Embed
Email

4- COMO SOBREVIVER A TEMPOS RUINS

Document Sample
4- COMO SOBREVIVER A TEMPOS RUINS
Categories
Tags
Stats
views:
467
posted:
8/8/2008
language:
pages:
11
UM HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS



avid D



Como Sobreviver a Tempos Ruins

1 Samuel 18—23

David Roper

gruta estava fria e úmida. A umidade se acumulava no alto e depois pingava no solo frio e duro. Envolvido na capa que descia dos ombros, Davi tremia de frio. Pontadas de fome incomodavam-lhe o estômago. Mas o maior frio não estava no corpo e, sim, na alma; a maior fome não era por comida e, sim, por compaixão e interesse. O único crime de Davi fora dar o melhor de si e confiar em Deus, mas o amor de Saul transformou-se em inveja maníaca. Agora, Davi era um animal caçado — e estava completamente só. Na escuridão daquele antro abafado, Davi começou a cantar. Uma voz límpida e alta, tão suave como o vento e carregada de emoção, tomou conta da caverna. Ele cantou sua solidão, suas orações e sua fé. A canção que ecoava da caverna de Adulão foi preservada para nós até os dias de hoje como Salmo 142. O vazio da caverna e o anseio do coração de Davi continuam ecoando através dos séculos: A pergunta que estamos fazendo é: “Como podemos sobreviver a tempos ruins?” Nesta lição, daremos continuidade ao estudo da época em que Davi foi fugitivo do rei Saul. Saber como Davi sobreviveu, talvez, nos ajude a saber como podemos sobreviver. Analisemos, então, dez imperativos positivos e negativos para sobrevivermos a tempos ruins. I. NÃO SE SURPREENDA QUANDO SOBREVIEREM TEMPOS RUINS (18:1—20:42) A primeira negativa é: “Não se surpreenda quando sobrevierem tempos ruins”. Deixe-me expandir essa idéia: “Não se surpreenda quando sobrevierem tempos ruins — mesmo que você esteja dando o máximo de si.” Vou expandir a idéia mais uma vez: “Não se surpreenda quando sobrevierem tempos ruins, mesmo que você esteja dando o máximo de si — e Deus tenha estado com você em cada passo do caminho”. Essa afirmação pode parecer estranha para alguns. Podemos pensar o seguinte: “Com certeza, se uma pessoa está dando o máximo de si para agradar a Deus, não vão acontecer coisas ruins com essa pessoa!” Lamento dizer que esta última idéia está incorreta. A vida de Davi prova que isso é verdade. Na lição anterior, passamos rapidamente por alguns acontecimentos até chegarmos às passagens que relatam a amizade de Jônatas e Davi. Vamos voltar a essa fase e rever os fatos para constatar que Deus estava com Davi em cada passo do caminho e, nem por isso, os tempos



A



Ao Senhor ergo a minha voz e clamo, com a minha voz suplico ao Senhor. Derramo perante ele a minha queixa, à sua presença exponho a minha tribulação… No caminho em que ando, me ocultam armadilha. Olha à minha direita e vê, pois não há quem me reconheça, nenhum lugar de refúgio, ninguém que por mim se interesse (vv. 1–4).



É possível que muitos de nós nos identifiquemos com Davi. Quando passamos por tempos ruins — parece que ninguém se importa conosco. É amedrontador, não é?



1



difíceis deixaram de vir. Você deve se lembrar de que após Davi matar Golias, ele foi convidado para fazer parte da casa real. Saul foi seu mentor e maior admirador. Davi ainda cantava para Saul nas horas de profunda depressão do rei. Ele foi escudeiro e guarda-costas pessoal de Saul. Saul deve ter pensado: “Se Davi pôde matar um gigante, ele dá conta de qualquer um!” Davi foi nomeado comandante do exército de Saul. Ganhou popularidade e tornou-se bem conhecido. Depois disso, porém, as mulheres cantaram o cântico que acendeu a ira de Saul: “Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares” (18:7). Não havia nenhuma intenção de desrespeitar Saul neste cântico. “Milhares” e “dez milhares” eram formas poéticas de dizer “um grande número”. No paralelismo da poesia judaica, os dois superlativos tinham o mesmo significado1. Na verdade, Saul recebeu maior honra por ter sido mencionado primeiro. Se Saul fosse mais maduro e seguro, ele teria percebido isto. Todavia, por não ser maduro nem seguro, lemos o seguinte:

Então, Saul se indignou muito, pois estas palavras lhe desagradaram em extremo; e disse: Dez milhares deram elas a Davi, e a mim somente milhares; na verdade, que lhe falta, senão o reino? Daquele dia em diante, Saul não via a Davi com bons olhos (18:8, 9).



O monarca tornou-se um maníaco, cheio de medos irracionais (no capítulo 18, por três vezes é dito que Saul temia Davi2). Duas vezes, Saul tentou fincar Davi na parede com uma lança, enquanto este tocava lira para ele. Ele elevou Davi à posição máxima no exército, fingindo honrá-lo, mas, de fato, desejando que ele fosse morto em combate3. Saul tramou várias conspirações em relação à promessa que fizera de dar a filha em casamento ao homem que matasse Golias4. Primeiro ele ofereceu a Davi a filha mais velha, Merabe. Quando Davi disse modestamente que não era digno da oferta, Saul deu Merabe a outro homem5. Ao saber que sua filha mais nova, Mical, amava Davi, pensou: “Eu lha darei, para que ela lhe sirva de laço” (1 Samuel 18:21). A palavra “laço” é tradução da palavra hebraica que sugere o gatilho da armadilha com a isca. Mical seria o queijo da ratoeira de Saul! Quando Saul ofereceu Mical a Davi, este respondeu: “[Sou] homem pobre e de humilde



condição” (18:23). Em outras palavras, ele não poderia pagar o dote da noiva6. Como Davi matara Golias, Saul deveria ter-lhe dado muitas riquezas e uma de suas filhas sem se preocupar com o dote (1 Samuel 17:25) — mas Saul não cumpriu a palavra. E mandou dizer a Davi: “Não quero dinheiro nenhum. Tudo o que quero é uma prova de que você matou cem filisteus”7. Saul esperava que Davi fosse morto na tentativa de cumprir esse desafio. A oferta era um apelo ao espírito aventureiro de Davi. Ele e seus homens atacaram os filisteus e trouxeram a prova solicitada, não de cem, mas de duzentos filisteus. Saul não teve escolha, senão dar Mical a Davi. A frustração de Saul continuou aumentando. Primeiro Jônatas ficara do lado de Davi; agora Mical também estava com ele! Aos olhos paranóicos de Saul, Davi colocara seus próprios filhos contra ele. Era demais para Saul. “Então, Saul temeu ainda mais a Davi e continuamente foi seu inimigo” (18:29). A NVI diz: “temeu-o ainda mais e continuou seu inimigo pelo resto de sua vida”. Já pensou em ter um sogro que quer vê-lo morto? (Por que alguns de vocês estão balançando a cabeça para frente?) Observamos na última lição que Saul mandou Jônatas e seus oficiais matarem Davi, mas Jônatas intercedeu pelo amigo e houve uma breve trégua nas tentativas de Saul eliminar Davi. Não demorou muito, porém, para que Saul se esquecesse da promessa de não matar Davi, arremessando novamente sua lança contra Davi. Primeiro Samuel 19:10 diz: “…então, fugiu Davi e escapou” (19:10). “Fugir” e “escapar” resumem a vida de Davi pelos próximos dez ou mais anos; encontramos esses termos vez após vez no texto bíblico8 . Davi fez o melhor que pôde; ele foi abençoado por Deus; mas, mesmo assim, vieram tempos ruins. Primeiramente, Davi fugiu para sua casa e contou à esposa, Mical, o que aconteceu9. Conhecendo o pai melhor do que Davi conhecia, Mical lhe disse para não perder tempo. Pressentindo que a casa deles estava sendo vigiada10, Mical fez Davi sair por uma janela11. Davi jamais voltaria para casa ou para o amor de Mical. Os tempos ruins estavam piorando. Visando ganhar tempo para Davi, Mical colocou um grande ídolo12 na cama dele, com pelos de cabra na cabeça e o cobriu com lençóis. Então, disse aos mensageiros de Saul que Davi estava doente. Quando a fraude foi descoberta,



2



Davi já estava com Samuel em Ramá, onde morava o velho profeta. Samuel levou Davi para Naiote13, a colônia dos profetas na cidade, onde Davi se refugiou. Quando Saul ficou sabendo que Davi estava em Naiote, mandou para lá um grupo de assassinos, mas Deus protegeu Davi. Quando os homens de Saul irromperam na colônia dos profetas, Deus mandou Seu Espírito sobre eles e começaram a profetizar. Saul mandou mais dois grupos — e o resultado foi o mesmo. Há um toque de humor nesta cena. Ela pode ser comparada com uma dúzia de matadores vestidos com jaquetas de couro, metais nos nós dos dedos e correntes de bicicleta nas mãos, invadindo um culto numa igreja, planejando matar o pregador. Daí, um semblante engraçado toma conta dos rostos deles, pegam um hinário e começam a cantar em voz alta “Maravilhosa Graça”. Saul não imaginava o que tinha acontecido, por isso foi investigar. Todavia, quando chegou até os profetas, Deus desamparou Saul mandando novamente o Seu Espírito. O capítulo termina com a cômica cena de Saul despido e deitado, profetizando todo aquele dia e toda aquela noite (19:24)14! Era óbvio que Ramá não era um lugar seguro, e mais uma vez Davi teve de fugir. Nunca mais ele tornaria a ver seu mentor, Samuel. Os tempos ruins estavam ainda piores. Como também já vimos na lição passada, Davi fugiu de lá e foi até Jônatas. Imagine a frustração em sua voz ao lamentar ao amigo: “Que fiz eu? Qual é a minha culpa? E qual é o meu pecado diante de teu pai, que procura tirar-me a vida?” (20:1). Quando sobrevierem tempos ruins, talvez você também lamente: “Que fiz eu para merecer isto?” O ponto é que Davi não tinha feito nada para merecer o ódio de Saul — mas mesmo assim ele estava passando por tempos ruins. Quando Saul tentou matar Jônatas, não houve dúvida. Saul não descansaria enquanto Davi estivesse vivo. Os dois amigos se separaram em lágrimas. Os tempos ruins ficaram ainda piores. Novamente, reforço que 1) Davi estava dando o máximo de si — física e espiritualmente — e 2) o Senhor estava com ele e em tudo o que ele fazia. Apesar disso, vieram tempos ruins. Se isso aconteceu com o homem segundo o coração de Deus, pode acontecer com você também. Você pode ser um presbítero, um diácono, um pregador ou um professor de aula bíblica — e seus filhos, de repente, se envolvem com drogas,



fazendo o seu coração dilacerar. Você pode ser um cristão amável que faz de tudo para seu casamento dar certo, e o seu cônjuge o abandona para ficar com outra pessoa. Você pode ser um profissional honesto, fazendo o melhor que pode para a empresa ter sucesso, e perder o emprego. Você pode ser um cristão fiel, servindo a Deus de todo o coração e de toda a alma, e o médico lhe dizer: “Você tem três meses de vida”. Não me entenda mal. Ser um cristão fiel melhora as oportunidades de você ter um bom casamento, um lar feliz e até segurança financeira e boa saúde. Precisamos entender, porém, que até filhos fiéis de Deus não estão imunes a tempos ruins. Não se surpreenda quando sobrevierem tempos ruins. II. NÃO SE SURPREENDA SE, INICIALMENTE, VOCÊ AGIR COM INSENSATEZ (21:1—22:1) Pense na seguinte pergunta por um momento: por que Davi fugiu? Ele havia detido um leão e um urso. Havia enfrentado Golias, vencido muitas batalhas contra os filisteus; de fato ele era um herói militar. Por que, então, ele não enfrentou Saul ao invés de fugir para salvar a própria vida? Gostaria de sugerir que Davi agiu assim porque, pela primeira vez na vida, ele não sabia como lidar com a situação. Até esta altura, a maneira como ele lidava com a oposição era matando os oponentes. Ele matou um leão e um urso, matou Golias e muitos filisteus. Mas Saul era o rei ungido de Deus. Davi não poderia matar o ungido do Senhor15. Ele não sabia o que fazer, por isso fugiu. É significativo o fato de Davi ter começado a vida como um fugitivo, correndo desesperadamente, sem muitos planos ou propósitos, cometendo até alguns atos de insensatez. Primeiro, ele partiu para o sul, percorrendo uns três quilômetros até Nobe. O tabernáculo fora recolocado ali, após a destruição de Silo16; e o lugar tornou-se uma cidade onde residiam os sacerdotes e suas famílias. Davi estava sem comida e armas e talvez pensasse: “Os sacerdotes sempre são bondosos em ajudar os necessitados”. Chegando ali, porém, o primeiro a quem ele recorreu foi o sumo sacerdote, Aimeleque, que tinha forte ligação com Saul17. Aimeleque ficou apreensivo ao ver Davi. No passado, Davi ia sempre ao tabernáculo, mas sempre acompanhado de um destacamento real ou de um grupo de soldados.



3



Dessa vez, ele estava sozinho. Para poupar a própria vida e conseguir ajuda, Davi inventou uma tremenda mentira, segundo a qual Saul o teria enviado numa supermissão secreta. O sacerdote deu a Davi cinco pães consagrados18, o único pão de que dispunham. Mais tarde, deu a ele a espada de Golias que ficava em exposição no tabernáculo. Montando esquemas e mentindo para conseguir o que queria19, Davi estava agindo mais como Saul do que como um homem segundo o coração de Deus! Quando Davi falou com Aimeleque, notou, incomodado, a presença de Doegue20. Doegue era o principal pastor de Saul. (Reserve este fato por enquanto.) Assim que foi possível, Davi partiu novamente. Dessa vez, para a cidade filistéia de Gate, quase cinqüenta quilômetros a sudoeste dali. Davi percebeu que tinha mais motivos para temer Saul do que para temer os filisteus. (Infelizmente, é quase sempre verdade que temos mais motivos para temer nossos “irmãos” do que para temer nossos “inimigos”!) Ele foi para Gate em busca de asilo, o que era algo pouco inteligente! Você se lembra de onde era Golias? De Gate!21 Ali vinha Davi — que matou Golias, matou duzentos filisteus e mutilou os corpos deles como dote por Mical, além de matar tantos filisteus em combate que as pessoas cantaram: “Davi matou seus dez milhares” — caminhando corajosamente, a passos largos, para o centro da Filístia, a cidade natal de Golias (com a espada de Golias na cintura) e pediu para ser levado até o rei!22 Talvez Davi tenha pensado que poderia manter-se incógnito, mas seus cabelos vermelhos eram inconfundíveis! Os servos de Aquis até conheciam o sucesso número um da parada musical israelita: “Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares?”23 — ou seja, dez mil filisteus. Davi devia estar na “lista dos mais procurados” da Filístia! Agarraram Davi24 e o aterrorizaram. “Pelo que se contrafez diante deles, em cujas mãos se fingia doido, esgravatava nos postigos das portas e deixava correr saliva pela barba” (21:13). O escolhido de Deus, o próximo rei de Israel, estava agindo como um lunático! Aquis sentiu repulso: “Faltam-me a mim doidos, para que trouxésseis este para fazer doidices diante de mim? Há de entrar este na minha casa?” (21:15). Deixaram Davi ir embora. (Muitos



povos antigos acreditavam que os loucos tinham contato com deuses e não deveriam ser feridos25.) Quando leio a respeito desse incidente, uma mistura de sentimentos me sobrevém. Admiro o pensamento rápido de Davi — e ele atribuiu o credito de sua libertação a Deus26 — mas se os seus pensamentos iniciais não tivessem sido tão errôneos, ele jamais estaria numa situação que exigisse dele agir como um louco para salvar a própria vida. É triste ver o ungido de Deus revirando os olhos… uivando e balbuciando frases sem sentido… encravando as unhas na madeira do portão e arrastando os dedos para baixo27… deixando correr saliva pela barba. Quantos degraus mais Davi desceria? Só faltava Davi achar um buraco e esconder-se nele — e foi exatamente isso que ele fez. De Gate, Davi fugiu para a caverna mencionada no início desta lição — a caverna de Adulão28. Adulão era uma cidade de Judá, entre Gate e Belém 29. É uma região desolada, rochosa e improdutiva. Há nas proximidades uma montanha conhecida por suas cavernas, não com uma única entrada, mas milhares de aberturas que dão para centenas de túneis com quilômetros de extensão. Dentro há cobras aquáticas e outras criaturas venenosas. Hoje, os guias turísticos não levam os turistas até lá porque as cavernas são um dos esconderijos favoritos dos ladrões e terroristas. Lynn Anderson chama esse lugar de “fim do mundo”30. Era ali que Davi estava escondido quando disse: “…ninguém que por mim se interesse” (Salmos 142:4). Aquele foi um dos momentos mais degradantes da vida de Davi. Retomemos o ponto da lição: se Davi passou por tempos ruins, isso também pode acontecer conosco. Anos atrás, foi diagnosticada diabetes num amigo meu, um jovem banqueiro. Ele era (e é) um homem brilhante, alegre, ativo e atlético — e o diagnóstico o atingiu como uma locomotiva desgovernada. Por várias semanas, ficou deprimido e meio fora de si. Uma ilustração do estado de irracionalidade em que ele se encontrou foi quando, ao assistir a um jogo de futebol na televisão, ele começou a chorar. “Nunca mais vou poder jogar futebol”, lamentou. Ele nunca tinha jogado futebol antes, mas isso não fazia diferença. Viuse como um paralítico, cujos dias de prática esportiva estavam acabados. Com a ajuda do Senhor e o apoio de familiares e amigos amados, ele se recuperou logo e já está como antes. Agora, ele



4



consegue olhar para sua reação inicial e rir, mas admite que por um período agiu com insensatez. Ainda que pensemos que jamais vamos perder a razão se um desastre nos assaltar, é impossível ter certeza da nossa reação. Sabemos como gostaríamos de reagir, como queremos reagir, mas tudo pode ser diferente. Digo isto para que não desistamos se, inicialmente, agirmos com insensatez no meio de uma situação difícil. Entendamos que isso pode acontecer com qualquer um — e que, com a ajuda de Deus, podemos sobreviver. Davi sobreviveu, meu amigo sobreviveu e nós também podemos sobreviver. III. ACEITE A RESPONSABILIDADE SOBRE OS SEUS ATOS (22:1–23) Tudo indica que Salmos 142 foi composto quando Davi teve a primeira reação dentro da caverna de Adulão, pois 1 Samuel 22 ressalta que Davi não continuou sozinho por muito tempo.

Davi… se refugiou na caverna de Adulão; quando ouviram isso seus irmãos e toda a casa de seu pai, desceram ali para ter com ele. Ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens (22:1, 2).



Em primeiro lugar, Deus proveu apoio espiritual a Davi. Ele proporcionou a companhia de seus familiares. “Seus irmãos e toda a casa de seu pai desceram ali para ter com ele.” Sem dúvida, a família de Davi também estava em perigo por causa de Saul31. Depois, Deus deu apoio prático a Davi. Deulhe um trabalho para fazer. Em vez de ficar sentado, sentindo pena de si mesmo, Deus lhe deu o desafio de organizar um dos exércitos mais improváveis e inimagináveis. O texto bíblico diz que se juntaram a ele três grupos: os que se achavam em aperto, os endividados e os amargurados. A palavra hebraica traduzida por “que se achavam em aperto” indica um grupo que sofria opressão. Os “endividados” não conseguiam pagar os impostos pesados cobrados por Saul; fugiram com receio de que eles ou seus familiares fossem vendidos para saldar as dívidas. A palavra traduzida por “amargurados de espírito” indica que esse grupo fora injustiçado e maltratado e estava ansioso por uma mudança. Davi não era o único que estava sofrendo; toda a nação estava gemendo com o peso do governo de Saul.



Esses homens não estavam treinados para o combate. Tratava-se de um grupo de descontentes, muitos dos quais provavelmente não se davam bem com ninguém. (Mais adiante na narrativa, lemos a respeito de Davi “e os seus homens”32. Numa certa altura, até desejaram apedrejar Davi!33) Como seria possível transformar esse grupo de desajustados em algo parecido com um exército? Não sei, mas Davi aceitou o desafio de Deus. Logo, Davi estava ocupado novamente, atarefado em cumprir a vontade do Senhor. Estava construindo a base de poder para o seu reino. Estava desenvolvendo a liderança que ficaria com ele durante todo o seu reinado. Quando 2 Samuel 23 fala dos “valentes” de Davi, lemos que “também três dos trinta cabeças desceram e… foram ter com Davi, à caverna de Adulão” (23:13). Quando Davi tornou-se rei, seu “gabinete” foi composto pelos que foram treinados e aprenderam a confiar, lutando lado a lado no deserto. Quando nos sobrevêm tempos ruins e agimos com insensatez, uma das melhores maneiras de endireitarmos nossas cabeças é nos concentrarmos nos desafios que Deus coloca diante de nós — devemos nos ocupar em ajudar outros e parar de sentir pena de nós mesmos. Finalmente, Deus deu apoio espiritual a Davi. Primeiro Samuel 22:5 observa: “Porém o profeta Gade disse a Davi: Não fiques neste lugar seguro34; vai e entra na terra de Judá. Então, Davi saiu e foi para o bosque de Herete”. Em algum momento, Gade juntou-se às forças de Davi e tornouse um de seus conselheiros. Depois que Davi foi coroado rei, Gade foi seu “vidente”35. Por fim, Gade foi um dos cronistas do reino de Davi36. Ainda que a situação tenha começado a melhorar para Davi, ele começou a ver as conseqüências de seus atos insensatos. Um dia, Saul estava sentado debaixo de uma árvore em Gibeá, com seus principais oficiais, afogando-se na auto-piedade. “Nenhum dentre vós há que se doa por mim” (22:8), lamuriou o rei. Doegue, o edomita, estava ali. (Lembra-se dele? Foi ele quem viu Davi no tabernáculo, em Nobe.) Doegue disse ao rei: “Vi o filho de Jessé chegar a Nobe, a Aimeleque, filho de Aitube, e como Aimeleque, a pedido dele, consultou o Senhor37, e lhe fez provisões, e lhe deu a espada de Golias, o filisteu” (22:9, 10). Doegue não mencionou a relutância de Aimeleque nem a mentira de Davi. Saul mais uma vez ficou furioso. Mandou chamar Aimele-



5



que e os outros sacerdotes e os matou. E assim destruiu toda a cidade de Nobe: homens, mulheres, crianças, bebês, e até animais!38 Só um sacerdote — Abiatar, filho de Aimeleque — escapou39 . Abiatar foi até Davi e contou-lhe o ocorrido. Teria sido fácil Davi culpar alguém por essa tragédia. Ele poderia ter dito: “Tudo isso é culpa de Saul! Se ele não tivesse tentado me matar, isso não teria acontecido!” Ou: “Se Saul não tivesse ido longe demais, a sua família ainda estaria viva!” Davi também poderia ter culpado Aimeleque: “Se o seu pai não tivesse me desafiado, eu não teria sido forçado a mentir”. Davi ainda poderia ter dito: “Isso foi muito azar. Quero dizer, se Doegue não estivesse lá, isso não teria acontecido, não é mesmo?” Davi, porém, não jogou a culpa em ninguém, nem se desculpou. Com o coração quebrantado, ele disse: “Bem sabia eu, naquele dia, que, estando ali Doegue, o edomita, não deixaria de o dizer a Saul. Fui a causa da morte de todas as pessoas da casa de teu pai” (22:22). A NVI diz: “Sou responsável pela morte de toda a família de seu pai”. Davi não disse: “Saul é responsável”, nem: “Aimeleque é responsável”, nem: “Doegue é responsável”, mas: “Eu sou responsável”. Qualquer um de nós pode agir insensatamente no meio de uma crise — porém, isso não significa que não somos responsáveis pelos atos insensatos que praticamos. Oro para que, num determinado momento, permitamos que o Senhor opere em nossas vidas novamente e endireite nossos pensamentos. Quando, finalmente, chegarmos a esse ponto, sejamos honestos e grandes o bastante para aceitar a responsabilidade sobre os atos que praticamos. Não joguemos a culpa nos outros, nem na situação, mas aceitemos a responsabilidade pessoal. É possível que precisemos encarar alguém que tenhamos prejudicado ou ofendido, assim como Davi fez com Abiatar40. Talvez seja preciso dizermos: “Sinto muito, eu perdi a cabeça. Agi sem pensar; não há desculpas para o que eu fiz ou disse. Espero que haja espaço no seu coração para me perdoar”41. Não podemos sobreviver a tempos ruins com a integridade intacta sem aceitar a responsabilidade que temos sobre os atos que praticamos. IV. NÃO SE SURPREENDA SE AS PESSOAS O DECEPCIONAREM (23:1–29) Davi, finalmente, estava fora da caverna,



cercado por um bando de apoiadores, mas isso não significava que os tempos ruins haviam passado. Não demorou muito para que Davi aprendesse novamente a dura lição que quando surgem tempos ruins vêm, as pessoas geralmente o deixam na mão — pessoas a quem você nunca prejudicou, talvez até pessoas a quem você tenha ajudado. O capítulo seguinte começa com as palavras: “Eis que os filisteus pelejam contra Queila e saqueiam as eiras” (23:1)42. Queila era uma cidade israelita que ficava atrás das fronteiras inimigas43, sendo, portanto, duplamente vulnerável a ataques. O trabalho de Saul era lutar com os filisteus44, mas ele estava perdendo tempo à procura de Davi, em vez de combater o inimigo. Por isso, o povo foi até Davi em busca de ajuda. “Consultou Davi ao Senhor, dizendo: Irei eu e ferirei estes filisteus?” (23:2). Os homens de Davi aumentaram para seiscentos45, mas segundo o registro bíblico, ainda não haviam participado de uma batalha. Como Queila ficava na fronteira com os inimigos, poderiam facilmente acabar cercados, com todas as saídas de retirada bloqueadas. Por isso, “consultou Davi ao Senhor” com respeito a entrar em guerra com os filisteus. Façamos uma pausa para enfatizar a importância da expressão “consultou ao Senhor”. Lembre-se de que Abiatar foi até Davi em busca de proteção, depois que Saul matou todos os demais sacerdotes. Sendo Abiatar filho do sumo sacerdote e estando todos os demais sacerdotes mortos, Abiatar assumiu o lugar do sumo sacerdote. Davi tornou-se o protetor dos sacerdotes, mais um passo significativo para a sua ascensão ao trono. Além disso, quando Abiatar foi até Davi, ele levou a estola sacerdotal (23:6, 8)46. A estola era um colete sem mangas, usado por cima do manto sacerdotal. Todos os sacerdotes usavam uma estola47, mas havia uma estola que era a estola; tratava-se daquela usada pelo sumo sacerdote. Ela estava vinculada ao Urim e ao Tumim, colocados no (ou perto ou abaixo do) peitoral48. O Urim e o Tumim eram usados para discernir a vontade de Deus. A Bíblia não relata exatamente como eles eram. Talvez fizessem parte das pedras descritas em Êxodo 28. Talvez fossem pedras separadas e coloridas, colocadas num bolso da estola. Talvez fossem usadas como o arremesso de uma moeda49 (com a exceção de que era o Senhor, e não a sorte, quem determinava a resposta). Evidentemente, esses apetrechos eram



6



usados para perguntas cuja resposta poderia ser “sim” ou “não”. Deus deu a Davi uma ajuda espiritual extra: agora, Davi tinha consigo o sumo sacerdote e a estola com o Urim e o Tumim! Por isso, Davi podia “consultar ao Senhor”. À pergunta de Davi: “Irei eu e ferirei estes filisteus?”, o Senhor respondeu: “Sim”50. “Partiu Davi com seus homens a Queila, e pelejou contra os filisteus, e… e fez grande morticínio entre eles; assim, Davi salvou os moradores de Queila” (23:5). Tendo salvo a cidade, Davi e seu exército acamparam-se em Queila, talvez planejando estabelecer ali o quartel-general deles. Tinham todo o direito de esperar que os cidadãos os tratassem com consideração e lhe oferecessem proteção. Mas não tardou para Saul ficar sabendo que eles estavam ali e planejou ir atrás deles. Novamente Davi consultou ao Senhor. Uma das perguntas que ele fez foi: “Entregar-me-ão os homens de Queila, a mim e aos meus servos, nas mãos de Saul? Respondeu o Senhor: Entregarão” (23:12). Isso deve ter sido decepcionante. Ali estava uma cidade salva por Davi — intacta, com tudo o que produziam e os animais vivos, as famílias seguras — e, ainda assim, estavam prontos para trair seu libertador. Talvez tivessem ouvido falar da destruição que Saul fez à cidade de Nobe e soubessem que ele não hesitaria em destruí-los, se ficassem do lado de Davi, mas para Davi esse foi um osso duro de roer. Todavia, não houve retaliação por parte dele: “Então, se dispôs Davi com os seus homens, uns seiscentos, saíram de Queila e se foram sem rumo certo” (23:13). A seguir, Davi e sua companhia foram para o deserto de Zife, em Judá. Os zifeus eram da tribo de Judá51, a mesma tribo de Davi. Eram conterrâneos de Davi! Sem dúvida, ele se sentia seguro ali. Novamente, porém, Davi foi traído pelo povo contra o qual ele nada de mal fizera, pelo contrário, tinha até protegido52. Os zifeus foram até Saul, contaram onde Davi estava e ofereceram entregá-lo nas mãos do rei53. Somente por intervenção divina foi que Davi escapou. Alguns capítulos adiante54, os zifeus tornaram a trair Davi. Não era a primeira vez que Davi era traído, nem seria a última; mas não importava quantas vezes isso aconteceria, era sempre dolorido. Certamente você sabe do que estou falando. Você deposita sua confiança em alguém. Confia



nessa pessoa com todo o seu coração. Daí, ela trai a sua confiança. Ela o decepciona e você se sente muito magoado. Ocasiões como essa imprimem em nossas mentes o fato de que nossa confiança não deve estar em homens, mas no Senhor. Paulo, o experiente guerreiro da cruz, disse uma vez: “Na minha primeira defesa, ninguém foi a meu favor; antes, todos me abandonaram… Mas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças…” (2 Timóteo 4:16–17; grifo meu). V. SEJA GRATO PELOS AMIGOS QUE NÃO O DECEPCIONAM (23:15–18) Os versículos 15 a 18 do capítulo 23 contrastam fortemente com o restante do capítulo. Embora Saul perseguisse loucamente Davi para tirar-lhe a vida, embora os homens de Queila e os zifeus estivessem prontos para traí-lo, temos o breve relato de Jônatas indo até Davi para “fortalecer-lhe a confiança em Deus”. Amigos ficam com você não importa o que tenha acontecido… Se você têm um amigo assim, pense no Senhor como sendo esse amigo. VI. CREIA QUE DEUS JAMAIS O DECEPCIONARÁ (23:14, 25, 26) Como Davi escaparia quando os recursos de uma nação inteira haviam sido mobilizados para destruí-lo, quando os que o cercavam estavam ansiosos para traí-lo? Lemos em 23:14 como Davi escapou: “Permaneceu Davi no deserto, nos lugares seguros, e ficou na região montanhosa no deserto de Zife. Saul buscava-o todos os dias, porém Deus não o entregou nas suas mãos”. Davi escapou das armadilhas de Saul não por ser ele o fugitivo mais esperto e equipado que já existiu, nem por ter seiscentos homens bem treinados para protegê-lo. Davi escapou de Saul porque “Deus não o entregou nas suas mãos”! Leia os capítulos que narram esse período da vida de Davi e veja o número de vezes em que se diz clara ou implicitamente que o Senhor estava com ele55. Quando Davi não tinha ninguém mais a recorrer, ele sempre podia recorrer ao Senhor. Muitos salmos de Davi referem-se a esse turbulento período de sua vida. Analise as observações introdutórias que antecedem os salmos abaixo: Salmo 59: “Quando Saul mandou que lhe sitiassem a casa, para o matar”.



7



Salmo 56: “Quando os filisteus o prenderam em Gate”. Salmo 34: “Quando se fingiu amalucado na presença de Abimeleque e, por este expulso, ele se foi”. Salmo 57: “Quando fugia de Saul, na caverna”. Salmo 142: “Quando estava na caverna”. Salmo 52: “Quando Doegue, edomita, fez saber a Saul que Davi entrara na casa de Abimeleque”. Salmo 63: “Quando no deserto de Judá”. Salmo 54: “Quando os zifeus vieram dizer a Saul: Não está Davi homiziado entre nós?” Em tempos de estresse, algumas pessoas lêem o jornal diariamente para manterem uma perspectiva realista das coisas; Davi escrevia cânticos!56 Numa fase em que a maioria de nós teria se entregado ao desespero, Davi expressou não só os seus medos como também a sua fé numa poesia inesquecível. No primeiro salmo atribuído a esse período, Davi entoou seu estado alarmante:

Pois que armam ciladas à minha alma; contra mim se reúnem os fortes, sem transgressão minha, ó Senhor, ou pecado meu. Sem culpa minha, eles se apressam e investem (Salmos 59:3, 4a).



estava cercando o monte de ambos os lados; Davi e seus seiscentos homens estavam encurralados no meio deles. Parecia não haver como Davi escapar. Então, Deus entrou em cena: “…veio um mensageiro a Saul, dizendo: Apressate e vem, porque os filisteus invadiram a terra. Pelo que Saul desistiu de perseguir a Davi e se foi contra os filisteus” (23:27, 28a)57. É impossível ler essas palavras à luz do versículo 14 e dizer: “E daí?” Ou: “Que sorte Davi teve!” Qualquer um pode entender que Deus ajudou Davi. Mais tarde, esse lugar ficou marcado como um memorial a esse episódio. “Por esta razão, aquele lugar se chamou Pedra de Escape” (23:28b). Por mais escura que esteja a noite, tenha fé em Deus. Davi, que experimentou essa verdade no deserto, escreveu: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações” (Salmos 46:1). Sublinhe a palavra “presente”. Deus está presente nos tempos de tribulação; Ele está aí com você em meio aos seus problemas. Você pode não ver bem isso agora, mas fique perto do Senhor. Daqui a cinco anos… ou dez… ou vinte… você conseguirá olhar para trás e ver a mão de Deus claramente. Segure-se em Deus; Ele não o decepcionará! VII. NÃO TENHA AMARGURA Podemos aprender muitos outros princípios com o fato de Davi ter sobrevivido aos tempos ruins. Na lição seguinte, estudaremos os capítulos 24 a 26 detalhadamente para ver como Davi lidou com o sentimento de vingança. Um dos maiores perigos dos tempos ruins é os nossos corações ficarem amargurados. É importante evitar que “alguma raiz de amargura” brote em nossos corações (Hebreus 12:15). VIII. PERDOE A maneira de escapar da amargura é aprender a perdoar. O desafio da próxima lição, “Quando o Coração Clama por Vingança”, poderia ser resumido nestas palavras: “Longe de vós, toda amargura… sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros” (Efésios 4:31, 32). IX. ENTENDA QUE NADA DURA PARA SEMPRE É também de grande ajuda entender que nada dura para sempre, sejam tempos bons sejam tempos ruins. Na próxima edição desta série



Mas, a seguir, ele proclamou sua confiança em Deus: “A ti, força minha, cantarei louvores, porque Deus é meu alto refúgio, é o Deus da minha misericórdia” (Salmos 59:17)! No último salmo atribuído a esse período, Davi clamou a Deus a respeito da traição que sofreu dos zifeus. Disse o salmista:

Ó Deus, salva-me, pelo teu nome, e faze-me justiça, pelo teu poder. Escuta, ó Deus, a minha oração, dá ouvidos às palavras da minha boca. Pois contra mim se levantam os insolentes, e os violentos procuram tirar-me a vida… (Salmos 54:1–3).



Será que Deus respondeu essa oração? Veja o final de 1 Samuel 23. Depois que os zifeus se ofereceram para entregar Davi a Saul, o rei pediulhes para dizerem exatamente onde Davi estava, para que este não escapasse novamente. Conduzido pelos zifeus, Saul e seu exército foram diretamente para o lugar certo. Logo Saul estava no encalço de Davi: “Saul ia de um lado do monte, e Davi e os seus homens, da outra; apressou-se Davi em fugir para escapar de Saul; porém este e os seus homens cercaram Davi e os seus homens para os prender” (23:26). O numeroso exército de Saul



8



sobre a vida de Davi, veremos Davi tornar-se rei após dez anos de fuga. Guarde bem isto: tempos ruins não duram para sempre. Podemos nos apoiar nessa verdade e em outras — mas, por ora, vamos encerrar com uma última sugestão para sobrevivermos a tempos ruins. X. ENTENDA QUE TEMPOS RUINS PODEM SE REVERTER EM BEM Nunca se esqueça de Romanos 8:28; agarrese a isto firmemente: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Analise o que Deus estava fazendo na vida de Davi durante aqueles dias tenebrosos: Deus estava moldando Davi, preparando-o para ser rei. Tomar conta de ovelhas era o curso preparatório. Fugir para salvar a vida era o curso universitário. Não sabemos quais são os planos e propósitos de Deus58, mas é possível que uma coisa que Deus estava fazendo era eliminar todas as coisas das quais Davi dependia (todas as “muletas” em que ele se apoiava), para ensinar-lhe a depender unicamente dEle. Temos acompanhado Davi desde quando ele perdeu a casa e o amor de Mical; viu Samuel pela última vez; despediu-se, em lágrimas, do amigo Jônatas e foi afastado do tabernáculo de Deus. Ouvimos seu grito de lamentação em Salmos 142: “Não há… ninguém que por mim se interesse” (v. 4). Veja, porém, os versículos seguintes do Salmo 142. No versículo 5, Davi disse: “A ti clamo, Senhor, e digo: tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes” (grifo meu). Davi pode ter perdido suas outras fontes de força, mas ele ainda tinha Deus, e a Ele elevou sua voz: “Atende o meu clamor, pois me vejo muito fraco. Livrame dos meus perseguidores, porque são mais fortes do que eu. Tira a minha alma do cárcere, para que eu dê graças ao teu nome” (vv. 6, 7a). Davi concluiu o salmo com estas palavras de confiança: “Os justos me rodearão, quando me fizeres esse bem” (v. 7b; grifo meu). O versículo 4 (“Não há ninguém que por mim se interesse”) e o versículo 7 (“os justos me rodearão”) estão separados no texto por apenas dois versículos, mas, quanto ao sentimento, estão separados em centenas de quilômetros. Davi estava subindo mais um nível de confiança no Senhor! Estas lições são importantes para nós — e, às vezes, somos tão teimosos que a única maneira



de aprendermos essas verdades é através de um desastre que golpeie nossas vidas. Provavelmente, a única maneira de aprendermos a ser compassivos e misericordiosos se dará quando formos maltratados por alguém. Talvez a única maneira de aprendermos a confiar completamente em Deus seja perdendo tudo que mais apreciamos. Quando uma pessoa do mundo perde tudo, diz: “Eu devia acabar com tudo também!” Quando o cristão perde tudo, ele olha para cima, para Deus e Deus diz: “Suas mãos estão vazias? Que bom! Finalmente, você está pronto para receber as maiores bênçãos que tenho para você!” Não estou dizendo que devemos desejar passar por tempos ruins, e esperar por eles, mas que, ao chegarem, nossa atitude pode fazer toda a diferença do mundo. Podemos sair desses períodos mais amargurados ou mais dóceis, despedaçados ou remodelados. Mantenhamos uma atitude positiva quando nos sobrevierem tempos ruins, porque tempos ruins podem se reverter em bem. CONCLUSÃO Quem você é não faz diferença; sobrevirão tempos ruins. Várias lembranças me ocorrem agora: um presbítero sentado na sua poltrona lamentando estar atravessando sérios problemas no casamento; pais com olhos avermelhados me dizendo que a filha solteira está grávida; pais, avós e amigos apinhados numa saleta de hospital, aguardando notícias do bebê que caiu na piscina; uma cristã piedosa, aflita, me contando que seu filho é homossexual. Possivelmente, muitos de vocês estão atravessando tempos ruins, agora mesmo. Se for esse o seu caso, aprenda a lição com a experiência de Davi: se dermos o máximo de nós mesmos para agradar a Deus e confiarmos nEle, sobreviveremos. Davi sobreviveu, nós também podemos sobreviver. NOTAS SOBRE O SERMÃO Nesta lição, enumeramos dez diretrizes positivas e negativas (quatro foram mencionadas apenas sucintamente). Você poderia fazer uma “contagem regressiva” de uma lista de dez diretrizes positivas e negativas para sobrevivermos a tempos ruins. Se usar esta abordagem, visto que o último item mencionado deverá ser o “número um” da lista, o último item discutido será o fato de que Deus nos ajudará em tempos ruins.



9



Como foi observado na lição, muitos salmos são atribuídos a esse período turbulento da vida de Davi, os quais dariam excelentes sermões suplementares.

Observe Deuteronômio 32:30; Salmos 91:7; Miquéias 6:7. Quando uma mãe diz: “Eu avisei um milhão de vezes”, e: “Eu avisei mil vezes”, está dizendo a mesma coisa. 2 1 Samuel 18:12, 15, 29. 3 1 Samuel 18:17. 4 1 Samuel 17:25. 5 Possivelmente, essa foi uma conspiração para fazer Davi se revoltar contra Saul, para que este tivesse uma desculpa para matá-lo, mas não funcionou. 6 Veja Gênesis 34:12; Êxodo 22:16. 7 Saul pediu os “prepúcios” de cem filisteus incircuncisos (1 Samuel 18:25). 8 1 Samuel 19:12, 18; 20:1; 21:10; etc. Nos próximos capítulos, dez vezes é dito (de uma ou outra forma) que Davi fugiu. 9 Mical soube disso de alguma forma (1 Samuel 19:11); talvez por Davi, talvez por outra fonte. 10 A casa estava sendo vigiada (1 Samuel 19:11). 11 Isso pode indicar que a casa deles fora construída no muro da cidade; assim como a casa de Raabe (veja Josué 2:15). 12 Em hebraico, terafim. Geralmente, referia-se a um ídolo, sendo assim traduzido em algumas versões. O que um ídolo estava fazendo na casa de Davi? Como o texto não dá detalhes, não podemos ser dogmáticos, mas Mical provavelmente trouxe-o da casa de seu pai e Davi provavelmente não sabia que a estátua estava ali. Ídolos primitivos não tinham necessariamente a aparência de ídolos; esse poderia ser uma coluna decorativa no canto de uma sala. 13 “Naiote” significa “habitação” ou “moradias”. Aqui parece referir-se a um complexo de casas onde os profetas viviam. 14 Visto que “despido” pode significar “sem roupas” ou “sem vestimenta adequada”, não sabemos até que ponto Saul estava despido. Burton Coffman observou, porém, que, de qualquer forma, quando Saul voltou a si pela primeira vez, estava mais preocupado em achar as roupas do que a Davi. 15 1 Samuel 24:6; etc. 16 1 Samuel 4:2, 3; Jeremias 7:12. 17 Aimeleque era descendente de Eli. Ou era irmão de Aías, que se juntara a Saul como seu conselheiro espiritual depois que Samuel deixou Saul (cf. 1 Samuel 14:3; 22:9), ou era o próprio Aías (i.e., Aías é uma variação do nome Aimeleque). De qualquer forma, Davi não podia confiar nele. 18 Doze pães grandes sem fermento eram colocados na mesa do tabernáculo, todos os sábados (Êxodo 25:23–30; Levítico 24:5–9). No sábado seguinte, doze pães novos eram colocados na mesa e os sacerdotes comiam os pães velhos. O sacerdote deu um pouco de pão velho a Davi. Jesus usou essa história para ensinar que é sempre lícito fazer o bem ou salvar vidas (Mateus 12:3, 4; Lucas 6:9). Analise esta aplicação para os dias de hoje: se alguém estivesse indo para um culto de adoração (o que é um mandamento — Hebreus 10:25) e passasse por um carro acidentado, seria lícito parar e ajudar a vítima, ainda que isso fizesse a pessoa perder o culto. Todavia, isso não deve ser usado como desculpa para “fazer o mal, para atrair o bem”. 19 Entenda-se, por obséquio, que não é necessário defender a desonestidade de Davi e outros atos insensatos. A Bíblia apresenta o relato factual de muitas coisas que ela mesma não aprova. Deus não aprova a mentira (1 João 2:21; João 8:44). 20 O texto diz que Doegue foi “detido perante o Senhor” (1 Samuel 21:7). Isso deve ter ocorrido por alguma ação

1



disciplinar — que ajudaria a explicar a posterior animosidade de Doegue para com os sacerdotes. 21 1 Samuel 17:23. 22 Observe que Davi “foi a Aquis, rei de Gate” (1 Samuel 21:10) e parecia querer entrar na casa dele (observe 1 Samuel 21:15). Primeiro Samuel 27:1 provavelmente lança luzes sobre o raciocínio dele nessa ocasião. 23 1 Samuel 21:11. Observe que chamaram Davi de “o rei da sua terra”. É provável que quisessem dizer “aquele que governa os corações da terra”. Hoje, fala-se em “rei do rock’n roll”, etc. — ou seja, aquele que exerce uma força predominante. 24 Veja a observação introdutória sobre o Salmo 56. 25 Muitos viajantes do oeste norte-americano escaparam de índios fingindo serem loucos. 26 Leia a observação no início do Salmo 34, e depois leia o salmo. 27 A NTLH traduz: “rabiscava os portões da cidade”. Davi também pode ter usado sua espada para fazer as marcas. 28 1 Samuel 22:1. A palavra “Adulão” significa “refúgio”. 29 Os eruditos divergem quanto à localização exata da caverna original de Adulão. A descrita é a localização tradicional. 30 Lynn Anderson, “Man On the Run” (“Homem em Fuga”), s. p., s. d., gravado em fita cassette. 31 Davi levou seus pais para Moabe para que ficassem seguros enquanto ele fugia (1 Samuel 22:3, 4). A família tinha vínculos com Moabe; a bisavó de Davi era moabita. Além disso, Saul guerreara contra Moabe (1 Samuel 4:47), o que faria o rei de Moabe ser favorável ao “inimigo” de Saul. 32 1 Samuel 30:21. 33 Cf. 1 Samuel 30:6. 34 A palavra “seguro” é usada com freqüência na história da fuga de Davi. Não se refere a uma localização, mas a qualquer lugar que fosse inacessível ou facilmente defensável. Neste versículo, refere-se à caverna. 35 1 Crônicas 21:9. 36 1 Crônicas 29:29. 37 Primeiro Samuel 21:1–9 não menciona que Davi consultou ao Senhor, mas ele pode ter feito isso (veja 22:15). 38 1 Samuel 22:18, 19. Essas tragédias foram preditas (cf. 1 Samuel 2:31). 39 Talvez ele tenha ficado em Nobe “tomando conta dos espólios” enquanto os outros atendiam à intimação de Saul. 40 Observe Mateus 5:23, 24. 41 Quer a pessoa nos perdoe, quer não, teremos feito o que foi possível (Romanos 12:18). 42 Os filisteus estavam “saqueando os espólios”; aparentemente o propósito do ataque repentino era roubar comida. 43 Observe 1 Samuel 23:3. Teriam de sair de Judá para ir a Queila. 44 Cf. 1 Samuel 9:16. 45 1 Samuel 23:13. 46 Alguns usam 1 Samuel 23:6 para dizer que Abiatar não foi originalmente a Davi enquanto este não estava em Queila, mas o versículo 6 parece denotar que Abiatar ficou por trás enquanto o exército de Davi lutava para dominar Queila e só se juntou a Davi quando o feito foi concluído. O significado mais natural da “consulta” de Davi ao Senhor no versículo 2 é que ele o fez da mesma forma que no versículo 9. 47 1 Samuel 22:18. 48 Êxodo 28:30. 49 Talvez o Urim e o Tumim fossem exatamente a mesma coisa, com exceção da cor — tendo uma pedra que correspondia a “sim” e outra, a “não”. Talvez, após ser feita a pergunta, o sumo sacerdote pegasse aleatoriamente uma das pedras, obtendo assim a resposta. Sugeriu-se que o Urim e o Tumim eram planos, tendo cada um uma cor de



10



um lado e outra cor do outro lado. Eram jogados ao ar. Quando caíam ao chão, se ambos os lados exibissem uma das cores, isso determinava um “sim” absoluto; se ambos os lados exibissem a outra cor, isso determinava um “não” absoluto, se ambos exibissem cores diferentes, o resultado era incerto. Certa tradição judaica reza que eles indicavam a vontade de Deus brilhando. 50 Por causa do medo desses homens, Davi fez a pergunta duas vezes para confirmar. Ambas as vezes, Deus disse para irem. 51 Josué 15:55. 52 Possivelmente, Davi e seus homens sobreviveram recebendo doações de proprietários agradecidos pelaproteção que receberam do grupo (veja 1 Samuel 25:14– 16).



1 Samuel 23:19, 20. A segunda traição dos zifeus contra Davi encontra-se em 1 Samuel 26. 55 1 Samuel 18:12, 14, 28; 23:2, 4; 25:26, 28ss., 34, 39; 26:12, 24; 30:6, 23; etc. 56 Não sabemos se Davi escreveu seus poemas de uma vez ou se os compôs primeiro mentalmente para depois escrevê-los. 57 Como Saul não demonstrou anteriormente muito interesse nas invasões dos filisteus (1 Samuel 23:1ss.), essa pode ter sido uma invasão a alguma propriedade dele! 58 Isaías 55:8, 9.

54



53



©Copyright 2004, 2006 by A Verdade para Hoje TODOS OS DIREITOS RESERVADOS



11




Related docs
Other docs by JOSENILDO OLIV...
Leonardo Boff - De onde tirar esperança
Views: 213  |  Downloads: 13
Leonardo Boff - LB - Experimentar Deus
Views: 2854  |  Downloads: 61
Guia de Estudo - Parte 8 - Domínio Próprio
Views: 729  |  Downloads: 28
John Bevere - A Isca de Satanás
Views: 5863  |  Downloads: 148
A COMUNHÃO EM AÇÃO
Views: 133  |  Downloads: 18
A veracidade da bíblia - Diversos Autores
Views: 3515  |  Downloads: 36
MODELO DAS PASTAS OFICIAS DE UM EJC
Views: 657  |  Downloads: 19
Benny Hinn - Bom dia Espirito Santo
Views: 2390  |  Downloads: 30
Exemplo de Pactos
Views: 82  |  Downloads: 2
06 - FUNCIONAMENTO DOS GECAD'S
Views: 74  |  Downloads: 11
By registering with docstoc.com you agree to our
privacy policy

You are almost ready to download!

You are almost ready to download!