o que leva, muitas
vezes, a um desconhecimento, por parte do leitor, do conteúdo abordado nessas obras. Em ambos os textos,
percebe-se o tema da duplicidade sendo discutido pelo viés da sexualidade, fator condutor da linha de tensão
que percorre esses romances os quais, embora irmanados pela temática, não se aproximam quanto à maneira
como trabalham com ela. Para efeito de análise, focalizar-se-á a trajetória dos personagens que protagonizam
os respectivos romances, observando o conflito íntimo gerado por conta do ―outro‖ que emerge do interior de
cada um deles.


  DISCURSO HISTÓRICO E DISCURSO LITERÁRIO: O ENTRELACE NA PERSPECTIVA DA
                       METAFICÇÃO HISTORIOGRÁFICA
                                        Mirele Carolina Werneque JACOMEL (PG-UEM)

Esta comunicação tem por finalidade discutir o conceito de metaficção historiográfica e aplicá-lo ao romance
Tropical Sol da Liberdade (1988), de Ana Maria Machado, obra considerada pós-ditatorial que narra a
história dos anos de repressão e da juventude brasileira do pós-64 a partir da visão de uma mulher, a escritora
Helena Maria de Andrade. O estudo procederá de modo que se destaquem as características do romance que
permitem a discussão sobre a metaficção historiográfica, além da análise da personagem protagonista sob o
aspecto social e humano que determina sua essência metaficcional. Como suporte teórico, será utilizado o
texto de Linda Hutcheon, Metaficção historiográfica: “o passatempo do tempo passado” (1991), no que diz

                                                     93
respeito à construção deste conceito. Outros artigos e ensaios serão consultados durante o processo de análise
no intuito de conferir clareza com respeito ao entendimento sobre a metaficção historiográfica e seus
pressupostos relacionados ao estudo da história literária contemporânea.


                  ENTRE A LETRA E A VOZ: O ESPAÇO DO LEITOR NO CONTO
                                   DE TRADIÇÃO ORAL
                                              Mirtes Maria de Oliveira PORTELLA (PG-PUCSP)

Este trabalho representa uma reflexão sobre os modos de expressão e percepção de uma narrativa de domínio
coletivo – conto Dom Anin, narrado por José Herculano da Rocha, recolhido por Francisco Assis Lima e
publicado pela editora Massangana - em linguagem que fala de prodígios e encantamentos, com a
característica de ser oralmente transmitida. A análise, que tem como referencial a Poética da Oralidade,
estabelecida por Paul Zumthor, indica que o espaço ocupado, no campo da oralidade, pelo narrador pode ser
apreendido pelo leitor, desde que também expectador, ou, além de ler e ouvir, seja capaz de projetar as cenas
narradas, descritas e dramatizadas da história, atualizando com a sua, a performance do contador.

      INTRIGA, SUBINTRIGAS E O PAPEL DAS PERSONAGENS FEMININAS NO DRAMA
                                  OITOCENTISTA
                                                        Natália RUELA (PG – UEM)

O teatro brasileiro sempre teve, embora não muito forte, presença marcante nas histórias das artes de todo o
país, contudo, esses textos hoje não são muito abordados e nem valorizados, mas, desde a época de Anchieta
há textos de qualidade e temáticas interessantes nesse gênero. No trabalho aqui discutido, vamos nos ater no
século XIX, onde se escreviam ainda peças românticas, mas já havia indícios de Realismo, que se adaptava
melhor ao novo tipo de vida que a sociedade burguesa ansiava, em que os novos valores que essa sociedade
cultivava eram refletidos, pois foi nesse contexto que o drama Mãe, de José Martiniano de Alencar, um dos
autores que brilhavam nesse período áureo do teatro brasileiro, foi escrito, em 1859, no Rio de Janeiro e
representado em 1860, no Ginásio Dramático. Nesse trabalho, objetivamos discorrer sobre a construção das
subintrigas e da intriga principal de Mãe, assim como fazer algumas observações sobre o papel da
personagem negra que, nessa peça, tem um lugar de destaque que, com certeza, é fundamental e não pode ser
passado sem que desperte algum interesse, para, a partir daí, observar não só o papel da mãe, mas, também,
da outra personagem feminina presente na obra (personagem branca) e de sua também relação servil e
escravizada na sociedade de 1800.

          ESTILÍSTICA: AS NOVAS FORMAS DE DISCURSO RELATADO ADOTADO PELA
                                    MODERNIDADE
                                                       Nataly Gurniski ROSA (UEM-G)
                                                         Adalberto de Oliveira SOUZA

O desenvolvimento deste trabalho está direcionado, no âmbito da estilística francesa, às formas novas de
discurso relatado, adotados pela modernidade no século XX, que têm como principal objetivo levar em
consideração o discurso interior da personagem. E está direcionada também à perspectiva de analisar e de
reconhecer as formas e as implicações da comunicação que estabelecem uma distinção entre os gêneros
literários.A estilística estuda inúmeros recursos que a língua coloca à disposição dos falantes para
expressarem suas emoções, sentimentos e sua imaginação. E é por meio dos discursos relatados que o
narrador relata as falas dos personagens, sendo possível verificar, qual o tipo de discurso que é predominante
no texto: como o discurso direto, como o discurso indireto, como o discurso indireto livre que faz um registro
da fala ou do pensamento da personagem e como as novas formas de expressão que são como se o narrador
testemunhasse o discurso interior da personagem manifestando sua presença e sua distância. É importante
que se leve em conta todos os elementos de comunicação: a variação do discurso entre os gêneros literários e
a interpretação com o objetivo de construir um sentido. No entanto, há um problema em relação à
interpretação do enunciado literário, pois o fato de emissor e receptor não se encontrarem demonstrará que
cada leitor atribuirá um sentido particular ao texto. Outro problema é que, modernamente, escritores inserem
dentro da trama narrativa os discursos dos interventores sem distinguir claramente os diferentes níveis de
voz, tornando complexa a polifonia, isto é, fica difícil de identificar as vozes das personagens e do narrador.
Desse modo, podemos perceber a importância de lançarmos o olhar sobre essas formas novas de discurso
relatado.


   DO RAP À LITERATURA INFANTIL PREMIADA: UM GAROTO CHAMADO RORBETO, DE
                            GABRIEL O PENSADOR

                                                     94
                                                              Nathalia Costa ESTEVES (PIBIC-CNPq/UEM)
                                                                            Alice Áurea Penteado MARTHA

Esta comunicação recorta resultados do Projeto Narrativa infanto-juvenil brasileira contemporânea:
múltiplas faces do mercado editorial (PIBIC/CNPq/UEM), que tem como objetivo levantar temas e imagens
presentes na produção da narrativa literária infanto-juvenil contemporânea, apontando aspectos que traduzem
não só a inserção da literatura para crianças e jovens no quadro histórico-estético da cultura brasileira mas
também as múltiplas faces deste mercado editorial, sempre crescente. O corpus para o desenvolvimento da
pesquisa compõe-se de textos narrativos, publicados em 2005, que receberam a láurea de Obra Altamente
Recomendada – AR-2006, concedida pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Em razão tanto do
grande número de publicações como da diversidade de categorias instituídas pela fundação para as obras
premiadas, esta pesquisa, de caráter bibliográfico, restringe-se às que receberam o selo AR-2006, nas
categorias Criança e Jovem, abarcando especificamente o gênero narrativa. O recorte dado a esta
comunicação privilegia a leitura de Um garoto chamado Rorbeto (Cosacnaify, 2005), de Gabriel o Pensador,
que, além do selo AR da FNLIJ, recebeu o Prêmio Jabuti de 2006, como melhor livro infantil, com o objetivo
levantar no texto elementos estruturadores da narrativa, notadamente, a linguagem, de ritmo marcadamente
rap, a construção da personagem infantil, bem como o projeto gráfico, original e adequado ao pequeno leitor.


                                   LOLITA, O ESPELHO DE ALICE?
                                                                                       Nathalia Salibas DIAS

Na célebre obra Lolita do escritor russo Vladimir Nabokov observam-se diversas passagens que fazem
menção à obra Alice no país das maravilhas de Lewis Carroll. Esses trechos colaboram para a construção da
personagem Lolita que se torna uma espécie de espelho da Alice. Nabokov apropria-se das características
pessoais da personagem carrolliana e, especialmente, do imaginário que a envolve, para construir a
protagonista de seu romance. Ao fazer essas escolhas, o escritor russo investe em um tipo de leitura de Lolita
na qual ela não é somente vítima, mas também agente de sua tragédia. Outro elemento complicador surgido
nesse contexto é a narrativa do romance em primeira pessoa feita por Humbert Humbert, o padrasto da
Lolita, que com ela mantém relações sexuais após a morte da mãe da menina. Esse aspecto do livro
problematiza a visão que o leitor faz da Lolita porque todos os eventos são contados, selecionados e filtrados
por Humbert Humbert, inclusive as comparações com Alice.
Procura-se em primeira instância analisar o narrador e as suas escolhas narrativas, uma vez que as
comparações entre as personagens decorrem dele, ciente de que em última análise estuda-se também o autor
Nabokov. Na seqüência analisa-se a configuração das personagens de Humbert Humbert, Lolita e Alice, a
fim de perceber como elas se estabelecem e se organizam dentro da estrutura narrativa. Finalmente, busca-se
perceber de que maneira Lolita e Alice são relevantes para a leitura que se faz do romance.


  O MANIFESTO LITERÁRIO: ALGUMAS PECULIARIDADES DO MANIFESTO DADÁ E DO
                       MANIFESTO ANTROPOFÁGICO.
                                                   Ogmar Luciano SILVA (UEM)

O termo manifesto possui uma conotação muito ampla e na maioria das vezes não recebe um enfoque
específico. Nos compêndios literários esse tipo de produção crítica/literária na maioria das vezes é diluída em
versões sintéticas e estanques não valorizando suas reais potencialidades e eficiências. Podendo ser utilizado
com conotações políticas, literárias e até mesmo filosóficas, em muitos casos, o manifesto literário serve
como roteiro para fundamentação de uma nova estética literária como é o caso do manifesto literário Le
Symbolisme de Jean Moréas ou mesmo o Manifesto Futurista de 1909. Sob esta perspectiva qualquer arte
poética é, a rigor, um manifesto com potencialidade de fundamentar uma nova estética. Desde a antiguidade
clássica, pode-se supor que houve ―manifestos literários‖ mas, com intenções bem distintas dos manifestos da
modernidade. como é o caso da poética de Aristóteles e mesmo das poéticas latinas e renascentistas de
Horácio e Boileau. No entanto, fora a partir das primeiras décadas do século XX que ocorreu o grande surto
na produção de manifestos como os de: André de Breton de 1924 para inaugurar o Surrealismo; de Tristan
Tzara de 1916 para inaugurar o Dadaísmo na França e mesmo o Manifesto Anti-Dantas de Almada
Negreiros, contra o comodismo dos poetas portugueses, buscaremos expor neste estudo uma análise sobre o
conceito de manifesto literário e algumas peculiaridades inseridas no Manifesto Dada de 1918 e no Manifesto
Antropofágico de 1928.



         DESVENDANDO EÇA DE QUEIRÓS EM PERIÓDICOS – GAZETA DE NOTÍCIAS
                                                Patrícia Ayres PEREIRA (PG – UEM )

                                                     95
O projeto sobre Eça de Queirós em periódicos - Gazeta de Notícias: notas explicativas, índices remissivos
(Banco de dados) tem por objetivo principal facilitar a compreensão dos textos publicados em jornais, por
meio da elaboração de notas explicativas (nomes e locais históricos, palavras e expressões desconhecidas ou
que precisam de explicações complementares) e da organização de índices remissivos (para melhor localizar
o assunto ou palavra-chave), inseridos em banco de dados e hospedados no site do CEDAP-UNESP/Assis.
Este projeto pretende tornar os textos jornalísticos mais acessíveis à leitura e ao acesso do público não
iniciado em textos queirosianos. Também pretende a interdisciplinaridade, na medida em que vai auxiliar nas
pesquisas de estudantes do ensino médio e superior, uma vez que o estudo do conteúdo destes textos refere-se
a fatos históricos, sociais e políticos da Europa, principalmente. Serve como meio de divulgação e incentivo à
leitura dos textos de periódicos de Eça de Queirós, propiciando, desse modo, o enriquecimento da bagagem
cultural e a divulgação do conhecimento da visão crítico-reflexiva de Eça de Queirós acerca de fatos
contemporâneos de sua época e também de questões literárias. O ponto culminante deste projeto de pesquisa,
o qual revela sua natureza eurocêntrica e/ou orientalista, não poderá ser tratado com acuidade, já que a
pesquisa neste sentido encontra-se levemente delineada.


AS VANGUARDAS EUROPÉIAS E O MODERNISMO BRASILEIRO: AS CORRESPONDÊNCIAS
              ENTRE MARIO DE ANDRADE E MANUEL BANDEIRA
                                             Paula Cristina GUIDELLI (PG-UEM )

Os movimentos poéticos e artísticos, de modo geral, do início do século XX, na Europa, caracterizaram-se
por um estardalhaço inicial e com a intenção de fazer tábua rasa do passado, mesmo até do mais recente na
época. As vanguardas do começo do século XX, em geral, se enquadram entre o Dadaísmo e o Surrealismo,
movimentos esses que sobressaíram a outros que os antecederam ou que ocorreram concomitantemente. No
entanto, é preciso mostrar que esses movimentos mencionados não nasceram do nada. Todo um caminho os
conduziu ao momento propício para o aparecimento de cada um deles. O modernismo no Brasil, também
representou um momento de mudanças. A relevância desse trabalho é relatar algumas características que
esses movimentos tiveram em comum e a rejeição ocorrida fortemente ao passado. Portanto, faremos uma
abordagem panorâmica, sobre o Futurismo, o Dadaísmo, o Expressionismo e o Surrealismo. Também
abordaremos o chamado modernismo brasileiro que foi também um movimento de vanguardas para que
percebamos pontos de contatos com as vanguardas européias. Acreditamos, sem dúvida, que o estudo da
literatura dessa época possa ser de interesse para os estudantes de Letras tanto da graduação como da pós-
graduação e para os apreciadores de literatura. Demonstraremos através do livro ―Correspondência Mário de
Andrade e Manuel Bandeira‖ como nossos poetas foram tocados pelas vanguardas européias do século XX.


        CONFIGURAÇÕES DO AMAR: OLHARES HISTORIOGRÁFICOS
                                            Paula Gerez Robles Campos Vaz (PG-UEL)

A proposta deste artigo é verificar qual o tratamento dado pela historiografia literária brasileira à temática
amorosa. Sendo assim, este trabalho deixou-se guiar por algumas questões: Qual a relevância dada por
determinado historiador ao tema da obra literária? Seriam os temas matéria para a história literária ou não?
Quais os significados ideológicos possíveis de se entrever quando se valoriza os aspectos políticos de
determinada época, as filosofias em voga, as características estéticas apresentadas em detrimento do assunto
e mais que isso, em detrimento da maneira como o assunto relaciona-se com as práticas sociais vigentes no
período? Foram quatro as obras selecionadas para a análise: História da Literatura Brasileira (José
Veríssimo); De Anchieta a Euclides. Breve história da Literatura Brasileira (José Guilherme Merquior);
História da Literatura Brasileira. Prosa de Ficção. (Lúcia Miguel-Pereira). O mapeamento do tema amor,
limitou-se também a dois momentos específicos da literatura nacional, adotando a nomenclatura usual, o
Romantismo e o Realismo (ainda que as obras escolhidas possuam algumas oscilações entre as datas e
períodos estudados). É necessário agora cobrir semanticamente a palavra amor, já que são muitas as
concepções possíveis. O tema amor quando citado neste artigo refere-se exclusivamente ao sentimento
afetivo-sexual existente entre seres humanos adultos. Ficam excluídos, portanto, o amor paterno, materno ou
fraterno, assim como, o amor por lugares, animais, costumes ou objetos. Deve-se ressaltar ainda que a
temática amorosa não pressupõe a existência do relacionamento amoroso, por exemplo, o amor não
realizado, não vivenciado, apenas sentido, também pode ser abordado aqui.


   A RELIGIOSIDADE NA POESIA DE LUÍS VAZ DE CAMÕES: A FÉ COMO PROPOSTA DE
                 SOLUÇÃO PARA OS “DESCONCERTOS DO MUNDO”
                                                    Paulo Rogério SOUZA (PPE/UEM)


                                                     96
O patriotismo é um tema predominante na poesia épica camoniana, na qual o poeta procurou exaltar os
grandes feitos e conquistas do povo português. Já a sua obra lírica foi influenciada pelos eventos que
marcaram a vida particular desse poeta português, como seus amores frustrados por diversas mulheres da
corte; sua prisão por ferir numa briga um criado do Paço Real; a perda de um olho quando lutou como
soldado numa batalha na África; o exílio no Oriente onde viveu por longo tempo; a miséria e o esquecimento
no final da sua vida. Esses acontecimentos provocaram na vida de Luís de Camões um estado de conflito
diante do que ele passou a chamar de ―desconcertos do mundo‖ e que, como poeta, procurou expressar na sua
poesia com pessimismo e indignação pelas injustiças sofridas. Assim, o sofrimento, a injustiça, a dor são
temas recorrentes na sua obra onde o poeta descreveu suas desventuras e desilusões pelas quais passou. Mas
mesmo diante dessas desventuras e desilusões, o poeta procurou na fé cristã um alívio para suas dores e uma
solução para os seus conflitos, mostrando como a religião fez parte da sua vida, expressando em seus versos a
sua religiosidade. O que levou Luís de Camões a ser considerado o ―herdeiro da mentalidade do Alferes da
Fé‖ que propagou com sua poesia, e que mesmo sofrendo pelos ―desconcertos do mundo‖, procurou superar
seu sofrimento com a sua crença em Cristo.


OS CONFLITOS NO PROCESSO DE TRANSIÇÃO DO GÉNOS PARA A PÓLIS: O “VELHO” E O
                  “NOVO” NA TRILOGIA TEBANA DE SÓFOCLES
                                                 Paulo Rogério SOUZA (PPE-UEM)

Com a transição do período arcaico para o período clássico a sociedade grega passou por um processo de
transformação. A nova forma de organização social da cidade-Estado abandonou muito das antigas tradições
e costumes característicos da comunidade gentílica para poder se estruturar. As mudanças que ocorreram
nessa sociedade interferiram, tanto na sua organização como na sua administração. Mas a sociedade grega
clássica não rompeu por completo do seu passado, posto ele se fazer presente em quase todas as esferas do
seu cotidiano, o que desencadeou severas contradições que refletiram no homem sob forma de constante
conflito. É nesse estado de conflito do homem diante das transformações que ocorriam na sua sociedade que
Sófocles buscou o conteúdo para criar sua obra. O que pode ser verificado nas suas peças, principalmente em
Édipo Rei, Édipo em Colono e Antígona. Nessas tragédias o poeta procura mostrar o conflito existente entre a
―velha‖ forma de organização social com a ―nova‖ estrutura da sociedade. Nas peças sofoclianos esse
conflito é representado pelo embate entre o ―pai‖, que representa a antiga tradição e o filho, personificação da
nova ordem social. Dessa forma se coloca com a nova organização da pólis foi articulada para fortalecer e
sedimentar seus alicerces, tendo em vista substituir o velho sistema gentílico e procura superar os conflitos
provocados pelas contradições dessa sociedade.


  A FORÇA HUMANIZADORA DAS ARCÁDIAS E SEU PAPEL SOCIAL NA FORMAÇÃO DO
                    HOMEM SETECENTISTA PORTUGUÊS
                                            Pedro Berger FERREIRA (PG-PLE/UEM)

Esta comunicação tem como proposta analisar, tendo em vista as considerações de Antonio Candido a
respeito das funções da literatura e de sua atuação como força humanizadora, a importância da atuação da
Arcádias, em especial da Arcádia Lusitana, na divulgação do pensamento iluminista setecentista e sua
contribuição para o estabelecimento desse sistema cultural, político e filosófico. O estudo que se propõe,
portanto, é de caráter social, e não estético. Mais importante, nesta comunicação, que a crítica estética dos
poemas árcades é evidenciar, por meio dos conceitos de Candido, a fundamental importância da instituição
das academias literárias para a retomada consciente dos ideais filosófico-culturais da Antigüidade Clássica e,
ainda, argumentar sobre a relevância maior do aspecto social dos poemas árcades, em relação a seu conteúdo
artístico.


                  TEATRO NA ESCOLA: LINGUAGENS E PROCESSO CRIATIVO
                                                        Pedro Carlos de Aquino OCHÔA
                                                            Regina Lúcia MESTI - UEM

Este texto apresenta os resultados de um Projeto de Iniciação Científica que se constitui em uma revisão
bibliográfica sobre a importância do teatro na escola e a presença de linguagens no exercício cênico. A
análise do volume Arte dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental, publicado pelo
MEC, identifica uma valorização positiva das atividades teatrais no desenvolvimento da expressão, aquisição
de conhecimento cultural e apreciação estética. A apresentação de estudos bibliográficos da área de arte
descreve o percurso do teatro: dos rituais primitivos das concepções religiosas que eram simbolizadas para o
teatro como arte, formalizado pelos gregos como espaço cênico organizado na demonstração de cultura e
conhecimento. Essas explicações são apresentadas no PCN Arte como argumentos a favor das interações

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sociais no exercício cênico. Sobre a produção teatral na escola é destacada a necessidade do entendimento de
costumes e contextos culturais para o pleno desenvolvimento das atividades relacionadas ao teatro na escola.
Esta pesquisa oferece subsídios para estudos do teatro enquanto uma produção cultural e uma prática social e
histórica. Também contribui para a criação de um projeto de arte cênica em sala de aula que requer a
organização e a interação sensível e inteligível do sujeito com o mundo: o teatro reúne a música, artes
plásticas e literatura na criação ou adaptação de textos para a dramatização.


      ANÁLISE DE PROPOSTAS METODOLÓGICAS PARA O ENSINO DE LITERATURA
                                                    Rafaela STOPA (PG – FAFIJA)
                                                            Hiudéia T. R. BOBERG

O Grupo de pesquisa Literatura e Ensino, da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de
Jacarezinho, sob a liderança da Professora Hiudéa Tempesta Rodrigues Boberg, busca e pesquisa
metodologias para o ensino de literatura que auxiliem o trabalho do professor em sala de aula. Esta
comunicação tem por objetivo apresentar duas propostas metodológicas, já avaliadas pelo Grupo, presentes
nos livros: Letramento literário: teoria e prática, de Rildo Cosson e Literatura na escola: propostas para o
ensino fundamental, de Juracy Assman Saraiva e Ernani Mügge. Pretende-se analisar quais as suas
contribuições para o desenvolvimento do trabalho do professor em sala de aula e verificar se há realmente
uma abordagem que valorize a estética do texto literário e que trate o aluno como o sujeito desse processo.
Esperamos também alertar os docentes para a necessidade da adoção de metodologias no ensino de literatura.

      METÁFORA: UMA LINGUAGEM LITERÁRIA MODERNA PRESENTE NAS CARTAS
                PORTUGUESAS DE SÓROR MARIANA ALCOFORADO
                                 Regina Lúcia Gonçalves Pereira SILVESTRINI (PG-UEM)

O Barroco inicia-se em Portugal em 1580, data marcada por dois acontecimentos de grande importância: a
morte de Luiz Vaz de Camões e a perda da autonomia política de Portugal. A pressão de forças antagônicas
(dicotomia: carne/espírito) traduziu-se nas antíteses, paradoxos e oxímoros, constituindo-se numa
manifestação da fusão dos sentidos humanos com o apelo do sobrenatural e da fé. No final do período, a
mulher luta pela sua emancipação intelectual e social. Foi nesse contexto em que se debatia a razão e o
sentimento numa linguagem exaltada, expressando os conflitos interiores, nos quais se inserem as Cartas
Portuguesas de Sóror Mariana Alcoforado. Para Jorge Luís Borges (2000) o estudo da metáfora, é o elemento
essencial da literatura, teoria que se apóia em Lugones, afirmando que todas as palavras têm origem nas
metáforas. No estudo da modernidade os vanguardistas não descobriram nenhum modelo de como viver o
futuro. Nesse sentido, mesmo numa literatura produzida no século XVII, o uso das figuras de linguagem,
especificamente, a metáfora, permaneceu na produção literária do século XX, na modernidade. O objetivo
deste artigo é demonstrar e apontar na terceira carta, a presença da metáfora como um traço permanente da
literatura da modernidade.


     MARIA JUDITE DE CARVALHO: RELAÇÕES DE MEDIAÇÃO ENTRE SUA OBRA E O
                              PÚBLICO-LEITOR
                                              Roberta Fresneda VILLIBOR (PG-UEM)

Esta comunicação tem por escopo a análise das relações de mediação entre a obra da escritora portuguesa
Maria Judite de Carvalho e a sua circulação no Brasil. Uma vez que são poucos os estudiosos que se propõem
a realizar esta tarefa, percebeu-se a necessidade de estudos brasileiros no tocante à produção, à circulação e à
leitura do texto literário. Para tanto, será utilizada a obra Sociologia da Leitura, do teórico francês Robert
Escarpit, a coletânea de ensaios reunidos na obra Literatura e Mídia, organizada pelos professores Heidrun
Krieger Olinto e Karl Erik Schllhammer, bem como arquivos em mídia eletrônica. Unindo a falta de
pesquisa neste campo e o interesse pessoal pela autora portuguesa Maria Judite de Carvalho, nasceu a
proposta de investigação da pouca (ou quase nula) circulação dos livros da escritora no país, enquanto, em
Portugal, sua obra já foi merecedora de vários prêmios. Entre eles, destaca-se o Prêmio Camilo Castelo
Branco, concedido pela Sociedade Portuguesa de Escritores em 1961 pela obra As palavras poupadas. Para
melhor compreender o sistema mercadológico do livro, será realizado um panorama desse no Brasil,
necessário para explicar as relações entre público e mídias, bem como um relato sucinto sobre a autora,
muitas vezes desconhecida até mesmo da Academia. Para finalizar o artigo, será realizada a análise da
circulação das obras de Maria Judite no país, em uma tentativa de se explicar o porquê de seu pouco
conhecimento e estudo.




                                                      98
                         O TEXTO LITERÁRIO E OS MODOS DE LEITURA
                                                     Roberta Fresneda VILLIBOR (PG-UEM)

Trabalhar o texto literário em sala de aula, explicando a literatura por meio do encontro do aluno com a
criação literária. Este é o mote do Projeto CELLE, que procura promover a ressignificação de indivíduos em
condição de exclusão social (detentos da Penitenciária de Maringá) por meio da leitura, da compreensão e da
produção de textos verbais e não-verbais. A ressignificação pode acontecer, como afirma Candido, pois a
literatura possui ―a capacidade de confirmar a humanidade do homem‖ (CANDIDO, 1974). Neste projeto,
para realizar as atividades com o texto literário, uma antologia de textos (verbais e não-verbais) foi
organizada por eixos temáticos trabalhados nas aulas. Para confirmar a teoria dos Níveis de Recepção
literária no ensino, proposta pelo alemão Hans Kügler, foi criado um grupo de pesquisa paralelo ao grupo
formado pelos detentos. Esse grupo paralelo, composto por alunos oriundos da rede privada de ensino,
participou de encontros para a discussão do texto literário, nos mesmos moldes dos encontros realizados na
PEM. Após o término do segundo módulo da antologia um, comparou-se o nível da recepção dos textos
literários trabalhados por ambos os grupos, o que resultou no artigo em questão, que busca explicar o porquê
destas leituras terem sido tão distintas entre si.


     DIÁLOGOS POSSÍVEIS: A CONSTRUÇÃO DA PERSONAGEM EM LYGIA BOJUNGA
                                                Rosa Maria Graciotto SILVA (UEM)

Indagações como ―Quem sou eu como ser social e individual? Quem sou eu aos meus olhos e aos olhos dos
outros?‖ evidenciam que a existência da pessoa como ser individual mostra-se indissolúvel de sua existência
como ser social. A identidade vista como um processo em movimento contínuo de transformações .suscitou-
nos um estudo sobre a construção da identidade das personagens da escritora Lygia Bojunga . Para este
trabalho, selecionamos a obra Sapato de salto, publicada em 2006, tendo como foco a personagem Paloma
,com o intuito de verificar como se dá o processo de construção de sua identidade na obra em questão, assim
como o de evidenciar os possíveis diálogos estabelecidos com outras personagens do universo ficcional
bojunguiano.


  O LUGAR DA PERSONAGEM E DO LEITOR EM SEIS VEZES LUCAS DE LYGIA BOJUNGA
                                                Rosa Maria Graciotto SILVA (UEM)

A necessidade vital de criar personagens rendeu à Lygia Bojunga uma produção literária em que a criança
ocupa lugar de destaque. Focalizando crianças pobres ou abastadas, Lygia Bojunga expõe os frágeis liames
do núcleo familiar, pontuando o relacionamento entre pais e filhos, assim como a fragmentação e a
desagregação da família. São imagens recorrentes que percorrem toda a produção literária da escritora,
entrelaçando fios de uma história com outras, contrapondo personagens e situações de vida. Dentro desses
parâmetros, e tendo como corpus a obra Seis vezes Lucas, publicada em 1995, é nosso objetivo, neste
trabalho, verificar o processo de criação da personagem criança tanto em sua singularidade quanto em sua
interação com o outro, assim como observar o lugar que é reservado ao leitor nesse processo.

        ENTRE A LITERATURA E A HISTÓRIA CULTURAL: CRÔNICA DE COSTUMES
                    AMBIENTADA EM UMA ESTÂNCIA BALNEÁRIA.
                                                      Rosana STEINKE (PPH-UFPR)

Em fins do século XIX e durante a metade do século XX foram implantados no Brasil, inúmeros projetos
urbanísticos atendendo a uma demanda curista e turista. Tal fenômeno se dá, num primeiro momento, através
das chamadas classes abastadas e uma certa invenção da distinção. Muitos melhoramentos foram feitos e
cidades novas foram criadas com tal intuito. João do Rio, observador atento das mudanças na paisagem
urbana do Rio de Janeiro, também registrou em crônicas duas temporadas que passou na estância balneária
de Poços de Caldas. Em A correspondência de uma estação de cura, retrata o cotidiano e os gostos da
burguesia, no qual se percebe inúmeros aspectos da sociedade que freqüentava tal estância, seu
comportamento e trocas simbólicas. Perceber como se manifestam novas sensibilidades e sociabilidades a
partir do universo criado por tais práticas sociais e culturais, e relacioná-las com a distribuição do espaço
físico e sua apropriação, através da narrativa desse autor, é o objetivo dessa comunicação.

    PATRIARCALISMO E CORONELISMO NA OBRA INCIDENTE EM ANTARES DE ÉRICO
                               VERÍSSIMO
                                 Samuel Carlos WIEDEMANN (G – IC – Letras/UNIOESTE)
                                                    Maria Beatriz Zanchet (UNIOESTE)

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O estudo analisa – na obra Incidente em Antares, de Érico Veríssimo – as marcas da historicidade presentes
na sociedade brasileira, a partir da segunda metade do século XIX, especificamente, no Rio Grande do Sul,
caracterizadas pela permanência de traços da família patriarcal, estribada no coronelismo e na centralização
do poder, os quais se revelam de forma marcante em personagens representativos da obra. Igualmente, o
estudo pretende centrar-se na análise do papel conferido às mulheres na sociedade da época, de suas
atribuições e prerrogativas. Sob este aspecto, Lucas (1989, p.168-173) destaca que as obras de Érico
Veríssimo estão ―pejadas de historicidade‖ e que em Incidente em Antares ―o autor estabelece um trânsito
entre a História do Brasil e a História do Rio Grande do Sul, de um lado, e a construção fictícia de outro‖,
enfatizando, ainda, que ―sociologicamente, o romance descreve uma sociedade patriarcal‖. Como referenciais
desse sistema são analisados o coronel Tibério Vacariano e a Dona Quitéria Campolargo que, embora seja
mulher e cabeça do clã, preserva os valores do pater famílias. O espaço em que ocorre a narrativa
corresponde a uma cidade fictícia de fronteira, à beira do rio Uruguai e o tempo da estória se passa de 1830 a
1963.

                                   LITERATURA E SUAS RELAÇÕES
                                                       Sandra Aparecida Pires FRANCO (PG-UEL)

O propósito deste artigo é o de verificar as relações existentes entre literatura, história e filosofia, sempre
expondo a obra Tratado de Direito Natural (1768) de Tomás Antônio Gonzaga como explicação para as
argumentações que se apresentam, levantando o questionamento da necessidade de se estabelecer um Cânone
Literário. É preciso segundo este ponto de vista, analisar toda a história possível de um período delimitado,
não importando o local. O conhecimento do todo se faz necessário para realmente compreender como os
homens agiam. O certo é que esses homens tiveram influência de séculos anteriores, o que leva à pesquisa, à
leitura de obras nunca ou pouco lidas e arquivadas como é o caso da obra que servirá de explanação. Assim,
o presente artigo demonstrará a importância de fazer sempre uma correlação entre literatura e sociedade, pois
os aspectos sociais e sua presença nas obras importam para uma compreensão do momento em que a obra foi
escrita, podendo avaliar melhor o círculo entre a obra e o ambiente. Importante salientar que a arte é um
sistema simbólico de comunicação inter-humana, logo todo processo de comunicação pressupõe um
comunicante, o escritor; um comunicado, a obra; e um comunicando, o público, definindo o seu efeito.


                           TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA E SUA HISTÓRIA
                                                  Sandra Aparecida Pires FRANCO (PG-UEL)

O propósito deste artigo é o de demonstrar a vida do árcade Tomás Antônio Gonzaga e a história de Portugal
do século XVIII, no momento em que era aluno da Universidade de Coimbra. Para tanto, faz-se necessário
verificar a vida de seus pais, o que eles faziam, para verificarmos a influência de sua família sobre suas
atitudes. Verifica-se também neste texto sobre os amigos de Gonzaga, os autores influentes na construção do
pensamento e sobre a pessoa que governava Portugal naquele momento que era Marquês de Pombal.
Procuramos expor também acerca da vida de Gonzaga quando veio ao Brasil e como foi sua trajetória perante
o momento da Conjuração Mineira. Relatamos acerca de sua obra Tratado de Direito Natural (1768) e o
interesse de a ter escrito naquele momento em que era aluno da Universidade de Coimbra e de sua
dedicatória ao primeiro ministro de Portugal. Assim estaremos expondo acerca de um homem que
influenciou um momento histórico dentro da Literatura Portuguesa e Brasileira. Um homem que ficou
estabelecido no Cânone literário, mas com outra obra, intitulada Marília de Dirceu, sendo o Tratado de
Direito Natural pouco mencionado e lido.


   O ENSINO DA LITERATURA NA PERSPECTIVA DAS DIRETRIZES CURRICULARES DA
         REDE PÚBLICA DE EDUCAÇÃO BÁSICA DO ESTADO DO PARANÁ (DCE)
                                                Sandra Eleine Romais (UEPG/ UFPR)

As escolas públicas do Paraná têm acesso, nesse ano de 2007, ao documento oficial que norteia as atividades
escolares e suas estratégias, as DCE. Em especial, os professores de língua portuguesa e literatura contam
com 28 páginas de texto sobre a dimensão histórica da disciplina, os fundamentos teóricos e metodológicos,
o conteúdo estruturante e os sistemas de avaliação do Português. Esse artigo tem como objetivo fazer uma
leitura crítica deste documento formulado pelo Estado do Paraná a fim de tornar a prática pedagógica mais
reflexiva e atuante. Quanto à literatura, como foco desse estudo, cabe lançar um olhar avaliativo sobre o que
se entende por Estética da Recepção, teoria que orienta a prática literária nas escolas – segundo as DCE.
Quais as implicações dessa escolha para o ensino de literatura no âmbito escolar. Como avaliar o processo de
leitura literária na escola. E como tem sido a aplicação literária no Ensino Fundamental. Essas e outras


                                                     100
questões trazem a escrita das DCE para um mergulho à realidade das escolas brasileiras e à formação de um
leitor crítico que se pretende.


                      AO ENTARDECER: EM BUSCA DE UM TEMPO PERDIDO
                                          Sandra Regina Vieira dos SANTOS (PG-UNESP/CNPq)

O presente trabalho tem por objetivo apresentar algumas reflexões estéticas sobre o livro Ao Entardecer:
contos vários, do Visconde de Taunay, que certifique sua importância literária, utilizando como exemplo
disto uma possibilidade de leitura do conto Ciganinha – um dos contos que compõe o livro. Assim como o
título ―Ao Entardecer‖ sugere, com um tom bastante melancólico característico do momento em que este
projeto foi idealizado pelo autor, nosso trabalho propõe uma discussão sobre o desconhecimento desta obra
por parte de um público leitor atual, já que Visconde de Taunay é um ícone da literatura brasileira do século
XIX e concentra nestes contos a sua versatilidade narrativa. E também em relação à recepção que o livro teve
desde sua publicação até os dias atuais, considerando o trajeto percorrido pelos contos (Pobre menino,
Ciganinha, Cabeça e coração, Uma vingança, Rapto original e O estorvo) que fazem parte desta coletânea,
desde as respectivas publicações em jornais, que não lhes davam o devido valor estético (talvez pela própria
característica descartável do padrão jornal), até suas consagrações estabelecidas e preservadas no formato
deste livro. Para tanto, o trabalho procura discutir, à luz de alguns textos teóricos, as relações entre assuntos
como Folhetins (Romance-Folhetim, Romance em Folhetim e Contos), cultura industrial, cultura de massa e
o próprio objeto livro.


                           NO (SUB)MUNDO DA MALANDRAGEM:
                   A CONSTITUIÇÃO DO ROMANCE PICARESCO EM MARAFA
                                                   Sandro Pontes FERREIRA (PG-UFMS)

Caracterizado por apresentar uma narrativa que tem em seu âmago uma visão crítica da realidade social na
Espanha do século XVI, Lazarilho de Tormes, obra inaugural do romance picaresco espanhol, irrompe em
meio a uma profusão de novelas de cavalaria e cria um modelo que é considerado um dos alicerces da
literatura moderna. Seu protagonista, Lázaro de Tormes, que, para manter-se vivo em face do despotismo da
monarquia absoluta, tenta, em primeiro plano, manter-se vivo por meio de sua inteligência e esperteza para,
posteriormente, levar a efeito seu projeto de ascensão social. O personagem picaresco em muito se
assemelha, do ponto de vista literário, na construção do malandro carioca brasileiro e, para estabelecer essa
possível identidade, empreenderemos nesta comunicação um estudo comparativo tendo como elementos
cotejadores Lázaro de Tormes e um autêntico malandro carioca, aqui representado pela personagem
Teixeirinha, um dos protagonistas de Marafa, romance de Marques Rebelo. A partir dessa análise preliminar,
pretende-se tratar de modo mais aprofundado, de Teixeirinha, apresentando uma das grandes personagens da
literatura brasileira, tão esquecida pelos meios acadêmicos quanto seu criador, Marques Rebelo.


 SYLVIA PLATH E PÓS-MODERNIDADE: “LADY LAZARUS”, NA SUA TRADUÇÃO PARA O
                              PORTUGUÊS
                                                  Sarah CASAGRANDE (PG-UEM)

Procura-se identificar e analisar aspetos temáticos, estilísticos e estéticos pós-modernos na poesia da poeta
norte-americana Sylvia Plath (1932-1963), conhecida pela aura mítica em torno de sua figura, devido ao seu
suicídio. Sua poesia confessionalista, polêmica pelo alto teor autobiográfico, tende a gerar leituras e críticas
equivocadas sobre sua arte poética, de grande habilidade técnica e sofrimento interior intenso; lida com
elementos das estéticas clássica, romântica, modernista entre outras, caracterizando-se, assim como pós-
moderna. O tom geral é melancólico e irônico e o tema principal a morte e o suicídio. São feitas
considerações sobre o contexto sócio-cultural e literário norte-americano pós-II Guerra Mundial, o
confessionalismo, Plath e sua obra. Exposição teórica sobre a pós-modernidade e análise estética, crítica e
interpretativa do poema ―Lady Lazarus‖ (1965), utilizando-se sua versão traduzida para o português com o
título homônimo ―Lady Lazarus‖, de Lopes e Mendonça (2005). O objetivo é conhecer melhor a obra dessa
poeta, tentando evidenciar os equívocos que muitas vezes tem sido feitos nas interpretações de certos críticos.
Sabe-se que a fortuna crítica de Sylvia Plath não foi pequena, portanto vale a pena buscar mais elementos que
possam esclarecer seu itinerário poético, visando-se, assim colaborar para os estudos da sua linguagem
poética.


                  O JORNAL REVISITADO: AS CRÔNICAS DE JOSÉ SARAMAGO
                                                Saulo Gomes THIMÓTEO (G – UNICENTRO)

                                                      101
                                                             Cláudio José de Almeida MELLO (UNICENTRO)

José Saramago, autor de vários romances nos quais se nota um caráter engajado e irônico, apresenta em suas
crônicas, publicadas em jornais impressos como o diário ―A Capital‖ e o semanário ―Jornal do Fundão‖,
ambos de Portugal, entre as décadas de 60 e 70, quando era redator, um discurso que se opunha ao
tradicionalismo objetivo da linguagem jornalística, usando de ficção e conscientização, elementos que
permeariam todo o restante de sua obra. No presente trabalho, observar-se-á como a notícia jornalística é
retratada de uma forma distinta, retomando os princípios da corrente do Jornalismo Literário e do New
Jornalism, cuja linha principal é a de que o jornalista escreve o que vê, sente e pensa, retratando com suas
palavras os fatos, distanciando-se do modelo pautado pelo lead (no qual a matéria procura simplesmente
responder às perguntas: Quem? O quê? Quando? Como? Onde? Por quê?). Assim, o espaço que pertencia ao
escritor português destinava-se, em muitas vezes, a apresentar fatos cotidianos por um viés diferente do
formato editorial presente, isto é, ele buscava oferecer ao seu leitor um estilo diferencial. As técnicas do autor
consistem em: aliar à notícia elementos de caráter ficcional, apontamentos próprios e suas conclusões, ou até
mesmo uma associação de idéias entre o tema principal e algumas derivações. Utilizando-se de estudiosos
direcionados à área de comunicação (como Edvaldo Pereira Lima), escritores que defendem esta linha (como
Tom Wolfe), além de pesquisas sobre José Saramago, busca-se enxergar uma fronteira entre o jornalismo e a
literatura, se é que isso existe realmente.


              A TÉCNICA NARRATIVA EM CLARICE LISPECTOR E JAMES JOYCE
                                               Saulo Gomes THIMÓTEO (G – UNICENTRO)
                                       Níncia Cecília Ribas Borges TEIXEIRA (UNICENTRO)

Com um estilo que prima ora pela introspecção, de modo a fazer com que o fluxo mental de seus personagens
esteja impresso no papel, ora por descrições naturalistas ou simbólicas, as obras de Clarice Lispector e James
Joyce desenvolvem-se em mais de um nível, guiando o leitor para uma nova concepção de literatura e de
narração. No presente trabalho, as obras ―A hora da estrela‖, da escritora brasileira, e ―Ulisses‖, do autor
irlandês, serão analisadas pelo prisma das técnicas narrativas que ambos utilizaram, suas similaridades e
diferenças, de modo a construir um universo dentro da ficção. Seja pelas observações do narrador-
personagem Rodrigo S. M. sobre sua criatura, Macabéa; seja pela constante mudança de foco narrativo,
enfoque e símbolos em uma Dublin do começo do século XX; os autores levam o leitor para o seu mundo
interior, transferindo a ele as frustrações, os medos, os ideais e conclusões que seus personagens possuem.
Este trabalho utiliza, além das obras supracitadas, outros romances e contos para maior embasamento sobre a
escritura de ambos, uma fortuna crítica, com estudos de autores como Paulo Vizioli, Ivo Lucchesi e Olga de
Sá, voltados para os conceitos usados (como o fluxo de consciência) e enfocando estes dois escritores que
muito contribuíram para uma literatura voltada para a interiorização da narrativa.


     LEMINSKI & ANTUNES - (VERTENTES DE UMA LITERATURA CONTEMPORÂNEA)
                                                  Sergio Nunes de JESUS (FACIMED)

Acredita-se que, com a mudança ocorrida no Brasil, no início do século XX, conseqüência da Revolução
Industrial, foi necessária a transformação na arte poética que naquele momento, competia com as máquinas e
os meios de comunicação. Dentre a nova concepção de poesia, destaca-se o Concretismo em Décio Pignatari
- Paulo Leminski e, conseqüentemente, Arnaldo Antunes no início dos anos 90. Com isso, o presente estudo
teve como objetivo conhecer e analisar a poesia concreta/engajada/marginal de Pignatari – Leminski &
Antunes, compreendendo a importância na Literatura Contemporânea. METODOLOGIA: O estudo foi
conduzido por temas que abordassem o tema e seus subitens, no horário da disciplina Literatura Comparada,
Literatura Brasileira/Contemporânea e Teoria Literária. As atividades foram desenvolvidas por meio da
leitura de textos e análise dos livros: Poesia, pois é, poesia (Décio Pignatari) - Melhores poemas de Paulo
Leminski e Psia (Arnaldo Antunes), que serviram como alicerce para a análise semiótica, enfatizaram sua
ideologia sobre os aspectos sociais, culturais e políticos do Brasil na época da vanguarda, facilitando então, a
compreensão dos elementos da poesia concreta/Engajada/Marginal de Pignatari – Leminski & Antunes.
RESULTADOS: Constatou-se com base nas pesquisas bibliográficas, que Décio Pignatari utiliza a
linguagem publicitária, por meio de uma nova ortografia, de modo a vincular sua poesia à nova tecnologia,
principalmente aos meios de comunicação. O poeta valorizava o ícone, de forma a romper com o poema
tradicional. Comprovou-se que os autores trabalham com uma espécie de uma mistura de técnicas, de forma
que suas obras apresentam o lúdico como intertextualidade. Outrossim, Paulo Leminski, tem como traço
marcante o prazer pela polêmica, mas de uma forma mais pessoal, era crítico a si mesmo. Leminski apresenta
evidente ressonância do Concretismo e um comportamento barroco. Ele trabalha o poema enquanto
―mancha-gráfica‖, a atenção que dispensa a palavra enquanto elemento significante. Arnaldo Antunes se
identifica com os fatores da verbivocacionalidade (mistura entre a palavra-escrita / a oralidade e o visual) em

                                                      102
suas poesias. CONCLUSÃO: Tendo em vista que a produção artística passou por uma forte mudança no
início do século XX, percebe-se que, o homem também modificou seu pensamento, buscando romper com a
tradição. Reconhece-se que, ambos os autores aqui estudados, têm muita importância na Literatura
Contemporânea, pois suas poesias caminharam para a geração de outras novas poesias, que buscam a
inovação, a crítica social-política-cultural. Podem-se identificar os elementos gráfico-visuais em ambas as
poesias dos autores, uma vez que foi o modo encontrado para o acompanhamento da constante mutação do
mundo.


A RECEPÇÃO DE “A UM GRANDE HOMEM”, DE OLAVO BILAC, E “SONHO AFRICANO”, DE
     FRANCISCA JÚLIA, POR ALUNOS DE UMA 8A SÉRIE: EM BUSCA DE LEITURAS
                              PARNASIANAS.
                                             Sharlene Davantel VALARINI (PG – UEM)

O movimento literário do parnasianismo nunca teve todas as atenções voltadas para si, devido a sua
preocupação excessiva com os trejeitos da forma em detrimento do conteúdo. Até hoje, no ensino regular,
muitos professores e alunos não se preocupam com esse movimento, relegando aos seus textos um lugar
menor na leitura e discussão. Por isso, esse trabalho tem como objetivo principal demonstrar uma análise da
recepção dos textos ―A um grande homem‖, de Olavo Bilac, e ―Sonho africano‖, de Francisca Júlia, por
alunos de uma 8a série, do ensino privado. Ambos os autores são considerados ícones do movimento
parnasiano no Brasil. Pretende-se, portanto, mostrar como os alunos perceberam que o parnasianismo não
pode ser visto como uma total falta de conteúdo. Para isso, foi utilizado o método de análise da leitura do
texto literário proposto pelo educador alemão, Hans Kügler, que prevê três níveis na recepção literária:
Leitura primária, Constituição coletiva do significado e Modos secundários de ler. Os resultados obtidos
foram satisfatórios, visto que todos os alunos conseguiram desenvolver uma percepção crítica sobre o
movimento, os autores e os textos. Percebendo, portanto, que a suposta falta de conteúdo parnasiana era, em
sua essência, um modo de ―protesto‖ velado às formas anteriores de composição.


                               A LITERATURA E O EXISTENCIALISMO
                                                           Sidinei Eduardo BATISTA (G-UEM)
                                                          Adalberto de Oliveira SOUZA (UEM)

Contrariamente ao que aconteceu durante a Primeira Guerra Mundial, a vida literária não foi interrompida. A
brutalidade do torpor dos anos de ocupação até a Libertação de 1944 não quebraram a continuidade da obra
de um Sartre ou de um Camus, que começaram a publicar antes da guerra, e ambos publicaram um o Ser e o
nada em 1943 e o outro o Estrangeiro em 1942. O Existencialismo, no entanto trouxe no clima de angústia
desses anos sombrios uma vontade de luta. Os compromissos de colaboração, a presença constante da morte,
da tortura e da traição, a consciência do maquiavelismo dos estados, grandes ou pequenos, a enormidade dos
massacres envolvendo militares e civis, a remoção de populações retratam as experiências de uma guerra
inacreditável e universal, fazendo explodir os limites de uma inteligência que se supunha aberta e que
descobriria então no horror e no heroísmo os limites da compreensão. As conseqüências da Segunda Guerra
mundial sobre a vida política francesa são sentidas ainda hoje. A tradicional oposição da direita e da esquerda
se estampa quando o mundo se divide em massas colossais. Em alguns momentos, percebe-se uma literatura
engajada politicamente e o escritor contemporâneo mantém uma ideologia à qual se prende, ficando
raramente insensível aos grandes problemas de seu tempo. No entanto, também constata-se um retraimento
do escritor sobre ele mesmo. Nosso objetivo é estudar tais eventos envolvendo a literatura do pós-guerra,
observando suas ressonâncias até a literatura atual, evidenciando a construção do existencialismo na literatura
e seus desdobramentos.


                  TROPICAL SOL DA LIBERDADE - MOSTRA TEU NARRADOR!
                                          Sílvia Maria Rodrigues Nunes CANTARIN (PG-UEM)

Este estudo pretende analisar o ponto de vista do narrador, em Tropical sol da liberdade (1988), de Ana
Maria Machado, como um meio pelo qual se discute o regime militar, ocorrido há mais de vinte anos na
sociedade brasileira e, assim, propiciar ao leitor uma reflexão acerca dos acontecimentos da época em que
vigorou a Ditadura Militar no Brasil. Na obra em questão a narração aparece colada à ação e, muitas vezes, o
discurso narrativo se confunde com o dos personagens. Como o narrador não é um dos personagens do
romance, pode-se dizer que essa união entre os planos do narrador e do personagem, além de resultar numa
aproximação entre leitor e texto, faz também com que se perceba uma relação estreita entre narrador e
matéria social apresentada por ele. Em primeira análise, acredita-se que o narrador do romance revela fatos
de uma realidade e assume o compromisso de atribuir significação a ela e possui, ainda, um forte valor de

                                                     103
desvendamento para uma matéria social.A fim de empreender esse trabalho, toma-se como base,
principalmente, a posição crítica de Adorno, em seu texto Posição do narrador no romance contemporâneo
(2003), notadamente, no conceito de narrador como figura mediadora por excelência, o qual, por meio do
encurtamento da distância estética, é capaz de retirar o leitor de um estado meramente contemplativo frente a
uma narrativa.


            ALICE E ULISSES, DE ANA MARIA MACHADO: TRADIÇÃO E RUPTURA.
                                          Sílvia Maria Rodrigues Nunes CANTARIN (PG-UEM)

O presente trabalho visa estabelecer um contraponto entre o clássico (epopéia) e o moderno (romance), com
o objetivo de verificar os momentos de ruptura e continuidade da tradição, em Alice e Ulisses (1983),
romance de Ana Maria Machado, voltado para o público adulto. A escolha do livro se justifica, pois é o
esquema mitológico que baliza e orienta o desenvolvimento da trama, uma vez que o texto estabelece um
diálogo com o poema Odisséia, de Homero. Com o recurso da intertextualidade, o narrador de Ana Maria
Machado recupera aspectos da cultura clássica ateniense bem como episódios e personagens da epopéia,
propiciando o encontro entre o novo e o tradicional na narrativa em pauta. Pretende-se, assim, nesta
comunicação, salientar aspectos da construção das personagens femininas, através de elementos estruturais e
temático-formais, bem como o efeito que podem provocar no espírito dos leitores. Desse modo, dentre as
várias formas de leitura de uma obra literária, deseja-se realizar uma análise integradora que aborde os
aspectos estruturais e temático-formais, inerentes à narrativa, com o intuito de confirmar que são eles os
responsáveis por sua coerência narrativa. Ao avaliar as personagens no mundo narrado, confirma-se a
importância dada à cultura grega na obra em questão e procura-se considerar como os leitores são convidados
a experienciar e questionar valores estabelecidos pela sociedade atual e valores do passado, vivenciando,
desse modo, as mudanças ocorridas.


 ESTÉTICA DA RECEPÇÃO E SOCIOLOGIA DA LEITURA – UMA OBRA, VÁRIOS OLHARES.
                                                      Simone Gonzáles SAGRILO

Estudos na área da Sociologia da Leitura têm mostrado que são inúmeros os fatores que determinam os textos
que chegam às mãos do leitor. Muitos, também, podem ser os agentes mediadores; desta forma, a história de
leituras de uma pessoa é formada pela ação de muitos fatores. Esse ―mundo‖ composto pela ação do outro faz
com que o indivíduo veja sua realidade pelo filtro de determinados conceitos, valores, crenças, que,
conseqüentemente, também influenciarão na recepção de novas leituras. Em um trabalho conjunto com a
Estética da Recepção e a Sociologia da Leitura, a obra ―Olhai os lírios do campo‖ de Érico Veríssimo foi
objeto de análise. O objetivo do presente texto é mostrar, de forma sistematizada, os resultados desse estudo,
ilustrar como a faixa etária, a condição social, sexo, e, em especial, a religião são fatores que podem apontar
para uma determinada recepção de um texto literário. No caso do estudo realizado, constatou-se que, a
maioria dos fatores sociais, mencionados pelos os leitores, motivou-os a desempenhar uma leitura específica
desse texto. Outro ponto bem marcado, nos resultados do estudo mencionado, foi a confirmação de
pressupostos da Estética da Recepção.



   A CONSTRUÇÃO DE ESTEREÓTIPOS RACIAIS EM SMALL ISLAND, DE ANDREA LEVY
                                     Soraya Christina Maldonado MOLINARI (PG-UEM)

Andrea Levy aborda em suas obras os conflitos raciais e culturais dos imigrantes jamaicanos na Inglaterra
pós-guerra. Em suas obras anteriores a autora trata das crianças da geração Windrush, a partir de 1948 e suas
lutas sociais por serem ambos negros e britânicos. Em seu quarto livro Small Island a autora tenta convencer
o público leitor de como o racismo foi a ferida mais profunda em suas vítimas coloniais. O objetivo desse
trabalho é analisar à luz da teoria pós-colonial a formação de estereótipos raciais na personagem Queenie,
uma inglesa de classe média que representa a visão colonial através de suas atitudes em relação a um casal de
jamaicanos, inquilinos de sua casa. A metodologia usada nesse estudo é de caráter bibliográfico qualitativo,
tendo em vista a recuperação do momento histórico no qual a história se passa, ou seja, a Inglaterra pós-
guerra de 1948. Através da análise de três episódios envolvendo Queenie em três fases diferentes de sua vida,
pode-se refletir sobre a representação da formação de estereótipos raciais dos britânicos contra um
determinado grupo cultural, os quais, mais tarde serão estendidos para outros grupos oriundos das ex-colônias
britânicas.




                                                     104
 POESIA E MÚSICA: FIGURAS DE LINGUAGEM NO DISCURSO PIANÍSTICO DE SCHUBERT
                       NO LIED GRETCHEN AM SPINNRADE
                                                            Stéfano PASCHOAL

Destaca-se como forma de ―fusão‖ artística, no Romantismo alemão, um gênero de composição denominado
Lied (canção), que é composto de um poema (cantado) e acompanhamento musical. O intuito desta
comunicação é lançar a discussão do ―desvio‖ das figuras de linguagem – gradação e sinestesia – do texto
poético para o musical, no Lied Gretchen am Spinnrade, poema de Johann Wolfgang von Goethe e música de
Franz Schubert.A noção de figuras de linguagem no discurso musical é assunto específico da Semiótica
Musical. Sua discussão aqui, no entanto, enfatiza a literatura como elemento primeiro que permitiu a figuras
de linguagem no acompanhamento.Aproveitando-se da cena evocada pela figura de Margarida (Gretchen) à
roda de fiar (Fausto, de Goethe), desesperada de amor, Franz Schubert imprime ao acompanhamento (piano)
duas figuras poéticas: o movimento da roda de fiar (na mão direita) e a pulsação do coração de Gretchen
(mão esquerda). Além disso, a dinâmica indicada por ele na canção permite momentos interpretativos claros
de gradação, principalmente no exemplo a ser mostrado (ouvido), em que esta canção é interpretada por
Elizabeth Schwarzkopf.


       OS ESTUDOS CULTURAIS E A LITERATURA EM MATO GROSSO DO SUL – UMA
                            ALTERNATIVA POSSÍVEL
                                            Susylene Dias de ARAUJO (UEMS-PG/UEL)

O espaço conquistado pelos Estudos Culturais no contexto brasileiro a partir dos anos de 1990 possibilitou
que se tornassem evidentes as ligações entre a forma social e a estética, uma iniciativa já propagada pelos
estudos do crítico Antonio Candido, ao insistir no enfoque da literatura e da sociedade como ingredientes
indissolúveis. Seguindo esta nova alternativa, uma revisão na questão da cultura local vem se despontando e
o exemplo a ser mencionado em nosso estudo diz respeito a um crescente avanço nas considerações da obra
produzida pelo escritor Lobivar Matos (1915-1947). A partir de uma nova visada para a Literatura produzida
em Mato Grosso do Sul, o mencionado autor, pelo conjunto de sua obra, tem sido atualmente, assunto para
artigos resenhas e estudos acadêmicos. No último Congresso Internacional da ABRALIC realizado no Rio de
Janeiro no ano de 2006, por exemplo, Lobivar foi assunto de 03 trabalhos apresentados em 03 diferentes
Seminários, o que atesta a assertiva aqui apresentada. Nesta oportunidade, à guisa de um pequeno
mapeamento, estaremos analisando algumas destas aparições iniciadas nos últimos 10 anos, fato
característico de novos tratos que desenham o perfil da crítica no momento em que esta se volta a novas
questões discursivas em andamento.


               O DUPLO ESPACIAL EM “CASA TOMADA”, DE JULIO CORTÁZAR
                                                       Tania Sturzbecher de BARROS (FAP)
                                           Fernando de Moraes GEBRA (PG-UFPR / CAPES)

O presente artigo analisa o conto ―Casa tomada‖ de Julio Cortázar (1914-1984), inserido na coletânea
intitulada Bestiário, de 1951. Este conto apresenta a história de um casal de irmãos (o narrador-protagonista e
Irene) que vivem tranqüilos e alheios do mundo na casa de seus antepassados. No entanto, essa aparente
tranqüilidade será rompida por ruídos provenientes da parte mais retirada da casa, ao que os irmãos reagem
com o fechamento da porta que dá acesso àquela parte, dividindo assim a casa em dois espaços simbólicos,
que chamaremos de cosmos e caos. Esses dois espaços apresentam correlações com a estrutura fundamental
do duplo: ser ao mesmo tempo algo e outra coisa Esses dois espaços apontam, por conseguinte, para
desdobramentos da personalidade do narrador e de sua irmã. Entendemos o processo de desdobramento como
a duplicação do sujeito em dois lados de sua personalidade: um mais próximo da manifestação, que se
apresenta no convívio social, e outro mais próximo da imanência, escondido nas profundezas do inconsciente
que vale de mecanismos repressivos para evitar que esse lado se manifeste. Nosso estudo narratológico
buscará mostrar as estruturas duplicadas em ―Casa tomada‖, principalmente no tocante à espacialização do
conto, já que a casa revela-se o elemento de maior carga simbólico-figurativa neste texto de Cortazar. Dessa
forma, partimos da proposta metodológica de relacionarmos as categorias da enunciação (pessoa, tempo e
espaço) com a teoria do duplo, dentro do enfoque filosófico de Clément Rosset.


                        LAVOURA ARCAICA: O HERÓI TRÁGICO MODERNO
                                                   Thais Regina Pinheiro GIMENES (PG-UEM)
                                                          Aécio Flávio de CARVALHO (UEM)



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Em seu primeiro romance, Lavoura arcaica, publicado em 1975, o autor paulistano Raduan Nassar trata de
temas cultural e geograficamente mais amplos, quase atemporais. O livro está dividido em duas partes: a
partida e o retorno. O enredo da obra se constitui numa trama de costumes de uma família. André, o
protagonista, um jovem do meio rural arcaico resolve abandonar sua numerosa família do interior para ir
morar em um vilarejo. Foge, em parte, daquele modelo educativo passado por seu pai, o chefe do modelo
familiar, e, em parte, do grande amor que sentia por Ana, sua própria irmã. Esta paixão nunca poderia ser
compreendida por seu pai. Para descrever o universo humano com todas as suas paixões e desafetos, Raduan
constrói personagens arquetípicos, situações modelares como a parábola do filho pródigo, além de outras
recorrências bíblicas. O romance caracteriza-se também pelos personagens densos, imersos em dramas
profundos, de certa maneira misturando e confundindo, de uma forma bastante lírica, sentimentos como amor
e ódio e vivenciando experiências arquetípicas como vida e morte. Lavoura arcaica filia-se à toda uma
linhagem dramática que vai desde Édipo-rei a Hamlet, atenta ao tom trágico, poético e bíblico. Assim, o
objetivo deste trabalho é estabelecer um paralelo entre o herói trágico clássico e o herói trágico moderno,
com vistas a verificar como o romance contemporâneo de Raduan recupera os elementos estruturais da
tragédia clássica.


                          A MIDSUMMER NIGHT’S DREAM: PALCO E TELA
                                                     Vanessa Panarari BOLONHEIS (G - UEM)
                                                        Vera Helena Gomes Wielewicki (UEM)

A presente investigação objetiva comparar, por meio da teoria da carnavalização, de Bakhtin (1997), a peça A
Midsummer Night‟s Dream, do dramaturgo William Shakespeare, e em uma de suas adaptações para o
cinema (1999), que traz o mesmo título da obra shakespeareana, dirigido por Michael Hoffman. Para tanto, as
personagens escolhidas para a análise são os casais Hérmia e Lysander e Helena e Demetrius, bem como
Bottom e seu relacionamento com a rainha Titânia. Faz-se necessário ressaltar que a carnavalização é um
fenômeno o qual remete-se à liberação dos instintos que permanecem adormecidos na ordem social. Por este
âmbito, o espetáculo cria um efeito contrário às normas estabelecidas pela sociedade, resultando em um
mundo às avessas. Além da comparação de ambas as obras à luz da carnavalização, serão levantados também
alguns aspectos pertinentes acerca da tradução e adaptação, segundo Diniz (2003) e Amorim (2005),
considerando o contexto que circunda e transforma o texto, a cultura na qual o leitor está inserido. Dessa
maneira, a prática de traduzir é vista como um processo de transformação; porém, mais relacionada com rigor
e fidelidade no que diz respeito à forma e conteúdo, enquanto a adaptação estaria vinculada a um processo
mais flexível e aberto à criatividade. Por meio dos estudos das obras A Midsummer Night‟s Dream (palco e
tela), verificou-se que o carnaval acaba por aproximar o mundo do homem, bem como o homem do homem,
além de libertá-lo do medo inerente ao mundo extracarnavalesco, onde as novas relações estabelecidas
entram em choque com o denominado mundo sério, real.


         CONTOS DE FADAS EM PAUTA: CHAPEUZINHO VERMELHO E CINDERELA
                                        Vera Beatriz M. Bertol de OLIVEIRA (PG – UEM)

Com o passar dos anos e dos séculos, os contos de fadas não perdem o poder fascinante sobre a mentalidade
infantil. A denominação genérica de ―contos de fadas‖ abrange todas as narrativas onde a imaginação e a
fantasia levam as crianças até a extraordinária aventura que é descobrir o maravilhoso. Num mundo que
permanece incompreensível, mesmo após todos os progressos da ciência e da tecnologia, que apenas
transitam no campo material, os contos de fadas continuam a excitar a inteligência para uma compreensão
poética da realidade. Nos contos de fadas, a fantasia contida atrai as crianças e desperta através da dualidade
entre as personagens, como por exemplo, o bom e o mau, o belo e o feio, a compreensão dos valores
essenciais na convivência social, desvelando o sentido formativo que a literatura infantil suscita. Nesse
sentido, o objetivo deste artigo de natureza bibliográfica é promover e oferecer aos mediadores da leitura dos
contos de fadas uma leitura compreensiva de alguns elementos estruturadores da narrativa dos referidos
contos. Longe de ser um estudo sistemático, nosso objetivo, é levar aos educadores alguns pressupostos
básicos destacados por vários estudiosos, no que diz respeito à compreensão dos recursos estruturais dos
contos e a sua importância na formação de leitores do texto literário.


                         LITERATURA INFANTIL BRASILEIRA EM CURSO
                                                         Vera Teixeira de AGUIAR (PUCRS)

A extensa produção literária para a criança das últimas décadas dá origem a estudos teóricos, históricos e
críticos, que traçam o estatuto da literatura infantil, descrevem seu percurso e avaliam as obras em circulação.
Outros trabalhos detêm-se no processo de leitura, diagnosticando interesses dos alunos e condições da

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literatura na escola, propondo alternativas de atividades com os textos e sugerindo o que ler. A ênfase, em
todos os casos, está na necessidade de adequação dessa literatura ao seu leitor. Igualmente, é a representação
honesta da sociedade brasileira, através da linguagem coloquial e válida para o contexto, que está em jogo. O
que se quer avaliar, pois, é a especificidade do papel do livro literário infantil como produto cultural que há
mais de um século interfere na formação das novas gerações.Entre os textos à disposição do público infantil
estão aqueles que não foram, muitas vezes, produzidos especialmente para a criança, mas que, pelo sucesso
junto a ela, acabaram por integrar esse acervo. Outros foram criados e divulgados para o pequeno leitor sem,
contudo, garantia de recepção do destinatário. Historicamente, essas produções apropriadas pela ou
destinadas à criança contêm os elementos definidores do gênero. A partir desses pressupostos, propomos uma
reflexão sobre tal literatura, à luz da sociedade em que está inserida.


                   IL FAUT CULTIVER NOTRE JARDIN: CAIO OU O OTIMISMO
                                                      Wagner Vonder BELINATO (PG-UEM)

O otimismo é conceito filosófico segundo o qual nós vivemos no melhor dos mundos possível. Elaborado por
Leibniz, este conceito foi discutido por Voltaire na obra Candide ou L´Optimisme (Cândido ou o Otimismo)
cuja personagem central, após várias peripécias, conclui que il faut cultiver notre jardin (é preciso cultivar
nosso jardim), assertiva que podemos encontrar nas crônicas de Caio Fernando Abreu publicadas em
Pequenas Epifanias. Paralelamente a este conceito, o sentido laico da palavra se distancia pouco do
filosófico, distinguindo indivíduos que procuram observar eventos somente pelo lado bom. Transportando
estes conceitos para a obra de Caio Fernando Abreu, o que se procura é oferecer uma abordagem do
otimismo nesta obra. A revisão que o autor realizou em parte de sua obra, como a modificação do título do
Inventário do Irremediável para Inventário do Ir-remediável, abre, a partir desta abordagem, novas
possibilidades de interpretação sobre o mesmo corpus textual. Assim, como contraponto ao louvável trabalho
de Luana Teixeira Porto, que procura constatar a existência da melancolia nas obras do autor, o que se busca
é mostrar como o otimismo se revela/é omitido e pode, a partir da leitura das obras, oferecer o vislumbre de
soluções otimistas nas obras do autor, abordando os conceitos laico e filosófico do termo.


                             A IDENTIDADE EM TRÂNSITO PELA NOITE
                                                        Wagner Vonder BELINATO (PG-UEM)

No contexto contemporâneo, pode-se afirmar que a obra de Caio Fernando Abreu opta por retratar indivíduos
que não encontram lugar na sociedade, sofrendo com a busca de uma identidade e com essa ‗necessidade‘ de,
finda a busca, encontrar um local estanque onde se situar. Em vários casos, deparamo-nos com personagens
que optam por representar papéis diversos dos seus ou que, em reverso, decidem fugir das representações
impostas. Em ambos os casos, tanto através da representação quanto da fuga, o ponto atingido é sempre a
própria identidade, personagens em constante trânsito. O mundo onde ocorre este movimento em busca da
identidade concorre em sentido contrário a esta busca, fazendo com que as personagens envolvidas se
distanciem do nível de realidade onde poderia ocorrer o encontro com a ‗verdadeira‘ identidade. A novela
Pela Noite, neste cenário, é anuncia-se como exemplar. Duas personagens, inominadas, decidem assumir
identidades fictícias, Pérsio e Santiago, durante a noite de Sábado. Estes nomes, ou identidades, emergem de
duas outras obras: Os Prêmios, de Julio Cortázar, no primeiro caso e Crônica de Uma Morte Anunciada, de
García Márquez, no segundo. As complicações decorrentes desta troca de identidades e as conseqüências
resultantes nos levam a questionar os mecanismos através dos quais a narrativa resolve o problema, uma vez
que as personagens envolvidas atingem, ao final da noite, suas verdadeiras identidades.




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                                  RESUMOS DAS MESAS REDONDAS


                             TÍTULO DA MESA-REDONDA:
                   LITERATURAS ESTRANGEIRAS E A QUESTÃO DO OUTRO

       QUANDO OS OUTROS SOMOS NÓS: O LUGAR DA CRÍTICA PÓS-COLONIAL NA
                          UNIVERSIDADE BRASILEIRA
                                           Heloisa Toller GOMES (UERJ/ PACC-UFRJ)

O exame de questões identitárias nacionais e transnacionais, em suas formas de representação cultural,
mostra-se fértil à luz dos Estudos Pós-Coloniais – área interdisciplinar de crescente importância acadêmica e
de especial interesse para a crítica literária comparatista. Contra-discurso crítico em relação a matrizes
interpretativas dominantes, o Pós-Colonialismo relê a produção cultural ideologicamente comprometida com
o aparato colonial em seus diversos aspectos e rostos, investigando, também e principalmente, vozes
discordantes e caminhos desviantes advindos, em sua maior parte, dos povos subjugados no processo da
colonização imperialista européia. O presente trabalho, enfatizando a pertinência dos Estudos Pós-Coloniais
na universidade brasileira, empreende uma análise contrastiva entre o colonialismo britânico (tido como o
colonialismo-norma) e o português (tradicionalmente subalterno ao inglês). Neste sentido, com o respaldo da
reflexão contemporânea pós-colonial de diversas procedências, são aqui abordadas questões de ambigüidade
e de hibridez, a par de visões de alteridade e de revide, em mostras discursivas extraídas, quer do repertório
cultural anglo/afro-americano, quer do luso/afro-brasileiro.

                                                    (II)

         HISTÓRIA E MEMÓRIA NO BOOM DA LITERATURA HISPANO-AMERICANA
                                              Dra. Luizete Guimarães BARROS (UFSC)

Ao entrar na controvérsia levantada por André Luís Gonçalves Trouche, no artigo Ainda o pós-boom,
apresentado no II Congresso Brasileiro de Hispanistas, em outubro de 2002, sobre a determinação de Roa
Bastos como autor do ―boom‖ ou do ―pós-boom‖, interessa-nos discutir o tratamento da história representado
pela Nova Narrativa Latino-americana.         Nossa idéia é que ao contar histórias, esta literatura aborda
importantes questões identitárias que sustentam o campo intelectual e o projeto criador latino-americano. Por
essa razão, focalizamos uma obra do escritor paraguaio, Yo, el supremo, que trata da ditadura de Gaspar
Rodríguez de Francia, conhecido como Doctor Francia, que governou o Paraguai entre 1810 a 1840, época
da independência das nações hispano-americanas.
Nossa visão se alinha à de Juan Manuel Marcos, autor de Roa Bastos, precursor del postboom, de 1983,
que reconhece Roa Bastos como um dos autores de escritura luxuosa, cosmopolita e elaborada, ―contrária à
suposta pobreza prosaica da tradição regionalista, que é capaz de captar com maior sutileza o tecido
labiríntico do inconsciente coletivo, a trama inextrincável da vida, em que jaz o minotauro da realidade‖, e
aponta certas características que explicam a inserção desta obra aos parâmetros da pós-modernidade.


                                                    (III)

     LITERATURA E INTERCULTURALISMO: O CASO ATUAL DA FRANÇA E DA CHINA
                                           Dr. Sydney BARBOSA (UNESP-Araraquara)

A partir do século XVIII a França abre-se econômica, cultural e política para o Oriente, atraída pelo seu
exotismo ou pelo fascínio que técnicas e produtos de lá provenientes exerciam na sociedade francesa. É o
caso da seda, das especiarias, das pedras e metais preciosos, bem como dos móveis laqueados ou
miniaturizados. A literatura acaba por acolher no seu seio esse deslumbramento e, num ato de mão dupla, ao
mesmo tempo, influencia, destaca e direciona, por meio da produção do sistema imaginário, o que ela
acredita devam ser essas paragens e pessoas tão distantes e tão diferentes das suas terras, dos seus costumes.
Nesse sentido, são bons exemplos as Lettres persannes de Montesquieu, no século XVIII, os romances de
Pierre Loti, na segunda metade do século XIX e os já clássicos La condition humaine de André Malraux e
O amante de Marguerite Duras, no século XX, como expressões literárias deste relacionamento entre a
cultura francesa e o Oriente. Aspectos do mundo árabe, japonês, russo, chinês e asiático em geral, estão desde
então presentes no contexto artístico e cultural francês, em traduções (Dostoievski, Rabindranah Tagore) ou
incorporado tematicamente na arte francesa, como é o caso da pintura impressionista de Van Gogh, Monet e
Gauguin, artistas que retrabalhavam temas, imagens e cores de calendários ou pintores japoneses no
Impressionismo. Houve também os imigrantes ilustres e geniais. Foi assim, por exemplo, com Picasso e

                                                    108
Modigliani na pintura; Chopin, Brel e Moustaki na música; Pierre e Marie Curie, na Química, Júlio Cortázar,
Samuel Beckett e Milan Kundera, na literatura, apenas para citar alguns deles. Nas últimas décadas do século
XX, devido às relações comerciais e à importante imigração chinesa para a França houve, a influência da
China em vários aspectos da cultura francesa, inclusive, na própria culinária. Autores como Daí Sijie,
François Cheng e Gao Xingjian, inicialmente acolhidos como imigrantes ou como refugiados políticos no
país, naturalizaram-se franceses, publicaram romances e acabaram por serem admitidos na Académie
Française, agraciados com prêmios literários nacionais e internacionais como o Nobel de Literatura, por seus
romances publicados em francês. Destacaremos especialmente a atuação de Gao Xingjian, sua biografia e
alguns aspectos de sua obra romanesca, considerada como a manifestação intercultural, que redundou num
aporte contemporâneo de valor para a literatura e o prestígio internacional da cultura francesa.




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