as_vanguardas_europeias by T874847X

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									AS VANGUARDAS EUROPÉIAS




       MULHER CHORANDO, de
        PABLO PICASSO
   VANGUARDA EUROPÉIA
 Ao se iniciarem os anos de 1900, a Europa
 apresentava duas situações antagônicas,
 mas complementares: euforia exagerada
 diante do progresso industrial e dos
 avanços técnico-científicos (ex:
 eletricidade) e as conseqüências desse
 avanço no processo burguês-industrial:
 uma disputa cada vez mais acirrada pelo
 domínio dos mercados fornecedores e
 consumidores, que resultaria na 1ª Guerra
 Mundial.
    VANGUARDA EUROPÉIA
 Assim,  contrastando com o clima eufórico
 da burguesia, também vamos encontrar o
 pessimismo característico do fim de
 século, representado pelo decadentismo
 simbolista. Essa contradição gera um
 clima propício para a efervescência
 artística, favorecendo o aparecimento de
 várias tendências preocupadas com uma
 nova interpretação da realidade.
     VANGUARDA EUROPÉIA
A essa multiplicidade de tendências –
 Futurismo – Expressionismo – Cubismo –
 Dadaísmo – Surrealismo -, convencionou-
 se chamar Vanguarda Européia,
 responsável por uma verdadeira
 inundação de manifestos, escritos entre
 1909 e 1924, ou seja, durante a guerra e
 nos anos imediatamente anteriores e
 posteriores.
          VANGUARDA

Vanguarda: do francês avant-garde, a
palavra significa “o que marcha na frente”
(termo militar). Artística ou politicamente,
se chama de vanguardas aos grupos ou
correntes que apresentam uma proposta
e/ou uma prática inovadora. No campo das
artes e das idéias, designa aqueles que
estão à frente de seu tempo.
Les demoiselles d`Avignon, de
      PABLO PICASSO
       O CUBISMO
O marco inicial do Cubismo ocorreu em Paris, em
1907, com a tela Les Demoiselles d''Avignon, de
Pablo Picasso . Nesta obra, influenciado pela arte
primitiva e pelas máscaras africanas, o artista
espanhol retratou a nudez feminina de uma forma
inusitada, onde as formas reais, naturalmente
arredondadas, deram espaço a figuras
geométricas perfeitamente trabalhadas. Tanto
nas obras de Picasso, quanto nas pinturas de
outros artistas que seguiam esta nova tendência,
como, por exemplo, o francês – Georges Braque
– há uma forte influência das esculturas africanas
e também pelas últimas pinturas do pós-
impressionista francês Paul Cézanne, que
retratava a natureza através de formas bem
próximas as geométricas.
O termo “cubismo” foi inventado por
 Matisse, ao observar quadros de
 Braque, numa exposição de 1908 (em
 Paris). O primeiro núcleo de pintores
 cubistas foi composto pelo encontro de
 Georges Braque e Pablo Picasso,
 imitados em seguida por Mondrian,
 Juan Gris, Picabia, Férnand Léger. O
 movimento teve início em 1907 (com o
 quadro “Les demoiselles d`Avignon” ,
 de Picasso) e conheceu seu declínio
 com o fim da Primeira Guerra Mundial
 (1918)
PABLO PICASSO (1881 – 1973)
Georges Braque (1882 – 1963)
Historicamente o Cubismo originou-se na
obra de Cézanne, pois para ele a pintura
deveria tratar as formas da natureza como
se fossem cones, esferas e cilindros.
Entretanto, os cubistas foram mais longe do
que Cézanne. Passaram a representar os
objetos com todas as suas partes num
mesmo plano.
É como se os objetos estivessem abertos e
apresentassem todos os seus lados no
plano frontal em relação ao espectador. Na
verdade, essa atitude de decompor os
objetos não tinha nenhum compromisso de
fidelidade com a aparência real das coisas.
Ou seja, enquanto o Impressionismo
procurava apreender a realidade “tal como a
vemos”, através da percepção, o Cubismo
tenta apresentar a realidade “tal como ela
é”. Mas, paradoxalmente, o culto do objeto
vai conduzir a destruição do real:
a análise e a decomposição sistemática
  do objeto, desarticulando a forma e
  reduzindo-a a elementos puramente
  geométricos, no afã de captar a
  estrutura profunda das coisas, afastam
  a arte da verdadeira aparência. Do
  Cubismo ao Abstracionismo (a
  completa ausência de figurativismo), o
  passo é breve.
 Assim, os pintores cubistas opõem-se à
 objetividade e à linearidade da arte
 renascentista e da realista. Buscando
 novas experiências com a perspectiva,
 procurando decompor e recompor os
 objetos representados em diferentes
 planos geométricos e ângulos retos,
 com espaços múltiplos e descontínuos,
 que se interceptam e se sucedem, de
 tal forma que o espectador, com o seu
 olhar, possa remontá-los e ter uma
 visão do todo, de face e de perfil, como
 se estivesse dado uma volta em torno
 deles.
 Outra técnica introduzida pelos cubistas
  é a COLAGEM, que consiste em
  montar a obra a partir de diferentes
  materiais, como figuras, jornais,
  madeira, tecidos, etc.
 Na LITERATURA, essas técnicas da
  pintura correspondem à fragmentação
  da realidade, à superposição e
  simultaneidade de planos – por
  exemplo, reunir assuntos
  aparentemente sem nexo, misturar
  assuntos, espaços e tempos diferentes.
 Houve   também (no Cubismo literário)
  as experiências visuais do poeta
  Guillaume Apollinaire (amigo íntimo de
  Picasso), que explorou a disposição
  espacial e gráfica do poema – técnica
  que, nas décadas de 1950-60,
  influenciaria o surgimento do
  Concretismo no Brasil.
 Assim, a literatura cubista apresenta
  características como o ilogismo, humor,
  antiintelectualismo, instantaneísmo,
  simultaneidade, linguagem
  predominantemente nominal.
 “La colombe poignardée et le jet
 d`eau”, de Guillaume Apollinaire
        “A pomba apunhalada e o jato
        d`água”

CALIGRAMA = Texto que dispõe tipograficamente as
suas palavras de forma a obter uma sugestão figurativa
semelhante ao tema tratado.
 Tradução do poema de Apollinaire
 por Patrícia Galvão (Pagu) - 1947
 Doces figuras apunhaladas – Caros lábios
 em flor – Mia Mareye – Yette Lorie – Annie
 e você Marie – onde estão - vocês ó –
 meninas – Mas – junto a um – jacto de
 água que – chora e que suplica – esta
 pomba se extasia – Todas as recordações
 de outrora? – Onde estão Raynal Billy
 Dalize – Os meus amigos foram para a
 guerra – Os seus nomes se melancolizam
 – Esguicham para o firmamento –
- Como os passos numa igreja – E os seus
 olhares na água parada – Onde está
 Crémnitz que se alistou – Morrem
 melancolicamente – Pode ser que já
 estejam mortos – Onde estão Braque e
 Max Jacob – Minha alma está cheia de
 lembranças – Derain de olhos cinzentos
 como a aurora – O jacto de água chora
 sobre a minha pena – Os que partiram
 para a guerra ao norte se batem agora – A
 noite cai o sangrento mar – Jardins onde
 sangra abundantemente o louro rosa flor
 guerreira.
    Na Literatura Modernista
 Entre os modernistas brasileiros da
  década de 1920 = Influências Cubistas em
  Oswald de Andrade (fragmentação da
  realidade + predominância de
  substantivos + flashes cinematográficos):
 Hípica
 Saltos records/Cavalos da Penha/Correm
  jóqueis de Higienópolis/Os magnatas/As
  meninas/E a orquestra toca/Chá/Na sala
  de cocktails.
  O Cubismo na pintura Modernista

No Brasil, o Cubismo manifestou-se,
timidamente, nas pinturas de Anita
Malfatti que recebeu duras críticas do
escritor Monteiro Lobato.
No entanto, Malfatti impôs seu estilo
(cubista e expressionista) com várias
obras.
            Anita Malfatti
O homem de sete cores & A mulher de cabelo verde
Outra artista que utilizou o estilo
cubista em algumas de suas obras
foi a artista Tarsila do Amaral,que,
com sua obra, revolucionou a arte no
Brasil.
Outro artista brasileiro que utilizou a
estética cubista foi Di Cavalcanti,
claramente influenciado por Picasso.
Di Cavalcanti,
   Moças
Tarsila do Amaral,
Carnaval em Madureira
          O FUTURISMO




Dinamismo de um cão na coleira, de Giacomo Balla
         O FUTURISMO
O Futurismo foi um movimento artístico e
literário iniciado oficialmente em 1909 com a
publicação, no jornal francês Le Figaro, do
Manifesto Futurista, do poeta italiano Filippo
Tommasio Marinetti (1876-1944), que
surpreende os meios culturais europeus pelo
caráter violento e radical de suas propostas.
Muito mais do que por obras, o movimento
futurista difunde-se por meio de manifestos
(mais de 30) e conferências, tendo sempre à
frente a figura de seu líder, Marinetti.
         O FUTURISMO
 Aspectos   relevantes do Futurismo:
 Total identificação entre o movimento e seu
  líder = Futurismo = Marinetti.
 A adesão de Marinetti ao fascismo de
  Mussolini (1919), dadas as evidentes
  afinidades ideológicas entre eles.
 A celebração da técnica e da velocidade.
  Glorifica-se a audácia, o amor ao perigo, a
  energia, a guerra, a tecnologia, o
  automóvel, e todo o dinamismo da vida
  moderna.
          O FUTURISMO
 Aspectos  relevantes do Futurismo:
 O desprezo pelo passado.
 A valorização, na arte, do imprevisto e da
  revolta.
 Elogio do “caráter higiênico das guerras”.
 Elementos artísticos sugestivos de
  velocidade e mecanização da vida
  moderna.
           O FUTURISMO
Rejeita o moralismo e o passado, exalta a
violência e propõe um novo tipo de beleza,
baseado na velocidade. O apego do
futurismo ao novo é tão grande que chega a
defender a destruição de museus e de
cidades antigas. Agressivo e extravagante,
encara a guerra como forma de higienizar o
mundo. A palavra chave desse movimento
era “dinamismo” e sua principal contribuição
foi a idéia de reunir visualmente: som, luz e
movimento.
O carro passou, de Giacomo Balla
“Manifesto futurista”
       1909

    MARINETTI
1. Nós queremos cantar o amor ao
 perigo, o hábito à energia e à
 temeridade.

2. Os elementos essenciais de nossa
poesia serão a coragem, a audácia e a
revolta.

3. Nós declaramos que o esplendor do
mundo se enriqueceu com uma beleza
nova: a beleza da velocidade.
4. Não há mais beleza senão na luta.
Nada de obra-prima sem um caráter
agressivo.
5. Nós queremos glorificar a guerra –
única higiene do mundo – o militarismo, o
patriotismo, o gesto destruidor dos
anarquistas, as belas idéias que matam, e
o menosprezo à mulher.
6. Nós queremos demolir os museus, as
bibliotecas, combater o moralismo, o
feminismo e todas as covardias
oportunistas e utilitárias.
Manifesto Técnico da Literatura Futurista”
              (1912)
Projeto estético renovador = Linguagem
jovem e contestadora das convenções =
Revolução na linguagem (literária) = Maior
importância do movimento.
A   destruição da sintaxe e a disposição das
  “palavras em liberdade”;
 O emprego de verbos no infinitivo, com
  vistas à substantivação da linguagem;
 A abolição dos adjetivos e dos advérbios;
 O emprego do substantivo duplo (praça-
  funil, mulher-golfo) em lugar do
  substantivo acompanhado de adjetivo;
 A abolição da pontuação, que seria
  substituída por sinais de matemática (+, - ,
  :, =, >, <) e pelos sinais musicais;
 A destruição do “eu” psicologizante.
  A importância do Futurismo
O  movimento futurista impulsionou
 decisivamente toda a arte de vanguarda,
 tanto a européia como a não-européia. No
 Brasil, ele foi o principal estímulo artístico
 e intelectual dos jovens renovadores de
 São Paulo (SAM), a tal ponto que os
 mesmos eram conhecidos – durante os
 primeiros anos da década de 1920 – mais
 como “futuristas” do que como
 “modernistas”.
   A importância do Futurismo
 Assim,  a palavra Futurismo passou a
 designar qualquer postura inovadora na
 arte, levando Oswald de Andrade a
 saudar, em 1921, o jovem poeta Mário de
 Andrade como um artigo intitulado “O
 meu poeta futurista”. Temendo uma
 identificação com o fascismo, Mário vem
 a público negar, mais do que o
 movimento futurista, a figura de seu líder.
 No prefácio de Paulicéia desvairada,
 afirma:
    A importância do Futurismo
 “Não  sou futurista (de Marinetti). Disse e
  repito-o . Tenho pontos de contato com o
  futurismo. Oswald de Andrade,
  chamando-me de futurista, errou.”
 Em Portugal, notadamente entre 1910 e
  1920, houve uma maior identidade entre
  os modernistas de primeira hora e o
  Futurismo. Já nos primeiros números da
  revista Orpheu (1915) encontramos textos
  futuristas de Fernando Pessoa e de Mário
  de Sá Carneiro.
“Ode triunfal” = texto futurista de Álvaro de
Campos, heterônimo de Fernando Pessoa.
À  dolorosa luz das grandes lâmpadas
  elétricas da fábrica]
 Tenho febre e escrevo.
 Escrevo rangendo os dentes, fera para a
  beleza disto,]
 Para a beleza disto totalmente
  desconhecida dos antigos.]
 Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!
 Forte espasmo retido dos maquinismos em
  fúria!] (...)
  “Ode ao burguês”, poema futurista de
  Mário de Andrade
 Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
 O burguês-burguês!
 A digestão bem-feita de São Paulo!
 O homem-curva! O homem-nádegas!
 O homem que sendo francês, brasileiro,
  italiano, é sempre um cauteloso pouco-a-
  pouco!] (...)
 Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais
  ódio! (...)
 Fora! Fu! Fora o bom burguês!... (...)
O EXPRESSIONISMO




O GRITO (1893), de EDVARD MUNCH
O grito, de Munch, expressa o desespero
da figura humana em cima da ponte. Que
ser grita? O grito é de angústia? As formas
sinuosas do céu e da água e a forte
diagonal da ponte, conduzem o olhar do
expectador diretamente para a boca que
se abre num grito. Parece expressar uma
terrível solidão existencial. Duas figuras
estão vindo em sua direção. Serão elas os
motivos do grito? Serão elas a morte ou a
salvação?
     O EXPRESSIONISMO
O  movimento expressionista surgiu em
 1910, na Alemanha, trazendo uma forte
 herança da arte do final do século XIX,
 preocupada com as manifestações do
 mundo interior e com uma forma de
 expressá-las. Daí a importância da
 expressão, ou seja, da materialização,
 numa tela ou numa folha de papel, de
 imagens nascidas em nosso mundo
 interior, pouco importando os conceitos
 então vigentes de belo e feio.
     O EXPRESSIONISMO
O  objetivo dos expressionistas era
 combater o Impressionismo, tendência da
 qual eles provinham. O Impressionismo
 consistia em uma corrente da pintura que
 valorizava a impressão, isto é, era uma
 arte sensorial e subjetiva quanto ao modo
 de captação da realidade. Na relação entre
 o artista impressionista e a realidade, o
 movimento de criação vai do mundo
 exterior para o mundo interior.
        O EXPRESSIONISMO
 Jáno Expressionismo ocorre o oposto: o
 movimento de criação parte da
 subjetividade do artista, do seu mundo
 interior, em direção ao mundo exterior.
 Assim, para o artista expressionista, a obra
 de arte é reflexo direto de seu mundo
 interior e toda a atenção é dada à
 expressão, isto é, ao modo como forma e
 conteúdo livremente se unem para dar
 vazão às sensações do artista no momento
 da criação.
O Expressionismo foi uma corrente artística que,
pela deformação ou exagero das figuras, buscava
a expressão dos sentimentos e emoções do autor.
O artista expressionista buscava a experiência
emocional. Preocupando-se mais com as
emoções do observador do que com a realidade
externa. Os autênticos precursores do
Expressionismo vanguardista apareceram no final
do século XIX e começo do século XX. Entre eles,
destacam-se: Vincent Van Gogh, Paul Gauguin,
Edvard Munch.
O principal pintor expressionista é o norueguês
Edvard Munch, autor de quadros intensamente
dramáticos.
Vincent Van Gogh
Paul Gauguin
EDVARD MUNCH
     O EXPRESSIONISMO

 Durante e depois da 1ª Guerra Mundial, o
 Expressionismo assumiu um caráter mais
 social e combativo, denunciando os
 horrores da guerra, as condições de vida
 desumanas das populações carentes, etc.
 Possui um sentimento de fraternidade
 universal e desprezo pela civilização
 materialista, industrial, mecanizada.
   Fundamentos do Expressionismo:
A   arte não é imitação, mas criação
  subjetiva, livre. A arte é expressão dos
  sentimentos.
 A realidade que circunda o artista é
  horrível e, por isso, ele a deforma ou a
  elimina, criando a arte abstrata.
 A razão é objeto de descrédito.
 A arte é criada sem obstáculos
  convencionais, o que representa um
  repúdio à repressão social.
  Fundamentos do Expressionismo:

A intimidade e a vivência da dor derivam
 do sentido trágico da vida e causam uma
 deformação significativa, torturada.

A arte se desvincula do conceito de belo e
 feio e torna-se uma forma de contestação.
     A ARTE EXPRESSIONISTA
 Das  artes plásticas, especialmente da
  pintura, a estética expressionista passou
  também a ser utilizada pela literatura,
  cinema, dança, música, teatro.
 Destacam-se os artistas: na pintura,
  Kandinski, Chagall, além de Van Gogh,
  Cézanne, Gauguin e Munch; na literatura:
  August Stramm, Herman Hesse, Thomas
  Man; no teatro, Kayser e Brecht; na
  música, Schoemberg; no cinema, Wiene.
   O Expressionismo na Literatura
 Combinações    rítmicas, cortes
  surpreendentes, jogo de imagens ousadas,
  sublimação do patético e exaltação das
  paixões;
 Liberdade léxica (vocabulário), sintática
  (funções e relações das palavras e frases)
  e semântica (significado da palavra);
 Linguagem fragmentada, elíptica (oculta),
  construída por frases nominais
  (basicamente aglomerado de substantivos
  e adjetivos), às vezes até sem sujeito;
  O Expressionismo na Literatura


 Despreocupação   com a organização do
 texto em estrofes, com o emprego de
 rimas ou de musicalidade;

 Combate à fome, à inércia e aos
 valores do mundo burguês.
     Expressionismo & Futurismo

O movimento expressionista tem em
 comum com o Futurismo a disposição de
 demolir a cultura passada e criar um novo
 homem; mas dele se difere pelo pacifismo,
 pelo sentimento de fraternidade e pelo
 desprezo ao materialismo industrial. Por
 não aderir ao Nazismo, foi por ele
 destruído, a partir de 1933, quando Hitler
 subiu ao poder.
  O Expressionismo no Brasil


 No Brasil, o Expressionismo marcou uma
 forte influência no teatro de Oswald de
 Andrade e de Nélson Rodrigues; na
 pintura: Portinari, Emiliano Di Cavalcanti,
 Lasar Segall, Anita Malfatti e na poesia de
 Augusto dos Anjos.
A boba, de Anita Malfatti
Série “Retirantes”, de Portinari
O bananal, de Lasar Segall
Di Cavalcanti
    O DADAÍSMO
O ELEFANTE CELEBES = MARX ERNST
        O DADAÍSMO
 Em 1916, em plena guerra, um grupo de
 refugiados em Zurique, na Suíça, inicia o
 mais radical movimento da vanguarda
 européia: o Dadaísmo. O termo “dadá” foi
 escolhido ao acaso, abrindo-se o
 dicionário Larousse, no cabaré “Voltaire”
 (ponto de encontro do grupo dadaísta), de
 Zurique, por Tristan Tzara e outros artistas
 revoltados contra os horrores da guerra.
          O DADAÍSMO
 Caracterizou-se   por um cunho fortemente
 anárquico, expressando a rebelião da
 geração jovem contra os poderosos
 círculos internacionais e a burguesia
 acomodada. Foi um movimento antiarte
 por excelência, pois, através de arruaças,
 exposições extravagantes, agitações
 anárquicas, banquetes excêntricos e
 tumultuados, os dadaístas gritavam a sua
 trágica revolta, ridicularizando tradições e
 valores institucionalizados.
         O DADAÍSMO
A única norma estética era a “lei do
 acaso”, apregoando a poesia e a pintura
 automáticas: faziam poemas remexendo
 alguns recortes de jornais no fundo de um
 chapéu; misturavam tintas sem nenhum
 critério; convidavam os visitantes de suas
 exposições a quebrarem os quadros à
 vontade, pois achavam que não tinham
 valor algum; choravam em casamentos;
 davam risadas durante os enterros; enfim
 pregavam e praticavam o mais absoluto
 inconformismo.
           O DADAÍSMO
 Quanto   às obras artísticas, é pequena a
 produção do Dadaísmo suíço. Mas o
 movimento se espalhou para o mundo,
 sendo cultivado especialmente em Nova
 Iorque. Max Ernst utiliza montagens e
 colagens em suas obras e Marcel
 Duchamp desenvolve a técnica do ready-
 made, com a qual é satirizado o mito
 mercantilista da civilização capitalista. A
 técnica do ready-made consiste em extrair
 um objeto do seu uso cotidiano e, sem
 nenhuma ou com pequenas alterações,
 atribuir-lhe um valor.
Os ready-mades de Duchamp
          O DADAÍSMO
 Na literatura, o Dadaísmo caracteriza-se
 pela agressividade, pela improvisação,
 pela desordem, pela rejeição a qualquer
 tipo de racionalização e equilíbrio, pela
 livre associação de palavras (a escrita
 automática = mais tarde aproveitada pelo
 Surrealismo) e pela invenção de palavras
 com base na exploração apenas do seu
 significante.
 Canção dadá, de Tristan Tzara
a canção de um dadaísta
que tinha dadá no coração
cansava demasiado seu motor
que tinha dadá no coração

o ascensor (elevador) levava um rei
pesado frágil e autônomo
cortou seu grande braço direito
o enviou ao papa em roma
Manifesto dadá (1918), de Tristan Tzara
 “Eu  escrevo um manifesto e não quero
  nada, eu digo portanto certas coisas e sou
  por princípio contra os manifestos, como
  sou também contra os princípios.”
 “Que cada homem grite: há um grande
  trabalho destrutivo, negativo, a executar.
  Varrer, limpar. A propriedade do indivíduo
  se firma após o estado de loucura, de
  loucura agressiva, completa, de um
  mundo abandonado entre as mãos dos
  bandidos que rasgam e destroem os
  séculos.”
 A participação de André Breton
O  importante poeta francês André Breton
 adere ao movimento dadaísta, mas logo
 acaba negando-o por achar que não
 levava a nada. Breton não concordava
 com a idéia de Tzara em manter a linha
 original do movimento. Como a guerra
 terminara já havia alguns anos, era hora
 de reconstruir o que fora demolido: a
 Europa e a arte. Breton, então, abandona
 o grupo dadaísta e, em 1921, deu origem
 ao Surrealismo, uma das mais
 importantes correntes artísticas do século
 XX.
        O SURREALISMO




A METAMORFOSE DE NARCISO, de SALVADOR DALI
O Surrealismo foi um movimento artístico e
literário que surge na França nos anos 20,
reunindo artistas anteriormente ligados ao dadá.
Fortemente influenciado pelas teorias
psicanalíticas de Sigmund Freud, enfatiza o papel
do inconsciente na atividade criativa. Defende
que a arte deve libertar-se das exigências da
lógica e expressar o inconsciente e os sonhos,
livre do controle da razão e de preocupações
estéticas ou morais. Rejeita os valores
burgueses, como a pátria e a família. O principal
teórico e líder do movimento é o poeta, escritor,
crítico e psiquiatra francês André Breton, que em
1924 publica o primeiro Manifesto Surrealista.
       O SURREALISMO
 Contra o niilismo pessimista do
 movimento Dadá, Breton, psiquiatra
 praticante na 1ª Guerra Mundial,
 encontrou nas teorias de Freud meios
 mais positivos para revolucionar a arte.
 Chamou de “Surrealismo” ao novo
 movimento que tinha como propósito
 fundamental anular as barreiras entre o
 sonho e a realidade. Para isso, usou a
 técnica do “automatismo psíquico”, pela
 qual o pensamento se liberta do controle
 exercido pela razão e pelos
 condicionamentos sociais, morais e
 estéticos.
        O SURREALISMO
A  finalidade do movimento era colocar “o
  surreal fora do seu esconderijo”,
  realizando a fusão da realidade com o
  sonho. Daí a exaltação do maravilhoso
  que reside no estado onírico, na
  alucinação, no acaso, na psicopatologia.
 Os principais artistas surrealistas foram:
  na poesia, Paul Éluard; na pitura, De
  Chirico e Salvador Dalí; no teatro, Antonin
  Artaud; no cinema, Luís Buñuel e
  Rossellini.
         O SURREALISMO
 Duas   são as linhas de atuação do
  Surrealismo em seu início: as
  experiências criadoras automáticas e o
  imaginário estraído do sonho.
 Freud, na psicanálise, e Bergson, na
  filosofia, já haviam destacado a
  importância do mundo interior do ser
  humano, as zonas desconhecidas ou
  pouco conhecidas da mente humana.
       O SURREALISMO
 Encaravam   o inconsciente, o
 subconsciente e a intuição como fontes
 inesgotáveis e superiores de
 conhecimento do homem, pondo assim em
 segundo plano o pensamento sensível,
 racional e consciente. O automatismo
 artístico consiste em extravasar os
 impulsos criadores do subconsciente, sem
 nenhum controle da razão ou do
 pensamento, ou seja, pôr na tela ou no
 papel os desejos interiores profundos, sem
 se importar com coerência, adequação, etc
        O SURREALISMO
A  outra linha de atuação surrealista, a
 onírica, busca a transposição do universo
 dos sonhos para o plano artístico. O
 sonho, na concepção de Freud, é a
 manifestação das zonas ocultas da
 mente, o inconsciente e o subconsciente.
 Os surrealistas pretendiam criar uma arte
 livre da razão, uma arte produzida num
 estado de consciência em que o artista
 estaria “sonhando acordado”.
        O SURREALISMO


 Nessas  duas linhas de pesquisa e trabalho
 são freqüentes o ilogismo + o devaneio + o
 delírio + o sonho + a loucura + a hipnose +
 o estado de transe + o humor negro + as
 imagens surpreendentes e extravagantes+
 o impacto do inusitado + a livre expressão
 dos impulsos sexuais.
     O Surrealismo e o Comunismo
A  rejeição do Surrealismo ao mundo
 burguês, racional, mercantil e moralista
 levaria alguns membros do grupo a ter
 ligações com o Comunismo. Para
 alcançar o objetivo maior do movimento –
 amor, liberdade e poesia - , eles
 acreditavam ser necessária uma
 transformação radical da sociedade, por
 meio da qual se pusesse fim ao modo de
 produção capitalista e à estrutura de
 classes sociais.
     O Surrealismo e o Comunismo


A adesão desses membros,
 particularmente de André Breton, às idéias
 socialistas (comunistas) provoca no
 movimento uma cisão interna, que se
 agrava com a 2ª Guerra Mundial (1939 –
 1945) e colabora para a desarticulação do
 grupo.
  O Surrealismo e a contemporaneidade

 Embora o Surrealismo tenha oficialmente
 desaparecido com a 2ª Guerra Mundial,
 resquícios do movimento ou tentativas de
 recuperá-lo são vistos até os dias de hoje,
 em diferentes linguagens artísticas, o que
 comprova sua força criadora e a
 contemporaneidade de suas propostas.
   O Surrealismo no Brasil
 No  Brasil, vários escritores foram
 influenciados pelas idéias surrealistas, tais
 como Mário e Oswald de Andrade, Murilo
 Mendes, Jorge de Lima, Millôr Fernandes,
 etc. Na pintura, Tarsila do Amaral, nos
 anos de 1920, revela a marca surrealista,
 na medida em que a proposta artística dos
 modernistas era um mergulho no
 imaginário para, de um lado, reencontrar a
 espontaneidade dos instintos e, de outro,
 matar a cultura dominante e retirar de suas
 entranhas a matéria prima brasileira.
  Urutu & Abaporu,
de Tarsila do Amaral
      Salvador Dalí
Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalí i
Domènech nasceu em 11 de maio de
1904, na cidade espanhola de Figueres
(Catalunha). Foi um dos mais importantes
artistas plásticos (pintor e escultor)
surrealistas da Espanha.
Salvador Dalí
         Salvador Dalí
 Dalíliga-se aos surrealistas em 1929,
 porém, em 1922 já havia lido A
 Interpretação dos Sonhos de Freud, e pelo
 menos desde 1926, a sua pintura
 incorpora materiais oníricos e
 inconscientes. O pintor foi o mais
 extravagante dos surrealistas e os temas
 recorrentes em suas obras são: o sexo (e
 todas as atribulações: angústias, medos,
 frustrações, traumas), a memória (sua
 permanência ou dissipação), o sono e o
 sonho.
O grande masturbador
O sono
A persistência da memória
Galáxia das Esferas
Gala
Sonho causado pelo vôo de uma abelha em
torno de uma romã, um segundo antes do
despertar.

								
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