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11/14/2011
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Unidade: Pesquisa de Salmonella spp em alimentos





Objetivos de ensino:





1. Conhecimentos



 Metodologia para o isolamento e identificação de Salmonella spp em alimentos.





2. Habilidades



 Utilizar caldos de enriquecimento seletivo

 Identificar e isolar colônias suspeitas de Salmonella spp em alimentos

 Utilizar o kit API 20 para a identificação bioquímica de bactérias

 Realizar e interpretar reações sorológicas de aglutinação





3. Atitudes



 Rigor científico

 Segurança Operacional









DQA 051 – Microbiologia Aplicada 51

Folha para apontamentos de aula.









DQA 051 – Microbiologia Aplicada 52

Pesquisa de Salmonella spp em alimentos





1. INTRODUÇÃO



1.1. Características do microrganismo



A Salmonella pertence à família Enterobacteriaceae; é Gram-negativa; produz gás e

ácido a partir da dextrose e normalmente não fermenta a lactose.

Existem mais de 2000 tipos sorológicos classificados de acordo com os seus

antígenos, que possuem vários graus de virulência nos animais de sangue quente.



1.2. Habitat natural



A Salmonella está muito disseminada na natureza, ocorrendo freqüentemente no

trato intestinal e nas fezes de seres humanos e de animais. Estas bactérias também

podem ser encontradas em empresas que processam ou manipulam gêneros

alimentícios; nas carnes cruas, como a carne de gado porco e aves; nos ovos e

seus produtos derivados. Outras origens são animais domésticos, roedores (ratos e

camundongos) e insetos.



1.3. Características da doença



A salmonelose é um termo usado para descrever a doença que resulta da ingestão

da bactéria Salmonella e a infecção resultante. Para que uma pessoa seja infectada

é necessário que consuma alimentos que estejam contaminados com Salmonella.



Este microrganismo entra no trato digestivo, multiplica-se no intestino delgado e

grosso causando uma inflamação que resulta em gastroenterite.

Com respeito aos sintomas clínicos, modo de difusão e patogenia, as salmoneloses

podem ser convenientemente divididas em dois grupos principais:



a) as febres tifóides e paratifóide, produzidas pelas S. typhi e S. paratyphi A, B e C;



b) as infecções entéricas produzidas pelas outras salmonelas. Esta divisão é

utilizada pela Organização Mundial de Saúde em seus sistemas de estatística

sanitária.



A febre tifóide é a mais grave delas, caracterizada por septicemia, febre alta

contínua, cefaléia e diarréia. O período de incubação varia de 7 a 28 dias, com uma

média de 14 dias. A recuperação do indivíduo infectado é lenta, variando de uma a

oito semanas.



A febre paratifóide é caracterizada por infecção da corrente sangüínea, dores de

cabeça, febre contínua, náuseas, vômitos, dores abdominais e diarréia. É menos

grave que a febre tifóide, apresentando um período de duração de 1 a 3 semanas.



As salmoneloses causadas por Salmonella spp., desenvolvem um quadro de

infecção gastrointestinal, tendo como sintomas mais comuns dores abdominais,

diarréias, náuseas, vômitos, calafrios e febre, podendo também ocorrer,

ocasionalmente desidratação, dor de cabeça e fadiga. O período de incubação é 5 a

72 horas, normalmente de 12 a 36 horas após a ingestão do alimento e a duração

da doença é de 2 a 6 dias.









DQA 051 – Microbiologia Aplicada 53

A gravidade e a permanência dos sintomas depende do tipo de Salmonella, da

quantidade de alimento ingerido e da susceptibilidade da pessoa envolvida. Casos

de morte são raros, a não ser em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido

como recém-nascidos, crianças pequenas, pessoas idosas, pacientes de risco

(câncer, AIDS, queimados) e pessoas debilitadas por doenças. As infecções

causadas por alimentos apresentam um crescimento mundial, sendo a Salmonella a

causa mais freqüente de intoxicações alimentares, representando então um papel

importante no diagnóstico microbiológico.



1.4. Alimentos envolvidos



Carnes, aves, ovos e seus derivados. Outros alimentos que já foram incriminados

são: coco, fermento, proteínas derivadas de caroço de algodão, peixe defumado,

leite em pó, chocolate.



1.5. Medidas de controle



Resfriar rapidamente alimentos em volumes reduzidos, cozimento intenso, uso de

ovos e leite pasteurizado, evitar contaminação cruzada de áreas limpas e sujas ou

de alimentos crus e cozidos, lavar e higienizar as mãos e sanear equipamentos.

Manter boas práticas de saneamento rural, higiene pessoal e manipulação. Proteger

alimentos de excretas animais, humanos, de pássaros, insetos e de roedores.





2. MATERIAL



 Banho-maria a 43  0,5 °C;

 Pipetas bacteriológicas de 1,0 mL com graduação decimal;

 Pipetas bacteriológicas de 10,0 mL

 Estufa bacteriológica a 36  1 °C e a 43  0,5 °C;

 Alça de platina ou níquel-cromo nº 25, montada em cabo de Kolle;

 Anti-soros polivalentes “O” e “H” para Salmonelas;

 Solução salina a 0,85% estéril;

 Lâmina de microscópio.





3.MEIOS DE CULTURA



3.1. Meio de Pré-enriquecimento



Caldo lactosado



Composição (g/L)

peptona 5,0

extrato de carne 3,0

lactose 5,0









DQA 051 – Microbiologia Aplicada 54

3.2. Meio de Enriquecimento



3.2.1. Caldo selenito-cistina



Composição (g/L)

triptona 5,0

cistina 0,01

lactose 4,0

monofosfato de sódio 10,0

selenito de sódio 4,0



Modo de ação



O selenito inibe o crescimento de coliformes e enterococos nas primeiras 6 a 12

horas de incubação. Entretanto bactérias dos gêneros, Proteus, Pseudomonas e

Salmonella são pouco inibidas.



3.2.2. Caldo tetrationato



Composição (g/L)

triptona 2,5

peptona de carne 2,5

sais biliares 1,0

carbonato de cálcio 10,0

tiossulfato de sódio 19,0



Para cada 100 mL de meio adicionar 2,0 mL da solução de iodo



Iodo 6,0 g

Iodeto de potássio 5,0 g

Água destilada 20 mL



Modo de ação:



Este meio é altamente seletivo. O tetrationato e tiossulfato eliminam o crescimento

de coliformes e outros microrganismos normalmente presentes. As bactérias que

apresentam a capacidade de reduzir o tetrationato, tais como, Salmonella e

Proteus, crescem relativamente bem neste meio. Os produtos ácidos formados pela

decomposição do tetrationato são neutralizados pelo carbonato de cálcio presente

no meio.

Os sais biliares inibem os microrganismos que não estão acostumados ao ambiente

intestinal.



3.2.3. Caldo de enriquecimento RAPPAPORT



Composição (g/L)

triptona 5,0

cloreto de sódio 8,0

fosfato de potássio dibásico 0,8

cloreto de magnésio hexahidratado 40,0

verde de malaquita 0,12

pH final: 6,0  0,1









DQA 051 – Microbiologia Aplicada 55

Modo de ação:



Microrganismos normalmente encontrados no intestino são inibidos pelo verde

malaquita e pelo cloreto de magnésio. Entretanto a maioria das espécies de

Salmonella não são afetadas.



3.3. ÁGAR Seletivo



3.3.1. Ágar Seletivo Rambach



Composição (g/L)

peptona 8,0

propileno glicol 10,5

desoxicolato de sódio 1,0

cloreto de sódio 5,0

mistura cromogênica 1,5

ágar 15,0

pH final 7,3  0,2



Característica do crescimento:



As colônias de Salmonella spp., crescem vermelhas, enquanto que S. typhi e

S. paratyphi, Proteus spp. e Shigella spp., apresentam-se incolores. Os coliformes

desenvolvem colônias azul-esverdeadas (E. coli, Citrobacter) ou violeta azuladas

(Klebsiella).



Modo de ação:



Os substratos nutritivos contidos no Ágar Rambach possibilitam a rápida

multiplicação de enterobactérias. O desoxicolato de sódio inibe a microbiota

Gram-positiva acompanhante. O Ágar Rambach possibilita a diferenciação segura

de espécies de Salmonella por meio de um processo inovador, que se baseia na

adição de propileno glicol ao meio de cultura. A Salmonella forma ácido a partir do

propileno glicol, que em combinação com um indicador de pH, resulta em uma

coloração vermelha característica de suas colônias. Para diferenciar os coliformes

da Salmonella, o meio contém um composto cromógeno que indica a presença de

fragmentos de -galactosidase, que é característica dos coliformes. Estes

microrganismos desenvolvem-se como colônias azul-esverdeadas ou violeta-

azuladas. Outras enterobactérias ou bactérias Gram-negativas como, por exemplo,

Proteus, Pseudomonas, Shigella, S, typhi e S. paratyphi A se desenvolvem como

colônias incolores.



Microrganismos Coloração colônias Propileno-glicol -Galactosidase

Salmonella spp vermelha + -

Salmonella typhi incolor - -

Salmonella paratyphi A incolor - -

E. coli azul-esverdeada - +

Klebsiella spp violeta azulada - +

Citrobacter spp azul-esverdeada - +

Proteus spp incolor - -

Shigella spp incolor - -









DQA 051 – Microbiologia Aplicada 56

3.3.2. Ágar Seletivo Bismuto Sulfito



Composição (g/L)

extrato de carne 5,0

peptona 10,0

glicose 5,0

fosfato de sódio dibásico 4,0

sulfato de ferro II 0,3

verde brilhante 0,025

indicador bismuto sulfito 8,0

ágar 15,0

pH final: 7,6  0,2



Característica do crescimento:



As colônias de Salmonella, com exceção de S. paratyphi A e S. pullorum,

apresentam-se neste meio com o centro negro, bordas claras, rodeadas por um

precipitado preto com brilho metálico.

Bactérias do grupo coliformes, Serratia, Proteus e outros, apresentam-se em menor

tamanho, com coloração variando do verde ao marrom, e algumas vezes com

aspecto mucóide.



Modo de ação:



O verde brilhante e o bismuto inibem fortemente a microbiota acompanhante.

Colônias de Salmonella produtoras de H2S apresentam-se negras devido a

formação de sulfeto de ferro. A redução de íons bismuto a bismuto metálico produz

um brilho metálico ao redor das colônias.





4. METODOLOGIA



4.1. Pré-enriquecimento



Pesar assepticamente 25 g de amostra;

Transferir assepticamente para um Erlenmeyer contendo 225 mL de caldo

lactosado;

Incubar 361 °C por 18 a 24 horas.



4.2. Enriquecimento Seletivo



Transferir assepticamente alíquotas de 1,0 mL, provenientes do caldo de

pré-enriquecimento, para tubos contendo 10 mL de caldo tetrationato (ao qual se

adicionou 0,1 mL da solução de ver brilhante e 0,2 mL da solução de lugol) e em

outro contendo 10 mL de caldo Selenito;

Incubar os tubos de caldo Selenito em estufa a 36  1 °C e os de tetrationato em a

43  0,5 °C por 24 horas.



4.3. Plaqueamento Seletivo



A partir do enriquecimento seletivo, semear através de estrias os meios sólidos

seletivos: ágar Rambach e Bismuto Sulfito;

Incubar as placas a 36  1 °C por 24 horas;

Examinar as placas e verificar o desenvolvimento de colônias típicas.









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4.4. Identificação Bioquímica



Será feita a identificação bioquímica com auxílio do Kit API 20.



4.5. Teste Sorológico



A partir dos tubos de identificação presuntiva, que apresentarem respostas típicas

para Salmonelas, proceder aos testes sorológicos de aglutinação em lâmina,

usando os anti-soros “O” e “H” polivalentes;

Demarcar 2 quadrados em uma lâmina com o auxílio de um lápis dermográfico e

transferir para os mesmos 2 gotas de solução salina 0,85%. A seguir emulsionar

em ambas, o crescimento removido dos tubos de ágar Citrato de Simmons ou EPM;

Adicionar 1 gota do anti-soro polivalente a um dos quadrados; agitar suavemente

por 1 minuto e observar a existência de aglutinação;

O resultado será considerado positivo quando houver aglutinação na presença do

anti-soro e não houver aglutinação na emulsão com salina.





5. EXPRESSÃO DO RESULTADO



Salmonella spp em 25 g.................presença (ou ausência)









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