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FACULDADE UFO

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									FACULDADE UFO (UNIVERCIDADE FEDERAL DE UBERLANDIA, MINAS
                        GERAIS)




                PROGRAMA DE GRADUAÇÃO
               BACHARELADO EM TEOLOGIA




ANGELOLOGIA: SUA INFLUÊNCIA NA HUMANIDADE AO LONGODOS
                        TEMPOS




             XXXX-NOME DO ALUNO-XXXX
                    MINAS GERAIS 2009
            XXXX-NOME DO ALUNO-XXXX




ANGELOLOGIA: SUA INFLUÊNCIA NA HUMANIDADE AO LONGO DOS
                        TEMPOS




                      Monografia apresentada na univercidade UFO
                      Minas Gerais, como requisito para a obtenção do
                      grau de Bacharel em Teologia, sob a orientação do
                      Reitor Rev. Prof. Dr. Lawton Gomes Ferreira.




                      SÃO PAULO
                         2009
DEDICATÓRIA




          Aos meus pais, Sandow Teixeira e
                 Sirlhey Ferreira Teixeira
                                  Agradecimentos




A Deus que meu deu vida e inteligência, dando-me força para caminhar em busca dos
meus objetivos.

Aos meus pais, que me trouxeram ao mundo e me ensinaram a não temer desafios e a
superar obstáculos com humildade.

Aos meus familiares em geral, em especial a minha companheira ,aos meus filhos, que
compreenderam a necessidade de minhas ausências e dedicação para a realização do
curso e deste trabalho.

Aos meus professores, amigos e colegas de curso e de trabalho que de alguma forma
contribuíram com orações e palavras de encorajamento para o êxito ora alcançado.
                                        Resumo




O presente trabalho tem por objetivo abordar os aspectos referenciais que orientam a
discussão sobre a doutrina dos anjos, ou seja, a Angelologia e as suas implicações e
influências na Humanidade, ao longo dos tempos.

Foram realizadas pesquisas em livros, revistas, enciclopédias, artigos e trabalhos
publicados na Internet e foram consideradas as diversas visões na análise e também os
enfoques direcionados e respaldados pela Bíblia Sagrada.

É necessário deixarmos de lado o preconceito que porventura exista sobre o tema, pois
trataremos de seres invisíveis, e somente assim, ao final da leitura deste trabalho
teremos uma visão mais focada da realidade dos anjos em nossos tempos.

Inicialmente, aborda-se o conceito de anjos feito pelos povos pré-cristãos, passando pela
igreja primitiva, era medieval até chegar aos tempos atuais.

Nos capítulos seguintes aborda-se de maneira profunda como a Angelologia tem sido
tratada na atualidade, discorre-se sobre o bombardeio feito pela mídia na exploração
deste tema, causando, por vezes, distorções e a visão futurista que revela talvez
erroneamente que os avistamentos de OVNIs e seus tripulantes teriam certa correlação
com os Anjos bíblicos.

Em seguida trazemos à tona o conteúdo desta doutrina bíblica sobre os anjos, abordando
a existência, a natureza, a classificação e a queda dos anjos, com base bíblica.

No penúltimo capítulo conheceremos mais sobre a importância de ter o perfeito
entendimento da Angelologia e os seus desdobramentos na igreja atual.

Conclui-se levantando questionamentos e oferecendo contribuições para que se possa
repensar neste importante assunto, entendendo-se as distorções existentes, discernindo a
verdade bíblica em virtude de ainda, infelizmente, o tema ter sido abordado com pouca
intensidade nas ministrações da Palavra de Deus nas igrejas dos dias de hoje.
                                                          Sumário


1 Introdução .......................................................................................................... 8
2 HISTÓRICO DA ANGELOLOGIA AO LONGO DOS TEMPOS................ 9
2.1 Período Pré-cristão ...................................................................................... 9
2.1.1 Sumerianos .......................................................................................... 10
2.1.2 Mesopotâmicos.................................................................................... 10
2.1.3 Hititas................................................................................................... 11
2.1.4 Egípcios ............................................................................................... 11
2.1.5 Cananitas.............................................................................................. 12
2.1.6 Babilônicos .......................................................................................... 13
2.1.7 Medo-Persas ........................................................................................ 13
2.1.8 Gregos .................................................................................................. 14
2.1.9 Judeus................................................................................................... 15
2.1.10 Romanos ............................................................................................ 16
2.2 Período Cristão .......................................................................................... 17
2.2.1 Na Igreja Primitiva .............................................................................. 17
2.3 Período Medieval....................................................................................... 18
2.3.1 Na Idade Média ................................................................................... 18
2.3.2 Na Reforma.......................................................................................... 18
2.4 Período Moderno e Pós-moderno ............................................................. 19
2.4.1 Na Modernidade .................................................................................. 19
2.4.2 Na Pós-modernidade ........................................................................... 19
3 COMO A ANGELOLOGIA TEM SIDO TRATADA HOJE? ..................... 20
3.1 Os Anjos e o Misticismo ........................................................................... 21
3.2 Os Anjos e as Tendências Consumistas.................................................... 22
3.3 Os Anjos e os OVNIs ................................................................................ 22
4 A ANGELOLOGIA BÍBLICA....................................................................... 25
4.1 Criação dos Anjos...................................................................................... 25
4.2 Natureza dos Anjos.................................................................................... 26
4.3 A Habitação dos Anjos.............................................................................. 28
4.4 As Funções dos Anjos ............................................................................... 28
4.4.1 No Antigo Testamento ........................................................................ 28
4.4.2 No Novo Testamento........................................................................... 29
4.5 Classificação Específica dos Anjos........................................................... 29
4.5.1 Arcanjos ............................................................................................... 29
4.5.2 Serafins ................................................................................................ 30
4.5.3 Querubins............................................................................................. 30
4.5.4 Anjo Mensageiro ................................................................................. 31
4.5.5 Anjo do Senhor.................................................................................... 32
4.5.6 Anjo da Guarda.................................................................................... 33
4.5.7 Principados, Potestades, Tronos, Soberanias e Poderes..................... 33
4.5.8 Anjos Maus.......................................................................................... 34
4.6 Queda dos Anjos........................................................................................ 35
4.6.1 A Queda de Lúcifer ............................................................................. 35
4.6.2 Resultado da Queda............................................................................. 36
4.6.3 Natureza dos Demônios ...................................................................... 36
4.6.4 Nomes Qualificativos de Satanás........................................................ 36
4.6.5 Diabo (Mateus 4:1 e Efésios 6:11)...................................................... 36
4.6.6 Serpente (Apocalipse 12:9 e 20:2) ...................................................... 37
4.6.7 Dragão (Apocalipse 12:3-17 e 13:2-4) ............................................... 37
4.6.8 Príncipe dos Poderes do Ar (Efésios 2:2) ........................................... 37
4.6.9 Príncipe deste Mundo (João 12:31; 14:30 e 16:11)............................ 37
4.6.10 Mentiroso e Pai da Mentira ............................................................... 37
4.7 Ministérios dos Anjos................................................................................ 37
4.7.1 Com Cristo........................................................................................... 37
4.7.2 Com os Crentes.................................................................................... 38
4.7.3 Com os Descrentes .............................................................................. 38
5 DESDOBRAMENTO DA ANGELOLOGIA NA IGREJA ATUAL .......... 38
5.1 Mentiras Angelicais................................................................................... 38
5.1.1 Crer na Auto-Criação dos Anjos......................................................... 38
5.1.2 Crer que os Anjos devem ser adorados............................................... 39
5.1.3 Crer que os Anjos se casam ................................................................ 39
5.1.4 Crer que os Anjos não estão sujeitos à Cristo..................................... 39
5.1.5 Crer que os Anjos Caídos foram criados perversos............................ 39
5.1.6 Crer que os Anjos não irão ao castigo eterno ..................................... 39
5.2 Anjos entre Protestantes Brasileiros.......................................................... 39
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................... 40
Referências Bibliográficas.................................................................................. 43
                                  1 INTRODUÇÃO


       Vivemos atualmente em um mundo globalizado, onde o pensamento se torna
também global, onde é consenso da maioria da civilização humana que nós convivemos
com um mundo espiritual numeroso e muito poderoso, possuidor de recursos superiores
aos contidos em nosso mundo visível. Estes seres, também intitulados anjos, podem agir
de forma boa ou má.

       O termo anjo na língua portuguesa tem origem na palavra latina “angelu”, que
por sua vez se deriva do termo “aggelov“ (aggelos) do grego. Em hebreu, o termo usado
é “malak”.

       A palavra “malak” aparece mais de duzentas vezes no Antigo Testamento, e a
palavra “aggelos” ocorre mais de cento e cinqüenta vezes no Novo Testamento, sendo
que ambas tem o significado de mensageiro, representante, enviado ou embaixador.

      Por meio das Escrituras Sagradas atestamos a existência destes seres espirituais e
também por meio da literatura antiga, escrita e oral, comprovamos que é uma crença
mundial em vários continentes que, tais mensageiros interferem na vida humana desde
tempos remotos.

        Hoje, notamos que existe uma busca intensa por anjos salvadores e isto prolifera
em nosso meio uma infinidade de idéias equivocadas que constam de diversas
literaturas distorcidas e que não encontram respaldo bíblico. Há pessoas que procuram
Deus nos anjos e outras ainda, que interpretam os anjos como seres extraterrestres que
chegaram a Terra em seus OVNIs – Objetos Voadores Não Identificados. Assim,
distorcem a angelologia, preenchendo lacunas com abusos que desrespeitam o que a
Bíblia afirma sobre esta disciplina.

       Aliado a este contexto, as religiões da “Nova Era” pregam a manifestação de
energias e seres vindos de outras esferas que muitas vezes não têm bases sólidas para
esta comprovação.

       Este escapismo teológico é um fenômeno preocupante, pois se utiliza de uma
capa “mística” ou “esotérica” misturada parcialmente com a Palavra bíblica com
objetivo de parecer lógica e real, levando muitas pessoas a se desviarem do verdadeiro
caminho.

        O presente trabalho não tem como objetivo provar a existência dos anjos, pois a
Bíblia corrobora os anjos, entretanto mostraremos o que acreditamos com base nas
Escrituras Sagradas acerca desta doutrina denominada Angelologia. O conhecimento
abordado objetiva fazer com que os cristãos tenham discernimento sobre este tema, que
infelizmente é pouco abordado nas igrejas da atualidade. Não podemos desprezar esta
doutrina, pois estaríamos desprezando a veracidade da própria Palavra de Deus.

A Palavra de Deus é a única fonte de informação confiável e que possui respostas para
muitas perguntas que a Angelologia nos proporciona.
        2 HISTÓRICO DA ANGELOLOGIA AO LONGO DOS TEMPOS

A história dos anjos ocorre concomitantemente à história humana e para alguns
arqueólogos, antropólogos e historiadores, a presença dos anjos entre os humanos pode
ser ainda mais antiga que a presença deles registrada nas mais remotas culturas
conhecidas.

Vejamos a seguir como os povos cultuavam estes seres alados – que serviam de
mediadores entre Deus e a raça humana.

                                2.1 Período Pré-cristão

É consenso que em todas as religiões do mundo se reconhece a existência de um mundo
espiritual e atesta-se que existe a crença na realidade de seres espirituais que servem de
intermediários entre a(s) divindade(s) e os povos.

Estes seres invisíveis, denominados de anjos, deuses, semideuses, espíritos, demônios,
gênios, heróis, etc. estão presentes em momentos cruciais da história de nossa
civilização.

Vejamos no livro Teologia Sistemática, o comentário do Dr. William Cook:

Realmente, em quase todos os sistemas de religião, antigos ou modernos, encontramos
estes seres; nos aeons dos gnósticos, nos demônios, nos semideuses, nos gênios e nos
lares, que aparecem tão extensamente nas teogonias, nos poemas e na literatura geral
dos antigos pagãos, encontramos evidências abundantes da crença quase universal da
existência de seres espirituais inteligentes, que ocupam diferentes ordens entre o
homem e o seu Criador. Aqui, entretanto, geralmente encontramos a verdade envolta
na ficção e os fatos distorcidos pela louca fantasia da mitologia. A doutrina dos
pagãos, em relação aos seres espirituais, poderia ser assim resumida: Eles crêem que
as almas dos heróis falecidos e dos homens bons foram exaltadas a uma posição de
dignidade e felicidade, eram chamados demônios e supostamente serviam de
mediadores entre a divindade suprema e o homem. Havia, entretanto, outra categoria
de demônios, que supostamente nunca habitaram um corpo mortal, e estes se dividiam
em duas categorias: Os bons que eram os guardiões dos homens bons e os maus, que se
dizia invejarem a felicidade dos humanos, tentando impedir suas virtudes e provocar
sua ruína. Nestas noções vemos um substrato da verdade, mas, nas escrituras, temos a
verdade em sua pureza original, livre das corrupções da superstição e das imagens
licenciosas dos poetas, e a sua verdade fica mais majestosa em sua simplicidade.
Para os povos pré-cristãos havia um entendimento de que todas as manifestações da
natureza correspondiam a um espírito, deus, anjo ou entidade que pelas suas
características de atuação poderiam ser benéficos ou maléficos.

Tanto na Mesopotâmia como no Egito Antigo, que foram berços da nossa civilização, se
cultuavam estes espíritos, independente de serem bons ou maus, pois se acreditava que
independente de terem atitudes maléficas, estaria numa hierarquia acima dos seres
humanos.
Vejamos a seguir a concepção particular de angelologia dos principais povos:

2.1.1 Sumerianos:

Historiadores e cientistas acreditam que o primeiro trabalho de arte mostrando seres
alados provém da Suméria.

O povo sumério, de origem desconhecida e que habitou também as terras na Ásia
Ocidental, possuíam um sistema elaborado de escrita chamado “cuneiforme”.
Este legado deixado comprova que eles eram politeístas e não acreditavam em
recompensas após a morte.

Acreditavam no deus chamado “Marduk” que, segundo a lenda, depois de lutar contra
os deuses invejosos, criou o mundo e o homem do barro com o sangue do dragão.
Conheciam um mito sobre o dilúvio, que teria sido mandado pelos deuses para castigar
a humanidade. “Gilgamesh”, orientado por “Marduk”, salvou-se, recolhendo-se numa
arca com a sua família.

Como os mesopotâmicos, os sumerianos cultuavam os gênios, que eram os mensageiros
dos deuses e os ajudavam a defenderem-se dos demônios, divindades perversas, contra
as enfermidades e a morte e, acreditavam ainda em heróis, adivinhações e magia.

Seus deuses eram numerosos com qualidades e defeitos, sentimentos e paixões,
imortais, despóticos e sanguinários. Eram eles: “Anu”, deus do céu; “Enlil”, deusa do
ar; “Ea”, deusa das águas; “Sin”, deusa da lua; “Shamash”, deus do sol e da justiça;
“Istar”, deusa da guerra e do amor. Cada divindade era uma força da natureza e dono de
uma cidade.

                                 2.1.2 Mesopotâmicos:
O povo mesopotâmico floresceu em uma estreita faixa de terra situada na Ásia
Ocidental, entre o Golfo Pérsico e o Mar Mediterrâneo.

Este povo destacou-se por sua religiosidade, além de seus muitos deuses. Possuíam uma
crença em gênios tutelares, bons e maus que exerciam grande influência nos
acontecimentos humanos. Por exemplo, os touros alados chamados de "karibu" eram os
gênios bons, guardiões da morada dos deuses e dos reis. Para impedir a ação dos gênios
maus, os mesopotâmicos praticavam vários esconjuros, de quem temos uma
reminiscência no livro apócrifo de Tobias.

                                    2.1.3 Hititas:
Os hititas acreditavam que seu deus possuía dois assistentes, “Sukkallu”, seu
mensageiro e “Guzalû”, mensageiro que conduzia a seu trono. “Sukkallu” é mencionado
como uma espécie de marechal ou policial em um documento mesopotâmico, e o
“Guzalû” como um oficial da corte, conforme foi traduzido de escritos cuneiformes
desenterrados na localidade de Chagar Bazar.

Em vários povos encontramos mensageiros celestes ou anjos como é denominado na
versão hebraica, mas são perceptíveis as semelhanças em suas atuações entre a
divindade e os povos, como observamos também na tradição hitita.
                                    2.1.4 Egípcios:

O povo egípcio ocupou uma estreita faixa de terra fértil que se estende ao longo das
margens do rio Nilo, ao nordeste da África, entre o mar Mediterrâneo, o Sudão, o mar
Vermelho e o deserto da Líbia.

Segundo o geógrafo e historiador grego Heródoto, os egípcios foram o povo mais
religioso do mundo, pois cultuavam um ser supremo e centenas de deuses, passando do
politeísmo grosseiro até o monoteísmo solar.

Os egípcios consideravam que tudo era divino, até o próprio ser humano possuía a parte
divina conforme suas crendices.

Criam no “Kha”, o que lhe permitia a identificação com Osíris e o total acesso à
felicidade eterna dos deuses. Eles acreditavam que o ser humano se compunha do corpo
e de dois outros elementos: o “Ba”, representado por um pássaro sem cabeça e o “Ka”,
espécie de gênio protetor que nascia com o homem e acompanhava-o durante toda a sua
vida e cuidava dele após a morte.

Criam fervorosamente em deuses da natureza, representados por animais e pássaros
(zoomorfismo) ou seres com forma humana (antropomorfismo), ou ainda, figura animal
com corpo humano (antropozoomorfismo). Os principais deuses eram: “Amon-Rá”,
“Osíris”, “Ísis”, “Hórus”, “Ptah”, “Thot” e “Anúbis”.

Para um aldeão egípcio, a divindade local era a mais importante, pois era ela que fazia a
ligação do mundo carnal com o espiritual, levando suas petições ao deus maior de suas
crenças.

Este correio celeste entre os deuses através de mensageiros é mencionado na famosa
“Carta Satírica” egípcia de Hare que foi escrita aproximadamente no século 13 a.C. na
qual ocorre o termo com uma palavra de origem semítica.

O povo egípcio também acreditava na vida após a morte, o que é justificado pelos
variados sepultamentos reais, nas pirâmides e túmulos, principalmente no Vale dos
Reis, onde foram encontradas provisões adequadas para outra existência, como
alimentos, bebidas, roupas e outros luxos da vida.

2.1.5 Cananitas:
O povo cananita estava localizado entre Gaza, no sul e Hemate, no norte, ao longo das
costas do Mediterrâneo. Este povo também era chamado de fenício e a terra habitada
tornou-se centro das atenções, depois da migração de Abraão para Canaã.

A designação cananeu provavelmente abarcava a confusa mescla de povos que
ocupavaram a região na era dos patriarcas.

A religião de Canaã era politeísta. “El” era a principal divindade, simbolizado como um
touro entre um rebanho de vacas, o povo se referia a ele como “pai touro”, onsiderando-
o criador.
“Assira” era a esposa de “El” e naqueles tempos, o rei Manassés erigiu a imagem dela
no templo de Jerusalém (II Reis 21:3-7). O primeiro dentre os setenta deuses e deusas
que eram tidos como filhos de “El” e “Assira” era “Hadade”, mais conhecido pelo nome
de “Baal”, que quer dizer senhor. Conta a tradição que como monarca reinante dos
deuses, ele controlava os céus e a terra.

Os cananeus, nos dias de Josué, praticavam sacrifícios de crianças, a prostituição
sagrada e a adoração à serpente como parte de seus ritos e cerimônias religiosas.

No livro “Anjos na Bíblia” consta que as divindades semitas também tinham
mensageiros prontos aos seus serviços:

A deusa-mãe dos hititas era assessorada por dois grupos de fadas, boas e más. As boas
eram enviadas para assistir às famílias benquistas pela deusa, deviam proteger as
plantações, cuidar dos vestidos e ornamentos femininos e arranjar-lhes casamentos. As
más eram enviadas às famílias malquistas pela deusa, deviam deixar solteiras suas
mulheres, excitar contendas e discórdias, “de modo que quebrem a cabeça”. No antigo
testamento também há anjos que são mandados para o bem e outros que são enviados
para castigar e punir. Nos textos ugarísticos de Ras Shamrá, os estafetas celestes eram
enviados em pares, pois assim se acontecesse um acidente, um não ficaria sozinho na
estrada. Em Gênesis 19:1 os anjos viajam em pares pelas estradas de Sodoma.
                                   2.1.6 Babilônicos:
A história babilônica se deu em meio a muitas guerras, com derrotas e vitórias.
Por exemplo, em 616 a.C. Nabopolassar pôs os assírios em fuga para o norte, ao longo
do rio Eufrates, até Harã, retornando com lucrativos despojos. É conhecido também o
fato de que a tribo de Judá foi levada cativa, e seu templo, orgulho nacional, foi
saqueado, seus jovens e artífices apanhados e deportados para Babilônia (Deuteronômio
1:1) no primeiro desterro, a supremacia babilônica se consuma sobre Judá quando pela
segunda vez, em 597 a.C.

Nabucodonosor leva o resto do despojo e nomeia Zedequias rei em Jerusalém.
A glória do reino Babilônico começou a dissipar-se depois da morte de Nabucodonosor,
em 562 a.C. Sendo hábil construtor, ele fez da cidade de Babilônia a mais poderosa
fortaleza do mundo, adornada de esplendores e belezas jamais ultrapassados.

A religiosidade dos babilônicos também possuía grande diversidade de deuses e criam
que alguns dos governantes eram os próprios deuses na Terra. Por exemplo, o rei
Merodaque se tornou o “rei dos deuses”. Merodaque era filho de “Enki (Ea)” e de
“Eridu”, o deus da sabedoria e patrono das artes mágicas. O próprio pai de Merodaque
foi pai de Nabu, o qual, próximo do fim do período neobabilônico (séc. VI a.C.),
suplantou o pai em popularidade. Merodaque tornou-se o deus da cidade de Babilônia.
Entre o povo se recitava a estória de “Enuma Elish” (o épico babilônico da criação).
Merodaque era o herói desta estória, pois foi nomeado pelos deuses para liderar com
seus gênios a luta contra Tiamat (deusa-serpente).

                                  2.1.7 Medo-Persas:
A Pérsia está situada entre a Mesopotâmia, o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, a Índia e
o Turquestão, na Ásia Central.
Os medos e os persas possuíam cultura eclética, pois adotavam com facilidade o
progresso intelectual dos povos submetidos, por meio de guerras e dominações.

O fundamento da sua religião era dualista e foi ensinado por Zaratustra (Zoroastro em
grego). No zoroastrismo, existiam dois deuses: “Ahura Mazda” (ou Ormuzd),
representando o bem, a luz e “Arimã”, representando o mal, as trevas.

Cada um destes deuses era auxiliado por uma multidão de mensageiros (Djins) ou
gênios maléficos (Devas). Acreditava-se que o bem e o mal lutariam até o fim dos
tempos com a vitória do bem. “Mazda” necessitava da ajuda dos homens nesta batalha.

Acreditava-se ainda em um céu e em um inferno, no julgamento das almas e em um
messias, “Saoshyant”, nascido de uma virgem, “Huôu”. No fim dos tempos, haveria a
ressurreição para todos e um julgamento final. Era uma religião escatológica.

O zoroastrismo não manteve a sua pureza original, mas misturou-se às superstições
primitivas, à magia e à religião caldaica.

                                    2.1.8 Gregos:
O povo grego era composto de muitos filósofos que procuravam explicar a harmonia e a
ordem do Cosmos. Seus pensadores se manifestavam de forma contundente em relação
aos mensageiros divinos, que poderiam ser bons ou maus.

Ao lado dos "daimones", como forças ativas e determinantes da ordem cósmica,
aparecem os demônios maus, princípios de desordem cósmica. Assim, Plutarco cita os
“Alastores” como exemplo de demônios maus.

Nos escritos herméticos, os demônios, enquanto condicionam o destino humano, são
postos em relação com todas as desventuras e catástrofes: furacões, tempestades, raios,
incêndios, terremotos, bem como a fome, guerras e pestes.

Na crença e na filosofia popular helenista, determinadas doenças era atribuída a certos
demônios. Plínio fala de um demônio da febre.

Ao lado do termo “daimon” há no helenismo o termo “daimónion” que designa tudo o
que transcende as possibilidades humanas, e que, tanto no bem, como no mal, pode ser
reduzida ao influxo de potências superiores.

A palavra grega  ,(daimon, onos), que através do latim eclesiástico
daimoniu (m), nos deu demônio, procede do verbo (daiesthai), "repartir,
dividir". Em sentido estrito, daimon significa "uma força, uma potestade que exerce
algo", donde "divindade, destino" como atesta o sânscrito bhága, "parte, destino,
senhor". Em Homero, demônio é um poder que não se quer ou não se pode nomear: daí
seu duplo sentido de divindade e destino, sem nenhum direito a sacrifícios. Em
Hesíodo, (daímon), significa um "semideus, um demônio". Já na literatura
grega se fazia a distinção entre (kakodaimonia), "posse ou
perseguição desenfreada por um mau demônio" e (eudaimonia),
"felicidade, isto é posse de um bom demônio". Só a partir do latim cristão é que
daemonium, "demônio", mero decalque do derivado grego (daimónion),
passou a significar "espírito maligno, diabo, satanás". A crença em espíritos
sobrenaturais um pouco menos antropomorfizados do que os olímpicos é uma
característica muito antiga da religião popular grega; certo daímon está ligado a uma
pessoa ao nascer e determina, para o bem ou para o mal, o seu destino. Para
Empédocles, daímon é outro nome com que se designa psique, o que provavelmente
reflete a origem divina e os poderes de que eram dotados os "demônios", Sócrates
atesta a antiga tradição religiosa, quando fala na apologia, de certo demônio, de algo
divino, (daimonion ti) que o aconselha a evitar certas ações.

Segundo ainda o autor supracitado, talvez seja um engano pensar que Sócrates ou seus
contemporâneos fizessem uma distinção muito acentuada entre daímon e theion, entre
"demônio e divino", uma vez que "a defesa socrática contra o ateísmo na apologia,
assenta num argumento de que acreditar nos daímones é acreditar nos deuses". Na
República o daímon aparece como uma espécie de anjo-da-guarda, mas se aquele está
ou não dentro de nós foi algo que muito se discutiu na filosofia posterior. No Banquete,
Platão, pelos lábios de Diotima, identifica Eros com um daimon, que funciona como
intermediário entre os deuses e os homens. Os neopitagóricos e neoplatônicos
agasalham esta noção: os deuses olímpicos habitavam o éter, enquanto os daímones,
divindades menores, ocupavam o ar inferior e exerciam influência e providência diretas
sobre os mortais.
Para Platão, “daimon” é um ser pessoal, intermediário entre a divindade e os homens
destinado a mover o homem nos caminhos do bem. Para Crisipo, e com ele, outros
filósofos estóicos, prevêem em seu sistema seres espirituais incapazes da plena
impassibilidade e felicidade divina, mais muitos superiores aos homens mortais.

                                    2.1.9 Judeus:
No judaísmo se encontra a mesma demonologia cósmica que existia entre os gregos.
Conforme a tradução judaica, o nome dos anjos designa sua função cósmica ou
histórica; assim, o anjo que anuncia o nascimento é chamado Gabriel, que significa
“virilidade de Deus”. Nos comentários dos rabinos os anjos têm uma participação
importante. O Dr.

Donald D. Turner conta-nos na página 11 do livro A Doutrina dos Anjos e do Homem,
alguns exemplos de referência aos anjos nos escritos rabínicos.

Por exemplo, que um anjo impediu Vasti de comparecer perante o rei Assuero, a fim de
abrir caminho para escolha de Ester; quando o escrivão leu as crônicas perante o rei,
segundo esses comentários, o bem que havia sido praticado por Mardoqueu, havia sido
apagado do livro pelo escriba Sinsai, mas afirmam que o anjo Gabriel tornou a escrever
a passagem no lugar devido; que três anjos ajudaram Ester quando ela se apresentou no
pátio perante o rei; que ao sair o rei no jardim, por ocasião do segundo banquete,
encontrou três homens (anjos disfarçados) que arrancavam as árvores do jardim, aos
quais perguntou por que faziam aquilo, e responderam que Hamã fora quem ordenara;
que um anjo empurrou Hamã, obrigando-o a cair sobre o leito de Ester no momento em
que o rei regressava ao salão de banquete, dentre outros acontecimentos...

Encontram-se afirmações nestes escritos de que mil anjos acompanham a cada judeu;
um deles o precede para dizer aos demônios que abram alas, e ainda, quando um judeu
entra em um lugar imundo roga aos seus dois anjos que o esperem na saída, o versículo
usado para dar apoio a esta crença é o Salmo 91:11-12.
Os judeus acreditam ainda que o anjo protetor ou anjo da guarda estava encarregado da
criança desde a sua concepção, desde o seu nascimento ou desde a sua apresentação no
templo, tudo isso prova o quão arraigada entre os judeus era essa crença na angelologia.

                                  2.1.10 Romanos:
Os romanos acreditavam na existência de gênios tutelares da natureza.
Um grupo de gênios era benéfico e outro grupo perturbava e ensinava destruição.

O povo romano demarcava certas áreas como sagradas, geralmente bosques, para fazer
suas preces e oferecer os seus benefícios aos numerosíssimos gênios. Por exemplo; nos
trabalhos agrícolas havia um “Vervactor” para a primeira passagem do arado, um
“Redaptor”, para a segunda passagem, um “Insitor” para a semeadura, e assim por
diante.

No desenvolvimento da criança, havia um “Cunina”, para cuidar dela no berço, um
“Rumina”, para a sua alimentação, e um “Statulina”, para que aprendesse a ficar de pé.
Isto é, os nomes individualizam os gênios, indicando a sua função.

Os cultos eram celebrados nos lares, onde encontramos uma religiosidade mais
espontânea, na qual preponderam os elementos de uma cultura agrária. Todo o “pai de
família” era um sacerdote nato, que oficiava como tal em seu próprio lar, segundo ritos
que ficavam em grande parte ao seu arbítrio. Os objetos de culto eram:

O gênio da família, que era a força vital presente e imanente no chefe do clã,
personalizada e venerada junto ao leito nupcial, festejada no dia do nascimento do
chefe da família com ofertas de vinho, incensos e bolos. Está de alguma forma ligada
aos espíritos dos antepassados e às forças da natureza, representada pela “serpente”,
animal mítico que protege os casamentos e a transmissão da forças generativas; Os
lares: são originalmente divindades dos campos, como tal veneradas nas encruzilhadas
com pequenas capelas, que depois são transferidas para as cidades. São forças
fecundantes que passaram a ser invocadas como divindades protetoras das famílias,
identificando-se de alguma forma com os manes e os gênios; Os Penates: são
originalmente divindades protetoras das dispensas familiares e da cozinha, que com o
tempo se tornaram responsáveis pela multiplicação dos bens familiares; não são
representados em figuras, pois constituem uma coletividade; Os manes: são os
antepassados, fundadores do clã, ou dignos de memórias pelos seus feitos, cujo espírito
se perpetua nos chefes de família.
                                 2.2 Período Cristão
                              2.2.1 Na Igreja Primitiva:

Desde os primórdios do período cristão existia a crença nos anjos.
O teólogo cristão, Orígenes, que viveu entre os anos 185 a 254 d.C. escreveu que o
Todo-Poderoso criou uma multidão de anjos e que isto era razoável, pois o caráter de
Deus é bom e move-se em fazer o bem e, portanto teria enchido o céu de habitantes
inteligentes.

Os primeiros cristãos entendiam que havia dois grupos de anjos. Uns faziam o bem e os
outros faziam o mal. Os primeiros eram tidos em alta estima, como seres pessoais de
elevada categoria, dotados de liberdade moral, engajados no serviço jubiloso de Deus, e
designados por Ele para atender ao bem-estar dos homens. Os outros eram tidos como
seres que faziam tudo para destruir a felicidade humana, pois eram os anjos caídos por
causa do pecado de Satanás.

Satanás, o príncipe dos demônios, era considerado o chefe dos anjos maus e
acreditavase que sua queda foi por causa do orgulho e uma ambição pecaminosa. Este
conceito baseava-se na interpretação comum na época de Gênesis 6:2. Muitas doenças e
acidentes eram atribuídos a ação danosa dos anjos maus ou demônios.

Naquela época surgiu o pensamento de que além dos anjos bons que cumpriam certas
missões de Deus, havia os anjos-da-guarda para igrejas individuais e para cada pessoa.
Jerônimo acreditava que um anjo-da-guarda era designado para cada cristão.

A idéia de uma hierarquia entre os anjos surgiu com Irineu e Clemente de Alexandria.
Mas, foi com Dionísio, membro do Areópago de Atenas, em fins de século V ou
princípio do VI, que foi escrito uma série inteira de obras de grande importância para
teologia mística da Idade Média. Esta obra sobre anjos chamou: "A Hierarquia Celeste"
e por muitos séculos foi o texto mais consultado sobre o assunto, ele versa o seguinte:

Os espíritos celestes fruem uma participação mais subida no dom do que as coisas que
simplesmente existem, ou irracionais, ou os que raciocinam, como fazemos nós. Já que
eles configuram a si mesmos de modo inteligível, a fim de imitar a Deus, e diligenciam
por parecerse sobrenaturalmente à Tearquia (Trindade de Deus, em contraposição a
hierarquia dos anjos), empenhando-se por acomodar a própria inteligência a esta
semelhança, seus contatos com a Tearquia são naturalmente mais profundos. De fato,
eles vivem em comunhão com ela e, na medida em que lhes é permitido, tendem para o
alto, impelidos pelo amor divino e indefectível, recebendo as iluminações primordiais
de forma imaterial e sem mistura alguma; ou melhor, são acondicionados para essas
iluminações e a sua vida inteira cifra-se em intelecção. Tais são os espíritos celestes,
antes do mais e de muitos modos participantes do divino, e reveladores do segredo
teárquico. Por isso, de preferência a todos os demais, foram estimados dignos de se
chamarem "Anjos". De fato, é primordialmente a eles que cabe a iluminação teárquica
e, por meio deles, nos são transmitidas as revelações que nos excedem.
Dionísio também dividiu os anjos em três classes: tronos, querubins e serafins e esta
classificação foi adotada posteriormente por diversos escritores.

                                2.3 Período Medieval
                                2.3.1 Na Idade Média:

Durante este período admitia-se que os anjos tinham corpos etéreos, mas a opinião
predominante era de que os anjos eram incorpóreos. As aparições angélicas eram
explicadas com a admissão de que, em tais casos, os anjos adotavam formas corporais
temporárias para fins de revelação.

Quanto ao tempo em que os anjos foram criados, a opinião dominante era que foram
criados no mesmo tempo da criação do universo material. Embora alguns poucos
pensadores e estudiosos sustentassem que os anjos foram criados no estado de graça.
Havia várias escolas de pensamento, mas todos admitiam que os anjos receberam
conhecimento pleno quando de sua criação, mas Tomás de Aquino negava, enquanto
Duns Scotus afirmava que eles podiam adquirir novo conhecimento através de sua
atividade intelectual.

                                2.3.2 Na Reforma:
Durante a Reforma, nada foi mudado na doutrina dos anjos.

Martinho Lutero e João Calvino tinham vívida concepção do ministério dos anjos, e
particularmente da presença e poder de Satanás e seus demônios. Os cristãos
reformados continuaram a ensinar que os anjos ajudavam e ajudam ao povo de Deus.

João Calvino (1509-1564) acreditava que os anjos:

                                           "Mantêm a vigília, visando a nossa
                                           segurança; tomam a seu encargo a nossa
                                           defesa; dirigem os nossos caminhos, e
                                           zelam para que nenhum mal nos aconteça".
Salientava que Satanás está sob o controle divino, só podendo agir dentro dos limites
prescritos por Deus.

Martinho Lutero (1485-1546) em “Conversas à Mesa", falou em termos semelhantes e
fez uma observação de como estes anjos, criados por Deus, servem à Igreja e ao Reino
de Deus.

                        2.4 Período Moderno e Pós-moderno
                               2.4.1 Na Modernidade:

Neste período surgiram os conceitos mais radicais em relação a angelologia, como por
exemplo, o teólogo liberal Paul Tillich (1886-1965) considerou em seu trabalho que os
anjos eram essências platônicas, emanações da parte de Deus e não como seres
especiais. Ele acreditava que os anjos queriam voltar à essência divina da qual surgiram
para serem iguais a Deus.

Karl Barth (1886-1968) e Millard Erickson (1932- ) utilizaram em seus trabalhos uma
abordagem mais cautelosa e sadia. Barth, o pai da neo-ortodoxia, achava ser o assunto
complexo, porém de tamanha notoriedade. Afirmava também que

                                           "nós descobrimos com surpresa que nos
                                           acontecimentos    nos     quais    menos
                                           suspeitávamos de sua presença, os anjos
                                           estavam em atividade, falaram e a agiram
                                           efetivamente".
Para Erickson, teólogo da linha conservadora, o entendimento é de que podemos ser
tentados a omitir, ou negligenciar o estudo dos anjos, porém

                                           "se é para sermos estudiosos fiéis da Bíblia,
                                           não temos outra escolha senão falar a
                                           respeito deles".
2.4.2 Na Pós-modernidade:

Com a falência do comunismo e a queda do muro de Berlim, em 1989, teve início o
mundo pós-moderno. Neste contexto surge o pensamento que as pessoas podem ter as
suas próprias idéias com respeito a qualquer coisa, pois os valores do pósmodernismo
não são pessoais, mas sociais, e incorporam-se a Cultura.

Resumindo, a linguagem humana não contém qualquer verdade absoluta, e nisto os
pósmodernistas estão tirando alguma vantagem, pois os indivíduos podem ter as mais
diferentes interpretações do mesmo texto ou assunto, sem que isso constitua uma
contradição.

O pluralismo religioso vigente na sociedade teve um enorme crescimento nestas últimas
décadas, quando os “cristãos” têm recebido profundas influências das religiões e
filosofias orientais. Nesta nova abordagem, todas as religiões têm de abandonar a sua
arrogância teológica. Nenhum grupo religioso pode vangloriar-se de ser superior ao
outro em termos de verdade, porque a religião está associada à Cultura. Assim,
aparentemente todas elas são igualmente boas.

Neste cenário, a angelologia, ganha uma abordagem distorcida e exagerada, fugindo das
verdades bíblicas, pois não existem muitos questionamentos do que está certo e do que
está equivocado nesta doutrina. Assim, infelizmente, proliferam as idéias mirabolantes
que são demonstradas, por vezes, em livros que alienam seus leitores, distanciando os
indivíduos cada vez mais da realidade contida nas Escrituras Sagradas sobre os anjos.

          3 COMO A ANGELOLOGIA TEM SIDO TRATADA HOJE?

A Angelologia contida na Bíblia, por se tratar de uma das mais complexas doutrinas
existentes, tem sido por vezes, negligenciada. Todavia, nos dias de hoje o assunto
“Anjos” está muito em voga. Diversas teorias e idéias surgem sobre este tema e por
vezes, são ministradas sem haver qualquer preocupação com o que a Bíblia nos ensina
sobre este assunto.

Nossa cultura materialista proporciona o questionamento da existência dos anjos e o não
entendimento claro desta doutrina, ou a falta de estudo, sobre sua natureza e as
atividades dos anjos, tem ocasionado o surgimento de muitas seitas, heresias e credos,
distintos e distantes da sã doutrina contida na Palavra de Deus.

Constata-se também que para a maioria dos cristãos, estes seres espirituais não passam
de seres misteriosos que estão bem distantes de nós e alheios ao que ocorre em nossas
vidas.

Por outro lado, outros cristãos, por despreparo, acreditam que se fizerem um ritual de
oração, garantirão o auxílio dos anjos nas suas vidas. Sobre isto Bruce Milne faz o
seguinte comentário:

                                           Ao contrário de seu passado, os cristãos de
                                           hoje praticamente ignoram os anjos
                                           deDeus. O anti-sobrenaturalismo moderno,
                                           a percepção dos perigos da curiosidade
                                           nesta área e o temor de introduzir
                                           mediadores entre Deus e os homens, além
                                           de     Cristo,    se   combinaram      para
                                           constranger-nos. Essa reserva não é
                                           também inteiramente contrária à Bíblia.
                                           Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento
                                           relutam em dar proeminência a esses
                                           servos celestiais do Senhor, mesmo porque
                                           seria uma proeminência indevida. Mas o
                                           crescente interesse nos agentes espirituais
                                           negativos, demoníacos e outros, e o fascínio
                                           popular pelas várias fantasias de ficção
                                           científica devem levar o cristão a meditar
                                           às vezes sobre os “milhares e milhares de
                                           anjos”, esses abençoados e radiosos
                                           cidadãos das hostes celestiais que, entre
                                           outras coisas se ocupam de nossos
                                           interesses (Hebreus 1:14; 12:22).


                              3.1 Os Anjos e o Misticismo
Durante os anos sessenta um fenômeno despontou e ficou conhecido como “onda
mística”. No misticismo, percebe-se que o assunto é tratado por indivíduos que não
possuem o conhecimento pleno da angelologia e a indústria esotérica explora a crendice
alheia ressuscitando superstições antigas.

Assim, o movimento místico tem adquirido a função de compensador, ou seja, é um
mecanismo pelo qual a humanidade joga os seus problemas para o mundo espiritual,
esperando receber uma solução por meio destes seres angelicais.

Nota-se que a importância dos anjos está alcançando novas dimensões, a cada dia, e
estes seres estão presentes em quase todas as religiões e seitas. Estão nos livros, nas
revistas, nos jornais, na televisão, em vídeos, etc.

É preocupante, pois as revistas e livros trazem muitos absurdos sobre o tema e
paulatinamente, multiplicam-se as pessoas que se dizem porta-vozes, pregadores e
ministros dos anjos.

Na página nº 28 da revista “Ultimato”, consta um artigo onde a economista e católica de
formação, Adriana Feres, afirma que se comunica com os anjos há mais de 20 anos.

Ela prega e ministra em nome dos anjos, sendo que também atende em domicílio.

Ela afirma ter atendido mais de 2.500 pessoas e suas ministrações – que ela chama de
“terapia angelical” – são feitas à base de recitação de Salmos e da invocação dos anjos
para a limpeza espiritual do ambiente.

Nessas sessões, Adriana recebe mensagens dos anjos, que são transmitidas aos seus
clientes.
Segundo ela, muitas pessoas são curadas de seus males. Por exemplo, citamos a
empresária Cassilda Silveira Camargo que teria sido curada de um tumor na medula.

A escritora brasileira que mais obteve sucesso e fama com os anjos é a empresária
Mônica Buonfiglio, que em 1992 lançou o livro “Anjos Cabalísticos”. Sua obra teve
grande repercussão nacional e tornou-se um sucesso editorial com milhares de cópias
vendidas.

Nos anos seguintes ela escreveu mais dois livros sobre o mesmo assunto, “A Magia dos
Anjos Cabalísticos” e “Tarô dos Anjos”. Os livros da escritora Mônica Buonfiglio
chegaram a vender naquele ano a impressionante marca de três mil exemplares por dia.

O seu sucesso editorial não poderia deixar de impulsionar o seu sucesso empresarial,
sendo que hoje sua empresa Oficina Cultural Esotérica conta com dezenas de franquias
espalhadas no Brasil.

Muitas outras editoras, como por exemplo, a Editora Três exploram o assunto e sempre
obtêm ganhos consideráveis. Infelizmente, muitas inverdades esotéricas e místicas
publicadas somente contribuem para gerar mais dúvida e confusão sobre o tema.

                     3.2 Os Anjos e as Tendências Consumistas
Hoje se explora muito o tema angelical, tanto é que existe forte comércio de figurinhas
de anjos, cartas de anjos, abajures com temas de anjos, velas, pingentes, quadros,
camisetas estampadas, livros, revistas, sites na Internet, programas de rádio e televisão,
vídeos, CDs e DVDs, palestras, workshops, etc.

Todos esses materiais produzidos podem-se apresentar de forma simples ou complexa,
bem ou mal elaborados. Enfim, expressando a verdade bíblica ou por vezes, chegando
ao nível do absurdo!

É fato que milhões de pessoas consomem estes produtos gerados de forma desordenada,
uns conscientemente, outros ingenuamente e geram concepções distorcidas dos anjos.
Por exemplo, o grupo de rock progressivo britânico “Van der Graaf Generator”, em seu
álbum clássico chamado “Pawn Hearts” (1971), divulga por meio do vocalista e músico
Peter Joseph Andrew Hammill a seguinte canção:

                                            “Os anjos vivem dentro de mim, eu posso
                                            senti-los sorrir. Sua presença apazigua e
                                            acalma a tempestade em minha mente, e
                                            seu amor pode curar todas as feridas que
                                            eu criei. Eles cuidam de mim enquanto eu
                                            caio. Eu sei que vou ser sustentado,
                                            enquanto os anjos viverem”.

Contraditoriamente, na mesma música ele afirma que o assassino vive dentro dele.
Muitas idéias errôneas como o exemplo acima circulam velozmente pelo mundo e
devemos ter muita cautela e analisar minuciosamente todas as informações que nos
chegam, seja pelo meio que for, a fim de evitarmos cair nas armadilhas que este assunto
pode nos proporcionar.
                             3.3 Os Anjos e os OVNIs
No evangelho de Lucas 21:11 está escrito:
                                          “Em vários lugares haverá grandes
                                          tremores de terra, falta de alimentos e
                                          epidemias. Acontecerão coisas terríveis, e
                                          grandes sinais serão vistos nos céus”.

Esta é uma das passagens que versa sobre acontecimentos que ocorrerão próximos a
segunda vinda de Jesus Cristo e que segundo alguns pesquisadores teriam correlação
aos avistamentos de OVNIs.

Baseados nesta e em outras passagens bíblicas, certos estudiosos admitem a
possibilidade de existir associação entre os anjos e os tripulantes dos OVNIs por
existirem certas semelhanças físicas entre ambos. Este fato tem chamado a atenção, não
só de pesquisadores de OVNIs, como também da comunidade científica, de religiosos e
até de leigos na temática, pois se questionam certas passagens bíblicas dos livros de
Isaías, Ezequiel, Zacarias, Apocalipse, dentre outros livros da Bíblia, que segundo estes
pesquisadores teriam paralelos com as supostas aparições dos tripulantes de OVNIs –
também chamados popularmente de extraterrestres.

O evangelista Billy Graham observou em sua obra “Angels”, nas páginas 12 e 16,
editada em Boston (1976):
                                      “Alguns escritores cristãos sugeriram que
                                      os OVNIs podem ser perfeitamente parte do
                                      exército angélico que superintende os
                                      assuntos materiais da criação universal” e
                                      ele menciona também que até cristãos
                                      sinceros com um forte compromisso com as
                                      Escrituras Sagradas “afirmam que esses
                                      OVNIs são anjos”.

Infelizmente, o evangelista não expressou sua opinião particular sobre o assunto...
A Bíblia teria realmente alguma menção sobre OVNIs como afirmam alguns
estudiosos?
Sobre isto John Ankerberg e John Weldon fazem o seguinte comentário:

                                            Muitos afirmam que a Bíblia contém
                                            histórias de encontros com OVNIs.
                                             Eles vêem “OVNIs” na Bíblia na coluna de
                                            fogo e de nuvem em êxodo, nas “rodas” de
                                            Ezequiel, no “carro de fogo” de Eliseu, e
                                            até na estrela de Belém e na ascensão de
                                            Cristo.
                                            Em essência, todos os milagres da Bíblia
                                            são supostamente resultado da intervenção
                                            de OVNIs. Para alguns teólogos de
                                            orientação racionalista, os OVNIs também
                                            se tornaram um meio de escapar do
                                            “embaraço” do sobrenatural.
                                          Em outras palavras, os milagres da Bíblia
                                          são agora compreendidos como produtos
                                          da ”supertecnologia” dos alienígenas, a
                                          despeito do fato de que a interpretação de
                                          um dado milagre por um OVNI pode ser
                                          ainda mais inconcebível que a do
                                          sobrenatural! Em lugar de considerar o
                                          texto bíblico pelo seu valor literal, em
                                          termos de seu cenário cultural e histórico, a
                                          ufologia “bíblica” o reinterpreta à luz das
                                          modernas visualizações de OVNIs e
                                          desconsidera o texto em si quando ele entra
                                          em conflito com as suas premissas” .

As opiniões divergem muito quanto a esta associação e assim, a hipótese de “anjos
extraterrestres”, defendida por alguns estudiosos de ufologia, perde a força, pois não
têm amparo científico reconhecido. Há quem afirme também que os anjos caídos ou
demônios seriam os extraterrestres e há outros estudiosos ainda que, teorizam que
existem raças diferentes de extraterrestres, ou seja, anjos bons e anjos maus.

No livro “A Mensagem: Um Contato com Seres de Outro Mundo”, do Prof. Lúcio
Valério Barbosa, foi dedicado um capítulo inteiro para demonstrar a diferença entre
extraterrestres e anjos:

                                          “... A diferença de um ser extraterrestre em
                                          espírito e matéria, para um anjo, é que o
                                          anjo não precisa mais ocupar a matéria,
                                          pois sua evolução chegou em uma
                                          emanação de luz divina, ele é a própria
                                          consciência pura, que está ligada a um todo
                                          que chamamos de Deus, o criador do
                                          Universo. Extraterrestres e anjos são seres
                                          evoluídos além da humanidade, em seus
                                          conhecimentos, ambos têm consciências
                                          elevadas, um é energia de luz pura, não
                                          precisa da matéria para se manifestar, e o
                                          outro é matéria e espírito, e estão na
                                          mesma missão neste planeta”.

Outro estudioso carioca, Fernando Cleto Nunes Pereira, em sua obra “A Bíblia e os
Discos Voadores”, discorre profundamente sobre várias associações e no capítulo 9
declara que “os anjos eram e são Astronautas superiores aos terráqueos”.

O autor evangélico Agostinho Soares dos Santos, que teve um avistamento de um
OVNI no dia 9 de janeiro de 1979, na cidade de Aveiro, em Portugal, é bem centrado
em conceitos bíblicos e discorre exemplarmente em seu livro “Ufologia à Luz da
Bíblia” sobre diversos temas envolvendo a ufologia, sempre respaldado na Bíblia. Suas
conclusões sugerem que tais fenômenos ufológicos teriam uma explicação demoníaca,
pois no fim dos tempos Satanás irá fazer prodígios e confundirá muitos povos. Sobre
isto ele escreveu no final de sua obra:
                                            Aqueles que não acreditam que o diabo
                                            possa realizar essas coisas, não têm
                                            conhecimento das Sagradas Escrituras,
                                            pois elas afirmam que ele pode fazer descer
                                            fogo do céu. E, se possível, enganaria até
                                            os escolhidos!”.
Estas divergências existentes quanto às correlações efetuadas pelos estudiosos
compromete qualquer tentativa de relacionar estas passagens bíblicas ou os anjos com
os OVNIs, pois não passam de mera especulação.

Todavia, o que é interessante, é que tais teorias são alvo de atenção séria de estudiosos
de vários países. Assim, é fundamental que reflitamos sobre o assunto, pois como diz o
velho ditado popular: “Onde há fumaça, há fogo!”

Não podemos desprezar a opinião de alguns cristãos que dizem que os alienígenas são
os demônios. O apóstolo Paulo adverte na carta aos Gálatas 1:8:
                                          “Mas, se alguém, mesmo que sejamos nós
                                          ou um anjo do céu, anunciar a vocês um
                                          evangelho diferente daquele que temos
                                          anunciado, que seja amaldiçoado!”

Paulo demonstra sua preocupação quanto à astúcia de Satanás em usar pessoas e até
criaturas celestiais (anjos caídos) para perturbar e distorcer os planos que Deus preparou
para a civilização terrestre. Devemos ficar atentos para as artimanhas de Satanás, pois
como hipótese devemos pensar na possibilidade de os OVNIs serem o cumprimento das
profecias apocalípticas!

                           4 A ANGELOLOGIA BÍBLICA
Para compreendermos o que a Bíblia nos ensina sobre a doutrina dos anjos é primordial
tomarmos alguns cuidados, ou seja, nos ater a uma interpretação literal-histórico-
gramatical do texto bíblico, sempre comparando os textos, aplicando-se a hermenêutica
e a exegese, evitando a alegorização de qualquer trecho, exceto quando haja clara
permissão para isto, concedida pela própria palavra de Deus.

Todas as verdades sobre os anjos contidas nas Escrituras Sagradas têm a finalidade de
instruir, confortar e por vezes, admoestar. Vejamos a seguir os vários aspectos desta
complexa doutrina.

                                4.1 Criação dos Anjos
A origem dos anjos remonta ao princípio de todas as coisas. Segundo a carta aos
Colossenses 1:16-17 está escrito:
                                           “Pois nEle foram criadas todas as coisas,
                                           nos céus e sobre a terra, as visíveis e as
                                           invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias,
                                           quer principados, quer potestades. Tudo foi
                                           criado por meio dEle e para Ele. Ele é
                                           antes de todas as coisas. NEle tudo
                                           subsiste”.
Nesta afirmação se confirma que todos os anjos foram criados de uma só vez.
Os anjos são criaturas de Deus e é impossível fixar o tempo em que foram criados, mas
a resposta de Deus à Jó declara que estas criaturas espirituais foram criadas antes de
todas as coisas (Jó 38:4,7). Estudiosos da Bíblia afirmam que os anjos foram criados por
Deus em algum ponto antes do final do segundo dia da criação, pois já existiam neste
momento conforme pode ser comparado nos livros de Jó e Gênesis.

Em complemento encontramos em Neemias 9:6 o seguinte escrito:

                                           "Só tu és Senhor; tu fizeste o céu, o céu dos
                                           céus, e todo o seu exército, a terra e tudo
                                           quanto nela há, os mares e tudo quanto
                                           neles há, e tu os guardas com vida a todos;
                                           e o exército dos céus te adora”.

                              4.2 Natureza dos Anjos
Os anjos, ao contrário do homem, não têm capacidade reprodutiva, como se constata no
evangelho de Mateus 22:28:
                                           "Porque na ressurreição nem casam nem
                                          são dados em casamento; mas serão como
                                          os anjos de Deus no céu".

Com base nesta afirmação, percebemos que a quantidade de anjos não se altera.

Todavia, não é possível determinar quantas destas criaturas de Deus foram criadas. A
Bíblia Sagrada se refere aos anjos por meio de números metafóricos, indicando grande
quantidade, mas em nenhuma parte das Escrituras Sagradas há um número exato.
Vejamos, por exemplo, o texto de Daniel 7:10:
                                                 "Um rio de fogo manava e saía de
                                                 diante dele; milhares de milhares o
                                                 serviam, e milhões de milhões
                                                 assistiam diante dele; assentou-se o
                                                 juízo, e abriram-se os livros".

Em complemento a quantidade de anjos nos céus temos a seguinte afirmação no texto
de Hebreus 12:22:
                                                "Mas chegastes ao monte Sião, e à
                                                cidade do Deus vivo, à Jerusalém
                                                celestial, e aos muitos milhares de
                                                anjos".

Em relação à corporalidade dos anjos pode-se dizer que são incorpóreos, entretanto
podem ostentar forma corpórea que pode tocar e ser tocada, bem como alimentar-se,
conforme consta das Escrituras Sagradas:
                                               "E vieram os dois anjos a Sodoma à
                                               tarde, e estava Ló assentado à porta
                                               de Sodoma; e vendo-os Ló,
                                               levantou-se ao seu encontro e
                                               inclinou-se com o rosto a terra... E
                                               porfiou com eles muito, e vieram
                                                 com ele, e entraram em sua casa; e
                                                 fez-lhes banquete, e cozeu bolos sem
                                                 levedura, e comeram... Aqueles
                                                 homens, porém estenderam as suas
                                                 mãos e fizeram entrar a Ló consigo
                                                 na casa, e fecharam a porta".
                                                 (Gênesis 19:1,3,10)

O Dr. William Cook declara em menção a natureza e a corporalidade dos anjos:

                                               No Antigo Testamento o salmista os
                                               chama de espíritos: “Fazes a teus
                                               anjos ventos (espíritos)” (Sl. 104:4).
                                               E no Novo Testamento eles são
                                               chamados pelo mesmo termo: “Não
                                               são       todos      eles      espíritos
                                               ministradores?” (Hb. 1:14). Contudo
                                               é preciso fazer uma
                                               pergunta: Os anjos são tão
                                               espirituais a ponto de serem
                                               absolutamente imateriais como
                                               Deus? Ou estarão revestidos de uma
                                               refinada estrutura material? As
                                               opiniões, tanto dos antigos como dos
                                               modernos estão muito divididas neste
                                               assunto. Atanásio, Basílio, Gregório,
                                               Niceno,      Cirilo    e    Crisóstomo
                                               defendiam que os anjos eram
                                               absolutamente       imateriais;     mas
                                               Clemente Alexandrino, Orígenes,
                                               Cesário e Tertuliano, entre outros
                                               pais da igreja, achavam que estes
                                               seres benditos estavam revestidos de
                                               uma refinada estrutura material. O
                                               termo espírito que lhes é aplicado
                                               não decide absolutamente por si
                                               mesmo a questão; pois como essa
                                               palavra, tanto no hebraico quanto no
                                               grego, é um termo material indicando
                                               vento, ar ou hálito, pode sem
                                               violência ser aplicado tanto a um
                                               espírito puro quanto a uma natureza
                                               material refinada. É verdade que, no
                                               aparecimento dos anjos aos homens,
                                               eles assumiram uma forma humana
                                               visível. Este fato, entretanto, não
                                               prova a sua materialidade; pois os
                                               espíritos    humanos      no     estado
                                               intermediário,                  embora
                                               desencorporados       tem    em     seu
                                                  relacionamento      com    o    corpo
                                                  aparecido     em     forma    humana
                                                  material: como Moisés, no Monte da
                                                  Transfiguração, também Elias foi
                                                  reconhecido como homem; e os
                                                  anciãos     que      apareceram     e
                                                  conversaram       com     João     no
                                                  Apocalipse, também tinham forma
                                                  humana (Ap. 5:5; 7:13).Mas tais
                                                  aparições não podem absolutamente
                                                  decidir. Teologicamente não há
                                                  nenhuma        incongruência       ou
                                                  improbabilidade de uma natureza
                                                  material refinada. O céu sem dúvida
                                                  é adequado para habitação de tais
                                                  seres. Enoque e Elias foram levados
                                                  ao céu em corpo e alma pela
                                                  transladação;       a     humanidade
                                                  glorificada de nosso Senhor está
                                                  entronizada ali; e os anjos, embora
                                                  revestidos de uma estrutura material,
                                                  podem habitar na presença divina
                                                  esplendorosa... Mas, como existe uma
                                                  lei de adaptação, a grosseira
                                                  materialidade da ”carne e sangue”
                                                  não pode penetrar naquela região
                                                  debem-aventurança.         Deduzimos,
                                                  então, que se os anjos estão
                                                  revestidos de uma natureza que exclui
                                                  tudo o que envolve a possibilidade da
                                                  deteriorização e qualquer
                                                  relacionamento com os apetites e
                                                  desejos animais.

 Os anjos são seres imortais, não estando sujeitos a putrefação orgânica, visto que seus
corpos são imateriais, conforme por ser constatado no evangelho de Lucas 20:35-36:
                                                   "Mas os que forem havidos por
                                                   dignos de alcançar o mundo
                                                   vindouro, e a ressurreição dentre os
                                                   mortos, nem hão de casar, nem ser
                                                   dados em casamento; Porque já não
                                                   podem mais morrer; pois são iguais
                                                   aos anjos, e são filhos de Deus, sendo
                                                   filhos da ressurreição".
A Bíblia também afirma que os anjos são inteligentes e mais poderosos que os homens,
todavia não são onipotentes, oniscientes e nem onipresentes, como Deus o é. Embora
não sejam onipresentes, possuem espantosa velocidade no deslocamento dos Céus para
a Terra, podendo fazer esta proeza instantaneamente, como lemos em Mateus 26:48:
                                                   “Ou pensas tu que eu não poderia
                                                   agora orar a meu Pai, e que Ele não
                                                   me daria mais de doze legiões de
                                                   anjos?"

                              4.3 A Habitação dos Anjos
A Bíblia esclarece que os anjos habitam nas esferas celestiais (Mc. 13:32). O Apóstolo
Paulo de Tarso escreveu aos Gálatas 1:8: “um anjo vindo do céu”. O Mestre Jesus
ensinando os seus discípulos a orar disse: “Faça-se a tua vontade, assim na terra como
no céu” (Mt. 6:10).

Podemos afirmar que o céu espiritual encontra-se habitado por inumeráveis exércitos de
anjos.
No livro “Teologia Sistemática”, o Dr. Gaebelein escreve que a Bíblia fala de três céus,
sendo o terceiro céu, o Céu dos céus, o lugar da habitação de Deus, onde o Seu trono
sempre esteve. Afirmou também que, nos lugares celestiais, de acordo com a epístola
aos Efésios, está os principados e potestades, a multidão incontável de anjos. Portanto, a
habitação dos anjos está nos Céus.

                                4.4 As Funções dos Anjos
Tanto no Velho Testamento, como no Novo Testamento encontramos menção das
diversas atividades destes seres supraterrenos, possibilitando discernirmos a real
finalidade de suas atribuições em relação à Humanidade terrestre.

4.4.1 No Antigo Testamento: As passagens selecionadas e apresentadas a seguir nos
mostram as principais funções dos anjos conforme relatadas pelo Antigo Testamento
(Angelologia Veterotestamentária).

É possível vislumbrar nestes textos anjos louvando ao Senhor, enviando Suas
mensagens, obedecendo à vontade de Deus e também sendo referidos como um exército
celestial.

São muitas as passagens que retratam a ação dos anjos, como por exemplo: um anjo
socorreu Hagar no deserto (Gn. 16:7-11); os anjos anunciaram a destruição de Sodoma
(Gn. 19:1-23); um anjo impediu a morte de Isaque (Gn. 22:11-12); um anjo acudiu Elias
(I Rs. 19:5- 8); Eliseu estava cercado de anjos (II Rs. 6:14-17); um anjo livrou Daniel
dos leões (Dn. 6:22); anjos guardaram a Jacó (Gn. 28:12; 31:11; 32:1-2; 48:16); dentre
outras inúmeras passagens.
Em Gênesis 32:1-2, existe a citação destes seres espirituais como exército do Todo
Poderoso:
                                                  "Jacó também seguiu o seu caminho,
                                                  e encontraram-no os anjos de Deus.
                                                  E Jacó disse, quando os viu: Este é o
                                                  exército de Deus. E chamou aquele
                                                  lugar Maanaim".

4.4.2 No Novo Testamento: No Novo Testamento (Angelologia Neotestamentária),
além das funções do Velho Testamento, os anjos são apresentados de forma inovadora
como ministros de Deus aos herdeiros da salvação de Jesus, o Cristo.
Praticamente, dentro da concepção cristológica e pneumática da salvação, abordada no
Novo Testamento, os anjos são evidenciados como criaturas que fazem o bem, enquanto
que os demônios (anjos caídos) são os que atrapalham a reconciliação com Deus,
destruindo muitas almas.

Vejamos duas passagens do evangelho de Lucas, mostrando suas funções ligadas ao
propósito da salvação:
                                                "Ora, havia naquela mesma comarca
                                                pastores que estavam no campo, e
                                                guardavam, durante as vigílias da
                                                noite, o seu rebanho. E eis que o anjo
                                                do Senhor veio sobre eles, e a glória
                                                do Senhor os cercou de resplendor, e
                                                tiveram grande temor. E o anjo lhes
                                                disse: Não temais, porque eis aqui
                                                vos trago novas de grande alegria,
                                                que será para todo o povo: Pois, na
                                                cidade de Davi, vos nasceu hoje o
                                                Salvador, que é Cristo, o Senhor".
                                                (Lucas 2:8-11)
Perto de Jesus ser entregue e julgado, Lucas deixou registrado no capítulo 22, nos
versículos de 41 a 43, a seguinte passagem:
                                                "E apartou-se deles cerca de um tiro
                                                de pedra; e, pondo-se de joelhos,
                                                orava, dizendo: Pai, se queres, passa
                                                de mim este cálice; todavia não se
                                                faça a minha vontade, mas a tua. E
                                                apareceu-lhe um anjo do céu, que o
                                                fortalecia".
No final do Novo Testamento, nas revelações do livro do Apocalipse, temos outras
citações sobre os anjos:
                                                "E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos
                                                ao redor do trono, e dos animais, e
                                                dos anciãos; e era o número deles
                                                milhões de milhões, e milhares de
                                                milhares, que com grande voz diziam:
                                                Digno é o Cordeiro, que foi morto, de
                                                receber o poder, e riquezas, e
                                                sabedoria, e força, e honra, e glória,
                                                e ações de graças".

(Apocalipse 5:11-12). Nesta passagem os anjos reconhecem todo o esforço do Filho de
Deus, exaltando-o dignamente.
Em outra passagem escatológica do Apocalipse de João 22:8-9, ele mesmo revela:
                                               "E eu, João, sou aquele que vi e ouvi
                                               estas coisas. E, havendo-as ouvido e
                                               visto, prostrei-me aos pés do anjo que
                                               mas mostrava para o adorar. E disse-
                                               me: Olha, não faças tal; porque eu
                                               sou conservo teu e de teus irmãos, os
                                                 profetas, e dos que guardam as
                                                 palavras deste livro. Adora a Deus".

                       4.5 Classificação Específica dos Anjos
4.5.1 Arcanjos: A palavra arcanjo () é de origem grega e significa o
principal entre os anjos. O prefixo “arc”, nos sugere tratar-se de um anjo chefe,
principal e poderoso. A palavra arcanjo aparece somente duas vezes nas Escrituras
Sagradas, uma em Judas 1:9, e outra no texto em I Tessalonicenses 4:16.

Na Bíblia protestante encontramos referência de um único arcanjo, chamado Miguel,
cujo nome significa "Aquele que é semelhante a Deus". Em Judas 1:9 está escrito: "Mas
o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de
Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te
repreenda".

O livro apócrifo de Enoque menciona o nome de sete arcanjos, a saber: Uriel, Rafael,
Raquel, Saracael, Miguel, Gabriel e Remiel. Segundo é mencionado naquele livro, a
cada um deles Deus entregou uma província sobre a qual reinassem. A autoridade de
Miguel seria “sobre a melhor porção da humanidade e sobre o caos”. Segundo este
escrito ele seria o protetor de Israel como Nação.

Uriel também é chamado de arcanjo nesta passagem do apócrifo de Esdras 4:36: "E
sobre estas coisas Uriel, o arcanjo, deu-lhes resposta, e disse: Mesmo quando o
número de sementes for preenchido em vocês, porque ele tem pesado o mundo na
balança".

Apesar dos arcanjos terem certo destaque, é de se salientar que Jesus não é um anjo,
pois os anjos foram criados por Ele. Miguel é distinto de Jesus Cristo – também
chamado Filho de Deus. Não cabendo qualquer confusão neste ponto.

4.5.2 Serafins:
A palavra hebraica para serafim é "saraph", que significa serpente que queima ou
serpente ardente ou ainda, consumir com fogo. A única ocasião em que esta
palavradescreve esta classe particular de anjos ocorre no texto de Isaías 6:2, onde são
descritos como seres com aparência humana (rostos, pés e mãos) e com seis asas, sendo
duas utilizadas para cobrir o rosto, duas para cobrir os pés e com as outras duas eles
voavam. Localizam-se acima do Trono de Deus e parecem ter um ministério de
adoração constante ao Senhor.

4.5.3 Querubins:
Na língua hebraica, querubim é pronunciado como "kerub" e significa guardar ou
cobrir. Com estas funções principais de guardiães, os querubins aparecem em vários
textos bíblicos. Outro termo que é utilizado para denominar os querubins é o de
“Criaturas Viventes” - título que representa esta classificação de anjos manifestando a
plenitude da vida divina, sua atividade incessante e permanente participação na
adoração a Deus.

A primeira menção destas criaturas de Deus as descreve como guardiões do Jardim do
Éden, quando por causa do pecado, Deus expulsou o homem do paraíso. Assim, o
homem não poderia voltar ao Jardim criado por Deus.
Estas criaturas aladas aparecem também na tampa que protegia o conteúdo da arca da
Aliança, também chamado propiciatório. Eram dois querubins que ficavam dispostos
em cada extremidade da arca, em puro ouro, tinha a função de proteger os objetos em
seu interior. No livro do Êxodo 25:18-22 está escrito:
                                                  "Farás também dois querubins de
                                                  ouro; de ouro batido os farás, nas
                                                  duas extremidades do propiciatório.
                                                  Farás um querubim na extremidade
                                                  de uma parte, e o outro querubim na
                                                  extremidade da outra parte; de uma
                                                  só peça com o propiciatório,fareis os
                                                  querubins nas duas extremidades
                                                  dele. Os querubins estenderão as suas
                                                  asas por cima, cobrindo com elas o
                                                  propiciatório; as faces deles uma
                                                  defronte da outra; as faces
                                                  dosquerubins estarão voltadas para o
                                                  propiciatório. E porás o propiciatório
                                                  em cima da arca,depois que houveres
                                                  posto na arca o testemunho que eu te
                                                  darei. E ali virei a ti, e falareicontigo
                                                  de cima do propiciatório, do meio dos
                                                  dois querubins (que estão sobre a
                                                  arca dotestemunho), tudo o que eu te
                                                  ordenar para os filhos de Israel".
No livro de Êxodo 26:31 e II Crônicas 3:7 existe menção que estes tipos de anjos foram
bordados nas cortinas, nos véus do Tabernáculo e nas paredes do Templo.
O Profeta Ezequiel deixou escrito em seu relato no capítulo 10, versículos de 1 a 8,
várias características dos querubins:
                                                  "Depois olhei, e eis que no
                                                  firmamento, que estava por cima da
                                                  cabeça dos querubins, apareceu
                                                  sobre eles uma como pedra de safira,
                                                  semelhante a forma de um trono. E
                                                  falou ao homem vestido de linho,
                                                  dizendo: Vai por entre as rodas, até
                                                  debaixo do querubim, e enche as tuas
                                                  mãos de brasas acesas dentre os
                                                  querubins e espalha-assobre a
                                                  cidade. E ele entrou à minha vista. E
                                                  os querubins estavam ao lado direito
                                                  da casa,quando entrou aquele
                                                  homem; e uma nuvem encheu o átrio
                                                  interior. Então se levantou a glóriado
                                                  Senhor de sobre o querubim indo
                                                  para a entrada da casa; e encheu-se
                                                  a casa de uma nuvem, e o átrio se
                                                  encheu do resplendor da glória do
                                                  Senhor. E o ruído das asas dos
                                                  querubins se ouviu até ao átrio
                                                   exterior, como a voz do Deus Todo-
                                                   Poderoso, quando fala.
                                                   Sucedeu, pois, que, dando ele ordem
                                                   ao homem vestido de linho, dizendo:
                                                   Toma fogo dentre as rodas, dentre os
                                                   querubins, entrou ele, e parou junto
                                                   às rodas. Então estendeu um
                                                   querubim a sua mão dentre os
                                                   querubins para o fogo que estava
                                                   entre os querubins; e tomou dele, e o
                                                   pôsnas mãos do que estava vestido de
                                                   linho; o qual o tomou, e saiu. E
                                                   apareceu     nos    querubins    uma
                                                   semelhança de mão de homem
                                                   debaixo das suas asas".

                                4.5.4 Anjo Mensageiro:
A palavra anjo significa mensageiro. A Bíblia está repleta de relatos sobre os anjos e
suas atribuições: louvar a Deus, guerrear ao lado do povo de Deus, guardar a nação de
Israel, trazer recados de Deus, dentre outras. O mais importante e sublime destes
mensageiros celestiais foi Gabriel.

A palavra Gabriel vem do hebraico "Gabriy'el", que quer dizer "guerreiro de Deus" ou
"homem de Deus", provindo da junção de "geber", "homem forte" ou "guerreiro" e
“el”. Ele é o anjo anunciador das grandes mensagens de Deus para a humanidade, tendo
aparecido a Daniel para explicar a visão de um carneiro e um bode (Dn 8:16) e a
profecia das setenta semanas (Dn 9:21). Posteriormente, no Novo Testamento, Gabriel
aparece para anunciar o nascimento de João, o Batista e de Jesus Cristo (Lc 1:19-26).

                             4.5.5 Anjo do Senhor:
Em variados textos do Antigo Testamento verificamos que a atitude protecionista de
Deus em relação ao povo de Israel é materializada na expressão “Anjo do Senhor”,
“Anjo de Javé” ou “Anjo de Deus”, como constam em passagens, como por exemplo,
podemos observar em Gênesis 16:7-14; 21:17-19; 31:11 e em Êxodo 3:2.

No Novo Testamento encontramos outras passagens que falam do Anjo do Senhor,
como por exemplo, observaremos em Mateus 1:20; 2:13 e 28:2; em Lucas 1:11; 2:9 e
em Atos dos Apóstolos 5:19; 8:26 e 12:7.

Em Êxodo 23:20-23, um Anjo do Senhor é descrito de forma diferente de qualquer
outro anjo. É atribuído a ele o poder de perdoar ou reter pecados. Dois aspectos devem
ser destacados nesta passagem: Primeiro, que o nome do Senhor está nele e segundo,
que ele é o rosto do Senhor, o rosto do Senhor está nele, por isso ele tem poder de salvar
e de recusar o perdão.

Como diz Alberto Matos: "Não se pode evitar a conclusão de que este anjo misterioso
não é outro senão o Filho de Deus, o Messias, o Libertador de Israel, e o que seria o
salvador do mundo. Portanto, o Anjo do Senhor é realmente um ser incriado".
Outra passagem na Bíblia menciona que o Anjo do Senhor aceitou a adoração de Josué.
Um anjo comum não admitiria ser adorado, como pode bem ser visto nas passagens em
Apocalipse 19:10 e 22:8-9.
Em Josué 5:13 a 6:3 está escrito:
                                                 “Josué estava perto da cidade de
                                                 Jericó. De repente, viu um homem
                                                 com uma espada na mão parado na
                                                 sua frente. Josué chegou perto dele e
                                                 perguntou: Você é do nosso exército
                                                 ou é inimigo? Não sou nem uma coisa
                                                 nem outra – respondeu ele. – Estou
                                                 aqui como comandante do exército de
                                                 Deus, o Senhor. Josué ajoelhouse,
                                                 encostou o rosto no chão e o adorou.
                                                 E disse: – Estou às suas ordens, meu
                                                 senhor. O que quer que eu faça? O
                                                 comandante do exército do Senhor
                                                 respondeu: – Tire as sandálias
                                                 porque a terra que você está pisando
                                                 é santa. E Josué obedeceu. Os
                                                 portões da cidade de Jericó estavam
                                                 muito bem fechados, para não deixar
                                                 que os israelitas entrassem. Ninguém
                                                 podia entrar, nem sair da cidade. O
                                                 Senhor Deus disse a Josué: – Olhe!
                                                 Eu estou entregando a você a cidade
                                                 de Jericó, o seu rei e os seus
                                                 corajosos soldados. Agora você e os
                                                 soldados israelitas marcharão em
                                                 volta da cidade uma vez por dia,
                                                 durante seis dias”.

Se o "Anjo de Deus" que apareceu a Josué não fosse o próprio Deus, não teria aceitado
a adoração de Josué. Por estas razões devemos entender com firmeza e clareza que o
Anjo do Senhor (ou o Anjo de Deus) no Antigo Testamento é sem dúvidas nosso
Senhor Jesus Cristo em várias de suas manifestações antes do seu nascimento como
homem.

                                4.5.6 Anjo da Guarda:
A realidade é que nós não temos um anjo da guarda, temos anjos que nos guardam, ou
seja, que guardam todos os cristãos fiéis.

As Escrituras Sagradas afirmam que Deus envia seus anjos para nos proteger, como
constatamos em Salmos 91:11-12:
                                             “Aos seus anjos dará ordens a teu
                                             respeito, para que te guardem em
                                             todos os teus caminhos. Eles te
                                             sustentarão em suas mãos, para não
                                             tropeçares nalguma pedra”.

Recentemente, os esotéricos e místicos criaram o conceito de anjo da guarda.
Disseminam-nos que cada indivíduo tem o seu próprio anjo da guarda e inventam até
nomes mirabolantes para eles. Todavia, à luz da Palavra de Deus, não há base para
crermos na existência desta realidade imposta por pessoas desavisadas.

Concluindo, não há "anjo da guarda", mas sim anjos que servem por ordens de Deus
àqueles que estão aqui executando as boas obras para glória de Deus.

             4.5.7 Principados, Potestades, Tronos, Soberanias e Poderes:
A Bíblia especifica certas classes de anjos, como também diversos importantes
indivíduos entre os anjos. Menciono a seguir cinco representações principais de
supremacia entre estes seres do mundo angélico, a saber: Tronos (), Domínios
(), Principados (), Autoridades () e Poderes (). É
de se salientar que estas nomenclaturas podem ser utilizadas para referenciar os anjos de
Deus ou os demônios (anjos caídos).

Passagens bíblicas que demonstram certas situações santas com interação dos anjos de
Deus são muitas. Por exemplo, citamos Efésios 3:10 e Colossenses 1:16; 2:10.
Entretanto, encontramos em Efésios 6:12, em I Coríntios 15:24 e em Colossenses 2:15,
certas passagens onde os nomes dos anjos ligam-se a situações malignas, evidenciando
que tratar-se-iam dedemônios.
Principado (do grego Archai) significa “autoridade” e “governante”.

É usada para indicar poderes humanos e espirituais. Este vocábulo pode significar
também "esfera de influência" de vários poderes espirituais. Possivelmente, este termo
refere-se a poderes espirituais que exercem domínio ou influência sobre vastas regiões
celestes.

Potestade (do grego Exousiai) refere-se a "autoridade", "poder para dar ordens",
conforme mencionado em Mateus 8:9. Em muitas passagens bíblicas, o termo
“Potestades” vem citado depois da palavra “Principados”, o que pode indicar uma
hierarquia ou até uma extensão de domínio inferior.

Trono (do grego Tronoi) tem significado de "assento de honra", utilizado por alguém
poderoso. A palavra refere-se a tronos humanos e celestiais. No livro de Apocalipse 4:4,
há menção a outros tronos ao redor do trono de Deus. A cidade de Pérgamo é chamada
de "trono de Satanás" em Apocalipse 2:12-13. Assim sendo, uma cidade pode tornar-se
um "trono".
Não se pode afirmar que posição ocupa numa hierarquia, mas sem dúvida, mostra que
também é um posto de autoridade.

Soberanias, Senhorios, Domínios e Dominações são derivações da palavra "Kurios"
traduzida por Senhor, muito utilizada pelos Césares romanos, que tinham seus escravos,
com poder de vida e morte sobre eles.

Poderes (do grego Dunameos) derivam da palavra "Dunamis", que tem a mesma raiz
das nossas palavras "dinamite e dínamo", indicando uma força muito grande, uma
potência incrível para fazer cumprir propósitos e objetivos.
Embora haja uma aparente semelhança entre todas estas denominações, presumimos
que estes títulos celestiais representam uma dignidade incompreensível e também como
o são os diversos graus de categorias do mundo angélico.

4.5.8 Anjos Maus:
Todos os anjos foram criados perfeitos e sem pecado e parecidos com o homem, por
serem dotados de livre arbítrio.

Sob a ordem de Satanás, muitos pecaram se rebelando e foram lançados fora do céu,
conforme relatado em 2 Pedro 2:4 e na passagem de Judas 1:6. O orgulho foi o que
determinou a queda de parte dos anjos do céu.

Com base na Bíblia, os anjos maus passam o tempo no inferno e no mundo,
especialmente nos ares que nos rodeiam. Suas artimanhas é enganar o homem por meio
do pecado. Entretanto, o poder deles será aniquilado para aqueles que são fiéis a Cristo
Jesus, pela redenção que Ele consumou na cruz e que também são expressas no livro do
Apocalipse 5:9 e 7:13-14.

Os anjos maus têm um único desígnio: o de serem empregados na execução dos
propósitos maléficos arquitetados por Satanás, causando danos na vida espiritual dos
homens.
Estas ações são opostas aos propósitos de Deus.

                                4.6 Queda dos Anjos
Há pouca informação sobre este estudo na Bíblia, sendo que os livros de Isaías e
Ezequiel nos fornecem alguns dados importantes, por meio das profecias dirigidas aos
reis da Babilônia e Tiro. Nestes casos, Deus os compara a Lúcifer, por causa da sua
soberba e inveja.

Vários estudiosos acreditam que tais passagens fornecem informações que não se
encaixam a nenhum desses reis, mas sim a um anjo que esteve no Éden, na ocasião da
queda de Adão e Eva.

Esta história de rebelião contra Deus, que ocorreu muito antes de a raça humana existir
na Terra, explicaria a origem do mal no Universo e por que o mundo é tão atormentado
pelo mal na atualidade.

                             4.6.1 A Queda de Lúcifer:
A Bíblia revela que o Universo e suas criaturas eram originalmente perfeitos, mas por
orgulho houve uma rebelião nos céus.

Em Isaías 14:12-15 encontramos um texto dirigido ao rei da Babilônia, porém o mesmo
sugere aplicar-se a alguém maior que o rei de Babilônia, com vaidade ambiciosa
similar.

Em Isaías 14:12, revela-se que uma pessoa identificada como Lúcifer, "estrela da
manhã, filho da alva", tem a ambição de dominar sobre todos os anjos e tornar-se como
Deus (Isaías 14:13-14).

Outro texto similar ao de Isaías é o do profeta Ezequiel no capítulo 28, versículos de 11
a 18. Nesta passagem o profeta traz uma palavra dirigida a princípio ao rei de Tiro.
Todavia, uma leitura acurada revela que o personagem não se trata do rei de Tiro, pois
no versículo 14 e 16 fornece informações de que a pessoa em questão era um querubim,
que é um tipo de anjo.

Também é mencionado que esteve no Jardim do Éden. Dessas indicações podemos
deduzir que a pessoa seria um anjo, caracterizado como um rei terreno. O foco da
semelhança entre o rei terreno de Tiro e o anjo seria o problema do orgulho.

Em Apocalipse 12:3-4; 7-9 há mais uma referência a queda de Lúcifer, também
chamado Satanás. Os trechos declaram que Miguel, líder dos anjos guerreou contra
Lúcifer, e o Diabo foi atirado na Terra. Este texto sugere que Lúcifer foi lançado nela
com a terça parte dos anjos. Os rabinos judeus antigos identificaram em Judas 1:6 e 2
Pedro 2:4 que há menção que os anjos seguiram a Satanás.

                               4.6.2 Resultado da Queda:
A Bíblia revela que todos os anjos perderam a sua santidade original e se tornaram
corruptos em natureza e conduta e alguns foram lançados no inferno e estão
acorrentados até o dia do julgamento (2 Pedro 2:4).

Atualmente, alguns anjos caídos ou também chamados demônios permanecem em
liberdade e trabalham em definida oposição à obra dos anjos bons. No Futuro, eles serão
julgados (1 Coríntios 6:3) e serão atirados no lago de fogo e enxofre (Mateus 25:41).

                         4.6.3 A Natureza dos Demônios:
Estes seres espirituais maléficos ou anjos caídos são dotados de inteligência e
personalidade e no Novo Testamento são comparados aos espíritos imundos.

No evangelho de Marcos 5:8-9 estes espíritos imundos são mencionados como sendo
em grande número. Na passagem de Marcos se denominam “Legião”.

São seres vis e perversos, praticantes da servidão e obsequiosos (Mateus 12:24-27). São
possuidores de caráter degenerado, ignóbil em suas ações e sujeito a Satanás.

Na atualidade, nota-se que a atividade demoníaca está se intensificando. Ao olharmos os
jornais e a televisão percebe-se que o mal impera neste mundo. Não há confiança entre
os homens e a mentira reina. Neste contexto, muitos milhões de seres humanos, por
causa do pecado estimulado pelos demônios, cooperam com os desígnios de Satanás.

                      4.6.4 Nomes Qualificativos de Satanás:
Ao verificarmos na Bíblia esta nomenclatura, deparamo-nos com informações
esclarecedoras sobre a natureza, caráter e estratégias de Satanás. Nas Escrituras
Sagradas constam dezenas de nomes para o nosso inimigo.

Segundo 1 Coríntios 21:1 e Atos 5:3, a nomenclatura Satanás significa "adversário",
"oponente", "inimigo". Ele trabalha em oposição a Deus e guerreia contra os seus
servos, objetivando a malignidade. Por exemplo, Pedro é identificado como Satanás,
quando não quis deixar que Cristo fosse crucificado (Mateus 16:23). Veremos a seguir
alguns outros nomes atribuídos a Satanás.
                        4.6.5 Diabo (Mateus 4:1 e Efésios 6:11):
Este nome é formado de uma transliteração do grego "diabolos" que significa acusador,
difamador, caluniador e maldizente. É utilizado em passagens onde percebemos ações
de engano, tentação e armadilhas. Demonstra também um caráter dominado pelo ódio e
desprezo, que se satisfaz ao envergonhar a Deus.

                       4.6.6 Serpente (Apocalipse 12:9 e 20:2):
As serpentes são traiçoeiras e hábeis em se esconder. Assim também é o diabo,
escondendo seu letal veneno, inoculado em suas vítimas.

Satanás nunca mostra que o caminho sugerido por ele, leva a destruição, e se não
houvesse a interferência de Cristo, certamente estariam perdidas.

                      4.6.7 Dragão (Apocalipse 12:3-17 e 13:2-4):
O Novo Testamento registra este nome por doze vezes e simbolicamente significa o
furor maligno de Satanás. Transparece também o caráter de alguém que quer destruir e
aterrorizar os servos de Deus como um monstro sem piedade.

                   4.6.8 Príncipe dos Poderes do Ar (Efésios 2:2):
Outra possível tradução desta nomenclatura qualificativa de Satanás seria "governante
do império da atmosfera". Seu domínio no ar é invisível e seu poder de malignidade
envolve o mundo, tal como o ar nos rodeia, atingindo todos os homens sem exceção.

              4.6.9 Príncipe deste Mundo (João 12:31; 14:30 e 16:11):
Esta nomenclatura coloca Satanás como "governante", possuindo autoridade sobre o
nosso mundo. É de se salientar que Deus tem domínio total da situação, entretanto
permite com restrições a atuação de Satanás, ouseja, dentro de certos limites.

                         4.6.10 Mentiroso e Pai da Mentira:
Desde o Jardim do Éden, Satanás mente com sutileza e frieza. Na verdade, ele é um
mestre na arte de enganar e não há limites, nem escrúpulos e nem pudores, para alcançar
seus obscuros e maléficos propósitos.

                               4.7 Ministérios dos Anjos
                                   4.7.1 Com Cristo:
Em Lucas 1:26:33 os anjos predisseram o nascimento de Cristo Jesus. Também
anunciaram seu nascimento (Lucas 2:13). Protegeram a criança (Mateus 2:13) e
fortaleceram a Jesus depois da tentação (Mateus 4:11).

No fim de seus dias confortaram-no no Getsêmani (Lucas 22:43) e na sua ressurreição,
rolaram para longe a pedra que fechava o sepulcro do Senhor (Mateus 28:2) e
anunciaram a ressurreição de Jesus (Mateus 28:6).

                                4.7.2 Com os Crentes:
Para os que acreditam em Jesus, os anjos os ajudam (Hebreus 1:14) e trazem respostas
às orações (Atos 12:7). Também encorajam os crentes em casos específicos (Atos
27:23-24) e estão interessados e se alegram nos esforços evangelísticos (Lucas 15:10 e
Atos 8:26).
                              4.7.3 Com os Descrentes:
O anjos anunciam juízos iminentes para os descrentes (Gênesis 19:13; Apocalipse 14:6-
7) e aplicam o juízo divino (Atos 12:23), agindo como ceifeiros na separação dos
escolhidos no fim dos tempos (Mateus 13:39).

        5 DESDOBRAMENTO DA ANGELOLOGIA NA IGREJA ATUAL
A falta de conhecimento sobre os anjos, bem como a existência de uma falsa impressão
de que os cristãos já sabem o suficiente sobre os anjos, aliada ao fato do assunto ser
disseminado com pouca intensidade nas igrejas, anula de certo modo o desejo de se
conhecer em sua essência verdadeira Angelologia.

Hoje, as distorções existentes, as idéias preestabelecidas pelas tradições, bem como a
disseminação de doutrinas angelicais esotéricas e místicas e muitas vezes inverídicas,
também anulam o desejo de se adquirir informações genuínas sobre este tema.

Infelizmente, a falta de conhecimento sadio sobre os anjos bloqueiam os cristãos de
usufruírem melhor das ações benéficas dos mensageiros de Deus. Preocupa-nos
também, os excessos cometidos dentro e fora das igrejas em relação a esta matéria, pois,
somam mais pontos para os propósitos de Satanás e seus demônios. A recomendação
bíblica em Gálatas 1:8 é que “ainda que um anjo do céu vos anuncie outro evangelho
além do que já vos tenho anunciado, seja anátema”. Assim, devemos estar vigilantes e
sempre atentos!
                               5.1 Mentiras Angelicais:
Proliferam na atualidade muitas mentiras sobre os anjos. Estas deturpações causam
descrédito ao assunto e por vezes, desviam os crentes e não crentes da realidade
espiritual. As mentiras mais comuns sobre os anjos de luz são:

                       5.1.1 Crer na Auto-Criação dos Anjos:
Esta inverdade é combatida pelo depoimento bíblico que afirma que os anjos foram
criados por Deus, contido em Neemias 9:6 e também em citação em Colossenses 1:16.

                 5.1.2 Crer que os Anjos devem ser adorados:
Esta é uma tremenda heresia! Os anjos não devem ser adorados e nem cultuados,
conforme podemos verificar em Apocalipse 22:8-9 e também em Colossenses 2:18.

                         5.1.3 Crer que os Anjos se casam:
Esta afirmação feita por pessoas com pouco conhecimento do assunto é um absurdo!
Em Mateus 22:28 verificamos que não existe esta possibilidade para estes seres
espirituais.

                   5.1.4 Crer que os Anjos não estão sujeitos à Cristo:
Este ponto é preocupante, pois poderia significar a materialização de seitas e religiões
que cultuariam os anjos e deixariam Cristo em segundo plano, distorcendo assim, a
essência dos ensinamentos contidos na Bíblia, ouseja, o “Plano de Salvação”. Nas
passagens de Efésios 1:20-21 e Filipenses 2:9-11, verificamos que os anjos estão
sujeitos à Cristo.

Percebe-se que as mentiras não se limitam aos anjos de Deus. Também são ditas
inverdades sobre os anjos caídos e as distorções mais freqüentes são:
5.1.5 Crer que os Anjos caídos foram criados perversos:
Na verdade, eles foram criados santos, assim como os anjos de luz. Entretanto, os anjos
caídos preferiram seguir a Lúcifer em seu plano de ser maior do que Deus (2 Pedro 2:4
e Judas 1:6).

                  5.1.6 Crer que os Anjos não irão ao castigo eterno:
Esta é mais uma mentira! Eles são passíveis de igual condenação à de Satanás (2 Pedro
2:4) e serão lançados no Lago de Fogo, conforme pode ser constatado no evangelho de
Mateus 25:41 e em Apocalipse 20:10 e 14.

                     5.2 Anjos entre os Protestantes Brasileiros
A posição protestante clássica frente à Angelologia está refletida na resposta à pergunta
número dezesseis do Catecismo Maior de Westminster que nos diz o seguinte:
                                                  “Deus criou todos os anjos, como
                                                  espíritos imortais, santos, excelentes
                                                  em conhecimento, grandes em poder,
                                                  para executar os seus mandamentos e
                                                  louvarem o seu nome, todavia sujeitos
                                                  a mudança”.
Resumidamente, segundo este catecismo, os anjos serviram a Deus na entrega de
mensagens divinas, quando comunicaram bênçãos ao povo de Deus e também quando
executaram juízo sobre os inimigos deste povo santo.

Vários livros já foram publicados no Brasil sobre o assunto. Muitas obras, como por
exemplo, o livro “Anjos Agentes Secretos de Deus”, de Billy Graham, contribuem para
o
esclarecimento do assunto. Infelizmente, outras obras têm distorcido muito o tema,
considerando por vezes, os anjos como deuses ou semideuses. É preocupante o fato de
estes exageros saltarem das páginas dos livros para os templos. Sobre este assunto a
revista “Ultimato” afirma:
                                                Na periferia de uma grande cidade, o
                                                pastor de uma igreja evangélica faz
                                                invocação os anjos no início dos
                                                cultos. Ele ordena que os anjos, com
                                                espadas              desembainhadas,
                                                fumegantes, se postem nas portas e
                                                nas janelas do templo para impedir a
                                                entrada dos dardos inflamados do
                                                maligno. Ele aponta para as portas e
                                                para cada janela, dando ordem para
                                                os anjos. Depois, sob a proteção da
                                                milícia celestial os atos do
                                                cultoprosseguem. Outro pastor, além
                                                de não concordar com a atitude do
                                                seu colega, colocase em uma posição
                                                oposta. Ele afirma que os anjos
                                                nasceram na mente dos hebreus,
                                                quando estes substituíam o politeísmo
                                                pelo monoteísmo. Sem saber o que
                                                fazer com a multidão de deuses e
                                                  semideuses que povoavam as suas
                                                  mentes, resolveram transformálos em
                                                  anjos, ministros do Deus único.
Nos exemplos anteriores, os dois pastores representam posições extremas, que não
expressam o pensamento do protestantismo histórico.

Mas, o alerta está dado! Percebe-se na atualidade um novo avivamento sobre este
assunto, pois o interesse pelos anjos está em alta. Precisamos abrir os nossos olhos do
entendimento e discernir a verdade das inverdades vigentes, para não desviarmos dos
retos caminhos.

Por outro lado, as igrejas devem dar maior atenção ao assunto e trazer a verdade à tona,
por meio de ensinamentos bíblicos, para que os crentes possam ser disseminadores das
verdades puras da Angelologia.

                            6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
É momento de fazermos uma reflexão sobre a Angelologia, pois embora os anjos sejam
mencionados em vários trechos da Bíblia, ainda assim, não é fácil formularmos uma
doutrina completa sobre estes seres espirituais. Tal afirmação se baseia no fato de que a
Angelologia não é o enfoque principal das Escrituras Sagradas. A ênfase primária da
Bíblia baseia-se no Cristo Salvador ou no seu estudo chamado Cristologia!

A doutrina angelical, apesar de complexa, é da mais alta importância para o crente em
sua vida cotidiana, pois os anjos são exemplos de louvor e exímios auxiliadores
enviados por Deus, que podem encorajar-nos em virtudes cristãs, como por exemplo:
humildade, fé ou confiança, responsabilidade, reverente temor e participação na história
da salvação.

O correto estudo dos anjos faz parte da Teologia, tendo valor tangencial e implicações
para outros ensinamentos bíblicos. Por exemplo, nos fornece informações preciosas
para conhecermos melhor o nosso inimigo, bem como os recursos que estão à
disposição dos crentes para livrá-los das tentações e tribulações da vida. Devemos levar
a sério a luta contra os poderes do mal, como bem fizeram nosso Senhor Jesus Cristo,
seus apóstolos e discípulos, servindo estas situações como exemplos de vitória para
serem aplicados por nós nos dias de hoje.

É certo que existe uma realidade espiritual, porém não são todas as pessoas que
percebem esta situação. Em algumas ocasiões nos deparamos com situações que algum
mal nos acontece e não conseguimos identificar as causas. Entretanto, na maioria das
vezes, as influências sofridas estão no intercâmbio existente entre o mundo terreno e
espiritual. Uma batalha espiritual está sendo travada!
Não podemos subestimar e nem superestimar os anjos e demônios. Devemos tratá-los a
luz da Palavra de Deus e quando buscarmos as respostas na Bíblia devemos também,
temer interpretar um texto fora do contexto, pois estaríamos corrompendo-os e nos
colocando longe da verdade.

Outro aspecto fundamental é que os Anjos bíblicos são verdadeiramente extraterrestres,
pois foram criados fora da Terra pelo Criador, mas deve ficar claro que não se
comportam como os extraterrestres divulgados pela mídia atualmente e nem objeto de
estudos dos ufólogos e estudiosos do assunto, embora não se descarte totalmente a
hipótese de se tratarem de anjos caídos.

Devemos ficar vigilantes, pois Satanás tem muitos meios de enganar a Humanidade.
Teria Satanás e seus demônios o interesse de aparecer como extraterrestre ou na forma
de um OVNI? Sabe-se que o inimigo é hábil conhecedor da Palavra de Deus e é
conhecedor de que se aproxima o dia da volta de Jesus Cristo com suas miríades de
anjos bons. Hipoteticamente, ele poderia usar a ufologia como forma de ter mais
pessoas sob o seu domínio quando este dia glorioso chegar, pois enganaria a maioria
dos homens com uma falsa vinda de Jesus.

Não seria espantoso ver nos noticiários de televisão com transmissões de programas
mostrando invasões de discos voadores nos céus? Quem duvidaria de um evento desta
magnitude?

Todo cuidado é pouco, pois se esta teoria se confirmar no futuro, então várias passagens
da Bíblia poderiam oferecer informações sobre o Fenômeno OVNI.

Além do mais, esta teoria ganha força se olharmos para a casuística ufológica que
possui aspectos intrigantes, com efeitos físicos, psicológicos e espirituais danosos,
ocasionado pelo encontro direto com OVNIs e seus tripulantes. Em alguns casos
apresentam até possessão, falsos evangelhos e doutrinas desconhecidas e que vão de
encontro à Bíblia.

A Bíblia revela que Satanás virá sobre o mundo, no final dos tempos, com “todo poder,
e sinais e prodígios da mentira” e que Deus permitirá “grandes sinais no céu” (2
Tessalonicenses 2:9-10 e Lucas 21:11).

Os tripulantes dos OVNIs quer sejam habitantes de outros sistemas solares, quer sejam
anjos ou demônios, se enquadram perfeitamente aos sinais que antecederiam a vinda do
Salvador. Porém, não podemos dogmatizar este assunto, pois somente Deus conhece
todas as coisas.

É oportuno dizer que todos os aspectos levantados neste trabalho são um alerta para a
igreja, para os crentes e os descrentes, para que se possa discernir entre o erro e a
verdade e assim nos livrarmos de toda heresia. Não é possível vencer as distorções
existentes fugindo delas! Os dirigentes das igrejas devem ter ciência da grande
responsabilidade que têm em repassar os corretos ensinamentos sobre o tema e devem
valorizar mais a Angelologia nos seus raros sermões sobre os anjos, fazendo isto dentro
de um contexto bíblico sadio.

Finalizando, reitero a advertência de 2 Coríntios 11:14 para que fiquemos atentos às
falsas doutrinas, pois Satanás é especialista em distorcer as Escrituras Sagradas.

Estarmos vigilantes para impedir que tais heresias ingressem nos círculos de comunhão
evangélica. Esta é a ordem do dia! Amém!
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