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ALEXANDRE DE ALMEIDA GUIMARÃES

JOSÉ EDUARDO GONÇALVES LAMAS

PEDRO GERALDO BOSCOLO









GESTÃO DO CONHECIMENTO EM ÁREAS DE P&D:

ESTUDO DE CASO EM EMPRESAS BRASILEIRAS DE

GRANDE PORTE









Monografia apresentada à Fundação

Instituto de Administração para

obtenção do Título de MBA em

Conhecimento, Tecnologia e Inovação.









São Paulo

2007

ALEXANDRE DE ALMEIDA GUIMARÃES

JOSÉ EDUARDO GONÇALVES LAMAS

PEDRO GERALDO BOSCOLO









GESTÃO DO CONHECIMENTO EM ÁREAS DE P&D:

ESTUDO DE CASO EM EMPRESAS BRASILEIRAS DE

GRANDE PORTE









Monografia apresentada à Fundação

Instituto de Administração para

obtenção do Título de MBA em

Conhecimento, Tecnologia e Inovação.



Área de Concentração:

Gestão do Conhecimento



Orientador:

Prof. Dr. Isak Kruglianskas



Co-orientador:

Prof. Dr. Paulo Tadeu de Mello Lourenção









São Paulo

2007

FICHA CATALOGRÁFICA





Guimarães, Alexandre de Almeida; Lamas, José Eduardo Gonçalves;

Boscolo, Pedro Geraldo

Gestão do Conhecimento em Áreas de P&D: Estudo de Caso em

Empresas Brasileiras de Grande Porte. - São Paulo, 2007.

50 p.



Monografia (MBA) – Fundação Instituto de Administração.

Departamento de Conhecimento, Tecnologia e Inovação.



1.Gestão do Conhecimento 2.Knowledge Management 3.Pesquisa

e Desenvolvimento I.Fundação Instituto de Administração.

Departamento de Conhecimento, Tecnologia e Inovação.

AGRADECIMENTOS





Ao Prof. Dr. Isak Kruglianskas e ao Prof. Dr. Paulo Lourenção pela orientação e

disponibilidade de compartilhar seus conhecimentos conosco.





A cada um dos entrevistados cuja colaboração foi fundamental para a execução deste

trabalho.





Às nossas famílias que ao longo do curso nos apoiaram e incentivaram.





A todos que, de uma forma ou de outra, nos auxiliaram na realização da presente

monografia.

RESUMO



A gestão do conhecimento (GC) tem se mostrado uma das disciplinas mais

valorizadas pelas empresas voltadas às atividades de pesquisa e desenvolvimento

(P&D). Não somente estas empresas, mas todas as que buscam um diferencial

competitivo, baseado em inovação, aprendizado constante e reaproveitamento de

experiências passadas, têm se preocupado com o tema. Universidades e centros de

pesquisa não são diferentes e também procuram aprimorar suas atividades e alcançar

seus resultados através do gerenciamento do conhecimento.



À luz desta evidente tendência (na verdade, realidade), este trabalho foi idealizado e

estruturado de forma a permitir que pessoas não familiarizadas com o tema tenham

condições de iniciar seus estudos, norteados por informações objetivas, baseadas em

literatura reconhecida e em renomados pesquisadores.



A revisão bibliográfica procura destacar, além dos conceitos teóricos ligados à gestão

do conhecimento, as principais práticas e ferramentas de GC atualmente utilizados. A

forma como é analisada a literatura, através da divisão dos aspectos de GC em

categorias, procura facilitar a compreensão do tema.



A análise das três empresas escolhidas pelos autores visa, de forma simples e

objetiva, identificar e apresentar os principais aspectos de GC usados nos

departamentos de P&D destas importantes empresas atuantes no cenário nacional.

Além disso, as recomendações feitas às empresas procuram relacionar os dados

apresentados pelos entrevistados às informações colhidas na literatura. Não existe

pretensão alguma de corrigir a forma com que as empresas atuam em relação à GC.

Tenta-se apenas identificar oportunidades de melhoria, que se aplicadas, podem

auxiliar as empresas a otimizar os resultados proporcionados pela GC.



Como mencionado anteriormente este é um tema atualmente em evidência dentro das

empresas, universidades e centros de pesquisa, no Brasil e no Mundo e todos os

esforços para que as teorias, práticas e fundamentos de GC sejam disseminados são

bem-vindos.

ABSTRACT



The knowledge management (KM) has been considered one of the most valuable

disciplines for the companies focused on research and development (R&D) activities.

Not only these companies, but all the ones that search for a competitive differential,

established in innovation, continuous learning and reuse of past experiences, have

been worried about this subject. Universities and research centers are not different

and also look for improving their activities and achieving their results through the

management of the knowledge.



Considering this evident trend (actually, reality), this work was idealized and

structured in a way that people, which are not familiar with this subject, may initiate

their studies, guided by straight-to-the-point information, based on renowned

literature and important researchers.



The revision of the available literature highlights theoretical concepts of knowledge

management besides KM main tools and practices currently used. The way the

literature is analyzed, through the division of the aspects of KM in categories, intends

to facilitate the understanding of the subject.



The analysis of three companies, chosen by the authors, aims - through a simple and

objective methodology - identify and present the main aspects of KM used in R&D

centers of these major corporations, which are currently operating in the national

market. Moreover, some recommendations are made to the companies trying to

correlate the data presented by the interviewed professionals to the information

available in the literature. Proposing such improvement opportunities is not to point

out any lack of efficiency. It is just to identify initiatives that may help the companies

to optimize the results obtained through KM.



As mentioned before this is an important subject that is currently in evidence inside

the companies universities and research centers, in Brazil and around the world. All

efforts to disseminate the theories, practices and KM fundamentals are welcome.

SUMÁRIO









1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 1

1.1. Contextualização da Gestão de Conhecimento (GC) ........................................ 1

1.2. Objetivos ............................................................................................................ 3

1.3. Justificativas....................................................................................................... 4

1.4. Organização da Monografia............................................................................... 4

2. FUNDAMENTOS, PRÁTICAS E FERRAMENTAS DE GC ........................... 5

2.1. Aspectos gerais da GC ....................................................................................... 6

2.2. Práticas, Ferramentas e Resultados de GC Apontados na Literatura ................ 8

2.3. Análise Crítica da Literatura ............................................................................ 15

3. METODOLOGIA DA PESQUISA .................................................................... 19

3.1. Tipologia da Pesquisa ...................................................................................... 19

3.2. Etapas e Atividades Realizadas ....................................................................... 19

4. ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES COLETADAS............................................ 21

4.1. Categorização das Ferramentas e Práticas Encontradas na Literatura ............. 21

4.2. Resultados e Análise das Entrevistas ............................................................... 24

4.2.1 Informações da Empresa Alfa ................................................................... 24

4.2.1.1 Caracterização da empresa: .................................................................... 24

4.2.1.2 Características da unidade de P&D: ....................................................... 24

4.2.1.3 Perfil dos entrevistados: ......................................................................... 25

4.2.1.4 Práticas identificadas:............................................................................. 25

4.2.1.5 Síntese do caso: ...................................................................................... 29

4.2.2 Informações da Empresa Beta ................................................................... 31

4.2.2.1 Caracterização da empresa: .................................................................... 31

4.2.2.2 Características da unidade de P&D: ....................................................... 31

4.2.2.3 Perfil dos entrevistados: ......................................................................... 32

4.2.2.4 Práticas identificadas:............................................................................. 32

4.2.2.5 Síntese do caso: ...................................................................................... 34

4.2.3 Informações da Empresa Gama ................................................................. 35

4.2.3.1 Caracterização da empresa: .................................................................... 35

4.2.3.2 Características da unidade de P&D: ....................................................... 36

4.2.3.3 Perfil do entrevistado: ............................................................................ 36

4.2.3.4 Práticas identificadas:............................................................................. 36

4.2.3.5 Síntese do caso: ...................................................................................... 38

4.3. Análise Comparativa dos Casos ...................................................................... 39

4.4. Oportunidades de melhoria nas empresas pesquisadas.................................... 41

4.4.1 Empresa Alfa: ............................................................................................ 41

4.4.2 Empresa Beta: ............................................................................................ 43

4.4.3 Empresa Gama:.......................................................................................... 44

5. COMENTÁRIOS E CONCLUSÕES ................................................................. 46

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................... 48

1



Este capítulo contextualiza a Gestão de

Conhecimento e explica os objetivos e

as justificativas desta monografia, assim

como a forma como ela está organizada.









1. INTRODUÇÃO



1.1. Contextualização da Gestão de Conhecimento (GC)



Capturar, preservar, organizar e proporcionar acesso ao conhecimento não são

atividades recentes. Nas bibliotecas, desde as mais antigas, sempre houve estas

preocupações. As séries de tabletes de barro encontradas nas ruínas de antigas

cidades da Mesopotâmia também podem ser vistas como uma espécie de esforço de

gestão do conhecimento (Terra e Gordon, 2002).



“Apesar de não ser uma novidade, o conceito de gestão do conhecimento está sendo

esquematizado e tornado disponível de uma nova forma através das novas

tecnologias, meios de comunicação e técnicas” (Terra e Gordon, 2002).



A partir da segunda metade do século XX, e com maior ênfase a partir dos anos 70,

têm-se observado tendências econômicas, sociais e tecnológicas, tais como: crescente

globalização, rápida evolução dos meios de comunicação, barateamento e

universalização da informação e a diminuição do ciclo de vida de produtos, entre

outras. Estas tendências têm levado as empresas a focarem mais e mais recursos para

diferenciar seus produtos e serviços visando à sobrevivência em um mercado cada

vez mais competitivo (Prusak, 2001; Terra e Gordon, 2002). Neste cenário, as

empresas com maior capacidade de aprender e colocar o aprendizado a serviço da

inovação terão maior possibilidade de se perpetuar (Terra, 2005 e Ambrecht et al.,

2001).



Os modelos de gerenciamento já consagrados e amplamente usados desde o início do

século passado, focados basicamente na administração de recursos tangíveis, como

capital e bens de produção, não têm a mesma eficácia quando usados para gerenciar

recursos intangíveis, como o conhecimento. Assim, torna-se necessária uma nova

forma de gestão, com outras prioridades e perspectivas para se criar riqueza no

século XXI (Prusak, 2006).

2









Segundo Ambrecht et al. (2001), neste mundo turbulento e em rápida transformação

em que vivemos, cada organização enfrenta o desafio de como melhor gerenciar seus

ativos de conhecimento para gerar valor para o mercado e obter vantagem

competitiva. Tal vantagem é decorrente de capacidades especiais que são raras,

valiosas, insubstituíveis e custosas de imitar. Historicamente, o foco estava nas

capacidades relacionadas aos ativos tangíveis. Atualmente, o conhecimento é

largamente reconhecido como a principal fonte de vantagem competitiva, sendo que

os ativos tangíveis representam a manifestação física de, apenas, parte deste

conhecimento. Segundo Prusak (2006), esta mudança de foco pode ser evidenciada

pelo volume de recursos aplicados - isto é: atualmente se gasta tanto com tangíveis

quanto com intangíveis. Há 10 anos a proporção era de quatro para um.



Terra e Gordon (2002) também destacam que as companhias estão percebendo que o

recurso de conhecimento se tornou a chave para estabelecer vantagens competitivas

duradouras e que se consolidam por si próprias. Esta percepção, ligada aos avanços

na tecnologia da informação, levou ao surgimento da GC como uma disciplina ou

uma preocupação explícita em muitas organizações.



Corroborando com esta perspectiva, Krogh et al. (2001), observam que desde o início

da década de 90 a gestão do conhecimento se tornou um assunto vibrante. Destacam,

também, que pesquisadores, consultores e a mídia especializada têm aconselhado as

empresas a encarar a gestão do conhecimento como fonte de vantagem competitiva, a

se concentrar nas necessidades dos trabalhadores do conhecimento e construir um

ambiente fecundo ao aprendizado, capaz de atender às demandas da economia pós-

industrial da informação.



Um marco para iniciar a linha do tempo da gestão do conhecimento pode ser a

conferência organizada por Prusak e outros colegas, em Boston, em 1993 - a primeira

especialmente dedicada à gestão do conhecimento. Muitos dos conferencistas

tentaram definir conhecimento organizacional, diferenciando-o de dados e

informações. Porém, para os participantes, conhecimento parecia ser algo “residual”,

aquilo que “sobra” para explicar a produtividade após se levar em conta todos os

outros fatores. Como o assunto ainda era muito novo e havia poucos trabalhos

práticos, a maioria das discussões ainda foi teórica (Prusak, 2001).

3









Com o passar do tempo a gestão do conhecimento tem sido mais e mais difundida e

praticada nas empresas, tanto públicas quanto privadas. Livros e artigos sobre o tema

têm sido publicados e cada vez mais profissionais, das mais diversas áreas, se

preocupam com o tema. Atualmente o assunto é discutido em todo o mundo e,

embora ainda haja divergências conceituais, é consenso que a competência no

gerenciamento do conhecimento - ou do fluxo de conhecimento - se mostra

fundamental no desenvolvimento e na geração de riqueza nas organizações e,

também, nos países.



Ambrecht et al. (2001) afirmam que algumas organizações de pesquisa e

desenvolvimento (P&D) têm obtido significantes resultados através da aplicação de

princípios de GC para promover o fluxo de conhecimento interno e de informações

externas. Além disso, ressaltam que a função P&D necessita de um foco diferente

daquele demandado por outras áreas, especificamente no que tange o

desenvolvimento de livre acesso ao conhecimento tácito das pessoas. Destacam,

ainda, que o campo da gestão de conhecimento recebe crescente atenção de empresas

e universidades, uma vez que as organizações estão se desdobrando para desenvolver

estratégias para gerenciar seu conhecimento de forma mais proativa e estratégica.









1.2. Objetivos



Esta monografia tem como objetivo analisar algumas das principais referências

bibliográficas disponíveis sobre o tema GC e identificar as principais práticas e

ferramentas de GC mencionadas nesta literatura.



Também se objetiva a comparação das ferramentas e práticas de GC mencionadas na

literatura com aquelas utilizadas nas áreas de P&D de três empresas de grande porte

que atuam no Brasil. Para tanto, foram estabelecidos critérios de classificação das

práticas e ferramentas, procurando facilitar os processos de comparação e análise.



Outro objetivo do trabalho é o de identificar oportunidades de melhoria nas três

empresas pesquisadas e analisadas.

4









1.3. Justificativas



Os autores identificaram vários motivos que justificam a realização deste trabalho

(considerando o tema GC em P&D). Os principais são:



• Necessidade de se apresentar um material consolidado com os principais

fundamentos, práticas e ferramentas de GC abordados por algumas das

principais referências bibliográficas existentes atualmente.



• Oportunidade de analisar e apresentar a situação atual de GC de algumas das

principais empresas que realizam importantes atividades de P&D no Brasil

(atividades em segmentos de tecnologia de ponta).



• Oportunidade de comparar as práticas e ferramentas de GC de algumas

empresas que realizam P&D com as práticas e ferramentas mencionadas na

literatura.







1.4. Organização da Monografia



O capítulo “Fundamentos, Práticas e Ferramentas da GC” apresenta conceitos gerais

de GC e cita as principais práticas e ferramentas encontradas na literatura consultada.

Também mostra os resultados obtidos com a aplicação de GC em empresas ao redor

do mundo.



No capítulo “Metodologia da Pesquisa” descreve-se o tipo de pesquisa realizada e as

etapas desenvolvidas durante o trabalho.



O capítulo “Análise das Informações Coletadas” aborda a categorização feita para as

ferramentas e práticas encontradas na literatura e para aquelas encontradas nos

departamentos de P&D de três empresas brasileiras de grande porte. Além disso, este

capítulo apresenta as similaridades e diferenças entre as empresas e lista

oportunidades de melhoria para cada uma delas.



No capítulo “Comentários e Conclusões” são destacadas as principais conclusões

identificadas pelos autores, assim como possibilidades futuras de pesquisa em

relação ao tema.

5

Este capítulo apresenta os principais fundamentos, práticas e

ferramentas atualmente divulgados e aplicados nas

atividades de gestão de conhecimento.









2. FUNDAMENTOS, PRÁTICAS E FERRAMENTAS DE GC



Inicialmente devemos diferenciar os conceitos “informação” e “conhecimento”.

Aproveitamos a oportunidade para adicionar nesta diferenciação os conceitos de

“sinal” e “sabedoria”. Estes são os chamados conceitos primitivos da infoera1, e são

definidos por Zuffo (2003) como:



• Sinal: é o resultado em função do tempo de coleta, medição ou detecção de

qualquer grandeza física.



• Informação: é o resultado da coleta de sinais no instante correto.



• Conhecimento: é a forma e o método de utilização inteligente das

informações para a produção de bens.



• Sabedoria: é a utilização dos conhecimentos de forma ética, ponderada e

justa, em benefício de pessoas, comunidades e do meio ambiente, entre

outros.



Dados, informação e conhecimento também são diferenciados por Eck, C. D. (apud

Mertins et al., 2003): para dados e informação as questões típicas são: Quem? O quê?

Onde? Quando? Já para conhecimento, pergunta-se: Como? Por quê?



Vale reforçar que pedaços de informação só fazem sentido quando conectados,

colocados em um contexto e analisados através da óptica correta.



Segundo Terra e Gordon (2002), “o conhecimento não é compreendido, classificado

e medido facilmente, como um bem ou recurso, diferentemente de informação ou de

dados. Ele é invisível, intangível e difícil de ser imitado. Diferentemente dos bens

físicos, seu valor aumenta à medida que seu uso aumenta”.



Mertins et al. (2003) e Krogh et al. (2001) apontam, ainda, a distinção que se faz

entre conhecimentos explícitos e tácitos. Algumas formas de conhecimento podem



1

Infoera: segundo Zuffo é a era da informação e do conhecimento.

6









ser colocadas no papel, por meio de textos, desenhos e projetos – que são os

conhecimentos explícitos. Porém, há outras formas de conhecimento que podem ser

vinculadas aos sentidos, à expressão corporal, percepção individual, regras práticas e,

também, intuição – são os conhecimentos tácitos.



Krogh et al. (2001) ressaltam que “admitir o valor do conhecimento tácito e

descobrir como utilizá-lo é o principal desafio da empresa criadora de conhecimento.

O conhecimento tácito talvez pareça por demais misterioso para ser aplicado de

maneira útil e consistente em situações de negócios, mas essa característica de

mutabilidade e de especificidade em relação ao contexto é o que o transforma em

ferramenta poderosa para a inovação. O desafio consiste em criar condições para o

desenvolvimento dessa fonte criativa, em vez de ignorá-la e amordaçá-la”.



Embora seja difícil de definir – como visto até aqui – todos sabem, intuitivamente, o

que é conhecimento. “Se você o tem, provavelmente, entenderá as circunstâncias e

saberá qual a coisa certa a fazer. Se não o tiver, terá problemas” (Wenger, 2004).









2.1. Aspectos gerais da GC



O primeiro aspecto a ser mencionado é a relação existente entre gestão do

conhecimento e tecnologia da informação (TI). Algo que deve ficar claro é que GC

não se faz puramente com ferramentas de TI. Gestão do conhecimento envolve, sim,

aspectos tecnológicos, mas depende, muito fortemente, da atitude das pessoas. A

priorização da identidade das pessoas é fundamental em um processo de criação de

conhecimento.



Entretanto, quando se pensa em priorizar a identidade das pessoas, deve-se ter em

mente o paradoxo existente entre o que a empresa deve impor aos funcionários

(como job e roles descriptions e decisões top-down) e o que a empresa deve

incentivar, estimular nos funcionários (espírito criativo e atitudes inovadoras). É

claro que existe uma tensão entre estas forças e é extremamente difícil para um

gestor balancear esta situação.

7









Outro aspecto é que o ambiente tem influência direta sobre o processo de criação e

compartilhamento do conhecimento. A forma como a empresa se relaciona com seus

colaboradores, as formas como os gestores estimulam os seus subordinados e a forma

como as pessoas de maneira geral se inter-relacionam, afetam diretamente diversos

pontos do processo de GC em uma empresa.



O conhecimento tende a misturar as experiências das pessoas com as teorias

existentes sobre os temas explorados. Em alguns casos, um passa a ser mais

importante que o outro. Em outros casos, o contrário. O importante é que estas duas

parcelas estejam sempre presentes.



Para que experiências sejam transferidas é fundamental que, antes de tudo, se

construa uma relação de confiança entre as partes que compartilharão

conhecimentos. Sem laços sólidos de confiança, a troca será superficial e todo o

processo de troca poderá ser prejudicado.



Discussões entre as pessoas são fundamentais para o compartilhamento de

conhecimento. Além disso, o aprendizado também ocorre quando algo novo é trazido

para o grupo e debatido abertamente. Sendo aceito ou recusado, a interação

proporcionada pelo item trazido coloca em debate as competências e as experiências

das pessoas, algo tido como fundamental no processo de compartilhamento do

conhecimento.



Algo que ainda está enraizado na cabeça de algumas pessoas é o medo de perder

poder ao expor algum tipo de conhecimento. O que deve ser enfatizado pelas

empresas no momento de estimular a troca de experiências entre as pessoas é que,

trocar conhecimento com um colega só fará aumentar o seu próprio conhecimento,

exatamente por se ter a oportunidade de ouvir um ponto de vista adicional sobre o

tema em discussão.

8









Um outro aspecto a ser abordado é que a GC como disciplina é algo muito recente e

envolve diferentes áreas. Assim, ainda não há uma definição de consenso para gestão

de conhecimento. Segundo os autores Terra e Gordon (2002):



“A GC, em seu sentido mais atual, pode ser considerada como o esforço para

melhorar o desempenho humano e organizacional por meio da facilitação de

conexões significativas. Isto é:



a) Garantir que todos dentro da organização tenham acesso ao conhecimento

da organização, quando, onde e na forma em que necessitam e;



b) Ajudar e motivar que detentores de conhecimentos importantes

compartilhem seus conhecimentos, tornando mais simples o processo para

estes indivíduos codificarem parte de seu conhecimento e/ou colaborarem

com os outros.”









2.2. Práticas, Ferramentas e Resultados de GC Apontados na Literatura



Como mencionado por muitos especialistas em GC, não existe uma receita pronta

para se implementar uma filosofia de gestão de conhecimento em uma empresa. O

que existe é um conjunto conhecido de práticas e ferramentas já utilizadas ao redor

do mundo e que pode servir de referência àqueles que desejam iniciar estratégias

relacionadas à GC.



A seguir são listadas algumas das principais práticas e ferramentas de GC que foram

assim identificadas na literatura. Esta lista não tem a pretensão de enumerar os itens

em uma seqüência de importância, crescente ou decrescente. Além disso, percebe-se

que muitas práticas e ferramentas estão inter-relacionadas ou que são, na essência,

subprodutos de outras práticas e ferramentas. O objetivo desta lista é mostrar o que

as empresas, de forma geral, têm feito sobre as principais práticas e ferramentas de

GC. Este material foi baseado em Prusak (2001), Terra e Gordon (2002), Figueiredo

(2005) e Terra (2005).

9









 Portal Corporativo: É um site interno da empresa que provê acesso a

informações corporativas e aplicativos que a organização torna disponível aos

seus colaboradores. São usados, também, como apoio às iniciativas de gestão

de conhecimento baseadas em recursos de TI. Como exemplos, podem ser

citados:



i. Acesso às Comunidades de Prática (veja definição a seguir), aos

fóruns de discussão e aos cursos à distância (e-learning);



ii. Disseminação de melhores práticas e lições aprendidas;



iii. Repositórios de documentos.



 Sistemas de publicação e documentação: São, basicamente, bancos de dados

localizados em drives de rede ou em ambientes de correio eletrônico ou

baseados em aplicações web.



 Banco de dados de lições aprendidas: Exemplo particular de banco de dados

onde lições aprendidas em projetos passados podem ser armazenadas para

posterior consulta.



 Banco de dados com melhores práticas: Exemplo particular de banco de

dados onde melhores práticas identificadas por especialistas ou em projetos

passados podem ser armazenadas para posterior consulta.



 Universidades corporativas e Programas de treinamento: Planos de

treinamento personalizados são fundamentais, pois cada funcionário tem suas

necessidades e deficiências. Uma universidade corporativa abre grandes

possibilidades para todos os funcionários da empresa e tende a reduzir os

gastos com treinamentos convencionais (presenciais, por exemplo).



 Comunidades de Prática: Conceito originalmente cunhado por Etienne

Wenger. Tais comunidades são grupos de discussão formados por pessoas

com interesses comuns e que participam voluntariamente do grupo. Podem

agregar apenas pessoas da empresa como podem contar com a participação de

10









fornecedores, clientes e instituições de pesquisa. São fundamentais à livre

troca de idéias entre especialistas nos temas a que se destinam as

comunidades. Ajudam a resolver problemas de forma rápida e ajudam no

compartilhamento e retenção do conhecimento.



 Comunidades virtuais: Estas comunidades funcionam como as comunidades

de práticas só que potencializam a interação entre muitas pessoas,

especialmente por utilizar recursos eletrônicos de comunicação e troca de

experiências.



 Programa de compartilhamento de conhecimento com universidades e

institutos de pesquisa: Universidades e institutos de pesquisa formam outro

importante elo da cadeia de geração de conhecimento. As empresas têm

procurado se conectar a estas instituições de forma a colaborar com a geração

de novos conhecimentos e a utilizar experiências passadas.



 Sistema de compartilhamento de conhecimento com fornecedores e clientes:

Conhecimento externo, relevante à atividade da empresa, precisa ser

capturado e colocado à disposição para uso. Fornecedores e clientes são

fontes inesgotáveis de conhecimentos ligados aos produtos e serviços

oferecidos pela empresa.



 Ferramentas de busca: Sistema eletrônico de procura de dados e informações,

capaz de identificar todos os documentos armazenados e relacionados ao

tema sobre o qual a busca se destina.



 Sistema de e-mail: É atualmente a principal ferramenta para a comunicação

escrita entre as pessoas.



 Sistemas de colaboração: Tratam-se de, por exemplo, fóruns eletrônicos de

discussão e blogs, entre outros.

11









 Páginas amarelas: Aplicativo que contém os principais dados dos

funcionários da empresa. Nome, telefone, e-mail, departamento, função atual,

conhecimentos e interesses profissionais e pessoais, são algumas das

informações possíveis de serem catalogadas e que podem facilitar o

estabelecimento de uma conexão importante entre duas pessoas.



 Sistema de mensagem instantânea: Possibilita a comunicação escrita imediata

entre duas ou mais pessoas através da troca de pequenas mensagens.



 Mapas de habilidades dos funcionários: Permitem a gestão dos departamentos

por competências. Árvores de habilidades e conhecimento de um

departamento são fundamentais para a identificação de funcionários-chave,

para a identificação de funcionários com baixo desempenho e também para a

determinação de treinamentos requeridos, entre outras aplicações.



 Política de identificação, contração e retenção de talentos: Deve fazer parte

da política de RH da empresa. Talentos são fundamentais à manutenção dos

negócios da empresa. Identificá-los, contratá-los e retê-los deve ser o dia a

dia dos gestores.



 Política de recompensas e premiações: Reconhecimento pelo

compartilhamento do conhecimento e reconhecimento por atitudes

inovadoras também são fundamentais nos dias de hoje. As pessoas precisam

ser reconhecidas para que repitam no futuro atitudes e posturas positivas.



 Avaliação e pagamento por competências: Faz parte da política de

reconhecimento da empresa. Os funcionários devem ser avaliados e

recompensados da forma mais objetiva possível. Sabendo-se as competências

de uma pessoa e a aplicação destas no dia a dia da empresa, a compensação

do indivíduo acaba sendo facilitada.

12









 Plano de sucessão: É o processo de definir e preparar substitutos para

profissionais que ocupam posições-chave na empresa. Fundamental para

qualquer organização, em todos os níveis hierárquicos (de diretores a

engenheiros e pesquisadores). O cuidado de ter substitutos tenta minimizar os

efeitos de eventuais saídas ou promoções de funcionários.



 Programa de especialistas internos e externos: Parte da estratégia de páginas

amarelas, os especialistas da empresa precisam ser conhecidos e devem ser

acessados pelos demais funcionários. Este programa oficializa para toda

organização (ou à toda cadeia relacionada) os especialistas em cada tema, que

poderão ser consultados quando se fizer necessário. Fornecedores e clientes

podem ser envolvidos neste processo.



 Programa de mentores: Funcionários experientes podem auxiliar funcionários

mais novos (de empresa ou de departamento) nas tarefas do dia a dia,

acelerando a integração dos mais novos através da contínua troca de idéias.



 Programa de coaching: Muito similar ao programa de mentores só que é

caracterizado por ser, de certa forma, mais formal, com reuniões periódicas

para o acompanhamento da evolução de quem está recebendo o coaching. É

mais aplicado aos profissionais de nível gerêncial.



 Políticas de publicação e participação em eventos especializados: A

participação em congressos, seminários e palestras, como autor ou ouvinte,

deve ser cada vez mais reforçada nas empresas. Compartilhar conhecimento

potencializa a sua utilização. Conhecimento não se perde, se multiplica.



 Controle de propriedade intelectual: Patentes devem ser registradas sempre

que novas idéias forem identificadas. Esta é uma das melhores formas de se

catalogar e proteger o conhecimento.



 Celebrações: Todas as conquistas devem ser exaltadas e comemoradas. As

celebrações devem ser utilizadas como forma de reconhecimento individual e

coletivo.

13









 Cultura de inovação: A identificação e aplicação de conhecimentos devem ser

estimuladas continuamente. A empresa deve incentivar ações inovadoras.

Elas são fundamentais nos dias atuais.



 Fomento à prática do diálogo: As pessoas devem ser incentivadas a falar suas

opiniões abertamente. Conflitos devem ser bem administrados e considerados

como oportunidades de aprendizado para ambas as partes.



 Layout voltado ao compartilhamento do conhecimento: A disposição das

mesas dos funcionários e gerentes, a localização das impressoras e das

máquinas de café e a existência ou não de uma área interna para o convívio

dos funcionários é determinante na criação de novos laços e,

conseqüentemente, ao melhor compartilhamento dos conhecimentos.



 Mapeamento e automatização de processos: Trata-se da identificação das

tarefas rotineiras e a sua automatização através de sistemas eletrônicos com o

objetivo de reduzir os custos envolvidos. As empresas precisam saber, por

departamento, o fluxo dos dados, informações e conhecimentos que entram e

saem de cada atividade e processo.



 Processo de sugestões: Idéias devem ser capturadas e analisadas. O processo

de sugestões formaliza esta cultura, permitindo que todas as pessoas

exponham suas opiniões sobre temas não diretamente ligados às suas

atividades rotineiras.



 Boletim eletrônico: Forma de comunicação entre a alta diretoria e o restante

da empresa, em geral através do Portal Corporativo. Todo e qualquer tipo de

informação pode ser divulgado, nivelando todos os funcionários, criando um

ambiente de transparência e incentivando o comprometimento de todos.









Um levantamento realizado por Terra (2005) apresenta os resultados obtidos por

algumas empresas através de iniciativas relacionadas à Gestão do Conhecimento,

conforme mostrado a seguir na Tabela 1.

14









Tabela 1 – Resultados obtidos com a aplicação de práticas e ferramentas de GC





Empresa Objetivo ou Projeto Resultados Apresentados



Expectativa de economia

Foco em comunidades de

Caterpillar projetada de US$ 75 milhões

prática

entre 2003 e 2008



Redução de 50% no tempo de

Hill & Portal colaborativo interno e integração de novas empresas

Knowlton com clientes Vitórias em importantes

concorrências



Lockheed Melhores práticas em Economia de US$ 2,6 bilhões /

Martin engenharia, operações, etc ano



Transferência de melhores Economia de US$ 34 milhões /

Ford

práticas em manufatura ano



Estudos de casos e lições Economia de US$ 5 milhões /

SAS

aprendidas ano



Compartilhamento de

Economia de US$ 330 milhões

Siemens soluções técnicas e propostas

em 2001

de vendas



Melhores práticas em

Texaco Economia de US$ 100 milhões

engenharia



Economia de US$ 15 milhões /

Troca de idéias em assistência ano

Xerox

técnica

350.000 problemas / ano









Em um outro estudo conduzido por Terra e Gordon (2002) é mostrado como 12

empresas - nacionais e estrangeiras, de diversos setores econômicos - implementaram

a ferramenta “Portal de Conhecimento Corporativo - PdCC”. Conforme concluíram

os autores, de um modo geral, as empresas pesquisadas buscaram, primordialmente,

os seguintes objetivos:

15









 Aumentar a colaboração e o compartilhamento de conhecimento entre

diferentes funções e escritórios localizados em diferentes regiões;



 Apoiar o desenvolvimento de Comunidades de Prática;



 Treinar e habilitar novos funcionários a agirem rapidamente;



 Facilitar a busca de conhecimento previamente desenvolvido.







2.3. Análise Crítica da Literatura





Os destaques apresentados pelos pesquisadores da área de Gestão do Conhecimento

são muito similares. Os dois pontos fundamentais citados por eles são:





 Gestão do Conhecimento não se resume às ferramentas de TI. As ferramentas

de TI podem ser facilitadoras de uma estratégia de GC.



 A cultura da empresa e a atitude das pessoas devem ser fortemente voltadas

ao compartilhamento do conhecimento. Sem o completo envolvimento de

todos, os resultados obtidos com as estratégias de GC serão minimizados.





A literatura enfatiza que a Gestão do Conhecimento procura dar um novo foco à

forma como uma empresa é administrada. O “olhar financeiro” continua sendo

importante, mas manter as atenções voltadas ao capital intelectual da empresa e

como ele é utilizado, ganha espaço primordial sob a óptica da GC.





As referências analisadas que tratam de estratégias na implantação de GC enfatizam

que o envolvimento da alta diretoria em todas as etapas é primordial e que o foco

principal deve ser no desenvolvimento de uma cultura organizacional voltada ao

compartilhamento do conhecimento dentro da empresa e nas pessoas envolvidas

neste processo. Existem muitas ferramentas e práticas de GC disponíveis, mas, nos

casos de sucesso apresentados pela literatura, vê-se claramente que houve uma

16









atenção especial durante todo o trabalho de implementação da estratégia, não apenas

no início dos trabalhos.





Alguns pesquisadores reforçam que o sucesso efetivo da GC está intimamente ligado

ao comportamento humano e, por esta razão, os gestores das estratégias de GC

devem procurar entender a forma como o cérebro humano adquire e transforma

conhecimento. Só assim as melhores práticas e ferramentas poderão ser selecionadas

e aplicadas de forma efetiva.





A geração de conhecimento é, em alguns casos, relacionada aos chamados

“momentos de reflexão”. As pessoas precisam estar bem instaladas fisicamente

(layout adequado do escritório, por exemplo) e motivadas a colaborar para que as

novas idéias apareçam.





O compartilhamento do conhecimento mostra-se fortemente dependente das relações

de empatia e confiança existentes entre as pessoas participantes do processo de troca

de conhecimento. Os gestores devem trabalhar para aumentar a conectividade entre

as pessoas. Elas devem conversar e se relacionar continuamente. Uma empresa que

incentiva a geração de idéias está criando uma cultura de inovação. Ela abre desta

forma um canal onde as pessoas se sentem valorizadas por suas idéias.





De forma geral, a literatura menciona que uma estratégia de GC pode ser

implementada sobre duas linhas de raciocínio:





 A primeira considera uma mudança do modelo organizacional e mental da

empresa. Esta seria uma abordagem geral.



 A segunda considera a focalização em objetivos específicos. Esta seria uma

abordagem localizada em necessidades específicas (precisa-se, por exemplo,

melhorar o compartilhamento do conhecimento em um determinado

processo).

17









Enfim, o que se observa na literatura analisada é que, apesar de não haver um modelo

único de implementação de GC ou uma receita pronta a ser seguida, os

pesquisadores, de uma forma geral, concordam nos pontos principais relacionados ao

tema e, também, sobre as principais práticas e ferramentas disponíveis. Uma lista do

que é continuamente mencionado e recomendado pelos artigos e livros que tratam

deste tema foi compilada pelo grupo e pode ser encontrada a seguir:





 Trabalhar junto à alta diretoria para ter o apoio dos vice-presidentes e

diretores. Os desafios são muitos e a alta administração precisa estar

totalmente envolvida neste processo, desde o início.





 Ter o mapeamento das habilidades e competências de cada funcionário,

identificando as experiências passadas, os conhecimentos adquiridos, as

lições aprendidas e os anseios profissionais e pessoais. Este mapa permitiria

identificar as pessoas-chave na empresa, traçar planos para elas e,

conseqüentemente, para os departamentos relacionados. Como mencionado

anteriormente as pessoas são peça-fundamental nas estratégias de GC.





 Trabalhar para aumentar a conectividade entre as pessoas, cultivando o

relacionamento entre elas. Empatia leva à confiança que leva ao

compartilhamento natural do conhecimento.





 Aperfeiçoar o layout dos escritórios. Uma área de convivência é fundamental

para que as pessoas tenham um local neutro para se encontrar e trocar idéias.

O ambiente contribui bastante para a efetiva troca de opiniões e de

conhecimento.

18









 Um programa de mentores e um programa de incentivo aos especialistas

internos e externos (algumas empresas chamam estas pessoas de “gurus”) é

algo continuamente recomendado pela literatura. Estas duas entidades fazem

com que os conhecimentos não facilmente mensuráveis sejam trocados e que

as pessoas mais novas e menos experientes tenham acesso fácil aos

especialistas.





 Políticas de RH são muito importantes, como por exemplo, a forma como as

contratações são realizadas, os meios para se identificar e reter os talentos e

as políticas de remuneração e reconhecimento ao trabalho das pessoas.





 Incentivar a geração de idéias, criando uma cultura de inovação na empresa.

As pessoas devem se sentir valorizadas por darem e compartilharem suas

idéias.





 Incentivar a participação ativa dos gerentes, pesquisadores e engenheiros em

congressos e seminários. Estes eventos são excelentes para a troca de

experiências e o aumento de networking.





 Implementar ferramentas adequadas de TI. Os Portais Corporativos têm sido

amplamente utilizados atualmente e muitas empresas têm otimizado suas

operações a partir da implementação destas aplicações. Intranet com

navegação amigável, ferramentas de busca eficientes, sistemas de integração

de informações internas e externas, banco de dados de lições aprendidas e

boas práticas, sistemas de mensagem instantânea, blogs, páginas amarelas,

ambientes virtuais para fóruns de discussões e universidade corporativa são

alguns exemplos de ferramentas mencionadas pela literatura disponível.

19



Este capítulo apresenta a metodologia da pesquisa

e as etapas realizadas para a obtenção das

informações coletadas nas entrevistas.









3. METODOLOGIA DA PESQUISA



3.1. Tipologia da Pesquisa



Esta monografia foi fundamentada em uma investigação empírica, podendo ser

classificada como “estudo de caso”. Conforme definido por Martins e Lintz (2000)

esta técnica de pesquisa visa o estudo de um ou mais sujeitos, analisados dentro de

seu contexto real, com o objetivo de compreendê-los em seus próprios termos.



No presente trabalho, procurou-se levantar as práticas e ferramentas de GC mais

utilizadas nas empresas analisadas através de entrevistas realizadas com pessoas

ligadas às áreas de P&D destas organizações.









3.2. Etapas e Atividades Realizadas



a) Levantamento das práticas e ferramentas de GC citadas na literatura: Foi

efetuada pesquisa bibliográfica para se identificar as ferramentas e práticas

mais comumente utilizadas para gestão do conhecimento;



b) Divisão das práticas e ferramentas de GC em categorias: As práticas e

ferramentas de GC encontradas na literatura foram divididas em categorias.

Em princípio, tais categorias também foram usadas para categorizar as

práticas e ferramentas indicadas pelos entrevistados;



c) Seleção dos casos: Para o estudo de caso, foram selecionadas três empresas

considerando sua estrutura de P&D e o grande potencial para o

desenvolvimento de estratégias na área de gestão do conhecimento. Apesar de

não revelados os nomes das empresas (o que foi solicitado pelas mesmas),

tratam-se de empresas líderes em seus segmentos de atuação;



d) Seleção dos entrevistados: Foram entrevistadas pessoas ligadas aos

departamentos responsáveis por P&D em cada uma das empresas;

20









e) Condução das entrevistas: As entrevistas foram conduzidas pessoalmente ou

por telefone e as questões que serviram de referência aos entrevistados e

entrevistadores foram: “Quais são as práticas e ferramentas de GC utilizadas

pela sua empresa?” e “Descreva sucintamente cada uma delas”.



Nota: O grupo tomou o cuidado de ter uma conversa inicial sobre o tema,

explicando brevemente os conceitos elementares de GC e mencionando

algumas das práticas e ferramentas muito difundidas atualmente na grande

maioria das empresas, considerando o fato dos entrevistados não serem

especialistas em GC. Esta conversa inicial foi fundamental para a boa

evolução das entrevistas e a obtenção de dados relevantes. Algo importante a

ser mencionado é que, apesar desta conversa inicial, o grupo procurou

permitir a livre expressão dos entrevistados, evitando, ao máximo, interferir

nas respostas cedidas.



f) Análise das informações coletadas nas entrevistas: As práticas e ferramentas

citadas durante as entrevistas foram classificadas à luz de semelhante

categorização realizada com os dados de literatura (item b). Além disso,

foram feitas comparações entre as práticas e ferramentas de GC adotadas

pelas empresas analisadas e entre estas e aquelas apresentadas na literatura.

Em seguida, foram feitas sugestões de melhoria para cada empresa.

21



Este capítulo apresenta as informações coletadas

nas empresas analisadas e analisa este material sob

a óptica dos conceitos teóricos apresentados.









4. ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES COLETADAS



As seguintes etapas foram cumpridas com o intuito de analisar as informações

coletadas, tanto na literatura quanto nas entrevistas realizadas:



 As ferramentas e práticas citadas na literatura foram divididas por afinidade,

em categorias.



 As feramentas e práticas citadas pelos entrevistados foram divididas por

afinidade, também em categorias.



 Analisou-se brevemente cada uma das empresas e os comentários mais

pertinentes foram apresentados nos itens “Síntese do Caso”.



 Identificaram-se as similaridades e diferenças nas práticas e ferramentas

utilizadas pelas três empresas através de uma análise comparativa dos casos.



 Identificaram-se oportunidades de melhoria na forma com que cada empresa

utiliza os conceitos de GC.









4.1. Categorização das Ferramentas e Práticas Encontradas na Literatura



Procurou-se analisar as práticas e ferramentas apresentadas no item 2.2 e agrupá-las

em categorias, por afinidade, visando melhor comparação entre os dados obtidos na

literatura e aqueles provenientes das pesquisas de campo. Foram definidas quatro

categorias, assim denominadas:



 Tecnologia de Informação



 Compartilhamento de Conhecimento



 Cultura & Infra-estrutura



 Políticas de Recursos Humanos

22









Tais agrupamentos foram definidos com base nos objetivos ou filosofias centrais de

cada prática ou ferramenta, conforme descrito a seguir. Pode haver ferramentas e

práticas que se enquadram em mais de uma categoria, porém, procurou-se escolher a

característica mais influente em cada item citado.



a) Tecnologia de Informação - Nesta categoria foram agrupadas as ferramentas

usadas no gerenciamento de informações:





 Banco de dados de lições aprendidas e melhores práticas



 Boletim eletrônico



 Ferramentas de busca



 Portais Corporativos



 Sistemas de colaboração



 Sistema de e-mail e de mensagem instantânea



 Sistemas de publicação e documentação



 Páginas amarelas



b) Compartilhamento de Conhecimento - Esta categoria agrupa práticas que

favorecem e/ou controlam o fluxo de conhecimento dentro da empresa e, também, da

empresa com outras instituições:



 Comunidades de prática



 Comunidades virtuais



 Controle de propriedade intelectual



 Políticas de publicação e participação em eventos especializados



 Programa de especialistas internos e externos



 Programa de mentores e coaching



 Sistema de compartilhamento de conhecimento com fornecedores, clientes,

universidades e institutos de pesquisa



 Universidades corporativas e programas de treinamento

23









c) Cultura & Infra-estrutura - Mostram como a empresa é. Isto é: o que

valoriza, seu modo de agir interna e externamente e, também, como está organizada -

desde suas instalações até o organograma:



 Celebrações



 Cultura de inovação



 Fomento à prática do diálogo



 Layout voltado ao compartilhamento do conhecimento



 Mapeamento e automatização de processos



 Processo de sugestões



d) Políticas de Recursos Humanos - Como a empresa gerencia seu capital

humano. Esta categoria também poderia ser uma subdivisão de “Cultura e Infra-

estrutura”, porém, decidiu-se dar maior ênfase ao gerenciamento do capital humano

em uma categoria à parte.



 Avaliação e pagamento por competências



 Mapas de habilidades dos funcionários



 Plano de sucessão



 Política de recompensas e premiações



 Política de identificação, contração e retenção de talentos

24









4.2. Resultados e Análise das Entrevistas



4.2.1 Informações da Empresa Alfa



4.2.1.1 Caracterização da empresa:



A empresa Alfa atua em um segmento tecnológico altamente competitivo há mais de

100 anos e conta com vários centros de engenharia espalhados pelo mundo. No total

são mais de 10.000 engenheiros trabalhando com pesquisa e desenvolvimento,

interagindo diariamente com outros engenheiros, dentro e fora de seus centros de

desenvolvimento.



4.2.1.2 Características da unidade de P&D:



Como mencionado anteriormente, a empresa Alfa conta com vários centros de

engenharia espalhados pelo mundo. A área diretamente responsável pelo

desenvolvimento dos novos produtos é a Engenharia de Produtos, mas existem

outros departamentos envolvidos neste processo.



A Engenharia de Produtos é responsável por capturar dos departamentos de

Maketing e Design as características esperadas para o novo produto e materializá-lo

de forma a obter, além dos resultados de desempenho esperados, um custo

competitivo.



Vale mencionar que a engenharia desta empresa trabalha não somente com novos

produtos, mas também com projetos de melhoria de produtos correntes.

25









4.2.1.3 Perfil dos entrevistados:



Foram entrevistados 09 profissionais da área de Engenharia de Produtos. Destes, 08

atuam no centro de engenharia localizado no Brasil e 01 localizado em um dos

centros de engenharia localizados no exterior. Todos os respondentes trabalham na

empresa há pelo menos cinco anos, atuantes na área de P&D. Tratam-se de líderes de

projeto e/ou engenheiros sêniores reconhecidos dentro da empresa por suas

capacidades gerencial e técnica.









4.2.1.4 Práticas identificadas:



Foram identificadas as seguintes ferramentas de Gestão do Conhecimento aplicadas

às atividades de P&D:



› Intranet: A empresa conta com uma boa rede de computadores com acesso a

uma Intranet formada por mais de 2.200 sites. Dentre eles estão os sites com

informações de engenharia, fundamentais às atividades de Pesquisa e

Desenvolvimento da empresa.



› Portal Corporativo: Existe um portal corporativo que serve de ponto de

partida para os demais web sites da empresa. Além disso, este portal é

utilizado para a atualização dos funcionários quanto ao andamento das

operações da empresa.



› Ferramenta de Busca do Portal Corporativo: O “Search Engine” está

disponível na intranet da empresa Alfa.



› Sistema Repositório de Dados de Engenharia: Existe um banco de dados

exclusivo ao armazenamento de desenhos de peças, especificações de

engenharia e documentos relativos aos processos de quotação de

fornecedores.

26









› Sistema de Correio Eletrônico – Lotus Notes®: Sistema convencional de troca

de e-mails, equipado com comandos de gerenciamento e categorização de

mensagens.



› Bancos de Dados baseados em Lotus Notes®: Existem inúmeros bancos de

dados baseados no software Lotus Notes.



› Drive Compartilhado para cada Departamento: Drive específico, existente em

cada departamento, utilizado para o armazenamento de informações de

programas em andamento e, muitas vezes, utilizado para o armazenamento de

especificações técnicas e documentos relativos aos processos de quotação de

fornecedores.



› Drive Compartilhado entre Departamentos: Drive utilizado para o

armazenamento e compartilhamento de informações de programas em

andamento, entre os vários grupos de trabalho da empresa.



› Sistema de Publicação de Informações: Banco de dados com estrutura similar

à do aplicativo Windows Explorer, utilizado para o armazenamento de

qualquer tipo de informação. Algumas pessoas utilizam este banco de dados

para o armazenamento de Lições Aprendidas, Melhores Práticas e

especificações técnicas.



› Sistema de Mensagem Instantânea: O sistema de troca de mensagens

instantâneas tem sido disponibilizado à todos os engenheiros.



› Banco de dados “Memória Técnica”: Este banco de dados está localizado na

intranet e contem várias informações técnicas, lições aprendidas e melhores

práticas.



› Lista Telefônica na Intranet: Existe um banco de dados na intranet que

contem as informações básicas de cada funcionário. Nele podem ser

encontrados: nome completo, responsabilidades atuais, foto, telefone, área em

que trabalha, lista de subordinados, nome do gestor e áreas de interesse e/ou

conhecimento.

27









› Times Globais de discussão técnica: Existem vários times globais, separados

por tipos de sistemas, que se reúnem periodicamente (quinzenalmente, por

exemplo) para nivelar os vários centros de engenharia do mundo em relação à

novas especificações técnicas requeridas, novas lições aprendidas e novas

melhores práticas desenvolvidas, entre outros itens. Todas as regiões são

representadas por pelo menos um engenheiro, que leva informações da sua

região ao time global e fica responsável por retornar aos seus colegas locais o

que foi discutido no time global.



› Fóruns Globais de Diretorias Técnicas: São similares aos Times Globais só

que reúnem os diretores de engenharia. O intuito é promover o nivelamento

entre as camadas decisórias das várias regiões.



› Repositório de Lições Aprendidas: Banco de dados localizado na base

“Memória Técnica” e que reúne a maioria das lições aprendidas pelas várias

regiões.



› Repositório de Boas Práticas: Banco de dados localizado na base “Memória

Técnica” e que reúne a maioria das boas práticas desenvolvidas pelas várias

regiões.



› Catálogo de Soluções de Engenharia: Banco de dados que reúne informações

técnicas de peças e sistemas prontos, já em utilização pela empresa. Este

banco de dados foi iniciado com o intuito de suportar a estratégia de

reutilização de peças e hoje reúne milhares de componentes que podem ser

consultados via intranet.



› Sistema de acompanhamento de problemas técnicos: Existe um sistema para

o acompanhamento da resolução de problemas técnicos que também atua

como banco de dados que relaciona problemas e respectivas soluções. Este

sistema está disponível via Lotus Notes e mostra-se fundamental ao

andamento dos projetos em andamentos.

28









› Programa de Mentores: Trata-se de uma iniciativa recente na empresa Alfa.

Especialistas em determinados sistemas são designados Mentores de novos

funcionários. O objetivo do programa é acelerar o processo de integração dos

novos funcionários e aumentar o rendimento deles, já nos primeiros dias de

empresa.



› Programa Interno de Sugestões: Através de um processo formal, qualquer

funcionário pode sugerir mudanças em instalações, processos e produtos. As

boas idéias são reconhecidas através da entrega de brindes ou de prêmios em

dinheiro (os valores podem chegar a US$ 3.000).



› Programa de Treinamentos Internacionais: Diversos engenheiros têm passado

por treinamentos técnicos (de até 3 meses) em outras regiões. O objetivo é

migrar determinados conhecimentos de uma região para outra, buscando

nivelá-las tecnicamente. Os engenheiros treinados, após retornarem às suas

regiões, ficam responsáveis por disseminar seus novos conhecimentos a

outros engenheiros. Acabam trabalhando como multiplicadores.



› Universidade Corporativa: A empresa Alfa possui uma universidade

corporativa, com cursos on-line e presenciais. A grande maioria dos cursos

está disponível 24 horas por dia, 7 dias da semana e não precisa de qualquer

tipo de aprovação da gerência do funcionário. Existem cursos corporativos,

técnicos, administrativos e comportamentais, entre outros.



› Web sites com análises de produtos dos concorrentes: São vários os web sites

que contêm informações relevantes sobre os produtos concorrentes

comercializados. Qualquer pessoa da área de P&D tem acesso à estas

informações, que podem ser utilizadas como benchmarking.



› Política de Retenção de Informações: A empresa Alfa possui uma política

clara de retenção de documentos e informações. Todos os funcionários foram

treinados e auditorias internas podem ocorrer a qualquer momento com o

intuito de monitorar a situação em cada departamento.

29









› Estratégia de Centralização de Conhecimento: Esta é uma estratégia

recentemente lançada na empresa Alfa. Especialistas globais, espalhados

pelos vários centros de desenvolvimento da empresa, ficarão responsáveis por

tudo que se diz respeito aos componentes projetados pela Engenharia. Estes

especialistas ficarão responsáveis pelas especificações de novas peças, pelo

acompanhamento da nomeação de novos fornecedores e pela definição das

peças que serão utilizadas em novos projetos, entre outras coisas. A empresa

aposta fortemente nesta estratégia para alavancar seus resultados na área de

P&D e os funcionários enxergam uma grande oportunidade para que o

conhecimento existente em toda a empresa migre para um ponto focal,

facilitando o desenvolvimento de novos projetos.









4.2.1.5 Síntese do caso:



A empresa Alfa não possui um time dedicado responsável por GC. Apesar de serem

várias as estratégias que, de alguma forma, se relacionam à teoria de GC, não se

observou qualquer convergência no sentido de se integrar as ferramentas e práticas e

de tirar todo o proveito do conhecimento disponível na empresa.



Na visão dos entrevistados, a utilização de ferramentas e práticas de GC deveria ser

maximizada para que a empresa tenha condições de atingir, mais facilmente, seus

objetivos de redução do tempo de desenvolvimento de novos produtos, melhoria de

qualidade dos produtos correntes e futuros e a redução dos custos de

desenvolvimento de produtos.



Todos os entrevistados foram enfáticos na manifestação de apoio à Estratégia de

Centralização de Conhecimento, onde especialistas globais, espalhados pelos vários

centros de desenvolvimento da empresa, ficarão responsáveis por tudo que se diz

respeito aos componentes projetados pela Engenharia. Todos acreditam que o futuro

da empresa, no que tange P&D, será diferente após a implentação desta estratégia.

30









As ferramentas que os entrevistados apontaram como as de maior uso no

desempenho de suas funções puderam ser classificadas nas quatro categorias

apresentadas no item 4.1 (Categorização das Ferramentas e Práticas Encontradas na

Literatura).





a) Tecnologia da Informação: Intranet, Portal Corporativo, Ferramenta de

Busca do Portal Corporativo, Sistema Repositório de Dados de Engenharia,

Sistema de Correio Eletrônico, Bancos de Dados Baseados em Lotus Notes,

Drives Compartilhados, Sistema de Publicação de Informações, Sistema de

Mensagem Instantânea, Banco de Dados de Memória Técnica, Lista

Telefônica na Intranet, Repositório de Lições Aprendidas, Repositório de

Boas Práticas, Catálogos de Solução de Engenharia, Web sites com Análises

de Produtos dos Concorrentes.





b) Compartilhamento do Conhecimento: Times Globais de Discussão Técnica,

Fóruns Globais de Diretorias Técnicas, Sistema de Acompanhamento de

Problemas Técnicos, Programas de Mentores, Programa de Treinamentos

Internacionais,Universidades Corporativas, Política de Retenção de

Informações, Estratégia de Centralização de Informações.





c) Cultura & Infra-estrutura: Programa Interno de Sugestões.





d) Políticas de Recursos Humanos: para esta categoria não foi citada nenhuma

ferramenta ou prática.

31









4.2.2 Informações da Empresa Beta



4.2.2.1 Caracterização da empresa:



A empresa Beta atua no setor de bens de capital há mais de 30 anos e, atualmente, é

uma das líderes no seu segmento. Nesta empresa a pesquisa e o desenvolvimento

tecnológico são fundamentais para que seus produtos se tornem cada vez mais

atrativos e competitivos, uma vez que, no mercado em que atua, os produtos têm

elevadas exigências de desempenho e segurança.



A pesquisa e o desenvolvimento têm foco tanto nos processos quanto nos produtos,

visando: redução de custos de manufatura, melhoria da qualidade nos processos,

produtos e serviços, além de redução dos custos operacionais dos clientes.









4.2.2.2 Características da unidade de P&D:



As atividades de pesquisa e desenvolvimento são responsabilidades da área de

Desenvolvimento Tecnológico. Suas principais atribuições são:



a) Efetuar estudos conceituais e pré-projeto de novos produtos;



b) Capturar, armazenar e distribuir informações tecnológicas relativas ao

mercado de atuação da empresa;



c) Coordenar cooperações da empresa com entidades de ensino e pesquisa e,

também, fornecedores;



d) Coordenar os projetos de desenvolvimento tecnológico.



A Engenharia participa ativamente nos projetos de desenvolvimento tecnológico,

desde a prospecção e elaboração de orçamentos e cronogramas, passando pela

execução das etapas do projeto e divulgação dos resultados obtidos. Com isso, as

informações e conhecimentos adquiridos ficam disponíveis para consulta e as

inovações em materiais, processos e projetos podem ser incorporados aos produtos

da empresa.

32









4.2.2.3 Perfil dos entrevistados:



As informações sobre as ferramentas usadas em P&D para gestão do conhecimento

na empresa Beta foram obtidas através de entrevistas com 6 profissionais das áreas

de Engenharia e Desenvolvimento Tecnológico. Todos ocupam cargos de gerência

ou liderança e trabalham há mais de cinco anos na empresa.









4.2.2.4 Práticas identificadas:



Os entrevistados apontaram as seguintes ferramentas de Gestão do Conhecimento:



› Intranet: Existem sites da empresa para veicular informações de caráter geral,

como: benefícios, informativos da Diretoria aos empregados e lista telefônica

interna. Além disto, também estão disponíveis sites com informações

específicas de engenharia e páginas com informes sobre desenvolvimentos

tecnológicos dentro e fora da empresa, entre outros.



› Sistema Integrado de Bibliotecas: Sistema que fornece informações sobre a

localização de livros e artigos técnicos e científicos, dentro e fora da empresa,

permitindo o fácil acesso aos documentos.



› Portal Corporativo: O portal corporativo permite o acesso aos demais web

sites da empresa. Através deste portal, fornecedores também têm acesso a

conteúdos específicos, como, por exemplo, especificações técnicas.



› Arquivo de Relatórios Técnicos: Dentro do ambiente web ficam armazenados

os relatórios técnicos da engenharia. Esta base dá acesso aos documentos

através de um mecanismo de busca por autor, título e palavras-chave, entre

outros.



› Sistema de Correio Eletrônico: Programa de envio e recepção de mensagens

eletrônicas que também permite o gerenciamento e a categorização de

mensagens.

33









› Bancos de Dados: Ainda no ambiente de correio eletrônico existem bancos de

dados “locais”, onde são arquivados artigos técnicos, relatórios e normas.



› Drive Compartilhado para cada Departamento: Drive específico, existente em

cada departamento, utilizado para o armazenamento de informações de

programas e projetos.



› Drive Compartilhado entre Departamentos: Drive utilizado para o

armazenamento e compartilhamento de informações de programas em

andamento, entre os vários grupos de trabalho.



› Programa Interno de Sugestões: Os funcionários são estimulados a sugerir

mudanças em instalações, processos e produtos. As boas idéias são

reconhecidas através da entrega de brindes ou de prêmios em dinheiro.



› Programa de Trainees: Recém-formados, em geral engenheiros, são

selecionados e participam de um curso de pós-graduação, que dura de 18 a 24

meses, elaborado pela empresa em conjunto com uma entidade de ensino. As

aulas são dadas pelos professores da entidade de ensino e, também, por

profissionais experientes da empresa. Após o curso, os alunos são

encaminhados a diferentes áreas da empresa, de acordo com perfil de cada

um e das vagas disponíveis.



› Treinamentos Internos: Cursos de duração variada, em média, de 4 a 40

horas, nos quais são abordados desde assuntos técnicos e, também, de gestão.



› Fóruns Internos de Discussões Técnicas: Profissionais da empresa que

trabalham com uma determinada tecnologia se reúnem para discutir e analisar

“o estado da arte” desta tecnologia. Com isso, detectam-se pontos fortes e

fracos da empresa e se têm subsídios para a identificação de oportunidades e

ameaças. Estas reuniões não são periódicas, porém os resultados ficam

armazenados em site específico, na intranet.

34









› Relatórios de Participação em Congressos: Os participantes de congressos

registram os pontos mais relevantes do evento. Este registro fica disponível

na intranet para consulta.









4.2.2.5 Síntese do caso:



A empresa Beta atua no setor de bens de capital há mais de 30 anos e é uma das

líderes do segmento. A pesquisa e o desenvolvimento tecnológico são fundamentais

para tornar seus produtos cada vez mais atrativos e competitivos, uma vez que, no

mercado em que atua, os produtos têm elevadas exigências de desempenho e

segurança. A pesquisa e o desenvolvimento são coordenados pela área de

Desenvolvimento Tecnológico, e têm foco tanto nos processos quanto nos produtos.

As atividades de P&D são desenvolvidas internamente e, também, em parcerias com

universidades, centros de pesquisa e fornecedores.



Com relação às ferramentas e práticas de GC, os entrevistados ainda destacaram que:



 As ferramentas de arquivo e busca das informações deveriam ser mais

amigáveis para os usuários;



 Certas informações disponíveis nos bancos de dados nem sempre estão

completas;



 Em geral, são registradas apenas as iniciativas que deram certo;



 Não há uma lista com nome de pessoas-chave em cada assunto (páginas

amarelas).



Todas as ferramentas que os entrevistados apontaram puderam ser classificadas nas

quatro categorias criadas no item 4.1 (Categorização das Ferramentas e Práticas

Encontradas na Literatura), conforme mostrado a seguir:

35









a) Tecnologia da Informação: Intranet, Sistema Integrado de Bibliotecas, Portal

Corporativo, Arquivo de Relatórios Técnicos, Sistema de Correio Eletrônico,

Bancos de Dados, Drive Compartilhado para cada Departamento, Drive

Compartilhado entre Departamentos.





b) Compartilhamento do Conhecimento: Programa de Trainees, Treinamentos

Internos, Fóruns Internos de Discussões Técnicas e Relatórios de Participação

em Congressos.





c) Cultura & Infra-estrutura: Programa Interno de Sugestões.





d) Políticas de Recursos Humanos: para esta categoria não foi citada nenhuma

ferramenta ou prática.









4.2.3 Informações da Empresa Gama



4.2.3.1 Caracterização da empresa:



A empresa Gama é uma companhia de tecnologia diversificada com presença

mundial nos mercados de consumo e escritório, display e comunicação gráfica,

elétricos e comunicações, cuidados com a saúde, industrial, produtos e serviços para

segurança, limpeza e proteção e transportes. É uma empresa que tem como

característica a cooperação entre as suas subsidiárias, em pesquisa, processos de

produção e propaganda dos produtos.



Tem operações em mais de 60 países - 29 subsidiárias com fábricas de produção e 35

subsidiárias com laboratórios. Vende seus produtos em quase 200 países e conta com

mais de 69.000 funcionários no mundo todo.

36









4.2.3.2 Características da unidade de P&D:



Sua área de P&D está organizada em seis grupos de negócios, os quais compartilham

recursos tecnológicos, de manufatura, de marketing e outros, aumentando sua

velocidade e eficiência para atender clientes em mais de 40 segmentos de mercado.









4.2.3.3 Perfil do entrevistado:



Foi entrevistado o Diretor responsável por um importante departamento ligado à área

de pesquisa e desenvolvimento no Brasil. Este profissional tem mais de dez anos de

empresa.



4.2.3.4 Práticas identificadas:



Foram identificadas as seguintes ferramentas de Gestão do Conhecimento aplicadas

às atividades de P&D:



› Liberdade para pensar: Um dia livre por semana é dedicado para pensar e

desenvolver idéias próprias a critério do funcionário. Neste programa são

selecionados os mais experientes profissionais, com maior número de

contribuição para a empresa.



› Programa “Notebook”: Usado como uma espécie de memória técnica, onde

os profissionais registram todas as suas visitas técnicas. Todo conhecimento é

registrado e disponibilizado para os demais membros da organização.



› Fóruns Técnicos: Fóruns de disseminação do conhecimento. As informações

técnicas podem ser armazenadas e consultadas posteriormente. Nestes fóruns

é possível a colocação de questões que poderão ser respondidas por

especialistas de toda a corporação, espalhados pelas diversas unidades da

empresa, e por cientistas localizados no exterior.

37









› Biblioteca técnica: Biblioteca com acesso pela intranet onde se podem

consultar os mais variados temas, com sistema de busca por palavras-chave,

entre outros.



› Banco de dados de projetos: Base de dados de todos os projetos da empresa,

com dados registrados desde a idéia inicial ao lançamento do produto final.

Isto evita perda de tempo em projetos já estudados e arquivados e a repetição

de idéias já lançadas. Especialmente útil para os funcionários mais novos.



› Retenção de pessoas: Plano de carreira para as pessoas sêniores, com

possibilidade de chegar ao nível salarial de diretor, mesmo atuando em área

técnica. Isso garante a permanência de pessoas experientes na empresa. São

divididos em níveis de T1 a T6. O nível máximo de “senioridade” tem nível

salarial de diretor.



› Net-meeting®: Recurso de informática usado para conversação rápida, de

forma global.



› Feiras técnicas internas: Dia dedicado para a exposição de projetos e troca de

experiência. Neste dia o “dono” do projeto expõe a sua idéia e troca

experiências com vários especialistas de outras áreas da empresa.



› Troca de experiência internacional: Destinado ao desenvolvimento de idéias

com o apoio de cientistas do exterior. Candidatos com comprovada

contribuição em projetos de inovação são direcionados a este fórum

internacional de troca de experiência. Um cientista é colocado como mentor

deste funcionário.

38









4.2.3.5 Síntese do caso:



A Gama é uma empresa global de tecnologia diversificada que apresenta soluções

inovadoras para as necessidades do dia-a-dia de vários segmentos da sociedade.



Cada um dos seis grupos de negócios da empresa apresenta posição de liderança no

mercado global. A empresa investe aproximadamente 6,5% das vendas anuais em

pesquisa e desenvolvimento e possui 38 plataformas tecnológicas que juntas

produzem mais de 100 tecnologias básicas por ano.



A Gestão do Conhecimento no setor de P&D desta empresa é considerado diferencial

competitivo uma vez que liberdade para pensar e empreender são processos básicos

de sua gestão.



A retenção de pessoas experientes com resultados práticos comprovados e troca de

informações nos diversos segmentos do negocio são as características desta gestão,

que utiliza avançado sistema de retenção de talentos, garantindo a disseminação de

conhecimento e a não invenção da roda em seus novos projetos.



As ferramentas e práticas indicadas pelo entrevistado como as de maior uso no

desempenho de suas funções, puderam ser separadas nas quatro categorias criadas no

item 4.1 (Categorização das Ferramentas e Práticas Encontradas na Literatura):





a) Tecnologia da Informação: Banco de dados de projetos, biblioteca técnica,

programa “Notebook”, Net-meeting.





b) Compartilhamento do Conhecimento: Fóruns técnicos, feiras técnicas

internas e troca de experiência interacional.





c) Cultura & Infra-estrutura: Liberdade para pensar.





d) Políticas de Recursos Humanos: Retenção de pessoas.

39









4.3. Análise Comparativa dos Casos



Inicialmente, observa-se que as quatro categorias usadas na classificação das práticas

e ferramentas encontradas na literatura também foram adequadas à classificação dos

resultados obtidos em todas as entrevistas conduzidas.





Na Tabela 2 são mostrados os porcentuais, por categoria, das ferramentas e práticas

que os entrevistados apontaram em cada uma das empresas.







Tabela 2 – Porcentagem das práticas e ferramentas de GC em cada categoria





Compartilhamento de Cultura & Infra- Políticas de

Empresa TI (%)

Conhecimento (%) estrutura (%) RH (%)

Alfa 64 32 4 0



Beta 61 31 8 0



Gama 44 33 11 11









Como pode ser visto na tabela 2 e reforçado graficamente a seguir, na figura 1, a

maior parte das ferramentas e práticas indicadas pelos entrevistados se refere à

Tecnologia da Informação, seguida pelo Compartilhamento de Conhecimento. Este

tipo de situação (especialmente um maior foco em TI por parte das empresas) é

citado pela grande maioria das referências bibliográficas consultadas.

40









100%

90%

Políticas de RH

80%

70%

Cultura & Infra-

60%

estrutura

50%

Compartilhamento de

40%

Conhecimento

30%

20% Tecnologia de

Informação

10%

0%

Alfa Beta Gama







Figura 1 – Perfil de distribuição (%) das categorias de práticas e ferramentas de GC

nas empresas Alfa, Beta e Gama





Também foi observado que os entrevistados das empresas Alfa e Beta não

mencionaram nenhuma prática ou ferramenta relacionada à categoria Políticas de

Recursos Humanos, enquanto que na empresa Gama, foi citada uma prática nesta

categoria. Cultura & Infra-estrutura foi uma categoria pouco mencionada nas três

empresas.



Os perfis de distribuição apresentados acima evidenciam que os entrevistados das

empresas Alfa e Beta se preocupam mais com aspectos operacionais de GC,

enquanto que o entrevistado da empresa Gama apresenta uma preocupação mais

estratégica.



Percebeu-se, também, que nas três empresas as iniciativas de gestão de conhecimento

são, em grande parte, isoladas e não há uma preocupação corporativa com o tema.

Isto é reforçado pelo fato de serem citadas muitas ferramentas e práticas ligadas à TI

e ao Compartilhamento de Conhecimento, que são categorias nas quais as iniciativas

locais podem ser levadas à diante com maior facilidade. As práticas ligadas a

Políticas de RH e Cultura & Infra-estrutura, em geral, têm maior abrangência na

organização e dependem de iniciativas da alta gerência. Vale acrescentar que a

empresa Gama apresenta uma maior estruturação da GC dentro do setor de P&D,

mas, ainda assim, a gestão de conhecimento não é pensada de modo corporativo.

41









Outro ponto a ser destacado é que, em todas as empresas, os entrevistados deram

maior ênfase ao armazenamento, distribuição e compartilhamento do conhecimento.

A geração, captação e aplicação (uso e reuso) do conhecimento foram pouco

mencionadas.









4.4. Oportunidades de melhoria nas empresas pesquisadas



4.4.1 Empresa Alfa:



Várias iniciativas interessantes foram capturadas durante as entrevistas conduzidas.

De qualquer forma, seguindo o objetivo deste capítulo, observam-se a seguir algumas

sugestões de melhoria à empresa Alfa. Vale mencionar que grande parte destas

sugestões foi baseada em manifestações dos próprios entrevistados.



Primeiramente as práticas e ferramentas de GC aplicadas pela empresa Alfa

deveriam ser totalmente integradas, compondo uma única estratégia. Esta estratégia

deveria ser corporativa e não isolada ou dependente de algumas pessoas.



Uma cultura de criação, identificação, captura, armazenamento e compartilhamento

de conhecimento deveria ser perseguida pela alta diretoria da empresa. Como

indicado pela literatura e continuamente mencionado pelos especialistas, sem o

envolvimento efetivo da alta gerência os efeitos das atividades de GC acabam sendo

minimizados.



Um departamento específico, voltado à gestão do conhecimento, deveria ser criado.

Este grupo estaria focado na determinação, implementação e monitoramento das

práticas e ferramentas de GC aplicadas à empresa.



Algumas sugestões mais específicas, relacionadas às práticas e ferramentas

anteriormente citadas, podem ser encontradas a seguir:

42









 Melhorar o funcionamento da Ferramenta de Busca da Intranet, pois, como

mencionado pela maioria dos entrevistados, em inúmeras buscas realizadas,

mesmo utilizando palavras-chave diretamente ligadas a um material

sabidamente existente na intranet, este material não é localizado.



 O Banco de Dados “Memória Técnica” deveria ser o único repositório de

dados para: especificações técnicas, melhores práticas e lições aprendidas.

Além disso, este banco de dados deveria ser mais utilizado pela empresa.

Percebeu-se durante as entrevistas que poucos engenheiros e pesquisadores

utilizam convenientemente esta ferramenta como fonte de consulta.



 Todas as regiões deveriam publicar suas lições aprendidas e melhores

práticas. Apenas uma parte do aprendizado é identificada, capturada e

armazenada.



 O programa de Mentores precisaria ser revisado. Atualmente não existem

objetivos claros e nem métricas de avaliação da evolução dos mentores e dos

“aprendizes“.



 Apesar da empresa Alfa ter uma lista telefônica com várias informações

interessantes dos funcionários, não existe um sistema de busca de

especialistas. Desta forma sugere-se a criação de um sistema de Páginas

Amarelas, ferramenta de GC muito difundida atualmente.



 Considerando o grande potencial técnico da empresa Alfa, sugere-se também

a criação de um programa de especialistas (alguns autores chamam isso de

programa de gurus). Este programa facilitaria a troca de experiências e

aceleraria o esclarecimento de dúvidas técnicas.



 Remodelamento do programa interno de sugestões - da forma como as idéias

são capturadas ao processo de recompensa.



 Rever a política de retenção de informações, principalmente facilitando a

catalogação.

43









 Rever algumas das políticas de RH, especialmente as relacionadas ao

mapeamentos das habilidades dos engenheiros e à identificação e retenção de

talentos.









4.4.2 Empresa Beta:



Segundo as informações coletadas durante as entrevistas, existem apenas iniciativas

isoladas de GC na empresa Beta - tanto no setor de P&D quanto nos demais

departamentos da organização. Para que houvesse melhor aproveitamento das

vantagens proporcionadas pela gestão de conhecimento, este assunto deveria ser uma

preocupação corporativa. Na prática, isto quer dizer que as políticas e incentivos à

criação, captura, compartilhamento, uso e reuso do conhecimento deveriam partir da

alta direção.



Além disso, poderia ser criado um departamento que centralizasse as iniciativas de

GC de toda a empresa, fazendo com que o conhecimento fosse disseminado mais

facilmente, tanto internamente quanto de fora para dentro. Outra possibilidade seria

atribuir esta função a um departamento já existente.



Com isso poderia haver maior agilidade no desenvolvimento de novas idéias,

gerando redução de custos e aumento na capacidade de inovar.



Deveriam ser criadas, também, métricas para avaliar o desempenho das práticas e

ferramentas, permitindo que fossem aprimoradas e se tornassem cada vez mais úteis

e fáceis de usar.



De acordo com os próprios entrevistados, as ferramentas de arquivo e busca das

informações deveriam ser mais amigáveis e os usuários deveriam ser incentivados a

colocar informações completas nos bancos de dados. Outras sugestões levantadas

durante as entrevistas foram:

44









 Registrar as iniciativas que não deram certo. Este também é um

conhecimento valioso, que deve ser aproveitado, evitando desperdício de

recursos. Por outro lado, as iniciativas que não deram certo em um

determinado período poderiam ser retomadas em uma nova oportunidade,

com outra abordagem ou ferramentas não disponíveis anteriormente.



 Criar uma lista de profissionais-chave para cada assunto (páginas amarelas).

Esta lista facilitaria a conexão entre os interessados por um determinado

tema, permitindo a formação de grupos dedicados - por exemplo:

Comunidades de Prática. Além disso, reduziria o tempo necessário para que

um conhecimento ou informação já disponível na empresa pudesse ser

acessado por outras pessoas.









4.4.3 Empresa Gama:



Pela comparação entre o que observamos na literatura e as respostas obtidas do

entrevistado da empresa Gama, pode-se considerá-la referência na Gestão do

Conhecimento tácito no setor de P&D. Além disso, as pessoas que trabalham na

organização são valorizadas pelo empreendedorismo e postura de inovação. Esta

empresa usa com intensidade as necessidades dos clientes para geração de novos

produtos e conhecimento.



Podemos citar a empresa Gama como umas das líderes na gestão de conhecimento

aplicado à P&D e inovação de produtos.



Por outro lado, a GC não é um processo corporativo nesta empresa e algumas

oportunidades de melhoria puderam ser identificadas:



 Compartilhamento de desenvolvimento tecnológico: diferentemente do que é

feito no desenvolvimento de produtos, na parte de tecnologia não existe

compartilhamento do conhecimento, que é feito por centros isolados em

algumas subsidiárias;

45









 Gestão corporativa da estratégia: por ser uma empresa com atuação

globalizada, a gestão estratégica não é corporativa o que causa descompasso

entre as tendências tecnológicas mundiais e os desenvolvimentos específicos

tratados isoladamente nas subsidiárias.

46



Este capítulo destaca as principais

descobertas realizadas pelo grupo assim

como relaciona as possibilidades futuras

de pesquisa em relação ao tema









5. COMENTÁRIOS E CONCLUSÕES





Este trabalho teve por objetivo identificar as principais práticas e ferramentas de

gestão do conhecimento citadas nas referências bibliográficas consultadas. Além

disso, também objetivou comparar estas ferramentas e práticas com aquelas

utilizadas nas áreas de P&D de três empresas de grande porte que atuam no Brasil e

apontar oportunidades de melhoria na GC destas empresas.



As práticas e ferramentas de gestão do conhecimento citadas na bibliografia foram

divididas em quatro categorias: Tecnologia da Informação, Compartilhamento do

Conhecimento, Cultura & Infra-Estrutura e Políticas de Recursos Humanos. Tais

categorias foram definidas de acordo com a filosofia central de cada prática ou

ferramenta. Estas mesmas categorias puderam ser usadas para a classificação das

ferramentas e práticas citadas pelos entrevistados das empresas, o que permitiu uma

melhor comparação entre a literatura e as informações coletadas nas entrevistas.





Segundo as informações obtidas, condensadas na tabela 2, grande parte das

ferramentas e práticas de GC nos departamentos de P&D das três empresas têm

como base a tecnologia da informação e o compartilhamento de conhecimento,

situação esta frequentemente descrita e analisada pela literatura consultada.





Também foi constatado não existir uma preocupação corporativa de GC nas

empresas analisadas. Os resultados da pesquisa mostraram que há apenas iniciativas

isoladas dos respectivos setores de P&D. Além desta, outras oportunidades de

melhoria detectadas para cada empresa estão destacadas no item 4.4.





Nota-se que o sucesso das empresas analisadas é dado, também, pela vantagem

competitiva obtida pela aplicação do conhecimento por elas gerado ao longo dos

últimos anos, pois, como destacado inicialmente nesta monografia, o capital

intelectual acumula e gera riquezas, cria competência e resultados.

47









Não se pode esquecer que conhecimento e colaboração andam juntos. Assim, torna-

se importante padronizar dados e informações para que estes possam ser facilmente

acessados e compartilhados. Além disso, conectar pessoas permite inovar, reusar,

criar e aliar conhecimento tático ao explícito para melhorar o desempenho das

organizações. Isto resulta em diferencial competitivo.



É importante salientar, também, que as empresas – em especial aquelas que lidam

com tecnologias de ponta – devem estimular a pesquisa e a inovação tecnológica. O

uso das ferramentas listadas neste trabalho pode facilitar estes processos.



Contudo, a maior mudança ainda é a cultural. As pessoas precisam assumir novos

papéis na empresa, compartilhando conhecimento, gerenciando novos processos e

trabalhando seu dia a dia por mudanças, convivendo com inovações, colaboração e

ao mesmo tempo competição, em um mundo globalizado.



Os autores entendem que este trabalho permitirá que pessoas não familiarizadas com

o tema tenham condições de iniciar seus estudos, norteados por informações

objetivas, baseadas em literatura reconhecida, renomados pesquisadores e dados

coletados em importantes empresas que atuam no mercado nacional.



Para futuras pesquisas relacionadas à gestão de conhecimento, recomenda-se

estender a análise das ferramentas e práticas de GC a outras áreas da empresa, como,

por exemplo, manufatura e planejamento estratégico, entre outros. Pode-se também

avaliar o grau de contribuição de cada ferramenta e prática de GC ao aumento da

competitividade das organizações.

48









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