Bullying Revista Nova Escola by EL81jF

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									Criança e Adolescente


Comportamento


21 perguntas e respostas sobre bullying

1. O que é bullying?


Mais sobre o tema


Reportagens


          Cyberbullying: a violência virtual
          Bullying: é preciso levar a sério ao primeiro sinal
          Tudo sobre bullying


Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O
termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania,
opressão, intimidação, humilhação e maltrato.

―É uma das formas de violência que mais cresce no mundo‖, afirma Cléo Fante, educadora e autora do livro "Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e
Educar para a Paz" (224 págs., Ed. Verus, tel. (19) 4009-6868 ). Segundo a especialista, o bullying pode ocorrer em qualquer contexto social, como escolas, universidades,
famílias, vizinhança e locais de trabalho. O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa. Além de
um possível isolamento ou queda do rendimento escolar, crianças e adolescentes que passam por humilhações racistas, difamatórias ou separatistas podem apresentar
doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade. Em alguns casos extremos, o bullying chega a afetar o estado emocional
do jovem de tal maneira que ele opte por soluções trágicas, como o suicídio.

Nos links, abaixo, você encontra respostas para as dúvidas mais recorrentes relativas ao tema. Como o tema suscita novos debates a cada dia, publicamos durante
dezembro um fórum com a consultora Adriana Ramos, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do curso de pós-graduação ―As
relações interpessoais na escola e a construção da autonomia moral‖, da Universidade de Franca (Unifran). Confira as perguntas dos internautas e as respostas da
especialista.


21 perguntas e respostas sobre bullying



 O que é (1 a 3)


1. O que é bullying?


2. O que não é bullying?


3. O bullying é um fenômeno recente?



 Por que ocorre (4 a 7)


4. O que leva o autor do bullying a praticá-lo?


5. O espectador também participa do bullying?


6. Como identificar o alvo do bullying?


7. Quais são as consequências do bullying para o alvo?



 Tipos de agressão (8 e 9)


8. O que é pior, o bullying com agressão física ou o bullying com agressão moral?


9. Qual a diferença entre jeito do bullying praticado por meninos e meninas?



 Atitudes do professor (10 a 12)


10. O que fazer em sala de aula?


11. Qual o papel do professor em conflitos fora da sala de aula?


12. O professor também é alvo de bullying?



 Atitudes do gestor (13 a 17)


13. O que fazer para evitar o bullying?
14. Como agir com os alunos envolvidos em um caso de bullying?


15. Como lidar com o bullying contra alunos com deficiência?


16. Como deve ser uma conversa com os pais dos alunos envolvidos no bullying?


17. O que fazer em casos extremos de bullying?



 Educação Infantil (18 e 19)


18. Bullying na Educação Infantil. É possível?


19. Como lidar com os conflitos na Educação Infantil?



 Cyberbullying (20 e 21)


20. O que é bullying virtual ou cyberbullying?


21. O que fazer para evitar o cyberbullying?


Comentários (63)


Andréa Cristina Pelegrini - Postado em 16/12/2010 23:56:51


Parabéns pelos comentários Joel. Sou professora de educação infantil e é vergonhosa a situação dos nossos professores. A falta de respeito é enorme, o medo de entrar
nas salas de aulas cresce a cada dia, e assim temos cada vez menos jovens interessados na carreira do magistério. É uma pena!


Joel Farias - Postado em 14/12/2010 04:32:50


MINHA RESPOSTA PARA José Claudio Mezzalira - Postado em 04/12/2010 03:56:50. FINALMENTE um leitor que entendeu a diferença entre AUTORIDADE E
AUTORITARISMO! Parabéns! Gostei muito do seu comentário. A idéia do pedestal não é ruim: é muito boa! Veja meus comentários logo abaixo: como e porque os países
que lideram o PISA estão nas primeiras posições do ranking mundial. Já vi que, embora estudante, apresentas excelentes conceitos quanto a educação e postura de um
professor na sala de aula. A mim me parece óbvio que o respeito pelos alunos é o ponto de partida e, se for correspondido, teremos um aprendizado excelente. Também
tenho bem claro que um professor que descarrega sua ira nos alunos NÃO DEVERIA SER PROFESSOR. É semelhante ao caso do sujeito que recebe uma crítica
contundente do seu chefe no escritório e, quando chega em casa, chuta o cachorro: obviamente um desvio grave de conduta. Gostaria de acrescentar uma idéia simples. O
professor pode ser exigente, bonzinho, camarada, algoz, qualquer coisa! Os alunos são capazes de aceitar: verdade! O professor só não pode ser INJUSTO! Vamos supor
que seu veículo está mal estacionado e um guarda de trânsito coloca uma multa no para-brisa (na sua frente) e vai embora. Então você olha os demais carros e nenhum
deles está multado: só o seu! O que você faz? Corre atrás do guarda e pergunta: porque você multou O MEU carro e não multou os OUTROS que TAMBÉM estão
estacionados em local proibido? Então, por analogia: seja "exigente" ou "bonzinho" mas seja JUSTO! O que vale para um aluno vale para todos. E, para finalizar, vou citar
um ditado: "O idealismo é a última luxúria da juventude". Você, é um jovem! Me lembras meus tempos de faculdade: idealista ao extremo. Vou fazer isto, fazer aquilo, alunos
motivados, alegres e interessados em aprender. Por favor não deixe de postar! Vou guardar o seu nome e terei imenso prazer em ler seus comentários depois que passares
uns 4 ou 5 anos na frente de uma sala de aula. Combinado?


Joel Farias - Postado em 14/12/2010 04:02:15


MINHA RESPOSTA PARA O SR. JEFERSON LAU DA SILVA - Postado em 03/12/2010 10:12:52. Sim, caro amigo! Podes me chamar de Joel. Mais uma vez retornando ao
comentário indignado da sra. Neciene (logo abaixo do seu): não vamos confundir AUTORIDADE com AUTORITARISMO (ou ditadura como preferem chamar). Não nos
esqueçamos que nos países líderes do PISA (OECD) Finlândia, Coreia do Sul, China(Hong-Kong), Singapura, Canadá, Nova Zelândia, Japão, etc. existe um silêncio total
nas salas de aula e os professores são respeitados como se fossem sacerdotes. E nós (Brasil estamos em 53º lugar!) acho que devemos aprender com eles, não é? Quanto
à preocupação que demonstraste com a evasão escolar eu ofereço uma quebra de paradigma, já postada em outra reportagem da Revista Escola (veja:
http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/como-manter-todos-escol a-evaso-abandono-gestao-escolar-556408.shtml). Não deixa de ser uma idéia interessante.


Publicado em Agosto 2009



2. O que não é bullying?


Discussões ou brigas pontuais não são bullying. Conflitos entre professor e aluno ou aluno e gestor também não são considerados bullying, pois são caracterizados como
uma agressão moral. Para Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp),
para ser dada como bullying, a violência precisa ser entre pares (colegas de classe ou trabalho, por exemplo), e apresentar quatro características: a intenção do autor em
ferir o alvo, a repetição da agressão, a presença de um público espectador e a concordância do alvo com relação à ofensa. ''Quando o alvo supera o motivo da agressão, ele
reage ou ignora, desmotivando a ação do autor'', explica a especialista.


3. O bullying é um fenômeno recente?


O bullying sempre existiu. No entanto, o primeiro a relacionar a palavra a um fenômeno foi Dan Olweus, professor da Universidade da Noruega. Ao estudar as tendências
suicidas entre adolescentes no fim da década de 70, o pesquisador descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido algum tipo de ameaça e que, portanto, o bullying era
um mal a combater.

A popularidade do fenômeno cresceu com a influência dos meios eletrônicos, como a internet e as reportagens na televisão, pois os apelidos pejorativos e as brincadeiras
ofensivas foram tomando proporções maiores. ―O fato de ter consequências trágicas, como mortes e suicídios, e a impunidade proporcionaram a necessidade de se discutir
de forma mais séria o tema‖, aponta Guilherme Schelb, procurador da República e autor do livro ''Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil'' (164 págs., Thesaurus Editora
tel. (61) 3344-3738).


4. O que leva o autor do bullying a praticá-lo?
O autor do bullying atinge o colega com repetidas humilhações ou depreciações porque quer ser mais popular, sentir-se poderoso e obter uma boa imagem de si mesmo. É
uma pessoa que não aprendeu a transformar sua raiva em diálogo e para quem o sofrimento do outro não é motivo para ele deixar de agir. Pelo contrário, sente-se satisfeito
com a opressão do agredido, supondo ou antecipando quão dolorosa será aquela crueldade vivida pela vítima.

''O autor não é assim apenas na escola. Normalmente ele tem uma relação familiar na qual tudo se resolve pela violência verbal ou física e ele reproduz isso no ambiente
escolar'', explica o médico pediatra Lauro Monteiro Filho, fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia). Sozinha, a
escola não consegue resolver o problema, mas é normalmente nesse ambiente que se demonstram os primeiros sinais de um praticante de bullying. ''A tendência é que ele
seja assim por toda a vida, a menos que seja tratado'', diz.


5. O espectador também participa do bullying?


É comum pensar que há apenas dois envolvidos no bullying: o autor e o alvo. Mas os especialistas alertam para um terceiro personagem fundamental: o espectador. Nem
sempre reconhecido como personagem atuante em uma agressão, ele é uma figura fundamental para a continuidade do conflito. O espectador típico é uma testemunha dos
fatos, pois não sai em defesa da vítima nem se junta aos autores. Quando recebe uma mensagem, não repassa. Essa atitude passiva pode ocorrer por medo de também ser
alvo de ataques ou por falta de iniciativa para tomar partido.

Os que atuam como plateia ativa ou como torcida, reforçando a agressão, rindo ou dizendo palavras de incentivo também são considerados espectadores. Eles
retransmitem imagens ou fofocas. Geralmente, estão acostumados com a prática, encarando-a como natural dentro do ambiente escolar. ''O espectador se fecha aos
relacionamentos, se exclui porque ele acha que pode sofrer também no futuro. Se for pela internet, por exemplo, ele ‗apenas‘ repassa a informação. Mas isso o torna um
coautor'', explica a pesquisadora Cléo Fante, educadora e autora do livro "Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz" (224 págs., Ed.
Verus, tel. (19) 4009-6868).


6. Como identificar o alvo do bullying?


O alvo costuma ser uma criança com baixa autoestima e retraída tanto na escola quanto no lar. ''Por essas características, é difícil esse jovem conseguir reagir'', afirma o
pediatra Lauro Monteiro Filho. Aí é que entra a questão da repetição no bullying, pois se o aluno procura ajuda, a tendência é que a provocação cesse.

Além dos traços psicológicos, os alvos desse tipo de violência costumam apresentar particularidades físicas. As agressões podem ainda abordar aspectos culturais, étnicos
e religiosos. ―Também pode ocorrer com um novato ou com uma menina bonita, que acaba sendo perseguida pelas colegas‖, exemplifica Guilherme Schelb, procurador da
República e autor do livro ''Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil'' (164 págs., Thesaurus Editora tel. (61) 3344-3738).


7. Quais são as consequências do bullying para o alvo?


O aluno que sofre bullying, principalmente quando não pede ajuda, enfrenta medo e vergonha de ir à escola. Pode querer abandonar os estudos, não se achar bom para
integrar o grupo e apresentar baixo rendimento. Uma pesquisa da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia) revela que 41,6%
das vítimas nunca procuraram ajuda ou falaram sobre o problema, nem mesmo com os colegas.

As vítimas chegam a concordar com a agressão, de acordo com Luciene Tognetta, doutora em Psicologia Escolar e pesquisadora da Faculdade de Educação da
Universidade Estadual de Campinhas (Unicamp). O discurso deles segue no seguinte sentido: "Se sou gorda, por que vou dizer o contrário?" Aqueles que conseguem reagir
podem alternar momentos de ansiedade e agressividade. Para mostrar que não são covardes ou quando percebem que seus agressores ficaram impunes, os alvos podem
escolher outras pessoas mais indefesas e passam a provocá-las, tornando-se alvo e agressor ao mesmo tempo.


8. O que é pior: o bullying com agressão física ou o bullying com agressão moral?


Ambas as agressões são graves e têm danos nocivos ao alvo do bullying. Por ter consequências imediatas e facilmente visíveis, a violência física muitas vezes é
considerada mais grave do que um xingamento ou uma fofoca. ''A dificuldade que a escola encontra é justamente porque o professor também vê uma blusa rasgada ou um
material furtado como algo concreto. Não percebe que a uma exclusão, por exemplo, é tão dolorida quanto ou até mais'', explica Telma Vinha, doutora em Psicologia
Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os jovens também podem repetir esse mesmo raciocínio e a
escola deve permanecer alerta aos comportamentos moralmente abusivos.


9. Existe diferença entre o bullying praticado por meninos e por meninas?


De modo geral, as ações dos meninos são mais expansivas e agressivas, portanto, mais fáceis de identificar. Eles chutam, gritam, empurram, batem. Já no universo
feminino o problema se apresenta de forma mais velada. As manifestações entre elas podem ser fofocas, boatos, olhares, sussurros, exclusão. "As garotas raramente dizem
por que fazem isso. Quem sofre não sabe o motivo e se sente culpada", explica a pesquisadora norte-americana Rachel Simmons, especialista em bullying feminino. Ela
conta que as meninas agem dessa maneira porque a expectativa da sociedade é de que sejam boazinhas, dóceis e sempre passivas. Para demonstrar qualquer sentimento
contrário, elas utilizam meios mais discretos, mas não menos prejudiciais. "É preciso reconhecer que as garotas também sentem raiva. A agressividade é natural no ser
humano, mas elas são forçadas a encontrar outros meios - além dos físicos - para se expressar", diz Rachel.


10. O que fazer em sala de aula quando se identifica um caso de bullying?


O papel do professor é fundamental. Ele pode identificar os atores do bullying: autores, espectadores e alvos. Claro que existem as brincadeiras entre colegas no ambiente
escolar. Mas é necessário distinguir o limiar entre uma piada aceitável e uma agressão. "Isso não é tão difícil como parece. Basta que o professor se coloque no lugar da
vítima. O apelido é engraçado? Mas como eu me sentiria se fosse chamado assim?", orienta o pediatra Lauro Monteiro Filho.

Ao surgir uma situação em sala, a intervenção deve ser imediata. "Se algo ocorre e o professor se omite ou até mesmo dá uma risadinha por causa de uma piada ou de um
comentário, vai pelo caminho errado. Ele deve ser o primeiro a mostrar respeito e dar o exemplo", diz Aramis Lopes Neto, presidente do Departamento Científico de
Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Veja os conselhos dos especialistas Cléo Fante e José Augusto Pedra, autores do livro ―Bullying Escolar‖ (132 págs., Ed. Artmed, tel; 0800 703 3444):
- Incentivar a solidariedade, a generosidade e o respeito às diferenças por meio de conversas, campanhas de incentivo à paz e à tolerância, trabalhos didáticos, como
atividades de cooperação e interpretação de diferentes papéis em um conflito.
- Desenvolver em sala de aula um ambiente favorável à comunicação entre alunos.
- Quando um estudante reclamar de algo ou denunciar o bullying, procurar imediatamente a direção da escola.


11. Qual o papel do professor em conflitos fora da sala de aula?


É papel da escola construir uma comunidade na qual todas as relações são respeitosas. O professor é um exemplo fundamental de pessoa que não resolve conflitos com a
violência. Não adianta, porém, pensar que o bullying só é problema dos educadores quando ocorre do portão para dentro.


''Deve-se conscientizar os pais e os alunos sobre os efeitos das agressões fora do ambiente escolar, como na internet, por exemplo'', explica Adriana Ramos, pesquisadora
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do curso de pós-graduação ''As relações interpessoais na escola e a construção da autonomia moral'', da
Universidade de Franca (Unifran). ''A intervenção da escola também precisa chegar ao espectador, o agente que aplaude a ação do autor é fundamental para a ocorrência
da agressão'', complementa a especialista.
12. O professor também é alvo de bullying?


Para ser considerada bullying, é necessário que a violência ocorra entre pares, como colegas de classe ou de trabalho. O professor pode, então, sofrer outros tipos de
agressão, como injúria ou difamação ou até física, por parte de um ou mais alunos.

Mesmo não sendo entendida como bullying, trata-se de uma situação que exige a reflexão sobre o convívio entre membros da comunidade escolar. Quando as agressões
ocorrem, o problema está na escola como um todo. Em uma reunião com todos os educadores, pode-se descobrir se a violência está acontecendo com outras pessoas da
equipe para intervir e restabelecer as noções de respeito.

Se for uma questão pontual, com um professor apenas, é necessário refletir sobre a relação entre o docente e o aluno ou a classe. ''O jovem que faz esse tipo de coisa
normalmente quer expor uma relação com o professor que não está bem. Existem comunidades na internet, por exemplo, que homenageiam os docentes. Então, se o aluno
se sente respeitado pelo professor, qual o motivo de agredi-lo?'', questiona Adriana Ramos, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e
coordenadora do curso de pós-graduação ―As relações interpessoais na escola e a construção da autonomia moral‖, da Universidade de Franca (Unifran).

O professor é uma autoridade na sala de aula, mas essa autoridade só é legitimada com o reconhecimento dos alunos em uma relação de respeito mútua. ''O jovem está em
processo de formação e o educador é o adulto do conflito e precisa reagir com dignidade'', afirma Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da
Faculdade de Educação da Unicamp.


13. O que fazer para evitar o bullying?


Todo ambiente escolar pode apresentar esse problema. "A escola que afirma não ter bullying ou não sabe o que é ou está negando sua existência", diz o pediatra Lauro
Monteiro Filho, fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia). O primeiro passo é admitir que a escola é um local
passível de bullying. Deve-se também informar professores e alunos sobre o que é o problema e deixar claro que o estabelecimento não admitirá a prática.

"A escola não deve ser apenas um local de ensino formal, mas também de formação cidadã, de direitos e deveres, amizade, cooperação e solidariedade. Agir contra o
bullying é uma forma barata e eficiente de diminuir a violência entre estudantes e na sociedade", afirma o pediatra.

A Abrapia sugere as seguintes atitudes para um ambiente saudável na escola:
- Conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou sugestões.
- Estimular os estudantes a informar os casos.
- Reconhecer e valorizar as atitudes da garotada no combate ao problema.
- Criar com os estudantes regras de disciplina para a classe em coerência com o regimento escolar.
- Estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros casos.
- Interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica do bullying.


14. Como agir com os alunos envolvidos em um caso de bullying?


A escola não pode legitimar a atuação do autor da agressão nem humilhá-lo ou puni-lo com medidas não relacionadas ao mal causado, como proibi-lo de frequentar o
intervalo. Ao mesmo tempo, o foco deve se voltar para a recuperação de valores essenciais, como o respeito pelo que o alvo sentiu ao sofrer a violência.

Já o alvo precisa ter a autoestima fortalecida e sentir que está em um lugar seguro para falar sobre o ocorrido. "Às vezes, quando o aluno resolve conversar, não recebe a
atenção necessária, pois a escola não acha o problema grave e deixa passar", alerta Aramis Lopes, presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do
Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Ainda é preciso conscientizar o espectador do bullying, que endossa a ação do autor. ''Trazer para a aula situações hipotéticas, como realizar atividades com trocas de
papéis, são ações que ajudam a conscientizar toda a turma. A exibição de filmes que retratam o bullying, como ''As melhores coisas do mundo'' (Brasil, 2010), da
cineasta Laís Bodanzky, também ajudam no trabalho. A partir do momento em que a escola fala com quem assiste à violência, ele para de aplaudir e o autor perde sua
fama'', explica Adriana Ramos, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do curso de pós-graduação ''As relações interpessoais na
escola e a construção da autonomia moral'', da Universidade de Franca (Unifran).


15. Como lidar com o bullying contra alunos com deficiência?


Esse tipo de bullying costuma ser estimulado pela falta de conhecimento sobre as deficiências, sejam elas físicas ou intelectuais, e, em boa parte, pelo preconceito trazido
de casa. Conversar abertamente sobre a deficiência derruba barreiras.

De acordo com a psicóloga Sônia Casarin, diretora do S.O.S. Down - Serviço de Orientação sobre Síndrome de Down, em São Paulo, é normal os alunos reagirem
negativamente diante de uma situação desconhecida. Cabe ao educador estabelecer limites para essas reações e buscar erradicá-las não pela imposição, mas por meio da
conscientização e do esclarecimento.

Não se trata de estabelecer vítimas e culpados quando o assunto é o bullying. Isso só reforça uma situação polarizada e não ajuda em nada a resolução dos conflitos.
Melhor do que apenas culpar um aluno e vitimar o outro é desatar os nós da tensão por meio do diálogo. A violência começa em tirar do aluno com deficiência o direito de
ser um participante do processo de aprendizagem. É tarefa dos educadores oferecer um ambiente propício para que todos, especialmente os que têm deficiência, se
desenvolvam. Com respeito e harmonia.


16. Como deve ser uma conversa com os pais dos alunos envolvidos no bullying?


Muitas vezes, a escola trata de forma inadequada os casos relatados por pais e alunos, responsabilizando a família pelo problema. É papel dos educadores sempre dialogar
com os pais sobre os conflitos – seja o filho alvo ou autor do bullying, pois ambos precisam de ajuda e apoio psicológico.

É preciso mediar a conversa e evitar o tom de acusação de ambos os lados. Esse tipo de abordagem não mostra como o outro se sente ao sofrer bullying. Deve ser
sinalizado aos pais que alguns comentários simples, que julgam inofensivos e divertidos, são carregados de ideias preconceituosas. ''O ideal é que a questão da reparação
da violência passe por um acordo conjunto entre os envolvidos, no qual todos consigam enxergar em que ponto o alvo foi agredido para, assim, restaurar a relação de
respeito'' explica Telma Vinha, professora do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).


17. O que fazer em casos extremos de bullying?


A primeira ação da escola é mostrar aos envolvidos que e por que não tolera determinado tipo de conduta. Nesse encontro, deve-se abordar a questão da tolerância ao
diferente e do respeito por todos, inclusive com os pais dos alunos envolvidos.

Mais agressões ou ações impulsivas entre os envolvidos podem ser evitadas com espaços para diálogo. Uma conversa individual com cada um funciona como um desabafo
e é função do educador mostrar que ninguém está desamparado. ''Os alunos e os pais têm a sensação de impotência e a escola não pode deixá-los abandonados. É mais
fácil responsabilizar a família, mas isso não contribui para a resolução de um conflito'', diz Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de
Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A especialista também aponta que a conversa em conjunto, com todos os envolvidos, não pode ser feita em tom de acusação. ''Deve-se pensar em maneiras de mostrar
como o alvo do bullying se sente com a agressão e chegar a um acordo em conjunto. E, depois de alguns dias, vale perguntar novamente como está a relação entre os
envolvidos'', explica Telma.
É também essencial que o trabalho de conscientização seja feito também com os espectadores do bullying, aqueles que endossam a agressão e os que a assistem
passivamente. Sem que a plateia entenda quão nociva a violência pode ser, ela se repetirá em outras ocasiões.


18. Bullying na Educação Infantil. É possível?


Entre as crianças menores, é comum que as brigas estejam relacionadas às disputas de território, de posse ou de atenção – o que não caracteriza o bullying. No entanto, o
problema pode ocorrer se houver a intenção de ferir ou humilhar o colega repetidas vezes. Por exemplo, se uma criança apresentar alguma particularidade, como não
conseguir segurar o xixi, e os colegas a segregarem por isso ou darem apelidos para ofendê-la constantemente, trata-se de um caso de bullying.


"Há estudos na Psicologia que afirmam que, por volta dos dois anos de idade, há uma primeira tomada de consciência de 'quem eu sou', separada de outros objetos, como
a mãe. E perto dos 3 anos, as crianças começam a se identificar como um indivíduo diferente do outro, sendo possível que uma criança seja alvo ou vítima de bullying. Essa
conduta, porém, será mais frequentes num momento em que houver uma maior relação entre pares, mais cotidiana e estabelecida com os outros'', explica Adriana Ramos,
pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do curso de pós-graduação As relações interpessoais na escola e a construção da
autonomia moral‖, da Universidade de Franca (Unifran).


19. Existe diferença para lidar com os conflitos na Educação Infantil?


A escola deve validar os princípios de respeito desde cedo. É comum que os pequenos briguem com o argumento de não gostar uns dos outros, mas o educador precisa
apontar que todos devem ser respeitados, independentemente de se dar bem ou não com uma pessoa, para que essa ideia não persista durante o desenvolvimento da
criança.

Por outro lado, o educador precisa ajudar o alvo da agressão a lidar com a dor trazida pelo conflito. A indignação faz com que a criança tenha alguma reação. ''Muitas vezes,
o professor, em vez de mostrar como resolver a briga com uma conversa, incentiva a paz sem o senso de injustiça, pois o submisso não dá trabalho'', ressalta Telma Vinha,
doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).


20. O que é bullying virtual ou cyberbullying?


O bullying também ocorre em meios eletrônicos, fenômeno conhecido como cyberbullying. Mensagens difamatórias ou ameaçadoras circulam por e-mails, sites, blogs (os
diários virtuais), redes sociais e celulares. É quase uma extensão do que dizem e fazem na escola, mas com o agravante de que as pessoas envolvidas não estão cara a
cara. Dessa forma, o anonimato pode aumentar a crueldade dos comentários e das ameaças e os efeitos podem ser tão graves ou piores. "O autor, assim como o alvo, tem
dificuldade de sair de seu papel e retomar valores esquecidos ou formar novos", explica Luciene Tognetta, doutora em Psicologia Escolar e pesquisadora da Faculdade de
Educação da Universidade Estadual de Campinhas (Unicamp).

Esse tormento que a agressão pela internet faz com que a criança ou o adolescente humilhado não se sinta mais seguro em lugar algum, em momento algum. Marcelo
Coutinho, especialista no tema e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), diz que esses estudantes não percebem as armadilhas dos relacionamentos digitais. "Para
eles, é tudo real, como se fosse do jeito tradicional, tanto para fazer amigos como para comprar, aprender ou combinar um passeio."


21. O que fazer para evitar o cyberbullying?


Mesmo sendo virtual, o cyberbulling precisa receber o mesmo cuidado do que o bullying e a dimensão dos seus efeitos deve sempre ser considerada.

Se crianças e adolescentes confiam nos adultos que os cercam, podem contar sobre os casos de bullying sem medo de represálias, como a proibição de redes sociais ou
celulares, uma vez que terão a certeza de encontrar ajuda. ''Mas, muitas vezes, as crianças não recorrem aos adultos porque acham que o problema só vai piorar com a
intervenção punitiva'', explica Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
É preciso ir além dos castigos pontuais e trabalhar também com a ideia de que nem sempre se consegue tirar do ar aquilo que foi para a rede. ''O que chamam de
brincadeira pode destruir a vida do outro. É também responsabilidade da escola abrir espaço para se discutir o fenômeno'', afirma a especialista.


Cyberbullying: a violência virtual

Na internet e no celular, mensagens com imagens e comentários depreciativos se alastram rapidamente e tornam o bullying ainda mais perverso. Como o
espaço virtual é ilimitado, o poder de agressão se amplia e a vítima se sente acuada mesmo fora da escola. E o que é pior: muitas vezes, ela não sabe de quem
se defender


Beatriz Santomauro (bsantomauro@abril.com.br)
Mais sobre Bullying


Fórum


          Adriana Ramos tira dúvidas
           sobre bullying


Especial


          Tudo sobre bulliyng


Reportagens


          O que é bullying?
          Como lidar com as brincadeiras que machucam a alma
          Bullying: é preciso levar a sério ao primeiro sinal
          Massacre virtual na internet
          Artigo da A psicóloga Lídia Aratangy sobre violência na escola


Planos de aula


          Bullying, um problema que merece tradução
          Dê uma lição sobre os valores e projetos de cada etapa da vida


Vídeo


          Aramis Lopes Neto fala de Cyberbullying


Todo mundo que convive com crianças e jovens sabe como eles são capazes de praticar pequenas e grandes perversões. Debocham uns dos outros, criam os apelidos
mais estranhos, reparam nas mínimas "imperfeições" - e não perdoam nada. Na escola, isso é bastante comum. Implicância, discriminação e agressões verbais e físicas são
muito mais frequentes do que o desejado. Esse comportamento não é novo, mas a maneira como pesquisadores, médicos e professores o encaram vem mudando. Há
cerca de 15 anos, essas provocações passaram a ser vistas como uma forma de violência e ganharam nome: bullying (palavra do inglês que pode ser traduzida como
"intimidar" ou "amedrontar"). Sua principal característica é que a agressão (física, moral ou material) é sempre intencional e repetida várias vezes sem uma motivação
específica. Mais recentemente, a tecnologia deu nova cara ao problema. E-mails ameaçadores, mensagens negativas em sites de relacionamento e torpedos com fotos e
textos constrangedores para a vítima foram batizados de cyberbullying. Aqui, no Brasil, vem aumentando rapidamente o número de casos de violência desse tipo.

Nesta reportagem, você vai entender os três motivos que tornam o cyberbullying ainda mais cruel que o bullying tradicional.

- No espaço virtual, os xingamentos e as provocações estão permanentemente atormentando as vítimas. Antes, o constrangimento ficava restrito aos momentos de convívio
dentro da escola. Agora é o tempo todo.

- Os jovens utilizam cada vez mais ferramentas de internet e de troca de mensagens via celular - e muitas vezes se expõem mais do que devem.

- A tecnologia permite que, em alguns casos, seja muito difícil identificar o(s) agressor(es), o que aumenta a sensação de impotência.
Raissa*, 13 anos, conta que colegas de classe criaram uma comunidade no Orkut (rede social criada para compartilhar gostos e experiências com outras pessoas) em que
comparam fotos suas com as de mulheres feias. Tudo por causa de seu corte de cabelo. "Eu me senti horrorosa e rezei para que meu cabelo crescesse depressa."

Esse exemplo mostra como a tecnologia permite que a agressão se repita indefinidamente (veja as ilustrações ao longo da reportagem). A mensagem maldosa pode ser
encaminhada por e-mail para várias pessoas ao mesmo tempo e uma foto publicada na internet acaba sendo vista por dezenas ou centenas de pessoas, algumas das quais
nem conhecem a vítima. "O grupo de agressores passa a ter muito mais poder com essa ampliação do público", destaca Aramis Lopes, especialista em bullying e
cyberbullying e presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ele chama a atenção para o fato de
que há sempre três personagens fundamentais nesse tipo de violência: o agressor, a vítima e a plateia. Além disso, de acordo com Cléo Fante, especialista em violência
escolar, muitos efeitos são semelhantes para quem ataca e é atacado: déficit de atenção, falta de concentração e desmotivação para os estudos (leia mais na próxima
página).

Esse tormento permanente que a internet provoca faz com que a criança ou o adolescente humilhados não se sintam mais seguros em lugar algum, em momento algum. Na
comparação com o bullying tradicional, bastava sair da escola e estar com os amigos de verdade para se sentir seguro. Agora, com sua intimidade invadida, todos podem
ver os xingamentos e não existe fim de semana ou férias. "O espaço do medo é ilimitado", diz Maria Tereza Maldonado, psicoterapeuta e autora de A Face Oculta, que
discute as implicações desse tipo de violência. Pesquisa feita este ano pela organização não governamental Plan com 5 mil estudantes brasileiros de 10 a 14 anos aponta
que 17% já foram vítimas de cyberbullying no mínimo uma vez. Desses, 13% foram insultados pelo celular e os 87% restantes por textos e imagens enviados por e-mail ou
via sites de relacionamento.


Um xinga, o outro chora e o resto cai na risada




Quando se trata de bullying e cyberbullying, é comum pensar que há apenas dois envolvidos: a vítima e o agressor. Mas os especialistas alertam para um terceiro
personagem fundamental: o espectador. Veja a seguir o que caracteriza a ação de cada um deles nos casos de violência entre os jovens.

Vítima
Costuma ser tímida ou pouco sociável e foge do padrão do restante da turma pela aparência física (raça, altura, peso), pelo comportamento (melhor desempenho na escola)
ou ainda pela religião. Geralmente, é insegura e, quando agredida, fica retraída e sofre, o que a torna um alvo ainda mais fácil. Segundo pesquisa da ONG Plan, a maior
parte das vítimas - 69% delas - tem entre 12 e 14 anos. Ana Beatriz Barbosa Silva, médica e autora do livro Bullying: Mentes Perigosas na Escola, cita algumas das doenças
identificadas como o resultado desses relacionamentos conflituosos (e que também aparecem devido a tendências pessoais), como angústia, ataques de ansiedade,
transtorno do pânico, depressão, anorexia e bulimia, além de fobia escolar e problemas de socialização. A situação pode, inclusive, levar ao suicídio. Adolescentes que
foram agredidos correm o risco de se tornar adultos ansiosos, depressivos ou violentos, reproduzindo em seus relacionamentos sociais aqueles vividos no ambiente escolar.
Alguns também se sentem incapazes de se livrar do cyberbullying. Por serem calados ou sensíveis, têm medo de se manifestar ou não encontram força suficiente para isso.
Outros até concordam com a agressão, de acordo com Luciene Tognetta. O discurso deles vai no seguinte sentido: "Se sou gorda, por que vou dizer o contrário?" Aqueles
que conseguem reagir alternam momentos de ansiedade e agressividade. Para mostrar que não é covarde ou quando percebe que seus agressores ficaram impunes, a
vítima pode escolher outras pessoas mais indefesas e passam a provocá-las, tornando-se alvo e agressor ao mesmo tempo.

Agressor
Atinge o colega com repetidas humilhações ou depreciações porque quer ser mais popular, se sentir poderoso e obter uma boa imagem de si mesmo. É uma pessoa que
não aprendeu a transformar sua raiva em diálogo e para quem o sofrimento do outro não é motivo para ele deixar de agir. Pelo contrário, se sente satisfeito com a reação do
agredido, supondo ou antecipando quão dolorosa será aquela crueldade vivida pela vítima. O anonimato possibilitado pelo cyberbullying favorece a sua ação. Usa o
computador sem ser submetido a julgamento por não estar exposto aos demais. Normalmente, mantém esse comportamento por longos períodos e, muitas vezes, quando
adulto, continua depreciando outros para chamar a atenção. "O agressor, assim como a vítima, tem dificuldade de sair de seu papel e retomar valores esquecidos ou formar
novos", explica Luciene.

Espectador
Nem sempre reconhecido como personagem atuante em uma agressão, é fundamental para a continuidade do conflito. O espectador típico é uma testemunha dos fatos:
não sai em defesa da vítima nem se junta aos agressores. Quando recebe uma mensagem, não repassa. Essa atitude passiva ocorre por medo de também ser alvo de
ataques ou por falta de iniciativa para tomar partido. "O espectador pode ter senso de justiça, mas não indignação suficiente para assumir uma posição clara", diz Luciene.
Também considerados espectadores, há os que atuam como uma plateia ativa ou uma torcida, reforçando a agressão, rindo ou dizendo palavras de incentivo. Eles
retransmitem imagens ou fofocas, tornando-se coautores ou corresponsáveis.


Aprender a lidar com a própria imagem é o primeiro passo


Luciene Tognetta, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que por volta dos 10 ou 12 anos a criança passa a buscar, no
convívio social, referências diferentes das que sempre recebeu em casa, dando continuidade ao processo de construção de sua personalidade. "Essa é a época de
aprender a lidar com a própria imagem. Se essa criança se conhece e gosta de como é, consegue manifestar sentimentos e pensamentos de maneira equilibrada. Do
contrário, pode sentir prazer em menosprezar o outro para se afirmar."

Logo em seguida, juntamente com a entrada na adolescência, vem a necessidade de pertencer a um grupo. Nesse momento, basta sair um pouco do padrão (alto, baixo,
gordo, magro) para ser provocado. Foi o que aconteceu com Aline, 14 anos. Ela recebia mensagens de uma colega falando que estava gorda. A agressora, que a ameaçava
e a proibia de contar sobre essas conversas, mandava também dietas e dizia que, caso não perdesse peso, iria apanhar. A professora das duas lembra: "Ela fez de tudo
para agradar à colega e seguiu as indicações porque sentia medo. A escola e os pais só desconfiaram que havia algo de errado porque perceberam uma mudança
repentina no comportamento da vítima".

Algumas escolas já estão cientes de que é preciso um acompanhamento permanente para afastar as agressões do cotidiano. A EM Fernando Tude de Souza, no Rio de
Janeiro, por exemplo, atacou o problema com atividades que buscam garantir o bom relacionamento entre os estudantes. "Reuniões conjuntas com pais e alunos e um olhar
atento ao comportamento dos jovens dentro e fora de sala de aula precisam entrar no planejamento", afirma a coordenadora pedagógica Tânia Maselli Saldanha Leite (leia
no quadro abaixo as principais ações que toda escola pode adotar, tanto para prevenir o problema como para combatê-lo, quando o caso já se tornou público).


Prevenção e solução nas mãos da escola


De acordo com os especialistas, a escola precisa encarar com seriedade as agressões entre os alunos. O cyberbullying não pode ser visto como uma brincadeira de
criança. A busca pela solução ou pela prevenção inclui reunir todos - equipe pedagógica, pais e alunos que estão ou não envolvidos diretamente - e garantir que tomem
consciência de que existe um problema e não se pode ficar omisso. Veja, a seguir, ações ao alcance das escolas.

- Como prevenir
Ensinar a olhar para o outro Criar relacionamentos saudáveis, em que os colegas tolerem as diferenças e tenham senso de proteção coletiva e lealdade. É preciso
desenvolver no grupo a capacidade de se preocupar com o outro, construindo uma imagem positiva de si e de quem está no entorno.

Deixar a turma falar Num ambiente equilibrado, o professor forma vínculos estreitos com os estudantes, que mostram o que os deixa descontentes e são, de fato,
reconhecidos quando estão sofrendo - o que é diferente de achar que não há motivo para se chatear.

Dar o exemplo Se a equipe da escola age com violência e autoritarismo, os jovens aprendem que gritos e indiferença são formas normais de enfrentar insatisfações. Os
professores sempre são modelo (para o bem e para o mal).

Mostrar os limites É essencial estabelecer normas e justificar por que devem ser seguidas. Às vezes, por medo de ser rígidos demais, os educadores deixam os
adolescentes soltos. Mas eles nem sempre sabem o que é melhor fazer e precisam de um norte.

Alertar para os riscos da tecnologia O aluno deve estar ciente da necessidade de limitar a divulgação de dados pessoais nos sites de relacionamento, o tempo de uso do
computador e os conteúdos acessados. Quanto menos exposição da intimidade e menor o número de relações virtuais, mais seguro ele estará.

Ficar atento Com um trabalho de conscientização constante, os casos se resolvem antes de estourar. Reuniões com pais e encontros com grupos de alunos ajudam a evitar
que o problema se instale.

- Como resolver
Reconhecer os sinais Identificar as mudanças no comportamento dos alunos ajuda a identificar casos de cyberbullying. É comum as vítimas se queixarem de dores e de
falta de vontade de ir à escola.

Fazer um diagnóstico Uma boa saída é realizar uma sondagem, aplicando questionários para verificar como os alunos se relacionam - sem que sejam identificados. As
informações servem de base para discussões sobre como melhorar o quadro. Quando os alunos leem, compartilham histórias e refletem sobre elas, ficam mais
comprometidos.

Falar com os envolvidos Identificados os indícios, é hora de conversar com a vítima e o agressor em particular - para que não sejam expostos. A escola não pode legitimar a
atuação do agressor nem puni-lo com sanções não relacionadas ao mal que causou, como proibi-lo de frequentar o intervalo. Se xingou um colega nos sites de
relacionamento, precisa retirar o que disse no mesmo meio para que a retratação seja pública. A vítima precisa estar fortalecida e segura de que não será mais prejudicada.
Ao mesmo tempo, o foco deve se voltar para a recuperação de valores essenciais, como o respeito.

Encaminhar os casos a outras instâncias Nas situações mais extremas, é possível levar o problema a delegacias especializadas em crimes digitais. Para que os e-mails com
ameaças possam ser tomados como prova, eles devem ser impressos, mas é essencial que também sejam guardados no computador para que a origem das mensagens
seja rastreada. Nos sites de relacionamento, existe uma opção de denúncia de conteúdos impróprios em suas páginas e, em certos casos, o conteúdo agressivo é tirado do
ar.


Mesmo quando a agressão é virtual, o estrago é real


O cyberbullying é um problema crescente justamente porque os jovens usam cada vez mais a tecnologia - até para conceder entrevistas, como fez Ana, 13 anos, que contou
sua história para esta reportagem via MSN (programa de troca de mensagens instantâneas). Ela já era perseguida na escola - e passou a ser acuada, prisioneira de seus
agressores via internet. Hoje, vive com medo e deixou de adicionar "amigos" em seu perfil no Orkut. Além disso, restringiu o aceso ao MSN. Mesmo assim, o tormento
continua. As meninas de sua sala enviam mensagens depreciativas, com apelidos maldosos e recados humilhantes, para amigos comuns. Os qualificativos mais leves são
"nojenta, nerd e lésbica". Outros textos dizem: "Você deveria parar de falar com aquela piranha" e "A emo já mudou sua cabeça, hein? Vá pro inferno". Ana, é claro, fica
arrasada. "Uso preto, ouço rock e pinto o cabelo. Curto coisas diferentes e falo de outros assuntos. Por isso, não me aceitam." A escola e a família da garota têm se reunido
com alunos e pais para tentar resolver a situação - por enquanto, sem sucesso.

Pesquisa da Fundação Telefônica no estado de São Paulo em 2008 apontou que 68% dos adolescentes ficam online pelo menos uma hora por dia durante a semana. Outro
levantamento, feito pela ComScore este ano, revela que os jovens com mais de 15 anos acessam os blogs e as redes sociais 46,7 vezes ao mês (a média mundial é de 27
vezes por semana). Marcelo Coutinho, especialista no tema e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), diz que esses estudantes não percebem as armadilhas dos
relacionamentos digitais. "Para eles, é tudo real, como se fosse do jeito tradicional, tanto para fazer amigos como para comprar, aprender ou combinar um passeio."

No cinema, essa overdose de tecnologia foi retratada em As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky. A fita conta a história de dois irmãos que passam por mudanças
no relacionamento com os pais e os colegas. Boa parte da trama ocorre num colégio particular em que os dois adolescentes estudam. O cyberbullying é mostrado de duas
formas: uma das personagens mantém um blog com fofocas e há ainda a troca de mensagens comprometedoras pelo celular. A foto de uma aluna numa pose sensual
começa a circular sem sua autorização.

Na vida real, Antonio, 12 anos, também foi vítima de agressões pelo celular. Há dois meses, ele recebe mensagens de meninas, como "Ou você fica comigo ou espalho pra
todo mundo que você gosta de homem". Os amigos o pressionam para ceder ao assédio e, como diz a coordenadora pedagógica, além de lidar com as provocações das
meninas, ele tem de se justificar com os outros garotos.


Online, o agressor pode agir sem que precise se identificar


A terceira principal marca do cyberbullying é a possibilidade de o agressor agir na sombra. Ele pode criar um perfil falso no Orkut ou uma conta fictícia de e-mail (ou ainda
roubar a senha de outra pessoa) para mandar seus recados maldosos e desaforados. Paulo, 19 anos, teve sua foto publicada sem autorização na internet durante três anos
(a imagem era uma montagem com seu rosto, uma boca enorme e uma gozação com um movimento que fazia com a língua). Ele nunca conseguiu descobrir quem eram
seus algozes. "Eu não confiava mais em nenhum dos meus colegas", lembra. Seu desempenho escolar caiu e ele foi reprovado. Pediu transferência, mas, mesmo longe dos
agressores, ainda sente os efeitos da situação. Toma medicamentos e tem o acompanhamento de um psicólogo. Tudo indica que os que o atazanavam na sala de aula
estavam por trás do perfil falso.

E essa situação é totalmente nova na comparação com o bullying tradicional. Para agredir de forma virtual, não é necessário ser o mais forte, pertencer a um grupo ou ter
coragem de se manifestar em público, no pátio da escola ou na classe. Basta ter acesso a um celular ou à internet. Por isso, muitos desses novos agressores nem sabem
dizer por que fazem o que fazem. Na pesquisa da ONG, metade deles respondeu a essa pergunta com frases como "foi por brincadeira", "não sei" e "as vítimas mereciam o
castigo". Luciana Ruffo, do Núcleo de Pesquisa da Psicologia da Informática, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), diz que, "no bullying cara a cara, o
agressor vê que a humilhação faz efeito porque a vítima sofre em público. Agora, basta imaginar esse sofrimento para o jovem se sentir realizado com a provocação virtual".
Num ambiente em que essa dinâmica se instala, está claro que as relações não estão construídas com base em valores sólidos. Por isso, trabalhar para que o cyberbullying
deixe de fazer parte da rotina é uma tarefa de toda a equipe escolar.

Reportagem sugerida por 11 leitores: Anderson Abreu, Campo Largo, PR, Cássia Santos Virgens, Salvador, BA, Eder Silva, Barretos, SP, Edgard Fraga Moreira da
Silva, Jaú, SP, Estela Santos, São Paulo, SP, Jeice Miranda, Porto Alegre, RS, Luzia Marta de Abreu Rangel, Belo Horizonte, MG, Marcia Christianni Freitas, Ribeirão
da Neves, MG, Nara Santos Lima, Rondonópolis, MT, Rafaela Rodrigues Pimetel Servilha, São Paulo, SP, e Tainá Borghi, Salvador, BA

*Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos entrevistados.
Quer saber mais?


CONTATOS
Aramis Lopes
Cléo Fante
EM Fernando Tude de Souza, tel. (21) 3137-8407
Luciana Ruffo
Luciene Tognetta
Marcelo Coutinho
Maria Tereza Maldonado

BIBLIOGRAFIA
A Face Oculta, Maria Tereza Maldonado, 96 págs., Ed. Saraiva, tel. (11) 3933-3366, 25,50 reais
Bullying: Mentes Perigosas na Escola, Ana Beatriz Barbosa Silva, 189 págs., Ed. Fontanar, tel. (21) 2199-7824, 33,90 reais
Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz, Cléo Fante, 224 págs., Ed. Verus, tel. (19) 3249-0001, 24,90 reais

INTERNET
Download da pesquisa Bullying no Ambiente Escolar, da ONG Plan.
Download da pesquisa Geração Digital, da Universidade de Navarra, Espanha.
Download do Estudo sobre Ações Discriminatórias no Âmbito Escolar, da Fipe e do Ministério da Educação.
Download da cartilha Criança Mais Segura na Internet.


Comentários (45)


DANIEL OLIVEIRA GALDINO - Postado em 17/12/2010 01:39:23


Considero excelente a escolha deste tema. O assunto é muito interessante e deve ser difundido cada vez mais. Acredito que a ignorância seja a principal causa. E espero
que os "agressores" ou "expectadores" ao tomarem conhecimento desse conceito, aproveitem a oportunidade que terão de repensar o seu modo de agir. Quanto às
"vítimas", deverão, ainda, conversar com Deus, para que Ele torne possível o devido reparo pessoal. Tenho certeza que Ele escutará suas reclamações e as iluminarão a
um lugar seguro. (Daniel Oliveira Galdino)


Maria José Saraiva de Lima - Postado em 23/10/2010 14:48:56


Excelente matéria , atribuo a questão das várias formas de violência ,a falta de limites que quando não são contruidos no tempo certo,Acabam dexando profundos preguisos
para todos.E nós educadores, somos os mais atingidos.Entetando, ainda nos restam;a coragem e a oprtunidade de poder através no nosso fazer pedagógico contruir para a
formação de seres bem melhores,capazes de respeitar a sí mesmo e ao próximo.


Maria José Saraiva de Lima - Postado em 23/10/2010 12:35:02


Excelente matéria , atribuo a questão das várias formas de violência ,a falta de limites que quando não são contruidos no tempo certo,Acabam dexando profundos preguisos
para todos.E nós educadores, somos os mais atingidos.Entetando, ainda nos restam;a coragem e a oprtunidade de poder através no nosso fazer pedagógico contruir para a
formação de seres bem melhores,capazes de respeitar a sí mesmo e ao próximo.


Publicado em NOVA ESCOLA, Edição 233, Junho/Julho 2010, com o título Violência virtual


Bullying: é preciso levar a sério ao primeiro sinal

Esse tipo de violência tem sido cada vez mais noticiado e precisa de educadores atentos para evitarem consequências desastrosas.


Andréia Barros (novaescola@atleitor.com.br), de João Pessoa (PB)


Mais sobre bullying


Fórum


          Envie sua dúvida sobre bullying para
           a pesquisadora Adriana Ramos


Reportagens


          Cyberbullying: a violência virtual
          Como lidar com brincadeiras que machucam a alma
          Artigo de Lidia Aratangy - Pelo bem das próxima gerações
          Massacre virtual
          Tudo sobre bullying
          Estratégias para melhorar a aprendizagem dos adolescentes


Entre os tantos desafios já existentes na rotina escolar, está posto mais um. O bullying escolar - termo sem tradução exata para o português – tem sido cada vez mais
reportado. É um tipo de agressão que pode ser física ou psicológica, ocorre repetidamente e intencionalmente e ridiculariza, humilha e intimida suas vítimas. "Ninguém sabe
como agir", sentencia a promotora Soraya Escorel, que compõe a comissão organizadora do I Seminário Paraibano sobre Bullying Escolar, que reuniu educadores,
profissionais da Justiça e representantes de governos nos dias 28 e 29 de março, em João Pessoa, na Paraíba. ―As escolas geralmente se omitem. Os pais não sabem lidar
corretamente. As vítimas e as testemunhas se calam. O grande desafio é convocar todos para trabalhar no incentivo a uma cultura de paz e respeito às diferenças
individuais‖, complementa.

A partir dos casos graves, o assunto começou a ganhar espaço em estudos desenvolvidos por pedagogos e psicólogos que lidam com Educação. Para Lélio Braga Calhau,
promotor de Justiça de Minas Gerais, a imprensa também ajudou a dar visibilidade à importância de se combater o bullying e, por consequência, a criminalidade. "Não se
tratam aqui de pequenas brincadeiras próprias da infância, mas de casos de violência, em muitos casos de forma velada. Essas agressões morais ou até físicas podem
causar danos psicológicos para a criança e o adolescente facilitando posteriormente a entrada dos mesmos no mundo do crime‖, avalia o especialista no assunto. Ele
concorda que o bullying estimula a delinquência e induz a outras formas de violência explícita.
Seminário - Organizado pela Promotoria de Justiça da Infância e da Adolescência da Paraíba, em parceria com os governos municipal e estadual e apoio do Colégio Motiva,
o evento teve como objetivo, além de debater o assunto, orientar profissionais da Educação e do Judiciário sobre como lidar com esse problema. A Promotoria de Justiça
elaborou um requerimento para acrescentar os casos de bullying ao Disque 100, número nacional criado para denunciar crimes contra a criança e o adolescente. O
documento será enviado para o Ministério da Justiça e à Secretaria Especial de Direitos Humanos.

Durante o encontro também foi lançada uma publicação a ser distribuída para as escolas paraibanas, com o objetivo de evidenciar a importância de um trabalho educativo
em todos os cenários em que o bullying possa estar presente – na escola, no ambiente de trabalho ou mesmo entre vizinhos. Nesse manual, são apresentados os sintomas
mais comuns de vítima desse tipo de agressão, algumas pistas de como identificar os agressores, conselhos para pais e professores sobre como prevenir esse tipo de
situação e mostram-se, ainda, quais as consequências para os envolvidos.

Em parceria com a Universidade Maurício de Nassau, a organização do evento registrou as palestras e as discussões – o material se transformará num vídeo-documentário
educativo que será exibido nas escolas da Paraíba, da Bahia e de Pernambuco.


Comentários (29)


marciana - Postado em 23/02/2011 10:03:20


olá Adriana. meu filho esta passando por uma situaçao de bullying, os colegas de sala de aula ficam abusando com ele provocando tirando ele do serio isso vem
acontecendo desde a terceira serie do 1 grau agora ele esta na sexta ele diz que nao aguenta mais . Essa semana eles o provocara tanto que ele perdeu a cabeça ficou
muito nervosa e agrediu o menino. Meu filho é um menino doce em casa nao é nenhum marginal para estar tendo essas atitudes estou muito preocupada . Por favor me
diga o que devo fazer


Miriam Corrêa - Postado em 22/12/2010 12:36:55


Gostaria de informações sobre projetosescolares sobre Bullying, a serem trabalhos por faixa etária. Grata Miriam.


wendell fortunato de medeiros - Postado em 19/12/2010 05:26:30


oii...bem eu naum estou meio que desabafando eu realmente estou desabafando pois a muito tempo tenho isto engasgado e acredite estou quase chorando akie soh de
lembrar daquele inferno. sofri bullyng por muitos anos (desde a 6° serie até primeiro ano medio ) fui muito humilhado e sofri varias agraçoes por anos, nunka tive o apoio
nescesario os professores pouco ajudavam e a cordenação nao continha pulso forte para conter estas açoes sofri muito mal consseguia me relacionar e me tornei fechado
por isto, somente depois de ver toda a turma e nao um pequena parte me humilhando contei a meus pais que sofreram um acidente no percurso para a escola (ninguem se
feriu) que o problema foi solucionado mesmo assim a escola me mudou de turno e os alunos continuaram a cometer esse "crime" ate hoje me pergunto porque a escola nao
tomou as devidas medidas com o grupo quando terminei o ano e fui começar o 2 ano do medio descobri que a escola havia colocado estes alunos na mesma sala que eu
para mim foi a gota d'agua precisei ate mesmo ir ao psicologo, hoje contenho amigos que posso conssiderar realmente amigos, estou namorando obrigado.


Publicado em Abril 2008




Tudo sobre Bullying

Pesquisa realizada em 2008 em seis estados brasileiros apontou que 70% de 12 mil alunos consultados afirmaram ter sido vítimas de violência escolar. Entre as
formas mais comuns, está o bullying, comportamento que inclui atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas
por um ou mais estudantes contra outro. Nesta página, você encontra reportagens, artigos e sugestões de leitura para saber mais sobre o que está por trás
deste problema e como enfrentá-lo de forma eficiente




Reportagens


Cyberbullying: como combater a violência virtual
Mensagens com conteúdos depreciativos se alastram rapidamente pela web e pelo celular. Saiba como combater essa versão de bullying


O que é bullying?
Atos agressivos físicos ou verbais só são evitados com a união de diretores, professores, alunos e famílias

Bullying: é preciso levar a sério ao primeiro sinal
Esse tipo de violência tem sido cada vez mais noticiado e precisa de educadores atentos para evitarem consequências desastrosas

Como lidar com brincadeiras que machucam a alma
Veja como acabar com o problema na sua escola e, assim, tirar um peso das costas da garotada

Bullying contra alunos com deficiência
A violência moral e física contra estudantes com necessidades especiais é uma realidade velada. Saiba o que fazer para reverter essa situação

Agressões contra professores pela internet
Alguns adolescentes usam a internet para agredir professores. Isso não é brincadeira, é crime. Evite-o ou defenda-se
As crianças diante dos dilemas morais
Distinguir entre certo e errado e agir segundo princípios éticos depende do desenvolvimento da cognição e da afetividade de crianças e jovens

Educar sem rótulos
Os juízos de valor são usados no convívio em classe, nas relações com a família e até nas avaliações, mas é melhor fugir dessa prática

Quietinho ou solitário?
Por trás daquele comportamento impecável de aluno que não abre a boca e nunca se mete em confusão, pode existir uma criança solitária. Ampará-la é mais fácil - e
importante! - do que você imagina


Artigo


Pelo bem das próximas gerações, por Lídia Aratangy
Estabelecer limites para os adolescentes de hoje é uma das garantias de que o país terá líderes éticos no futuro


Plano de aula


Bullying, um problema que merece tradução


Bibliografia

Bullying e Suas Implicações no Ambiente Escolar, Sônia Maria de Souza Pereira

Perseguição, Tânia Alexandre Martinelli


Comentários (18)


sandra querubina pierre - Postado em 13/02/2011 16:27:24


existe lei que pratege as vitimas do bullying?


tatiana cristina ferreira - Postado em 15/09/2010 22:34:19


O Bullying e uma forma de mostra o quanto algumas crianças sofrem com brincadeiras ou ate mesmo com tipos de ofenças.


Regina Celia da Silva Godoy - Postado em 06/09/2010 12:01:25


Sou professora de Inglês da E.M. João Barbalho, em Ramos. A melhor maneira de lidar com o Bullying é conscientizar os alunos do mal que ele causa e de que não é
somente uma brincadeira inocente. Para isso, trabalhamos com os alunos que se dividiram em grupos e pesquisaram o tema na internet produzindo cartazes, panfletos,
CDs, DVDs e peça teatral ao longo do 3º bimestre. A mudança no comportamento dos alunos já é evidente e teremos no próximo dia 08/09/10, às 09:30, a culminância do
projeto com a palestra da Psicóloga Drª Jussara Limp. "Colocar o dedo na ferida" talvez seja o primeiro passo para a cura do mal já instalado. Depois, é so cuidar e estar
atento para que ele não retorne. Bjs.



Publicado em Junho 2010


Dezembro 2004


Como lidar com brincadeiras que machucam a alma

Sabe aqueles apelidos e comentários maldosos que circulam entre os alunos? Consideradas "coisas de estudante", essas maneiras de ridicularizar os colegas
podem deixar marcas dolorosas e por vezes trágicas. Veja como acabar com o problema na sua escola e, assim, tirar um peso das costas da garotada


Meire Cavalcante (novaescola@atleitor.com.br)


Mais sobre bullying


Reportagens


              Cyberbullying: a violência virtual
              Artigo de Lidia Aratangy - Pelo bem das próxima gerações
              Bullying: é preciso levar a sério ao primeiro sinal
              Massacre virtual
              Tudo sobre bullying
              Estratégias para melhorar a aprendizagem dos adolescentes


A criançada entra na sala eufórica. Você se acomoda na mesa enquanto espera que os alunos se sentem, retirem o material da mochila e se acalmem para a aula começar.
Nesse meio tempo, um deles grita bem alto: "Ô, cabeção, passa o livro!" O outro responde: "Peraí, espinha". Em outro canto da sala, um garoto dá um tapinha, "de leve", na
nuca do colega. A menina toda produzida logo pela manhã ouve o cumprimento: "Fala, metida!" Ao lado dela, bem quietinha, outra garota escuta lá do fundo da sala: "Abre
a boca, zumbi!" E a classe cai na risada.


O ambiente parece normal para você? Então leia esta reportagem com atenção. O nome dado a essas brincadeiras de mau gosto, disfarçadas por um duvidoso senso de
humor, é bullying. O termo ainda não tem uma denominação em português, mas é usado quando crianças e adolescentes recebem apelidos que os ridicularizam e sofrem
humilhações, ameaças, intimidação, roubo e agressão moral e física por parte dos colegas. Entre as conseqüências estão o isolamento e a queda do rendimento escolar.
Em alguns casos extremos, o bullying pode afetar o estado emocional do jovem de tal maneira que ele opte por soluções trágicas, como o suicídio.
Pesquisa realizada em 11 escolas cariocas pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia), no Rio de Janeiro, revelou que
60,2% dos casos acontecem em sala de aula. Daí a importância da sua intervenção. Mudar a cultura perversa da humilhação e da perseguição na escola está ao seu
alcance. Para isso, é preciso identificar o bullying e saber como evitá-lo.

Um perigo para a escola

Em janeiro do ano passado, Edmar Aparecido Freitas, de 18 anos, entrou no colégio onde tinha estudado, em Taiúva (SP), e feriu oito pessoas com disparos de um revólver
calibre 38. Em seguida, se matou. Obeso, ele havia passado a vida escolar sendo vítima de apelidos humilhantes e alvo de gargalhadas e sussurros pelos corredores.
Atitude semelhante tiveram dois adolescentes norte-americanos na escola de Ensino Médio Columbine, no Colorado (EUA), em abril de 1999. Após matar 13 pessoas e
deixar dezenas de feridos, eles também cometeram suicídio quando se viram cercados pela polícia. Assim como o garoto brasileiro, os jovens americanos eram
ridicularizados pelos colegas.
Os exemplos de Edmar e dos garotos de Columbine, que tiveram reações extremadas, são um alerta para os educadores. "Os meninos não quiseram atingir esse ou aquele
estudante. O objetivo deles era matar a escola em que viveram momentos de profunda infelicidade e onde todos foram omissos ao seu sofrimento", analisa o pediatra
Aramis Lopes Neto, coordenador do Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes, desenvolvido pela Abrapia.


Quem pratica e quem sofre

No filme norte-americano Bang Bang! Você Morreu, Trevor, o protagonista, é vítima de bullying. Para revidar, ameaça os que o perseguem com uma bomba de mentira.
Diferentes dele são os que sofrem em silêncio e enfrentam com medo e vergonha o desafio de ir à escola. Em vez de reagir ou procurar ajuda, se isolam, ficam deprimidos,
querem abandonar os estudos, não se acham bons para integrar o grupo, apresentam baixo rendimento e evitam falar sobre o problema.


"Quem mais sofre é quem menos fala. Esses passam despercebidos pelo professor", alerta a psicóloga Carolina Lisboa, professora da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul e do Centro Universitário Feevale (RS). "Tinha vontade de ficar sozinha. Não queria ser notada", diz Vanessa Brandão Greco, da 7ª série da Escola Municipal de
Ensino Fundamental Thomas Mann, no Rio de Janeiro. Ela recebia apelidos humilhantes por causa dos cabelos crespos.


Mesmo quem adere à brincadeira se sente diminuído pelos comentários dos colegas. Mas, para se defender, entra no jogo — o que dá uma falsa impressão de que não se
ressente. "Eu ridicularizava os outros porque, se não fizesse isso, o alvo seria eu", conta Leandro Souza Gomes Santos, da 8ª série.


Vanessa e Leandro tiveram mais sorte que Trevor, o personagem do filme, já que a escola deles se engajou há dois anos no programa de combate ao bullying promovido
pela Abrapia. "Nós não toleramos isso porque todos sentiram na pele como é melhor estar em um ambiente de respeito", afirma a diretora Maria das Graças Caldas Freire.
É verdade. Pelos corredores, a garotada toda sabe, na ponta da língua, o que é bullying e por que evitá-lo. Nas áreas em que o professor não está presente, há alunos
voluntários. Eles observam a movimentação e quando identificam o problema dialogam com o colega. "Pergunto: e se fosse com você?", explica Karol de Castro Façanha,
da 7ª série, um dos 30 voluntários da escola.




                                        "Eu vivia calada, não gostava de vir à escola e evitava certas pessoas para não ouvir piadinhas sobre o meu cabelo. Hoje eu adoro
                                        estar aqui"
                                        Vanessa Brandão Greco, 7ª série




                                        "Faziam piadas porque sou alta e achava isso ruim em mim. Descobri que por causa da minha altura posso jogar basquete"
                                        Thaiane Conceição Dutra, 7ª série




                                        "Me azucrinavam porque eu sou baixinha. Mas quem disse que isso é ruim? A Daiane dos Santos consegue dar aqueles saltos
                                        maravilhosos porque é baixinha que nem eu"
                                        Daiany Andrade Silva, 7ª série
                                          "Quando cheguei aqui, meus colegas me explicaram o que era bullying. Achei muito legal. Aprendi a não incomodar alguém que
                                          não merece"
                                          Hugo Vinícius de Souza Lins, 5ª série




Ações da turma melhoram o ambiente

Para se adequar a um local hostil, os jovens acabam adotando um comportamento diferente do que seria natural para eles. "O Leandro era um agitador. Só tirava notas
baixas e era difícil lidar com ele", lembra a professora de Geografia Rosana Mendes Ferreira. Ela notou que o programa adotado pela escola foi decisivo para o progresso
do garoto, hoje com notas altas em diversas disciplinas. "E ainda nem cheguei aonde quero", ele afirma, confiante. Já Vanessa deixou de lado a timidez. "Hoje eu acho que
falo até demais", confessa aos risos.

Como o bullying ainda é tratado como um fenômeno natural, pouquíssimas escolas conhecem e combatem o problema. Hugo Vinícius de Souza Lins está na 5ª série. Ele
entrou na Thomas Mann este ano e conta que na escola onde estudava antes nunca tinha ouvido falar no assunto. "Lá me davam apelidos e, apesar de não gostar, fazia a
mesma coisa. Aqui parei com isso, porque acho errado incomodar quem não merece." Os alunos são orientados a ser receptivos e a integrar quem acaba de chegar
explicando que ali não se tolera o bullying. Isso evita o isolamento e o pré-julgamento do novato, que aprende a procurar ajuda.

As turmas já estão até organizando uma peça de teatro sobre o tema, que será apresentada para os pais e a comunidade. Os professores sugerem dinâmicas entre os
adolescentes, estimulando o bom relacionamento, além de aplicar atividades que envolvam a questão. "Lendo as redações que eles produzem, consigo identificar o que
sentem e se passam por algum problema", diz a professora de Língua Portuguesa Maria Pamphiro Veloso.

Segundo o pediatra Aramis Lopes Neto, os estudantes que participaram das pesquisas não tiveram muita dificuldade em identificar o problema na escola. "Só o nome era
novo", diz. "Deparei com histórias tristes, de crianças e jovens que sofriam calados todo tipo de agressão", comenta. No programa da Abrapia, os professores foram
orientados a, primeiramente, promover a conscientização das turmas sobre o bullying. "Se não fizermos isso, todos vão continuar com o que, para eles, é apenas uma
brincadeira", explica a diretora Maria das Graças.

Na Thomas Mann, todos os casos vão parar na direção. E não é terrorismo, não. Na sala da diretora, a garotada entra e sai à vontade, mostrando confiança e desembaraço.
Ir para a direção, lá, não significa uma punição. "Converso com todos os alunos e promovo o entendimento, o respeito", diz Maria das Graças. Nas reuniões pedagógicas, o
assunto surge naturalmente, e os docentes contam como lidaram com os incidentes ocorridos em classe e discutem atividades feitas pelas turmas.

Cada professor busca em sua disciplina um gancho para trabalhar o tema. Assim, a professora de Artes monta os cartazes da campanha contra o bullying, que são
dispostos nas paredes da escola. Em História, é trabalhada a questão do negro e do racismo no Brasil, que também é um dos motivos do fenômeno. Já a Geografia estuda
os fatores políticos e econômicos que traçam os caminhos da desigualdade no Brasil.

Os professores observam o comportamento da turma e fazem perguntas para identificar possíveis vítimas e autores. Ao surgir uma situação em sala, a intervenção é
imediata. Interrompe-se a aula para colocar o assunto em discussão e relembrar os combinados. "Se algo ocorre e o professor se omite ou até mesmo dá uma risadinha por
causa de uma piada ou de um comentário, vai pelo caminho errado. Ele deve ser o primeiro a mostrar respeito e dar o exemplo", diz Aramis.


As meninas são mais discretas

O bullying também pode ser praticado por meios eletrônicos. Mensagens difamatórias ou ameaçadoras circulam por e-mails, sites, blogs (os diários virtuais), pagers e
celulares. É quase uma extensão do que dizem e fazem na escola, mas com o agravante de que a vítima não está cara a cara com o agressor, o que aumenta a crueldade
dos comentários e das ameaças. Quando a agressão está num mundo virtual, o melhor remédio é, mais uma vez, a conversa. Se crianças e adolescentes confiam nos
adultos que os cercam, podem contar sobre o bullying sem medo de represálias, uma vez que terão a certeza de encontrar ajuda.
De modo geral, entre os meninos é mais fácil identificar um possível autor de bullying, pois suas ações são mais expansivas e agressivas. Eles chutam, gritam, empurram,
batem. São os fortões, os temíveis. Já no universo feminino, o problema se apresenta de forma mais velada. As manifestações entre elas podem ser fofoquinhas, boatos,
olhares, sussurros, exclusão. "As garotas raramente dizem por que fazem isso. Quem sofre não sabe o motivo e se sente culpada", explica a pesquisadora norte-americana
Rachel Simmons, especialista em bullying feminino.


Ela conta que as meninas agem dessa forma porque espera-se que sejam boazinhas, dóceis e sempre passivas. Para demonstrar qualquer sentimento contrário, elas
utilizam meios mais discretos, mas não menos prejudiciais. "É preciso reconhecer que as garotas também sentem raiva. A agressividade é natural no ser humano, mas elas
são forçadas a encontrar outros meios — além dos físicos — para se expressar", diz Rachel.

Sejam meninos, meninas, crianças ou adolescentes, é preciso evitar o sofrimento dos estudantes. A pesquisa da Abrapia revela que 41,6% das vítimas nunca procuraram
ajuda ou falaram sobre o problema, nem mesmo com os colegas. "Às vezes, quando o aluno resolve conversar, não recebe a atenção necessária, pois a escola não acha o
problema grave e deixa passar", alerta Aramis.


No caso daqueles que recorrem à família, a ajuda também não é eficaz. Se os pais reclamam, a direção e os professores tomam medidas pontuais, sem desenvolver um
trabalho generalizado, permitindo que o problema se repita. "A escola não deve ser apenas um local de ensino formal mas também de formação cidadã, de direitos e
deveres, amizade, cooperação e solidariedade. Agir contra o bullying é uma forma barata e eficiente de diminuir a violência entre estudantes e na sociedade", conclui o
pediatra.


Como inibir o bullying

- Para um ambiente saudável na escola, é fundamental:

- Esclarecer o que é bullying.

 -Avisar que a prática não é tolerada.

- Conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou sugestões.

- Estimular os estudantes a informar os casos.

- Reconhecer e valorizar as atitudes da garotada no combate ao problema.

- Identificar possíveis agressores e vítimas.

- Acompanhar o desenvolvimento de cada um.

- Criar com os estudantes regras de disciplina para a classe em coerência com o regimento escolar.

- Estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros casos.

- Interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica de bullying.
- Prestar atenção nos mais tímidos e calados. Geralmente as vítimas se retraem.
Fonte: Abrapia


Por que um nome em inglês?

O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Como verbo, significa ameaçar, amedrontar, tiranizar, oprimir, intimidar, maltratar. O
primeiro a relacionar a palavra ao fenômeno foi Dan Olweus, professor da Universidade da Noruega. Ao pesquisar as tendências suicidas entre adolescentes, Olweus
descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido algum tipo de ameaça e que, portanto, bullying era um mal a combater. Ainda não existe termo equivalente em
português, mas alguns psicólogos estudiosos do assunto o denominam "violência moral", "vitimização" ou "maltrato entre pares", uma vez que se trata de um fenômeno de
grupo em que a agressão acontece entre iguais — no caso, estudantes. Como é um assunto estudado há pouco tempo (as primeiras pesquisas são da década de 1990),
cada país ainda tem de encontrar uma palavra, em sua própria língua, que tenha esse significado tão amplo.


Quer saber mais?


Escola Municipal de Ensino Fundamental Thomas Mann, R. Ferreira de Andrade, 195, 20780-200, Rio de Janeiro, RJ, tel. (21) 2501-9430

Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia), R. Fonseca Teles, 121, 2o andar, 20940-200, Rio de Janeiro, RJ, tel. (21)
2589-5656

BIBLIOGRAFIA
Garota Fora do Jogo: A Cultura Oculta da Agressão nas Meninas, Rachel Simmons, 336 págs., Ed. Rocco, tel. 0800-216789, 40 reais

Bullying: como combatê-lo, Alessandro Costantini, 218 págs, Ed. Itália Nova, tel. (11) 3257-0220 , 32 reais

FILMOGRAFIA
Bang Bang! Você Morreu (Bang Bang! You’re Dead), EUA, 2001, 93 min, direção Guy Ferland, Paramount Home Entertainment, tel. 0800-169300

Elefante (Elephant), EUA, 2003, 81 min., direção Gus van Sant, Warner Bros., tel. (11) 3016-2900

Tiros em Columbine (Bowling for Columbine), EUA, 2002, 123 min, direção Michael Moore, Alpha Filmes, tel. (11) 4191-6898

INTERNET
Em www.bullying.com.br você conhece as ações contra o bullying da Abrapia
Confira no site www.bullying.org materiais de apoio no combate ao bullying (em inglês)


Inclusão


Educação especialFundamentos


Bullying contra alunos com deficiência

A violência moral e física contra estudantes com necessidades especiais é uma realidade velada. Saiba o que fazer para reverter essa situação


Ana Rita Martins (novaescola@atleitor.com.br)


Mais sobre bullying


Reportagens


          Bullying: é preciso levar a sério ao primeiro sinal
          Como lidar com brincadeiras que machucam a alma
          Tudo sobre bullying


Um ou mais alunos xingam, agridem fisicamente ou isolam um colega, além de colocar apelidos grosseiros. Esse tipo de perseguição intencional definitivamente não pode
ser encarado só como uma brincadeira natural da faixa etária ou como algo banal, a ser ignorado pelo professor. É muito mais sério do que parece. Trata-se de bullying. A
situação se torna ainda mais grave quando o alvo é uma criança ou um jovem com algum tipo de deficiência - que nem sempre têm habilidade física ou emocional para lidar
com as agressões.

Tais atitudes costumam ser impulsionadas pela falta de conhecimento sobre as deficiências, sejam elas físicas ou intelectuais, e, em boa parte, pelo preconceito trazido de
casa. Em pesquisa recente sobre o tema, realizada com 18 mil estudantes, professores, funcionários e pais, em 501 escolas em todo o Brasil, a Fundação Instituto de
Pesquisas Econômicas (Fipe) constatou que 96,5% dos entrevistados admitem o preconceito contra pessoas com deficiência. Colocar em prática ações pedagógicas
inclusivas para reverter essa estatística e minar comportamentos violentos e intolerantes é responsabilidade de toda a escola.

Conversar abertamente sobre a deficiência derruba barreiras




SANTO REMÉDIO A professora Maria de Lourdes falou com toda a turma sobre a deficiência de um colega. Foto: Marina Piedade

"Resolvi explicar que o Gabriel sofreu má-formação ainda na barriga da mãe. Falamos sobre isso numa roda de conversa com todos."
Maria de Lourdes Neves da Silva, professora da EMEF Professora Eliza Rachel Macedo de Souza, em São Paulo, SP
Quando a professora Maria de Lourdes Neves da Silva, da EMEF Professora Eliza Rachel Macedo de Souza, na capital paulista, recebeu Gabriel**, a reação dos colegas da
1ª série foi excluir o menino - na época com 9 anos de idade - do convívio com a turma. "A fisionomia dele assustava as crianças. Resolvi explicar que o Gabriel sofreu má-
formação ainda na barriga da mãe. Falamos sobre isso numa roda de conversa com todos (leia no quadro abaixo outros encaminhamentos para o problema). Eles ficaram
curiosos e fizeram perguntas ao colega sobre o cotidiano dele. Depois de tudo esclarecido, os pequenos deixaram de sentir medo", conta. Hoje, com 13 anos, Gabriel
continua na escola e estuda na turma da professora Maria do Carmo Fernandes da Silva, que recebe capacitação do Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão
(Cefai), da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, e está sempre discutindo a questão com os demais educadores. "A exclusão é uma forma de bullying e deve
ser combatida com o trabalho de toda a equipe", afirma. De fato, um bom trabalho para reverter situações de violência passa pela abordagem clara e direta do que é a
deficiência. De acordo com a psicóloga Sônia Casarin, diretora do S.O.S. Down - Serviço de Orientação sobre Síndrome de Down, em São Paulo, é normal os alunos
reagirem negativamente diante de uma situação desconhecida. Cabe ao professor estabelecer limites para essas reações e buscar erradicá-las não pela imposição, mas por
meio da conscientização e do esclarecimento.

Não se trata de estabelecer vítimas e culpados quando o assunto é o bullying. Isso só reforça uma situação polarizada e não ajuda em nada a resolução dos conflitos.
Melhor do que apenas culpar um aluno e vitimizar o outro é desatar os nós da tensão por meio do diálogo. Esse, aliás, deve extrapolar os limites da sala de aula, pois a
violência moral nem sempre fica restrita a ela. O Anexo Eustáquio Júnio Matosinhos, ligado à EM Newton Amaral Franco, em Contagem, na região metropolitana de Belo
Horizonte, encontrou no diálogo coletivo a solução para uma situação provocada por pais de alunos. Este ano, a escola recebeu uma criança de 4 anos com deficiência
intelectual e os pais dos coleguinhas de turma foram até a Secretaria de Educação pedir que o menino fosse transferido. A vice-diretora, Leila Dóris Pires, conta que a
solução foi fazer uma reunião com todos eles. "Convidamos o diretor de inclusão da secretaria e um ativista social cadeirante para discutir a questão com esses pais. Muitos
nem sabiam o que era esse conceito. A atitude deles foi motivada por total falta de informação e, depois da reunião, a postura mudou."


Seis soluções práticas


- Conversar sobre a deficiência do aluno com todos na presença dele.
- Adaptar a rotina para facilitar a aprendizagem sempre que necessário.
- Chamar os pais e a comunidade para falar de bullying e inclusão.
- Exibir filmes e adotar livros em que personagens com deficiência vivenciam contextos positivos.
- Focar as habilidades e capacidades de aprendizagem do estudante para integrá-lo à turma.
- Elaborar com a escola um projeto de ação e prevenção contra o bullying.


Antecipar o que vai ser estudado dá mais segurança ao aluno




"Passei a adiantar para o José, em cada aula, o conteúdo que seria ensinado na seguinte. Assim, ele descobria antes o que iria aprender."
Maria Aparecida de Sousa Silva Sá, professora do CAIC EMEIEF Antônio Tabosa Rodrigues, em Cajazeiras, PB. Foto: Leonardo Silva


No CAIC EMEIEF Antônio Tabosa Rodrigues, em Cajazeiras, a 460 quilômetros de João Pessoa, a solução para vencer o bullying foi investir, sobretudo, na aprendizagem.
Ao receber José, um garoto de 12 anos com necessidades educacionais especiais, a professora Maria Aparecida de Sousa Silva Sá passou a conviver com a hostilidade
crescente da turma de 6ª série contra ele. "Chamavam o José de doido, o empurravam e o machucavam. Como ele era apegado à rotina, mentiam para ele, dizendo que a
aula acabaria mais cedo. Isso o desestabilizava e o fazia chorar", lembra. Percebendo que era importante para o garoto saber como o dia seria encaminhado, a professora
Maria Aparecida resolveu mudar: "Passei a adiantar para o José, em cada aula, o conteúdo que seria ensinado na seguinte. Assim, ele descobria antes o que iria aprender".

Nas aulas seguintes, o aluno, que sempre foi quieto, começou a participar ativamente. Ao notar que ele era capaz de aprender, a turma passou a respeitá-lo. "Fiquei
emocionada quando os garotos que o excluíam começaram a chamá-lo para fazer trabalhos em grupo", conta. Depois da intervenção, as agressões cessaram. "O caminho
é focar as habilidades e a capacidade de aprender. Quando o aluno participa das aulas e das atividades, exercitando seu papel de aprendiz e contribuindo com o grupo,
naturalmente ele é valorizado pela turma. E o bullying, quando não cessa, se reduz drasticamente", analisa Silvana Drago, responsável pela Diretoria de Orientação Técnica
- Educação Especial, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

Samara Oliboni, psicóloga e autora de tese de mestrado sobre bullying, diz que é preciso pensar a questão de forma integrada. "O professor deve analisar o meio em que a
criança vive, refletir se o projeto pedagógico da escola é inclusivo e repensar até seu próprio comportamento para checar se ele não reforça o preconceito e,
consequentemente, o bullying. Se ele olha a criança pelo viés da incapacidade, como pode querer que os alunos ajam de outra forma?", reflete. A violência começa em tirar
do aluno com deficiência o direito de ser um participante do processo de aprendizagem. É tarefa dos educadores oferecer um ambiente propício para que todos,
especialmente para os que têm deficiência, se desenvolvam. Com respeito e harmonia.


** Os nomes dos alunos foram trocados para preservar a identidade

Reportagem sugerida por quatro leitores: Anderson Abreu, Campo Largo, PR, Lucimara Bodnar, Curitiba, PR, Mirian Andrade, Santos, SP, e Nara Santos Lima Gomes,
Rondonópolis, MT


Quer saber mais?


CONTATOS
Anexo Eustáquio Júnio Matosinhos, R. Metano, 150, 32072-120, Contagem, MG, tel. (31) 3352-5209
CAIC EMEIEF Antônio Tabosa Rodrigues, R. Jota Claudio, s/n, 58900-000, Cajazeiras, PB, tel. (83) 3531-3095
Diretoria de Orientação Técnica - Educação Especial
EMEF Professora Eliza Rachel Macedo de Souza, R. Constelação do Eridano, 200, 04858-580, São Paulo, SP, tel. (11) 5526-2053
Samara Oliboni
Sonia Casarin

BIBLIOGRAFIA
Bullying Escolar - Perguntas e Respostas, José Augusto Pedra e Cleo Fante, 132 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 40 reais
Bullying e Suas Implicações no Ambiente Escolar, Sonia Maria de Souza Pereira, 96 págs., Ed. Paulus, tel. (11) 5084-3066, 12 reais
Comentários (11)


Eva Vilma Mª da Silva Espíndola - Postado em 30/11/2010 22:50:58


Realmente esse assunto precisa ser debatido e ações precisam ser realizadas a cada dia. Muitos alunos não tem nem noção de que praticam o bullying, daí a importância
dos educadores e demais profissionais estarem sempre orientando promovendo ações que combatam essa prática!


Deise Teresinha Ramos Franco - Postado em 17/10/2010 18:50:32


Trabalho em uma escola de educação especial e mesmo todos tendo alguma patologia e limitação intelectual, isso existe e com efetividade por parte de alguns alunos com
patologia também. Acham que estão sendo brincalhões com o aluno, enquanto que na realidade observo que é um processo de bullying. Quando tenho oportunidade eu
converso com esses alunos, quando não, a própria coordenadora conversa para conscientizá-lo, mas acaba sendo inevitável impedir e temos um aluno que teve paralisia
cerebral e tem dificuldades em andar, falar e se alimentar. Seu colega às vezes lhe chama de cara de jumento. O aluno afetado às vezes me diz que está com medo de as
pessoas culpá-lo por alguma coisa, ele acaba ficando muito nervoso e faz movimentos com os braços parecenco que vai bater em alguém. Às vezes é muito frustrante.
Abraços a todos


ZILNETE LEITE VIEIRA NERY - Postado em 07/09/2010 17:25:20


FIQUEI FELIZ DE LER UMA LINDA HISTORIA DE INCLUSÃO DA PARAIBANA DE CAJAZEIRAS NA PARAIBA.PARABÉNS PELA SUA DEDICAÇÃO, POR NÃO SER
APENAS UMA MERA EDUCADORA BANCÁRIA, MAS UMA EDUCADORA QUE ESTÁ COMPROMETIDA COM OS DESAFIOS DA EDUCAÇAO INCLUSIVA TANTO DOS
ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS COMO AQUELES QUE ESTÃO DE CERTA FORMA MAIS EXCLUIDOS DA SOCIEDADE GLOBALIZADA E
UTILIZAM-SE DO BULLYING COMO O FORMA DE DEFESA, LAMENTAVEL QUE A AGRESSÃO AINDA SEJA A SUA ARMA.PARABÉNS PELA PEQUENA E
GRANDIOSA FORMA DE ADAPTAÇÃO CURRICULAR.TAMBÉM SOU PROFESORA EM UM PROJETO DE INCLUSÃO;ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCAIONAIS
DIVERSAS, AQUELES QUE NÃO TIVERAM ACESSO NA IDADE CONSIDERADA PARA FREQUENTAR A ESCOLA, ALUNOS EXCLUIDOS POR DIVERSOS MOTIVOS
SOCIAIS ECONOMICOS E ETC.Aprendo todos os dias com os mesmos, assim como acabei de aprender com voce!Parabéns!Moro em São Paulo!Mas SOU DE
CONCEIÇÃO -PB


Agressões contra professores pela internet

Alguns adolescentes usam a internet para ofender professores. O que parece uma brincadeira pode ser crime. Saiba como evitar o problema ou defender-se em
casos extremos


Ana Rita Martins (novaescola@atleitor.com.br)




AGRESSÃO GRATUITA - Comentários hostis expõem
educadores, que podem, e devem, combatê-los sempre.


Mais sobre bullying


Reportagens


          O que é bullying?
          Bullying: é preciso levar a sério ao primeiro sinal
          Como lidar com brincadeiras que machucam a alma
          Bullying contra alunos com deficiência
          Tudo sobre bullying


Vídeo


          Aramis Lopes Neto fala de Cyberbullying


―Fica livre dele eh a melhor coisa do mundo! Além de surdo eh chato!‖
‖Ela eh ridícula.‖
‖Aquele vesgo do inferno sempre me dá nota baixa.‖

As frases acima estão ou estiveram publicadas na internet. No mundo virtual, fica mais fácil tornar públicos imagens e comentários depreciativos, usando para isso blogs,
fotologs e sites de relacionamento, de forma anônima ou assumindo a autoria.
Alguns docentes tentam não se incomodar. O professor de Química George Lopes, de Silvânia, a 80 quilômetros de Goiânia, diz não se importar com a comunidade em que
é citado (veja imagem acima), que existe há três anos. Quando foi publicada, ele apenas quis saber o teor dos comentários. Descobriu frases como ―Dar uma pedrada nele é
o meu sonho‖ e outras ainda mais ofensivas. ―Todo educador é visto como chato pelos jovens. Eu sempre fui rígido, por isso os estudantes criaram essa forma de protesto.
Além disso, sei que alguns adolescentes se sentem bem humilhando os outros. Mas não ligo, não me atinge‖, afirma.


Inconformismo e atitude

Outros, como Sidnei Raimundo de Melo, que leciona Matemática em Manaus, não escondem a indignação. Ele não quis ser fotografado, mas declarou que até pensou em
abandonar a carreira ao ler na internet ―O professor Raimundo é bisonho‖. ―Fiquei triste, tive insônia e perdi a vontade de trabalhar‖. Sem o apoio da direção da escola, ele
procurou o responsável pela publicação para conscientizá-lo do caráter agressivo de sua atitude. O jovem pediu desculpas e deletou tudo. ―É meu dever ajudar a construir
valores éticos na sala de aula‖, afirma Sidnei. Ele estava disposto a prestar uma queixa formal caso a conversa não surtisse efeito: ―Os jovens precisam aprender que não
dá para desrespeitar impunemente‖.




"Perdi a vontade de dar aulas quando li que
eles me achavam 'bisonho'. Nem consegui
dormir." Sidnei Raimundo de Melo, professor
de Matemática em Manaus, que não quis
ser fotografado


Chocada também ficou Maria Aparecida de Carvalho, que dá aulas de Física no Rio de Janeiro, ao descobrir que uma de suas aulas fora gravada em vídeo e estava num
site com o título ―Maria recebendo um santo‖. Ela costumava fazer paródias de músicas e adaptar as letras com conteúdos da disciplina para cantá-las com as turmas. Os
comentários diziam que ela era ridícula e adorava aparecer. O vídeo foi deletado após a professora avisar que tomaria providências legais.


Esforço conjunto

Tentar evitar essas manifestações deve ser uma preocupação da escola e dos familiares para que não seja preciso partir para medidas extremas (leia os quadros abaixo).
Trata-se de uma situação que exige a reflexão sobre o convívio entre membros da comunidade escolar. Quando as agressões ocorrem, o problema está na escola como um
todo. Em uma reunião com todos os educadores, pode-se descobrir se a violência está acontecendo com outras pessoas da equipe para intervir com medidas que
restabelecem as noções de respeito - palestras, atividades que estimulem a solidariedade e a discussão do regimento interno da escola.


Se for uma questão pontual, com um professor apenas, é necessário refletir sobre a relação entre o docente e o aluno ou a classe. ‗‘O jovem que faz esse tipo de coisa
normalmente quer expor uma relação com o professor que não está bem. Existem comunidades na internet, por exemplo, que homenageiam os docentes. Então, se o aluno
se sente respeitado pelo professor, qual o motivo de agredi-lo?‘‘, questiona Adriana Ramos, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e
coordenadora de pós-graduação da Universidade de Franca (Unifran).


Como se prevenir

O psicoterapeuta José Augusto Pedra sugere algumas ações para evitar a agressão virtual:

- Converse com os alunos sobre o tema para que eles não vejam essa atitude como brincadeira.
- Chame os pais para palestras que tratem do assunto.
- Envolva os adolescentes em atividades solidárias para fortalecer o senso humanitário e de cidadania.
- Verifique se o regimento interno da escola prevê sanções a quem pratica atos agressivos. Em caso negativo, discuta com colegas e direção a possibilidade de incluir o
tema.


Como se defender

O advogado Rodrigo Santos, de São Paulo, especializado em crimes virtuais, afirma que as vítimas têm o direito de prestar queixa e pedir sanções penais. Caso o autor das
ofensas tenha menos de 16 anos, os pais serão processados por injúria e difamação; se tiver entre 16 e 18 anos, responderá junto com os pais; e, se for maior, assumirá a
responsabilidade pelos crimes. Algumas formas de se defender:

- Salve e imprima as páginas dos sites.
- Consiga testemunhas do ocorrido.
- Preste queixa em delegacia comum ou em uma especializada em crimes virtuais, se houver em sua cidade.


Quer saber mais?


CONTATO
Adriana Ramos


Telma Vinha
Comentários (1)


INGRID Renato severo meireles - Postado em 29/04/2010 15:49:49


As pessoas hoje em dia não estão sendo "sinsceros uns com os outros. E disso estão defamando as pessoas virtualmente.


As crianças diante dos dilemas morais

Distinguir entre certo e errado e agir segundo princípios éticos depende do desenvolvimento da cognição e da afetividade de crianças e jovens


Thais Gurgel (novaescola@atleitor.com.br)




"Eu sempre fico de castigo porque faço besteira, coisa errada. Uma vez eu joguei um elástico (de cabelo) na bochecha da minha irmã. Eu também falo palavrão, falo cocô."
Sofia, 5 anos
"E por que não pode fazer isso?" Repórter
"Porque todo mundo ganha castigo. Essa é a história do castigo." Sofia


Reprodução/Agradecimento Creche Central da Universidade de São Paulo (USP)


Mais sobre infância


SÉRIE ESPECIAL


          Desenvolvimento Infantil


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          O despertar da sexualidade

          O desenho e o desenvolvimento das crianças

          As crianças e suas representações de espaço
          Quando o aluno ajusta os ponteiros e descobre o tempo
          As histórias, sob a ótica das crianças
          O pensamento infantil sobre os fenômenos naturais


VÍDEOS


          Sexualidade
          O desenho da criança
          A construção da moralidade
          A noção de espaço
          A noção de tempo
          A narrativa da criança
          Os fenômenos naturais


Não há pais ou professores que não abram um sorriso de satisfação ao receber um elogio sobre a boa educação dos filhos ou dos alunos. A sensação de dever cumprido
despertada nessas ocasiões é fácil de entender. Afinal, pelo senso comum, são eles os grandes responsáveis por garantir que crianças e adolescentes tenham uma vida
social saudável e colaborem para a harmonia dos grupos dos quais fazem parte. De fato, pais e mestres são figuras centrais no desenvolvimento moral, ou seja, no
julgamento que a criança tem sobre o que é certo ou errado. Mas, na prática, o verdadeiro protagonista desse amadurecimento é ela própria, que constrói desde cedo um
conjunto de valores pessoais. E, mais importante ainda: é ela quem também toma decisões frente aos dilemas morais que encontra no dia a dia.

Nesse processo, o senso de justiça é um dos principais aspectos a serem desenvolvidos. Ele foi tema de estudo do suíço Jean Piaget (1896-1980), que, com base em
pesquisa sobre a forma como os pequenos lidam com as regras em situações de jogos e dilemas morais, constatou que a construção do sentido de justo e injusto tem
ligação com o desenvolvimento cognitivo. Segundo ele, as crianças passam por diferentes tipos de compreensão em relação às regras. Conforme amadurecem, obtêm cada
vez mais condições de se relacionar com elas de maneira crítica. Assim, constituem uma moral dita autônoma, pela qual passam a considerar a intencionalidade dos atos.

Nos primeiros anos de vida, os pequenos vivem um período de iniciação às regras e precisam da intervenção constante de um adulto que os oriente sobre o que é aceitável
– não morder o irmão e não bater nele, pedir um biscoito ao dono do pacote em vez de tomá-lo etc. "As regras existem para regular a relação entre as pessoas", diz Nelson
Pedro-Silva, professor de Psicologia do Desenvolvimento da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), campus de Assis. "Todos nós abrimos mão de
alguns desejos em vista de viver em sociedade, fato que a criança deve enfrentar desde cedo para que possa compreendê-lo."


"Aqui na creche tem uma regra: não subir no poste da quadra." Mileva, 5 anos
"E por que não pode subir?" Repórter
"Porque a gente pode cair e quebrar a cabeça." Mileva
"E mesmo assim vocês fizeram isso?" Repórter
"É porque a gente pensava que não tinha regra." Mileva


Conhecendo regras, os pequenos adquirem um primeiro repertório para atuar em grupo, mas não refletem sobre elas. Eles as cumprem porque respeitam uma autoridade
(pais, professores, o porteiro do prédio, o primo mais velho) e não necessariamente porque concordam com elas. Se, por exemplo, uma criança da Educação Infantil souber
que é proibido jogar objetos nos outros ou subir nos postes da quadra da escola (veja os diálogos da primeira imagem e do quadro acima), ela provavelmente não fará isso
por temer uma reprimenda e não porque pensou sobre esses atos e suas consequências. Trata-se, assim, de uma moral dita heterônoma. "É fundamental, porém, que ela
seja orientada a agir de maneira cooperativa em relação ao outro, mesmo quando ainda não consegue se conscientizar da importância disso", pondera Pedro-Silva.


Como ainda não tem condições de analisar regras, a criança se relaciona com elas pelo respeito à autoridade.


Dessa forma, por exemplo, num conflito em que um menino não deixa o outro participar de um jogo, porque este bate nos colegas e estraga a partida quando está
perdendo, é importante que o professor faça uma mediação. Ele pode promover a escuta do garoto que foi excluído da brincadeira e do que teve seu jogo arruinado. Assim,
pode-se chegar a um acordo para que ambos cooperem e possam jogar juntos – a forma de pensar deles é, com isso, desafiada.

O mesmo vale para os adolescentes. Em conversas orientadas, eles podem conhecer a perspectiva do outro e, assim, avançar na construção dos valores morais e da
autonomia. É fundamental aproveitar situações que geram desequilíbrios na forma de pensar das turmas.

A moral também está ligada aos sentimentos e às emoções

Segundo Piaget, o desenvolvimento moral e, mais ainda, as ações relacionadas a ele dependem de uma espécie de "energia motora" para que ocorram: a afetividade. Esse
aspecto ganhou cada vez mais espaço nas pesquisas e, hoje, o desenvolvimento de questões ligadas a sentimentos e emoções ocupa o primeiro plano nos estudos sobre a
moralidade. Esse novo olhar teve início com as pesquisas da americana Carol Gilligan, que chamou a atenção para uma forma de desenvolvimento da moralidade definida
como ética do cuidado, a qual se centra na capacidade de pensar na saúde das relações entre as pessoas. Com isso, distinguir o justo do injusto passou a ser visto como
apenas um dos muitos aspectos do desenvolvimento moral da criança e do adolescente. A nova perspectiva ampliou as pesquisas para o desenvolvimento psíquico de
outras virtudes, como a generosidade, a compaixão e a lealdade.


"Quando eu vejo alguém fazendo uma coisa que não pode, eu não conto. Eu guardo aqui na minha caixinha de histórias (apontando para a cabeça)." Caio, 5 anos
"E por que você prefere não contar?" Repórter
"Porque é muito feio falar. A pessoa leva bronca." Caio
"Mas o certo não é obedecer à regra?" Repórter
"Você iria achar legal levar uma bronca se fosse com você?" Caio


Distintas dos aspectos cognitivos, essas virtudes podem ser a chave para entender por que mesmo um garoto pequeno, como Caio, 5 anos, que demonstra ainda não se
guiar por uma moral autônoma, assume a postura de não delatar os amigos quando eles infringem uma regra (leia o diálogo acima). "O desenvolvimento moral é um sistema
dinâmico, um processo não só cognitivo, como afetivo, social e cultural", diz Ulisses Araújo, docente da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São
Paulo (USP), campus Leste. "Por mais críticos e conscientes que jovens e adultos sejam em relação à moralidade, ninguém escapa de oscilar entre a moral heterônoma e
autônoma em seus atos."


A afetividade tem relação direta com a construção de valores e com a forma de agir frente a dilemas morais.




"No futuro eu quero ser desembargador. Gostaria de mudar as leis. A gente vê um monte de injustiças. Por exemplo, quando tem um arrastão e os ladrões não são pegos,
enquanto uma pessoa que rouba um pão, porque tem fome, acaba ficando muito tempo na cadeia." Lucas, 12 anos


Reprodução/Agradecimento Escola de Aplicação da Universidade de São Paulo (USP)


De fato, distinguir o certo do errado não implica necessariamente em agir conforme seu juízo. Afinal, não há criança nem adulto que paute todos os seus atos por convicções
morais (veja abaixo a justificativa de Guilherme, 16 anos, para uma possível mentira). Como entender então essa discrepância entre pensar e agir? "Não basta saber
discernir e compreender as razões implicadas em determinada ética ou moral", pondera a psicóloga Vanessa Lima, docente da Universidade Federal de Rondônia (Unir).
"Para ter ações morais, é preciso ser movido por uma vontade e um desejo morais que guiem aquela conduta." Outro aspecto que influencia uma ação moral, segundo
Vanessa, é a representação que a criança ou o jovem têm de si próprio. "Se um adolescente, por exemplo, considera central a questão da honestidade em sua
personalidade, ele provavelmente se guiará mais por esse valor do que por outros tidos como periféricos na visão que tem de si mesmo", explica (confira acima o desenho e
a fala de Lucas, 12 anos).


"Se é uma coisa que eu quero muito fazer e que eu julgo não ser algo errado, não vejo tanto problema em mentir (para pais ou professores). É uma reação a uma regra
imposta e com a qual eu não concordo." Guilherme, 16 anos


Todos esses aspectos apontam para um longo processo de construção da moralidade, que começa na infância, se intensifica na adolescência e continua pela vida toda.
Dessa forma, deve ser deixada de lado a ideia de que uma criança ou um jovem têm boa ou má índole. "O ser humano é complexo, e reduzi-lo ao inatismo é desconsiderar
suas potencialidades", diz Vanessa. "Se fosse assim, teríamos apenas que fazer julgamentos precoces dos indivíduos que têm potencial para dar certo e errado." Crianças e
jovens sempre poderão se aproximar dos princípios éticos. Basta que tenham suas convicções suficientemente postas em xeque.


Para construir a moral autônoma, o adolescente precisa de situações que desafiem seu modo de pensar.


* Os desenhos e os diálogos publicados nesta reportagem são de crianças da 5ª série do ensino fundamental e do 2º ano do ensino médio da Escola de Aplicação e de
turmas de 5 e 6 anos da Creche Central da Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo, SP

Consultoria de Maria Thereza Costa Coelho de Souza, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP)


Quer saber mais?


CONTATOS
Nelson Pedro-Silva
Ulisses Araújo
Vanessa Lima

BIBLIOGRAFIA
Educação e Valores: Pontos e Contrapontos, Valéria Amorim Arantes, Ulisses Araújo e Joseph Puig, 168 págs., Ed. Summus, tel. (11) 3872-3322, 38 reais
Ética e Moral na Educação, Roque A. Neto e Margarete M. Rosito, 132 págs., Ed. Wak, tel. (21) 3208-6095, 19 reais
O Juízo Moral na Criança, Jean Piaget, 304 págs., Ed. Summus, tel. (11) 3872-3322, 60 reais
Moral e Ética - Dimensões Intelectuais e Afetivas, Yves de La Taille, 192 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 36 reais


Comentários (7)


Priscila Ciotto Lemos - Postado em 26/11/2009 00:47:45


Esse tema nunca tinha despertado tanto minha atenção até eu começar a lecionar em escola pública da periferia de São Paulo. Só quando encaramos a realidade, que é
bem diferente da que vemos na TV, é que percebemos o quanto a moral e a ética estão relacionados com a cultura do local e o quanto é difícil trabalharmos isso sem exigir
que o aluno saiba lidar com sentimentos e situações que fogem da sua realidade e da maneira como as pessoas ao seu redor interagem com ele e com o ambiente.
Adaptar-se a isso exige muito esforço e dedicação mas, sem dúvida, os resultados podem nos surpreender! Parabéns pela matéria! ( Priscila Ciotto Lemos, SP)


Eloá Teles de Souza - Postado em 22/11/2009 09:01:09


Excelente tema, sempre importante. Gostei muito de ler que não podemos julgar o futuro de uma criança pelas atitudes, visto que sua moral está em construção. Gostei
também de rever que nós, "adultos", construímos constantemente nossa autonomia moral.


Creni Costa - Postado em 21/11/2009 09:08:07


Adorei a reportagem, precisamos diariamente, nos policiar, nas nossas relações,quer seja em casa, no trabalho, na escola, na comunidade e etc. E sempre sermos um bom
exemplo para aqueles que estão a nossa volta. Um ótima recurso para trabalhar esse tema com os alunos, são as histórias bíblicas.


Edição 220 | 03/2009


Educar sem rótulos

Os juízos de valor são usados no convívio em classe, nas relações com a família e até nas avaliações, mas é melhor fugir dessa prática


Amanda Polato (Amanda Polato)




Ilustrações: Cássio Bittencourt
Manuela é a desinibida da turma, falante e agregadora. Maria, Ana e algumas outras são candidatas a princesinhas, sempre muito arrumadas. Já Rodolfo é um pestinha,
vem de uma família complicada e não se desgruda dos repetentes. Corriqueiro entre professores e gestores escolares, o hábito de rotular estigmatiza as crianças e as
desestimula a aproveitar uma das grandes vantagens do ambiente escolar: a liberdade para experimentar papéis e posturas. "Entre os menores, alguns estudantes nem
sabem os nomes direito porque só escutam apelidos", diz Andréia Cecon Rossi, diretora da EMEI Curió, em Itatiba, a 89 quilômetros de São Paulo.

Quando adjetivos positivos são usados, o agraciado acaba se convencendo de que é superior - e seus colegas de que dificilmente o alcançarão. "Além de tirar a autocrítica
do sujeito, ele pode se tornar incapaz de refletir sobre as próprias ações, deixando de se arriscar naquilo em que não se sairia tão bem. Isso quando não fica incapaz de
lidar com as frustrações", alerta Sonia Losito, doutora em Psicologia da Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

No caso das famas negativas, o mais provável é que o estudante se sinta preso ao juízo de valor. Chamar um aluno de burro é o mesmo que dizer que ele não se adapta ao
mundo escolar. "As crianças não são iguais. Têm ritmos, jeitos e modos diferentes de aprender. Mas todos são capazes", defende Divani Nunes, formadora do Grupo de
Apoio Pedagógico da rede municipal de Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

Em tese, os rótulos não são exclusivos do ambiente educacional. A antropóloga Ana Luiza Carvalho da Rocha, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, diz que faz
parte da cultura humana julgar os outros com base nos próprios padrões e códigos éticos e morais. Eliana Braga Atihé, doutora em Educação pela Universidade de São
Paulo, complementa o raciocínio: "A classificação reflete a tendência de nossa identidade de se defender da diferença que o outro representa. Rotular é enquadrá-lo numa
categoria que o reduza e simplifique para nós. É preciso um esforço para se afastar dos referenciais próprios e observar a beleza da diversidade".

Turma marcada, relações estremecidas




Ilustrações: Cássio Bittencourt


Na escola, no entanto, essa prática é mais grave porque os alvos são seres em desenvolvimento e dão mais valor a julgamentos. "Somos suscetíveis ao olhar do outro e
vamos formando nossa identidade em meio à interação social. O que penso de mim é influenciado pelo parecer das pessoas", argumenta Sonia. "Se, ao ser educada, uma
criança recebe reflexos negativos, terá uma forte tendência a se pensar como alguém menos valioso."

O convívio em sala de aula pode ficar desequilibrado dependendo das atitudes dos professores. "Quando você critica publicamente um aluno e entrega de bandeja para a
turma apelidos prontos, essa criança pode ficar estigmatizada e ser rejeitada", comenta Sonia Losito.

Há um estímulo, ainda que não intencional, à prática do bullying - todo tipo de agressão física ou psicológica que ocorre repetida e intencionalmente para ridicularizar,
humilhar e intimidar as vítimas. "É impossível discutir ética na escola se o convívio é desrespeitoso. Como esperar que alguém se desenvolva num ambiente assim?",
aponta Fátima Polesi Lukjanenko, especialista em Educação Moral e secretária de Educação do município de Itatiba.

Eliana Atihé reconhece que essa postura preconceituosa dá a falsa sensação de segurança tanto aos adultos como aos mais jovens. "Ao rotular, o professor muitas vezes
está se defendendo dos alunos que representam uma ameaça por questionar sua autoridade, despertar sua insegurança, resistir a seu gesto formador. E é comum fazer
isso sem dó nem piedade." Segundo ela, adultos alçados à condição de guias (e não apenas de transmissores de conteúdos) devem estar mais conscientes dos gatilhos
que ativam esse mecanismo defensivo que empobrece as relações. E, por isso, precisam estar dispostos a compreendê-los e ultrapassá-los para tratar a todos com
respeito.

A antropóloga Ana Luiza Rocha afirma que o estigma reforça também as estruturas de poder. "A maioria dos educadores usa juízos de valor para marcar seu lugar e
mostrar às crianças que elas têm de ocupar outra posição." Ela cita um exemplo esclarecedor: "Quantos docentes chamam a família dos alunos de 'desestruturadas'?
Pouquíssimos sabem que esse termo nem sequer existe na perspectiva sociológica".

Situações inadequadas também são rotineiras com alunos com deficiência. O mais corriqueiro nas escolas atualmente é o uso de diminutivos, como "mudinho" e
"coitadinho". O consultor Romeu Kazumi Sassaki diz que "o tratamento deve ser de igual para igual, sem exageros ou atitudes paternalistas".

Outro problema é quando, em situações de aprendizagem, os estudantes são "estigmatizados por causa da deficiência", como destaca a neurolinguista Michelli Alessandra
da Silva, da Unicamp. "Muitas vezes, os problemas que fazem parte do próprio processo de aquisição da escrita, por exemplo, são vistos como decorrentes de alguma
patologia", aponta. Essa postura sugere que as crianças com deficiência são incapazes de acompanhar a turma regular, o que é um grande erro, como explica Maria Tereza
Mantoan, também da Unicamp. "Todos os alunos são capazes de aprender segundo suas capacidades."

Quando os adjetivos estão relacionados à criminalidade, o desafio é igualmente espinhoso. A diretora Talma Suane, da EM República do Peru, no Rio de Janeiro, relata um
processo de exclusão comum: unidades que, de forma velada, recusam a matrícula de alunos com histórico relacionado à violência.


O poder da transformação
Maria Elisa Perceval, professora da EMEF Maria José Luizetto Buscarini, em Taboão da Serra, SP. Foto: Marcos Rosa


Não é fácil parar de usar rótulos e lidar bem com a diversidade em sala de aula. Mas é possível. A professora Maria Elisa Perceval, da EMEF Maria José Luizetto Buscarini,
em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, é uma prova disso. Depois de 20 anos em sala de aula, ela começou a olhar para os alunos de maneira diferente. A mudança
começou graças a um projeto de reforço escolar implantado em toda a rede do município.

"Encontrei estudantes multirrepetentes que não sabiam ler e escrever. Eles já chegavam estigmatizados e sem confiança em si mesmos", relata a professora. Agora, os
primeiros dias de aula são de aproximação, avaliação inicial e identificação das necessidades de cada um para elaborar estratégias diferentes. "O trabalho mais focado
permitiu resultados muito bons: 80% da turma atingiu os objetivos de aprendizagem e a meta para este ano é 100%", conta.

Um dos alunos de Elisa era chamado de "burro" pelo pai e pelos colegas de sala porque tinha 15 anos e não estava alfabetizado. Pela família, ela ficou sabendo que até um
médico havia sugerido que o garoto fosse para uma escola especial (ninguém produziu um laudo atestando problemas patológicos e a professora continuou seu trabalho).
"Em apenas um ano, o menino obteve avanços muito importantes e já escreve em letra de forma", diz. Segundo Elisa, foi difícil convencer os familiares de que ele podia
aprender e também educar as crianças para respeitar o garoto, mas tudo isso já virou realidade.

Antes dessa guinada, Elisa e outros colegas tinham atitudes bem diferentes. Todos se queixavam de ter estudantes "atrasados". Ela lembra: "Eu lamentava o número de
repetentes no começo do ano. Nem conhecia os alunos, mas eles já viravam um 'problema', eram todos rotulados". Só depois de alguns anos, conta, percebeu que esses
jovens sempre iam, "quase automaticamente", para o fundo da sala por não se sentirem parte da turma. "Tenho muito a caminhar, mas minha visão mudou. Meu olhar está
atento e individualizado. Procuro perceber o ritmo de cada um."


Avaliação, terreno fértil para os rótulos

A diretora conta a história de uma garota que chegou à escola com a fama de ladra. "Ninguém deixou de acreditar no potencial dela. Depois de conversas e uma parceria
estreita com os pais, a menina começou a confiar no corpo técnico e em si mesma. Nunca mais ninguém falou em furtos", relata. Francisco Ramos de Farias, da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, completa: "Acredita-se que esses jovens são perigosos e vão ser um fracasso. Não se aposta na possibilidade de que eles façam
outras escolhas".

Mas não é apenas no convívio que os problemas aparecem. Relatórios escolares e avaliações são muitas vezes permeados de estereótipos. O maior problema, dizem os
especialistas, é que falta acompanhamento atento de alguns educadores, que não observam o comportamento da turma e, na hora de fazer anotações, recorrem a essa
"muleta".

A troca do verbo "estar" por "ser" é um dos desvios mais frequentes. Na hora de registrar as especificidades da turma, por exemplo, o docente diz que o estudante "é
fracassado" - em vez de observar que ele "teve um desempenho ruim em determinado momento". Com o rótulo, o professor não olha para a complexidade da situação.
"Quando um aluno vai mal numa prova, isso pode ter sido provocado por muitos motivos, inclusive uma falha da metodologia de ensino. Mas é sempre mais cômodo culpar
a criança", afirma Eunice Maria Lima Soriano de Alencar, professora de Psicologia da Educação da Universidade Católica de Brasília. Benigna Maria de Freitas Villas Boas,
professora de Avaliação da Aprendizagem da Universidade de Brasília, complementa, argumentando que o rótulo incide mais sobre o comportamento. "Isso não cabe aos
professores. O papel deles é avaliar as aprendizagens, identificando o que os alunos já sabem, o que precisam aprender e que meios são necessários para atingir os
objetivos."

Benigna alerta ainda para outro entrave. "Os registros passam por coordenadores e outros professores. A imagem da criança pode ficar negativa aos olhos dos outros",
ressalta a especialista, lembrando que as atitudes dos estudantes mudam com o tempo e de acordo com a situação. Os jovens podem agir de maneiras diferentes,
dependendo da turma ou escola em que estão e do educador que têm. "A postura é relacional, varia em ambientes distintos", afirma.

As famas já trazidas de casa devem ser combatidas na escola




Ilustrações: Cássio Bittencourt


Outro momento importante em que você precisa ter muito cuidado é na relação com os pais. É comum uma mãe entregar o filho para a professora e logo implorar: "Vê se dá
um jeito nele. É incontrolável." Em vez de incorporar os rótulos dados pelas próprias famílias, a escola tem de combatê-los. "A criança mal consegue expressar suas
capacidades porque já é desqualificada perante os outros", diz Eunice Alencar. "É preciso permitir que ela tenha também experiências boas." Se um jovem tem problemas
de relacionamento em casa, isso não significa que manterá essa postura na escola.

A orientadora educacional Haldia Mary Matias, da EMEF Mariana Teixeira Cornélio em São José dos Campos, a 94 quilômetros de São Paulo, afirma que acreditar nos
rótulos levados pelas famílias é o mesmo que se recusar a conhecer os alunos de perto. "O professor deve buscar compreender as reais dificuldades e necessidades das
crianças." De acordo com ela, um bom diálogo é capaz de fazê-las perceber o impacto que essas atitudes podem ter na vida dos menores.

Muitos pais, aliás, deixam de frequentar as reuniões escolares porque só ouvem rótulos negativos. Segundo a formadora Divani Albuquerque, as reuniões com os pais
devem ser momentos de relatar os processos de aprendizagem, os avanços e os pontos a melhorar sem usar adjetivos relacionados a comportamentos. "Os familiares
passam a entender o que o filho está aprendendo."


Quer saber mais?


CONTATOS
Divani Nunes
Eliana Braga Atihé
EMEF Mariana Teixeira Cornélio, R. Benedito Pereira Lima, 200, 12212-700, São José dos Campos, SP, tel. (12) 3913-3600
EMEI Curió, R. José Felizardo Rodrigues, 78, 13251-130, Itatiba, SP, tel. (11) 4524-4570
EM República do Peru, R. Arquias Cordeiro, 508, 20770-000, Rio de Janeiro, RJ, tel. (21) 2501-8074
Maria Tereza Mantoan

BIBLIOGRAFIA
Diário de Escola, Daniel Pennac, 240 págs., Ed. Rocco, tel. (21) 3525-2000, 30 reais
Família, Fofoca e Honra: Etnografia de Relações de Gênero e Violência em Grupos Populares, Claudia Fonseca (org.), 248 págs., Ed. UFRGS, tel. (51) 3308-5644, 35
reais
Fomos Maus Alunos, Gilberto Dimenstein e Rubem Alves, 128 págs., Ed. Papirus, tel. (19) 3272-4500, 28 reais
O Que Será de Nós, os Maus Alunos?, de Alvaro Marchesi, 192 págs., Ed Artmed, tel. 0800-703-3444, 44 reais
Outsiders: Estudos de Sociologia do Desvio, Howard S. Becker, 232 págs., Ed. Jorge Zahar, tel. (21) 2108-0808, 39,90 reais

FILMOGRAFIA
A Corrente do Bem, Mimi Leder (dir.), 2001, 123 min., Warner Home Video
Uma Mente Brilhante, Ron Howard (dir.), 2001, 135 min., Dreamworks e Universal Pictures, (em inglês)

INTERNET
Neste site, veja os curta-metragens:
A Incrível História da Mulher Que Mudou de Cor, Marcelo Santiago (dir.), 2004, 14 min.
A Invenção da Infância, Liliana Sulzbach (dir.), 2000, 26 min.


Comentários (6)


Peralany Passos - Postado em 07/03/2011 22:07:35


Olá, achei bastante interessante esse tema ser abordado de maneira clara e tão precisa. Foi de tal forma que estou pensando em fazer um projeto pra Mestrado encima do
tema. Gostaria que me envissem materiais sobre esse assunto, se puderem. Vocês iriam me ajudar muito.


luciana henriques pascoal martins - Postado em 23/09/2010 21:35:16


Atualmente sou professora de educação física(10 anos), mas também, trabalhei 12 anos como alfabetizadora, i 2 anos com salas de aceleração, onde as crianças eram
rotuladas , e até mesmo a professora, portanto, senti na pele, tudo descrito nessas reportagens. O que vale apena é o resultado positivo do trabalhado efetuado com essas
crianças. Hoje , com educação física, trabalho com uma turma de PIC, que tem perfil problemático também, mas eu gosto deles e consigo atingi-los com meu trabalho.
Preciso vencerm barreiras a todo momento, pois também não se respeitam na maioria do tempo, mas procuro diminuir o índice de oferças e desrespeito que os cerca.
Elogios e paciência ajudam no resgate de sua alto estima.


RICARDO ALEXANDRE DE MOURA ALVARENGA - Postado em 28/05/2010 19:30:06


OLÁ, SOU ALUNO DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UNIVERcidade e estou preparando minha monografia sobre este tema. Percebi a sua importância pois sempre
estudei em escolas públicas e na maioria das vezes, ouvia os comentários dos professores( AH, TINHA QUE SER VOCÊ! ou - Isso, só poderia ter vindo de você,
ou ainda - Siga o exemplo do fulano, que só tira 10, ele sim é inteligente!!!). Nossa, percebia que eu era menos só porque não tirava 10.


Novembro 2005


Quietinho ou solitário?

Por trás daquele comportamento impecável de aluno que não abre a boca e nunca se mete em confusão, pode existir uma criança solitária. Ampará-la é mais
fácil - e importante! - do que você imagina


Raquel Ribeiro (novaescola@atleitor.com.br)
Ilustração: Gustavo


Vai haver um jogo e duas crianças começam a escolher seus times. "Quero Pedro.Vem, Carol!", e assim a garotada forma as equipes. No final, sobram dois ou três que
ninguém quer e que ficam na reserva. Em toda escola há turmas assim. Mas às vezes, antes que o grupo ponha de lado alguns colegas, eles mesmos se isolam. Aluno que
sempre lancha sozinho, se recusa a fazer trabalho em grupo, fala pouco e não participa das aulas dá sinais de que precisa de ajuda. A razão do isolamento pode estar na
incapacidade de trocar, e o professor tem meios de intervir.

As causas da solidão podem ser transitórias, como a separação dos pais, a chegada de um irmão ou a morte de alguém querido. Os motivos estão também na própria
escola. Por vezes, eles se referem à aprendizagem: a criança tem dificuldade em aprender ou é muito inteligente e não consegue se interessar pelas atividades ou pelos
colegas.


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Reportagens


          Calma, isso pode ser só estresse
          Tudo sobre bullying
          Coisa de menino. Coisa de menina. Será?
          Adolescentes: como entender a cabeça dessa turma
          Para namorar sem riscos


João* é um dos melhores alunos do Colégio Assunção, em São Paulo, mas não se relaciona com os colegas: prefere fazer sozinho trabalhos que os outros fazem em grupo
e não participa das brincadeiras da turma. "Ele está centrado demais nos próprios desejos. Integrar-se implica ceder, se doar, e isso ele não sabe fazer", explica a
coordenadora Adília Torres Cristófaro.

Algumas crianças mais introvertidas, geralmente dotadas de talentos artísticos, têm muita dificuldade de se enturmar. O isolamento é uma decisão pensada. "Esses alunos
também merecem atenção especial e devem ter seus interesses respeitados", diz Inês Ribeiro, psicanalista do Colégio Freudiano do Rio de Janeiro. Há ainda os que se
isolam para se proteger, porque não conseguem acompanhar o desempenho da turma, e os que se afastam porque são hostilizados pelos demais. É comum, em situações
desse tipo, o estudante criar amigos imaginários. Se o mundo real não oferece possibilidades de relacionamento, ele prefere a fantasia.

Como ajudar seu aluno a se entrosar

Isolamento social e tristeza podem ser sinais de depressão, de acordo com a psicóloga Miriam Cruvinel, de Campinas (SP). Autora de uma tese sobre depressão infantil e
rendimento escolar, ela aponta outros sinais do distúrbio: dificuldade de expressão, sentimento de culpa e de rejeição, falta de motivação, sonolência, irritabilidade e
pessimismo — a criança tem pensamentos negativos do tipo "não sou boa em nada". Em casos como esses, é fundamental sua aproximação. Por isso, tente motivá-la e
elogiá-la. Lembre-se: todos precisam de amor e compreensão.

Há uma comprovada relação entre depressão infantil e falta de amizade — e essa pode ser uma ótima bússola para você identificar o que acontece com o aluno. Jussara
Tortella, professora da Universidade São Francisco, em Bragança Paulista (SP), escreveu uma tese de doutorado sobre a amizade e sugere que o educador incentive a
turma a acolher o colega solitário. Outro caminho é explorar o talento do estudante em aulas de teatro e oficinas de arte, na produção de um jornal ou em pesquisas de
laboratório. A atividade servirá de ponte para aproximação com o grupo. Assim fez Adília, do Colégio Assunção, para resolver o caso do aluno João. Com a ajuda da
professora, ela começou a aproximar o garoto dos colegas que tinham os mesmos interesses que ele.

A postura do professor diante dos que são rejeitados ou ignorados pelo grupo é decisiva. "Muito quietos, os alunos negligenciados não dão trabalho ao professor, que pode
pensar: 'Se todos fossem assim, que bom seria!' Só que eles precisam de apoio!", ressalta Jussara. Segundo a pesquisadora, a resposta mais comum da criança diante da
pergunta "quando você se sente solitário?" é "quando não tenho um amigo".

A troca de informações com os pais do aluno é outro ponto importante, até para você saber se ele se comporta do mesmo modo fora da escola. Nem sempre o professor
consegue dar conta do recado e o encaminhamento a um terapeuta é necessário. Mesmo assim, seu papel é crucial: perceber que ele precisa de cuidado já ajuda muito.
"No início é mais fácil resolver o problema. Com o tempo, os estragos na auto-imagem são maiores", diz Miriam Cruvinel.


Vale lembrar que nem todo tímido desenvolve depressão e nem toda separação ou perda leva à tristeza profunda. Além disso, uma criança solitária não terá
necessariamente o mesmo comportamento pelo resto de sua vida. O artista Leonardo da Vinci foi uma criança solitária. O físico Albert Einstein e o cineasta François Truffaut
também! "Com certeza, o olhar do adulto e o apoio que a criança recebe são determinantes para sua felicidade", afirma Adília.

* O nome foi trocado para preservar a identidade da criança


Atividades que fortalecem o grupo


Veja alguns caminhos sugeridos por Jussara Tortella para auxiliar o aluno a se entrosar.

■ Explorar com o grupo atividades de expressão artística. Desenhos, teatro e brincadeiras permitem criar personagens e colocar para fora medos, angústias e tristezas.

■ Montar com a turma um caderno cheio de desenhos para presentear os aniversariantes da sala de aula.

■ Elaborar perguntas que levem a garotada a falar das emoções. Sugestões: como você reage quando um amigo perde a calma e fica agressivo? Como você se sente
quando briga com um amigo? Você consegue falar de seus sentimentos para outras pessoas? Para quem você contaria um segredo?
■ Propor atividades divertidas, recreativas ou pedagógicas, em que os alunos precisem se ajudar, se tocar e trocar idéias. Por exemplo: assista com a turma ao filme Toy
Story 1. Discuta o tema amizade e toque a música Amigo Estou Aqui, que faz parte da trilha sonora. Os alunos caminham enquanto escutam a música. Quando você abaixar
o som, eles devem cumprimentar um colega. A música começa de novo e, quando pára, eles cumprimentam outro com um gesto diferente.


Quer saber mais?


CONTATOS
Colégio Assunção Al. Lorena, 665, 01424-000, São Paulo, SP, tel. (11) 3887-3433
Inês Ribeiro, inesribeiro@superig.com.br
Jussara Tortella, atortella@uol.com.br
Miriam Cruvinel, miriam@unicamp.br

BIBLIOGRAFIA
DIBS: Em Busca de Si Mesmo, Virgínia M. Axline, 215 págs., Ed. Agir, tel. (21) 3882-8200, 34,90 reais
O Livro de Referência Para a Depressão Infantil, Jeffrey A. Miller, 288 págs., Ed. M. Books, tel. (11) 3168-8242, 45 reais
Draguinho, Diferente de Todos, Parecido Com Ninguém, Claudio Galperin, 48 págs., Ed. Ática, tel. (11) 3990-1777, 18,50 reais

FILMOGRAFIA
Toy Story 1, Estados Unidos, 1995, direção de John Lasseter, 81 min., Walt Disney, tel. 0800-121508


Comentários (2)


PRICILA DE SOUZA - Postado em 25/09/2010 14:47:15


MEU FILHO É SOLITÁRIO, NÃO É TIMIDO, TEM APENAS DIFICULDADE DE SE RELACIONAR, EU ACHO, COMO POSSO AJUDÁ LO?


INGRID Renato severo meireles - Postado em 29/04/2010 15:32:45


O bullying eu acho que o aluno deve ser sempre unido porque "A união faz a força"


Edição 001 | Abril 2009


Pelo bem das próximas gerações, por Lídia Aratangy

Estabelecer limites para os adolescentes de hoje é uma das garantias de que o país terá líderes éticos no futuro. A tarefa cabe a pais e escolas - em conjunto


Lídia Aratangy (gestao@atleitor.com.br)




Lídia Aratangy. Foto: Daniel Aratangy


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Reportagens


          Como lidar com brincadeiras que machucam a alma
          Bullying: é preciso levar a sério ao primeiro sinal
          Massacre virtual
          Tudo sobre bullying
          Estratégias para melhorar a aprendizagem dos adolescentes


Cenas de violência não se passam apenas nos cenários pobres de escolas públicas: acontecem também em escolas de classe média, freqüentadas por jovens de famílias
econômica e culturalmente privilegiadas. Aí o problema pode ser até mais difícil, pois os professores dessas escolas têm a expectativa de que seus alunos tragam de casa
uma educação adequada - e sentem-se despreparados para lidar com alunos agressivos e sem limites. Mas não adianta lavar as mãos nem clamar aos céus, com a
alegação de que a escola não pode tomar a si a responsabilidade que a família não assume. Ainda é dentro de seus muros que esses jovens passam a maior parte do
tempo, e essa oportunidade não pode ser desperdiçada.


É na adolescência que se desenvolve plenamente a capacidade de raciocínio abstrato, e é esse o melhor momento para firmar o compromisso com valores morais como a
tolerância pelo diferente, o amor à justiça, o sentimento de solidariedade e a compaixão. É verdade que a escola não pode se encarregar de todos os aspectos da formação
de seus alunos, mas é indesculpável que não faça tudo o que estiver ao seu alcance. As situações de violência não devem passar impunes, as agressões não podem ser
ignoradas. Mas o castigo é parte do processo educativo, e não uma vingança ou penitência: deve ser contingente (isto é, aplicado logo depois da falta cometida), ligado à
transgressão e, de preferência, oferecer a possibilidade de reparação do erro. Se a violência teve a forma de depredação de bens da escola, por exemplo, o aluno deveria
ser levado a consertar o que quebrou; se foi agressivo com colegas ou professor, deveria ser orientado a fazer um trabalho sobre violência. É preciso lembrar que, quando
um aluno tem um comportamento agressivo, a violência que ele expressa não está só nele: ele é protagonista de todo o seu grupo. Sua expulsão não elimina a violência da
escola, apenas a exime de lidar com a questão. A escola deveria aproveitar o episódio de violência para levar todo o grupo a refletir sobre a ética da convivência. Há
excelentes filmes (veja indicações abaixo) que podem ser usados para mobilizar nos jovens os sentimentos de empatia e solidariedade. O ideal seria que os alunos
assistissem a esses filmes na própria escola, junto com educadores (professores ligados ao tema e orientadores) e, se possível, também os pais. Antes da projeção, deve
ser feita uma breve contextualização do tema do filme e, logo após, um debate ligando a ficção com a realidade.


Nessa área, é imprescindível uma parceria verdadeira entre escola e família. Infelizmente, na maioria das vezes, essa aliança é superficial, carregada de hipocrisia. Diante
de uma crise importante, dificilmente os pais do aluno problemático e os gestores da escola podem de fato dar-se as mãos em prol do jovem: a tendência da escola é
expulsar o aluno, com a alegação (em geral verdadeira) de que os pais dos outros alunos não tolerariam deixar seus filhos numa escola que eles consideram conivente com
o aluno faltoso. Mais produtivo seria que a escola e os pais trocassem informações a respeito do comportamento do aluno. Para a escola, será útil conhecer as normas da
família sobre disciplina, saber a atitude dos pais com relação a punições e ao uso da autoridade, saber como o aluno se relaciona com os irmãos e que tipo de lazer os pais
oferecem. A escola, por sua vez, conhece, melhor do que os pais, o comportamento social do jovem. Essa troca de informações permite uma programação conjunta de
atividades (leituras, discussões, escolha mais cuidadosa de videogames etc) dentro e fora da escola, que poderão ajudar o aluno a rever e mudar sua atitude inadequada.


É importante lembrar que, se esses jovens correm alguns dos mesmos riscos que os economicamente menos privilegiados, em suas mãos a sociedade talvez corra riscos
até maiores: estatisticamente, é dentre esses alunos que sairão os políticos e empresários da próxima geração, é desse grupo que sairá a maior parte das autoridades e
líderes que comandarão o país. Essa é a hora de encontrar canais adequados para o inconformismo e a rebeldia, esse é o momento de apontar espaços de atuação onde a
contestação própria da adolescência contribua, de fato, para melhorar o mundo. Para dar vazão à inquietação adolescente, é preciso levá-lo a desempenhar atividades
significativas, como participação em programas solidários, que rompam a barreira do individualismo e façam com que ele se sinta parte de uma comunidade maior.


Não podemos deixar que eles acreditem que o mundo é feito de corrupção e violência, e que nele só os valentões e os espertalhões levam vantagens. Para lutar contra a
paralisia e o cinismo de que tanto nos queixamos, não há momento mais propício do que a adolescência, não há espaço mais adequado do que a escola.


FILMES


Abaixo, as indicações de Lidia Aratangy para exibições na escola.


Jamaica Abaixo de Zero
Direção: Jon Turteltaub
Aparentemente, um filme sobre o espírito esportivo. Mas é também uma obra-prima sobre a solidariedade, o espírito de equipe e o respeito a si mesmo e ao outro.
Fundamental.

O Clube da Felicidade e da Sorte
Direção: Wayne Wang
A história de quatro imigrantes chinesas nos Estados Unidos serve de pano de fundo para lidar com o choque de gerações e o preconceito.

O Banquete de Casamento
Direção: Ang Lee
O filme aborda a questão da homossexualidade masculina de maneira leve, levando o espectador a se identificar com os personagens, abalando assim os estereótipos
sobre o amor e a sexualidade.

O Sol É para Todos
Dieração: Robert Mulligan
Um dos mais pungentes libelos contra o preconceito que o cinema já produziu.

Glória Feita de Sangue
Direção: Stanley Kubrick
Um filme sobre a irracionalide humana, que mostra o desvario das guerras e do conceito de heroísmo.

Este Mundo É dos Loucos
Direção: Philippe de Broca
A metáfora dos loucos que tomam conta da cidade abandonada provoca o questionamento sobre a inversão dos conceitos de sanidade e doença em nossa cultura.

O Inventor de Ilusões
Direção: Steven Sodesbourgh
Relata a saga de um garoto cuja mãe sofre reiteradas internações para tratamento de saúde. O menino vive com o pai em um quarto de hotel, em St. Louis, e passa por
vicissitudes para lidar com a solidão, o desamparo e a fome.

Grand Cannyon
Direção: Lawrence Kasdan
Choque de gerações e de valores, num filme denso e emocionante.

Sociedade dos Poetas Mortos
Direção: Peter Weir
O professor apaixonado e criativo leva seus alunos (e a plateia) a indagações sobre o significado do conhecimento e a importância da cultura.

O Feitiço do Tempo
Direção: Harold Banis
A história aparentemente despretenciosa do repórter ranzinza e egoísta que se transforma com a repetição reiterada de um único dia de sua vida evoca temas fundamentais
como a solidariedade e o preconceito.

Edward Mãos de Tesoura
Direção: Tim Burton
Recorrendo ao mito do rapaz que possuia duas tesouras no lugar das mãos, o filme trata com sensibilidade de questões como o desajeitamento do adolescente e o
preconceito.

Todos os Corações do Mundo
Direção: Murilo Sales
O futebol serve de veículo para retratar diferentes expressões da emoção e momentos de solidariedade e confraternização.


Comentários (22)


luciana henriques pascoal martins - Postado em 27/09/2010 17:38:09


Concordo que a escola não pode fazer vistas grossas quanto a todos esses problemas que o adolescente vem apresentando, mas fica comodo à família relegar à nós a
educação de seus filhos. Não estamos cumprirndo com nosso real papel, por ter que atender a demandas além do que nos é posto, em vários aspectos. Fico contente em
poder contribuir na formação de uma sociedade maior, mas não tenho e nem quero ter a pretenção de ser a salvadora da pátria e mazelas sociais. Me sinto frustrada em
vem tudo que vem nos atingindo. Conheço alguns dos vídeos mensionados, e enxergo nesse material, uma ferramenta rica e motivante para os alunos e nossas aulas. Eu
utilizo muito esse recurso, com direcionamento e cobrança . Tenho tido bons resultados. Gostei muito de saber que estou acertando ! Sucesso à todos!
marcia valeria de almeida morais - Postado em 22/09/2010 12:49:40


parabens,por esses artigos inportantes,que falou a respeito da sociedade achar que a escola é culpada por alunos violentos,cabe a sociedade refletir que a educação tem
que vir de casa, a escola vai manter aquilo que elas troxeram de casa,as vezes a familia não cumpre o seu papel ,deixando de impor limites aos seus filhos, e achando que
a escola é obrigada ,conserta o que ja esta mutilado por uma ma formação.


sonia maria junqueira - Postado em 14/09/2010 20:00:48


sou agente escolar trabalho em uma E.M.E.F.esou interessada em tudo quese relacione com escola


Sociologia


Plano de Aula Ensino Médio

Bullying, um problema que merece tradução




Bases Legais
Ciências Humanas e suas Tecnologias


Conteúdo
Ética e cidadania


Mais sobre bullying


Reportagem de Veja


            Como ajudar na rotina escolar - 08/02/2006


Reportagens


            Tudo sobre bullying


Objetivos
Debater com os alunos sobre comportamento agressivo físico e moral

Introdução
Todo dia, em praticamente todas as escolas do mundo, muitos alunos sofrem algum tipo de agressão física ou moral por serem gordinhos, usarem óculos com lentes
grossas ou simplesmente porque dedicam algumas horas a mais que os outros aos estudos. Segundo uma pesquisa realizada no Rio de Janeiro pela Abrapia, uma
associação voltada para a infância e a adolescência, 40% dos entrevistados padecem com o bullying. Esse fenômeno, que começou a ser observado nos anos 1970, ainda
não tem tradução para o nosso idioma, mas compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente. Num dos
conjuntos de notas que compõem a seção Guia, VEJA lista uma série de sintomas diagnosticados por especialistas em vítimas do bullying. A reportagem também conta
como algumas personalidades reagiam ao ser importunadas na juventude e anuncia a chegada da agressão ao mundo cibernético. De leitura obrigatória, os pequenos
textos podem se transformar no fio condutor de uma reflexão sincera sobre como essa prática prejudica o desenvolvimento psíquico de crianças e adolescentes, derruba a
auto-estima dos adultos e pode até levar ao suicídio.

Providencie cópias do quadro abaixo e distribua para a turma. Se possível, acesse com os jovens o site indicado no final deste plano e explore o Programa de Redução do
Comportamento Agressivo entre os Estudantes, desenvolvido pela Abrapia, e os resultados das pesquisas feitas sobre o tema em escolas do Rio Grande do Sul e do Rio de
Janeiro.

Organize os alunos num círculo e oriente a leitura das notas de VEJA. Pergunte quem já foi alvo de implicâncias e perseguições de colegas na escola. Houve algum tipo de
agressão física ou as ações se deram mais no campo moral, com a escolha de apelidos politicamente incorretos? Os jovens percebiam risadinhas, empurrões, fofocas ou a
propagação de termos pejorativos como bola, rolha de poço, baleia, nerd, quatro-olhos etc.? Quem já recebeu mensagens difamatórias ou ameaçadoras no celular, no Orkut
ou nos blogs pessoais? Provavelmente muitos dirão que já testemunharam "brincadeirinhas" do gênero, mas dificilmente admitirão que já as promoveram.

Para debater
Chame a atenção dos jovens para o fato de que o bullying, às vezes considerado normal por alguns pais e até por professores, está longe de ser inocente. Apesar de
configurar prática comum entre crianças e adolescentes de países diferentes e fazer parte do cotidiano escolar em todas as épocas, deve ser constantemente evitado e
combatido. Ressalte que uma das maiores preocupações dos estudiosos do assunto são os efeitos psicológicos que as agressões podem produzir nas vítimas. Leia com a
classe o quadro abaixo e discuta o significado etimológico da expressão bullying. Então, peça que todos pensem numa possível tradução da palavra para o nosso idioma.

Destaque os sinais listados por VEJA em relação aos alvos da ―brincadeira sem graça‖. Lembre que daí podem advir problemas como depressão, angústia, baixa auto-
estima, estresse, isolamento, fobias, evasão escolar, atitudes de autoflagelação e até suicídio. Os estudos produzidos pela Abrapia, inspirados nas pesquisas norueguesas
dos anos 1970, por seu turno, mostram que as vítimas do bullying podem, no futuro, reproduzir a prática com outras pessoas – como os personagens da capa deste Guia e
da ilustração.

Atividades
Proponha que os alunos colham depoimentos – se possível com auxílio de um gravador – de pais, tios, avós e outras pessoas de diferentes faixas etárias sobre as
dificuldades de relacionamento que experimentaram durante o tempo de escola. Quais eram os apelidos mais comuns naquela época? Alguém foi às ―vias de fato‖ com os
colegas que criavam e apontavam defeitos nos outros? Certamente a garotada vai identificar casos diversos de pessoas que sofreram intimidações e agressões no passado.
É importante que os depoentes contem de forma franca o que viveram e expliquem como superaram suas dores, a exemplo das personalidades ouvidas por VEJA no
quadro ―Eles Eram Alvo de Implicância‖. Na semana seguinte, os jovens devem reunir o material obtido. O conjunto de narrativas dará a cada um a oportunidade de se
identificar com os entrevistados e também de se colocar no lugar de quem é perseguido, achacado, discriminado, humilhado e ridicularizado ainda hoje. Depois peça que,
divididos em pequenos grupos, os adolescentes aprofundem a questão e elaborem uma lista de ações para evitar o bullying na escola. As sugestões de cada equipe serão
organizadas e apresentadas por meio de um grande painel para todo o colégio. Por fim, oriente a execução de textos dissertativos individuais sobre o fenômeno. Com a
ajuda do professor de Língua Portuguesa, as redações podem ser avaliadas conforme a qualidade da argumentação e o nível de informação.


Para saber mais
Por que um nome em inglês?
O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Como verbo, quer dizer ameaçar, amedrontar, tiranizar, oprimir, intimidar, maltratar. O
primeiro a relacionar a palavra ao fenômeno foi Dan Olweus, professor da Universidade da Noruega. Ao pesquisar as tendências suicidas entre adolescentes, Olweus
descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido algum tipo de ameaça e que, portanto, bullying era um mal a combater. Ainda não existe termo equivalente em
português, mas alguns psicólogos e estudiosos do assunto o denominam ―violência moral‖, ―vitimização‖ ou ―maus tratos entre pares‖, uma vez que se trata de um fenômeno
de grupo em que a agressão acontece entre iguais – no caso, estudantes. Como é um assunto examinado criteriosamente há pouco tempo, cada país ainda precisa
encontrar um vocábulo ou uma expressão, em sua própria língua, que tenha esse significado tão amplo.


Quer saber mais?


BIBLIOGRAFIA
Garota Fora do Jogo: A Cultura Oculta da Agressão nas Meninas, Rachel Simmons, Ed. Rocco, tel. 0800-216789


INTERNET
No site www.bullying.com.br a turma pode conhecer as iniciativas da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia)


Consultora Teresa Cristina Rego
Professora de Psicologia da Educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo


Comentários (7)


luciana henriques pascoal martins - Postado em 20/09/2010 19:10:21


mesmo com tanta informação, bullyng é fato cotidiano relegado a terceiro plano e posto panos quentes, infelizmente.


Suzikely Oliveira Novais - Postado em 20/06/2010 13:07:34


A matéria é bastante interessante e atualizada. Em tempos em que a tecnologia e a internet fazem parte da realidade da maioria dos jovens é de fundamental importância
discutir questões como o bullying e o cyberbullying, que também fazem parte da realidade deles. O caminho, mais uma vez , para superar o desafio do respeito ao outro e o
entendimento da diversidade cultural deve passar pela sala de aula e mais precisamente, pela disciplina de Sociologia, dada a sua abrangência e área de atuação. Não
podemos deixar de discutir com os nossos jovens temas como esses.


Willam´s de Carvalho - Postado em 13/06/2010 20:38:04


Trabalho no Centro de Ensino Fundamental 24 da cidade de Ceilândia no DF, onde recentemente foi noticiado em cadeia nacional, sobre um caso de Bullying envolvendo
um dos nossos alunos. Contudo, deste o ano de 2009 estou a frente de um grupo de trabalho sobre Bullying e Cyberbullying na escola com o nome @.Bullying ( Arroba
ponto Bullying, combate ao fenômeno sem rosto). E deste esse fenômeno, infelizmente, é comum nas escolas. Deste as nossas atividades conseguimos reverter muitos
casos, com o nosso trabalho de conscientização entre os alunos, professores e funcionários, mas, há alguns que escapam a nossa vigilância. Temos uma página onde
matemos informações sobre o projeto e trabalhos caso queiram consultar http://arroba-bullying.blogspot.com/



Edição 227 | Novembro 2009


À sombra da escola

Ronaldo Nunes (Ronaldo Nunes) . Com resenhas de Nina Pavan




Foto: Marcelo Kura


Agressões físicas ou perseguições psicológicas são tão antigas quanto a cartilha, mas somente nos últimos anos, com a popularização da palavra bullying, é que vêm sendo
de fato levadas a sério. O termo designa um tipo de violência escolar, quase sempre perpetrada por um grupo contra um indivíduo. É caracterizada por insultos, apelidos
provocativos e humilhações. A obra trata desse problema, numa tentativa de propor soluções que reúnam escola e família em torno de uma Educação para o respeito
mútuo.


Sobre a autora Pedagoga formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Bullying e Suas Implicações no Ambiente Escolar, Sônia Maria de Souza Pereira, 96 págs., Ed. Paulus, tel. (11) 5087-3700, 12 reais


Comentários (2)


maria cristina Ibiapino Honorio - Postado em 27/09/2010 09:48:01


Maria Cristina I. Honório Percebi que minha filha estava diferente, sempre que perguntava sobre as colegas de sala, ela mudava de assunto. Estava sempre pedindo para
trocá-la de escola, com dias depois fazia perguntas para os tios é tias dela, as perguntas eram as mesmas, se ela era feia, se parecia com uma macaca, por que ela não
crescia rápido, passava o final de semana deprimida, inventava dor de cabeça para não ir para a escola. Um dia recebei um comunicado, vou citar parte desse texto: ¿Boa
noite mamães! Hoje sua filha passou por momento constrangedor, mais já estamos tomando providências¿. O fato de termos procurado a escola não intimidou os
agressores, as agressões passaram a ser feita através de mensagens de Emil. Vc e burra, s macaca, vc e a men + feia da sala. Etc. Sem contar os palavrões deixados em
seu Orkut. Foi como um pesadelo, minha filha sofria agressões constantemente e não sabíamos com ajudá-la. Esse tipo de brincadeira tem transpassado os portões de
nossas escolas O bullying precisa ser levado a sério pelas escolas e pais.


Meili Cristina Vicente - Postado em 20/09/2010 14:42:47


Assunto que deve ser tratado com critério e bastante responsabilidade, não pode haver omissão de responsabilidades, tanto por parte da família como da escola.


Edição 225 | Setembro 2009


Vítimas do olhar alheio

Beatriz Vichessi (bvichessi@abril.com.br) . Com resenhas de Nina Pavan




Foto: Marcelo Kura


Leo e Malu estão no 9º ano e são vítimas de bullying. Amigos, eles sofrem com a tortura dos colegas da escola até que... Leo não aguenta mais ser alvo de piadas e críticas
e reage de modo perturbador para todos, principalmente para a garota.

Sobre a autora Presenciou situações de bullying como aluna e também trabalhando como professora.

Perseguição, Tânia Alexandre Martinelli, 104 págs., Ed. Saraiva, tel. 0800-011-7875, 21,60 reais


Fórum sobre bullying

Envie sua dúvida sobre bullying para a pesquisadora Adriana Ramos




Adriana Ramos, especialista
em conflitos na escola


O bullying é uma das formas de violência que mais cresce no mundo. Caracterizado como atos intencionais, verbais ou físicos, feitos de maneira repetitiva, por um ou mais
alunos contra um ou mais colegas, esse tipo de agressão gera muitas dúvidas em educadores e pais.


Durante o mês de dezembro, a pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do curso de pós-graduação ―As
relações interpessoais na escola e a construção da autonomia moral‖, da Universidade de Franca (Unifran), Adriana Ramos, respondeu às questões sobre bullying nesta
página.


Para ler todas as respostas publicadas pela especialista, clique em ''Leia todos''.


Comentários (40)


adriana ramos - Postado em 18/01/2011 15:24:43


Foi um grande prazer poder compartilhar e trocar informações durante esse período com pais, professores, coordenadores, diretores e, principalmente, com aqueles que
sofrem ou já sofreram com esse tipo de violência dentro do ambiente escolar, brasileiros e estrangeiros de tão longe, como aqueles que moram no Japão. Espero que tenha
contribuído, esclarecendo e refletindo com todos os participantes. Precisamos nos unir em prol de uma Educação que forme pessoas mais justas, solidárias e autônomas. A
escola deve ser um lugar em que o respeito é valor, local em que as pessoas devem ser tratadas de forma justa, independente da sua condição ou posição, e isso precisa
ser uma ação inegociável entre os educadores. Nesse período, abordamos o bullying especificamente, mas para combater esse fenômeno e outros tipos de violência e de
injustiça no ambiente escolar, é preciso que os educadores transformem a sala de aula em um local de desafios, de reflexões, de cooperação, de respeito, ou seja, de
desenvolvimento tanto cognitivo, como afetivo e moral. A escola não é a ¿salvadora da pátria¿, mas talvez seja a única oportunidade de muitas crianças e jovens se
desenvolverem de forma mais autônoma! Os educadores formais (professores e equipe técnica), assim como os políticos que decidem sobre Educação, precisam estudar
continuamente, para que a teoria possa auxiliar na tomada de decisões e que essas sejam pautadas no respeito pelo ser humano e pelo meio ambiente. Para tanto, é
preciso estudo e reflexão constante sobre as práticas escolares. Os educadores, de forma geral, precisam compreender que só respeita aquele que se sente respeitado. A
compreensão de toda a complexidade do fenômeno bullying, pode favorecer a construção de um ambiente sociomoral mais cooperativo, e isso é algo difícil, exige esforço e
dedicação, mas totalmente necessário em tempos de pós-modernidade. Tempos em que alguns paradigmas estão cristalizados, pois se valoriza muito mais a beleza física,
a fama , o poder financeiro, a força física e psicológica (poder sobre o outro) etc. todos valores não morais.... tempos de intolerância ao ¿diferente¿. Seria preciso que
valores morais, como a justiça, a dignidade, o respeito, a generosidade, ocupassem um lugar de destaque nas decisões das pessoas, em suas personalidades. Conseguir
isso, não é simples, mas a escola pode, sim, contribuir para essas mudanças em médio e longo prazo. Gostaria de agradecer a NOVA ESCOLA pela oportunidade e
iniciativa em abordar um assunto tão delicado, porém necessário e urgente. Deixo meus contatos e também aproveito para divulgar o curso de pós-graduação (lato sensu)
que coordeno atualmente pela UNIFRAN: As Relações Interpessoais na Escola e a Construção da Autonomia Moral, que tem como objetivo formar educadores mais
capacitados para lidarem tanto com o bullying, como com a indisciplina, os conflitos, as regras, promovendo discussões teóricas e, sobretudo, a transposição para ações
práticas no dia a dia escolar, por meio de diversas estratégias e procedimentos de Educação moral (jogos, assembleias, círculos restaurativos, ambiente cooperativo,
linguagem descritiva etc.). Estamos encerrando as matrículas para a 14ª e 15ª turma nas cidades de Campinas e São Paulo - ano de 2011, maiores informações no
endereço: http://www.unifran.br/site/canais/pos/latoSensu/cursosForaSede.php ou no email ri@unifran.br ou (19) 9234-3963. Qualquer dúvida que tenha ficado, quanto as
repostas do Fórum, me escrevam no email adrianam-ramos@uol.com.br. Um abraço carinhoso Adriana Ramos


ilma lucia dias correa - Postado em 16/01/2011 17:55:33


Adriana,um prof.pode praticar bullying por meio avaliações informais?


Comentário do Autor - Cara Ilma, precisaria saber exatamente a que tipo de avaliação você se refere e como isso tem ocorrido para poder responder de forma mais
detalhada. Porém, caso você esteja se referindo ao professor cometer bullying em relação a um aluno, como já respondido anteriormente, isso não poderia ser denominado
como bullying, uma vez que é preciso que haja uma simetria nas relações. Porém, há diversos estudos demonstrando que alguns professores contribuem para as situações
de bullying, ressaltando uma característica de um aluno para o grupo ou mesmo adotando posturas desrespeitosas, sexistas, preconceituosas, inclusive nas avaliações,
tanto as informais como nas formais. Abraço, Adriana


viviane regina de oliveira silva - Postado em 08/01/2011 19:39:06


Estou com um problema e nao sei como resolver, minha filha estuda em uma escolao que nao é particular e nem do estado ou do municipio, é uma entidade que é mantida
por alguns empresarios, é uma escola excelente, minha filha estudou lá em 2010 fez o 1 ano do 2 grau ela foi aprovada porem a escola não autorizou a rematricula para o
ano de 2011 motivo: alega que ela fala demais, não para sentada não entregou um trabalho e dizem que ela nao faz lição de casa. Ela esta sendo a unica aluna da escola a
ser convidada a se retirar. as diretoras me disseram que ela nunca faltou com o respeito que é uma menina educada. O que eu devo fazer


Comentário do Autor - Infelizmente, não sou especialista nessa área jurídica, mas acredito que não tenha o que fazer, até onde sei a escola pode impedir, sim, a matrícula
de um aluno. Você tentou dialogar em todas as instâncias dessa escola? Inclusive com os mantenedores? Caso tenha esgotado todas as possibilidades de diálogo,
aconselho procurar um advogado que possa orientá-la de forma mais adequada. De qualquer maneira, lamento situações como essas, ainda fazerem parte da rotina de
nossas escolas. Um abraço, Adriana


Agnes Cristina Wiedemann Lang Scolforo - Postado em 05/01/2011 16:02:32


Adriana, sou professora de Arte em algumas escolas no Espírito Santo e percebo que todos nós, professores, alunos e gestores não estamos conseguindo nos mover com
relação ao bullying. Sabemos dos apelidos, maus-tratos, fazemos debates, os alunos se interessam, propõem mudanças, a escola se mobiliza, mas nada de fato acontece.
Parece que sempre continuamos no mundo das ideias e nunca conseguimos alcançar o mundo da ação. O que efetivamente nos falta? O é possível fazer para transformar
todas as nossas discussões em situações reais de melhorias para essas crianças que sofrem?


Comentário do Autor - Agnes, muitas vezes, em cursos de formação que ministramos, observamos que alguns educadores estão em busca de receitas ou de soluções para
problemas pontuais. Mesmo tendo estudado e refletido sobre uma temática mais complexa e suas implicações, acabam por realizar apenas ‗‘transformações aparente‘‘,
utilizando somente certos procedimentos que julgam mais interessantes ou convenientes e que não exijam grandes mudanças de sua parte (ou que não gerem atrito com as
autoridades da escola). Não raro, afirmam que ‗‘este‘‘ ou ‗‘aquele‘‘ procedimento não dá certo porque ‗‘eu já tentei uma vez e não funcionou‘‘. Um dos motivos que contribui
para explicar porque muitos professores procuram apenas minimamente transpor para suas práticas aquilo que é estudado, ou apresentam dificuldades para generalizar o
que conheceram em uma situação para outras, adaptando-as as suas experiências da vida diária, é o chamado ‗‘refúgio no impossível‘‘, ou seja, a concepção de que o que
está sendo estudado é válido, mas utópico. Há inúmeras justificativas para isso: a falta de tempo ou de apoio, o número de alunos, a realidade que não favorece. Ainda é
possível se observar, a queixa ou a lamentação como justificativa comum entre os educadores, e porque não dizer entre as pessoas, para a não realização de algo. Isso
funciona muito mais como uma transferência de responsabilidade ou uma acusação dirigida a alguém. Professores que possuem essas características dificilmente
assumirão uma postura de profissionais reflexivos, atuantes e autônomos, pois estarão sempre se isentando da necessária revisão interna, do refletir nas possibilidades, de
buscar alternativas viáveis. Para combater o bullying é preciso que tenhamos profissionais que estudem de fato sobre esse fenômeno, e que estejam dispostos a refletir e
transformar sua prática e a escola como um todo, não apenas nas situações de bullying. Caso queira referências, me escreva um email (adrianaramos@unifran.br) que lhe
envio alguns artigos sobre o tema, talvez por meio deles, você consiga iniciar uma mobilização, de fato, na sua escola. Um abraço, Adriana


Robson Fabiano da Silva - Postado em 26/12/2010 04:10:43


Adriana Ramos, Em primeiro lugar agradeço por este espaço para que as pessoas, como eu, possa deixar, seja lá sua dúvida, crítica, ou sugestão, ou até mesmo uma
história real para uma análise de uma especialista como você, porém adrida, gostaria de uma atenção à mais, já que, o motivo pelo qual relato a minha história (aliás, vou
relatar), não se enquadra em nenhum dos motivos acabados de ser mencionados. Trata-se de uma experiência, não vou falar de vida, mas sim vivida, de alguém que hoje,
mas do que ninguém, vivenciou. Adriana, hoje tenho 36 anos e sou TESTEMUNHA VIVA, de fatos que passei quando estava na escola ( com relação a este assunto, da
quinta, até a sétima série). O fato de ter sido até a sétima foi justamente porque não aguentei a pressão, e acabei desistindo de estudar, ou seja, justamente pelo fato deu
não ter tido um Pai(nem conheci o meu), e era muito pobre, eu era muito discriminado na escola e fui vítima desse tal de buling( no portugues), tinha sempre aquele grupo
que me pegava, aprontava altas, e eu nunca tive boca pra nada. pergunga: o que fazer pra evitar ou minimizar essa prática covarde hoje chamada de bullying? Me responda
esta pergurta que te darei uma possível solução para essa doença, que hoje ataca a sociedade?


Comentário do Autor - : Caro Robson, é muito difícil para um alvo de bullying sair dessa situação sozinho e, infelizmente, temos muita evasão escolar, como aconteceu com
você, devido a esse tipo de violência. Em pesquisas internacionais recentes foi observado que os alvos preferem pedir ajuda aos colegas, portanto, um dos caminhos que a
escola deveria adotar para combater o bullying, é um trabalho específico com os alunos que assistem a tudo e nada fazem, os espectadores. Não há uma receita única para
o combate ao bullying, mas sim inúmeras ações que a escola pode organizar para minimizar ou mesmo eliminar esse problema. Sugiro que leia minhas respostas
anteriores, pois descrevo várias possíveis intervenções. O bullying não é uma doença e, sim, um fenômeno de violência, que se manifesta, principalmente, no ambiente
escolar. Precisamos ter educadores melhor capacitados, que trabalhem com a sensibilidade moral dos alunos, pois quando temos jovens que sentem prazer em ver o outro
sofrer (excluindo os casos de psicopatia, que são uma minoria nesse contexto e esses sim podem ser considerados como doença) algo não está dando certo na Educação
desses meninos e meninas. Um abraço carinhoso e coloco-me a disposição para continuarmos nosso diálogo. Adriana


wendell fortunato de medeiros - Postado em 19/12/2010 05:19:51


é um otimo trabalho oq esta sendo feito akie bem eu keria deixar meu depoimento junto com meu comentario afinal isto esta engasgado em minha garganta a muito tempo e
acredite estou escrevendo isto com lagrimas pois foi um verdadeiro inferno sofrer o bullyng. sofri bullyng por muitos anos (desde a 6° serie até primeiro ano medio ) fui muito
humilhado e sofri varias agraçoes por anos, nunka tive o apoio nescesario os professores pouco ajudavam e a cordenação nao continha pulso forte para conter estas açoes
sofri muito mal consseguia me relacionar e me tornei fechado por isto, somente depois de ver toda a turma e nao um pequena parte me humilhando contei a meus pais que
sofreram um acidente no percurso para a escola (ninguem se feriu) que o problema foi solucionado mesmo assim a escola me mudou de turno e os alunos continuaram a
cometer esse "crime" ate hoje me pergunto porque a escola nao tomou as devidas medidas com o grupo quando terminei o ano e fui começar o 2 ano do medio descobri
que a escola havia colocado estes alunos na mesma sala que eu para mim foi a gota d'agua precisei ate mesmo ir ao psicologo, hoje contenho amigos que posso
conssiderar realmente amigos, estou namorando obrigado.


Comentário do Autor - Caro Wendell, imagino todo o seu sofrimento, procurar ajuda é um caminho para que você consiga superar essa dor e isso você já o fez. A escola
muitas vezes possui dificuldade de enxergar o bullying como algo sério, muitas vezes os educadores acreditam que essas situações são ‗‘coisas da idade‘‘ ou
‗‘passageiras‘‘, não dando a devida atenção. É muito mais fácil para o professor identificar as situações de indisciplina relacionadas à autoridade (professor versus aluno) do
que as situações de agressão entre pares. Como o bullying é um tipo de violência velada e que muitas vezes tem como principal alvo alunos que se consideram inferiores (e
por isso são eleitos pelos autores), os educadores não sabem como lidar. Mesmo os professores que identificam o bullying não conseguem organizar estratégias de
combate ou, se o fazem, ainda são muito superficiais (como a terceirização do problema para outras instâncias, o aumento da vigilância e das punições). A escola que
realmente queira enfrentar esse fenômeno precisa organizar em seu currículo diversas estratégias específicas para o combate ao bullying, porém, mais do que isso, é
preciso que todo o ambiente sociomoral seja cooperativo, respeitoso e justo. As relações interpessoais na escola não podem ser tratadas como uma parte secundária do
currículo escolar é preciso ter coerência nas ações do dia a dia. Um abraço carinhoso, Adriana


Nome não registrado - Postado em 15/12/2010 22:09:43


Olá Professora Adriana, também faço pesquisa nessa área, no entanto na graduação. Gostaria que dissertasse um pouco sobre o agressor, tendo em vista que o colocamos
como o 'malvado' na história e nem sempre é assim. Prova disso são as pesquisas relacionadas ao tema e dentre os mais prejudicados destaca-se o agressor. Assim,
gostaria que falasse um pouco sobre o agressor ser tão popular nas escolas, como podemos observar.


Comentário do Autor - Por favor, leia a resposta que escrevi para o Alex Nogueira da Silva. Para complementar, é preciso compreender que o autor de bullying também
precisa de ajuda, ele rebaixa o outro porque se sente inferiorizado e para se sentir ‗‘melhor‘‘, precisa inferiorizar um colega. Dessa forma, ele se sente valor no grupo. A
escola, sabendo dessa informação, precisa intervir considerando tanto o alvo, como o autor, mas principalmente o espectador, são esse alunos que assistem a tudo, que
promovem, muitas vezes, essa popularidade do autor. Caso precise de materiais para sua pesquisa me escreva um email (adrianaramos@unifran.br), ok? Uma abraço,
Adriana


Edgar Henrique H Trapçp - Postado em 15/12/2010 18:05:01


Prezada Sra. Adriana Ramos Meu nome é Edgar Henrique Hein Trapp, sou psicologo no Tocantins e fiz meu mestrado pela Universidade Lusofona de Lisboa o qual irei
defender agora em Fevereiro e tambem ja estou fazendo meu doutorado em Buenos Aires na Universidad de Ciencias Sociales y Empresariales em Psicologia ao qual
continuo pesquisando sobre o fenomeno bullying. Desta forma, gostaria de termos a possibilidade de encurtamos a distancias para apronfundarmos as pesquisas nesta
area, uma vez que ha na midiauma grande moda sobre o fenomeno e a propria questao dos limites parentais. Assim, gostaria de saber da possibilidade de programamos
um seminarios sobre estas discussoes, ou em Sao Paulo ou fora do eixo, no proprio Tocantins, pois sou professor em duas universidades do curso de psicologia eo qual
poderiamos estarmos pensando algoa para o çproximo ano. Tambem tenho alguns artigos prontos sobre a materia em questao que gostaria de estar publicando,porme
gostaria de sua avaliacao. Fico no aguardo de vosso retorno,colocando-me a vossa disposicao por e-mail - edpsico@yahoo.com.br ou memso pelo fone 63-99714178.
Ciente de vossa atencao Cordialmente Edgar Trapp


Comentário do Autor - Edgar, fico muito honrada com o convite e aproveito para estendê-lo a você. Meu grupo de estudos o GEPEM (UNICAMP/FE) desenvolverá uma
pesquisa nova sobre bullying em 2011 e seria interessante trocarmos ideias sobre seus dados. Em julho de 2011, acontecerá o II COPPEM (Congresso de Pesquisas em
Psicologia e Educação Moral), quem sabe você não apresenta e publica sua pesquisa nessa oportunidade? Vamos continuar nos falando por email
(adrianaramos@unifran.br)? Envie seus artigos, que assim que conseguir um tempinho terei o maior prazer em ler. Um abraço grande, Adriana


Lea Carvalho - Postado em 14/12/2010 13:05:15


Gostaria de saber porque se fala tao pouco deo bullying homofóbico, visto que é o mais praticado nas escolas.


Comentário do Autor - Lea, não se fala pouco, pelo contrário, já há alguns estudos que aprofundam nesses dois temas. Porém, o bullying não se restringe apenas a
homofobia, na realidade, a intolerância ao dito ―diferente‖ é que faz com que esse fenômeno se perpetue. Abraço, Adriana


ana rute pereira da silva - Postado em 14/12/2010 13:01:25


professora Adriana, estou com muitas dúvidas. Ajude-me! Estou concluindo Psicopedagogia e o tema para meu projeto de pesquisa e defesa do artigo é Bullying. Gostaria
de saber mais sobre as vitmas ,os agressores e testemunhas do Bullying, pois moro em cidade pequena e tenho pouquissimo material.


Comentário do Autor - Olá Ana, posso lhe enviar vários materiais sobre o tema. Escreva-me um e-mail (adrianaramos@unifran.br) que lhe encaminho, ok? Um abraço,
Adriana


Marden Heráclio Pereira da Silva - Postado em 12/12/2010 13:55:09


Uma outra coisa que me vem a mente no momento é a questão o bullying para se caracterizar como tal tem que ser efetivado, e quando há o bullying velado? Nas reuniões
de professores o que se ouve de taxações dos alunos, verdadeiras agressões a pessoa humana. Total desrespeito e desconhecimento do contexto em que o outro se
encontra e por isso agi e se manifesta de tais maneiras. Os julgamentos são pelo externo, ou seja, nunca há uma preocupação apriori de entender o a trajetória de vida de
cada um.


Comentário do Autor - Marden, é indignante seu relato, mas é genuíno em muitas escolas. Os conselhos de classe são muitas vezes um local de acusações (professores –
alunos) e os diálogos são repletos de preconceitos e julgamentos de valor. Eu mesma presenciei, várias vezes, tanto em escola pública como particular, o professor falar
que tal aluno merece ser chamado de ―boneca‖, ―florzinha‖, porque ele era muito afeminado mesmo. Isso é muito grave, porque os adultos - e mais do que isso, adultos
educadores (profissionais em Educação) - deveriam ser o exemplo para nossas crianças e jovens. Cabe, portanto, à direção da escola e aos outros professores que não
compartilham de tais afirmações e rótulos mostrarem-se indignados, para que essa prática não se perpetue.


Marden Heráclio Pereira da Silva - Postado em 12/12/2010 13:32:46


Hoje com a realidade da inclusão escolar na rede regular de ensino, a questão do bullying pode agravar-se ainda mais com esse novo indivíduo "estranho" que chega a sala
de aula? Ou o efeito era o inverso, com a inserção haverá um ambiente de mais tolerância com as diferencas?


Comentário do Autor - Olá, Marden! Deveria ser o inverso, mas temos observado em nossas pesquisas que a forma como a inclusão está sendo feita nas escolas (falta de
recursos e materiais, falta de profissionais qualificados etc.), muitas vezes promove situações de exposição ou de exclusão dos alunos com necessidades especiais do
grupo.


AURICÉLIA MELO FEIJÃO - Postado em 09/12/2010 16:35:22
O fato está acontecendo na escola das minhas filha, tem uma que vai cursar o segundo ano do ens. médio, e tem um colega dela que é criado pela avó, a mãe é separada e
vive com outro homem em São Paulo, eles dizem: fulano não tem mãe, vive na rua, catando lixo, fizeram até um vídeo dele, achei horrível, ele quase chora, e chamei
atenção de todos, se o vídeo for parar na internet, eu serei a primeira a processar. Fiquei com muita pena dele, e chamei atenção de todos, como devo trabalhar nesse
caso? Todos tem idade superior a 15 anos.


Comentário do Autor - Mostrar indignação é importante nessas situações. É preciso, porém, compreender um pouco melhor esse contexto. Qual o seu envolvimento com
esses autores e com o alvo? E da sua filha? Ficarei aguardando. Um abraço, Adriana


thaidiane mirella belarmino costa - Postado em 09/12/2010 16:11:12


essa doença so e causada e crianças ? como fazer pra controlar? tem cura?


Comentário do Autor - Isso não é uma doença e sim uma forma de violência. Leia as respostas da matéria que compreenderá melhor. Um abraço, Adriana


Emilia Tamada - Postado em 09/12/2010 00:35:27


Reforço os agradecimentos pela gentileza em nos responder e esclarecer. Me dei conta de que realmente o que é chamada aqui no Japão de "ijime" deve ser diferenciado
do bulling, talvez. A tristeza infelizmente é diária. Outro ponto é a imaturidade , Portanto na prática muitos professores parecem crianças, e adultos são infantilizados( este
assuinto é tema de pesquisa por aqui) tomando o cuidado com a diferença de valores que possuímos mutuamente pois nasci , morei e me formei em São Paulo. A outra
questão realmente é a competência e a responsabilidade logicamente é da escola. Pois aqui apelam para outras saídas : negam a existência do "ijime". Isto é, um outro
meio de não lidarem com o fato. A escola, principalmente o diretor em nome da escola declara que não é "ijime" ou argumentam que desconhecem a existência de "ijime" e
diante dos seguidos suicídios de crianças após sofrerem o "ijime" , sempre dizem que não podem afirmar que o corrido tenha relação com o "ijime". Mesmo diante das
afirmações dos pais que seus filhos sempre relatavam estarem sendo mal tratados. E o mais grave , é alta a frequência de bullying atingindo crianças estrangeiras por
serem "diferentes", por terem nomes "diferentes", etc. Este já é outro assunto longo. Temos que continuar a pesquisar o tema em diversos ambientes para trocarmos
informações e estarmos sempre informados. Muito obrigada. Emilia


Nome não registrado - Postado em 08/12/2010 12:43:05


oi Adriana, a minha filha vem sofrendo bulling na escola onde estuda, chegou até a uma agressão fisica, fiz uma ocorrência eo comandante passou para o conselho tutelar
de vargem bonita é a região da escola dela, me disseram que viriam na escola mas não apareceu ninguém, tive que pedir a transferencia dela para outra escola em Piumhi,
quando fomos pedir a transferencia a Diretora da escola não nos atendeu, a vice diretora disse que mandaria com um motorista, é muito humilhante a maneira como tratam
as pessoas por aqui, isso aconteceu essa semana, me desculpe foi um desabafo, não sei a quem recorrer, obrigado.


Comentário do Autor - Sofremos muito quando essa violência ocorre com nossos filhos, imagino sua dor e revolta ao perceber o descaso das autoridades locais. Espero
que, na nova escola, sua filha não volte a sofrer. Veja: é importante que ela se fortaleça, sentindo-se valorizada, para que isso não ocorra novamente. Um abraço carinhoso,
Adriana


vanessa da silva - Postado em 08/12/2010 07:48:39


Olá Adriana, Gostaria de tirar uma, não sei se pode me ajudar. Existe alguma legislação ou norma que regule as comemorações de aniversário dentro da sala de aula? É
que na escola de minha filha isso acontece o ano inteiro, muitos pais se sentem constrangidos em levar presentes para a turma inteira durante o ano. Já há dois anos minha
filha, por fazer aniversário no final do ano, comemora na escola mas não é lembrada pelo resto da turma.Este ano ela ficou triste e não sei o que fazer. Exite alguma forma
de questionamento legal (porque na verdade penso que aí está mais um caso de compromisso diplomático, etiqueta social entre os pais, entende?) Obrigada!


Andréa de Melo Araujo - Postado em 07/12/2010 18:51:35


Quando diagnosticado o bullying no ambiente escolar, qual a atitude a ser tomada pela instituição escolar e o professor envolvido? E o Cyberbullying?


Comentário do Autor - Desculpe, explique melhor sua pergunta, como assim o professor envolvido? Um abraço, Adriana


genilsa aparecida da silva - Postado em 07/12/2010 16:54:34


como devemos punir o autor do bullying


genilsa aparecida da silva - Postado em 07/12/2010 16:48:57


Eu acho que o bullying é uma coisa muito errada por que oprime o alvo e pode até causar problemas piscologicos por isso eu já mais aprovo o bullying e acho também que
esse tipo de agressao deveria ser punida sevéramente.vôce não acha?


Comentário do Autor - Toda violência é indignante! O bullying deve ser combatido considerando toda a complexidade desse fenômeno. Muitas pesquisas mostram que
alunos autores punidos severamente, por exemplo, pela escola, voltam a cometer o bullying em outros locais. Portanto, é preciso ações sistemáticas e planejadas,
envolvendo toda a comunidade escolar.


Bianca Rocha Xavier - Postado em 07/12/2010 16:37:39


O bullying foi considerado crime este ano, embora que já é conhecido a anos atrás, com esse problema prejudica muito o aprendizado nas escolas, os alunos prejudicados
podem chegar a sofrer traumas que levara tempo para ser superados. As pessoas que sofrem com bullying precisam de ajudas de profissionais que consigam faze-los
superar o seu trauma, tambem precisam de ajuda de seus familiares. Quando o agressor é maior de idade ele poderá ser preso, por realizar esse crime?


Comentário do Autor - É possível, legalmente, a aplicação do Código Penal, como: a ofensa à integridade física (art. 129); injúria (art. 140); calúnia (art 138); difamação (art.
139); ameaça (art. 147), entre outros. Além da possibilidade de punição do agressor no âmbito penal, também há a possibilidade no âmbito civil. De acordo com o art. 186
do Código Civil Brasileiro, aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral,
comete ato ilícito. O Art. 927 do Código Civil estabelece que, aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Att, Adriana


Nome não registrado - Postado em 07/12/2010 16:36:59


Quando nós vemos alguem sofrendo Bullying nós devemos denunciar ou ficar queto?
Comentário do Autor - A forma mais eficaz do combate ao bullying é quando os autores (agressores) perdem a plateia. Você deve procurar ajuda, sim, e também o auxílio
de outros pares. Quanto menos aprovação esse tipo de violência tem, mais se enfraquece. Porém, as pesquisas têm mostrado que muitas vezes a criança ou o jovem que
assiste a tudo calado faz isso com receio de se tornar mais uma vítima. Portanto, a escola precisa trabalhar com os espectadores, com esses alunos que podem se indignar
quando presenciam situações de violência e desrespeito. Abraço, Adriana


genilsa aparecida da silva - Postado em 07/12/2010 16:36:12


na verdade oque é bulliyng


Emilia Tamada - Postado em 07/12/2010 06:06:08


Agradecemos pela resposta . Os comentarios sao muito importantes para que possamos aprdender melhor e combater tambem da melhor forma possivel indiferente da
sociedade onde vivemos. Moro no Japao e aqui muitos ainda fazem questao de preservar certa "igualdade", "uniformidade" principalmente aparente e assim os nossos filhos
"diferentes" na aparencia, no nome e na nacionalidade pois aqui a lei diferentemente do Brasil nao oferece a nacionalidade para os que aqui nascem e filhos de estrangeiros
sao eternamente estrangeiros. Sao muitos os estrangeiros , inclusive brasileiros que desconhecem o Brasil, nunca estiveram na nossa terra. E mesmo estes sofrem o
bullying pela "diferenca" . E os pais sofrem tambem no ambiente de trabalho. Eu nao sofro por ser nikkei e ter a aparencia japonesa ate a hora que "descobrem", apesar de
nunca ter omitido. Entao nossos filhos tambem apresentam certa inferioridade por se perceberem "diferentes"? E em consequencia os japoneses que se acham "iguais" em
aparencia insistem em emitir o "volte para o seu pais!" ? Esta e uma frase comum a todos os estrangeiros. E seria interessante pesquisar porque estudantes do sexo
feminino atuam em maior numero para este tipo de agressao ne? em uma palestra daqui, soube que existe bullying contra os proprios professores assim como os
professosres serem "usados" para que alunos sejam alvos(criam uma situacao para que ocorra o bullying).E outro dado e que 60% dos que sofrem do HIKIKOMORI(jovens
que nao conseguem sair de suas casas,mais especificamente de seus quartos evitando o contato com pessoas) sofreram bullying em sua vida escolar. Mas o importante
sao estes esclarecimentos, porem por aqui os professores costumam tratar do assunto somente advertindo para que nao cometam o bullying. ...Muito obrigada.


Comentário do Autor - Emília, é muito triste sua declaração sobre a discriminação racial em um país como o Japão e em pleno século 21, mas sabemos que isso ocorre
mundialmente, em alguns lugares com maior incidência. Que triste quando há pessoas que se consideram melhores do que outras! Bom, escrevo para lhe esclarecer alguns
pontos do seu agradecimento: um professor pode sofrer violência de seus alunos, mas não é bullying. Uma das características do bullying é a ocorrência entre pares, é
preciso que haja uma relação de poder igualitário (mesmo o autor se colocando em uma posição superior ao alvo). Outro ponto: o professor não é uma criança inocente que
pode ser manipulado pelos seus alunos. Nas minhas pesquisas, eu encontrei muitas vezes o contrário, o próprio docente levantava uma característica negativa de um aluno
de forma coletiva e essa ação desencadeava em violência, preconceito e, até mesmo, em bullying por parte dos alunos. Portanto, é preciso ficar atento a essas afirmações,
que vitimizam o tempo todo o professor e culpabilizam as famílias; também não se trata de culpar a escola, mas de responsabilizá-la pelo que, de fato, é de sua
competência: a Educação. Infelizmente, temos inúmeros dados sobre esse tipo de ação que você citou que a escola japonesa faz, ou seja, apenas advertir para que não se
cometa o bullying, é insuficiente. Estamos tratando de algo complexo e as intervenções precisam contemplar as dimensões: intelectuais (conhecer sobre o assunto,
conseguir sair do próprio ponto de vista), afetivas (valorização pessoal e do outro, sentimento de pertencimento a um grupo) e sociais (adultos significativos – valores mais
morais). E essas ações precisam ser sistemáticas! Um abraço, Adriana


CLAUDIA VALERIA SERRA TEIXEIRA - Postado em 06/12/2010 11:43:16


Uma mãe disse estar seu filho sofrendo bullying por parte do meu (11 anos os dois), sendo que, além do meu filho negar, a escola não constatar, não há características do
fato. O filho dela não é retraído, não é triste, não fica isolado, muito pelo contrário, agita os demais e incomóda-os constantemente (aparência de quem quer sempre chamar
a atenção). Pode haver o bullying mesmo assim? Mesmo com um comportamento tão normal da criança?


Comentário do Autor - Claudia, o fato de o seu filho negar e a escola não perceber, não significa que não esteja acontecendo algum problema na relação entre os dois,
mesmo que não seja bullying, algo não vai bem. Peço que leia a resposta que escrevi para o Alex Nogueira da Silva, pois lá descrevi os tipos de alvo, sendo que um deles
se encaixa no perfil desse menino (alvo provocador). Ao se referir ao menino, você, sem querer, está fazendo um julgamento de valor, veja como escreveu: ''agita os demais
e incomoda-os constantemente (aparência de quem quer sempre chamar a atenção)'', releia o que está entre parênteses. Digo isso porque muitas vezes, sem a intenção,
tanto os pais como os professores, validam o preconceito e a discriminação, o fato dele provocar não justifica ser tratado de forma desrespeitosa (caso realmente esteja
sendo tratado assim). Seu papel como mãe é reconhecer os sentimentos do seu filho, decorrentes da ação de provocação do colega, porém auxiliá-lo a pensar em como
resolver essa situação sem ser desrespeitoso. E isso não é fácil. Vou ilustrar melhor, tenho dois filhos, um de 14 e outro de 18 anos. Recentemente, estávamos almoçando e
um dos meus filhos me disse: ''Mãe, você viu hoje de manhã aquele menino na porta da escola com aquela calça colorida?''. Após eu ter afirmado que sim, ele continuou:
''Nossa que absurdo alguém usar aquela calça!''. A minha resposta foi de reprovação e indignação em relação ao preconceito que ele (como qualquer adolescente) proferiu.
Respondi, imediatamente: ''Por quê? Ele é melhor ou pior do que alguém por ter escolhido ou gostar de usar aquela calça? O que ele te fez pra te deixar assim indignado?
Usou uma calça que você não usaria, é isso?''. Os educadores precisam sempre se posicionar não aceitando qualquer tipo de diferença ou preconceito. O problema não foi
o comentário do meu filho adolescente, e sim como eu me posicionei, pois sou eu o adulto da relação, o exemplo. Eu poderia ter dito: ''Nossa é verdade!! Cadê a mãe desse
menino? Será que ela não vê...''. Na formação de nossos filhos e alunos, precisamos destacar mais valores morais do que não morais, nossa sociedade está o tempo todo
fazendo o contrário, por meio da mídia, dos ditames da moda, do consumo exagerado. Aconselho conversar francamente com seu filho. Mesmo que não esteja ocorrendo
bullying, é preciso cuidar das relações interpessoais e, com certeza, algo não está bem. Ele não precisa ser o melhor amigo ou gostar desse colega, isso precisa ficar bem
claro, mas precisa respeitá-lo e o contrário também é verdadeiro. A escola poderá ajudar ao prever espaços dialógicos sistemáticos e não só quando ocorrem os problemas.
Um grande abraço, Adriana


cicera cruz leite pereira - Postado em 04/12/2010 21:00:14


Na escola em que trabalho como Coordenadora pedagógica, sofremos com o caso de uma criança que sofre de bullying. Qual a forma de resolver este problema se não
temos o apoio da família?


Comentário do Autor - Cícera, provavelmente, vocês devem ter outros casos, mas ainda desconhecem. Inúmeras pesquisas nacionais e internacionais têm mostrado que
quando um adulto (escola ou família) descobre sobre o bullying, a criança ou o adolescente já está nessa situação há, pelo menos, um ano e meio ou dois anos. Isso porque
é uma violência velada e muitas vezes os próprios professores ou pais acreditam ser apenas ‗‘brincadeira da idade‘‘. Independentemente da família, a escola é por
excelência o local de Educação formal, é na escola que os educadores são formados (ou deveriam ser), para lidar com essas questões. Minha sugestão direciona o trabalho
em duas vertentes: é preciso construir um ambiente sociomoral cooperativo na escola como um todo (para saber como, leia o artigo: Classes ‗‘difíceis‘‘ e a construção do
ambiente sociomoral cooperativo na escola – RAMOS, A.M.;VINHA, T.P.; 2009 – você consegue acessá-lo em http://www.fe.unicamp.br/coppem/Anais_1COPPEM.pdf). E
também é preciso ações diretas e sistemáticas em relação ao bullying, como criar espaços de discussão, grupos de ajuda, montar um estatuto antibullying, recomendo outra
leitura: ‗‘Estamos em conflito: eu, comigo e com você! Uma reflexão sobre o bullying e suas causas afetivas‘‘ (TOGNETTA, L.R.P. ; VINHA, T.P. (2008) In: Escola, conflitos e
violência. Santa Maria: Editora da UFSM.). Caso precise, me escreva um email, que posso lhe enviar esse artigos, ok? Espero tê-la ajudado. Abraço, Adriana


claudiana de souza santos - Postado em 03/12/2010 18:28:58


uma criança quando começa a se sentir feia ,chata,e fala que é burra é começo de bullying?


Comentário do Autor - Não necessariamente, mas é uma criança que está precisando de ajuda. O alvo de bullying se sente inferior aos outros, essa criança pode ainda não
ser um alvo. E, independentemente do bullying, é preciso fazer com que ela se sinta valorizada. Abraço, Adriana


anaide silva martins de melo - Postado em 03/12/2010 16:23:51


Eu sou uma estudante de ensino médio e como sabemos no ensino médio ñ tem mais crinças, no meu caso eu acho q sofro bullying! q providências devo tomar se a
diretora da escola ñ resolve o caso?
Comentário do Autor - Anaide, é muito triste saber que você pediu ajuda para a direção da escola e que essa se omitiu. Você tem algum professor que possa escutá-la e
ajudá-la com essa situação? Não sei exatamente o que está ocorrendo, mas você deve continuar buscando ajuda, há algum amigo ou colega na sua escola em que você
confie? Ele também poderá ajudá-la. Ou mesmo seus pais - você acha que eles a ajudariam? Tenha uma conversa franca com alguém que confie e diga o que está
acontecendo e como está se sentindo. Caso não encontre alguém próximo para ajudá-la, você pode procurar o Conselho Tutelar de sua cidade. E, se quiser conversar
comigo por email, poderemos pensar em outras formas de você conseguir superar essa situação, estou a sua disposição para ajudá-la. Um abraço carinhoso, Adriana
(adrianaramos@unifran.br)


elidia da silva - Postado em 03/12/2010 14:19:21


Gostaria de saber quanto aos atos de bullyng nas escolas, se já não existiam antigamente e apenas hoje é que é dado um valor maior sobre o assunto.Pois sempre teve as
gozações e persseguições antigamente na escola.?!


Comentário do Autor - O bullying é um fenômeno antigo, há situações datadas desde 1906, porém não recebia esse nome. Hoje, a mídia tem explorado esse tema e, muitas
vezes, não esclarece aos educadores o que de fato é bullying. Tenho sido convidada por escolas para dar palestras aos pais com uma frequência bem maior, pois devido a
essa informação ‗‘equivocada‘‘, muitos pais acham que o fato das crianças brigarem uma vez na escola ou receberem um apelido implique em bullying. Isso é um perigo,
pois todos os conflitos - que são naturais nas relações interpessoais - acabam sendo considerados como bullying e não o são de fato. O fato de sempre haver perseguições
e gozações, como você cita, não significa que as pessoas que sofreram isso consideravam (ou consideram) boas ou normais essas ações de falta de respeito. E há dados
que mostram muitos adultos com grandes dificuldades de se relacionar, por terem sido alvo de bullying na idade escolar. Abraço, Adriana Ramos


Marcia Regina Basto Silveira - Postado em 02/12/2010 21:27:25


É a frequencia do fato (agressão física e verbal) que se constata como bullying? E se a "vítima" entende como simples brincadeiras, não achando que se trata de bullying, o
que fazer?


Comentário do Autor - Cara Márcia, para ser bullying é preciso que ocorra de forma sistemática. Com relação à vítima entender como brincadeira, é necessário um olhar
atento dos adultos. Será que ela acha mesmo que é brincadeira? Muitas vezes, meninos e meninas que são alvos de apelidos cruéis podem se referir a tais ações
exteriorizando reações como ‗‘Deixa, eu gosto!‘‘. É desconcertante ir contra um grupo em que se está inserido, ser diferente. Para se tornar um igual, muitas vezes
aceitamos ser prejudicados, sem coragem para denunciar ou nos queixarmos. Portanto, deve-se dar atenção a essa criança ou ao jovem, que diz não se importar com a
violência recebida.


SILVIA HELENA ROCHA BARROSO - Postado em 02/12/2010 19:54:14


Como supervisora educacional tenho preocupado-me com a qualidade da educação e em especial com a desistência dos alunos nas escolas públicas. Portanto
reconhecendo os inúmeros desafios no cotidiano escolar, tenho presenciado que aqueles alunos defasados por inúmeors motivos, tem sofrido por demais aos
insultos(bullying) de seus colegas de classe , e assim tenho percebido a falta de autoconfiança desses alunos, e os educadores pouco tem dado importância a esse fato que
indiretamente tem afastado-os a das escolas e quando permanecem ficam ISOLADOS...Como ajudar amenizar esse delicado problema??Silvia Helena Rocha-Fortaleza/Ce


Comentário do Autor - Silvia, muitas pesquisas têm relacionado o desempenho acadêmico dos alunos com a incidência do bullying. Sua preocupação é genuína. Muitas
vezes sem perceber, a escola contribui para o aumento de situações de violência com alunos que apresentam maior dificuldade nos conteúdos. Nosso grupo de pesquisa
presencia, com frequência, muitos professores que ressaltam as dificuldades de adolescentes de forma coletiva, expondo-os ainda mais. Comentários, como ‗‘Nossa, como
você é burro‘‘, ‗‘só podia ser você‘‘, ‗‘você não consegue aprender mesmo‖, são comuns em boa parte de nossas observações. Seu papel como supervisora pode caminhar
no sentido de ajudar esses professores a perceberem que, essas ações, além de não ajudarem esses alunos, ainda atrapalham seu desenvolvimento. Uma criança ou
jovem com estima de si baixa precisa de uma escola que favoreça a mudança dessa percepção. Se os professores sempre usam as mesmas estratégias de ensino, as
mesmas atividades, o mesmo tipo de avaliação, pouco poderão mudar essa situação. Porém, se o ensino for organizado pensando nessas diferenças que os alunos
apresentam frente a um novo conteúdo, considerando os conhecimentos prévios desses com atividades que favoreçam a cooperação e a ajuda mútua, que valorizem
diferentes habilidades, aos poucos, esses jovens começam a se perceber como valor e compreendem que também são capazes. Mas para isso é preciso que os
professores também acreditem nisso, e sabemos que muitos desistem desses alunos que fogem do ‗‘padrão‘‘, que não respondem da mesma forma que a maioria.
Presenciei recentemente uma aluna que ficava isolada, e depois de perguntar para a professora porque ela estava assim, a mesma resolveu ir lá e perguntar para a
adolescente o que estava acontecendo. A garota respondeu que não era nada, a professora completou: ‗‘Você está com preguiça? Não quer fazer a atividade, é isso?‘‘A
menina não respondeu nada e a professora se afastou. Depois, ela contou para uma das pesquisadoras do nosso grupo que na noite anterior passou pelo meio de um
tiroteio na favela que morava, que não havia se machucado, mas que estava com muito medo. Minha pergunta é a seguinte: Por que ela não disse isso para a professora?
Porque ela não a enxerga com um adulto significativo. Essa professora poderia fazer a diferença na vida dessa jovem, mas não fez. Não estou afirmando, que o professor é
o ‗‘Salvador da Pátria‘‘, mas ele pode modificar algumas práticas que estão enraizadas na escola, mas só o fará se perceber isso. Sua ‗‘missão‘‘ é (com muito cuidado e
respeito) favorecer esse descortinar. Caso precise de referências para ajudá-la com seu trabalho, me escreva um email que enviarei. Um abraço carinhoso, Adriana Ramos


Joel Farias - Postado em 02/12/2010 19:48:54


Prezada Dra. Adriana Ramos. Postei meu comentário na página inicial deste artigo. É extenso e não vejo motivo para transcrever aqui. O endereço é:
(http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/comportamento/bullying- escola-494973.shtml ). Gostaria de saber qual a sua opinião a respeito. Obrigado.


Comentário do Autor - Joel, a partir dos 3 anos, a criança entra no mundo da moralidade com o contato com regras, período marcado pela heteronomia: ela considera certo
obedecer às ordens das pessoas com a autoridade ou agir como se comporta o meio social. Nessa fase, a regulação é exterior, os valores não se conservam e são
modificados pela pressão do meio. Por volta dos 7 anos, devido às condições cognitivas de descentração e reversibilidade do pensamento, a criança inicia-se na autonomia
moral. Um sujeito mais autônomo obedece às normas por uma regulação interior (autorregulação – equidade - relações de reciprocidade). Há a conservação dos valores, e
apesar de pressões sociais, ele permanece fiel aos seus princípios de ação. Já jovens que furtam quando não há câmeras estão presos a uma moral heterônoma e não
valorizam o respeito, a sensibilidade a dor alheia, a justiça por equidade e a generosidade. Na escola, a solução está em torná-la um lugar em que o respeito é valor, em que
as pessoas sejam tratadas de forma justa, independente da sua condição e isso deveria ser inegociável entre os educadores. Em minhas pesquisas sobre classes difíceis,
encontrei professores que acreditavam no autoritarismo como melhor caminho. Mas eu também vi aqueles que fizeram a diferença na vida de alunos tratando-os de forma
digna, apesar da dificuldade que esses jovens enfrentavam. Professores que compreendiam que só respeita aquele que se sente respeitado. Observei aulas monótonas em
que alunos passavam o tempo copiando textos, faziam exercícios sem discussão, professores que passavam provas para controlar o silêncio etc. Joel, a aprendizagem é
ativa, é preciso incentivar os alunos a pensar. Porém: como pedir para um professor desenvolver um ambiente cooperativo e respeitoso se ele próprio é heterônomo e tem
dificuldade de compreender pontos de vista diferentes do seu? Seria preciso que valores morais, como a justiça, a dignidade, o respeito e a generosidade ocupassem um
lugar de destaque nas decisões. Ressalto ainda dois pontos importantes que abordou: o ECA e a autoridade do professor. O ECA é baseado em princípios universais e não
é bem compreendido por pessoas presas a uma moral circunstancial. A dignidade e o respeito deveriam ser praticados entre todos os seres humanos, porque temos a
capacidade de pensar e sentir, antecipando consequências. Sobre a autoridade do professor: há educadores que, apesar das situações adversas, como baixo salário e
alunos indisciplinados, são significativos na vida dos jovens. Entre quem você denominou como ―meliantes travestidos de adolescentes‖, esses mestres são considerados
autoridade, porque se importam, tratando os alunos com dignidade tanto nos aspectos cognitivos como nos afetivos e morais. Para refletir: será que os jovens precisam de
cadeia? Nosso sistema prisional torna as pessoas que entram melhores quando saem? Será que os adultos dessa escola saudosa a qual se refere, com a obediência pelo
medo, são pessoas melhores? Atenciosamente, Adriana


Gilvanice da Silva Oliveira - Postado em 02/12/2010 14:31:45


Os pais podem incentivar as crianças a praticar o bullyng com os colegas? E se isso for comprovado eles(pais) podem sofrer alguma consequencia?


Comentário do Autor - Veja, Gilvanice, poder é claro que podem, mas não deveriam, é óbvio. Pois como adultos da relação, são as pessoas significativas na vida dos filhos
e, com certeza, uma atitude dessas não irá contribuir para a formação de pessoas mais justas e solidárias, ao contrário. Agora, quanto a sofrerem alguma consequência é
preciso que tenhamos um certo cuidado: que tipo de consequência você se refere? Uma multa em dinheiro? Uma pena prisional? Não acredito que esse tipo de sanção
possa ajudá-los a tornarem-se mais humanos e melhor como educadores. É preciso ações que os façam refletir sobre suas ações, sobre seus valores e isso não ocorre com
uma pena ou multa em dinheiro. Abraço, Adriana Ramos


PAULA FLORES DE BRAGANÇA - Postado em 02/12/2010 09:38:29


Gostaria de saber se uma criança que sofreu com o bullying, poderá carregar traumasdurante sua vida adulta. E posteriomente, estes traumas ou medos influenciariam
decisões a ser tomadas futuramente , seja no trabalho ou em um relacionamento amoroso? Obrigada


Comentário do Autor - Paula, bom dia! Sim, o alvo muitas vezes permanece nessa mesma situação quando atinge a idade adulta. Atualmente há estudos, identificando um
tipo de ―bullying‖ no ambiente de trabalho, alguns estudiosos têm chamado esse fenômeno de ―mobbing‖, ou assédio moral no ambiente de trabalho. Esses estudos tem
mostrado que, muitas vezes, um alvo ou autor na escola permanece nessa situação no ambiente de trabalho. A escola precisa, de fato, compreender a importância desse
fenômeno e promover discussões tanto sobre o tema, como construir um ambiente que favoreça a generosidade e a justiça entre os alunos. Porém, muitas vezes, há uma
preocupação grande em descobrir e culpar (por exemplo, punindo) os responsáveis, sem que esses tomem consciência de suas ações. Isso corrobora com o aumento do
problema em outros ambientes e faz com que perdure no tempo. Abraço, Adriana Ramos


Eunice Aparecida Lopes Peres - Postado em 02/12/2010 09:06:05


O que pode ser um bulliing na sala de aula?


Comentário do Autor - Eunice, bom dia! O bullying diz respeito às ações agressivas, intencionais e repetidas, praticadas por um ou mais alunos contra outro. Não são
desentendimentos ou brincadeiras eventuais. São agressões sistemáticas que muitas vezes acontecem na frente dos professores, que não consideram como algo sério e
sim como ―coisa da idade‖ ou ―brincadeira de menino‖. Normalmente, situações de desrespeito entre pares não são consideradas tão graves pelos docentes, em relação a
situações de desrespeito de um aluno para com o professor. Abraço, Adriana Ramos


Emilia Tamada - Postado em 02/12/2010 03:20:23


Gostaria de saber sua opinião sobre o bullying em diferentes culturas (resido no Japão). Há semelhanças nas caracteristicas porém os motivos e soluções não seriam
diferentes ?


Comentário do Autor - Cara Emília, as explicações para o fenômeno do bullying atualmente parecem concordar com aquelas que discutem, sem dúvida, a violência em
geral: não são causas sociais, culturais ou econômicas isoladas. Em uma pesquisa recente, realizada por nossos alunos da pós-graduação sobre a incidência de bullying em
escolas públicas e particulares, foi possível constatar possíveis diferenças entre esses dois ambientes escolares que correspondem, na maioria das vezes, a níveis
socioeconômicos diferentes. O fato é que não foram encontradas diferenças tão significativas entre os dois ambientes, embora tenham constatado que uma diferença,
pequena que seja, sempre foi encontrada situando a escola pública com maiores referências ao bullying. Todavia, a cultura de um povo revela os valores que a população
elege como importantes e, nesse sentido, você está correta ao afirmar que os motivos podem ser diferentes, mas apenas os conteúdos e não a causa (ver resposta dada
para Alex N. da Silva) desses motivos. Isso porque, há um sentimento de pertencimento, que engendra os valores culturais e sociais nos quais se está inserido. Sentimos
uma necessidade de estar adequados ao que o grupo social ao qual pertencemos espera de nós. Pesquisas sobre o bullying realizada no Japão revelam um dado
interessante: atualmente, é o único país em que há mais autores do sexo feminino do que masculino, contrariando as estatísticas de outros países pesquisados. Abraço,
Adriana Ramos


Gizely Araújo da Silva Bezerra - Postado em 02/12/2010 01:39:24


Na escola temos feito várias atividades sobre este tema, mas acho que podemos fazer mais. Gostaria de saber se existem dinâmicas sobre o assunto. Obrigada!


Comentário do Autor - Nosso grupo de estudos (GEPEM/UNICAMP) e o curso de pós-graduação que coordeno (Relações Interpessoais na Escola/UNIFRAN) estudam a
necessidade de criarmos espaços nas escolas para discutirmos não somente sobre o bullying, mas também propiciarmos um ambiente sociomoral cooperativo como um
todo. Posso lhe indicar algumas sugestões de bibliografias, que descrevem alguns procedimentos de intervenção, tanto para o bullying, como para as relações interpessoais
na escola de forma geral. Por favor, me escreva um email que lhe envio esse material. (adrianam-ramos@uol.com.br ou adrianaramos@unifran.br) Abraço, Adriana Ramos


Alex Nogueira da Silva - Postado em 01/12/2010 23:00:43


Adriana, acho que aqui em minha comunidade tem muitos casos de dúvidas porém eu ainda tenho dúvidas de como diagnosticar o menmo. Então quais os principais
sintomas e consequências de bullying em um jovem?


Comentário do Autor - Caro Alex, os alvos* passivos são mais inseguros e ansiosos do que o resto dos alunos; são sensíveis, quando se sentem atacados, normalmente
choram e se afastam; possuem baixa autoestima (opinião negativa sobre si mesmos), se consideram fracassados e burros, não atraentes; normalmente, não têm um bom
amigo na classe; não mostram conduta agressiva; não respondem aos ataques nem aos insultos. Essas ‗‘vítimas‘‘, muitas vezes, têm um contato mais estreito com os pais,
especialmente com as mães. Nesse cenário de violência há também os alvos* provocadores, que se caracterizam por uma combinação de modelos de ansiedade e reações
agressivas; podem ter problemas de concentração; se comportam de forma que causam irritação e tensão ao redor, pois suas condutas provocam muitos alunos da classe
(reações negativas ao redor), são mais propensos à depressão e também possuem uma baixa autoestima. Em médio e longo prazo, poderão sofrer depressão, neurose,
histeria, dificuldades de fazer escolhas e continuam se fazendo de vítimas, mesmo quando se casam e mantém relacionamentos com seus maridos ou mulheres. Já os
autores** de bullying são agressivos com os companheiros e com alguns adultos; têm uma tendência à violência ou ao uso de meios violentos para resolver seus conflitos;
são mais impulsivos e possuem uma necessidade de dominar os outros. É frequente que tenham uma opinião relativamente positiva de si mesmos, porém mostram uma
''insegurança soterrada''. Isso porque rebaixam o outro para se sentirem superiores. O que há em comum entre alvos e autores é, justamente, uma estima de si baixa.
Ambos não possuem uma autoimagem positiva - e isso é um dos pontos que favorece a manutenção desse tipo de violência, principalmente no ambiente escolar. * Antes
denominados vítimas. ** Antes conhecidos como os agressores. Abraço, Adriana Ramos


Thaís dos Santos Pereira Marins - Postado em 30/11/2010 23:12:32


Atraves de quais materias posso elaborar minha monografia? Quais autores?


Comentário do Autor - Thaís, há diversos autores que posso lhe indicar. A bibliografia sobre esse tema é vasta. Por favor, me escreva um email e eu lhe envio um arquivo
com toda a bibliografia, ok? (adrianam-ramos@uol.com.br ou adrianaramos@unifran.br). Um abraço e bom trabalho! Adriana Ramos


Nome não registrado - Postado em 28/11/2010 23:59:34


Meu filho, 13 anos, segundo ano ginasial(Japao),duas semanas nao quer ir a escola. Ele eh meio timido,valoriza os amigos.Diz ele que,um grupo de alunas da mesma
classe fofocaram s/ele e usaram palavras q/machucaram o sentimento dele, mas ele nao quer falar quais foram essas palavras.Abril e agosto foram terriveis por causa
delas,mas ele aguentou.Os amigos do beisebol vem visita-lo apos as aulas e as vezes saem juntos p/irem ao mercado.Nestes momentos, vejo-o rindo, brincando.De
manha,qdo chega a hora de ir a escola, chamo-o de costume, mas fica fingindo que estah dormindo.O amigo dele que mora perto daqui,vem p/tentar ir junto,mas ele nega.O
prof.responsavel tbem tenta resolver, o tecnico do beisebol tbem, mas sem resultado.Eu, como mae,gostaria que essas alunas viessem pedir desculpas ao meu filho.pois,
se continuar assim, nao conseguira acompanhar os estudos, e os amigos se afastarao dele e sera dificil enfrentar a ida na escola. Qual seria outras formas p/que o meu filho
possa recomecar a ir na escola tranquilo, sem trauma.Acho que nao adianta ficar soh tentando "convencer" meu filho a ir na escola, se as pessoas que fofocaram, estao
ilesas no caso, alem do professor, ou outro responsavel nao comentar nada delas p/nos.Por favor, mostre-me outro caminho p/o meu filho.


Comentário do Autor - É possível imaginar o quanto essa situação é estressante para ele e para a família - que quer ajudá-lo, sofre com ele, mas não sabe o que fazer! Seu
filho já passou por esse problema antes e parece não ter superado, embora tenha tido um ano sem dificuldades no intervalo do que aconteceu antes e agora. Somado à sua
resistência em enfrentar a situação, os medos, as angústias, os afastamentos, isso mostra que está pesado demais para ele e para você superarem esse problema
sozinhos. Por um lado, veja que, como mãe, você tem percebido que ele se comporta diferente com alguns amigos e com você. Está certo que, com os que são mais
íntimos, somos nós mesmos, com nossas angústias, mas observe, esse silêncio pode ser ajudado a ser rompido quando a família faz uma terapia também. Quanto à ir a
escola, esse é um fato que ele terá de enfrentar. Mas é preciso estar forte. Você pode propor-lhe frequentar uma terapia e se fortalecer para voltar a escola, mas essa é
condição: voltar para a escola não se abre mão. Reconheça os sentimentos dele, diga-lhe o quanto o ama e o quanto está vendo que ele sofre. Diga-lhe que pode ajudá-lo.
E, nesse caso, busque uma ajuda terapêutica para você também saber como lidar com ele. Diga-lhe que se ele prefere ir juntamente com você à escola para falar sobre o
que tem acontecido. Com a ajuda da terapeuta, vá a escola para que saibam que há algo incomodando seu filho. A responsabilidade também é da escola. Contudo, lembre
professores e gestores da delicadeza da situação, para que estudem formas adequadas de intervenção. Um abraço carinhoso, Adriana


Setembro 2004


Adolescentes - Entender a cabeça dessa turma é a chave para obter um bom aprendizado

Uns parecem estar no mundo da lua. Outros, num ringue de boxe. Para driblar essas atitudes que prejudicam suas aulas, é preciso conhecer e respeitar as
mudanças que ocorrem na adolescência, ganhar a confiança da turma e aproximar o conteúdo escolar do cotidiano da garotada


Meire Cavalcante (novaescola@atleitor.com.br)




Joyce Costa Batista, 16 anos, Marcos Amaral,16 anos, Morizi Salles
Martins,16 anos, Beatriz Maria Minghetti,17 anos, Antonio Carlos de
Souza Jr., 17 anos, Fernando Ferreira Garabedian, 16 anos, Erick Tavares
Albunaz, 18 anos, Joice Alves dos Santos, 16 anos


"A culpa é dos hormônios." Até há bem pouco tempo, a indisciplina e o comportamento emocionalmente instável dos adolescentes eram atribuídos à explosão hormonal
típica da idade. Pesquisas recentes mostram, no entanto, que essa não é a única explicação para a agressividade, a rebeldia e a falta de interesse pelas aulas, que tanto
preocupam pais e professores. Nessa fase, o cérebro também passa por um processo delicado, antes desconhecido: as conexões entre os neurônios se desfazem para que
surjam novas. Simplificando: o cérebro se "desmonta", reorganiza as partes e em seguida se "monta" novamente, de forma definitiva para a vida adulta (veja quadro).


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          Quietinho ou solitário?
          Calma, isso pode ser só estresse
          Tudo sobre bullying
          Coisa de menino. Coisa de menina. Será?
          Para namorar sem riscos
          Artigo de Lidia Aratangy - Pelo bem das próxima gerações


Entre 13 e 19 anos, é comum os jovens apresentarem reações e comportamentos que independem da vontade deles. Portanto, nem sempre palavras ditas de maneira
agressiva ou arrogante são fruto da falta de educação. Para quem convive diariamente com turmas dessa faixa etária - que ora parecem estar no mundo da lua, ora com
pane no sistema - e quer conquistá-las, a saída é agir de forma firme, mas respeitosa.

Não adianta bater de frente

A primeira "lição" para quem trabalha com adolescentes é não tomar para o lado pessoal qualquer tipo de afronta vinda de um aluno. Responder a uma provocação no
mesmo tom só faz você perder o respeito e a admiração do grupo — o que dificulta o trabalho em classe. Além disso, ao perceber que tirou o professor do sério, o jovem se
sente vitorioso e estimulado a repetir a dose. "Educar não é um jogo em que se determina quem vence ou perde", afirma a psicopedagoga Maria Helena Barthollo, do Centro
de Estudos da Família, Adolescência e Infância, no Rio de Janeiro. Ela sugere que a luta com a garotada dê lugar a parcerias. Os acordos incluem regras, direitos e limites
que valem para todos, inclusive você.

O jovem, a partir dos 12 ou 13 anos, está passando por um período de instabilidade psicológica natural. De acordo com a psicopedagoga Nadia Bossa, professora da
Universidade Santo Amaro, em São Paulo, nesse período ele revive conflitos típicos da infância. "Aos 2 ou 3 anos, quando a criança percebe sua fragilidade, grita, teima,
testa os adultos. Quando a mãe, por exemplo, impõe um limite, ela tem a garantia de que está sendo cuidada", explica. O adolescente faz o mesmo. "Ele testa os limites dos
adultos numa tentativa de estabelecer novos parâmetros de poder sobre sua realidade." Considerando a informação, fica mais fácil para você não interpretar reações
intempestivas como uma agressão pessoal.

O professor de História Renato Mota Duarte, da Escola Municipal de Ensino Fundamental e Médio Derville Allegretti, em São Paulo, já se deu conta de particularidades
dessa fase. "Não grito quando os alunos ignoram que eu entrei na sala. Dou bom dia e começo a chamada em voz baixa. Aos poucos eles se acalmam." Mas quando o
professor encontra a turma na maior briga? É hora de estabelecer a ordem e ouvir os motivos da discussão. "Não adianta fingir que nada aconteceu porque a cabeça deles
está longe da matéria", observa o professor de Ciências e Biologia Jefferson Marcondes de Carvalho, do Colégio Madre Alix, também em São Paulo. Nessas situações, ele
age como um intermediário, levando os estudantes a entrar em acordo, mantendo sempre o respeito.

Os alunos precisam ter voz

Os dois educadores apostam na qualidade do relacionamento com os alunos como um dos fatores determinantes para a aprendizagem. Carvalho organiza oficinas de
malabarismo com a turma e Duarte incentivou a grafitagem, depois de encontrar a parede do corredor pichada. Dessa forma, os alunos dele perceberam que tinham
liberdade de pedir o que desejavam. "A escola tem que acolher as sugestões dos estudantes, analisá-las e ver se são viáveis. Assim, eles se sentem considerados e
respeitados", explica Nadia Bossa.

Na escola de Duarte, a cada 15 dias os intervalos têm tempo dobrado, porque os estudantes fazem apresentações musicais para os colegas. O professor também trabalha a
interação e o respeito entre os jovens, debatendo assuntos que tanto os inquietam, como sexualidade, drogas, violência e desemprego. Ele costuma atender cada um de
seus alunos em particular. "Procuro saber como eles estão se sentindo, os problemas pelos quais estão passando e como é o relacionamento com a família. Deixo que
fiquem à vontade para falar."

O interesse facilita a aprendizagem




Confiança e consideração: o
professor Renato Duarte, da Escola
Derville Allegretti, atende em
particular cada um dos alunos,
que confidenciam a ele angústias
e inseguranças.
Foto: Gustavo Lourenção


Confiança e consideração: o professor Renato Duarte, da Escola Derville Allegretti, atende em particular cada um dos alunos, que confidenciam a ele angústias e
inseguranças
Se os adolescentes admiram e respeitam o professor, ele já tem meio caminho andado para desenvolver os conteúdos curriculares. Para percorrer a outra metade do
caminho, é preciso ter boas táticas. Uma das melhores formas de ensinar os jovens é fazer da sala de aula algo bem próximo do mundo deles. Por isso, Duarte fica por
dentro da onda hip-hop e aprende parte da linguagem e dos interesses da garotada, enquanto Carvalho assiste à MTV — canal aberto com programação dirigida aos jovens
— para saber as novidades. Ambos já sabem que o adolescente só retém na memória o que chama muito a atenção. E a ciência confirma o que eles concluíram no dia-a-
dia. Atividades feitas com base em um rap que a moçada adora, por exemplo, permitem que as informações sejam fixadas na memória com mais facilidade.

"A música estimula o lobo temporal no cérebro e faz com que os circuitos estabelecidos com o córtex pré-frontal — região que analisa a informação — sejam mais
consistentes", afirma a neuropediatra Tania Saad, professora do Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação, no Rio de Janeiro. O lobo frontal é a região responsável
pelas emoções e pelas experiências de vida. Como o cérebro está se reorganizando, o adolescente não tem idéia do que é ou não importante. Por isso, se ele não vê
relevância de uma informação para sua vida, o novo dado se perde no turbilhão que é a sua cabeça.

Para fazer das aulas algo que instigasse seus alunos da 6ª série, Carvalho recebeu o jogo Super Trunfo com entusiasmo em sala. Na brincadeira, vence quem tem as cartas
com carros mais potentes ou velozes. Com base no conteúdo estudado, a meninada bolou o Super Trunfo Animal. Os alunos pesquisaram vertebrados e invertebrados e
levantaram uma série de características de diversos bichos. Eles criaram os critérios de pontuação, que variaram conforme a sala. "Numa turma, os animais em extinção
venciam porque eram raros. Em outra, eles perdiam porque, se houvesse uma alteração ambiental, seriam os primeiros a morrer", conta Carvalho.

Duarte vai pelo mesmo caminho e igualmente relaciona o cotidiano dos alunos aos temas do currículo. "Pedi para eles observarem onde eram fabricados os tênis ou as
canetas que usavam. Essa foi a forma de introduzir a discussão sobre a abertura econômica da década de 1990 e os índices de desemprego no Brasil", comenta. "Quando
o professor aproxima o conteúdo escolar dos interesses dos alunos, a necessidade de resistir fica em segundo plano", analisa Nadia Bossa.

Quando o problema é outro




O mundo do jovem na escola: a
turma de Jefferson de Carvalho,
do Colégio Madre Alix, aprendeu
Ciências ao adaptar um popular
jogo de cartas.
Foto: Manuel Nogueira


Nem sempre, contudo, atitudes inadequadas do aluno são totalmente justificadas pela fase por que passa. Agressividade ou problemas de socialização podem ter causas
mais sérias, com as quais o adolescente não sabe lidar. "Vale o professor ficar atento também à vida familiar do estudante", alerta Tania Saade. "O jovem não tem um bom
rendimento escolar se os pais o agridem física ou moralmente."
Há ainda alunos que chegam à adolescência com problemas auditivos ou visuais nunca tratados, o que justifica o desinteresse pelas aulas. Outro tipo de caso citado pela
neuropediatra é o dos estudantes que não cursaram a Educação Infantil. Nessa etapa da escolarização, o aluno aprende a se socializar e a conviver com regras, além de
desenvolver a linguagem oral e a psicomotricidade. "É fundamental o professor estudar o histórico completo do aluno e estar atento ao que se passa com ele fora da
escola", recomenda Tania.

Trabalhar dessa maneira — conhecendo bem o aluno, fazendo pontes constantes entre o mundo jovem e a matéria a ser dada e driblando o comportamento agitado da
turma — requer comprometimento, planejamento apurado e alto grau de paciência. Para não perder o equilíbrio, as especialistas dão uma sugestão importante: deixe seus
problemas do lado de fora da sala e não absorva aqueles que surgirem lá dentro. Não é fácil, mas dados os primeiros passos, não só o conteúdo vai ser bem trabalhado
como também a formação humana, que justifica a existência da escola.

Cada atitude pede uma solução

Você evita prejudicar suas aulas quando lida adequadamente com reações típicas da adolescência.

Desinteresse — O jovem está mais preocupado com a roupa que vai usar do que com os presidentes da época da ditadura. Tente saber o que passa pela cabeça dele e
contemple em suas aulas as dúvidas que traz sobre sexualidade, por exemplo, por meio de dinâmicas, pesquisas ou debates. Para não expor ninguém, procure ter
conversas particulares. O estudante precisa sentir que a escola satisfaz suas expectativas.

Agressividade — Vandalismo e agressões verbais e físicas, por exemplo, podem ser resposta do jovem ao mundo que o cerca. Cobranças por bom desempenho escolar e
por atitudes maduras geram ansiedade e reações inadequadas, já que ele não se sente apto a atender às expectativas. Procure saber como é o relacionamento do aluno
com os pais e que idéia faz de si mesmo e de seu futuro. Se ele encontrar na escola um local para expressar seus pensamentos e descobrir suas aptidões, o nível de
ansiedade e a agressividade diminuem.

Arrogância — O adolescente acha que pode tudo. A idéia de que está sempre certo faz com que ele desdenhe do que é dito ou imposto. Em vez de responder à altura,
uma boa solução é questioná-lo. Peça que explique o que tem em mente e pergunte porque usou aquele tom de voz. Para responder, ele vai formular melhor os
argumentos. Pode ser que reconheça o erro, mas, mesmo se ele mantiver o que disse, já terá ao menos aprendido a se expressar de forma educada.

Rebeldia — Você sugere à turma a apresentação oral de um conteúdo estudado. Responder com um baita "Ah, não!" geralmente é a primeira reação. Os motivos podem
ser insegurança ou mesmo uma forma de se auto-afirmar frente aos colegas. O problema é quando a negação vem de forma brusca. O melhor a fazer, nesse caso, é não
entrar no embate já que o jovem testa os mais velhos para ver até onde pode ir. Ao falar o que é necessário e deixar claro o papel de cada um, você conquista o respeito
deles pelo bom exemplo.

Resistência — O jovem quer experimentar tudo, viver tudo, saber de tudo. Só que tem sempre um adulto dizendo o que ele não pode fazer. Mesmo que essas sejam
orientações sensatas, é preciso compreender que sensatez ainda não é uma qualidade que eles valorizam. O adulto é quem impede as coisas que dão prazer. Por isso a
resistência ao que vem do professor ou dos pais (e nisso se inclui o conteúdo escolar). Antes de começar a aula, por que não bater um papo rápido sobre algo que interessa
à moçada? Aberto o espaço, os jovens baixam a guarda e percebem que para tudo tem hora.


A neurologia explica

Tudo o que pode parecer estranho no comportamento dos adolescentes tem explicação neurológica. A falta de interesse pelas aulas, por exemplo, é conseqüência de uma
revolução nas sinapses (conexões entre as células cerebrais — os neurônios). Nessa etapa da vida, uma série de alterações ocorre nas estruturas mentais do córtex pré-
frontal — área responsável pelo planejamento de longo prazo e pelo controle das emoções —, daí a explicação para ações intempestivas e às vezes irresponsáveis.

Por volta dos 12 ou 13 anos, o cérebro entra num processo de reconstrução. "É o que eu chamo de 'poda' das sinapses para que outras novas ocupem o seu lugar", afirma
o psiquiatra Jorge Alberto da Costa e Silva, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), que estuda essas alterações na Escola Médica de Nova York. Segundo Silva,
o cérebro faz uma limpeza de conexões que não têm mais utilidade — como as que surgiram para que a criança aprendesse a andar ou a falar, por exemplo — e abre
espaço a novas.

Grosso modo, funciona assim: quanto mais são usadas, mais as conexões se desenvolvem e amadurecem. Imagine que para tocar um instrumento o indivíduo necessite de
algumas sinapses. Quanto mais ele pratica, mais "fortes" ficam as conexões. Se não são usadas, elas ficam lá só ocupando espaço e são descartadas na adolescência. Ao
mesmo tempo, o que a pessoa aprende nesse período fica para a vida inteira.

Esse intenso processo de monta e desmonta remodela toda a estrutura básica cerebral. Por isso, afeta "desde a lógica e a linguagem até os impulsos e a intuição", explica a
jornalista Barbara Strauch, editora de medicina do jornal norte-americano The New York Times e autora do livro Como Entender a Cabeça dos Adolescentes, que apresenta
as últimas pesquisas sobre o assunto.
Giovana Girardi


Quer saber mais?


CONTATOS
Escola Municipal de Ensino Fundamental e Médio Professor Derville Allegretti, R. Voluntários da Pátria, 777, 02011-000, São Paulo, SP, tel. (11) 6221-0710
Colégio Madre Alix, R. Gabriel Monteiro da Silva, 1555, 01441-001, São Paulo, SP, tel. (11) 3082-8455

BIBLIOGRAFIA
Como Entender a Cabeça dos Adolescentes, Barbara Strauch, 256 págs., Ed. Campus, tel. 0800-265340, 45 reais
Avaliação Psicopedagógica do Adolescente, Nadia Bossa e Vera Barros de Oliveira (orgs.), 288 págs., Ed. Vozes, tel. 0800-2824676, 37 reais


Comentários (1)


clauderiete antonia de oliveira magalhães - Postado em 09/05/2009 21:35:08


Olha realmente nós professores precisamos prestar atenção a cada um dos nossos alunos. Sim é verdade, mas então pro que uma sala de aula tem de 40 a 45 alunos de 8º
serie? É verdade temos que.......... isso aquilo.... aquilo outro...enfim. De um lado alegam que o numero de alunos estão atrelados ao números de funcionarios da escola,.
Então continuamos com as salas cheias e com problemas velhos e novos. Sinceramente sinto como se tivesse com uma mordaça na boca e fosse invisivel, ninguém escuta
e ninguém vê. Mas a luta continua.

								
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