Documenta��o dos cuidados de Enfermagem: Aplica��o da CIPE nos by 5IieDb

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									Escola Superior de Enfermagem de São João
   Ano complementar de formação em Enfermagem




Trabalho de Investigação sobre Registos de Enfermagem
    com linguagem da CIPE na UCIC do CHVNG




                     Elaborado por: Susana Cristina Marques Pereira
                                    Pedro José Oliveira da Silva
                             Agradecimentos




Aos colegas da UCIC do CHVNG pela simpatia com que nos receberam, pelos
conhecimentos que nos transmitiram e por serem pioneiros na utilização da
linguagem da CIPE em Portugal.


Ao Enfermeiro Abel Paiva pelos preciosos conselhos na elaboração do padrão
de documentação.




                                                                             2
                                      SIGLAS


CIPE – Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem
UCIC-Unidade de Cuidados Intensivos de Cardiologia
CHVNG – Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia
ICNP – International Classification of Nursing Pratice
P.E – processo de enfermagem
ICN – International Council of Nurses
OMS –Organização Mundial de Saúde
T.A. – tensão arterial
O2 - oxigénio
SO2 – saturação de oxigénio
BH – balanço hídrico
PTCA – Percutaneous Transluminal Coronary Angioplasty
SNG – sonda nasogástrica




                                ABREVIATURAS

ex. – exemplo
temp. – temperatura
Dx - diagnóstico
nº - número




                                                                  3
                                   Indice de figuras



Figura 1 - Eixos da Classificação dos Fenómenos de Enfermagem ... 14

Figura 2 - Eixos da Classificação das Acções de Enfermagem .......... 16



                                 Indice de esquemas


Esquema 1 - Avaliação dos resultados de Enfermagem
em função da alteração nos diagnósticos de Enfermagem.................. 19

Esquema 2 – Fases da Investigação-acção .......................................... 21



                                   Indice de gráficos


Gráfico 1 – Resultados do questionário: pergunta 1 ........................... 34

Gráfico 2 – Resultados do questionário: pergunta 2 ........................... 35

Gráfico 3 – Resultados do questionário: pergunta 3 ........................... 35

Gráfico 4 – Resultados do questionário: pergunta 4 ........................... 36

Gráfico 5 – Resultados do questionário: pergunta 5 ........................... 37

Gráfico 6 – Resultados do questionário: pergunta 6 ........................... 38

Gráfico 7 – Resultados do questionário: pergunta 7 ........................... 39

Gráfico 8 – Resultados do questionário: pergunta 8 ........................... 40

Gráfico 9 – Resultados do questionário: pergunta 9 ........................... 41

Gráfico 10 – Resultados do questionário: pergunta 10 ....................... 42


                                                                                        4
                                                     Indice



0 - Introdução ........................................................................................ 6

1 - Documentação dos cuidados de Enfermagem: Da realidade
do Processo de Enfermagem à necessidade de uma linguagem
comum para a Enfermagem................................................................... 7

2 – A CIPE/ICNP como linguagem comum para a Enfermagem ....... 11
  2.1 - Componentes da CIPE/ICNP .................................................. 12
        2.1.1 - Classificação dos Fenómenos de enfermagem ............ 13
        2.1.2 - Classificação das Acções de enfermagem ............... 16
        2.1.3 - Classificação dos Resultados de Enfermagem ............ 19
  2.2 - Futuro ...................................................................................... 20

3 – Percurso metodológico .................................................................. 21
  3.1 – A investigação acção como opção metodológica .................. 21
  3.2 - Breve caracterização da Unidade de Cuidados
   Intensivos de Cardiologia do CHVNG .......................................... 22
  3.3 – Diagnóstico da situação.......................................................... 23

4 - Elaboração e apresentação de um padrão de documentação de cuidados de
Enfermagem com linguagem da CIPE aplicada à UCIC .................... 35
  4.3 – Plano da acção de formação sobre a documentação
   dos cuidados de enfermagem: aplicação da CIPE
   aos registos do processo de enfermagem ....................................... 43

5 - Conclusão ....................................................................................... 44

6 – Referências bibliográficas ............................................................. 45

7 – Anexos ........................................................................................... 46




                                                                                                            5
                                      Introdução

O projecto de Investigação que será apresentado refere-se ao trabalho de Investigação que
será realizado por Susana Cristina Marques Pereira e Pedro José Oliveira da Silva no âmbito
do Ano Complementar de Formação 1999/2000 da Escola Superior de Enfermagem de São
João.
Este trabalho insere-se nas actividades propostas no nosso projecto de estágio na Unidade de
Cuidados Intensivos de Cardiologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e surgiu da
nossa motivação para estudar a temática dos Registos de Enfermagem e da linguagem da
CIPE; e por outro lado, da proposta sugerida pela Enfermeira-Chefe da UCIC para
elaborarmos uma folha de Padrão de documentação com a linguagem da CIPE aplicável à
UCIC; uma vez que este serviço carecia de um suporte de registos para o plano de cuidados.
Consideramos que a elaboração deste trabalho para além de nos permitir aumentar os nossos
conhecimentos acerca deste tema, poderá trazer benefícios ao nível da prática clínica da
UCIC, se potenciar a melhoria da qualidade dos Registos que os Enfermeiros desta Unidade
produzem. Por outro lado este trabalho torna-se pertinente uma vez que se insere num
processo de mudança já iniciado nesta Unidade, com a formação feita aos Enfermeiros
acerca da linguagem da CIPE e a elaboração de uma folha de Avaliação Inicial segundo a
linguagem da CIPE.
Este trabalho assume-se como uma pesquisa aplicada ao ter como finalidade o diagnóstico da
situação dos registos de enfermagem nesta unidade, nomeadamente daquilo que é ou não é
registado e da linguagem que os enfermeiros utilizam; de maneira a poder estabelecer uma
estratégia para o desenvolvimento e melhoria do actual sistema de registos utilizando a
linguagem da CIPE. A natureza da pesquisa que pretendemos realizar assenta em cinco
objectivos:

   -   Identificar quais os Fenómenos e Intervenções de Enfermagem mais frequentes na
       prática clínica dos Enfermeiros da UCIC.

   -   Identificar os Fenómenos e Intervenções de Enfermagem que os enfermeiros
       registam, onde e como o fazem.

   -   Conhecer a opinião dos Enfermeiros da UCIC acerca da utilização dos Registos dos
       Cuidados segundo a linguagem da CIPE.

   -   Elaborar um padrão de documentação que utilize a linguagem da CIPE e colmate as
       lacunas detectadas no sistema de registos.

   -   Proceder a apresentação do padrão de documentação.




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1 - Documentação dos cuidados de Enfermagem: Da realidade do
    Processo de Enfermagem à necessidade de uma linguagem
                  comum para a Enfermagem



Para Elisa Matos1 “ a documentação dos cuidados de enfermagem é imprescindível ao
desenvolvimento das diferentes áreas de actuação dos enfermeiros. A prestação de cuidados
necessita de documentação bem elaborada como meio de preservar a continuidade de
cuidados e contribuir para a melhoria da qualidade assistencial. A gestão precisa de
indicadores para a avaliação da eficácia dos serviços de enfermagem. O ensino e a
investigação em enfermagem carecem de documentação objectiva como fonte de informação
para o desenvolvimento do ensino e da ciência de enfermagem.”
Sinteticamente passamos a enumerar as várias finalidades dos registos de enfermagem
segundo Elisa Matos:
    - proporcionar uma comunicação escrita a toda a equipe de saúde;
    - colher dados ao nível da identificação de necessidades assim como da evolução clínica
    do utente;
    - facilitar o planeamento coordenado;
    - assegurar a continuidade dos cuidados;
    - permitir a avaliação dos cuidados prestados;
    - individualizar os cuidados;
    - permitir a protecção legal de toda a equipe de profissionais;
    - formular dados estatísticos;
    - analisar os custos hospitalares.


Falar de documentação de cuidados de enfermagem, implica conhecer as competências dos
enfermeiros. Segundo Riopelle2 “o papel do enfermeiro comporta três dimensões funcionais:
cumprimento das prescrições médicas, vigilância e processo de enfermagem.”
Abel Paiva, na sua tese de Mestrado ( pág. 24 ), abordou estas dimensões, tendo efectuado
subdivisões das mesmas.
 Neste trabalho citaremos a caracterização das três dimensões efectuadas por este autor:
    - Prescrições médicas são indicações aos enfermeiros, face ao prosseguimento das
    medidas terapêuticas e explícitas em modelo próprio, ou implícitas num protocolo de
    cuidados.
    - Vigilância que resulta de prescrições médicas ou de enfermagem. Pode ser de três tipos:
    variáveis contínuas (ex. pulso, T.A., temp.), descontínuas (ex. vómitos, náuseas, dor) e
    geral (aquela que resulta da atitude de vigilância sobre os clientes, e que não se
    encontrava prescrita dada não ser previsível à priori a sua ocorrência.
    - Processo de enfermagem que se constitui em cinco fases (Doenges e Moorhouse 1992,
    pág. 2):
        1- Avaliação inicial - recolha sistemática de dados relacionados com o doente;


1 MATOS, Elisa Teresa. “Documentação de cuidados de Enfermagem: estudo desta realidade numa unidade
coronária”. Porto 1998.
2 Riopelle, L – “ Conferência: a informatização do processo de enfermagem” Jornadas da Associação dos
Enfermeiros Especialistas de Médico - Cirúrgica, Coimbra, 23 de Março de 1990.


                                                                                                        7
        2- Identificação de problemas – análise dos dados por forma a identificar os
           problemas e necessidades do doente;
        3- Planeamento – estabelecer objectivos, identificar critérios de resultados e escolher
           intervenções, de modo a criar um plano de cuidados para tratar os problemas e
           necessidades identificadas nos passos precedentes;
        4- Implementação – executar o plano de cuidados;
        5- Avaliação final – apreciar a eficiência do plano e mudá-lo se necessário.

Quando o PE está implementado no serviço a avaliação inicial é registada na história ou
colheita de dados, a identificação dos problemas e o planeamento dos cuidados no plano de
cuidados, a execução do plano nas notas de evolução e a avaliação dos cuidados nas notas de
evolução e/ou plano de cuidados.

A utilização do Processo de Enfermagem apresenta vantagens como:

    - Proporcionar um método sistemático e organizado de resolução de problemas,
    minimizando os erros e omissões e, evitando perda de tempo com repetições de cuidados
    e de documentação.
    - Promover o envolvimento activo do doente na sua própria saúde reforçando a sua
    responsabilidade e satisfação.
    - Proporcionar à enfermeira maior controle sobre a sua prática, reforçando o uso de
    conhecimentos, competências e intuição de forma construtiva e dinâmica para bem do
    doente, o que favorecerá a satisfação no trabalho e crescimento profissional do
    enfermeiro.
    - Fornecer um meio de medição quantitativa e qualitativa dos cuidados de enfermagem.

Na prática encontramos diversos obstáculos à utilização do PE e a sua respectiva
documentação, Elisa Matos1 identificou oito factores:

    - Conhecimentos/ Experiência. O PE integra o conteúdo programático dos cursos há
    muitos anos, contudo não foi suficiente para capacitar os enfermeiros para a realização
    destas competências. Verifica-se que os saberes adquiridos na escola não foram
    transportados para o local de trabalho e vice-versa. Não houve articulação teoria –
    prática.
    - Atitudes. Encontramos em muitos enfermeiros reacções desfavoráveis ao PE, reacções
    de ordem afectivas/cognitivas/comportamentais que os levam a afastar-se deste método.
    - Motivação. Relacionada com falta de incentivos pessoais e/ou organizacionais.
    - Doente. A gravidade da doença do paciente vai afectar a quantidade e o tipo de
    informação que o paciente pode dar a qualquer momento. A tendência para os
    internamentos serem cada vez mais curtos dificulta a elaboração do plano de cuidados
    individualizado, havendo provavelmente necessidade de criar Planos Standard para
    utilizar mais rapidamente em determinadas situações.
    - Rotinas de Enfermagem. A elaboração do plano de cuidados não é prática habitual dos
    enfermeiros.
    - Documentos. A dificuldade no preenchimento dos impressos de enfermagem, a sua
    inadaptação à realidade são factores que geram frustração aos enfermeiros.
    - Recursos humanos e temporais.


1
 MATOS, Elisa Teresa. “Documentação de cuidados de Enfermagem: estudo desta realidade numa unidade
coronária”. Porto 1998.


                                                                                                     8
   - Liderança. Falta de orientação a nível central, regional, institucional e de serviço.


Podemos afirmar que a utilização do método individual de trabalho e de uma linguagem
comum assumem um papel de destaque na implementação do processo de enfermagem.
A ausência de uma linguagem comum na prática de enfermagem colocou sistematicamente
uma grande dificuldade às tentativas de reformulação dos sistemas de informação, pela
incapacidade observada em nomear as condições de saúde que requerem a intervenção dos
enfermeiros.
Sendo assim, é de uma grande importância o uso de uma linguagem comum na prática de
enfermagem. Nas últimas três décadas esta necessidade deu origem ao desenvolvimento de
vários sistemas nacionais de classificação de enfermagem, bases de dados e sistemas de
informação clínica em todo o mundo. Este desenvolvimento impediu, contudo, a
possibilidade de comparar os dados sobre os cuidados de enfermagem e determinar as
necessidades das populações nestes cuidados. Tornou-se evidente a urgência de desenvolver
uma Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem e de estabelecer mecanismos
para manter um único sistema comum.
Este tipo de informação acerca da pratica de enfermagem é potencialmente útil par
influenciar as políticas de saúde, tornando a pratica de enfermagem mensurável de uma
forma internacionalmente reconhecida.

O desenvolvimento de linguagem comum traz vantagens a vários níveis:

 - Prática da enfermagem:
     * quadro referencial e uma estrutura para a documentação da enfermagem, que seria
mais precisa e consistente;
     * continuidade da assistência de enfermagem aos pacientes transferidos para outras
unidades, com a melhora da qualidade de informações sobre as suas necessidades de
enfermagem e os cuidados previamente prestados;
     * facilitaria a colheita e utilização de dados para medir e monitorizar a qualidade dos
cuidados e para desenvolver padrões e guias da prática de enfermagem.

- Administração da enfermagem:
     * medir a assistência de enfermagem prestada para fins de avaliação;
     * estimar as necessidades de enfermagem, como base para o planeamento, orçamentação
e alocação de recursos.

- Pesquisa em enfermagem:
     * comparação de diagnósticos e problemas de enfermagem entre unidades locais,
regionais, nacionais e internacionais;
     * estudos sobre a eficácia da enfermagem relacionando diagnósticos de enfermagem,
intervenções e resultados;
     * investigação do custo-benefício dos tratamentos da enfermagem em relação aos
diagnósticos/problemas de enfermagem.

- Educação em enfermagem:
    * quadro de referência para o planeamento curricular e avaliação;
    * comunicação directa entre a área curricular e a prática;
    * ensino baseado na pesquisa pela possibilidade de criar um elo de comunicação
semelhante entre o currículo e os dados de pesquisa.


                                                                                             9
- Política de enfermagem:
     * tornaria vísivel toda a série da prática de enfermagem, incluída a contribuição da
enfermagem para a promoção da saúde e prevenção de doenças;
     * criaria dados sólidos que serviria de base para uma tomada de decisões e formulação
de políticas conscientes;
     * facilitaria a definição dos papéis de enfermagem para objectivos socio-económicos.
     Política de saúde:
     * proporcionaria dados de enfermagem comparáveis e complementares aos dados
existentes de assistência à saúde;
     * ofereceria elementos adicionais para estudos epidemiológicos;
     * identificaria o papel dos enfermeiros na equipe multidisciplinar e na contribuição da
enfermagem para a equipe multidisciplinar de saúde.




                                                                                         10
     2 – A CIPE/ICNP como linguagem comum para a Enfermagem


Em 1989 decorreu uma Reunião do Conselho Internacional de Enfermagem, em Seul, na
Coreia (Reunião de Tlaxcala). Desta reunião emergiu uma proposta para o “
desenvolvimento de sistemas de classificação para a assistência em enfermagem, sistemas de
gestão da informação sobre a enfermagem e o conjunto de dados sobre enfermagem afim que
todos os países pudessem usar para identificar actividades de enfermagem, descrever a
enfermagem e sua contribuição para a saúde.” (F. Affara; T. Oguisso; 1995)3
Concluiu-se então que:

           -   os sistemas actuais de informação sobre enfermagem nos diversos países eram
               inadequados e que não havia ainda utilização de uma classificação de
               diagnósticos ou problemas de enfermagem;

           -   cerca de 80% do trabalho de enfermagem não era contabilizado e os restantes
               20% se enquadravam na categoria de “ tratamentos”, concluindo-se que o
               trabalho de enfermagem não estava realmente documentado em lugar algum.

Em 1990 o ICN (Internacional Council of Nurses) iniciou um projecto de desenvolvimento
da CIPE, com o financiamento da União Europeia sob o nome de Telenurse, com o objectivo
específico de estabelecer uma linguagem comum acerca da prática de enfermagem, para ser
usada na descrição das situações que requerem cuidados de enfermagem e as respectivas
intervenções.
Em 1996 foi apresentado o resultado preliminar, com a publicação da ICNP (versão alfa)
com tradução em português.
Em Junho de 1999 - foi publicada o ICNP (versão beta), não existindo ainda uma versão em
português editada.

Concluindo, a ICNP passa a constituir um instrumento de referência, suplantando as
dificuldades existentes de definição de um Sistema de Informação em Enfermagem (SIE),
permitindo documentar o processo de enfermagem na sua globalidade

Segundo Randi Mortensen4 para a CIPE ser útil e largamente aplicada deveria ser:

               -   Suficientemente abrangente para responder aos múltiplos objectivos definidos
                   pelos diferentes países.
               -   Suficientemente simples para ser entendido pelos prestadores de cuidados
                   como uma descrição significativa da prática e como um recurso útil de
                   estruturação da prática.
               -   Consistente com os quadros conceptuais definidos mas não dependente de um
                   quadro teórico ou modelo de enfermagem específico.


3
    Fadwa Affara, Enfermeira Consultora do ICN e Directora do Projecto para a CIPE.
    Taka Oguisso, Directora Executiva Adjunta do ICN.
4
 in The Danish Institute for Health and Nursing Research. “Classificação Internacional para a Prática de
Enfermagem versão alfa com introdução à Telenurse”


                                                                                                           11
          -   Elaborado através de um processo contínuo de desenvolvimento e
              aperfeiçoamento.
          -   Incluir diagnósticos de enfermagem, intervenções de enfermagem e ganhos
              em saúde sensíveis aos cuidados de enfermagem
          -   Sensível à variabilidade cultural.
          -   Reflexo dos valores comuns da enfermagem em todo o mundo (expresso no
              código ICN).
          -   Aplicável de forma complementar ou integrada com a família de
              classificações existentes (sistema de doenças e saúde, nas classificações
              desenvolvidas pela OMS).

Assim sendo, a CIPE/ICNP tem como objectivos:

- estabelecer uma linguagem comum acerca da prática da enfermagem a fim de melhorar a
comunicação entre os enfermeiros e outros profissionais;
- descrever os cuidados de enfermagem às pessoas (indivíduos e famílias) nas diversas
unidades, sejam institucionais ou não institucionais;
- possibilitar comparar dados de enfermagem com outras áreas clínicas, sectores, áreas
geográficas e épocas;
- demonstrar ou projectar tendências na prestação de cuidados e tratamentos de
enfermagem e na alocação de recursos para os pacientes de acordo com as suas necessidades
baseadas nos diagnósticos de enfermagem;
- estimular a pesquisa de enfermagem (investigação) através de dados disponíveis nos
sistemas de informação em enfermagem e outros sistemas de informação de saúde;
- fornecer informação à tomada de decisão política, isto é, prover dados sobre a prática da
enfermagem a fim de influenciar decisões na política da enfermagem influenciando,
posteriormente, decisões na política da saúde.




2.1 - Componentes da CIPE / ICNP


Desde 1989, o ICN (Concelho Internacional de Enfermeiros) vem desenvolvendo a
CIPE/ICNP recorrendo a um processo de 3 etapas: colheita de termos (pesquisando em
classificações anteriores), agrupamento dos termos e hierarquização dos termos em grupos
estabelecidos.

Esta hierarquização de termos pode ser visualizada como uma pirâmide de conceitos. Sendo
assim uma CIPE ideal terá 3 pirâmides:
       - uma para os problemas/diagnósticos de enfermagem (de forma suplementar a
           classificações existentes por ex. doenças, desvantagens, deficiências e
           incapacidades).
       - uma para intervenções de enfermagem (suplementar a intervenções médicas e
           cirúrgicas)
       - uma para os resultados esperados das acções de enfermagem.




                                                                                        12
A CIPE deverá permitir medir a enfermagem nas três dimensões seguintes:
     - a diversidade das populações de clientes de um ponto de vista de enfermagem
         (problemas/diagnósticos de enfermagem)
     - a variabilidade dos padrões das práticas (intervenções de enfermagem)
     - as variações dos resultados clínicos de enfermagem (resultados)

A seguir apresenta-se a estrutura da CIPE/ICNP versão beta baseado na tradução de Élvio
H. Jesus; Dalila R. Freitas (Outubro de 1999)

Tal como na versão Alfa da CIPE / ICNP, a versão Beta é uma classificação constituída por
três componentes:

   - Fenómenos de enfermagem

   - Acções de enfermagem

   - Resultados de enfermagem (outcomes)




2.1.1 - CIPE / ICNP - Classificação dos Fenómenos de Enfermagem



Definições: Para efeitos da CIPE / ICNP

Fenómeno de Enfermagem: Aspecto de saúde relevante para a prática de enfermagem.

Diagnóstico de Enfermagem: Nome dado pelo enfermeiro à decisão acerca do Fenómeno, o
qual é o foco das intervenções de enfermagem. Um diagnóstico de enfermagem é composto
por conceitos contidos nos eixos da Classificação de Fenómenos.

Fenómenos de Enfermagem é um termo de topo pois responde à questão: esta classificação é
sobre o quê ?
Um termo que circunscreve o domínio de interesse é dado pelo termo Diagnósticos de
Enfermagem. Contudo, não tem paralelo com termos de topo como Doença, pois indica quer
o processo quer o resultado de identificar uma certa condição de saúde.

O termo Diagnósticos de Enfermagem tem para alguns uma conotação de condições de
saúde negativas, em termos de défices ou problemas , excluindo as condições neutras ou até
positivas que caiem na alçada da enfermagem. Embora o seu uso seja apropriado às
condições de saúde dos clientes, a sua extensão aos factores do ambiente como por exemplo,
a poluição da água, pareceria forçada.

Os Fenómenos de Enfermagem são condições de saúde que dizem respeito ao cliente, mas o
termo Fenómenos de Enfermagem pode, de forma não constrangida, cobrir fenómenos do
meio/ambiente que dizem respeito à enfermagem.




                                                                                       13
O termo Fenómenos de Enfermagem é neutral face a qualquer enquadramento ou modelo.
Esta de acordo com os critérios do ICN, para o desenvolvimento de uma CIPE: “ Uma CIPE
deve ser consistente com enquadramentos conceptuais claramente definidos, mas não
depende de um quadro teórico ou modelo particular de enfermagem”.

O seu significado literal “o que pode ser observado” encaixa perfeitamente na CIPE pois esta
pretende ser uma classificação que descreve os fenómenos observáveis da pratica clínica de
enfermagem.

Na ausência de uma definição real final de Fenómeno de Enfermagem derivada de uma
teoria descritiva de Enfermagem ou de uma ciência empírica de enfermagem que conduza a
uma delineação teoricamente justificada do domínio dos Fenómenos de Enfermagem, uma
lista historicamente desenvolvida (tradição) de exemplos de Fenómenos de Enfermagem
deverá ser suficiente, o mesmo se passando para este fim com as Intervenções de
Enfermagem.

Além do mais a busca de uma definição real e final para Fenómeno de Enfermagem pode ser
tão em vão como o foi para Doença.

O termo Fenómenos de Enfermagem está de acordo com os critérios do ICN, para o
desenvolvimento de uma CIPE: “uma CIPE deve ser usável de forma complementar ou
integrada com a família das doenças e das classificações relacionadas com a saúde
desenvolvidas pela OMS, das quais a principal é a ICD - Classificação Internacional de
Doenças.




                    Fig. 1 - Eixos da Classificação dos Fenómenos de Enfermagem




Para efeitos da CIPE / ICNP - Classificação de Fenómenos de Enfermagem, os eixos são
definidos abaixo:




                                                                                         14
       A. Foco da Prática de Enfermagem: a área de atenção tal como é descrita pelos
       mandatos sociais e quadros profissionais e conceptuais da prática profissional de
       enfermagem. Exemplos incluem: dor, auto-estima, pobreza.

       B. Juízo: a opinião clínica, avaliação ou determinação pela prática profissional de
       enfermagem no que concerne o estado de um Fenómeno de enfermagem, incluindo a
       qualidade relativa da intensidade ou grau da manifestação do Fenómeno de
       Enfermagem. Exemplos incluem: aumentado, inadequado, e melhorado.

       C. Frequência: o número de ocorrências ou repetições de um Fenómeno de
       enfermagem durante um intervalo de tempo. Exemplos incluem: intermitente,
       bastante.

       D. Duração: a duração de um intervalo de tempo durante o qual ocorre um fenómeno
       de enfermagem. Exemplos incluem: agudo, crónico.

       E. Topologia: a região anatómica em relação a um ponto médio ou a extensão da área
       anatómica de um Fenómeno de enfermagem. Exemplos incluem: direita, esquerda,
       parcial, total.

       F. Local do Corpo: a posição anatómica ou localização do fenómeno de enfermagem.
       Exemplos incluem: olho, dedo.

       G. Probabilidade: a probabilidade de ocorrência do Fenómeno de enfermagem.
       Exemplos incluem: risco, eventualidade.

       H. Portador: a entidade que pode ser considerada como tendo o Fenómeno de
       Enfermagem. Exemplos incluem: indivíduo, família, comunidade.



Orientações para a Elaboração do Diagnóstico de Enfermagem



Um diagnóstico de enfermagem é uma nome dado pelo enfermeiro à decisão acerca do
Fenómeno, o qual é o foco das intervenções de enfermagem. Para a CIPE / ICNP, um
diagnóstico de enfermagem é composto por conceitos contidos nos eixos da Classificação de
Fenómenos.

Um diagnóstico de enfermagem:

1. Deve incluir um termo do Eixo de Foco da Prática de Enfermagem (A).

2. Deve incluir um termo do Eixo de Juízo (B) ou o Eixo de Probabilidade (G).

3. Termos de outros eixos são opcionais para expandir ou aumentar o diagnóstico.

4. Só pode ser usado um termo de cada um dos eixos para o diagnóstico.



                                                                                           15
  Os exemplos abaixo conjugam termos combinados de eixos escolhidos para elaborar
  diagnósticos de enfermagem.

EIXO ESCOLHIDO                                      TERMOS ESCOLHIDOS
Foco da Prática de Enfermagem                       Dor
Juízo                                               Extrema (num nível muito elevado)
Frequência                                          Intermitente
Topologia                                           Direita
Local do Corpo                                      Pé
Diagnósticos de Enfermagem:

- Dor extrema.

- Dor extrema, intermitente.

- Dor extrema, intermitente, no pé.

- Dor extrema, intermitente, no pé direito.




EIXO ESCOLHIDO                                      TERMOS ESCOLHIDOS
Foco da Prática de Enfermagem                       Fornecimento de alimentos
Juízo                                               Insuficiente
Probabilidade                                       Alto Risco para
Portador                                            Comunidade
Diagnósticos de Enfermagem:

- Fornecimento de alimentos insuficiente.

- Alto Risco para fornecimento de alimentos insuficiente.

- Alto Risco para fornecimento de alimentos insuficiente na comunidade.




  2.1.2 - CIPE / ICNP® - classificação das acções de enfermagem



  Definições: Para efeitos da CIPE / ICNP

  Acção de Enfermagem: Comportamento dos enfermeiros na prática.




                                                                                        16
Intervenção de Enfermagem: Acção realizada em resposta ao diagnóstico de enfermagem
por forma a produzir um resultado de enfermagem. Para a CIPE / ICNP uma intervenção de
enfermagem é composto por conceitos contidos na Classificação dos eixos de Acção.




                     Fig. 2 – Eixos da Classificação das Acções de Enfermagem

Para efeitos da Classificação das Acções de Enfermagem da CIPE / ICNP, os eixos estão
definidos abaixo:

     A. Tipo de Acção: o acto realizado por uma acção de enfermagem. Exemplos incluem:
     ensinar, inserir, controlar.

     B. Alvo: a entidade que é afectada pela acção de enfermagem ou que disponibiliza o
     conteúdo da acção de enfermagem. Exemplos incluem: dor, bébé, serviços
     domiciliários.

     C. Meios: a entidade usada durante a realização da acção de enfermagem. Os meios
     incluem quer os Instrumentos definidos como ferramentas usadas quando realizando
     uma acção de enfermagem quer Serviços definidos como trabalho específico ou plano
     usado quando realizando uma acção de enfermagem. Exemplos incluem: ligaduras,
     técnicas de treino vesical, procedimentos de alta..

     D. Tempo: a orientação temporal de uma acção de enfermagem. O tempo inclui quer
     Pontos de Tempo (eventos) definidos como momentos delimitados no tempo quer
     Intervalos de Tempo (episódios) definidos como a duração entre dois eventos.
     Exemplos incluem: alta, intra-operatório, pré-natal.

     E. Topologia: a região anatómica em relação a um ponto mediano ou a extensão de
     uma área anatómica envolvida numa acção de enfermagem. Exemplos incluem:
     esquerda, total.

     F. Localização: a orientação anatómica e especial de uma acção de enfermagem. A
     localização inclui quer Locais do Corpo definidos com localizações anatómicas de uma
     acção de enfermagem quer Lugar definido como a localização espacial onde a acção de
     enfermagem está a decorrer. Exemplos incluem: cabeça, braço, casa, local de trabalho.


                                                                                        17
        G. Via: o caminho através do qual uma acção de enfermagem é realizada. Exemplos
        incluem: oral, subcutâneo.

        H. Beneficiário: a entidade em favor da qual uma acção de enfermagem é realizada.
        Exemplos incluem: indivíduo, família, comunidade.



Orientações para a Elaboração de uma Intervenção de Enfermagem

Uma intervenção de enfermagem é uma acção feita em resposta a um diagnóstico de
enfermagem por forma a produzir um resultado de enfermagem. Para a CIPE / ICNP uma
intervenção de enfermagem é composta por conceitos contidos na Classificação dos eixos de
Acção.

Uma Intervenção de Enfermagem:

1. Deve incluir um termo do eixo do Tipo de Acção (A).

2. Termos de outros eixos são opcionais para expandir ou aumentar a intervenção.

3. Só pode ser usado um termo de cada um dos eixos para uma única intervenção.

Exemplos de utilização de termos escolhidos de vários eixos na Classificação da Acção de
Enfermagem da CIPE / ICNP para construir intervenções de enfermagem são apresentados
abaixo:

Eixos           Termos Escolhidos
Tipo de
                Aliviar       Reduzir          Ensinar                Testar
Acção:
Alvo:                                                                 Fornecimento de
                Dor           Ansiedade        Hábitos de Exercício
                                                                      água
Benificiário:                                  Grupo                  Comunidade
                Pessoa        Pessoa
                                               (Distributivamente)    (Colectivamente)
Meios:          Saco de       Técnica de
                                               Materiais de Ensino    Protocolo
                Gelo          Imaginação
Intervenções:

- Aliviar a dor de uma pessoa através da aplicação de saco de gelo.

- Diminuir a ansiedade utilizando a técnica de imaginação.

- Ensinar os membros de um grupo acerca dos hábitos de exercício, utilizando materiais
de ensino.

- Testar o fornecimento de água à comunidade utilizando um protocolo estabelecido




                                                                                         18
2.1.3 - CIPE / ICNP - Classificação dos Resultados de Enfermagem

Definições: Para efeitos da CIPE / ICNP.

Resultados de Enfermagem: A medida ou estado de um diagnóstico de enfermagem em
pontos de tempo depois de uma intervenção de enfermagem.

Para uma melhor explicação, os Resultados de Enfermagem são o resultado assumido das
intervenções de enfermagem, medido ao longo do tempo, tais como alterações efectuadas
nos Diagnósticos de Enfermagem.

Compreende-se que há muitos factores que contribuem para os resultados dos cuidados de
saúde. A ênfase na eficácia dos cuidados de saúde resultou de muitos esforços para descrever
e definir resultados e medidas de resultado (referências). Muitos destes esforços realçam o
aspecto multidimensional dos resultados, incluindo a enfermagem como uma dimensão na
perspectiva total. A importância dos factores multidimensionais e interdisciplinares (e.g.
factores sociais e pessoais) nos resultados dos cuidados de saúde não pode ser ignorada.

Contudo, o objectivo da Classificação dos Resultados de Enfermagem da CIPE / ICNP é
começar a identificar e a distinguir as contribuições únicas da enfermagem dentro desta
perspectiva dos resultados dos cuidados de saúde. A Classificação dos Resultados de
Enfermagem da CIPE / ICNP disponibiliza uma medida de descrição de resultados
relacionados com os diagnósticos de enfermagem. Os Resultados de Enfermagem da CIPE /
ICNP podem contribuir com informação de enfermagem sensitiva para modelos mais amplos
e genéricos de resultados de saúde.

Resultados medidos pela alteração nos diagnósticos de enfermagem são apresentados abaixo:




     Esquema 1 – Avaliação dos resultados de Enfermagem em função da alteração nos diagnósticos de
                                              Enfermagem


                                                                                                     19
Orientações para a formulação de resultados de Enfermagem:

1 - Seguir as mesmas orientações da formulação dos Diagnósticos de Enfermagem:

       a. Deve incluir um termo do Eixo de Foco da Prática de Enfermagem (A).

       b. Deve incluir um termo do Eixo de Juízo (B) ou o Eixo de Probabilidade (G).

       c. Termos de outros eixos são opcionais para expandir ou aumentar o diagnóstico.

       d. Só pode ser usado um termo de cada um dos eixos para o diagnóstico.

2 - Deve ser formulado num tempo posterior a uma Intervenção de Enfermagem:




2.2 - Futuro

A Direcção do ICN aprovou a CIPE / ICNP como um programa formal do ICN. O programa
estabelecerá mecanismos formais para um contínuo desenvolvimento e avaliação da CIPE /
ICNP , incluindo mecanismos para envolver as associações nacionais membros e
especialistas em informática e classificação. Outros aspectos do programa enfatizarão a
formação e educação.

Além disto, um objectivo principal do ICN será o de apoiar a ligação entre a CIPE / ICNP e
os outros programas do ICN, tais como a pesquisa e a regulamentação.




                                                                                          20
                           3 – Percurso metodológico


3.1 - Investigação-acção como opção metodológica

Neste capítulo será feita uma abordagem da metodologia utilizada pretendendo explicitar as
opções metodológicas tomadas.
A metodologia utilizada neste trabalho será a de Investigação-acção, conceito introduzido
por Kurt Lewin em 1946, para denominar uma nova forma de investigar no âmbito das
ciências sociais, combinando a criação de teoria com mudanças no sistema social.
Greenwood refere que a investigação é empregue para diagnosticar e encontrar soluções para
o real, para os problemas práticos no campo da acção social. Sendo assim, a Enfermagem
enquanto disciplina prática e um fenómeno social pode recorrer à investigação-acção visto
esta ser particularmente adequada para resolver problemas de enfermagem.
Com esta metodologia os enfermeiros estão envolvidos no processo de investigação. O
investigador está envolvido como facilitador contribuindo para o processo de tomada de
decisões, tornando-se assim agente de mudança que influencia como, quando e onde a
mudança deve ser feita.
Susman & Everet, definem a investigação-acção como um processo cíclico com cinco fases:
diagnóstico, plano de acção, implementação da acção, avaliação e identificação do adquirido.




Esquema 2 - fases do ciclo da IA (adaptado de Susman&Evered)




Chein, Cook e Harding, definiram várias situações conforme o envolvimento do investigador
com o sistema cliente:

           -   Diagnostic action research, em que o investigador está envolvido apenas na
               colheita dos dados para identificar a situação problemática e/ou o problema;
           -   Empirical action research, em que o investigador apenas avalia as acções
               desenvolvidas pelo sistema cliente e fornece-lhe os dados;
           -   Participant action research, quando o diagnóstico e o planeamento da acção
               foram desenvolvidos em colaboração entre o investigador e o sistema cliente;
           -   Experimental action research, quando o investigador e o sistema cliente
               colaboram em todas ou quase todas as fases, houve a escolha de um
               experimento para o desenvolvimento da acção e foram avaliadas as
               consequências.


                                                                                         21
Este projecto de investigação enquadra-se, portanto, numa participant action research em
que nos debruçamos sobre uma necessidade que este serviço apresenta ao nível da
documentação dos cuidados de enfermagem e a linguagem utilizada nos mesmos.

O nosso envolvimento consiste em confirmar esta necessidade numa primeira fase
exploratória:
           - observando a prática através da observação participante e realizar o
              levantamento dos fenómenos e intervenções de Enfermagem presentes na
              prática de Enfermagem da UCIC (ver anexo I);
           - utilizando a pesquisa documental dos registos de enfermagem e seus
              impressos (ver anexo II), normas de procedimentos, planos standard e
              protocolos existentes na Unidade; assim como a pesquisa bibliográfica dos
              trabalhos acerca desta questão elaborados pelos enfermeiros da Unidade;
           - inquerindo os profissionais de enfermagem acerca dos registos por estes
              elaborados procedendo ao levantamento por censo, através de um
              questionário da opinião dos Enfermeiros desta Unidade acerca dos registos
              de enfermagem por eles elaborados bem como o seu conhecimento/opinião
              acerca da CIPE (ver anexo III).

Por outro lado, pretende-se desenvolver em colaboração com um grupo pré-estabelecido de
enfermeiras desta unidade uma folha de registos com linguagem da CIPE (ver anexo IV), que
seja aplicável a este serviço. Assim como o planeamento das estratégias a serem usadas para
a implementação da mesma.

Sendo assim, após o conhecimento dos resultados do questionário e da elaboração da folha
decidiu-se realizar:
           - uma acção de formação (ver anexo V) para apresentação da folha de registos
                e abordagem da temática da CIPE. Esta sessão será planeada e efectuada em
                conjunto com enfermeiros do serviço, uma vez que pretende dar seguimento a
                um processo de formação em serviço acerca da CIPE que já tinha sido
                iniciado anteriormente e cujo reflexo foi a elaboração de uma folha de
                avaliação inicial.
           - uma fase experimental em que todos os elementos de enfermagem desta
                Unidade utilizarão a folha de forma a apresentarem as suas dúvidas e
                sugestões. Esta fase será da total responsabilidade do sistema cliente, ou seja,
                dos enfermeiros da Unidade Coronária.

A escolha deste tipo de envolvimento fundamenta-se basicamente no curto intervalo de
tempo disponível para a realização do projecto, assim como ser importante e fundamental
que este projecto continue para além do âmbito académico.




 3.2 - Breve caracterização da Unidade de Cuidados Intensivos de Cardiologia
                                 do CHVNG




                                                                                             22
Em 1999 a Unidade Coronária do CHVNG teve uma taxa de ocupação de 77,7% tendo
recebido 761 doentes com uma demora média de 2,2 dias. O ratio doentes tratados/cama foi
de 127,3 sendo o mais alto de todo o CHVNG. Portanto, deduz-se que este é um serviço com
uma enorme mobilidade de doentes.

Em 1999 faleceram 31 doentes, pelo que a taxa de mortalidade foi de 4,1%.
Consequentemente este é um serviço onde os enfermeiros lidam frequentemente com a
morte. As patologias mais comuns são o enfarte agudo de miocardio e a angina instavél.

A equipe de enfermagem é constituída por 18 enfermeiros, dos quais 3 são homens.
Permanentemente estão três enfermeiros, um médico e uma auxiliar de acção médica. O ratio
enfermeiro/doente é de um enfermeiro para dois doentes.

O trabalho está organizado pelo método individual, estando a ser introduzido o método do
enfermeiro de referência. Isto possibilita a prestação de cuidados personalizados.
A estrutura física é constituída por três salas:
- uma pequena sala de vigilância onde existem uma secretaria de trabalho com 2
computadores de monitorização e um computador para informatização dos dados do doente;
 com três camas cada;
           - duas salas com três camas cada e com estantes para material nos extremos.

O ambiente é constituído pelo barulho das maquinas e os alarmes que frequentemente se
accionam; a temperatura é amena pela existência de ar condicionado; tem uma boa
luminosidade diurna pela existência de uma varanda ao longo de todo o serviço.




3.3 - Diagnóstico da situação


No nosso estudo procuramos aperceber-nos de três aspectos principais:
          - que tipo de trabalho realizam os enfermeiros da UCIC.
          - que parcela deste trabalho é registada e como é efectuado este registo.
          - qual a opinião dos enfermeiros da UCIC acerca dos registos por eles
              efectuados.

Quanto ao primeiro ponto e perante a realidade por nós observada durante o primeiro mês da
nossa permanência na UCIC decidimos inventariar os fenómenos de Enfermagem e as acções de
Enfermagem presentes no quotidiano dos enfermeiros da Unidade Coronária. Como resultado
elaboramos um guia de fenómenos e intervenções de Enfermagem na UCIC ( ver anexo I ) que
serviu para a elaboração de um padrão de documentação de Enfermagem ( plano de cuidados ).

Quanto aos registos efectuados, encontramos nesta Unidade dois impressos distintos, que
constituem a quase totalidade da documentação de Enfermagem nesta unidade. Estes
impressos são:

          -   A folha de avaliação inicial (ver anexo II) que já tinha sido elaborada pelo
              grupo de trabalho para os registos de enfermagem existente nesta unidade e
              que utilizou a linguagem da CIPE/ICNP para a sua realização. Porém esta


                                                                                       23
               folha estava a ser pouco utilizada quando iniciamos o nosso estágio nesta
               unidade.
           -   Uma folha de “vigilância intensiva” (ver anexo II ) que inclui gráficos para
               registo de vários parâmetros ( frequência cardíaca, T.A., temp., SO2, B.H. ) ;
               um campo para as prescrições médicas ( folha de terapêutica dos médicos) e
               que ao mesmo tempo serve para registar a sua execução por parte dos
               enfermeiros ao assinalar uma roda em volta da hora de administração do
               farmaco; inclui ainda dois campos, um destinado ao diário médico e outro
               correspondente às notas de evolução de enfermagem.


    Existem ainda outros dois impressos utilizados pelos enfermeiros:

           -   um deles é a folha de procedimentos para preparação pré-operatória de
               cirurgia cardíaca ( ver anexo II )que é utilizada ocasionalmente visto que só
               uma minoria dos doentes desta unidade é que são submetidos a intervenção
               cirúrgica, sendo que a maioria são tratados com procedimentos menos
               invasivos como o cateterismo para PTCA, colocação de stent, etc... ou
               tratamento farmacológico com antiagregantes plaquetários e trombolíticos.
           -   O outro é a carta de transferência de enfermagem ( ver anexo II ), que tem um
               campo para assinalar os problemas/diagnósticos identificados durante o
               internamento, outro campo para os cuidados de enfermagem que necessitam
               de continuidade, outro para a medicação administrada no dia da transferência
               e ainda um último campo para descrever cateteres e sondas colocadas no
               doente. Esta folha é de suma importância uma vez que os doentes passam por
               um período de grande instabilidade hemodinâmica nesta unidade e após
               estabilizarem são logo transferidos para a unidade intermédia de cardiologia
               existente nesta instituição ou muitas vezes são transferidos para unidades de
               outras instituições. Como crítica a este impresso temos a assinalar que ele não
               é coerente com a linguagem da folha de avaliação inicial e parece-nos
               insuficiente para descrever o volume de cuidados que os doentes necessitam.
               Por outro lado como não existe um impresso (plano de cuidados) onde esteja
               registado as necessidades dos cuidados de enfermagem, é possível que alguns
               dos problemas que apresentou ao longo do internamento sejam omitidos por
               esquecimento neste impresso.

    A nossa apreciação dos impressos utilizados nesta unidade levou-nos a concluir que a
documentação de enfermagem carece de um impresso para registo das acções independentes
(processo de enfermagem). Algum deste registo é efectuado nas notas de evolução o que leva
a uma repetição de turno para turno dos problemas que o doente detém assim como de
algumas intervenções ( por exemplo: mantém cateter perifêrico heparinizado, o doente foi
mobilizado ao longo do turno, o doente foi alimentado por SNG segundo o esquema, etc...).

     Por outro lado, a maioria das intervenções registadas nas notas de evolução referem-se
ao capítulo da vigilância e da execução de tratamentos de feridas, enquanto que as
intervenções de ensino e de nível psico-afectivo realizadas pelos profissionais desta unidade
apresentam reduzida documentação, ficando oculta uma grande porção do seu trabalho e
envolvimento.




                                                                                           24
     A linguagem utilizada nas notas de evolução para descrever os problemas dos doente e
as intervenções subsequentes não obedece a nenhum padrão estabelecido, nem sequer a
linguagem da CIPE utilizada na folha de avaliação inicial. A ambiguidade da linguagem
torna-se mais notória quando se tenta descrever os estados psico-afectivos onde são usados
vários termos como “doente deprimido”, “doente prostrado”, “doente não colaborante”,
etc.....


Com respeito ao terceiro aspecto da nossa pesquisa, elaboramos um questionário (ver anexo
III) com as questões que achamos mais pertinentes depois de termos comparado aquilo que
os enfermeiros fazem com aquilo que registam. Pedimos aos enfermeiros para que
respondessem e dessem a sua opinião ao justificar as suas respostas. Infelizmente nem todos
os colegas justificaram as suas respostas o que nós leva a crer que existiu uma falha da nossa
parte na sensibilização para a importância da opinião destes na realização deste estudo.
Contudo decidimos validar o questionário com as justificações obtidas.

Nas três primeiras questões tentamos saber qual a opinião que o enfermeiro tem acerca dos
registos que ele efectua; nas três seguintes questões auscultamos a sua opinião acerca do
sistema de registos em uso; na sétima questão foi nossa intenção levar a uma reflexão por
parte do enfermeiro e que fizesse um balanço da qualidade dos registos efectuados
atendendo as respostas anteriores; a oitava e nona questão pretendeu conhecer a
receptividade e opinião dos enfermeiros acerca da implementação da linguagem da CIPE na
unidade. Na decima questão quisemos saber os conhecimentos que os enfermeiros da
unidade tinham acerca da estrutura da CIPE, de maneira a poder avaliar a necessidade de
uma acção de formação assim como proceder ao planeamento da mesma.

Seguidamente mostramos os gráficos com os resultados quantitativos acompanhados de
tabelas com as justificações dadas pelos enfermeiros ( só a partir da 4ª questão) assim como
os nossos comentários aos mesmos.




Resultados do Questionário




                                                                                           25
                   1 - Considera que faz Registos de Enfermagem atendendo à
                                   individualidade do utente?



                                               0



                                                                                              Sim
                                                                                              Não



                                              14



           Gráfico 1 – Atendimento da individualidade do utente nos registos de Enfermagem

Nesta questão todos os enfermeiros concordaram em que atendiam à individualidade do
doente ao proceder aos registos. A utilização da folha de avaliação inicial de enfermagem
permite descrever as particularidades dos utentes, contudo ela não é aplicada a todos os
utentes. Contudo, notamos a preocupação dos enfermeiros registarem nas notas de
enfermagem ( texto livre ) aspectos particulares de alimentação, sono, hábitos tabágicos e
outras características dos utentes.



                2 - Considera que faz Registos de Enfermagem atendendo à
                                  globalidade do utente?




                                    1



                                                                                             Sim
                                                                                             Não



                                                    13



             Gráfico 2 –Atendimento da globalidade do utente nos registos de Enfermagem



                                                                                                   26
Neste item, a maioria dos enfermeiros consideram atender à globalidade do utente, contudo
nas notas de enfermagem (que constituem o principal suporte utilizado pelos colegas para
caracterizar a globalidade do utente) é rara a referência a aspectos como as crenças,
distúrbios da função sexual causados pela doença cardíaca, sistema de apoio.


                 3 - Considera que a repetição de informação é evidente nos
                                    registos efectuados?



                                      1



                                                                                           Sim
                                                                                           Não



                                                     13



             Gráfico 3 – Evidencia de repetição de informação nos registos de Enfermagem

A maioria dos enfermeiros considera que repete informação nos registos. Como foi dito
anteriormente, encontramos nas notas de evolução a repetição de turno para turno de
informações relativas aos problemas dos utentes e das intervenções efectuadas. Embora não
tivesse-mos pedido justificação da resposta nesta questão, achamos que seria interessante
saber a opinião dos enfermeiros de maneira reconhecer quais os documentos onde existe a
duplicação de informação.




                                                                                                 27
           4 - Considera que as três dimensões funcionais da Enfermagem segundo
           Riopelle (cumprimento das prescrições médicas, vigilância e processo de
                Enfermagem) estão devidamente registados no actual sistema ?




  10

    8

    6                                                                              Não Justificado
                                                                                   Justificado
    4
                                                            6
    2

    0
                        Sim                               Não


        Gráfico 4 – Presença da três dimensões funcionais da Enfermagem nos registos de Enfermagem



Justificação
“Ausência de seguimento dos problemas detectados e consequentemente ausência de
avaliação”.
“Tanto as prescrições médicas como os registos de administração de medicação, não são
devidamente registados no sistema em uso. Em relação ao processo de enfermagem ele é
praticado mas na prática o seu registo escrito não existe”.
“As prescrições médicas não são devidamente registadas atendendo ao sistema em uso,
assim como os registos de administração de medicação por parte dos enfermeiros.
Relativamente ao processo de enfermagem, ele é praticado mas tem fases que o são de forma
implícita, não existindo na prática o seu registo escrito”.


“O processo de enfermagem não se encontra bem documentado”.
“Faltam alguns itens”.
“A dimensão processo de enfermagem não é registada nas suas diferentes fases”.



Na opinião dos enfermeiros a dimensão do processo de enfermagem não está documentada.
Isto poderá levar a ausência de seguimento e avaliação dos problemas.




                                                                                                     28
            5 - Considera que a continuidade dos cuidados de enfermagem está
                      assegurada com o actual sistema de registos ?




  8

  6
                                                                                      Não
  4                                                                                   Justificado
                                                                                      Justificado
                                                           5
  2
                      1
  0
                    Sim                                  Não

           Gráfico 5 – Continuidade dos cuidados assegurados pelos registos de Enfermagem

         Justificação
Sim      “Porque todo o doente que vai transferido leva informação para outros elementos
         de saúde”.
         “Acontece frequentemente serem esquecidos alguns aspectos, principalmente os
         relacionados com a personalização dos cuidados”.
         “Por vezes há aspectos que ficam esquecidos principalmente aspectos relacionados
         com a personalização dos cuidados”.
Não      “O não registo de problemas (que existem realmente) leva a uma não resolução dos
         mesmos por parte dos colegas que ficam responsáveis pelo doente (em parte por
         desconhecimento da sua existência )”.
         “Há problemas que são identificados e posteriormente não são avaliados”.
         “Em certos casos não se promove a continuidade”.



Na opinião de metade dos enfermeiros, o sistema de registos em uso não promove a
continuidade dos cuidados sobretudo por não se registar alguns dos problemas assim como a
avaliação dos mesmos o que em muitos casos leva a uma despersonalização dos cuidados.
Quanto a continuidade dos cuidados após a alta da UCIC é de salientar a existência da carta
de transferência que acompanha os doentes. Contudo este impresso parece-nos omitir
informações que já foram perdidas pelo sistema de registos em uso.




                                                                                                    29
            6 - Considera que o actual sistema de registo assegura a utilização de
                          uma linguagem comum de enfermagem?




  9
  8
  7
  6                                                                          Não Justificado
  5                                                                          Justificado
  4
  3
  2                                                   4
  1                 2
  0
                  Sim                                Não


            Gráfico 6 – Utilização de uma linguagem comum nos registos de Enfermagem

        Justificação
        “Porque o fundamento da enfermagem segue a mesma linguagem”.
Sim     “Desde que os termos usados tenham o mesmo significado para quem lê ou
        escreve, o que geralmente acontece”.
        “Há termos usados que assumem significados diferentes de acordo com quem lê ou
        com quem escreve”.
        “Cada um regista á sua maneira”.
Não     “A linguagem usada continua a ser pessoal e necessariamente objectiva”.
        “Cada um escolhe a melhor maneira de expôr os assuntos”.


Na população em estudo, 8 enfermeiros consideram que não é utilizada uma linguagem
comum no actual sistema contra 6 que opinam que sim. De salientar que as justificações
dadas pelos partidários do “sim” não validam o uso de uma terminologia padronizada mas
sim o recurso aos termos que assumam o mesmo significado para todos os enfermeiros.




                                                                                           30
            7 - Considera que faz registos completos e adequados aos cuidados que
                                            presta?




  12

  10

      8
                                                                                     Não Justificado
      6                                                                              Justificado

      4

      2
                      3                                   3
      0
                    Sim                                 Não



                   Gráfico 7 – Opinião acerca da adequação dos registos efectuados




          Justificação
          “Porque há continuidade dos cuidados e boa evolução do doente”.
Sim       “Na medida do possível, no entanto considero que havendo uma folha guia seria
          ainda melhor”.
          “Embora a linguagem usada seja por vezes subjectiva e os registos repetidos”.
          “Nem sempre é fácil registar cuidados principalmente os de ordem relacional”.
Não       “Há cuidados difíceis de registar principalmente os que respeitam á vertente
          relacional”.
          “Muitas vezes os problemas resolvidos não são registados como tal”.

Neste item pretendemos que os enfermeiros fizessem uma avaliação dos registos por eles
efectuados. A maioria dos enfermeiros considera os seus registos satisfatórios aos cuidados
que presta, embora poucos o justifiquem.
Consideramos que os registos efectuados mostram um bom nível de conhecimentos e um
razoável nível de descrição da situação contudo apresentam alguns aspectos que necessitam
de ser resolvidos como os apontados pelos colegas nas justificações dadas anteriormente.




                                                                                                   31
              8 - Na sua opinião é possível na UCIC a utilização da CIPE como
           linguagem comum para a documentação dos cuidados de enfermagem ?




  14
  12
  10
    8                                                                     Não Justificado
                                                                          Justificado
    6
    4
    2           3                                          2
    0                               0
               Sim                 Não                 Não sei


                       Gráfico 8 – Receptividade ao uso da CIPE na UCIC




        Justificação
        “Em parte devido ao tipo de trabalho implementado (trabalho individual)”.
Sim     “Tal como deve ser possível qualquer outra”.
        “Porque já é utilizado”.
        “Não tenho conhecimentos sobre o que é a CIPE”.
Não sei “Não sei porque não conheço suficientemente a CIPE para poder opinar”.


Para os enfermeiros da UCIC è possível a implementação da CIPE; obtivemos duas respostas
interessantes que não estavam contempladas neste tipo de questão de “sim” ou “não”, e que
se prendem com dois colegas que não têm opinião formada por não conhecerem
suficientemente bem a CIPE. Consequentemente torna-se importante a formação nesta área
uma vez que a unidade já está a utilizar a linguagem da CIPE na avaliação inicial.




                                                                                        32
              9 - Na sua opinião a folha de colheita de dados ajuda a identificar os
                                          problemas ?



           14

           12

           10
                                                                                         Não Justificado
             8
                                                                                         Justificado
             6

             4

             2
                                3
                                                                   2
             0
                              Sim                                Não



                 Gráfico 9 – Opinião acerca da utilidade da folha de colheita de dados




         Justificação
         “Leva-nos a abordar determinados assuntos proporcionando desta forma a
Sim      identificação de problemas”.
         “Porque há uma boa evolução e continuidade de cuidados efectuados ao doente”.
         “Mas só os que o doente apresenta à entrada (ou em casa)”.
         “Tenho a noção que a maioria dos doentes que entram no serviço estão
         preocupados com problemas específicos relacionados directamente com a sua
         doença (dor, morte ou prognóstico), ou indirectamente (poder continuar a realizar
         as actividades normais até então, sustentar a família, etc); com a actual folha os
         dados colhidos são tão abrangentes, que não conseguem especificar ou
         pormenorizar alguns aspectos. Por vezes depois de preencher a folha de colheita de
Não      dados fico com a sensação que vai servir de muito pouco”.
         “Da forma como está estruturada e no fim de alguns preenchimentos dessas folhas
         fico com a noção que não identifiquei problemas, a não ser os “banais” (ex.
         preferências alimentares, religião), os mais específicos relacionados para estes
         doentes na UCIC não se conseguem identificar [ex. dor, medo da doença, se pode
         continuar com as mesmas actividades (fumar ?, alimentos ?)]”.

Embora a maioria dos enfermeiros considerem a folha de avaliação inicial útil para a
identificação dos problemas ela não é aplicada a todos os doentes. Por outro lado dois
colegas consideram que a folha não inside o suficiente sobre problemas mais específicos da
doença.


                                                                                                 33
             10 - Tem conhecimento que a CIPE se divide em três eixos ?




  12

  10

   8
                                                                         Não Justificado
   6                                                                     Justificado
   4

   2
                   1
   0
                  Sim                          Não


                        Gráfico 10 – conhecimento acerca dos eixos da CIPE



            Se sim, enumere-os
Sim         “Fenómenos de enfermagem, acções de enfermagem e resultados (outcomes)”.


Para considerarmos satisfatória a resposta a esta questão era necessário denominar os três
eixos da CIPE, este facto só foi conseguido por um dos colegas pelo que se torna evidente a
falta de conhecimentos existente relativamente a este assunto. Concluímos que não seria
possível planear a elaboração e apresentação de uma folha de documentação com linguagem
da CIPE sem abordar esta temática numa acção de formação. Este processo de formação
deverá ser continuo e prolongar-se após este estudo, visto que a classificação está em
desenvolvimento sofrendo actualizações frequentemente; para além disso esta é uma
temática que não se aprende apenas com uma acção de formação, sendo necessário recorrer a
formação em contexto de trabalho esclarecendo as dúvidas que vão surgindo no dia a dia.




                                                                                           34
  4 – Elaboração e apresentação de um padrão de documentação
 de cuidados de Enfermagem com linguagem da CIPE aplicada à
                             UCIC

A folha que a seguir se apresenta é fruto do trabalho efectuado em colaboração com as
enfermeiras da UCIC Dalila, Maria José, Judite e Paula Rangel. Propusemo-nos elaborar um
impresso para o registo do processo de enfermagem que obedece-se aos seguintes critérios:

                  -     adequação a realidade da UCIC, contemplando os problemas e intervenções
                        de enfermagem mais comuns;
                  -     utilização a linguagem da CIPE e articulação com a folha de avaliação inicial;
                  -     Fácil preenchimento;
                  -     Contribuir para a continuidade dos cuidados após a alta da UCIC, podendo
                        servir de carta de transferência;

O primeiro campo de preenchimento destina-se a identificar o doente (através da colocação
da vinheta do doente) e registar algumas informações úteis que ajudam o enfermeiro a
visualizar eventos da doença actual e procedimentos a que o doente seja submetido.


                                   PADRÃO DE DOCUMENTAÇÃO DE ENFERMAGEM DA UCIC


            Cama _____________


Admissão: ___/ ___ /___




AE ‫ٱ‬M ..................................................( ____/____ )
sovitisopsiD ‫ .................................) ____/____ ( ٱ‬otieP ed anignA ‫ٱ‬
 ( ___ / ___ ;____/____ )______________________ ( ____/____ )_________________________ortuO ‫ٱ‬
D ‫ٱ‬isrritmias                                                         ______________________( ____/____; ___ / ___ )
  ______________________( ____/____; ___ : ___ ) ______________________( ____/____; ___ / ___ )
  ______________________( ____/____; ___ : ___ )
  ______________________( ____/____; ___ : ___ ) ‫ ٱ‬Antiagregantes Plaquetarios
__ , ____/____ ;___:___ , ____/____ )______________                                               ocaídrac omsiretetaC ‫)___:_ ٱ‬
 de Dx/ Intervenção..............( ____/____; ___ : ___ ) ______________( ____/____ , ___:___; ____/____ , ___:___)
(___:___ , ____/____ ;___:___ , ____/____ )______________ ( ___ : ___ ;____/____ ).............acaídraC aigruriC ‫ٱ‬




O enfermeiro registará que tipo de afecção o doente apresenta após existir um Dx médico
conclusivo. Poderá registar a ocorrência de disrritmias ( taquicardias supraventriculares,
fibrilação aurícular, etc...). Neste campo pode-se incluir os dispositivos colocados no utente
como sejam balão intra-aortico, ventilador, pace-maker, etc...). Outra informação relevante é
o uso de antiagregantes plaquetarios e a hora do inicio desta terapêutica.




                                                                                                                                  35
                                            Fenómenos de Enfermagem

No seguinte campo surgem os fenómenos de Enfermagem que o grupo seleccionou como
sendo os mais comuns na prática da UCIC. Estes fenómenos aparecem segundo o termo do
eixo A (foco na prática) acompanhados do julgamento diagnóstico (termo do eixo B). São
ainda registadas as datas de inicio e de termo do problema. As intervenções de Enfermagem
referentes a estes fenómenos de enfermagem são apresentadas num terceiro campo. A seguir
são apresentados os fenómenos por separado de maneira a se proceder a alguns comentários
específicos (ver definições anteriormente dadas no guia de fenómenos e intervenções na
UCIC) de cada um deles e do seu preenchimento:


‫ٱ‬Autocuidado:

Movimentação ( Inicio ___/___/___- Termo ___/___/___ )
      Dependente                Requer assistência de        Requer assistência de Pessoas    Independente c/ assistência de
                               Pessoas/equipamentos                                                  equipamentos




Alimentação ( Inicio ___/___/___- Termo ___/___/___ )
           Dependente                              Não participa                        Requer assistência de Pessoas




Higiene ( Inicio ___/___/___- Termo ___/___/___ )
             Dependente                             Não participa                       Requer assistência de Pessoas




Os problemas de autocuidado dos utentes na UCIC relacionam-se com o aleitoamento
prescrito que se verifica durante o internamento, estando indicado o levante para o cadeirão
se a situação estiver estabilizada mas sem autorização para deambular. Logo todos os
doentes apresentam défices de autocuidado pelo menos parciais ao nível de aceder a objectos
necessários para a satisfação do autocuidado. O défice de autocuidado: eliminação não foi
incluído embora todos os doentes usem equipamentos ( aparadeiras, urinois, algaliação ) pois
na quase totalidade não corresponde a algum problema do doente mas sim as contingências
anteriormente citadas. Contudo este fenómeno surgir esporadicamente em doentes que já
apresentavam este problema em casa devendo ser levantado de maneira a se dar continuidade
aos cuidados na unidade intermédia de cardiologia ou outra para onde o doente seja
transferido. Quanto à movimentação ela surge como problema em doentes inconscientes
(totalmente dependentes), doentes debilitados fisicamente ( que requerem assistência de
pessoas e/ou equipamentos como por exemplo as grades de protecção ) ou doentes onde
tenham sido colocados dispositivos que limitam a movimentação como o ventilador ou o
balão intra-aortico.
Quanto à alimentação ela pode surgir em doentes com SNG ( totalmente dependentes ), em
doentes debilitados ( que requerem ajuda ) ou em doentes com problemas psico-afectivos
que se recusam a alimentar-se ( não participa ).
No autocuidado higiene o utente partirá sempre de uma situação em que é dado o banho na
cama antes do primeiro levante e poderá evoluir para níveis de independência maiores.
Estes fenómenos poderão não estar terminados aquando da transferência do doente.


                                                                                                                               36
 ‫ٱ‬Precauções de segurança ( Inicio: admissão - Termo ___/___/___ )
condição circulatória
infecção
ferida
dispositivos




O fenómeno das precauções de segurança é um dos principais motivos de cuidados de
enfermagem numa unidade coronária, existindo a necessidade de monitorizar e vigiar o
doente desde que ele entra na unidade. Carece de julgamento diagnóstico pois o nível de
vigilância numa unidade coronária é sempre máximo. Esta vigilância incide na condição
circulatória, infecção, ferida e nos dispositivos ( se existentes ). Outros aspectos que
necessitam de vigilância poderão surgir.


‫ٱ‬Ferida               Local: _______________________________ ( Inicio ___/___/___ - Termo ___/___/___ )
                              _______________________________ ( Inicio ___/___/___ - Termo ___/___/___ )
                              _______________________________ ( Inicio ___/___/___ - Termo ___/___/___ )

              Data

    Hematoma ( cm )
    Equimose ( cm )

Drenagem:
       Drenagem             Sem drenagem sanguinolenta                   Drenagem                           Sem drenagem purulenta
     sanguinolenta                                                       purulenta




As feridas que surgem nos doente na UCIC são sobretudo as resultantes do cateterismo
cardíaco. A introdução do cateter pode ser feita por varios locais. Neste campo tentou-se
estabelecer os críterios mais adequados para uma correcta avaliação da ferida.


 ‫ڤ‬Limpeza ineficaz das vias aéreas ( Inicio ___/___/___- Termo ___/___/___ )

    Extremamente ineficaz             Substancialmente ineficaz              Moderadamente ineficaz              Ligeiramente ineficaz
 Necessita sempre de aspiração   Necessita ocasionalmente de aspiração    ( necessita aprender a tossir )      ( necessita de incentivo )




 A pessoa demonstra capacidade/conhecimentos para tossir eficazmente:
        Não demonstra              Raramente                 Ocasionalmente            Frequentemente                    Sempre




                                                                                                                                       37
A limpeza ineficaz das vias aéreas pode surgir em doentes ligados ao ventilador ou doentes
debilitados que não conseguem tossir eficazmente.


‫ٱ‬Nervosismo ( Inicio ___/___/___ - Termo ___/___/___ )
‫ٱ‬Medo ( Inicio ___/___/___ - Termo ___/___/___ ) Causa(s)__________________________________________
‫ٱ‬Ansiedade ( Inicio ___/___/___ - Termo ___/___/___ )




Os fenómenos de enfermagem contemplados no campo anterior apresentam características
especiais uma vez que se torna dificil avaliar rigorosamente as emoções. Por outro lado,
representam um desafio para a enfermagem. Este campo deverá ser alvo de um
desenvolvimento maior baseado nas sugestões da equipe.




   ‫ٱ‬Falta de conhecimentos ( Inicio ___/___/___ - Termo ___/___/___ )

    1 – Técnica respiratória... (      ___/___/___ -   ___/___/___ )        5 - Hipertensão sanguínea ................( ___/___/___ - ___/___/___ )
    2 – Hábitos alimentares... (       ___/___/___ -   ___/___/___ )        6 - Hábitos alimentares: Diabetes..... ( ___/___/___ - ___/___/___ )
    3 - Tabagismo................. (   ___/___/___ -   ___/___/___ )        7 - ___________________________ ( ___/___/___ - ___/___/___ )
    4 - Alcoolismo................ (   ___/___/___ -   ___/___/___ )        8 - ___________________________ ( ___/___/___ - ___/___/___ )


    A pessoa demonstra conhecimentos:
                Não demonstra                                          Ocasionalmente                                      Sempre




A doença coronária tem uma forte componente socio-económica. A falta de conhecimentos é
uma das causas para comportamentos de risco que levam ao desenvolvimento da doença. O
grupo escolheu os itens relacionados com o hábitos de vida e incluiu ainda a técnica
respiratória. A avaliação do status de conhecimentos é feita na tabela com o nº do item
seleccionado e a data em que se verificou o referido status ( não demonstra, demonstra
ocasionalmente, demonstra sempre).


 Inicio                                                Outros Fenómenos de Enfermagem                                                Termo




Por último reserva-se um espaço para os outros fenómenos que podem estar presentes ( ver o
guia de fenómenos e intervenções ). O preenchimento deste espaço é indicador de que o
plano é individual e personalizado.




                                                                                                                                              38
                               Intervenções de enfermagem

No terceiro campo temos intervenções referentes aos fenómenos abordados no campo anterior.
Algumas já estão descriminadas bastando ao enfermeiro colocar a data de inicio e de termo
entre as quais o utente é submetido a referida intervenção; as restantes que não foram

                      Intervenções do tipo: MONITORIZAR/VIGIAR


        admissão            Monitorizar Sinais Vitais ( freq. card. , freq. resp., T.A., temperatura corporal )
                            Monitorizar Consciência
                            Monitorizar Líquidos ( ingeridos e eliminados )
                            Monitorizar eliminação fecal

                            Monitorizar SatO2

                            Monitorizar pressão venosa central

                            Monitorizar glicemia capilar


        admissão            Vigiar Dor Toráx




                            Vigiar pulsos pediosos/coloração/temperatura das extremidades




                            Vigiar Hemorragia




                            Vigiar Edema




        admissão            Vigiar Sinais de Infecção: local de inserção de cateteres




                            Vigiar ______________________________




                                                                                                                  39
contempladas têm espaço próprio para serem escritas ( devendo-se utilizar na medida do
possível a linguagem da CIPE ).
As intervenções não foram ordenadas pelos fenómenos a que pertencem mas sim pela lógica do
eixo A das intervenções de enfermagem ( tipo de acção ). Isto evita que intervenções que se
adequam a dois ou mais fenómenos activos, sejam registadas em duplicado. Outra vantagem é a
de poder ter uma visão do tipo de trabalho realizado pelos enfermeiros ao fazer um inventario
das intervenções pelo tipo de acção
Os resultados das intervenções de monitorização são registadas na folha de vigilância
intensiva. Neste campo existem espaços para registar em texto livre eventos resultantes da
vigilância ao doente.

                                                     Intervenções do tipo: GERIR

                                        Manter repouso no leito

                                        Aplicar colchão de pressão alternada

                                        Aplicar creme – superficie corporal

                                        Optimizar comunicação

                                        _________________________________________________________________________




As intervenções de gerir são um indicador do grau de autonomia e decisão que o enfermeiro
tem. Este campo deverá ser alvo de desenvolvimento.



                                                Intervenções do tipo: EXECUTAR

                                     Dar Banho ( cama )

                                     Transferir para o cadeirão ( 1º levante )

                                     Elevar ( cabeceira a ____º )

                                     Elevar pernas

                                     Aspirar secreções- tubo endotraqueal por procedimento nº 4

     Inserir cateter vesical por procedimento nº 3

          Data
        Retirado
           Nº




     Cateterizar veia periférica por procedimento nº 11

        Data       1                2                3              4            5           6
       Retirado
         Nº

         Local




                                                                                                                    40
          Executar penso por procedimento nº

     Venoso                 Venoso                     Arterial                     Arterial                 Outro
    Periférico              Central                   Periférico                    Central

                 Local_________________    Local_________________        Local_________________   Local_________________




                 Local_________________    Local_________________        Local_________________   Local_________________




                 Retirado                  Retirado                      Retirado                 Retirado


          Tratamento de Ferida não incluído em protocolo
          ______________________________________________________________________________________
          ______________________________________________________________________________________
          ______________________________________________________________________________________

                                       Executar pensos compressivos por procedimento nº

                                       Preparar utente para a cirurgia por procedimento nº 18

                                       Administrar Trombolíticos por procedimento nº

                                       Remover Introdutor por procedimento nº

                                       __________________________________________________________________________

                                       __________________________________________________________________________




As intervenções de execução junto com as de monitorização/vigilância são uma parte
substancial do trabalho de enfermagem na UCIC.
Quanto às de execução temos a realçar que muitas são efectuadas segundo procedimentos
instituídos na unidade. Estes procedimentos são citados de maneira a que o enfermeiro siga a
norma de execução. Se o enfermeiro tiver que executar a intervenção sem seguir o
procedimento deverá registar esse facto.
Foram criadas tabelas para o registo de introdução e remoção de cateteres vesicais e de cateteres
periféricos; para a execução de pensos, etc....




                                               Intervenções do tipo: ASSISTIR


                                      ___________________________________________________________________________

                                      ____________________________________________________________________________



As intervenções do assistir são das mais envolvimento exigem ao enfermeiro.



                                                                                                                       41
São produto da relação com o doente portanto têm um caracter único e pessoal. As intervenções
neste domínio marcam a diferença na obtenção de cuidados de qualidade.


                                            Intervenções do tipo: INFORMAR

                                     Instruir Técnica Respiratória ( resp. diafragmática e tosse assistida )

                                     Instruir Técnicas de exercício muscular e articular

                                     Ensinar Ameaças/riscos à saúde: Hipertensão sanguínea

                                     Ensinar Ameaças/riscos à saúde: Tabagismo/Alcoolismo

                                     Ensinar Ameaças/riscos à saúde: Hábitos alimentares

                                     Ensinar Hábitos alimentares: Diabetes

                                     Incentivar Actividade física

                                     _________________________________________________________________




As intervenções citadas no Informar referem-se ao fenómeno falta de conhecimentos que se
encontra no segundo campo da folha. A avaliação dos resultados destas intervenções
encontra-se nesse local (status do problema).


                                                     TRANSFERÊNCIA

Medicação administrada no dia da Transferência
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________

    Outras Observações:




Apresentamos os melhores cumprimentos,
Vila Nova de Gaia _____/ _____/ _____
O Enfermeiro responsável ___________________________________________________.



O quarto e último campo do padrão de documentação é dedicado à transferência do utente,
que pode ser feita para a unidade intermédia de cardiologia do CHVNG ou para outra
instituição. O que se pretende é que o enfermeiro que irá receber o doente tenha uma visão
pormenorizada do que se passou durante o internamento. Por outro lado, indicar quais os
fenómenos activos ( em aberto ) e intervenções que necessitam de continuidade. Estas
informações estão descritas ao longo da folha ao observar os fenómenos e intervenções aos
quais não foi dado termo.




                                                                                                               42
4.1 – Plano da acção de formação sobre a documentação dos cuidados de
enfermagem: aplicação da CIPE aos registos do processo de enfermagem



População Alvo: enfermeiros da Unidade de Cuidados Intensivos Coronários do Centro
Hospitalar de Vila Nova de Gaia

Duração: 2 horas

Local: Unidade de cuidados intensivos de cardiologia

Data: A acção de Formação consistirá numa sessão a realizar-se no dia 5 de Abril de 2000

Finalidade: Esta acção de formação insere-se no âmbito do projecto de investigação
desenvolvido por Pedro Silva e Susana Pereira para o Ano Complementar de Licenciatura
em Enfermagem da Escola Superior de Enfermagem de São João. Insere-se ainda no plano
de formação em serviço da UCIC como parte de um projecto que existe neste serviço e que
visa a melhoria dos registos de Enfermagem e do qual fazem parte as enfermeiras do serviço
Paula Rangel, Maria José, Judite Pacheco e a Enfermeira – Chefe Dalila Brito.
Sendo assim, pretende-se:

   -   Sensibilizar a equipa para a importância da utilização de uma linguagem comum;

   -   Apresentar a estratégia do serviço para a aplicação/utilização da CIPE/ICNP.

Metodologia: a abordagem será expositiva e participativa. Como meios auxiliares
pedagógicos será utilizada a retroprojecção de transparências; serão fornecidas copias da
folha de padrão de documentação.

.
Sumário

  0 - Introdução do tema e do grupo

  1 - A Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE) como linguagem
comum
  1.1 – Objectivos
  1.3 - Critérios usados no seu desenvolvimento
  1.3 - Arquitectura das três pirâmides (eixos) da CIPE:
                    - Fenómenos de Enfermagem
                    - Intervenções de Enfermagem
                    - Resultados de Enfermagem (Outcomes)

  2 – Apresentação do padrão de documentação




                                                                                        43
                                     5 – Conclusão

As conclusões deste trabalho não se devem generalizar a outros serviços pela específicidade
dos cuidados prestados na UCIC. Contudo esperamos que possa servir para consulta dos
colegas que se debruçem nesta área.
Quanto a metodologia usada consideramos que a participant action research constituiu o
envolvimento adequado a situação e tempo disponível para o projecto. A própria pesquisa foi
moldando o projecto, pelo que a intenção de realizar um estudo exploratório e descritivo não
foi suficiente pelo que se passou à acção, com o planeamento de a utilização de um sistema
de documentação mais completo e adequado.
Na nossa autocrítica temos a referir que a utilização e organização das notas de campo, e a
sensibilização dos enfermeiros para o preenchimento do questionário foram dois aspectos
que necessitavam de mais atenção.
Quanto às primeiras impressões retiradas da nossa observação participante foram que esta é
uma unidade onde o trabalho de enfermagem tem as vertentes de monitorização/vigilância e
de execução ( sobretudo de pensos e prescrições médicas ) bastante desenvolvidas. Talvez
por esta razão, são as vertentes melhor documentadas. O restante trabalho dos enfermeiros é
pouco vísivel para quem consultar o sistema de documentação até agora usado nesta unidade.
Por outro lado o sistema não é coerente com o uso do processo de enfermagem por se
encontrar incompleto. Talvez esta seja a razão pela qual a folha de colheita tenha sido pouco
utilizada até então. Sendo assim, encontramos deficiências:
            - ao nível da continuidade. Os “problemas identificados com a folha de colheita
                de dados não são avaliados” como justificou um colega no questionário; Este
                problema é ainda mais grave nos casos em que a folha de avaliação inicial não
                é usada, visto que “O não registo de problemas (que existem realmente) leva a
                uma não resolução dos mesmos por parte dos colegas que ficam responsáveis
                pelo doente (em parte por desconhecimento da sua existência )”.
            - Ao nível da repetição de dados. Os enfermeiros têm que registar os mesmos
                problemas e intervenções de turno para turno enquanto estes não tenham
                terminado.
            - Ao nível da linguagem. A maioria dos enfermeiros desta unidade considerou
                que não existia uma linguagem comum nos registos efectuados. Por outro
                lado, a maioria dos enfermeiros reconheceu a utilidade da folha de colheita de
                dados ( que introduziu a linguagem a CIPE nesta unidade ) contudo só um
                enfermeiro/a é que demonstrou conhecer a estrutura de três eixos da CIPE ao
                responder ao questionário.
Consequentemente tornou-se evidente a necessidade de melhorar o sistema de documentação
e de incrementar os conhecimentos sobre a linguagem comum da CIPE/ICNP.
Foi elaborado um padrão de documentação e realizada uma sessão de formação para a sua
apresentação e abordagem da linguagem da CIPE.
No termo deste trabalho apetece-nos dizer que o fim deste trabalho não é o fim do projecto.
Neste momento ele está numa fase experimental de aplicação onde se pretende que todos os
enfermeiros da UCIC se familiarizem com o padrão de documentação e possam dar as suas
sugestões de maneira a poder melhora-lo.
Outro ponto essencial é a formação dos enfermeiros acerca da utilização da CIPE.
Esperamos que este seja um contributo para um projecto maior que leve a enfermagem da
UCIC do CHVNG a passar do discurso scripto ao discurso informo.

                                                     Vila Nova de Gaia, 11 de Maio de 2000


                                                                                           44
                          6 - Referências Bibliográficas


Página do ICN: http://www.icn.ch./

Página do TELENURSE: http://www.telenurse.net/ (necessita do Microsoft Internet
Explorer como Browser)

Página da Ásia e Pacífico sobre a CIPE: http://www.cad.gu.edu.au/ICNP_AP/ICNP_AP.htm

Página da Alemanha sobre a CIPE: http://www.health-informatics.de/gmds_ni/

Espanhol sobre a CIPE: http://www.geocities.com/Athens/Forum/5586/cipe.html

Português (Brazil) sobre a CIPE: http://www.persocom.com.br/aben/cipesc/

Página da Roménia sobre a CIPE: http://atlas.ici.ro/ehto/telenurse

Página da Eslovénia sobre a CIPE: http://lopes1.fov.uni-mb.si/crii

CENTRO HOSPITALAR DE VILA NOVA DE GAIA. “Elementos estatísticos do
CHVNG” Boletim Informativo do CHVNG nº 11 de 25 de fevereiro de 2000.

GONÇALVES; Fernando. “Técnica de resolução de problemas aplicada à inadequados
registos de Enfermagem”. Monografia para o 6º curso de especialização em Enfermagem
medico-cirúrgica da Escola Superior de Enfermagem Cidade do Porto. Outubro: 1993.

MATOS, Elisa Teresa. “Documentação de cuidados de Enfermagem: estudo desta realidade
numa unidade coronária”. Dissertação de candidatura ao grau de Mestre em Ciências de
Enfermagem apresentada ao Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar. Porto: 1998.

PAIVA, Abel. “ Registos de Enfermagem da tradição scripto ao discurso informo”.
Dissertação de candidatura ao grau de Mestre em Ciências de Enfermagem, apresentada ao
Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Porto: 1995.

PINHO, Fatima. “Objectividade e subjectividade dos registos de Enfermagem”. Monografia
para o curso de licenciatura em Enfermagem medico-cirúrgica da Faculdade de filosofia da
Universidade Católica Portuguesa. Lisboa:.Julho 1996

THE DANISH INSTITUTE FOR HEALTH AND NURSING RESEARCH. “Classificação
Internacional para a Prática de Enfermagem ICNP/CIPE com introdução à telenurse”. Versão
alfa. Lisboa: Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde.




                                                                                     45
                               7 – Anexos


Anexo I – Guia dos fenómenos e intervenções de Enfermagem na UCIC

Anexo II – Impressos dos registos na UCIC.

Anexo III – Questionário.

Anexo IV – Padrão de documentação.

Anexo V – Diapositivos da acção de formação.




                                                                    46
Anexo I - Guia de Fenómenos e Intervenções de Enfermagem na UCIC


Autocuidado: Mover-se α

Mover-se é um fenómeno de Enfermagem com as seguintes características específicas:
acção efectiva básica do movimento de cada um.

Status:
Dependente
Requer assistência de Pessoas/equipamentos
Requer assistência de Pessoas
Independente c/ assistência de equipamentos


Intervenções: Assistir: no levante



Autocuidado: Alimentação ( comer/beber ) β

Comer é um tipo de autocuidado com as seguintes características específicas: encarregar-se
de organizar a ingestão de alimentos sob a forma de refeições saudáveis, cortar e partir os
alimentos em bocados manejáveis, levar a comida à boca, metê-la na boca utilizando os
lábios, músculos e língua e alimentando-se até ficar satisfeito.
Beber é um tipo de autocuidado com as seguintes características específicas: encarregar-se
de organizar a ingestão de bebidas durante as refeições e regularmente ao longo do dia ou
quando se tem sede, beber por uma chávena ou copo, ou deitar os líquidos na boca
utilizando os lábios músculos e língua, beber até matar a sede.


Status:
Dependente
Não participa
Requer assistência de Pessoas




Autocuidado: Banho/Higiene β

Banho é um tipo de autocuidado com as seguintes características específicas: encarregar-se
de esfregar com água o corpo no todo ou em parte, por exemplo entrando e saindo da
banheira, juntando todos os itens necessários ao banho, enchendo a banheira ou abrindo as
torneiras, lavando e secando o corpo.
Higiene é um tipo de autocuidado com as seguintes características específicas: encarregar-
se de manter um padrão contínuo de higiene, conservando o corpo limpo e bem arranjado,
sem odor corporal, lavando regularmente as mãos, limpando as orelhas, nariz e zona
perineal e mantendo a hidratação da pele, de acordo com os princípios de preservação e
manutenção da limpeza.

Status:


                                                                                        47
Dependente
Não participa
Requer assistência de Pessoas



Intervenções: Dar Banho ( cama )


Precauções de segurança β

Precaução de segurança é um tipo de precaução com as seguintes características
específicas: desempenhar actividades directamente orientadas para prevenir e evitar
acidentes ou perigos que são especificamente conhecidos por provocarem lesão e prejuízo;
executar actividades orientadas para a manutenção da segurança ambiente; associada
com a utilização de dispositivos protectores como luvas e capacete.

Intervenções: Monitorizar Sinais Vitais ( freq. card. , freq. resp., T.A., temperatura corporal )
                 Monitorizar Consciência
                 Monitorizar Líquidos ( ingeridos e eliminados )
                 Monitorizar SatO2
                 Monitorizar pressão venosa central
                 Monitorizar glicemia capilar
                 Monitorizar debito urinário
                 Vigiar Dor Toráx
                 Vigiar pulsos pediosos
                 Vigiar coloração/temperatura das extremidades
                 Vigiar Hemorragia
                 Vigiar Edema
                 Vigiar Penso
                 Vigiar Sinais de Infecção: local de inserção de cateteres
                 Vigiar Eliminação fecal
                 Vigiar Equipamentos: Pacemaker
                 Manter repouso no leito
                 Cateterizar veia periférica por procedimento nº 11
                 Inserir cateter vesical por procedimento nº 3
                 Preparar utente para a cirurgia por procedimento nº 18
                 Administrar Trombolíticos por procedimento nº



Ferida β

Ferida é um tipo de tecido com as seguintes características específicas: lesão do tecido
habitualmente associada com agressão física ou mecânica; os estádios são graduados de
acordo com a gravidade, desde o esfacelo e tunelização dos tecidos, drenagem serosa,
sanguínea ou purulenta, eritema da pele, eritema e edema em torno da ferida, pele
circundante com bolhas, macerada e anormal, elevação da temperatura da pele, odor da
ferida, sensibilidade dolorosa em torno da ferida; tecido de granulação vermelho, necrose
do tecido gordo, feridas negras marcadas pela necrose.

Status:
Hematoma/ Equimose: Extremamente acentuado
                    Moderadamente acentuado
                    Ligeiramente acentuado
                    Ausente




                                                                                                    48
Drenagem: Drenagem sanguinolenta
          Sem drenagem sanguinolenta
          Drenagem purulenta
          Sem drenagem purulenta

Intervenções: Remover Introdutor por procedimento nº
                Executar pensos compressivos por procedimento nº




Limpeza das vias aéreas – ineficaz β

Limpeza das vias aéreas: processo de manter aberta ao fluxo de ar uma passagem tubular
que vem desde a boca passando pela traqueia e bronquios até aos pulmões, capacidade de
limpar as secreções ou obstruções do trato respiratório, de modo a manter a permeabilidade
das vias aéreas.
Ineficaz é usado para avaliar um fenómeno de Enfermagem com as seguintes características
específicas: afirmação de que o resultado desejado não está a ser produzido
consistentemente e com sucesso.


Status: Extremamente ineficaz (necessita sempre de aspiração)
        Substancialmente ineficaz (necessita ocasionalmente de aspiração)
        Moderadamente ineficaz ( necessita aprender a tossir )
        Ligeiramente ineficaz ( necessita de incentivo )

      A pessoa demonstra capacidade/conhecimentos para tossir eficazmente:
      Não demonstra
      Raramente
      Ocasionalmente
      Frequentemente
      Sempre



Intervenções: Instruir Técnica Respiratória ( resp. diafragmática e tosse assistida )
                Aspirar secreções- tubo endotraqueal por procedimento nº 4




Nervosismo β

Nervosismo é um tipo de emoção com as seguintes características específicas: sentimentos
de sobreexcitação acompanhados de instabilidade, tremores, tremuras das mãos,
ruborização da face.

Medo β

Medo é um tipo de emoção com as seguintes características específicas: sentimentos de
ameaça, perigo ou infelicidade com causa conhecida acompanhada por estado de alerta,
concentração na origem do medo, comportamento agressivo em posição de ataque com os
olhos muito abertos ou fuga da fonte do medo.


                                                                                        49
Ansiedade β

Ansiedade é um tipo de emoção com as seguintes características específicas: sentimentos de
ameaça, perigo ou infelicidade sem causa conhecida, acompanhados de pânico, diminuição
da autosegurança, aumento da tensão muscular e do pulso, pele pálida, aumento da
perspiração, suor na palma das mãos, pupilas dilatadas e voz trémula.



Falta de conhecimentos α

Falta de conhecimentos é um fenómeno de Enfermagem que pertence ao pensamento com
as seguintes características específicas: falta de conteúdo específico do pensamento.

Status: Não demonstra
         Raramente
         Ocasionalmente
         Frequentemente
         Sempre

A pessoa demonstra conhecimentos sobre:
1 – Técnica respiratória                                  5 - Ameaças/riscos para a saúde:Hipertensãosanguinea
2 – Ameaças/riscos para a saúde: Hábitos alimentares     6 - Hábitos alimentares: Diabetes
3 - Ameaças/riscos para a saúde: Tabagismo               7 - __________________________________________
4 - Ameaças/riscos para a saúde: Alcoolismo              8 - __________________________________________




Intervenções: Instruir Técnica Respiratória ( resp. diafragmática e tosse assistida )
Instruir Técnicas de exercício muscular e articular
Ensinar Ameaças/riscos à saúde: Hipertensão sanguínea
Ensinar Ameaças/riscos à saúde: Tabagismo/Alcoolismo
Ensinar Ameaças/riscos à saúde: Hábitos alimentares
Ensinar Hábitos alimentares: Diabetes
Incentivar Actividade física




 Fenómenos de Enfermagem não incluídos no padrão de documentação mas que poderão
                                 estar presentes


Debito cardíaco - diminuído β

Debito cardíaco é um tipo de função cardíaca com as seguintes características específicas:
quantidade de sangue ejectado por minuto do ventrículo esquerdo de modo a suportar uma
pressão de perfusão sistémica, pulsos perifêricos normais, ritmo e sons cardíacos normais e
preenchimento das veias jugulares, associada à tolerância à actividade e ao nível de
actividade.



                                                                                                       50
Arritmia β

Arritmia é um tipo de função cardíaca com as seguintes características específicas: variação
do ritmo normal da contracção auricular e ventrícular do miocárdio associado a função
pace- maker do nódulo sinoatrial.


Alteração da perfusão dos tecidos α

Alteração da perfusão dos tecidos é um fenómeno de Enfermagem com as seguintes
características específicas: alteração do movimento do sangue através dos tecidos para
libertação de oxigénio e nutrientes a nível celular.


Hemorragia β

Hemorragia é um tipo de sangramento com as seguintes características específicas: perda
de uma grande quantidade de sangue num curto período de tempo, externa ou internamente,
associada a sangramento arterial, venoso ou capilar.


Hematoma β

Hematoma é um tipo de sangramento com as seguintes características específicas: colecção
e acumulação de sangue retido dentro dos tecidos, pele ou orgãos, associado a traumatismo
ou hemostase incompleta após intervenção cirúrgica, massa palpável, dor ao toque, pele
dolorosa, com coloração azul, esverdeado escuro ou amarelo.




Dispneia β

Dispneia é um tipo de respiração com as seguintes características específicas: movimento
da entrada e saída de ar nos pulmões, com desconforto e esforço crescente e falta de ar,
associado a insuficiência de O2 no sangue circulante, adejo nasal, alterações na
profundidade respiratória, sons respiratórios adventícios, sibilos, estertores, roncos,
ressonância dos sons à percusão, uso dos músculos acessórios, restrição dos movimentos
torácicos, expiração com labios franzidos, frémito e sensação de desconforto.

Dispneia funcional: falta de ar associada com actividade como a ginastica ou a marcha.

Dispneia em repouso: falta de ar quando em repouso, em posição confortável.

Ortopneia: falta de ar quando deitado de costas ou reclinado.



Intervenções: Elevar ( cabeceira a ____º )


                                                                                           51
Sono β

Sono é um tipo de restauração com as seguintes características específicas: recurso à
redução da actividade corporal, marcada por uma redução da consciência que não se
mantém quando acordado, em que a pessoa não sabe de si, o metabolismo está diminuído, a
postura imóvel, a actividade corporal diminuída e a sensibilidade diminuída mas
prontamente reversível a estímulos externos.



Insónia é um tipo de sono com as seguintes características específicas: incapacidade
crónica de dormir ou de se manter a dormir a noite toda ou durante os períodos de sono
planeados, apesar do posicionamento confortável num ambiente agradável; espertina, falta
de sono; frequentemente associada a factores psicológicos ou físicos como o stress
emocional, ansiedade, dor, desconforto, tensão, perturbação da função cerebral e abuso de
drogas.



Conflito decisional α


Memória: Desorientação α


Papel de prestador de cuidados β

Papel de prestador de cuidados é um tipo de interacção de papéis com as seguintes
características específicas: interagir de acordo com as responsabilidades de cuidar de
alguém , interiorizando as expectativas das instituições de saúde e profissionais de saúde,
membros de família e sociedade quanto aos comportamentos de papel adequados ou
inadequados de um prestador de cuidados; expressão destas expectativas como
comportamentos e valores; fundamental em relação aos cuidados aos membros dependentes
da família.



Comunicação α

Status: Recepção, interpretação ou emissão de mensagens verbais ou não verbais:
        Extremamente Alterada
        Substancialmente Alterada
        Moderadamente Alterada


Intervenções: Encorajar comunicação




                                                                                        52
Imobilidade Parcial α

Status: A pessoa demonstra capacidade/conhecimentos para a mobilização das extremidades :
        Não demonstra
        Raramente
        Ocasionalmente
        Frequentemente
        Sempre

Intervenções: Instruir Técnicas de exercício muscular e articular



Compressão dos tecidos β


Compressão dos tecidos ( zona de pressão ) é um tipo de tecido com as seguintes
características específicas: tecido comprimido com marcas de pressão de cor vermelha ou
azul escura, habitualmente sobre as proeminências ósseas e articulações, as marcas de
pressão e a cor da pele não voltam ao normal e as marcas de pressão não desaparecem
quando se alivia a pressão; a pele mantém-se completa e integra ( a compressão dos tecidos
pode ser classificada como úlcera de pressão de estádio I )

Intervenções: Aplicar colchão de pressão alternada
                Aplicar creme – superficie corporal


Ulcera β

Ulcera é um tipo de tecido com as seguintes características específicas: ferida ou lesão
aberta, perda da camada mais profunda de tecido, lesão circunscrita semelhante a uma
cratera, diminuição do aporte sanguíneo a essa área, tecido de granulação vermelho,
necrose do tecido, odor da ferida, área dolorosa em torno da ferida, dor, crosta de tecido
inflamado e necrótico associada a um processo inflamatório, infeccioso ou maligno.

Ulcera de pressão é um tipo de úlcera com as seguintes características específicas:
inflamação ou ferida sobre as proeminências ósseas devido a compressão e fricção da pele
entre o osso e a superfície subjacente, em que os estádios são graduados segundo a
gravidade; lesão superficial que evolui para uma situação de flictenas ou solução de
continuidade superfícial ( úlcera de pressão de estádio II ), solução de continuidade da pele
com perda de toda a sua espessura e drenagem sanguinolenta ( úlcera de pressão de
estádio III ) progredindo para úlcera profunda tipo cratera com exposição da fascia e do
tecido conjuntivo, músculo ou osso ( úlcera de pressão de estádio IV ).

Status:
Edema periférico: Extremamente acentuado
                  Moderadamente acentuado
                  Ligeiramente acentuado
                  Ausente
Aproximação dos bordos: Substancial
                          Moderada



                                                                                             53
                       Insignificante

Drenagem: Drenagem sanguinolenta
          Sem drenagem sanguinolenta
          Drenagem serosangunolenta
          Sem drenagem serosanguinolenta
          Drenagem purulenta
          Sem drenagem purulenta




                                           54
Anexo II – Impressos dos registos na UCIC




                                            55
Anexo III – Quetionário




                          56
       Escola Superior de Enfermagem de São João
          Ano Complementar de Formação em Enfermagem




 Questionário dirigido aos Enfermeiros da Unidade Coronária sobre os
Registos de Enfermagem com a Linguagem da Classificação Internacional
                     para a Prática de Enfermagem




                                 Elaborado por: Pedro José Oliveira da Silva
                                                Susana Cristina Marques Pereira




                            Março de 2000

                                                                            57
                                                           Questionário

        Este Questionário insere-se no trabalho que está a ser elaborado nesta Unidade acerca
dos Registos de Enfermagem com Linguagem da CIPE. Assim sendo, pretendemos conhecer
a opinião dos Enfermeiros da Unidade Coronária do CHVNG acerca da temática em questão,
com vista à colheita de dados e a programação de uma acção de formação acerca deste
assunto.
        Para isso, pedimos aos colegas que respondam a todos os items, para que o
questionário seja válido e os dados possam ser trabalhados.
        Este questionário é anónimo e os seus resultados estarão disponíveis aos seus
participantes.


                                                                         Agradecemos desde já a colaboração prestada



1. Considera que faz Registos de Enfermagem atendendo à individualidade do utente ?

1.1. Sim.....................................................................................................................................‫ٱ‬
1.2. Não.....................................................................................................................................‫ٱ‬



2. Considera que faz Registos de Enfermagem atendendo à globalidade do utente ?

2.1. Sim.....................................................................................................................................‫ٱ‬
2.2. Não.....................................................................................................................................‫ٱ‬



3. Considera que a repetição de informação é evidente nos registos efectuados ?

3.1. Sim.....................................................................................................................................‫ٱ‬
3.2. Não.....................................................................................................................................‫ٱ‬



4. Considera que as três dimensões funcionais da Enfermagem segundo Riopelle
(cumprimento das prescrições médicas, vigilância e processo de enfermagem ) estão
devidamente registados no actual sistema ?

4.1. Sim.....................................................................................................................................‫ٱ‬
4.2. Não.....................................................................................................................................‫ٱ‬
4.3. Justifique a sua escolha____________________________________________________
__________________________________________________________________________




                                                                                                                                           58
5. Considera que a continuidade dos cuidados de enfermagem está assegurada com o actual
sistema de registos ?

5.1. Sim....................................................................................................................................‫ٱ‬
5.2. Não....................................................................................................................................‫ٱ‬
5.3. Justifique_______________________________________________________________
__________________________________________________________________________


6. Considera que o actual sistema de registos assegura a utilização de uma linguagem comum
de Enfermagem ?

6.1. Sim.....................................................................................................................................‫ٱ‬
6.2. Não.....................................................................................................................................‫ٱ‬
6.3. Justifique a sua escolha ___________________________________________________
__________________________________________________________________________



7. Considera que faz Registos completos e adequados aos cuidados que presta ?

7.1. Sim....................................................................................................................................‫ٱ‬
7.2. Não....................................................................................................................................‫ٱ‬
7.3. Justifique a sua escolha____________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________


8. Na sua opinião é possível na UCIC a utilização da CIPE como linguagem comum para a
documentação dos cuidados de enfermagem ?

8.1. Sim...................................................................................................................................‫ٱ‬
8.2. Não...................................................................................................................................‫ٱ‬
8.3.Justifique_______________________________________________________________
__________________________________________________________________________


9. Na sua opinião a folha de colheita de dados da UCIC ajuda a identificar os problemas ?

9.1. Sim...................................................................................................................................‫ٱ‬
9.2. Não...................................................................................................................................‫ٱ‬
9.3. Justifique______________________________________________________________
_________________________________________________________________________


10. Tem conhecimento que a CIPE se divide em três eixos ?

10.1. Sim..................................................................................................................................‫ٱ‬
10.2. Não.................................................................................................................................‫ٱ‬
10.3. Se sim, enumere-os_____________________________________________________


                                                                                                                                                 59
Anexo IV – Padrão de documentação




                                    60
Anexo V – Diapositivos da acção de formação




                                              61
Diapositivo 1                                                     Diapositivo 4
                                                                                           Objectivos da CIPE/ICNP

                         Classificação
                     Internacional para a                                              • Estabelecer uma linguagem comum.
                                                                                       • Descrever os cuidados de
                          Prática de                                                     enfermagem.
                         Enfermagem                                                    • Comparar dados de enfermagem.
                            (CIPE)                                                     • Demonstrar as tendências em
                                                                                         enfermagem.
                                                                                       • Estimular a investigação.
                                                                                       • Fornecer informação à tomada de
                                                                                         decisão política.




Diapositivo 2                                                     Diapositivo 5               Critérios usados no seu
                     Finalidades desta acção de                                                  desenvolvimento
                             Formação

                                                                                       - Suficientemente abrangente para responder aos
                                                                                      múltiplos objectivos definidos pelos diferentes
                                                                                      países.
                • Sensibilizar a equipa para a importância da
                  utilização de uma linguagem comum.                                    - Suficientemente específico para ser entendido
                                                                                      pelos prestadores de cuidados como uma
                                                                                      descrição significativa da prática e como um
                • Apresentar a estratégia do serviço para a                           recurso útil de estruturação da prática.
                  aplicação/utilização da CIPE/ICNP
                                                                                        - Consistente com os quadros conceptuais
                                                                                      definidos mas não dependente de um quadro
                                                                                      teórico ou modelo de enfermagem específico.

                                                                                  .




Diapositivo 3                                                     Diapositivo 6
                                                                                             Critérios usados no seu
                                  Sumário
                                                                                                desenvolvimento

                                                                                       - Elaborado através de um processo contínuo de
                                                                                          desenvolvimento e aperfeiçoamento.
                 1 A Classificação Internacional para a Prática
                    de Enfermagem (CIPE) como linguagem
                                                                                       - Sensível à variabilidade cultural.
                    comum
                 1.1 Objectivos
                                                                                       - Reflexo de um sistema de valores comuns da
                 1.2 Critérios usados no seu desenvolvimento
                                                                                          enfermagem para os enfermeiros do mundo
                 1.3 Arquitectura das três pirâmides (eixos) da                           expresso no código ICN.
                    CIPE
                 - Fenómenos de Enfermagem
                                                                                       - Aplicável em complementaridade ou em
                 - Intervenções de Enfermagem                                            integração com outras classificações
                 - Resultados de Enfermagem (Outcomes)                                   desenvolvidas




                                                                                                                       62
Diapositivo 7                                                           Diapositivo 10
                                                                                              Fenómenos de Enfermagem
                     Eixos da CIPE/ICNP                                                      Eixo A: Foco na prática clínica




                                CIPE                                                                                        Fenómenos de Enfermagem


                                                                                                         Ser Humano                                          Ambiente

                              Fenómenos de Enfermagem                                          Funções                 A Pessoa             Ambiente Humano         Ambiente Natural


                              Intervenções de Enfermagem                                     Funções Fisiológicas

                                                                                             Funçoes Psicológicas
                                                                                                                      Razões para a acção

                                                                                                                           Acções
                                                                                                                                                     A Família

                                                                                                                                                   A Comunidade
                                                                                                                                                                             Físico

                                                                                                                                                                           Biológico

                                                                                                                                                    A Sociedade            Artificial
                       Resultados de Enfermagem(Outcomes)




Diapositivo 8                                                           Diapositivo 11
                                                                                                     EIXO ESCOLHIDO                           TERMOS ESCOLHIDOS

                CIPE / ICNP - Classificação dos
                 Fenómenos de Enfermagem                                                             Foco da Prática de Enfermagem            Dor




                                                                                                     Juízo                                    Extrema (num nível muito
                                                                                                                                              elevado)

                •   Fenómeno de Enfermagem: Aspecto de saúde
                    relevante para a prática de enfermagem.                                          Frequência                               Intermitente



                •   Diagnóstico de Enfermagem: Nome dado pelo
                                                                                                     Topologia                                Direita
                    enfermeiro à decisão acerca do Fenómeno, o qual é
                    o foco das intervenções de enfermagem. Um
                    diagnóstico de enfermagem é composto por                                         Local do Corpo                           Pé
                    conceitos contidos nos eixos da Classificação de
                    Fenómenos.
                                                                                                      Diagnósticos de Enfermagem:
                                                                                                     - Dor extrema.
                                                                                                     - Dor extrema, intermitente.
                                                                                                     - Dor extrema, intermitente, no pé.
                                                                                                     - Dor extrema, intermitente, no pé direito.




Diapositivo 9                                                           Diapositivo 12
                                                                                             CIPE / ICNP - Classificação das
                     Eixos – Classificação dos
                                                                                                acções de enfermagem
                    Fenómenos de Enfermagem

                          Fenómenos de Enfermagem

                                                                                         •    Acção de Enfermagem: Comportamento dos
                             Foco na prática de Enfermagem                                    enfermeiros na prática.
                                          Juizo
                                                                                         •    Intervenção de Enfermagem: Acção realizada em
                                       Frequência                                             resposta ao diagnóstico de enfermagem por forma a
                                                                                              produzir um resultado de enfermagem. Para a CIPE
                                         Duração                                              / ICNP uma intervenção de enfermagem é
                                                                                              composto por conceitos contidos na Classificação
                                        Topologia                                             dos eixos de Acção.
                                      Local do corpo

                                      Probabilidade

                                         Portador




                                                                                                                                                             63
Diapositivo 13
                             Eixos – Classificação das
                              acções de Enfermagem

                                        Acções de Enfermagem

                                               Tipo de acção

                                                      Alvo

                                                     Meios

                                                    Tempo

                                                  Topologia

                                                  Localização

                                                       Via

                                                  Beneficiário




Diapositivo 14
                 Eixos                             Termos Escolhidos


                 Tipo de Acção:         Aliviar       Reduzir           Ensinar          Testar



                        Alvo:                                         Hábitos de
                                         Dor                                           Fornecimen
                                                     Ansiedade        Exercício         to de água




                   Benificiário:                                        Grupo
                                        Pessoa                                         Comunidade
                                                       Pessoa        (Distributiva
                                                                                       (Colectiva
                                                                       mente)
                                                                                         mente)


                        Meios:                      Técnica de
                                       Saco de                       Materiais de      Protocolo
                                        Gelo        Imaginação        Ensino




                                          I ntervenções:

                      - Aliviar a dor de uma pessoa através da aplicação de saco de gelo.
                      - Diminuir a ansiedade utilizando a técnica de imaginação.
                      - Ensinar os membros de um grupo acerca dos hábitos de exercício, utilizando
                 materiais de ensino.
                       - Testar o fornecimento de água à comunidade utilizando um protocolo
                 estabelecido




Diapositivo 15
                     CIPE / ICNP - Classificação dos
                       resultados de enfermagem



                    •    Resultados de Enfermagem: A medida ou estado
                         de um diagnóstico de enfermagem em pontos de
                         tempo depois de uma intervenção de enfermagem.
                          Para uma melhor explicação, os Resultados de
                         Enfermagem são o resultado assumido das
                         intervenções de enfermagem, medido ao longo do
                         tempo, tais como alterações efectuadas nos
                         Diagnósticos de Enfermagem.




                                                                                                     64

								
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